Em 1902 o Governo Federal concedeu ao engenheiro e empresário Pedro Nolasco uma concessão para criar uma ferrovia entre Minas Gerais e Vitória, no Espírito Santo.
Em 1904 era inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro Vitória a Minas. Os principais produtos transportados pela ferrovia eram madeira e café.
Com a descoberta de minas de ferro na região de Itabira, em Minas Gerais, capitais britânicos criaram a empresa Brazilian Hematite Syndicate, em 1909, com o objetivo de explorar as jazidas. Pouco tempo depois, a empresa inglesa incorporava a Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Em 1911 a companhia inglesa transformava-se na Itabira Iron Ore Company, cujo capital era controlado pelo empresário Percival Farquhar.
Durante mais de vinte anos, a Itabira Iron deteve os direitos de exploração do ferro de Minas e foi objeto de ataques de intelectuais, dos tenentes e de autoridades, que rejeitavam a exploração do ferro brasileiro por capitais estrangeiros, considerando ser essa uma situação tipicamente colonial e contrária aos interesses brasileiros.
Em 1935, o Governo Federal entrava em confronto com a Itabira Iron ao encampar a Estrada de Ferro Vitória-Minas.
Dois anos depois, em 1937, a Carta outorgada do Estado Novo estabelecia que a exploração das jazidas minerais do país dependia de concessão do Governo Federal e que só poderia ser concedida a empresas organizadas no país cujos acionistas fossem brasileiros. Esse dispositivo vedava ao capital estrangeiro a exploração das minas de ferro de Minas Gerais. E representava o fim das atividades da Itabira Iron no Brasil.
Finalmente, em 1° de junho de 1942, Getúlio Vargas publicava o Decreto 4.352 criando a Companhia Vale do Rio Doce, com o propósito de explorar as jazidas da região de Itabira, bem como garantir o suprimento de ferro para a nascente Companhia Siderúrgica Nacional.
Tal como a CSN, a nova companhia era constituída como uma sociedade anônima de economia mista.
A exemplo dos acordos realizados com os Estados Unidos referentes à exportação de minerais estratégicos e borracha, o Brasil celebrou um acordo com a Inglaterra, com a participação dos Estados Unidos, relativo à nacionalização dos interesses de Percival Farquhar no Brasil. Pelo Tratado de Washington, os ingleses reconheciam a nacionalização dos ativos da Itabira Iron e em troca o Governo brasileiro se comprometia a vender ferro à Inglaterra.
Em 11 de janeiro de 1943 reuniu-se a assembléia de acionistas para constituição da Companhia Vale do Rio Doce. Israel Pinheiro foi eleito o primeiro presidente da empresa. A partir desse momento as exportações de ferro cresceriam exponencialmente.
Em 1953, durante o segundo governo de Getúlio Vargas, a Vale do Rio Doce utilizava pela primeira vez um navio brasileiro para exportar minério de ferro. A embarcação era denominada "Siderúrgica Nove" e representou o início de uma política da companhia no sentido de fazer construir navios de grande tonelagem no Brasil e utilizá-los no transporte do minério brasileiro. O propósito era o de aumentar a participação brasileira nas rendas geradas pelo negócio do ferro, bem como estimular o desenvolvimento da indústria de construção naval no país. Em 1962 a empresa criou uma subsidiária, a Vale do Rio Doce Navegação, também denominada "Docenave", para transportar os minérios que produzia.
Em 1967, o geólogo Breno Augusto dos Santos, da Companhia Meridional de Mineração, subsidiária da United States Steel, descobria as fantásticas jazidas de Carajás, a maior província mineral do mundo. Três anos mais tarde, a Vale associou-se a United States Steel, na condição de acionista majoritária do Projeto Carajás. A Vale deixava de ser uma companhia ligada à exploração das jazidas de ferro de Minas Gerais e passava a explorar jazidas minerais também na Amazônia.
Em 7 de maio de 1997, durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso, a Vale do Rio Doce foi privatizada. Hoje, além de ferro, a empresa produz e exporta diversos minérios. Em 2000, a Vale exportou mais de 119 milhões de toneladas de ferro para todo o mundo.
Fonte: www.getulio50.org.br