
Getúlio Dornelles Vargas nasceu em 19 de abril de 1882, em São Borja, no Rio Grande do Sul. Passou a infância em sua cidade natal, onde cursou o ensino básico.
Em 1899, aos dezessete anos, tornou se soldado. No ano seguinte passou em um concurso para uma escola preparatória de sargentos, permanecendo no Exército até 1903.
Ainda em 1903 freqüentou aulas do curso de direito como ouvinte e em 1904 matriculou-se no segundo ano da Faculdade de Direito de Porto Alegre após ter sido aprovado em provas referentes ao conteúdo das matérias do primeiro ano.
Em 1907, como estudante universitário, iniciou sua longa carreira política ao criar o Bloco Acadêmico Castilhista, um grupo estudantil de apoio à candidatura a governador de Carlos Barbosa, pelo Partido Republicano Rio Grandense. Também participaram do Bloco três figuras que mais tarde viriam a ocupar os mais altos cargos da política brasileira: Eurico Gaspar Dutra, Pedro Aurélio de Góis Monteiro e João Neves da Fontoura.
Formou-se em 1907 tendo sido orador de sua turma. No mesmo ano assumiu o cargo de segundo promotor público de Porto Alegre.
O chefe político do Partido Republicano do Rio Grande do Sul era Borges de Medeiros, cinco vezes governador do Estado. Por sua indicação, Vargas integrou a chapa do Partido Republicano que disputaria eleições, para a Assembléia dos Representantes, antiga denominação da Assembléia Legislativa do Estado.
Em março de 1909 Getúlio foi eleito deputado estadual pelo PRR. Nessa época, o governo estadual concentrava quase todos os poderes, de tal forma que a Assembléia Legislativa se reunia apenas por três meses a cada ano, com o objetivo de votar o orçamento e aprovar as contas do governo.
Assim, Getúlio abriu uma banca de advocacia em São Borja, à qual se dedicava durante os nove meses de recesso parlamentar.
Aos vinte e oito anos Getúlio casou-se com Darcy Lima Sarmanho, filha de Antônio Sarmanho, estancieiro, gerente de uma agência bancária em São Borja e amigo de seu pai. Darcy tinha quinze anos de idade quando se casou.
Em 1913 Getúlio se reelegeu deputado estadual, mas renunciou pouco tempo depois em protesto contra a intervenção do Presidente do Estado, Borges de Medeiros, nas eleições de Cachoeira do Sul.
Rompido com o chefe político do Rio Grande do Sul, Getúlio voltou-se para a advocacia. Três anos mais tarde, Borges de Medeiros reconciliou-se com Vargas que foi então novamente eleito deputado estadual.
Getúlio teve cinco filhos: Lutero, Jandira, Alzira, Manuel Antônio e Getúlio Vargas Filho. Alzira formou-se em direito e tornou-se assessora do pai. Manuel foi secretário da agricultura do Rio Grande do Sul e prefeito de Porto Alegre. Lutero foi deputado federal e presidente do Partido Trabalhista Brasileiro. Jandira não teve atividade política e Getúlio Vargas Filho foi químico industrial tendo falecido ainda jovem, em 1942, vítima de pólio.
Em 1922 Getúlio foi eleito deputado federal pelo PRR. para completar o mandato do deputado Rafael Cabeda, que havia falecido.
Em 1924 foi reeleito deputado federal e tornou-se líder da bancada gaúcha do PRR.
Com a posse de Washington Luís em 15 de novembro de 1926, Getúlio foi indicado para o o Ministério da Fazenda, numa tentativa do novo presidente de reaproximar o Rio Grande do Sul da aliança política e eleitoral entre Minas e São Paulo, abalada desde a eleição de Arthur Bernardes para a Presidência quando Borges de Medeiros tinha apoiado a candidatura de Nilo Peçanha.
Em 1927 Borges de Medeiros indicou o nome de Getúlio como candidato ao Governo do Rio Grande do Sul. Borges tinha exercido cinco mandatos ao longo de vinte e cinco anos, constituindo-se na figura de maior expressão política do Estado depois de Júlio de Castilhos.
Em 25 de janeiro de 1928, Getúlio assumia o Governo do Estado.
Em seu secretariado, figurava como titular da pasta do Interior e Justiça, um jovem que viria a ser o principal articulador da Revolução de 30 ao lado do próprio Getúlio e que alguns anos mais tarde viria a ocupar três dos mais importantes ministérios do país, Fazenda, Justiça e Relações Exteriores, além da Embaixada do Brasil em Washington: Osvaldo Aranha.
Como governador Vargas deu mostras do fôlego administrativo que viria a ter no exercício da Presidência da República. Já no primeiro ano de seu mandato fundou o Banco do Rio Grande do Sul, com o objetivo de aumentar a oferta de crédito agrícola.
Em novembro de 1928 conseguiu que o Congresso Nacional votasse e aprovasse a chamada Lei de Desnacionalização do Charque, com o propósito de combater o contrabando de charque uruguaio cuja concorrência em relação ao produto gaúcho era predatória, pelo fato de entrar ilegalmente no país e, portanto, sem recolher quaisquer impostos.
O Governo estadual favoreceu ainda as exportações de charque e arroz e estimulou a constituição de sindicatos de produtores com o objetivo de evitar a superprodução e a conseqüente queda acentuada de preços dos produtos.
Getúlio buscou pacificar e unir as correntes políticas do Estado, inclusive trazendo para participar do Governo membros do Partido Libertador, tradicional adversário do Partido Republicano Riograndense. O Rio Grande do Sul havia vivido três décadas de lutas políticas intensas que culminaram com o conflito sangrento de 1923, travado entre os republicanos e antigas lideranças federalistas. Agora tinha à frente um hábil político que buscava unir o Estado criando as condições básicas para que as forças políticas do Rio Grande do Sul viessem a disputar o poder no plano federal.
Fonte: www.getulio50.org.br