
Comício em Curitiba na campanha presidencial de 1950
Apesar de Eurico Gaspar Dutra ter sido candidato do PSD por indicação de Getúlio e de ter sido eleito graças ao apoio de Vargas, e embora tenha sido ele Ministro da Guerra de Getúlio durante praticamente oito anos e oito meses, de 5 de dezembro de 1936 a 3 de agosto de 1945, seu governo representou uma ruptura com as principais políticas adotadas pelo Governo Vargas de 1930 a 1945.
Getúlio levou o Estado a realizar grandes investimentos em infra-estrutura, ampliou os direitos trabalhistas com o objetivo de aumentar a massa salarial e buscou proteger a iniciativa empresarial nacional tornando uma série de atividades econômicas privativas de empresas organizadas no Brasil cujos titulares fossem brasileiros.
Dutra, ao contrário, abriu o quanto pôde as portas ao capital estrangeiro e buscou diminuir ao máximo a intervenção do Estado na economia, favoreceu as importações, o que levou ao esgotamento das reservas cambiais acumuladas no período anterior. Dutra restringiu o direito de greve, interviu em centenas de sindicatos e congelou o salário mínimo durante todo o seu governo.
As diferenças eram tantas e tão profundas que não muito tempo depois da posse de Dutra, os dois políticos estavam completamente rompidos.
Tendo sido eleito pelo PSD, Dutra não admitia o apoio desse partido a Getúlio nas eleições de 1950. Apesar do PSD ter sido criado em 1945, por iniciativa de Getúlio através da ação do Governador de Minas, Benedicto Valadares, um dos seus mais próximos aliados, bem como do próprio genro de Getúlio, o Governador do Rio de Janeiro, Amaral Peixoto, o partido lançou a candidatura de Cristiano Machado.
As articulações em torno da candidatura de Getúlio nas eleições de 1950 tiveram início logo depois do Carnaval de 1949. O jornalista Samuel Wainer realizava uma reportagem no Rio Grande do Sul sobre a viabilidade do Brasil tornar-se auto-suficiente na produção de trigo. Quando o pequeno avião que o levava sobrevoava a fazenda de Getúlio, Wainer foi informado pelo piloto de que aquelas terras eram de Getúlio Vargas.
O jornalista fez então o avião pousar e conseguiu quebrar o longo silêncio de Getúlio. Na entrevista que obteve, Getúlio afirmaria: "Sim, eu voltarei, não como líder político, mas como líder de massas". (1) As declarações tiveram grande repercussão em todo o país e partir desse momento à sucessão de Dutra se acelerou.
A UDN lançou novamente a candidatura de Eduardo Gomes.
O PTB desejava lançar a candidatura de Getúlio. Tendo se auto-exilado em São Borja, Getúlio recebia em sua fazenda políticos, lideranças sindicais e personalidades que o conclamavam a concorrer.

A Comissão Executiva Nacional do PTB visita Getúlio em São
Borja
para convidá-lo a ser candidato
Mas era preciso romper o isolamento do PTB e isso foi obtido mediante a aliança com o Partido Social Progressista, do Governador de São Paulo, Adhemar de Barros.
A aliança eleitoral com o PSP interessava a Getúlio principalmente pelo fato de que o Governador paulista poderia trazer votos de parcelas da população do estado que não votariam espontaneamente em Getúlio. Segundo o acordo, o PSP indicaria o candidato à Vice-Presidência da República. O escolhido pelo PSP foi o jornalista potiguar João Fernandes Campos Café Filho.
A candidatura de Getúlio só foi formalizada em 30 de agosto de 1950, cerca de um ano meio depois da entrevista a Samuel Wainer.

Getúlio viajou por todo o país em campanha. Na foto, a chegada
em Cuiabá
A campanha eleitoral de Getúlio durou apenas 53 dias, nos quais ele, um homem então com 67 anos, visitou o Rio de Janeiro e vinte Estados da Federação, pronunciando cerca de oitenta discursos.

Campanha eleitoral
O resultado eleitoral espelhou a grande popularidade do velho político. Aos sessenta e oito anos Getúlio era eleito com um número de votos pouco menor do que a soma dos votos de seus dois principais adversários, o Brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN e Cristiano Machado, do PSD.
Getúlio teve 3.849.040 votos, 48,7% do total dos votos válidos, contra 2.342.384 votos de Eduardo Gomes, 28,6% do total e 1.697.193 votos conferidos a Cristiano Machado, 21,5% do total.
Fonte: www.getulio50.org.br