Getúlio Dornelles Vargas (São Borja, 19 de abril de 1882 — Rio de Janeiro, 24 de agosto de 1954) foi um político brasileiro, chefe civil da Revolução de 1930 e por quatro vezes Presidente da República.
Governou o Brasil de (1930-1934 no Governo Provisório; 1934-1937, no governo constitucional; 1937-1945, no Estado Novo; 1951-1954, presidente eleito por voto direto).
Getúlio tinha a alcunha de "Seu GeGê" e de "pai dos pobres". Chamado carinhosamente de Dr. Getúlio, só seria chamado de Vargas, pelos historiadores norte-americanos chamados de brasilianistas.
Sua doutrina e estilo político foram chamados de Getulismo, ou, pelos brasilianistas, de Varguismo.
Suicidou-se com um tiro no coração, dentro de seu quarto no Palácio do Catete, na cidade do Rio de Janeiro, então capital federal.
Getúlio Vargas foi o mais importante, controvertido e polêmico político brasileiro do século XX, sendo que sua influência se extende até os dias de hoje.
Sua herança política é reclamada por pelo menos dois partidos políticos atuais: o PDT e do PTB.
Nasceu no interior do Rio Grande do Sul, no município de São Borja, filho de Manuel do Nascimento Vargas e de Cândida Dornelles Vargas.
Quando jovem, alterou alguns documentos para constar seu ano de nascimento como 1883, o que somente foi descoberto nas comemorações de seu centenário de nascimento, verificando seu acento de batismo, quando se descobriu que nascera em 1882.
Getúlio Vargas fazia parte de uma família tradicional gaúcha da zona rural e de fronteira: os pampas. Sua família paterna é originária dos Açores. Estudou em sua terra natal, depois em Ouro Preto.
Inicialmente, tentou a carreira militar, tornando-se em 1898 soldado na guarnição de seu município natal e, em 1900, matriculou-se na Escola Preparatória e de Tática de Rio Pardo (RS), onde não permaneceu por muito tempo, sendo transferido para Porto Alegre, a fim de terminar o serviço militar.
Essa passagem pelo exército e a origem militar, (seu pai lutou na guerra do Paraguai), seriam decisivos na formação da compreensão que Getúlio tinha dos problemas das forças armadas e no seu empenho em modernizá-las quando chegou à presidência da república.
Matriculou-se em 1904 na Faculdade de Direito de Porto Alegre, onde conheceu o então cadete da escola militar Eurico Gaspar Dutra. Bacharelou-se em Direito no ano de 1907. Trabalhou inicialmente como promotor junto ao fórum de Porto Alegre, mas decidiu retornar a sua cidade natal para exercer a advocacia.
Sua orientação filosófica, como muitos de seu estado e sua época, foi partidária do positivismo.
Casou-se em 1911 com Darcy Lima Sarmanho, com quem teve cinco filhos. Este casamento foi um ato de conciliação pois as famílias dos noivos foram de partidos políticos rivais na revolução federalista de 1893.
Em 1909 elegeu-se deputado estadual, sendo reeleito em 1913. Em pouco tempo
renunciou, em protesto pelas atitudes tomadas pelo então presidente
do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, durante a eleição.
Retornou à Assembléia Legislativa estadual em 1917, sendo novamente
reeleito em 1921.
Em 1923, quando já estava para ir combater a revolução
de 1923 no interior de seu estado, foi chamado para concorrer á uma
vaga de deputado federal, pelo PRR (Partido Republicano Riograndense). Foi
eleito, tornando-se líder da bancada gaúcha, ou seja, líder
dos deputados do Rio Grande do Sul na Câmara dos Deputados, no Rio de
Janeiro.
Assumiu o ministério da Fazenda (1926-1927) durante o governo de Washington Luís. Deixou o cargo de ministro para candidatar-se e vencer as eleições para presidente (atualmente diz-se governador) do Rio Grande do Sul (mandato exercido entre 1928-1929).
Durante seu mandato, quando se lançou candidato à presidência, iniciou um forte movimento de oposição ao governo federal, exigindo o fim da corrupção eleitoral, a adoção do voto secreto e do voto feminino.
Getúlio,porém, conseguiu manter bom relacionamento com o presidente Washington Luís, consequindo verbas federais para o Rio Grande do Sul. Criou o Banco do Estado do Rio Grande do Sul, apoiou a criação da VARIG (Viação Aérea Rio Grande).
Getúlio, quando Presidente de seu estado, começou a se destacar como conciliador, conseguindo unir os partidos políticos do seu estado (PRR e Partido Libertador}, antes, eternamente divididos.
Na república velha (1889-1930), vigorava no Brasil a chamada "política
do café com leite", em que políticos de São Paulo
e de Minas Gerais, se alternavam na presidência da república.
Porém, no começo de 1929, Washington Luís indicou o nome
do Presidente de São Paulo, Júlio Prestes, como seu sucessor,
no que foi apoiado por presidentes de 17 estados.
Negaram o apoio a Júlio Prestes, apenas três estados : Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, sendo que, até hoje, se lê, na bandeira da Paraíba, a palavra NÉGO.
Os políticos de Minas Gerais ficaram insatisfeitos com indicação de Júlio Prestes, pois esperavam que Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, que governava aquele Estado, fosse o indicado, de acordo com a "política do café com leite", citada acima.
Antônio Carlos ficaria conhecido como o "Arquiteto da Revolução de 1930".
Assim a política do café com leite chegou ao fim e iniciou-se a articulação de uma frente oposicionista ao intento do presidente e dos 17 estados de eleger Júlio Prestes.
Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba uniram-se a políticos
de oposição de diversos estados, inclusive do Partido Democrático
de São Paulo, para se oporem à candidatura de Júlio Prestes
, formando, em agosto de 1929, a Aliança Liberal.
Em 20 de setembro do mesmo ano, foram lançados os candidatos da Aliança
Liberal às eleições presidenciais: Getúlio Vargas
como candidato a Presidente e João Pessoa (Presidente da Paraíba)
como candidato a vice-presidente.
A candidatura e o programa da Aliança Liberal contaram com o apoio, além dos três governos estaduais citados, de partidos de oposição em vários estados, inclusive o Partido Democrático de São Paulo e o Partido Libertador do Rio Grande do Sul.
Apoiaram a Aliança Liberal intetectais como José Américo de Almeida e Lindolfo Collor, membros das camadas médias urbanas e a corrente político-militar chamada "Tenentismo", na qual se destacavam Cordeiro de Farias, Eduardo Gomes,Siqueira Campos, João Alberto Lins de Barros, Juarez Távora e Miguel Costa, Luís Carlos Prestes e Juracy Magalhães e três futuros presidentes da república.
O presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos, diz em discurso, ainda em 1929: " Façamos a revolução pelo voto antes que o povo a faça pelas armas".
Esta frase foi vista como a expressão do instinto de sobrevivência de um político experiente (raposa política) e um presságio.
A eleição para a presidência da república foi
realizada no dia 1º de março de 1930 e foi vencida por Júlio
Prestes que obteve 1.091.709 votos contra apenas 742.794 dados a Getúlio.
Ressaltando que Getúlio teve 100% dos votos no Rio Grande do Sul.
A Aliança Liberal recusou-se a aceitar o resultado das urnas, alegando
que a vitória de Júlio Prestes era decorrente de fraude. Além
disso, deputados eleitos em estados onde a Aliança Liberal conseguiu
a vitória, não obtiveram o reconhecimento dos seus mandatos.
A partir daí, iniciou-se uma conspiração, com base no
Rio Grande do Sul e em Minas Gerais.
A conspiração sofreu um revés em junho com o brado comunista de Luís Carlos Prestes que seria o comandante militar da revolução mas dela desistiu para apoiar o comunismo.
Logo em seguida outro contratempo: morre em acidente aéreo o tenente Siqueira Campos.
No dia 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado por João Dantas em Recife, por questões políticas e de ordem pessoal, servindo como estopim para a mobilização armada. João Dantas seria, logo a seguir, barbaramente assassinado.
As acusações de fraude, o descontentamento popular devido à crise econômica causada pela grande depressão de 1929 e a morte de João Pessoa, foram os principais fatores, (ou pretextos na versão dos partidários de Júlio Prestes), que criaram um clima favorável a uma revolução.
Getúlio tentou várias vezes a conciliação com o governo de Washington Lúis e só se decidiu pela revolução quando já se aproximava a posse de Júlio Prestes que se daria em 15 de novembro.
A revolução de 1930 iniciou-se, finalmente, no Rio Grande do Sul em 3 de outubro, e se alastrou por todo o país. 8 governos estaduais, no nordeste, foram depostos pelos tenentes.
No dia 10, Getúlio Vargas partiu, por ferrovia, rumo à capital federal (então, o Rio de Janeiro).
Esperava-se que ocorresse uma grande batalha em Itararé (na divisa com o Paraná), onde as tropas do governo federal estavam acampadas para deter o avanço das forças revolucionárias, lideradas militarmente pelo Coronel Góis Monteiro.
A batalha não ocorreu, já que os generais Tasso Fragoso e Menna Barreto e o Almirante Isaías de Noronha depuseram Washington Luís, em 24 de outubro e formaram uma junta de governo.
Jornais que apoiavam o governo deposto foram empastelados, Júlio Prestes, Washington Luís e vários outros próceres da república velha foram exilados.
As 3 horas da tarde de 3 de novembro de 1930, a junta militar passou o poder,
no Palácio do Catete, a Getúlio Vargas, (que vestia farda militar
pela última vez na vida), encerrando a chamada república velha.
Na mesma hora, no centro do Rio de Janeiro, os soldados gaúchos cumpriam
a promessa de amarrar os cavalos no obelisco da avenida Rio Branco, marcando
simbolicamente o triunfo da Revolução de 1930.
Getúlio tornou-se Chefe do Governo Provisório com amplos poderes. A constituição de 1891 foi revogado e Getúlio governava por decretos. Getúlio nomeou interventores para os Governos Estaduais, na maioria tenentes que participaram da Revolução de 1930.
Houve no ínício, uma espécie do comando revolucionário, apelidado de "Gabinete Negro", mas logo Getúlio conseguiu se livrar da influência dos tenentes e governar só com o ministério.
O ministério, de apenas 9 pessoas, foi cuidadosamente montado com elementos dos estados e partidos vencedores da revolução de 1930. Sendo que, através de um decreto secreto, Juarez Távora foi nomeado "Vice-Rei do Nordeste".
Foram investigadas as administrações e os políticos da república velha, e, como o próprio Getúlio confirma em seu Diário, nada foi encontrado de irregulariedades e corrupção naquele antigo regime, motivo pelo qual mais tarde surgiria a expressão: "os honrados políticos da república velha".
A radicalização dos tenentes representou seu maior perigo a Getúlio em 25 de fevereiro de 1932, quando foi destruído (empastelamento) um jornal da oposição no Rio de Janeiro, o "Diário Carioca", que levou à renúncia dois ministros de Getúlio e fazendo com que os jornais do Rio de Janeiro ficassem 2 dias sem circular, em solidariedade ao Diário Carioca.
Getúlio Vargas cumpriu as principais promessas da Revolução de 1930: 1- Anistiou os revolucionários dos anos 1920 (levante do forte de copacabana de 1922, revolução de 1924, coluna Prestes}. 2- criou o voto secreto e o voto feminino, o código eleitoral e a Justiça Eleitoral, o que fez diminuir muito a fraude eleitoral. 3- Criou as leis trabalhistas. 4- Criou o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e o Ministério da Educação e Saúde.
Durante o Governo provisório, Getúlio Vargas deu início
à modernização do Estado brasileiro. Criou o código
das águas, o código florestal, a propaganda comercial nas rádios
e a lei da usura (na verdade, um decreto) que proíbe os juros abusivos,
não revogada até hoje.
Em 1931 foi declarada uma moratória e renegociada a dívida externa
brasileira.
Em 19 de março de 1931, foi editada a Lei de Sindicalização, tornando obrigatória a aprovação dos estatutos dos sindicatos trabalhistas e patronais pelo Ministério do Trabalho.
Getúlio conseguiu o restabelecimento de relações amistosas entre o Estado brasileiro e a Igreja Católica, muito influente naquela época, e rompida com o governo brasileiro desde o advento da república e do casamento civil. Facilitou essa conciliação com a Igreja, o estabelecimento, em 1933, da religião católica como religião oficial do Brasil.
Realizaram-se seguidas e grandes queimas de café em Santos, para a valorização do preço do café, o qual tinha caido muito durante a grande depressão de 1929.
Em 9 de julho de 1932, eclodiu a Revolução Constitucionalista
em São Paulo.
O Partido Republicano Paulista e o Partido Democrático de São
Paulo, que antes apoiara a Revolução de 1930, uniram-se na Frente
Única para exigir o fim da ditadura do "Governo Provisório"
e uma nova constituição.
Os paulistas consideravam que São Paulo estava sendo tratado como terra conquistada, sendo governada por tenentes de outros estados e sentiam, segundo eles, que a revolução de 1930 fora feita contra São Paulo.
O estopim da revolta foram as mortes de 5 jovens no centro de São Paulo, assassinados por partidários da ditadura em 23 de maio de 1932. Surgiu em seguida um movimento de oposição que ficou conhecido como MMDC, (atualmente denominado oficialmente de MMDCA) que se incumbiu de preparar uma revolução.
Foi montado um grande contingente de voluntários civis e militares que travaram uma luta armada contra o Governo Provisório, com o apoio de políticos de outros Estados, como Borges de Medeiros, Artur Bernardes e João Neves da Fontoura.
Iniciado em 9 de julho, esse movimento estendeu-se até 2 de outubro de 1932, quando foi derrotado militarmente.
Porém o término da revolução constitucionalista marcou o início de um período de democratização do Brasil.
Em 3 de maio de 1933 foram realizadas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte quando a mulher votou pela primeira vez no Brasil em eleições nacionais. Nesta eleição, graças à criação da Justiça Eleitoral, as fraudes deixaram de ser rotina nas eleições brasileiras.
Na versão do governo, a revolução de 1932 não era necessária pois as eleições já tinham data marcada para ocorrer. Segundo os paulistas não teria havido redemocratização do Brasil, se não fosse o movimento constitucionalista de 1932.
Getúlio, terminado a revolução de 1932, se reconcilia com São Paulo, e depois de várias negociações políticas, nomeia um civil e paulista para interventor em São Paulo: Armando de Sales Oliveira, e participando, mais tarde, pessoalmente da inauguração da avenida 9 de julho em São Paulo.
Foi instalada em novembro de 1933 a Assembléia Nacional Constituinte que promulgou uma nova Constituição em 16 de julho de 1934. Nesta constituinte participou pela primeira vez uma mulher deputada e houve a presença de deputados eleitos pelos sindicatos: os deputados classistas.
Constituição tida como progressista para uns; E para Getúlio:- Impossível de se governar com ela!.
Nesse mesmo dia, o Congresso Nacional elegeu, por voto indireto, Getúlio Vargas como Presidente da República. Não havia, na constituição de 1934, a figura do vice-presidente.
Os estados fizeram, depois, suas constituições e muitos interventores se tornaram governadores, o que significou uma ampla vitória, nos estados, dos partidários de Getúlio.
Neste período cresceu a radicalização política, especialmente entre a Ação Integralista Brasileira (AIB), de inspiração fascista, liderada por Plínio Salgado, e a Aliança Nacional Libertadora (ANL), movimento dominado pelo Partido Comunista do Brasil (PCB), pró Moscou.
O fechamento da ANL, determinado por Getúlio Vargas, bem como a prisão de alguns de seus partidários, precipitaram as conspirações que levaram à Intentona Comunista de 27 de novembro de 1935, movimento ocorrido nas cidades de Natal, Recife e Rio de Janeiro.
A Partir daí, seguiram-se os "estado de sítio" e a instabilidade política, que levaram Getúlio a implantar o Estado Novo.
Em 1937, quando se aguardavam as eleições presidenciais marcadas para janeiro de 1938, a serem disputadas por José Américo de Almeida e Armando de Sales Oliveira, foi denunciado pelo governo a existência de um plano comunista para tomada do poder.
Este plano ficou conhecido como Plano Cohen, e depois se descobriu ter sido forjado por um adepto do integralismo, o capitão Olympio Mourão Filho, o mesmo que daria início à revolução de 1964.
Com a comoção popular causada pelo Plano Cohen, com a o instabilidade política gerada pela intentona comunista, com o receio de novas revoluções comunistas, com os seguidos estados de sítios, foi sem resistência que Getúlio Vargas deu um golpe de estado e instaurou uma ditadura em 10 de novembro de 1937, através de um pronunciamento transmitido por rádio a todo o país, que durou até 1945.
O último grande obstáculo de Getúlio enfrentou para dar o golpe de estado foi o bem armado e imprevisível interventor no Rio Grande do Sul, Flores da Cunha, mas este não resistiu ao cerco de Getúlio e se refugiou no Uruguai, antes do golpe do Estado Novo.
Essa ditadura recebeu o nome de Estado Novo, (nome tirado da ditadura de
António de Oliveira Salazar em Portugal), e durou até 29 de
outubro de 1945, quando Getúlio foi deposto.
Getúlio Vargas determinou o fechamento de Congresso Nacional e extinção
dos partidos políticos. Ele outorgou uma nova constituição,
que lhe conferia o controle total do poder executivo e lhe permitia nomear
interventores nos estados e previa um novo Legislativo, porém nunca
se realizaram eleições no Estado Novo.
Esta constituição, apelidada de "Polaca", (denominação de uma zona de baixo meretrício no Rio de Janeiro), na prática não vigorou pois Getúlio governou durante todo o Estado Novo por decreto-lei e nunca convocou o plebiscito previsto na "Polaca".
Na versão de Francisco Campos que redigiu a "Polaca", esse foi o erro de Getúlio no Estado Novo: Não ter instalado o poder legislativo e se legitimado pelo voto em plebiscito.
Como Francisco Campos afirmou que começara a redigir a nova constituição em 1936, suspeita-se que a decisão de dar um golpe de estado foi tomada logo depois da intentona comunista em novembro de 1935.
O único protesto à instalação do Estado Novo
foi em 11 de maio de 1938, os integralistas, insatisfeitos com o fechamento
da AIB, invadiram o Palácio Guanabara, numa tentativa de deposição
de Getúlio Vargas.
Esse episódio ficou conhecido como Levante Integralista e levou Getúlio
a criar uma guarda pessoal, apelidada depois de "Guarda Negra".
Uma série de medidas fizeram-se necessárias para Getúlio se fortalecer no poder: 1- Nomeação de interventores de estrita confiança para governarem os estados e que fossem bem relacionados em seus estados, 2- Eliminação dos tenentes de 1930 como força política relevante e acima da hierarquia militar, 3- Disciplina e profissionalização das forças armadas e 4- Censura aos meios de comunicação realizada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), o qual também fazia ampla propaganda do Estado Novo. 5- Desarmamento das polícias estaduais que passaram a ter somente armas leves.
Entre 1937 e 1945, duração do Estado Novo, Getúlio Vargas deu continuidade à reestruturação do estado e profissionalização do serviço público, criando o DASP (Departamento Administrativo do Serviço Público} e o IBGE. Aboliu os impostos nas fronteiras interestaduais e modernizou e ampliou o imposto de renda.
Orientou-se cada vez mais para a intervenção estatal na economia e para o nacionalismo econômico, provocou um forte impulso à industrialização.
Adotou a centralização administrativa como marca para criar uma burocracia estatal ampliada e profissionalizada, até então inexistente. Um exemplo disto, é que o número de leis, decretos e decretos-lei baixados por Getúlio Vargas é muito maior que o número de todos os diplomas legais baixados na república velha.
Foram criados, nesse período, O Ministério da Aeronáutica, o CNP (Conselho Nacional do Petróleo) que depois daria origem à Petrobrás em 1953.
Foram criadas ainda a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Companhia Vale do Rio Doce, a Companhia Hidrelétrica do São Francisco e a Fábrica Nacional de Motores (FNM), dentre outros.
Foi criada uma nova moeda nacional, o cruzeiro. Foi feita uma reforma ortográfica, simplificando a grafia da língua portuguesa.
Editou o Código Penal e o Código de Processo Penal e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), todos até hoje em vigor.
Getúlio criou a carteira de trabalho, a Justiça do Trabalho, o salário mínimo, a estabilidade do emprego depois de dez anos de serviço (revogada em 1965} e o descanso semanal remunerado.
Regulamentou o trabalho dos menores de idade, da mulher e o trabalho noturno. Fixou a jornada de trabalho em oito horas diárias de serviço e ampliou o direito à aposentadoria a todos os trabalhadores urbanos.
Durante o Estado Novo, deu-se a rápida e eficiente colonização e povoamento do Norte do Paraná por empresas privadas de colonização, e foram criados territórios federais nas fronteiras, para o desenvolvimento do interior do Brasil, ainda praticamente despovoado.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, em 1939, Getúlio Vargas
manteve um posicionamento neutro até 1941.
No início de 1942, durante a Conferência dos países sul-americanos
no Rio de Janeiro, estes países decidiram, a contragosto de Getúlio,
condenar os ataques japoneses aos Estados Unidos da América e romper
relações diplomáticas com Alemanha, Itália e Japão.
Logo em seguida, ainda em 1942, submarinos alemães atacaram navios brasileiros, em represália ao fim da neutralidade brasileira.
Após estes ataques, Getúlio declarou a guerra à Alemanha e à Itália.
Brasil e Estados Unidos, assinaram um acordo pelo qual o governo norte-americano se comprometeu a financiar a construção da primeira usina siderúrgica brasileira em Volta Redonda, em troca da permissão para a instalação de bases militares e aeroportos no Nordeste e em Fernando de Noronha.
Os norte-americanos precisavam muito de borracha, pois não tinham mais a borracha da Ásia, então surgiu, no Brasil, uma grande imigração de nordestinos para a Amazônia para extrair borracha, (o soldado da borracha), que mudou a história da Amazônia.
Em 28 de janeiro de 1943, Vargas e Franklin Delano Roosevelt (Presidente dos EUA) participaram da Conferência de Natal, onde ocorreram os primeiros acordos que resultaram na criação, em novembro, da Força Expedicionária Brasileira (FEB).
O símbolo da FEB era a "cobra fumando" pois Getúlio havia dito: -"É mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na Guerra."
Os pracinhas da FEB, um total de 25.000 homens, foram enviados, a partir de julho de 1944, para combaterem na Itália. 450 daqueles heróis não voltaram.
Em 08 de maio de 1945, a guerra acaba na Europa.
Em 1943 ocorre o primeiro protesto organizado contra o Estado Novo, em Minas
Gerais, chamado "Manifesto dos Mineiros", assinado por pessoas influentes
que seriam pessoas importantes depois na UDN.
Um ferrenho opositor do Estado Novo, foi Monteiro Lobato que chegou a ser
preso e acusava Getúlio de não deixar os brasileiros procurarem
petróleo livremente.
Com a aproximação do término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, as pressões em prol da redemocratização ficam mais fortes.
A entrevista, em 1945, de José Américo de Almeida a Carlos Lacerda marca o fim da censura à imprensa no Estado Novo.
Apesar de algumas medidas tomadas, como a definição de uma data para as eleições (2 de dezembro), a anistia, a liberdade de organização partidária, e o compromisso de fazer eleger uma nova Assembléia Constituinte.
Surge, então, liderado pelo empresário Hugo Borghi, o "Queremismo" com os lemas: "Queremos Getúlio" e "Constituinte com Getúlio", mas isto não ocorreu.
Getúlio Vargas foi deposto em 29 de outubro de 1945, por um movimento militar liderado por generais que compunham seu próprio ministério, renunciando formalmente ao cargo de presidente.
O pretexto para o golpe foi a nomeação de um irmão de Getúlio para Chefe de Polícia no Rio de janeiro.
Getúlio foi substituido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, porque na Constituição de 1937 não existia a figura do vice-presidente. E este presidente interino José Linhares ficou três meses no cargo até passar o poder ao presidente eleito em 2 de dezembro de 1945, Eurico Dutra.
Getúlio foi eleito em 3 de outubro de 1950, derrotando a UDN que tinha
como candidato novamente Eduardo Gomes, e o PSD, que abandonou seu candidato
Cristiano Machado e apoiou Getúlio. (Desse episódio é
que surgiu a expressão "cristianizar um candidato").
Fundamental para sua eleição foi o apoio do Governador de São
Paulo Adhemar Pereira de Barros, que transferiu a Getúlio Vargas um
milhão de votos paulistas. Adhemar esperava, que, em troca desse apoio
em 1950, Getúlio o apoiasse, nas eleições de 1955, para
a presidência da república.
Outra ajuda valiosa para a vitória eleitoral de Getúlio, que tinha toda a imprensa contra ele, veio de Hugo Borghi, que distribui milhares de panfletos acusando o candidato Eduardo Gomes de ter dito: "- Não preciso dos votos dos marmiteiros".
Teve um governo tumultuado devido a medidas tomadas e a acusações de corrupção.
Um polêmico reajuste do salário mínimo em 100%, ocasionou o "Manifesto dos Coronéis" (um protesto público, em fevereiro de 1954, dos militares contra seu governo - um dos coronéis se chamava Golbery do Couto e Silva), seguido da demissão do ministro do trabalho João Goulart.
Foram também polêmicas: 1- A lei sobre restrição da remessa de lucros das empresas extrangeiras para o exterior, 2- A lei sobre crimes contra a economia popular e 3- A lei sobre o monopólio estatal da exploração e produção de petróleo.
Neste período, foram criadas a Petrobrás, o BNDES, o IBC (Instituto Brasileiro do Café), o seguro agrário, o Banco do Nordeste, a CACEX (carteira de comércio exterior) do Banco do Brasil.
Foi feito um acordo de cooperação militar com os Estados Unidos que vigorou até 1977.
Tentou mas não conseguiu criar a Eletrobrás, que só seria criada em 1961.
Aconteceram uma série de acusações de corrupção a membros do governo e pessoas próximas a Getúlio, o que levou este a dizer que estava sentado em "um mar de lama".
O caso mais grave de corrupção que jogou grande parte da opinião pública contra Getúlio foi a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do jornal "Última Hora", de propriedade de Samuel Weiner, acusado por Carlos Lacerda e outros de receber dinheiro do Banco do Brasil para apoiar Getúlio.
Na madrugada de 5 de agosto de 1954, um atentado a tiros de revólver, na frente do edifício onde residia Carlos Lacerda em Copacabana, no Rio de Janeiro, mata um major da Força Aérea Brasileira (FAB) e fere, no pé, Carlos Lacerda, jornalista e ex-deputado federal da UDN que fazia forte oposição a Getúlio.
O atentado foi atribuído a membros da guarda pessoal de Getúlio, chamada pelo povo de "Guarda Negra". Ao tomar conhecimento do atentado contra Carlos Lacerda na Rua Tonelero, Getúlio disse: "Esse tiro me pegou pelas costas".
A crise política que se instalou foi muito grave porque, além da importância de Carlos Lacerda, a FAB tinha como seu grande herói o Brigadeiro Eduardo Gomes da UDN que Getúlio derrotara nas eleições de 1950. A FAB criou uma investigação paralela do crime que foi apelidada de "República do Galeão".
Existem várias versões para o crime da Rua Tonelero nº 180. Desde a versão de Getúlio como mandante do crime até a versão do pistoleiro Alcino João do Nascimento que, com 82 anos em 2004, garante o primeiro tiro que atingiu o Major Rubens Florentino Vaz partiu do revólver de Carlos Lacerda. Existe também um depoimento de um morador da Rua Tonelero que garante que Carlos Lacerda não foi ferido a bala.
Esta crise levou Getúlio Vargas ao suicídio na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954.
A data não poderia ser mais emblemática. Getúlio, que se sentia massacrado pela oposição, pela "República do Galeão" e pela imprensa, escolhe a noite de São Bartolomeu para sua morte.
Assumiu a presidência da república, o vice-presidente Café Filho, que era de oposição a Getúlio, nomeou uma nova equipe de ministros e deu uma nova orientação ao governo.
Getúlio deixou uma carta-testamento que foi lida, na sua versão datilografada, de maneira emocionada, por João Goulart no enterro de Getúlio em São Borja.
Esta carta-testamento até hoje é alvo de discussões sobre sua autenticidade. Chama muito a atenção, na versão datilografada da carta-testamento, a frase em espanhol "Se queda desamparado" .
Assim, tanto na vida quanto na morte, Getúlio foi motivo de polêmica.
No cinquentenário de sua morte, em 2004, os restos mortais de Getúlio foram trasladados para um monumento no centro de sua cidade natal.
Fonte: pt.wikipedia.org