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Governo General Médici

Outras realizações do governo Médici

Ao longo de seu governo, Médici adotaria algumas iniciativas políticas de relevo na área econômica e social.

A partir de meados de abril de 1970, a imprensa passou a noticiar a situação desesperadora provocada pela seca que assolara a região Nordeste do país (Ceará, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Bahia): saques de composições ferroviárias, caminhões, feiras livres e casas comerciais, invasão de cidades pelos flagelados que se contavam aos milhares, sem trabalho e sem comida. O comércio fechava as portas e o policiamento era reforçado. Em junho, Médici visitou toda a região e o governo federal decretou estado de calamidade pública nos municípios atingidos, abrindo um crédito extraordinário de 60 milhões de cruzeiros para atender às necessidades iniciais. Segundo o ministro Reis Veloso, o número de flagelados situava-se em torno de um milhão. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) anunciou na ocasião a abertura de 80 frentes de trabalho, com emprego para 160 mil pessoas. Em agosto, o governo federal autorizaria novos créditos destinados às vítimas da seca, num total de 75 milhões de cruzeiros, e criaria cerca de outras 70 frentes de trabalho para absorver os flagelados, pagos à razão de dois mil cruzeiros por dia, em torno de 50% do salário mínimo regional.

No início de julho de 1970, Médici decretou a extinção do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA), do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA) e do Grupo Executivo de Reforma Agrária (GERA), cujas atribuições passaram ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), criado pelo mesmo decreto. Segundo Opinião, o novo órgão significaria, de certo modo, um retrocesso nos antigos esforços do IBRA de distinguir a "colonização de novas áreas" da "reforma agrária propriamente dita", uma vez que a tendência que prevaleceria mais tarde no INCRA seria a de atribuir a grande prioridade à "expansão da fronteira agrícola".

Em agosto, o presidente anunciou a criação do Plano de Integração Social (PIS), destinado a abranger todos os trabalhadores num fundo de participação a ser gerido pela Caixa Econômica Federal. De acordo com o projeto, o fundo começaria a funcionar a partir de julho de 1971, sendo formado por duas parcelas, ambas a cargo da empresa: uma delas, deduzida do imposto de renda e a outra, proveniente de recursos próprios. No mesmo mês o governo publicou um decreto especificando as responsabilidades de cada ministério no Programa de Integração Nacional (PIN), também criado, atribuindo ao Ministério dos Transportes a construção imediata da rodovia Transamazô-nica e da Cuiabá-Santarém. A extensão do segmento principal da Transamazônica estava -prevista em 2.075km desde Picos, no Piauí, até Humaitá, no Amazonas, completando, de um lado, o trajeto da BR-232 (Recife-Picos) e, de outro, partes das rodovias Manaus-Porto Velho e Brasília-Acre. Essa grande diagonal Leste--Oeste atingiria, em conjunto, 6.368km de comprimento.

No dia 1º de setembro de 1970, uma das quatro firmas escolhidas em concorrência pública deu início à construção da Transamazônica, com o desmatamento do trecho de 280km entre Estreito (MA) e Marabá (PA). Ao mesmo tempo, o Exército começou a construção de sua longitudinal, a Cuiabá-Santarém. A idéia da Transamazônica surgira como solução única para dois grandes problemas: a integração da Amazônia e o aproveitamento da mão-de-obra do Nordeste - os milhares de desempregados em conseqüência da seca. Na ocasião, diversas personalidades voltaram-se contra o projeto. O governador da Paraíba, João Agripino, discordou da utilização dos recursos da Sudene - já tão escassos na obra. O senador pernambucano José Ermírio de Morais condenou o aproveitamento dos flagelados como mão-de-obra e acusou o projeto de beneficiar diretamente os interesses estrangeiros nas grandes reservas de minério de ferro do Pará. O ex-ministro da -Fazenda, Roberto Campos, declarou que a estrada apenas ligaria "a miséria da selva" à "miséria da caatinga", reconhecendo alguma viabilidade econômica apenas na Cuiabá-Santarém. Entretanto, a construção das duas rodovias representou a primeira tentativa racional de ocupação da Amazônia por brasileiros. A criação de agrovilas - núcleos básicos para o nascimento de dezenas de cidades nas selvas - seria o início da colonização de uma vasta área correspondente a cerca de 50% do território nacional.

No dia 8 de setembro, o presidente Médici lançou oficialmente o Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral), cuja presidência foi entregue a Mário Henrique Simonsen, economista da Fundação Getulio Vargas. O decreto-lei propôs ainda deduções no imposto de renda de pessoas jurídicas nos exercícios de 1971 a 1973 caso fossem efetuadas doações ao novo órgão, que tinha como finalidade a alfabetização de adultos. No dia 1º de outubro, foi lançado o Programa de Metas e Bases para a Ação do Governo, coordenado pelo Ministério do Planejamento, englobando 230 projetos prioritários para impulsionar a política de desenvolvimento.

Uma semana depois, em 8 de outubro, Médici anunciou uma série de medidas destinadas a integrar a Amazônia na unidade nacional, entre elas o projeto de lei criando o Estatuto do Índio, a institucionalização do Projeto Rondon e a execução do Projeto Radam, de levantamento aerofotogramétrico da região.

Na ocasião, o presidente afirmou que o governo e a revolução "são essencialmente nacionalistas, entendido o nacionalismo como a afirmação do interesse nacional sobre quaisquer interesses, e a prevalência das soluções brasileiras para os problemas do Brasil". No dia seguinte, o presidente inaugurou a placa comemorativa do início da construção da Transamazônica, nas proximidades de Altamira (PA).

No final de março, enviou mensagem ao Congresso instituindo o Programa de Assistência ao trabalhador Rural, aprovado afinal em maio. Em julho foi criado o Programa de Redistribuição de Terras e de Estímulo à Agroindústria do Norte e Nordeste - Proterra - com os seguintes objetivos: a desapropriação de grandes propriedades, mediante indenização para posterior venda a pequenos e médios agricultores; concessão de créditos para aquisição de glebas; fixação de preços mínimos de produtos de exportação. O Proterra previa, numa primeira etapa a ser concluída em janeiro de 1974, a entrega de trezentos títulos, de propriedades de terras, beneficiando 3.500 famílias da região. O plano inicial restringia-se apenas a algumas zonas consideradas prioritárias para a realização da reforma agrária. Entre 1972 e 1976 seriam aplicados no programa cerca de quatro bilhões de cruzeiros.

Em agosto de 1971, foi aprovado o Projeto nº 5.692, dispondo sobre diretrizes e bases para o ensino de primeiro e segundo graus. A nova lei, então denominada "reforma do ensino", estabeleceu a fusão em um único curso de oito anos - o primeiro grau -, dos antigos cursos primário e ginasial, atendendo à faixa etária de sete a 14 anos. O segundo grau adquiriu o objetivo de capacitar o aluno para o exercício de uma profissão especializada, ao término do curso. Para os dois níveis foi instituída a obrigatoriedade do ensino de educação moral e cívica, educação física, educação artística e programa de saúde.

Em novenbro, foi anunciado outro programa: o Plano de Desenvolvimento da Região Centro-Oeste - Prodoeste -, com recursos previstos da ordem de 750 milhões de cruzeiros durante três anos. O programa deveria ser executado em colaboração com os governos estaduais e o setor privado, cabendo ao governo federal a construção da rede viária básica, a regularização do curso dos rios e o saneamento do pantanal mato-grossense. Os governos estaduais construiriam as estradas vicinais, e o setor privado se encarregaria, através de financiamento do Banco do Brasil, da montagem da rede de silos, armazéns e frigoríficos.

Em fevereiro de 1972, Médici assinou o decreto-lei criando o Programa Especial para o Vale de São Francisco (Provale), prevendo recursos da ordem de 840 milhões de cruzeiros em três anos. Ainda nesse mês foi instituído o Programa Nacional de Telecomunicações (Prontel), articulado com a política nacional de educação, com o objetivo de integrar as atividades didáticas educativas ao rádio e à televisão.

No final de março foi inaugurada a transmissão de televisão em cores e, em julho, Médici sancionou a lei referente à Telebrás empresa holding em regime de sociedade de economia mista, absorvendo todas as empresas de exploração dos serviços de telecomunicação do país. Em novembro, o ministro das Comunicações, Higino Corsetti, instalaria afinal a nova empresa, destinada a coordenar as atividades da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) e das empresas-pólos estaduais.

Em 7 de setembro, na presença do primeiro-ministro português Marcelo Caetano, foram encerradas as comemorações dos 150 anos da Independência, iniciadas em abril anterior com a visita do presidente de Portugal, Américo Tomás, que viera acompanhando os restos mortais do imperador dom Pedro I. Na ocasião, foi entronizada a urna com os despojos do primeiro imperador diante do Museu Ipiranga, em São Paulo. Ainda em setembro, Médici inaugurou a Cidade Universitária da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na ilha do Fundão, um bloco de edifícios, cuja construção fora iniciada há mais de 20 anos.

Ainda em 1973, Médici lançou o Plano Nacional de Habitação Popular (Planhap), destinado a eliminar em dez anos o déficit habitacional para as famílias com renda entre um e três salários mínimos, provendo-se a construção do equivalente a dois milhões de moradias. Em 1974, a faixa de atendimento do Planhap seria ampliada para até cinco salários mínimos. Em decorrência da aplicação do plano, previa-se a criação ou manutenção de duzentos mil novos empregos diretos e cerca de seiscentos mil empregos indiretos, mas os resultados obtidos ficaram muito aquém da projeção inicial.

No período compreendido entre a eleição e a posse de seu sucessor, Médici inaugurou diversas obras iniciadas em governos anteriores ou ao longo de sua gestão. No dia seguinte à eleição de Geisel à presidência da República (15/1/1974), inaugurou a usina hidrelétrica da ilha Solteira, a maior da América do Sul, entre os estados de São Paulo e Mato Grosso, com 320.000kW de capacidade, completando o complexo de Urubupungá, de 4.600.000kW. Segundo seria divulgado em fevereiro, a capacidade de geração hidrelétrica do Brasil no ano de 1973 atingira os 15,8 milhões de quilowatts, apresentando um aumento de 5,8% em relação a 1972.

Ainda no final de janeiro de 1974, o presidente entregou em Recife os dois primeiros títulos de posse de terra do Proterra e inaugurou a terceira etapa da Transamazônica, o trecho entre Itaituba e Humaitá. Em meados de fevereiro, inaugurou o porto fluvial de Santarém (PA) e o asfaltamento das rodovias Belém-Brasília (BR-010) e Belém-São Luís (BR-316).

A última obra de vulto inaugurada por Médici antes da posse dos novos presidente e vice-presidente da República foi a ponte Presidente Costa e Silva, ligando o Rio a Niterói, em 4 de março de 1974.

A sucessão presidencial

No início de janeiro de 1972, o deputado arenista Flávio Marcílio fez um pronunciamento favorável à reeleição de Médici à presidência da República, deflagrando no Congresso um acirrado debate entre os dois partidos existentes. Em fevereiro, entretanto, o senador Filinto Müller, já escolhido por Médici para a presidência da Arena, desautorizou os parlamentares arenistas a debaterem o processo sucessório.

Em 31 de março, durante as comemorações do oitavo aniversário do movimento político-militar que depôs o presidente João Goulart, o chefe do governo colocou um ponto final à polêmica, afirmando em seu discurso que constituía um "grave desserviço ao país abrir essa questão política, quando está ainda distante a data em que o problema deve se propor. Somente na segunda metade do ano vindouro, os partidos políticos terão de definir-se quanto à sucessão presidencial, estando bem mais longe a data em que serão chamados a pronunciar-se acerca da sucessão na esfera estadual".

As especulações, no entanto, extrapolaram o âmbito dos debates internos no país, e a indicação do general Ernesto Geisel, presidente da Petrobras, foi aventada em abril pela imprensa internacional. No Brasil, a censura impedia esse tipo de notícia. A revista norte-americana Time e a argentina Panorama publicaram artigos que o caracterizavam como o virtual sucessor de Médici. Enquanto isso, prosseguiam as articulações para o lançamento da candidatura de Médici à reeleição, que seria oficializada durante as solenidades de inauguração da Petroquímica União, em Capuava (SP), e do Centro de Convenções do Anhembi, na capital paulista, marcadas para o final de junho. Ao tomar ciência desse movimento - que contava com o apoio de alguns governadores, o presidente proibiu os preparativos e cancelou os discursos previstos para as cerimônias, às quais, todavia, compareceu. No dia seguinte, recusou também que se consumassem as homenagens excessivas que lhe estavam sendo preparadas num centro recreativo operário, localizado em um subúrbio de São Paulo.

Poucos dias depois, ainda em junho, o Correio da Manhã publicou o primeiro de dois editoriais propondo claramente a reeleição do presidente, desencadeando uma reação imediata do palácio do Planalto. Assim, na solenidade de inauguração do novo prédio do Ministério da Justiça, em Brasília, realizada logo em seguida, Médici proferiu um discurso reafirmando sua autoridade ao declarar que o Executivo não abriria mão dos poderes que lhe haviam sido conferidos, e que considerava impatriótico falar de sucessão presidencial até o segundo semestre de 1973, quando se abririam os debates em torno da questão.

O grande fato político do ano de 1973 foi, portanto, a escolha do novo presidente, solucio-nada afinal após vários meses de articulações restritas aos círculos militares e aos políticos vinculados ao governo. Não obstante, frente à opinião pública, Médici se manifestava continuamente contra quaisquer especulações, que proibiu oficialmente "em caráter definitivo", no início de março, garantindo, assim, segundo Opinião, o êxito da meta que fixara, de dirigir pessoalmente o processo sucessório.

Pouco depois, quando as restrições à liberdade de imprensa atingiram seu auge, as determinações contrárias à publicação de notí-cias sobre o nome do futuro presidente tornaram-se ainda mais severas. Em protesto contra a censura, jornais de São Paulo substituíram então suas matérias por receitas culinárias, cartas de leitores e jurisprudência do STF. Alguns órgãos de imprensa utilizaram o artifício de publicar informações, com destaque, sobre as viagens de Geisel - o provável sucessor - às unidades da Petrobras ao lado da notícia da proximidade do desenlace do episódio sucessório, interligando os dois fatos com os mais audaciosos recursos gráficos.

De acordo com os termos da Emenda nº 1 à Constituição de 1967, as eleições do presidente e do vice-presidente da República, previstas para 15 de janeiro de 1974, seriam realizadas por um colégio eleitoral, cuja composição e funcionamento deveriam ainda ser regulamentados por lei complementar. Antecipando-se às iniciativas governamentais, o MDB apresentou um projeto nesse sentido, formulado, segundo Veja, com "impecável técnica legislativa" pelo deputado Marcelo Medeiros. O governo, entretanto, considerou-o inviável e encarregou o ministro Alfredo Buzaid de formular um outro, que seria depois revisado pelo chefe do Gabinete Civil, Leitão de Abreu.

No dia 18 de junho, pouco antes do prazo estipulado para a abertura dos debates à sucessão presidencial, Médici, ante a pressões que se avolumaram em todo o país, reuniu-se com a comissão executiva nacional da Arena e indicou oficialmente o nome de Geisel para substituí-lo. Nesse mesmo dia, enviou ao Congresso o anteprojeto sobre o colégio eleitoral, propondo sua constituição por 125 delegados indicados pelas assembléias estaduais, além dos próprios, membros do Congresso, que escolheriam, por maioria absoluta, entre os candidatos registrados pelos dois partidos legais, os novos presidente e vice-presidente da República. Uma semana depois, o general Adalberto Pereira dos Santos, presidente do STM, teve seu nome lançado como candidato oficial do governo à vice-presidência. O projeto de regulamentação do colégio eleitoral, apreciado por uma comissão mista do Congresso presidida pelo senador arenista Daniel Krieger, foi aprovado em agosto, mantendo, em sua forma final, as 40 emendas apresentadas fundamentalmente pelos parlamentares oposicionistas.

Definido o esquema oficial, o MDB, após intensos debates e embora previamente derrotado, decidiu concorrer às eleições presidenciais. Lançou como candidato o próprio presidente do partido, Ulisses Guimarães, e indicou para a vice-presidência o jornalista e ex-governador de Pernambuco, Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho. Oficializadas as candidaturas nas respectivas convenções partidárias realizadas em setembro, o grupo de parlamentares mais incisivos do MDB, conhecido como dos "autênticos", empenhou-se junto ao TSE para que o acesso gratuito aos meios de comunicação fosse também concedido ao candidato oposicionista. O TSE, porém, negou a solicitação, entendendo que o dispositivo constitucional não se aplicava às eleições indiretas. A campanha do MDB limitou-se, portanto, a apenas alguns encontros dos candidatos - já então intitulados "anticandidatos" - com lideranças locais no interior do país e à divulgação do discurso de Ulisses Guimarães proferido na convenção do partido.

Em 15 de janeiro de 1974, o colégio eleitoral sufragou por maioria esmagadora os nomes dos candidatos arenistas, enquanto 21 dos 76 eleitores oposicionistas - os "autênticos" - abstiveram-se de votar. Em 15 de março seguinte, Médici transmitiu a chefia do governo ao general Ernesto Geisel.

Na defesa do regime de exceção

Deixando a presidência da República, Médici permaneceu durante cerca de dois anos e meio afastado da vida pública. Absteve-se de fazer declarações políticas, esquivou-se de comparecer a cerimônias oficiais, dedicando-se apenas, ao que tudo indica, à convivência familiar em sua residência em Copacabana, no Rio, e em sua fazenda em Bajé, no Rio Grande do Sul.

Seu primeiro pronunciamento público após esse período se deu em julho de 1976, quando foi homenageado pelo Sindicato Rural de Viçosa, em Minas Gerais, por ter instituído em seu governo o Funrural. Referiu-se, na ocasião, à miopia política dos "arautos inconseqüentes do liberalismo", que, a seu ver, "valendo-se das franquias do estado de direito, pretendem, na verdade, aniquilá-lo, pelo confisco de todas as liberdades". Defendeu o autoritarismo e o regime de exceção como meios- de combate à "onda subversiva" e de "preservação da autonomia individual", segundo afirmou, sufocada nos regimes totalitários.

Em setembro de 1976, o deputado José Wilson Siqueira Campos, da Arena de Goiás, defendeu a candidatura de Médici ao Senado por seu estado nas eleições previstas para novembro de 1978. O ex-presidente, contudo, recusou a iniciativa isolada do parlamentar goiano. Em janeiro de 1977, inaugurou em Nova Iguaçu (RJ) uma nova unidade do Liceu Presidente Médici.

Em setembro de 1978, às vésperas das eleições presidenciais indiretas, Médici manteve-se como o crítico mais contundente do chamado processo de "abertura" política e, especialmente, do general Golberi do Couto e Silva, chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, a quem responsabilizava pela orientação liberalizante do governo Geisel. Segundo Veja, Médici achava que o candidato oficial à presidência, general João Batista Figueiredo, que fora chefe do Gabinete Militar de seu governo, deveria desatrelar sua candidatura da "política do Planalto". Referindo-se a Golberi e Geisel, ainda segundo a mesma fonte, Médici teria advertido Figueiredo: "Eles estão te comendo pela perna." Na mesma ocasião, negou à imprensa que apoiaria o general Euler Bentes Monteiro, candidato à presidência lançado pelo MDB com o apoio da Frente Nacional de Redemocratização, afirmando que "seria uma incoerência".

Em dezembro de 1979, já no governo Figueiredo, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que o general Médici, surpreendentemente, dera seu aval à "abertura" política iniciada no governo Geisel, ao declarar que o processo se constituía numa "grande solução". Não obstante, em janeiro do ano seguinte, segundo O Estado de S. Paulo, Médici recusou o convite formal para ingressar na agremiação governista, o Partido Democrático Social (PDS), criado após a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária. Declarou em Porto Alegre que discordava da estratégia e dos objetivos do governo Figueiredo, fora contra a revogação do AI-5, considerava a anistia uma precipitação, não aceitava a volta às eleições diretas, a devolução gradativa do poder à classe política e a forma como a imprensa desempenhava seu papel. Portanto, afirmou, não tinha motivos para ingressar no sucedâneo da Arena, cujo programa considerava muito avançado.

Em 3 de maio de 1981, sua festa de bodas de ouro contou com a presença de cerca de mil convidados, entre os quais o presidente Figueiredo, o ex-presidente Geisel, governadores e ministros de Estado, o que revelou o prestígio e a importância de que ainda desfrutava no cenário político do país.

Faleceu no Rio de Janeiro no dia 9 de outubro de 1985.

Era casado com Scila Gaffrée Médici, com quem teve dois filhos.

As mensagens que dirigiu ao Congresso Nacional e os discursos e conferências que proferiu durante seu governo foram publicados pelo Departamento de Imprensa Nacional.

A seu respeito foi lançado em 1973 o livro A imagem de um presidente, de autoria do general Iberê de Matos.

Sônia Dias

Fonte: www.cpdoc.fgv.br

GENERAL MÉDICI

Emílio Garrastazu Médici assumiu a Presidência em 30 de outubro de 1969 e governou até 15 de março de 1974. Seu Governo ficou conhecido como "os anos negros da ditadura". O movimento estudantil e sindical estavam contidos e silenciados pela repressão policial. Nesse período é que se deram a maior parte dos desaparecimentos políticos e a tortura tornou-se prática comum dos DOI-CODIs, órgãos governamentais responsáveis por anular os esquerdistas.

O fechamento dos canais de participação política levou a esquerda a optar pela luta armada e pela guerrilha urbana. O governo respondia com mais repressão e com uma intensa propaganda. Foi lançada a campanha publicitária cujo slogan era: "Brasil, ame-o ou deixe-o".

Inúmeros grupos armados de esquerda surgiram em todo o país. Destacam-se a ALN (Aliança Libertadora Nacional), liderada por Marighella, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária), sob o comando de Carlos Lamarca, o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro - data da morte de Che Guevara na Bolívia) e o PCdoB. (O PCB posicionou-se contra a luta armada.) Na Guerrilha urbana, teve papel de realce o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, pela ALN. Algumas guerrilhas interioranas foram mais duradouras e sangrentas, entre as quais a de Ribeira, a de Caparaó e principalmente a Guerrilha do Araguaia. Esta prolongou-se de 1972 a 1975.

1o. PND - O endurecimento político, entretanto, foi mascarado pelo "milagre econômico", crescimento extraordinário do PIB (cerca de 10% ao ano), diversificação das atividades produtivas e o surgimento de uma nova classe média com alto poder aquisitivo. Tudo isso repousando sobre o aumento estrondoso da concentração de renda, dando-nos o título de país mais injusto do planeta. O crescimento deveu ao Plano Nacional de Desenvolvimento, cujo artífice era o então ministro Delfim Neto. Mas o crescimento não se deveu a milagre: iniciou-se um processo galopante de endividamento (dívida em 1964=1,5 bi; 1970=14 bi; 1985=90 bi), a especulação no Open Market com títulos do governo prejudicou sobremodo a produção e a concentração de renda e da propriedade agrária agravou-se acentuadamente.

Para esconder da população facetas negativas do governo, os índices oficiais de inflação foram manipulados. Lamentável é saber que o endividamente não se reverteu em distribuição mais equitativa da renda, mas serviu para custear obras faraônicas, de necessidade duvidosa, tais como a Ponte Rio-Niterói, a Transamazônica, a Usina de Itaipu, etc.

Ao final do governo, as taxas de crescimento começavam a declinar. Deveu-se tal fato principalmente à Crise do Petróleo em 1973, que nos atingiu profundamente, uma vez que, nesse período, a maior parte do petróleo consumido aqui era importada. Assumiu o governo Ernesto Geisel, mais ligado à linha Castellista (ou da Sorbonne) do que à linha dura.

Fonte: elogica.br.inter.net

GENERAL MÉDICI

Emílio Garrastazu Médici
Emílio Garrastazu Médici

General Emílio Garrastazu Médici (Bagé, 4 de dezembro de 1905 — Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1985) foi um militar e político brasileiro, presidente do Brasil entre 30 de outubro de 1969 e 15 de março de 1974.

Filho de mãe uruguaia, da cidade de Paysandú e neto de um combatente maragato, estudou no Colégio Militar de Porto Alegre, fora a favor da Revolução de 30 e contra a posse de Goulart em 1961. Em abril de 1964 era o Comandante da Academia Militar de Agulhas Negras. Posteriormente foi nomeado adido militar nos Estados Unidos e, em 1967 sucedeu a Golbery do Couto e Silva na chefia do SNI. Lá permaneceu por dois anos e apoiou com entusiasmo o AI-5. Em 1969, foi nomeado comandante do III Exército.

O general Medici governou o país durante a ditadura, sendo o seu governo conhecido como os anos de chumbo da ditadura, devido à violentíssima repressão promovida à oposição durante seu governo. Prisões, torturas e grupos de extermínios foram fatos comuns em seu governo . Dois fatos fizeram de Médici um dos mais incomuns ditadores do regime militar inaugurado em 1964: a utilização maciça de campanhas propagandísticas para promover o regime e ter feito o deputado e ex-chefe da polícia política da era Vargas, Filinto Müller presidente do Congresso e da Arena. Data da época deste governo a famosa campanha publicitária cujo slogan era: "Brasil, ame-o ou deixe-o"( Amar ao país correspondia a não ser opositor da ditadura militar)

Foi o período durante o qual o país viveu o chamado "Milagre Brasileiro": crescimento econômico e projetos faraônicos (como a Transamazônica e a Ponte Rio-Niterói) foram a tônica daquele período. Daí que os dois ministros mais famosos do governo Médici foram o da Fazenda, Delfim Netto e o dos Transportes, Mário Andreazza.

No seu governo concluiu-se o acordo com o Paraguai para construção da usina de Itaipu. Foi também executado o Plano de Integração Nacional (PIN), que permitiu a construção das rodovias Santarém-Cuiabá, Perimetral Norte e da ponte Rio-Niterói. No campo social, foi criado o Plano de Intergração Social (PIS).

A euforia provocada pela conquista da Copa do Mundo de futebol (Médici dizia-se torcedor do Grêmio e do Flamengo), em 1970 conviveu com a repressão velada ou explícita aos opositores do regime, notadamente os ativistas de orientação comunista.

Ao se retirar da Presidência da República, abandonou a vida pública. Declarou-se contrário à anistia política assinada pelo presidente João Figueiredo (que havia sido chefe da Casa Militar durante seu governo).

Foi sucedido, em 1974, pelo general Ernesto Geisel.

Fonte: pt.wikipedia.org

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