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Grandes Navegações

 

Grandes navegações dos séculos XV e XVI que têm origem na necessidade de expansão econômica da Europa. A insuficiência da produção agrícola para alimentar toda a população, o declínio econômico da nobreza, o encarecimento dos produtos orientais e a falta de metais preciosos para a emissão de moeda impulsionam a procura por novos mercados fora dos domínios europeus. A tentativa de encontrar rotas alternativas para o Oriente torna-se indispensável.

A empreitada é possível graças ao surgimento de uma burguesia mercantil, interessada em ampliar sua margem de lucro, e ao fortalecimento do Estado, com a centralização do poder monárquico. Um forte ideal missionário, principalmente dos países ibéricos, para catequizar os povos infiéis das terras distantes funciona como justificativa ideológica para a expansão. As nações ibéricas formam impérios ultramarinos entre os séculos XV e XVI, quando tem início a colonização da África, da Ásia e da América. Além de Portugal e Espanha, Inglaterra, França e Holanda (Países Baixos) também realizam grandes expedições.

PORTUGAL

Para alcançar os mercados do Oriente e garantir o monopólio do comércio com as chamadas Índias, os portugueses assumem a vanguarda do expansionismo europeu, seguidos pelos espanhóis. Revolucionam a arte da navegação ao aperfeiçoar instrumentos náuticos de origem árabe, como a bússola, modernizar a cartografia e inventar a caravela. São pioneiros em calcular com precisão a circunferência da Terra e no comércio de escravos negros para a América.

Expedições portuguesas

A primeira expedição portuguesa, comandada pelo rei dom João I, termina com a conquista de Ceuta, em 21 de agosto de 1415. Um dos mais importantes portos africanos, ao norte do Marrocos, é o ponto de partida para as descobertas portuguesas na África Ocidental. O cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente, é contornado em 1487 por Bartolomeu Dias (1450-1500), abrindo caminho para o Oriente. A primeira ligação por mar entre Europa Ocidental e Índia é feita em 8 de julho de 1497 por Vasco da Gama (1469-1524). Ele parte da praia de Restelo, em Portugal, e em 1498 chega ao porto indiano de Calicute. Em 22 de abril de 1500, uma nova esquadra liderada por Pedro Álvares Cabral chega à costa brasileira.

ESPANHA

Atrasados em relação a Portugal, os espanhóis patrocinam a viagem de Cristóvão Colombo ao Oriente em 1492. Acreditando que a Terra era redonda, Colombo supõe ter alcançado o Oriente navegando pelo Ocidente.

Na verdade, descobre outro continente: a América. Entre 1503 e 1513, o navegador florentino Américo Vespúcio (1451-1512) viaja ao continente a serviço da Espanha. Ainda com patrocínio espanhol, Fernão de Magalhães (1454-1521) começa em 1519 a primeira viagem de circunavegação da Terra. Parte de Cádiz, no litoral da Espanha, atravessa o Atlântico Sul e cruza o estreito que hoje tem seu nome. Ruma para a Ásia, chegando às Filipinas em 1521. A tese sobre a forma esférica da Terra fica assim comprovada.

INGLATERRA, FRANÇA E PAÍSES BAIXOS

Iniciam sua expansão marítima mais tarde e, no princípio do século XVI, aportam em terras já ocupadas por portugueses e espanhóis. Conquistam algumas áreas na América do Norte e na Ásia e desenvolvem ações de pirataria oficializadas por seus governos contra Portugal e Espanha. No começo do século XVII, ingleses, franceses e holandeses passam a produzir navios mais baratos, em maior quantidade e de melhor qualidade. Formam também sociedades credenciadas para exploração, comercialização e administração de terras longínquas, como a Companhia Britânica das Índias Orientais (1600) e a Companhia Holandesa das Índias Orientais (1602).

Liderança inglesa

No século XVIII, com enorme poder naval, a Inglaterra lidera as expedições marítimas. As viagens, motivadas pela curiosidade científica e pela expectativa de obter maiores vantagens comerciais, são organizadas pelo governo e realizadas em navios de guerra comandados por oficiais da Marinha.

Os objetivos são a exploração do sul do Pacífico e a descoberta de um estreito, entre o nordeste da Ásia e noroeste da América, que leve ao Ártico: acabam por descobrir várias ilhas, como Sandwich do Sul, a sudeste da América do Sul. Também exploram a Nova Zelândia, a Austrália e toda a costa americana e asiática do Pacífico Norte.

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br

Grandes Navegações

O que foram as grandes navegações?

As grandes navegações foram um conjunto de viagens marítimas que expandiram os limites do mundo conhecido até então. Mares nunca antes navegados, terras, povos, flora e fauna começaram a ser descobertas pelos europeus. E muitas crenças passadas de geração a geração, foram conferidas, confirmadas, ou desmentidas. Eram crenças de que os oceanos eram povoados por animais gigantescos ou que em outros lugares habitavam seres estranhos e perigosos. Ou que a terra poderia acabar a qualquer momento no meio do oceano, o que faria os navios caírem no nada.

Os motivos:

O motivo poderoso que fez alguns europeus desafiar o desconhecido, enfrentando medo, foi a necessidade de encontrar um novo caminho para se chegar às regiões produtoras de especiarias, de sedas, de porcelana, de ouro, enfim, da riqueza.

Outros fatores favoreceram a concretização desse objetivo:

Comerciantes e reis aliados já estavam se organizando para isso com capitais e estruturando o comércio internacional

A tecnologia necessária foi obtida com a divulgação de invenções chinesas, como a pólvora (que dava mais segurança para enfrentar o mundo desconhecido), a bússola, e o papel. A invenção da imprensa por Gutenberg popularizou os conhecimentos antes restritos aos conventos. E, finalmente, a construção de caravelas, que impulsionadas pelo vento dispensavam uma quantidade enorme de mão-de-obra para remar o barco como se fazia nas galeras nos mares da antiguidade, e era mais própria para enfrentar as imensas distâncias nos oceanos

Histórias como a de Marcopolo e Prestes João aguçavam a imaginação e o espírito de aventura

Até a Igreja Católica envolveu-se nessas viagens, interessada em garantir a catequese dos infiéis e pagãos, que substituiriam os fiéis perdidos para as Igrejas Protestantes.

Os pioneiros

Os dois primeiros países que possuíam essas condições favoráveis eram Portugal e Espanha.

Portugal, conhecedor de que as Índias (como genericamente era chamado o Oriente), ficava a Leste, decidiu navegar nessa direção, contornando os obstáculos que fossem surgindo. Optou pelo Ciclo Oriental.

Já a Espanha apostou no projeto trazido pelo genovês Cristóvão Colombo, que acreditava na idéia da esfericidade da terra, e que bastaria navegar sempre em direção do ocidente para se contornar a terra e se atingir as Índias. Era o Ciclo Ocidental. E a disputa estava iniciada entre os dois países.

Conquistas portuguesas:

Partindo de Lisboa, após a benção do sacerdote e da despedida do povo, caravela após caravela deixava Portugal, voltando com notícias e lucros sempre crescentes.

Inicialmente contornando a África em:

1415 conquistaram Ceuta
Durante o século XV o litoral da África e Ilha da Madeira, Açores, Cabo Verde e Cabo Bojador
1488 chegaram ao Sul da África, contornando o Cabo da Boa Esperança
1498 atingiram a Índia com Vasco da Gama. O objetivo fora atingido
1500 – Pedro Álvares Cabral – 22 de abril – “descobre” o Brasil.

Conquistas espanholas:

A Espanha começou a navegar mais tarde, só após conseguir expulsar os árabes de seu território.

Mas em 1492, Cristóvão Colombo obteve do rei espanhol as três caravelas, Santa Maria, Pinta e Nina, com as quais deveria dar a volta ao mundo e chegar às Índias. Após um mês de angústias e apreensões chegou a terra firme, pensando ter atingido seu destino. Retorna à Espanha, recebendo todas as glórias pelo seu feito.

Portugal apressou-se a garantir também para si as vantagens dessa descoberta e, em 1494, assinou com a Espanha o famoso Tratado das Tordesilhas, que simplesmente dividia o mundo entre os dois pioneiros das grandes navegações. Foi traçada uma linha imaginária que passava a 370 léguas de Cabo Verde. As terras a Leste desta linha seriam portuguesas e as que ficavam a Oeste seriam espanholas. Foi assim que parte do Brasil ficou pertencendo a Portugal seis anos antes de Portugal aqui chegar.

Infelizmente para Colombo, descobriu-se pouco depois que ele não havia chegado às Índias, e "apenas" tinha descoberto um novo continente, que recebeu o nome de América, em homenagem a Américo Vespúcio que foi o navegador que constatou isso.

Colombo caiu em desgraça, morreu na miséria e a primeira viagem em torno da terra foi realizada em 1519 por Fernão de Magalhães e Sebastião del Cano.

As Grandes Navegações

No imaginário europeu da época das Grandes Navegações, o mundo desconhecido era habitado por criaturas bestializadas ou fantásticas, como os “homens com cabeça de cachorro” descritos na obra de Marco Polo.

1. Portugal e as Grandes Navegações

Para realizar as Grandes Navegações, os portugueses organizaram sucessivas expedições que devassaram o litoral atlântico africano. Depois, penetrando o Oceano Índico, navegaram até Calicute, na Índia.

Coube a Portugal o pioneirismo e a liderança inicial no processo de expansão mercantil européia, desenvolvendo o Ciclo Oriental de Navegações, isto é, um conjunto de expedições marítimas procurando chegar ao Oriente; navegando no sentido sul-oriental, o que implicou, inicialmente, o desenvolvimento do litoral africano.

O pioneirismo português nas Grandes Navegações deveu-se a um conjunto de fatores, tais como a centralização política, resultando na formação de uma monarquia nacional precoce. Esse processo iniciado ainda na dinastia de Avis, depois da Revolução de 1385.

Os reis de Avis, aliados à dinâmica burguesia mercantil lusa, voltaram-se para a empresa náutica planejando as atividades do Estado no sentido de desenvolvê-la, a partir dos incentivos aos estudos e à arte náutica: estes ficaram a cargo do príncipe-infante D. Henrique – o Navegador – que em 1418 criou a “Escola de Sagres”, denominação figurada de um grande centro de estudos náuticos situado no promontório de Sagres.

Portugal gozava nessa época de uma situação de paz interna: além disso, sua posição geográfica privilegiada – as terras mais a oeste da Europa – na rota Mediterrâneo-Atlântico possibilitou uma certa tradição ao comércio marítimo através de vários postos comerciais relativamente desenvolvidos.

As Grandes Navegações e as conquistas portuguesas

Os portugueses lançaram-se aos mares, dando início ao “Ciclo Oriental”, e promovendo o devassamento do litoral africano.

Neste ciclo, destacam-se as seguintes conquistas: em 1415, uma expedição militar tomou Ceuta (Noroeste da África), na passagem do Mediterrâneo para o Atlântico, uma cidade para onde convergiam as caravanas de mercadores mulçumanos transaarianos, e que dava a Portugal o controle político-militar do estreito de Gilbratar. Essa vitória, embora seja considerada o marco inicial da expansão marítima lusa, redundou em fracasso comercial, uma vez que as caravanas africanas desviaram o tráfico mercantil para outras praças ao norte do continente. Procurando atingir as regiões produtoras das mercadorias africanas, os portugueses passaram a contornar gradativamente a costa atlântica da África.

Em 1434, o navegador Gil Eanes atingiu o Cabo Bojador (à frente das Ilhas Canárias). Logo após, em 1445, os portugueses atingiram a região do Cabo Branco, onde fundaram a feitoria de Arguim.

Paralelamente à conquista desses pontos no litoral africano, os portugueses foram conquistando e anexando as Ilhas Atlânticas: em 1419, o arquipélago da Madeira; em 1431, os Açores; e em 1445, as Ilhas de Cabo Verde. Nestas ilhas, foram introduzidas a lavoura canavieira e a pecuária, fundadas no trabalho do escravo africano, e sendo aplicado pela primeira vez o regimes de capitanias hereditárias.

Procurando um novo caminho para as Índias, em 1452, os navegadores lusitanos penetraram o Golfo da Guiné e atingiram o Cabo das Palmas; alguns anos mais tarde (1471), ultrapassaram a linha do Equador, penetrando no Hemisfério Sul. Em 1482, na costa sul da África, Diogo Cão atingiu a foz do Rio Congo e Angola, onde foram fundadas as feitorias de São Jorge da Mina; Luanda a Cabinda, locais em que se praticavam o comércio de especiarias e o tráfico negreiro.

Em 1488, Bartolomeu Dias atingiu o Cabo da Boa Esperança (Tormentas), completando o contorno do litoral atlântico da África (Périplo Africano). Dez anos mais tarde (1498) Vasco da Gama navegou pelo Índico e atingiu Calicute, na Índia. A partir daí, Portugal encetou sucessivas tentativas de formação do seu Império no Oriente. A primeira grande investida deu-se em 1500, com a organização de uma grande esquadra militar comandada por Pedro Álvares Cabral; desta expedição, temos a “descoberta” do Brasil e, depois, a tentativa cabralina de se fixar no Oriente.

Entre 1505 e 1515, Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque – este último, considerado o fundador do Império Português nas Índias – obtiveram sucessivas vitórias no Oriente, estendendo as conquistas lusas desde o Golfo Pérsico (Aden) à Índia (Calicute, Goa, Damão e Diu), ilha do Ceilão e alcançando a Indonésia, onde conquistaram a ilha de Java. Onde não foram obtidas conquistas militares, foram firmados acordos comerciais como é o caso da China (Macau) e Japão, entre 1517 e 1520. Mesmo baseados em um sistema de lucrativas feitorias, os gastos com as despesas militares e com a burocracia afligiam o Império Oriental Português. A partir de 1530, esses gastos, aliados à queda de preços das especiarias na Europa e à concorrência inglesa e holandesa, inviabilizaram sua sobrevivência. No século XVII, o vasto Império Luso já estava desmantelado.

2. As Grandes Navegações espanholas

Até 1942, os espanhóis lutavam contra os invasores mulçumanos. Nesse ano a vitória espanhola retomando Granada, o último reduto da península em poder dos invasores, assegurou a consolidação da monarquia nacional da Espanha, tornando possível o Ciclo Ocidental de Navegações.

A Espanha teve sua participação retardada no processo expansionista. A longa luta de reconquista contra os invasores mulçumanos que dominavam a península desde o século VIII e as lutas internas entre os reinos hispânicos cristãos impediam a unidade política e, consequentemente, a formação da monarquia nacional espanhola. A unificação política da Espanha ocorreu somente em 1469, com o casamento dos reis católicos, Fernando, de Aragão, e Isabel, de Castela. Com isso, os espanhóis se fortaleceram e investiram contra os invasores que ocupavam ainda o sul da península e, após sucessivas vitórias, tomaram Granada (1492), último baluarte da dominação moura no continente europeu.

A partir daí, desenvolveu-se uma orientação uniformizada possibilitando o fortalecimento da burguesia mercantil, anteriormente beneficiada por medidas pontuais dos reinos de Castela e Aragão: no caso deste último, destaque-se a expansão mediterrânea no século XIV, levando os mercadores aragoneses até a Sicília onde comercializavam panos, gêneros alimentícios e especiarias. Em 1492, patrocinado pelos Reis Católicos, Cristóvão Colombo, um navegador genovês, deu início ao Ciclo Ocidental de Navegações, que consistia na busca de um caminho para o Oriente, navegando para o Ocidente.

Em 12 de outubro de 1492, Colombo atingia a Ilha de Guanananí (São Salvador), realizando o primeiro feito significativo das Grandes Navegações espanholas, ou seja, o descobrimento da América. Acreditando ter atingido as Índias, Colombo realizaria ainda três viagens à América, tentando encontrar as “ricas regiões do comércio oriental”. No final de 1499, Vicente Yañez Pinzon, um dos comandantes de Colombo na viagem de descoberta da América em busca de um caminho que o levasse ao Oriente, atingiu a foz do rio Amazonas (Mar Dulce), colocando-se, portanto, como predecessor de Cabral no descobrimento do Brasil. Em 1513, ainda em busca de uma passagem para o Levante, Vasco Nuñes Balboa cruzou o istmo do Panamá o Oceano Pacífico. Outra empresa importante, relacionada à expansão marítima espanhola, foi a realização da primeira viagem de circunavegação iniciada em 1519 por Fernão de Magalhães, um navegador português a serviço da Espanha, e completada por Juan Sebastião Elcano, em 1522. Após 1.124 dias de navegação pelos mares desconhecidos, os espanhóis atingiram as ilhas das especiarias orientais pelo Ocidente, além de comprovar a esfericidade da Terra.

As grandes conquistas espanholas

Mesmo com o controle de importantes pontos comerciais no Oriente (Filipinas e Bornéo) obtidos no decorrer do século XVI, os espanhóis voltaram-se basicamente para o Ocidente, onde deram início à colonização da América• Nessa empresa, os seus esforços se concentraram principalmente no México e no Peru.

O México foi a primeira área a ser conquistada entre 1518 e 1525, sob a liderança de Fernan Cortéz. Essa empreitada implicou a destruição do Império Asteca e sua capital Tenochititián, onde ficaram célebres a ferocidade e a crueldade dos conquistadores europeus. A conquista do Peru está. relacionada ao avanço dos espanhóis sobre o Império Inca, cuja capital era Cuzco. Entre 1531 e 1538, Francisco Pizarro e Diego de Almagro destruíram um dos mais importantes impérios pré-colombianos, o que garantiu a expansão do domínio espanhol sobre o Chile, Equador e Bolivia, numa ação marcada também pela brutalidade do conquistador. Nessas duas áreas, ricas em ouro e prata, teve início a exploração das minas, com o uso intensivo do trabalho compulsório do nativo.

As colônias espanholas na América foram divididas inicialmente em dois vice-reinados: o de Nova Espanha (México) e do Peru. Criados respectivamente em 1535 e 1543, os vice-remos eram subordinados diretamente ao Real e Supremo Conselho das Indias, órgão governamental ligado diretamente ao rei e encarregado de tudo quanto se relacionasse com a América.

No século XVffl foram criados mais dois vice-remos: o de Nova Granada (Colômbia) e do Prata (Argentina).

Os espanhóis esperavam atingir o Oriente navegando para o Ocidente. Em busca de uma passagem que o levasse às “Indias”, além da viagem de 1492, que resultou no descobrimento da América, Cristóvão Colombo realizou mais três viagens ao Novo Mundo.

Colombo nunca encontrou o caminho para as “Índias”. Acabou morrendo velho e abandonado no convento de Valladolid.

A conquista dos antigos impérios pré-colombiano, pelos espanhóis, implicou a destruição das populações indígenas.

3. A partilha das terras descobertas nas Grandes Navegações

A rivalidade entre Portugal e Espanha pela disputa das terras descobertas de origem a uma série de tratados de partilha. Em 1480, antes da fase mais intensa das navegações espanholas foi firmado o Tratado de Toledo, pelo qual Portugal cedia à Espanha as ilhas Canárias (Costa da África), recebendo em troca o monopólio do comercio e navegação do litoral africano ao sul da linha do Equador.

A descoberta da América serviu para aumentar a rivalidade entre os dois paises e exigiu um novo tratado. Desta feita, o Papa Alexandre VI (cardeal aragonês) atuou como árbitro através da Bula Inter Coetera 1493.

Uma linha imaginária foi traçada a 100 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde: as terras situadas a oeste da linha demarcatória ficariam para a Espanha, cabendo a Portugal as terras a leste, ou seja, o mar alto, o que gerou protestos de D. João II, o rei de Portugal.

Em função da reação portuguesa foi estabelecida uma nova demarcação que ficou conhecida como Tratado de Tordesilhas (1494).

A linha imaginária passaria agora a 370 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde: a porção ocidental ficaria pertencendo à Espanha, cabendo a Portugal a porção oriental. Dessa forma, parte das terras do Brasil passavam a pertencer a Portugal. Contudo, a linha de Tordesilhas, que, provavelmente, passaria por Belém, ao norte, e por Laguna, no litoral catarinense, nunca foi concretamente demarcada.

A presença espanhola no Oriente, depois da viagem de Fernão de Magalhães, exigiu também a demarcação da parte oriental do planeta, através do Tratado ou Capitulação de Saragoça (1529). Por este acordo, uma linha imaginária dividiria o mundo oriental entre Espanha e Portugal, a partir das Ilhas Molucas.

A divisão do mundo entre portugueses e espanhóis desencadeou a reação da França, Inglaterra e Holanda, países marginalizados pelos tratados de partilha. Daí, a sucessão de ataques corsários e as invasões das possessões ibéricas na América, África e Ásia.

4. As conseqüências da expansão marítima

As Grandes Navegações e Descobrimentos modificaram de forma significativa o mundo até então conhecido.

Dentre as principais conseqüências da expansão européia devem ser destacadas:

O deslocamento do eixo econômico europeu do Mediterrâneo para o Atlântico-Índico, com a ascensão dos países ibéricos e a conseqüente decadência das cidades mercantis italianas.
A consolidação do Estado Absolutista, típico da Época Moderna, que depois de patrocinar o movimento expansionista, passou agora a usufruir dos seus lucros.
Adoção da política econômica mercantilista, baseada no protecionismo do Estado e no regime de monopólios.
A formação do Sistema Colonial Tradicional vinculado à política econômica mercantilista e responsável pela colonização da América.
O renascimento da escravidão nas áreas colônias nos moldes do capitalismo moderno, com a utilização intensiva da força de trabalho indígena e africana.
O fortalecimento da burguesia mercantil nos países atlânticos.
Início do processo de europeização do mundo, especialmente, com a expansão do cristianismo.
A destruição das avançadas civilizações pré-colombianas existentes na América.
A expansão do comércio europeu (Revolução Comercial), dentro de uma nova noção de mercado, agora entendido em escala mundial.
Aceleração da acumulação primitiva de capital, realizada através da circulação de mercadorias.
Revolução dos Preços, provocada pelo crescente afluxo de metais preciosos provenientes da América.

5. O atraso da Inglaterra, França e Holanda nas Grandes Navegações

Diversos fatores contribuíram para o retardamento da participação Inglesa francesa e holandesa na expansão mercantil, dentre eles a Instabilidade política e econômica, a inexistência de uma monarquia centralizada, aliada aos interesses das burguesias nacionais e às resistências feudais.

Inglaterra

Além do desgaste na Guerra dos Cem Anos (1337-1453), travada contra a França, a Inglaterra sofreu os efeitos da Guerra das Duas Rosas (1455-85) retardando assim sua presença nas Grandes Navegações, que somente ocorreria a partir do reinado de Henrique VII (Tudor), estimulada pelo êxito ibérico: com a viagem dos italianos João e Sebastião Caboto (1497-98) foi atingido o Labrador, no Canadá; entre 1584 e 1587, Walter Raleigh fundou a colônia da Virgínia, o primeiro núcleo colonial inglês, além de tentar fundar colônias na Flórida. A partir daí, e até 1740, serão formadas as 13 colônias inglesas da América do Norte.

Um dos feitos mais importantes das navegações inglesas foi a segunda viagem de circunavegação, realizada por Francis Drake, entre 1587 e 1590.

França

Seu atraso deveu-se aos problemas que marcaram o processo de centralização monárquica, dificultado pela nobreza, e aos efeitos devastadores da Guerra dos Cem Anos. As Grandes Navegações francesas começaram no século XVI, apoiadas pela dinastia Valois e com a participação de navegadores estrangeiros.

Em 1523, o italiano Verrazano atingiu o litoral do Canadá e o norte dos EUA. Em seguida, Jacques Cartier penetrou o rio São Lourenço, fundando em 1534 a colônia de Nova França, o primeiro estabelecimento francês na América. Em 1604, já sob o governo dos Bourbons, os franceses ocuparam a Guiana e em 1608 fundaram a colônia de Quebec, no Canadá. Ainda neste século, penetraram o rio Mississipi e fundaram os núcleos de Saint Louis e Nova Orleans, embrião da colônia da Louisiana.

Além disso, os franceses fizeram duas tentativas de colonização no Brasil: no Rio de Janeiro (1555-67), com a França Antártica, e no Maranhão (1612-15), com a França Equinocial, ambas de curta duração. A penetração do Oriente começou no reinado de Luís XIV com a conquista de parte da Índia.

Holanda

Mesmo com uma sólida tradição mercantil, os holandeses eram dominados pela Espanha. Sua independência somente ocorreria em 1581, com o surgimento das Províncias Unidas dos Países Baixos do Norte (Holanda). A partir daí, foram criadas as Companhias de Comércio, das Índias Orientais (E.I.C.) e das Indias Ocidentais (W.I.C.), responsáveis pela penetração no bloco colonial ibérico.

Em 1626, os flamengos entraram para as Grandes Navegações e atingiram a América do Norte, onde fundaram a colônia de Nova Amsterdã, que depois de tomada pelos ingleses passou a se denominar Nova York. Entre 1624 e 1654, a W.I.C. realizou duas invasões no Nordeste brasileiro, buscando o controle da produção açucareira e, ao mesmo tempo, incursões na África portuguesa, nas Antilhas espanholas e no Oriente. Na América do Sul, em sua parte setentrional, criaram a Guiana holandesa, atual Suriname. No século XVII, os holandeses controlavam um grande império colonial, especialmente nas Índias Orientais.

Fonte: historiapatos.wikispaces.com

Grandes Navegações

AS GRANDES NAVEGAÇÕES E DESCOBRIMENTOS

O século XIV foi um século de crises na Europa. As duas principais foram a crise do comércio e a do feudalismo.

Nessa época o comércio europeu já se ligava à Ásia (Índias), sendo feito pelos árabes do Oriente a Constantinopla, pelos italianos no Mediterrâneo e pelos flamengos (holandeses) no Mar do Norte e no interior do continente.

No entanto a escassez de metais nobres, amoedáveis (ouro e prata), gera a crise, uma crise de crescimento. É necessário encontrar metais nobres em outros lugares, ou as especiarias ou, em último caso, se os metais ou as especiarias não forem encontrados, é necessário encontrar uma nova rota que ligue a Europa às Índias. Qualquer que seja a alternativa, navegar é preciso.

Todavia, a existência do particularismo político característico do feudalismo é o maior impedimento às navegações. Para que se solucione essa crise econômica é necessário que se promova uma grande mudança política. Nesse caso, é fundamental que haja a Centralização do Poder Político.

Somente com a Monarquia Nacional, com o poder centralizado nas mãos do Rei, será possível reunir capitais e desenvolver novas técnicas de navegação que permitam ao comércio europeu superar a sua crise.

Para tanto, é necessária a aliança da burguesia com o Rei, derrotando a nobreza feudal. Sem essa condição política não há navegações, e sem as navegações não há como solucionar a crise.

Portugal foi o primeiro país europeu a formar a sua Monarquia Nacional, o que aconteceu graças à chamada Revolução de Avis (1383-85), por isso foi o primeiro país a navegar.

Durante o século XV os portugueses fizeram o “périplo africano”, navegando e comerciando na costa ocidental da África e descobrindo ilhas e arquipélagos, chegando em 1488 ao Cabo da Boa Esperança, no extremo sul do continente. Até aí não havia nenhuma concorrência para os portugueses, pois ainda nenhum país havia alcançado plenamente a consolidação de suas respectivas monarquias nacionais.

A Espanha conclui a Reconquista em 1/1/1492, e no mesmo ano os Reis Católicos apoiaram a expedição do genovês Cristóvão Colombo, que pretendendo chegar ao Oriente navegando no rumo do Ocidente, descobriu a América em 12 de outubro.

Na disputa entre as duas nações ibéricas pelas novas terras, Portugal obtém o Tratado de Tordesilhas (1494), que afasta os espanhóis da costa africana e garante a primazia lusa na chegada às Índias com Vasco da Gama em 1498.

Dois anos depois a expedição de Cabral toma posse do Brasil, mas as incomparáveis vantagens comerciais oferecidas pelo Oriente, faz com que os portugueses se concentrem naquela atividade, deixando o Brasil em segundo plano durante os 30 anos seguintes.

Finalmente em 1530, devido à decadência do comércio com o Oriente e a intensa presença de piratas e corsários de outras nacionalidades na costa brasileira, D. João III organiza a expedição de Martin Afonso de Souza que dá início à colonização do Brasil.

Fonte: www.professorreinaldo.com.br

Grandes Navegações

Era das Grandes Navegações: Competição

Durante séculos, a rota das especiarias – canela, cravo e noz-moscada que melhoravam o sabor da comida dos europeus – correra do oceano Índico ao mar Vermelho ou também por terra, atravessando a Arábia. Em meados do século XV, seu lucrativo trecho final, ao chegar à Europa, estava estritamente controlado pelos turcos e pelos venezianos. Os portugueses perceberam que, se conseguissem encontrar uma rota alternativa, descendo pela costa oeste da África e contornando o cabo da Boa Esperança até o oceano Índico, eles dominariam o negócio. Bartolomeu Dias, marinheiro português, já tinha contornado o Cabo em 1488, mas sua tripulação o forçara a voltar. Nove anos depois, coube a Vasco da Gama a fazer o caminho completo.

A competição acirrada que impulsionou a era das Grandes Navegações, expandindo a Civilização Ocidental para além-mar. Navegar em torno da África era questão de sair à frente dos concorrentes, tanto em termos econômicos, quanto políticos. Segundo Nial Ferguson (Civilização, 2012: 60), “a exploração marítima, em suma, foi a corrida espacial da Europa quatrocentista. Ou, melhor dizendo, sua corrida por especiarias“.

Os portugueses se dedicaram  a demonstrações de violência porque sabiam que encontrariam resistência ao tentar abrir um nova rota de especiarias.

Acreditavam que a melhor defesa era o ataque.

Assim como Portugal, a Espanha havia saído na frente, tomando a iniciativa no Novo Mundo. As duas potências ibéricas puderam olhar para suas conquistas imperiais com incrível autoconfiança. Mas os holandeses, com aptidão comercial – e que na época estavam sob domínio espanhol -, passaram a avaliar o potencial de uma nova rota de especiarias. Em meados do século XVII, eles haviam superado os portugueses quanto à tonelagem e ao número de navios contornando o Cabo.

Ao chegar notícias de que seus arqui-inimigos, os espanhois e os franceses, estavam fazendo fortuna no além-mar, os ingleses se somaram à corrida pelo comércio ultramarino. Em 1496, John Cabort fez sua primeira tentativa de atravessar o Atlântico partindo de Bristol. Em 1533, outros ingleses partiram de à procura de uma “passagem nordeste” para a Índia. Projetos similares proliferaram com apoio real, não só no Atlântico como também ao longo da rota das especiarias. O mundo estava sendo repartido em um frenesi de competição acirrada.

Os mapas da Europa medieval mostravam centenas de Estados concorrentes. Havia, aproximadamente, mil cidades na Europa do século XIV; e ainda cerca de 500 unidades mais ou menos independentes 200 anos mais tarde. Por que? Por causa da geografia. Enquanto a China tinha apenas três grandes rios, todos fluindo de oeste para leste, a Europa tinha muitos rios fluindo em várias direções. Com cadeias montanhosas como os Alpes e os Pirineus, densas florestas e regiões pantanosas, a Europa não podia ser facilmente invadida por um bando de homens a cavalo, como os mongóis invadiam a China, – e, portanto, tinha menos necessidade de se unir.

Em todos os anos de 1500 a 1799, a Espanha esteve em guerra contra inimigos estrangeiros europeus durante 81% do tempo; a Inglaterra, 53%; a França, 52%.

Mas essas lutas constantes tiveram três vantagens não intencionais.

Primeiro, encorajaram a inovação em tecnologia militar, seja em terra (fortificações), seja em mar (navios).

A segunda vantagem da situação de guerra quase incessante da Europa é que os Estados rivais se tornavam cada vez melhores no que dizia respeito a levantar a verba necessária para financiar as campanhas, seja via coleta de impostos, seja via empréstimos públicos, originando o mercado de obrigações. A dívida pública era uma instituição totalmente desconhecida na China da dinastia Ming, e só foi introduzida no fim do século XIX, sob influência europeia.

Outra inovação fiscal que transformou o mundo foi a ideia holandesa de conceder direitos de monopólio comercial a empresas de capital aberto em troca de uma participação em seus lucros. As empresas atuariam também como fornecedoras de serviços navais contra as potências inimigas. A Companhia Holandesas das Índias Orientais foi fundada, em 1602, como a primeira Sociedade por Ações com autofinanciamento das arriscadas empreitadas. Foi a primeira verdadeira corporação capitalista, com seu patrimônio líquido dividido em ações negociáveis e pagando dividendos em moeda corrente a critério de seus diretores.

Nos primórdios do Estado moderno, diminuíram as prerrogativas reais, através do exclusivismo do financiamento, ao se criar os novos grupos de interesses que perdurariam até nossos dias: banqueiros, debenturistas e diretores de empresa.

Todos os monarcas europeus estimulavam o comércio, a conquista e a colonização como parte de sua competição uns com os outros.

A guerra religiosa foi a ruína da vida europeia por mais de um século depois que a reforma luterana varreu a Alemanha. Mas as batalhas sangrentas entre protestantes e católicos, bem como as perseguições periódicas e localizadas contra os judeus, também tiveram efeitos colaterais benéficos.

Em 1492, os judeus foram expulsos de Castela e Aragão, sendo considerados hereges. Então, uma comunidade judaica se estabeleceu em Veneza após 1509.

Nela, surgiram agiotas, empréstimos usurários, banqueiros.

Em 1556, com a revolta dos holandeses contra o governo espanhol e o estabelecimento das Províncias Unidas como uma república protestante, Amsterdã se tornou mais um porto de tolerância.

Em suma, a fragmentação política que caracterizou a Europa impossibilitou a criação de qualquer coisa que lembrasse remotamente a letargia do império chinês. Também incentivou os europeus a procurar oportunidades – econômicas, geopolíticas e religiosas – em terras distantes. Segundo Ferguson (2012: 65), “foi dividindo-se a si mesmo que os europeus conseguiram governar o mundo. Na Europa, ‘o pequeno era belo’ porque significava competição – e competição não só entre Estados, mas também no interior destes.”

As cidades eram, com frequência, autogovernadas.

A Europa não era só feita de Estados, como também de estratos sociais: aristocratas, clérigos e citadinos.

Os empréstimos e doações à Coroa se tornaram a chave da autonomia urbana. Quanto mais rica a cidade se tornava, maior sua capacidade de alavancagem financeira.

Não só a cidade competia com a Coroa por poder. Havia competição até mesmo no interior de cidades como Londres. As origens de todas as corporações de ofício remontam ao período medieval. Essas guildas exerciam considerável poder sobre seus setores específicos da economia, mas também tinha poder político.

Essa competição em vários níveis, entre Estados e também no interior deste – e até mesmo no interior das cidades -, ajuda a explicar a rápida disseminação e os avanços tecnológicos na Europa. Assim como com a tecnologia militar, a competição levou ao progresso, à medida em que os artesãos tratavam de introduzir melhorias pequenas, mas cumulativas, à precisão e à elegância do produto.

A América – e não “Colômbia“, porque Américo (Vespúcio), descobridor do continente, através de seu livro Mundos Novus, publicado em 1504, retirou a reputação de (Cristóvão) Colombo -, foi conquistada porque as monarquias da Europa, competindo por almas, ouro e terras, estiveram dispostas a atravessar oceanos e conquistar continentes inteiros.

Para muitos historiadores, a descoberta das Américas é a principal razão para a supremacia do Ocidente. Sem seus recursos naturais, nativos e escravos africanos não poderia ter havido a emergência europeia nem a Revolução Industrial.

Para Ferguson (2012: 128), “o verdadeiro significado da conquista e colonização das Américas é que este foi um dos maiores experimentos naturais da história: pegue duas culturais ocidentais, exporte-as – os britânicos no Norte, os espanhóis e os portugueses no Sul -, imponha-as sobre uma ampla gama de povos e terras diferentes, e depois veja qual delas se sai melhor”.

Como e por que a força dominante da civilização ocidental se tornou os Estados Unidos da América? Não foi porque o solo setentrional era mais fértil ou continha mais ouro e petróleo, ou porque o clima era melhor, ou porque a localização dos rios era mais apropriada, ou apenas porque a Europa estava geograficamente mais próxima. Em vez disso, foi uma ideia o que levou à diferença crucial entre a América britânica e a ibérica – uma ideia sobre o modo como as pessoas deveriam ser governadas. A democracia culmina o estado de coisas predominante na América do Norte, ou melhor, o Estado de Direito que envolve a liberdade individual e a segurança dos direitos de propriedade, garantidos por um governo constitucional e representativo.

Por que a definição anglo-americana de civilização – de liberdade individual, sociedade baseada na opinião dos civis, representados em parlamentos, cortes de justiça independentes, subordinação da classe dominante aos costumes do povo e à sua vontades, tal como expressos na Constituição – não conseguiu criar raízes na América ao sul do Rio Grande?

Fonte: fernandonogueiracosta.wordpress.com

Grandes Navegações

A Expansão Marítima Européia

Em 1453 Constantinopla caía nas mãos dos turcos otomanos. Último grande entreposto comercial cristão no Oriente, a queda desta cidade favoreceu a busca de caminhos alternativos para a busca das tão lucrativas especiarias do Oriente.

Essa busca levou os europeus a mergulhar numa das maiores aventuras da história humana.

As grandes navegações colocaram em contato, pela primeira vez, todos os continentes habitados do Globo, iniciando o que podemos chamar de primeira globalização.

Causas da Expansão Marítima

Necessidades metalistas: o mercado europeu necessitava de maiores recursos em metais moedáveis para poder desenvolver as trocas comerciais.
Buscar rota alternativa para a India: era urgente abastecer a Europa das tão apreciadas e lucrativas especiarias da India (cravo, canela, nóz moscada, pimenta do reino, etc).
Necessidade de novos mercados: os europeus necessitavam trocar seus produtos manufaturados como outras regiões.
Novas técnicas: bússola, astrolábio, caravela, cartas marítimas, avanço da geografia, esfericidade terrestre, pólvora e armas de fogo.
Centralização monárquica: apenas Estados fortes poderiam levantar os grandes recursos necessários à empresa marítima.
Desenvolvimento da Burguesia: asse novo grupo social vislumbrava enormes lucros no comércio marítimo.
Espírito de aventura: A exploração colonial abria possibilidades de ascensão sócio-econômica fora da Europa.

As Navegações de Portugal

A centralização do poder em Portugal se confunde com as guerras de reconquista de seu território contra os muçulmanos.

Em 1139, a Dinastia de Borgonha foi fundada por Afonso Henriques. Os reis dessa dinastia impuseram severas derrotas aos mouros e finalmente os expulsaram do Algarve em 1249.

Em 1383, ocorreu a Revolução de Avis, pela qual João I (mestre da ordem de Avis) fundou a Dinastia de Avis. Esse rei se aliou à burguesia comercial lusitana e promoveu o desenvolvimento marítimo português, preparando o caminho para a aventura portuguesa pelos novos mundos no século seguinte.

Os Portugueses foram os primeiros a se lançarem ao mar, e seu pioneirismo se deve a diversos fatores:

Situação geográfica privilegiada: Portugal situa-se na parte mais ocidental da Europa e detém um extenso litoral que serve de entreposto para as rotas de comércio que ligam Europa e África e o Mediterrâneo e Atlântico.
Conhecimentos técnicos: No século VIII os árabes invadiram o território português e trouxeram consigo muitas novidades técnicas do Oriente: astrolábio, bússola, pólvora.
Experiência de navegação: premidos pela necessidade, pois as terras não eram muitas e nem férteis, já na Baixa Idade Média os portugueses faziam pesca em alto mar.
Burguesia mercantil forte: O renascimento comercial do fim da Idade Média favoreceu o desenvolvimento de um rico comércio entre o Mediterrâneo e o Mar do Norte, no qual Lisboa tinha um papel de importante entreposto.
Centralização Monárquica: Portugal foi o primeiro Estado a centralizar o poder com a Revolução de Avis no século XIV, quando ascendeu ao trono D. João de Avis favorável à burguesia e a seus interesses comerciais.

O Ciclo Oriental das Navegações ou Périplo Africano

Os portugueses buscaram em sua aventura marítima um caminho alternativo para as Índias. Esse caminho deveria contornar o continente africano para chegar às tão cobiçadas especiarias indianas. Assim ao longo de todo o século XV, os navegantes portugueses conquistaram pouco a pouco o litoral africano até achar o tão almejado caminho das índias.

Resumo das Navegações Portuguesas

1415: Conquista de Ceuta no Norte da África.
1419: Ilha da Madeira
1431: Arquipélago dos Açores
1434: Gil Eanes atinge o Cabo Borjador
1482: Diogo Cão chega na região do Zaire.
1488: Bartolomeu Dias atinge o Cabo da Boa Esperança no extremo sul da África.
1498: Vasco da Gama atinge Calicute na Índia, concluindo o périplo africano.
1500: Em 22 de abril Cabral chegou ao Brasil.

Apesar de perigosa, a carreira da Índia auferiu lucros imensos para Portugal com o comércio das especiarias. O porto de Lisboa transformou-se num dos mais agitados da Europa.

No século XVI Portugal tornou-se um dos Estados mais poderosos da Europa e a corte portuguesa viveu seu período de maior esplendor.

As navegações da Espanha

O Ciclo Ocidental das Navegações

A exemplo do que sucedeu com Portugal, a centralização do poder na Espanha também se deu paralelamente às lutas contra os muçulmanos em seu território.

Durante esse processo consolidaram-se os reinos de Aragão, Navarra, Leão e Castela.

Com a reconquista do território espanhol aos muçulmanos pelos reis católicos Fernando de Aragão e Isabel de Castela em 1492, a Espanha finalmente conseguiu centralizar o poder e financiar a empresa marítima.

No mesmo ano da Reconquista o navegador genovês Cristóvão Colombo convenceu os reis espanhois a financiar-lhe uma viagem às Índias pelo Ocidente.

A idéia de Colombo era tirar proveito da forma esférica da Terra para chegar ao oriente navegando sempre para o ocidente, ou seja, ele daria a volta ao mundo.

Não obstante, nos planos de Colombo não constava a possibilidade de haver uma barreira entre os dois pontos. Assim, em 12 de outubro de 1492 esse navegador simplesmente tropeçou na América pensando que estava chegando ao Oriente.

Anos depois o navegador florentino Américo Vespúcio observou que as terras descobertas por Colombo eram um novo continente, o qual descreveu em sua obra Mundus Novus. O sucesso da obra de Vespúcio na Europa acabou por imprimir o seu nome às novas terras, enquanto Colombo morreu pobre e esquecido acreditando que de fato chegara às Índias.

A Partilha do Mundo

A Bula Inter Coetera foi assinada em 1493, pelo Papa espanhol Alexandre VI. Esse documento papal traçava um meridiano hipotético a 100 léguas a Ocidente de Cabo Verde. Todas as terras a oeste deste meridiano pertenceriam à Espanha e a leste pertenceriam a Portugal. Percebendo a enorme desvantagem, Portugal não aceitou a primeira divisão e, em 1494, foi assinado o Tratado de Tordesilhas que estendeu o meridiano a 370 léguas a Oeste da ilha de Cabo Verde.

As navegações da Inglaterra, Holanda e França

O pioneirismo português e Espanhol nas navegações deixaram países que ainda se viam com problemas internos como a Inglaterra, a França e a Holanda. Esses países equacionaram seus respectivos processos de centralização apenas no século XVI. Assim esses novos Estados mercantilistas tinham uma grande necessidade de metais preciosos, mercados e matérias primas. Isso favoreceu uma forte disputa colonialista entre os Estados europeus no século XVII, o que provocou muitas guerras dentro e fora da Europa.

A França e a Inglaterra privilegiaram a exploração e colonização da América do Norte. Esta última também deu grande apoia às práticas de pirataria no reinado de Elizabeth I o que originou grandes rivalidades com a Espanha, haja vista que o alvo princiapl dos corsários ingleses eram os galeões espanhóis invariavelmente carregados de ouro e prata. O Brasil foi, por diversas vezes, alvo das investidas de franceses (Rio de Janeiro) e holandeses (Bahia e Pernambuco). Esses chegaram a dominar regiões de interesse por vários anos no nordeste açucareiro. Não obstante, foram expulsos pelos portugueses passado algum tempo.

O Triângulo Comercial

Os europeus estruturaram uma grande estrutura de exploração colonial abrangendo um triângulo cujos vértices apontam para a Europa, África e América. Desse modo, a exploração se concentrou na África (escravos) e América (matérias primas) e o acúmulo de capital determinado pelos lucros exorbitantes do comércio triangular se concentrou no vértice europeu.

As manufaturas européias (tecidos e armas) eram trocadas com grandes vantagens por escravos na África. Os africanos escravizados eram levados para a América onde eram permutados por matérias primas (ouro, prata, açúcar). Essas matérias primas eram levadas para a Europa onde alcançavam altíssimo preço.

De outro modo, os europeus também trocavam suas manufaturas diretamente na América por matérias primas, para então voltarem para a Europa. Havia ainda a oportunidade não menos lucrativa de trocar as manufaturas por fumo, aguardente ou melado, que poderiam ser facilmente levados à África e trocados por escravos que seriam trocados na América por matérias primas que, na Europa, reverteriam em estrondoso lucro. Qualquer que seja o sentido da triangulação mercantilista, os europeus auferiam sempre enormes lucros. Isso favoreceu o acúmulo de capital e o desenvolvimento comercial do capitalismo e da indústria na Europa.

A exploração colonial européia se pautava por alguns princípios básicos:

Monopólio Comercial: A metrópole tinha total exclusividade no comércio com suas colônias
Complementariedade: A produção da colônia deveria ser complementar à da metrópole para permitir o lucrativo intercâmbio de mercadorias. Era vetado à colônia ter manufaturas.
Escravismo: Utilização sistemática de escravos africanos (Brasil e EUA) ou indígenas (América Espanhola).

Conseqüências das Navegações

Desenvolvimento do comércio Atlântico
Estados Nacionais fortalecidos
Ascensão capitalista e burguesa
Novos povos e culturas
Novos animais e plantas
Imposição cultural européia
Imposição da religião cristã
Comércio de escravos
Desenvolvimento científico tecnológico
Desestruturação cultural dos indígenas

Fonte: www.ejurnews.com

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