Ou sofrendo. E mesmo quando a dilatação se completa sem maiores problemas, é ainda necessário ultrapassar a fase de expulsão, que também os exporá a riscos significativos, mesmo quando o parto é conduzido por um obstetra cuidadoso, hábil e experiente. Para a mãe, o risco de ter sua vagina, períneo posterior e vulva dilacerados com a passagem da cabecinha do neném, que pode comportar-se de forma imprevisível. Para o pequeno, o risco de lesões cerebrais de graus diversos.
Existem casos, é lógico, de bebês que nasceram sentados de parto normal e que, tanto eles quanto suas mães, não tiveram qualquer tipo de problema. Estes casos, porém, constituem uma exceção.
Se, nas últimas semanas de gestação, o médico desconfia que o bebê está sentado, é hora de começar a preparar-se e também preparar a mãe para a hipótese quase certa da cesariana. Alguns outros aspectos podem e devem ser, de acordo com cada caso, considerados. Se, por exemplo, a parturiente é jovem, já teve filhos de partos normais e o obstetra percebe que seu bebê é pequeno, o risco de deixar nascer um outro bebê, mesmo que sentado, de parto normal, se torna bem menos significativo. Às vezes, não é necessário apelar para a cesárea. Cabe ao obstetra, entretanto, decidir-se por este ou aquele caminho.
A cesariana tem recebido muitas críticas. Fala-se de seu alto índice e do hábito, cada vez menos generalizado, de se esperar pelo curso natural de um parto. No entanto, o que se critica não é o método em si. Esse, na verdade, tem salvado muitas vidas. O que importa é conhecer bem seus prós e contras, seus verdadeiros riscos e suas indicações.
O índice de cesariana no Brasil é um dos mais altos do mundo. Esse fato é suficiente para justificar uma onda de críticas que a cesárea tem recebido de todos os lados. Muitas vezes, ela é feita arbitrariamente ao sabor apenas da pressa do obstetra e da ansiedade da parturiente que não conseguem esperar pelo curso natural de um parto.
Mas é preciso evitar uma certa confusão: o que se critica não é o método em si, mas seu uso indiscriminado. Na verdade, a cesariana tem salvado muitas vidas.
Antigamente, um bebê que estivesse numa posição fora do convencional estava seriamente ameaçado de morte. Hoje, esse e outros problemas podem ser contornados através da cesariana e outros recursos. O ponto chave da questão é distinguir quando ela é realmente indicada, quais são seus riscos e vantagens.
A princípio, a cesariana é indicada para todos os casos em que o parto normal represente um risco para o bebê ou para a mãe:
Desproporção entre a cabeça do bebê e a bacia materna: neste caso, o bebê não terá passagem para sair pela via vaginal. Estão incluídos aí também os casos em que a mulher tem uma bacia anômala, embora larga, tornando muito difícil o trabalho de expulsão.
Problemas uterinos
O mais comum é o mioma. Se ele estiver nafrente do bebê, há um bloqueio total à sua passagem.
Problemas clínicos da mãe
Um exemplo clássico é o da mulher cardíaca sem condições de enfrentar o esforço do trabalho de parto, a não ser correndo sérios riscos.
Posições da placenta
Muito baixa, a placenta pode impedir a saída do bebê.
Envelhecimento da placenta
Quando a placenta amadurece antes do tempo, fica sem condições de funcionar adequadamente na hora do parto, deixando de levar para o bebê todos os nutrientes de que ele necessita para sua sobrevivência.
Sofrimento fetal
Esse problema é conseqüência do anterior. Se a placenta não está funcionando bem, o bebê passa a receber menos oxigênio e menos nutrientes do organismo materno. Ele fica fraco, não se desenvolve bem e entra em sofrimento. É preferível trazê-lo para o mundo externo onde terá melhores condições de vida.
Posição inadequada do bebê
Se o feto está sentado ou transverso, não vale a pena arriscar um parto pela via vaginal. Mãe e filho podem sofrer sérias lesões na hora da expulsão.
Cesarianas anteriores
Se a mulher já se submeteu a duas cesarianas anteriormente, evita-se deixá-la entrar em trabalho de parto, pois há o risco do rompimento do útero.
Muitas vezes, a indicação se define durante o trabalho de parto, que é, em última instância, a prova definitiva das reais condições que a criança, tem de nascer pelas vias normais.
Em média, o trabalho de parto do primeiro filho dura 12 horas. No segundo, oito horas. Esse tempo vai diminuindo ainda mais à medida que a mulher tem mais filhos.
Cada caso é um caso: há partos que começam vagarosamente, mas se desenvolvem bem a partir de certo momento. Outros, ao contrário, correm bem no início e complicam depois. Por isso, diz-se que a maioria das indicações de cesariana hoje são relativas. Depende da capacidade do médico em avaliar quando é válido esperar e quando é preciso interferir cirurgicamente. Basicamente, o que a cesariana elimina é o trabalho de parto. Ela poupa a mulher de um esforço semelhante ao de uma prova atlética, que põe em choque toda a sua resistência física. E poupa o bebê de uma experiência para a qual ele pode não estar preparado. Durante as contrações, os vasos que levam sangue (e conseqüentemente oxigênio e outros nutrientes) para a placenta ficam momentaneamente obstruídos. Nesse período, o bebê é obrigado a viver de suas reservas, como se desse um mergulho a cada contração para se refazer ao final, preparando-se para a próxima. Esse esforço é importante para o amadurecimento de seu organismo como um todo. Mas quando ele já está debilitado, é melhor poupá-lo disto.

A cesariana elimina o trabalho de parto quando a mulher não pode se submeter
esse esforço
Agressão
É assim que se define o que uma cirurgia representa para o organismo. E preciso cortar tecidos, invadir cavidades que, normalmente, seriam respeitadas, submeter o paciente ao impacto de uma anestesia. Antigamente, cesariana era sinônimo de complicação séria. Com a invenção dos antibióticos, o principal risco da cesariana foi bastante reduzido. Infecções, só em casos muito raros. E as perdas sanguíneas podem agora ser repostas através de técnicas mais eficientes. O corte é pequeno e a cicatriz, geralmente, não impede o uso de um biquíni. Mesmo assim, a cesariana provoca sempre um trauma no organismo da mulher, maior que o causado por um parto normal. O abdômen foi cortado, a musculatura foi afastada de seu lugar e a cavidade abdominal invadida. Tudo isso provoca acúmulo de gazes, dores, menor movimentação intestinal e uma recuperação pós-parto mais lenta. Outro risco da cesariana é interromper uma gravidez que ainda não chegou a termo. Por isso, quando não se tem certeza da idade da gestação os médicos costumam deixar primeiro que a mulher entre em trabalho de parto para depois fazer a cirurgia. Hoje, entretanto, essa possibilidade está bem reduzida. A ultra-sonografia é capaz de mostrar os sinais de envelhecimento 'da placenta e de maturidade do bebê. O exame do líquido amniótico pode informar com precisão a idade da gestação. E quando não se pode contar com esses recursos, O exame clínico fornece dados valiosos para essa avaliação. A data da última menstruação, por exemplo, quando é conhecida com certeza, serve perfeitamente como guia.

A cirurgia é sempre uma agressão.
É preciso submeter a paciente ao impacto de uma anestesia, cortar tecidos,
invadir cavidades
Na sala de cirurgia, apenas um foco de luz sobre a barriga da mulher; o mínimo de barulho e a presença do pai. Esses são os requisitos básicos para uma cesariana humanizada. A mulher recebe uma anestesia peridural e assiste acordada a tudo que se passa. O papai, de gorro e máscara, pode conversar com ela e se movimentar à vontade, tomando apenas o cuidado de não tocar nos locais e objetos esterilizados, falar ou tossir perto do campo cirúrgico.
Sua presença tem uma especial importância: por mais calma que seja a mamãe, o fato de estar sendo operada sempre a deixa insegura. Não é preciso correria. O bebê pode ser retirado calmamente, com movimentos suaves e sem violência. Nada de suspendê-lo pelas pernas, nem de aplicar-lhe as tradicionais palmadinhas.
Tudo que ele precisa agora é de aconchego. Da barriga direto para os braços da mamãe, ele receberá todo o carinho de que necessita agora. Deve estar um pouco assustado.
Também pudera... A amamentação pode se iniciar aí, se mãe e filho estiverem dispostos. O cordão umbilical é cortado imediatamente após a retirada do bebê.
Com muita suavidade para não perturbar aqueles dois seres que esperaram tanto tempo para se conhecer . Alguns minutos depois, mais calmo e seguro, o bebê é entregue ao neonatologista para os exames de praxe. Espera-se a saída da placenta e o corte começa a ser suturado.
Tudo terminado, resta uma certeza: a mamãe não está com a incômoda sensação de ter passado por tudo como uma mera espectadora. Ela não só viu seu bebê nascer, como também lhe deu as boas-vindas na chegada ao seu novo mundo.

É preciso retirar o bebê antes que a anestesia passe para seu organismo

Mortes recentes de pessoas famosas em acidentes operatórios levaram a maioria de nós a pensar duas vezes antes de se submeter a uma anestesia geral. E, verdade seja dita, esse medo não é totalmente infundado. A anestesia, realmente, tem seus riscos.
O organismo precisa fazer um grande esforço para se adequar aos medicamentos usados, tanto que o stress anestésico é um fato: a pressão arterial cai, o ritmo cardíaco se altera etc. Todas essas alterações, no entanto, são perfeitamente suportáveis para uma pessoa em boas condições de saúde. O grande fantasma é o choque anafilático. Um acidente raríssimo, segundo dados estatísticos, mas que pode ter conseqüências fatais. Nas cesarianas feitas hoje, entretanto, esse acidente está praticamente fora de cogitação, pois, geralmente, usa-se a anestesia peridural que não percorre o organismo todo e tem uma ação menos agressiva. O choque anafilático é uma reação alérgica e violenta a um medicamento qualquer. Muitas vezes, ele é também imprevisível, porque não existem testes de sensibilização para todos os medicamentos.
Para que se dê o choque anafilático é preciso haver uma infeliz e rara coincidência: um alto grau de sensibilização do paciente a um desses anestésicos que não podem ser testados.

O mecanismo é o seguinte: com a aplicação do anestésico, o organismo começa a produzir, num ritmo vertiginoso, uma reação imunológica contra para combater o elemento estranho. Forma-se então um edema (inchação) na glote, local por onde passa o ar que respiramos, impedindo sua passagem. Nesse momento, é preciso agir rápido, oxigenando o paciente para que a falta de oxigênio no cérebro não lhe cause a morte ou lesões irreversíveis. Quando isso é feito logo, são boas as chances de recuperação. Para o bebê, o risco anestésico é menor. Se a anestesia é geral, é preciso retirá-lo rápido antes que o medicamento passe para ele. O que não constitui problema já que a etapa mais rápida da cesariana é a saída do bebê, cinco minutos em média. Se a anestesia é peridural, a chance de absorção do medicamento é mínima. Caso o anestésico passe para a criança, ela pode nascer sonolenta. Se estiver completamente adormecida, o neonatologista entra em cena, aplicando oxigênio para que ela respire. Essa medida é suficiente para ajudá-la a superar o stress anestésico e reagir normalmente ao nascimento.
Seu desenvolvimento não fica comprometido e, em pouco tempo, ela dará sinais de que está bem.
Fonte: www.aborto.com.br