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Ilhas Cíclades

Chamaram-lhes Cíclades (Kykládhes) por formarem uma espécie de círculo (kyklos) à volta da ilha sagrada de Delos. Mesmo não sendo verdade, vale a pena ir confirmar o posicionamento privilegiado destas ilhas gregas, ancoradas em pleno Mediterrâneo. Aqui fica um olhar sobre as ilhas Mýkonos, Delos, Naxos, Iráklia, Amorgós, Thíra (Santoríni) e Anáfi, na Grécia.

SOBRE AS CÍCLADES

Grandes e pequenas, turísticas e remotas, percorremos sete destas ilhas gregas irmãs, e verificámos que é difícil gostar mais de uma do que de outra. Só as nossas idiossincrasias pessoais podem levar-nos a preferir o cosmopolitismo de Mýkonos ao isolamento de Iráklia, a beleza de Amorgós ao charme de Thíra, mas todas elas sabem proporcionar momentos perfeitos.

Ilha Cíclades
Entardecer em Mýkonos, Grécia

MÝKONOS, A CUBISTA

É a mais popular e cara das Cíclades. Possui a mais bonita e bem preservada khora, com ruelas labirínticas que se destinavam a desorientar os piratas, uma vez que se situa junto ao porto. Hoje são as multidões de turistas que por aqui se perdem durante a estação estival. Junto ao porto passeiam-se pelicanos e, mais adiante, fica o bairro de Alefkándra, conhecido por “pequena Veneza” graças às suas casas quase lacustres. A vida noturna é intensa e variada, refletindo o cosmopolitismo desta ilha, que também concentra uma grande comunidade gay. Quanto às praias, a maior e mais sossegada tem sido a de Elía, na costa sul, também por o acesso não ser muito fácil - o melhor é alugar uma motorizada.

Árida e seca, Mýkonos é mais interessante pelas povoações do que pela sua natureza tão inóspita. Cá em baixo, à beira da água, encontramos a alva igreja de Paraportianí, ex-líbris de uma ilha cor de terra. Aos fins de tarde, um padre vestido a rigor vem tocar o sino, lembrando que a religião ortodoxa também faz parte da vida insular.

A primeira visão, à chegada, fica como última memória: o aglomerado de casinhas brancas coroadas por uma fila de moinhos de vento, coladas umas às outras, como um pequeno monte de cubos de açúcar com esquinas arredondas e chaminés “algarvias” - o ponto máximo de uma arquitetura cubista muito típica das Cíclades.

DELOS, A ILHA-MUSEU

Facilmente acessível a partir de Mýkonos, é servida por barcos que começam a sair do porto às 8h20. A viagem é curta e o último barco regressa às 3 da tarde.

Como em todos os museus, é proibida a permanência depois da hora de fecho, e encerra ao público às segundas-feiras. Não falamos apenas do edifício do museu, onde se exibem algumas das descobertas mais preciosas, mas de toda a área da ilha, que está, inclusive, proibida a barcos de recreio.

Ilha Cíclades
Delos, a ilha-museu

É uma experiência única chegar no primeiro barco e deambular quase em solitário pelo que resta da cidade: ruas, casas, belíssimos mosaicos, templos, estátuas - os famosos leões de Delos, por exemplo -, um teatro, o lago sagrado e muitas colunas trabalhadas vão surgindo, enquanto nos dirigimos ao cume do monte Khíntos. A vista abrange uma vasta área de mar azul turquesa, de onde se levantam as manchas pardas das Cíclades. Provavelmente, foi neste ponto que surgiu a ideia enganadora de Delos ser o centro do arquipélago. Foi um importante centro, sim, mas religioso, com apogeu entre os séculos III e II AC. E ainda lhe sobram abundantes vestígios dessa antiga grandeza, como os templos de Apolo e Dionísio, perto do museu.

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