Há pouco mais de seiscentos anos, um monge da península do Monte Athos fundou no noroeste da Tessália um mosteiro. O penhasco sobre o qual se alçou o retiro ortodoxo passou a ser conhecido por meteoros, que em grego significa suspenso no ar. Durante os séculos posteriores, foram edificados nesta região da Grécia mais de vinte mosteiros, dos quais cinco sobrevivem habitados.
Não é raro ver-se caminhantes a calcorrearem lentamente a estrada que serpenteia em direcção a norte, a partir do pequeno povoado de Kastraki, sempre com o panorama de abruptas fragas no horizonte. Antes de avistar Agios Nikolaos, verão à esquerda as ruínas do mosteiro de Pantokrator, um dos muitos que foram, entretanto, abandonados ao longo dos últimos trezentos anos, e do lado oposto algumas formações rochosas que caem como muralhas a pique sobre o solo.
Nelas estão gravadas, como escuras feridas, algumas fendas horizontais onde se apoiam estruturas de madeira e das quais pendem restos de escadas em decomposição. São ermitérios desertificados, grutas que ainda há algumas décadas eram habitadas por monges que nesse cenário austero e despojado buscavam mortificação. Isolados do mundo, perseguiam a plenitude espiritual subentendida numa célebre fórmula de S. João Clímaco, que definia no séc. VII um monge como uma violação permanente da natureza e uma recusa dos sentidos.

O acesso aos mosteiros de Meteora é feito, por vezes, através de longas
escadarias
No séc. XIV, quando Anasthasios reuniu um pequeno grupo de monges no Mosteiro da Transfiguração - também conhecido como Megalo Meteoron ou por Metamorphosis -, já por ali havia um grande número de grutas transformadas em celas habitadas por anacoretas. O eremita Barnabé, que se instalou numa gruta perto do penedo onde viria a ser construído o mosteiro do Espírito Santo, e Andrónico, monge de Creta, terão sido os primeiros aspirantes à santidade a escolherem este estranho lugar.
O Império Bizantino estava por esses tempos em declínio e a ameaça otomana materializava-se em frequentes incursões pelo território grego - em breve teria início, aliás, um dos períodos mais negros da história da Grécia, o da ocupação turca, que viria a prolongar-se por mais de quatrocentos anos. A quase inexpugnabilidade dos penedos de Meteora terá representado um fator adicional para a construção de vários mosteiros em lugares ideais para fortalezas. A localização do Mosteiro da Transfiguração é um bom exemplo: o monge Anasthasios escolheu precisamente um gigantesco penedo até então conhecido por Platis Lythos (rocha grande), com mais de seiscentos metros de altitude. As preocupações com a defesa revelaram-se, assim, tão determinantes como os desígnios religiosos que entreviam naqueles aéreos domínios uma proximidade celeste ou, pelo menos, uma circunstância propícia à requerida caminhada espiritual.
Os séculos XV e XVI foram os mais profícuos no desenvolvimento da vida monástica em Meteora, cujos mosteiros se tornaram refúgio de muitas vítimas de perseguição durante a ocupação turca. Até ao séc. XVII foram edificados vinte e quatro mosteiros, dos quais apenas cinco acolhem atualmente religiosos. Dois deles, os de Roussanou e Agios Stefanos (Santo Estêvão), são habitados por comunidades de monjas.
Há alguns velhos trilhos, sobreviventes dos tempos medievais, que ligam os mosteiros por entre as ravinas e vales da fantástica topografia de Meteora. São caminhos que se podem articular com percursos a realizar através da estrada asfaltada que contorna toda a área, desde Kalambaka até ao mosteiro de Agios Stefanos, e que representam certamente a melhor forma de nos apropriarmos do espaço e da dimensão destas estalagmites gigantes voltadas para o céu. A jornada a pé pode proporcionar, sobretudo, uma fruição mais íntima da paradoxal harmonia que irmana os vales verdejantes com os pináculos de caprichosa penedia sobre a qual se suspendem à beira de respeitáveis precipícios as ortodoxas moradias.
É um trajeto que pode perfazer cerca de nove quilómetros até ao regresso ao ponto de partida, Kalambaka ou Kastraki, as duas povoações localizadas no sopé do complexo montanhoso cuja origem remonta a mais de sessenta milhões de anos e que a erosão das águas (existia ali, então, uma laguna) e dos ventos esculpiram.

Dois dos mosteiros de Meteora são habitados por monjas
Ao contrário do que acontece com os mosteiros da península do Monte Athos, no norte da Grécia, onde só é permitida a entrada de viajantes masculinos portadores de uma autorização especial, os mosteiros de Meteora podem ser visitados mais ou menos livremente por peregrinos e curiosos não professantes da fé ortodoxa, incluindo mulheres. Ao tempo da fundação do primeiro mosteiro, chegou a ser interdito o acesso a toda a área envolvente.
Há atualmente, como é natural, espaços abertos a visitas e zonas reservadas. A afluência de gente estranha não deixa de causar algum transtorno à vida monástica, mas a disciplina e os horários rigorosos ajudam a organizar esta problemática convivência entre a ligeireza dos turistas e os desígnios de recolhimento e ascese dos monges. As áreas abertas aos visitantes correspondem geralmente aos pátios e jardins interiores, às igrejas e aos museus existentes em alguns dos cenóbios.