Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  Gregor Mendel  Voltar

Gregor Mendel

 

O pai da genética

Gregor Mendel
Gregor Mendel

A revolucionária teoria da Evolução das Espécies de Darwin mudou para sempre os paradigmas científicos e abriu espaço para questionamentos sólidos dos dogmas religiosos vigentes até então, forçando uma profunda mudança de foco no modo vitoriano de enxergar o mundo natural. Seus esforços repercutiram ainda na psicologia e na filosofia e o conceito de seleção natural abriu precedentes para uma série de trabalhos científicos poderosos que se sedimentaram sobre as conclusões do naturalista britânico. O mundo nunca mais seria o mesmo depois de Darwin.

Ainda assim, muitas lacunas assentaram-se sobre o rastro da teoria da evolução, e as perguntas levantadas com a gradual aceitação da seleção natural das espécies como um fato permaneceram sem respostas por décadas. O tendão de Aquiles do postulado darwiniano era a sua dependência de um modelo de hereditariedade consistente, compatível com a teoria da evolução das espécies.

Darwin morreu sem encontrar a solução para o enigma. Mas um jovem frade agostiniano, cujas únicas ligações formais com o método científico restringiam-se às aulas de ciência natural que lecionava, teve o insight que faltou ao genioso naturalista britânico.

Mendel (1822 – 1884) nasceu de uma família alemã em Heinzendorf, Silesia, então parte do império austríaco e atual República Tcheca.

Enquanto criança, trabalhou como jardineiro - atividade que acabou por revelar-se crucial para a sua contribuição decisiva à biologia – e freqüentou o Instituto Filosófico de Olmütz. Em 1843, ingressou na abadia agostiniana de St. Thomas, em Brünn. A vida monástica levou-o a adotar o nome Gregor em lugar de Johann Mendel, com o qual foi batizado. Em 1851, iniciou seus estudos na Universidade de Vienna, que lhe renderam o título de professor de ciências naturais no monastério a partir de 1853.

A paixão pela natureza influenciou diretamente no amadurecimento de uma atração pela pesquisa científica. Mendel não possuía interesse apenas nas plantas, mas também em meteorologia e em teorias da evolução, e freqüentemente se perguntava como as plantas adquiriam características incomuns. Em uma de suas caminhadas pelo monastério, encontrou uma variedade atípica de uma planta ornamental. Ele a colheu e plantou junto ao espécime normal, a fim de examinar as características dos descendentes das duas plantas e observar se haveria alguma semelhança nas características transmitidas á próxima geração. Este primeiro experimento foi idealizado para “dar suporte ou ilustrar a visão de Lamarck com respeito à influência do ambiente sobre as plantas.” O resultado foi que as novas gerações perpetuaram as características essenciais de seus progenitores. Este teste simples deu início ao conceito de hereditariedade.

Utilizando trinta e quatro tipos distintos de ervilhas, escolhidas pela facilidade de controlar a polinização das plantas, o frade então deu início a uma cautelosa série de cruzamentos para tentar obter novas variedades. O estudo envolveu um planejamento cuidadoso, um espaço amostral de quase 30 mil plantas e, pelas suas próprias contas, mais de oito anos de trabalho. Com seu labor, Mendel demonstrou que a presença de diferentes caracteres em gerações consecutivas seguia uma determinada proporção estatística, deduzida através da observação. Antes de Mendel, a hereditariedade era entendida como um processo de mistura ou diluição, onde as características dos descendentes constituíam-se em uma espécie de meio-termo das qualidades dos pais. O frade agostiniano foi pioneiro em aplicar a matemática aos estudos em biologia, e através da estatística derivou as leis de descendência que hoje levam seu nome.

A primeira Lei de Mendel é também conhecida por princípio da segregação dos caracteres, em que cada sexo deve doar apenas um fator para cada característica a ser transmitida. A segunda trata do princípio da independência dos caracteres, ou seja, características hereditárias não se combinam ou misturam, mas são passadas de forma independente para as gerações seguintes. Mendel formulou ainda o conceito de dominância, segundo o qual algumas características sobressaem-se no fenótipo individual por serem estatisticamente dominantes, encobrindo caracteres recessivos.

Mendel leu seu artigo “Experimentos na hibridização de plantas” em dois encontros da Sociedade de História Natural de Brünn, em 1865. Mas quando o texto foi publicado, em 1866, o impacto foi quase nulo. Na primavera de 1900, três botânicos, Hugo de Vries (Holanda), Karl Correns (Alemanha), e Erich von Tschermak (Áustria) redescobriram Mendel e reportaram, de forma independente, experimentos que colocavam o seu trabalho à prova, o que resultou na confirmação de suas deduções. Trinta e quatro anos foram necessários até que a descoberta de Mendel tivesse seu valor reconhecido.

Para tornar clara a importância da descoberta de Mendel e o atraso que o engavetamento de suas idéias causou ao desenvolvimento da genética moderna, vale retornar à charada com a qual Darwin se viu às voltas para conciliar sua teoria da evolução com algumas das noções correntes de hereditariedade. Quando o naturalista inglês reuniu todas as observações biológicas e geológicas feitas a bordo do Beagle e formulou o revolucionário conceito da seleção natural das espécies, Darwin percebeu que precisava encontrar um mecanismo pelo qual os seres vivos transmitissem suas características para as gerações seguintes. Mas o modelo apresentado, o da herança por mistura, era diametralmente contrário às constatações de Darwin acerca da diversidade das espécies. O motivo é simples.

Se a hereditariedade mistura as características, diluindo-as até um meio-termo, ela seria um mecanismo de supressão à variedade, nivelando todas as populações até um médio ideal entre os extremos – como um filho mulato de pai negro e mãe branca.

O grande naturalista inglês recebeu críticas por não fornecer junto à sua teoria central um modelo de descendência coerente.

A incompatibilidade do Darwinismo com a herança por mistura era gritante e a falta que uma teoria satisfatória da hereditariedade fez para Darwin foi tão grande que ele dedicou seus últimos anos de vida tentando conciliar as idéias de herança por mistura com a sua teoria da evolução. Mendel teve o insight que faltou a Darwin e o naturalista britânico pagou por isso, deixando de lado a sua teoria principal para empenhar-se em um problema insolúvel, fadado ao fracasso. Que Darwin e Mendel tenham sido contemporâneos não foi de muita serventia, já que as descobertas do frade austríaco foram largamente ignoradas em sua época.

Em tempo, conta-se que Darwin dispunha em sua biblioteca pessoal do célebre manuscrito contendo todas as observações de Gregor Mendel a respeito da transmissão de caracteres das ervilhas. Mas, devido à sua grande impopularidade no meio acadêmico, os papéis que traziam a solução para o tormento de Darwin nunca teriam sido tocados. A história é atraente, mas não encontra respaldo em evidências, não é possível datar ou remontar a sua origem, e é bem provável que não passe de uma lenda anedótica. Mas ao menos serve de alegoria para ilustrar o quão influente e necessárias foram as conclusões de Mendel a respeito da hereditariedade, senão para sua época, pelo menos para o século XX.

Apesar do fracasso acadêmico, Mendel continuou a conduzir pesquisas em horticultura, apicultura, meteorologia e astronomia. Em trinta de março de 1868, foi eleito abade do monastério. Suas novas atividades envolviam muitas responsabilidades alheias ao trabalho científico, o que lhe afastou das ciências naturais. Assim que assumiu a função, envolveu-se em uma disputa com o governo sobre o pagamento de taxas atrasadas. Uma nova lei em 1874 aumentou os encargos dos monastérios utilizados para cobrir despesas da Igreja. Sozinho, Mendel contestou vigorosamente a legitimidade da nova taxa, recusando-se a reconhecer a validade da lei.

Em razão de seus desafetos e do espírito combativo, Mendel passou a viver isolado, tanto no monastério quanto na vida pública. A morte veio solitária, em 6 de janeiro de 1884.

Pouco antes de seus últimos momentos, escreveu: “Meus esforços científicos me trouxeram grande satisfação, e estou convencido de que logo o mundo inteiro reconhecerá os resultados destes trabalhos.”

O velho abade de St. Thomas não poderia ser mais certeiro em sua observação: Mendel é hoje conhecido como o pai da genética.

Cada qual com a fatia que lhe cabe da glória científica, Mendel e Darwin forneceram as bases sobre as quais os biólogos construíram um detalhado entendimento de como a enorme diversidade de espécies vista na terra veio a existir, e da maneira pela qual elas mudam e são afetadas pelo ambiente. A teoria da evolução aliada às descobertas de Gregor Mendel sobre a hereditariedade abriu caminho para a solidificação do neo-darwinismo nas mãos de Fischer e outros cientistas que se seguiram e cooperaram para o aperfeiçoamento do que hoje é um modelo consistente e poderoso da seleção natural. O legado destes dois cidadãos vitorianos ainda culminou nos avanços da genética e em outras diversas áreas do conhecimento humano. Nas palavras de Theodosius Dobzhansky (1900-1975), célebre biólogo americano, “nada na biologia faz sentindo senão à luz da evolução”.

Luiz Carlos Damasceno Jr

Fonte: www.biociencia.org

Gregor Mendel

Biografia de Gregor Mendel (1822-1884)

Foi com grande surpresa que, em 1900 os botânicos Hugo de Vries, Karl Coerrens e Gustav Tschermak descobriram que suas hipóteses e conclusões fundamentais sobre transmissão dos caracteres hereditários - formuladas separadamente - já haviam sido sistematizadas num trabalho publicado 34 anos antes. E que seu autor - Johann Gregor Mendel - era um monge agostiniano, que vivera num mosteiro da Silésia, isolado da efervescência dos meios culturais.

Hoje, a maioria dos pesquisadores encara como razão provável do atraso o desinteresse, motivado pela incapacidade de compreender o significado revolucionário da obra de Mendel. Mesmo localizada num mundo abalado pelo impacto das teorias evolucionistas de Darwin e Wallace, essa explicação é bastante viável. O próprio Darwin ignorou a importância da descoberta Mendel - básica para a explicaç&ão da evolução e adaptação das espécies.

No mesmo ano de 1900, William Bateson (1861 - 1926) expunha, numa conferência de sociedade real de Horticultura de Londres, a síntese mendeliana. E nela situava as raízes da genética. Redescoberta e reinterpretada, a obra do obscuro abade Gregor Mendel adaptou-se, de maneira surpreendente, às modernas teorias da hereditariedade, desenvolvidas no nível celular e mesmo molecular.

Filho de um modesto fazendeiro, Johann nasceu a 22 de julho de 1822, em Heinzendorf, na antiga Silésia Austríaca ( região que hoje faz parte da Tchecoslováquia, com o nome de Hyncice). Passou boa parte da infância no campo, ajudando o pai a cuidar de suas plantações. Acompanhava-o também às terras do senhor do feudo de Odrau (Odry) - onde era obrigado a trabalhar, sem qualquer remuneração, três dias por semana. Interessado nos trabalhos agrícolas, o pequeno Johann observava atentamente as práticas de cultivo, os métodos de enxerto e cruzamento de diferentes espécies de vegetais.

Na escola local - onde, por vontade da castelã Condessa Matilde de Waldburg, e para escândalo das autoridades educacionais, ensinavam-se noções de ciências naturais - teve os primeiros contatos com o conhecimento teórico.

Em 1833, Johann foi enviado para uma escola mais adiantada, em Lipnicik; no ano seguinte, cursou o liceu em Troppau ( Opava). A precária situação econômica da família de Johann agravou-se a partir de 1838, quando seu pai sofreu um acidente enquanto trabalhava nas propriedades do senhor feudal. A fim de poder garantir seu sustento, Johann freqüentou um curso de preparação de professores, em Troppau, e conseguiu sobreviver dando aulas particulares. Terminando o curso secundário, tentou ingressar na Universidade de Olmütz ( Olomouc), mas, como "não tinha amigos influentes que o recomendassem", todos os esforço foram inúteis, resultando mesmo numa doença de certa gravidade.

Após um ano de convalescença, na casa dos pais, retornou a Olmütz, onde, em 1843, completou os dois anos básicos de estudos filosóficos. Tentando liberta-se "da preocupação constante de assegurar a subsistência" Johann aceitou a sugestão de seu professor Friedrich Franz, que o aconselhara a tornar-se monge. A 9 de outubro de 1843, era recebido no mosteiro agostiniano de Santo Tomás, em Brünn( Brno), com o nome religioso de Gregorius ( Gregor).

DO PROFESSOR FRUSTADO NASCE O CIENTISTA

O mosteiro desempenhava, na época, importante papel na vida cultural da Silésia, nesse clima intelectualmente favorável, e liberto de preocupações materiais, nasceria o cientista Mendel. Tornou-se , então, professor suplente de grego e matemática, na escola secundária de Znaim ( Znojmo), próxima ao mosteiro. O ensino a à pesquisa constituíram sempre as atividades preferidas de Gregor.

A partir de 1868, quando foi nomeado abade do mosteiro, queixava-se amargamente do tempo despendido com tarefas administrativas.

Em 1850, Gregor resolveu submeter-se a um exame que lhe daria o diploma oficial de professor de ciências naturais no império Austro-Húngaro. "O candidato", assinalaram os examinadores, "não domina suficientemente esta matéria, para estar habilitado a ensinar em cursos adiantados(...) Não entende à terminologia técnica. Usa termos seus e expressa idéias pessoais, em vez de confiar na ciência tradicional". Apontam ainda os examinadores a teimosia do monge, pouco propenso a aceitar idéias que não concordassem com as suas. E, também, o fato de não estar realmente preparado para o exame, por não ter seguido o rigoroso currículo dos cursos universitários; "... se lhe deram oportunidade de um estudo mais regular, e acesso a melhores fontes de imformação, ele logo conseguirá tornar-se, pelo menos, um professor de escolas inferiores". Talvez persuadido por essa recomendação, o abade Cyrill proporcionou a Mendel um curso de dois anos na Universidade de Viena.

Na capital do Império Austro-Húngaro, Mendel teve oportunidade de conhecer grandes físicos, como Christian Doppler, de quem foi, por algum tempo, "assistente-demonstrador". Entre seus professores incluíam-se também o físico-matemático Ettinghausen, o químico Redtenbacher e o botânico Unger. Este último ocupava-se em desenvolver a teoria celular; em 1855, publicava um livro sobre a anatomia e fisiologia das plantas, no qual sugeria, pela primeira vez, que o fluido contido nas células animais é, em essência, semelhante ao encontrado mas células vegetais.

Esta generalização significou um grande avanço para o desenvolvimento posterior da biologia: abriu caminho ao abandono de preconceituosas teorias, que não concebiam qualquer tipo de analogia entre o mundo animal e o reino vegetal.

INDIFERENÇA, A GRANDE DECEPÇÃO DEPOIS DE DEZ ANOS DE PESQUISA

Com a construção de um modelo matemático-estatístico de transmissão dos caracteres hereditários, Mendel encerrava seus dez anos de pesquisa. E, após cuidadosa análise das previsões que sua teoria proporcionava, resolve divulgar os resultados. No mesquinho ambiente acadêmico de sua cidade não há, porém, muita escolha quanto aos meios de divulgação, e ele tem que contentar-se em ler seu tratado perante o desinteressado auditório da Sociedade de Ciências Naturais de Brünn.

Sem suscitar qualquer polemica ou discussão, no ano seguinte o trabalho publicado nas atas do Sociedade, regularmente distribuídas a cerca de 120 bibliotecas.

Mendel recebe também quarenta cópias, enviando algumas a botânicos que talvez pudessem interessar-se.

Mas, nem mesmo o professor Carl von Nägeli - que se correspondera com Mendel durante oito anos - chega a citá-lo no livro que publicou mais tarde sobre a teoria da hereditariedade.

A indiferença do mundo científico é para Mendel uma grande decepção. Mesmo assim, ele não interrompe o trabalho. Além de dar prosseguimento às pesquisas sobre vegetais, faz hibridações com abelhas, publicando, no entanto, pouca coisa a respeito. Algumas das cartas escritas por Nägeli constituem uma das fontes de imformação. Mendel realiza outras experiências com polinização, tendo demonstrado que, nas plantas do gênero Mirabilis, a fecundação é feita por um só grão de pólen - e não por vários, como se acreditava na época. Para Dean C. Darlington - famoso citologista inglês - , essa descoberta assume, na fundamentação da genética moderna, importância paralela à das leis da herança dos caracteres.

A partir de 1868, o monge sobrepõe-se inteiramente ao cientista e pesquisador. Nomeado abade do mosteiro, Mendel divide seu tempo entre atividades religiosas e administrativas. Na primavera de 1883 sofre o primeiro ataque cardíaco. Morre no ano seguinte, a 6 de janeiro.

Gregor Mendel 1822 - 1884

Até meados do século XIX imaginava-se que, se as formas alternativas de determinado caráter se cruzassem geneticamente, o resultado seria uma combinação de todas elas.

Mendel, monge e botânico austríaco de origem tcheca, foi o primeiro a demonstrar que não existe herança por combinação: os caracteres permanecem diferenciados e intatos.

Johann Mendel nasceu em Heinzendorf, Áustria, em 22 de julho de 1822. Freqüentou o ginásio de Troppau e estudou dois anos no Instituto de Filosofia de Ormütz, depois Olomouc, hoje na República Tcheca. Em 1843 entrou para o convento dos agostinianos em Brünn, atual Brno, e na época importante centro cultural. Adotou então o nome de Gregor e passou a estudar teologia e línguas.

Em 1847 ordenou-se e em 1851 foi enviado pelo abade à Universidade de Viena para estudar física, matemática e ciências naturais, disciplinas que três anos depois passou a lecionar em Brünn. Nos jardins do convento, em 1856, Mendel iniciou as experiências com hibridação de ervilhas-de-cheiro. Dez anos de estudo forneceram-lhe dados para criar um sistema de contagem dos híbridos resultantes do cruzamento das plantas e, com base na cor e forma da semente, forma da vagem, altura do caule etc., formulou as leis relativas à hereditariedade dos caracteres dominantes e recessivos, cerne de toda a teoria cromossômica da hereditariedade, motivo por que Mendel faz jus ao título de fundador da genética.

Para a enunciação de tais leis, Mendel realizou uma série de cruzamentos com ervilhas durante gerações sucessivas e, mediante a observação do predomínio da cor (verde ou amarela), formulou a primeira lei, chamada lei do monoibridismo, segundo a qual existe nos híbridos uma característica dominante e uma recessiva.

Cada caráter é condicionado por um par de fatores (genes), que se separam na formação dos gametas.

Depois Mendel fez cruzamentos em que havia dois tipos de características: a cor (amarela ou verde), e a forma (lisa ou rugosa) das sementes. Baseado na premissa segundo a qual a herança da cor era independente da herança da superfície da semente, enunciou sua segunda lei, chamada lei da recombinação ou da segregação independente, pela qual, num cruzamento em que estejam envolvidos dois ou mais caracteres, os fatores que determinam cada um deles se separam de forma independente durante a formação dos gametas e se recombinam ao acaso, para formar todas as recombinações possíveis.

Os resultados dessas pesquisas foram reunidos em Versuche über Pflanzenhybriden (1865; Experiências sobre híbridos das plantas), e Über einige aus künstlicher Befruchtung gewonnene Hieraciumbastarde (1869; Alguns híbridos do Hieracium obtidos por fecundação artificial), ambos apresentados à Sociedade de Ciências Naturais de Brünn. Esses estudos, no entanto, não tiveram repercussão no meio científico, talvez pelo fato de Mendel ter baseado suas conclusões em material estatístico, numa época em que a matemática ainda não era empregada em biologia. O fato é que a obra de Mendel permaneceu ignorada até o início do século XX, quando alguns botânicos, em pesquisas independentes, chegaram a resultados semelhantes e encontraram as publicações da Sociedade de Brünn.

Achava-se entre estes o austríaco Erich Tschermak von Seysenegg, que estudou a genética dos vegetais e redescobriu as esquecidas leis de Mendel sobre a disjunção dos híbridos. Nos Países Baixos, outro botânico, Hugo De Vries, propôs uma nova teoria par a o crescimento e evolução das plantas, descobriu o fenômeno da mutação e resgatou as leis de Mendel.

Considerada por Jean Rostand "uma obra-prima da experimentação e da lógica, marcando etapa decisiva no estudo da hereditariedade", a obra do religioso botânico exerceu influência definitiva em áreas como fisiologia, bioquímica, medicina, agricultura e até nas ciências sociais. Eleito abade do mosteiro em 1868, Mendel, sem estímulo para continuar suas pesquisas e sobrecarregado com as funções administrativas, abandonou a atividade científica.

Morreu no convento de Brünn em 6 de janeiro de 1884.

Fonte: br.geocities.com

Gregor Mendel

Gregor Mendel
Gregor Mendel

Gregor Mendel (1822-1884) é chamado, com mérito, o pai da genética. Realizou trabalhos com ervilha (Pisum sativum 2x=14 ) no mosteiro de Brunn, na Áustria.

Sua primeira monografia foi publicada em 1866 mas, devido ao caráter quantitativo e estatístico de seu trabalho, e das influências do trabalho de Darwin (1859) sobre a origem das espécies, pouca atenção foi dada àqueles relatos.

Em 1900 o trabalho de Mendel foi redescoberto por outros pesquisadores. Cada um deles obtiveram, a partir de estudos independentes, evidências a favor dos princípios de Mendel, citando-o em suas publicações.

Em 1905, o inglês William Bateson, batizou essa ciência que começava a nascer de Genética.

O TRABALHO DE MENDEL

Mendel não foi o único a realizar experimentos de hibridação, mas foi o que obteve maior sucesso, devido sua metodologia científica de matemática aplicada e ao material escolhido.

Material escolhido

Mendel escolheu ervilhas como seu organismo experimental, por ser uma planta anual que podia ser cultivada e cruzada facilmente tendo-se a possibilidade de se obter progênie abundante ocupando pouco espaço. Possuia genitores contrastantes com características bem definidas e muita variabilidade para vários caracteres. Além disso, as ervilhas contém flores perfeitas que contém ambas as partes, femininas e masculinas (produtoras de pólem), e elas são normalmente autofertilizadas, atingindo a homozigose e pureza por processo natural de propagação.

Metodologia

Mendel destacou-se por ter adotado procedimentos metodológicos científicos e criteriosos. Destacam-se os fatos de ter analisado um caráter por vez; trabalhado com pais puros; e ter quantificado os dados. Os cruzamentos foram feitos com grande cuidado, qundo as ervilhas estavam em flor. Para prevenir a autofertilização nas "flores-teste", as anteras daquelas fores escolhidas para serem as flores paternais eram removidas antes que suas estraturas receptoras de pólem estivessem completamente maduras. O polem do progenitor escolhido era transferido na época apropriada para o estigma da flor designada para ser a geradora da semente. As sementes eram deixadas para amadurecer nas hastes das plantas. No caso de um caráter tal como a cor da semente.

As sementes eram deixadas para amadurecer nas hates das plantas. No caso de um caráter tal como a cor da semente, a classificação podia ser feitra imediatamente; mas para caracteres como a tamanho da planta pudessem ser classificados as sementes tinham que ser plantadas na estação seguinte e esperar que as plantas amadurecessem. Experiencias de hibridização foram realizadas durante várias gerações e retrocruzamentos foram feitos entre híbridos e variedades paternas puras. Mendel visualizava claramente cada problema a ser resolvido e planejava seus cruzamentos para este fim.

Ele observou que as condições do tempo, do solo e da umidade afetavam as características do crescimento das plantas, mas fatores hereditários eram os maiores responsáveis pelas características das plantas. Por exemplo em um determinado ambiente as plantas altas mediam 6 á 7 pés, enquanto as anãs mediam de 9 à 18 polegadas. Uma planta anã nunca transformou-se em alta e uma alta nunca transformou-se numa anã.Mendel estudou 7 características, cada uma com duas manifestações fenotípicas. Elas são relacionadas na tabela que segue.

Fonte: www.ufv.br

Gregor Mendel

O Monge Cientista

A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular (Salmo 118)

Quando um cientista realiza uma descoberta inovadora, ou propõe alguma nova teoria que contradiga as idéias dominantes, imediatamente é contestado por parte da comunidade científica e defendido por outros. É bom e necessário que isso aconteça, já que novos experimentos e os debates que acarretam são indispensáveis para a validação ou refutação do que está sendo proposto.

O monge agostiniano Gregor Mendel (1822-84) realizou uma série de experimentos sobre caracteres hereditários da ervilha e apresentou os resultados, enunciando três leis da herança, na sociedade científica de sua cidade (Brno, na atual República Checa), e os publicou em 1866. Esses experimentos são considerados, hoje, os mais importantes e inovadores na área da biologia do século XIX.

Pela primeira vez, dava-se uma explicação satisfatória para a herança de caracteres individuais e, também, pela primeira vez, usava-se a estatística na avaliação de experimentos científicos. Contrariamente ao que costuma ocorrer, ninguém contestou, aprovou ou discutiu o que estava sendo apresentado. Nem se tentou repetir os experimentos. O trabalho foi totalmente ignorado durante 34 anos.

É tradição afirmar que os trabalhos de um obscuro monge, de uma cidade do interior da Morávia, não foram lidos.

Somente no ano de 1900, as leis da herança foram redescobertas, de forma simultânea, por três cientistas de três diferentes países: Hugo de Vries, da Holanda, Carl Correns, da Alemanha e Erich Tschermak von Seysseneg, da Áustria.

Os experimentos de Mendel passaram mesmo despercebidos? Houve realmente uma tripla descoberta simultânea em três países diferentes?

A publicação de Mendel não passou despercebida, porque ele mesmo encarregou-se da difusão, remetendo mais de 40 cópias dela a instituições e pesquisadores diversos.

Enviou uma cópia ao maior botânico do seu tempo, Karl von Nägeli, professor de Botânica na Universidade de Munique. Escreveu-lhe dez cartas e enviou-lhe amostras de sementes para que ele repetisse o experimento.

Nägeli não se interessou, apenas escreveu a Mendel para dizer que ‘seu trabalho parecia muito empírico’ e recomendou a ele que trabalhasse com outra planta, o Hieracium.

Mendel não ficou abalado pela rejeição de um trabalho que sabia ser muito importante, seu comentário foi: meu tempo virá (Meine Zeit wird kommen).

A publicação de Mendel foi citada 14 vezes ao longo desses 34 anos. Em 1869, o botânico alemão Hermann Hoffmann publicou um livro de Botânica. Na parte em que se refere a hibridações, citou o trabalho publicado por Mendel.

Em 1879, a publicação de Mendel figurava no registro da Royal Society de Londres, e ele foi citado na nona edição da Enciclopédia Britânica (1889), no verbete ‘hibridação’.

Em 1881, Wilhelm Focke publicou um livro de botânica sobre cruzamentos, Die Pflanzenmischlinge. Essa referência levou os pesquisadores Correns, de Vries e Tschermak ao trabalho original.

Na biblioteca de Charles Darwin, achou-se um exemplar da publicação original de Mendel. O único cientista que, com certeza, teria valorizado seu trabalho, nunca o leu. As folhas não tinham sido cortadas.

Em 26 de março de 1900, o botânico holandês Hugo de Vries publicou um trabalho em francês, ‘Lei de Segregação dos Híbridos’. O artigo trata da segregação de fatores hereditários de cruzamentos de diversas espécies vegetais, mas não mencionou Mendel.

Em 24 de abril de 1900, o botânico alemão Carl Correns, da Universidade de Tübingen, publicou um artigo intitulado ‘Lei de Mendel sobre a descendência de híbridos’ apresentando resultados de cruzamentos com ervilha, em que obtém resultados similares aos de Mendel, e citou o trabalho que publicou Hugo de Vries.

Correns ressaltou que o mérito era do monge-cientista, que já tinha chegado a essas conclusões na pesquisa de fatores hereditários.

Correns aceitou as palavras ‘dominante’ e ‘recessivo’ usadas por Mendel para caracterizar a expressão de seus ‘fatores hereditários’ (genes) e mencionou, que ‘por uma rara casualidade’ Hugo de Vries usara as mesmas palavras,

Em maio do mesmo ano, depois da publicação de Correns, Hugo de Vries publicou, em alemão, o mesmo trabalho que apresentou na França, e desta vez citou Mendel. Hugo de Vries conhecia o trabalho de Mendel antes da primeira publicação, porque usou os termos ‘dominante’ e ‘recessivo’, Por que não citou a fonte na primeira publicação ?

Como Hugo de Vries citou somente a Mendel, depois de publicado o trabalho de Correns, não pode ser chamado de redescobridor. Erich Tschermak publicou seu trabalho com uma referência a Mendel, em junho do mesmo ano, depois de ter lido a publicação de Correns. Portanto, somente confirmou a validade das leis da herança.

O único redescobridor do trabalho de Mendel foi Carl Correns, que soube avaliar a sua importância, denominou-a ‘Lei de Mendel’ dizendo que era um dos melhores trabalhos publicados sobre hibridações. Mais que uma redescoberta das leis da herança, foi a descoberta de um grande cientista por Correns.

O trabalho de Mendel era conhecido, mas sua importância não fora valorizada, a sua originalidade não fora reconhecida, nem os seus novos métodos foram discutidos. O trabalho foi depreciado pelos pesquisadores.

Segundo uma antiga lenda rabínica, entre as pedras cortadas para construir o Templo de Salomão havia uma muito grande, que os construtores não sabiam onde colocar e terminaram rejeitando-a.

Na hora de pôr os fundamentos do ângulo do templo, não achavam nada apropriado, até que lembraram dela. A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular do templo.

As leis de Mendel foram a base de uma nova Ciência: a Genética.

GERARDO ARIAS

Fonte: www.cdb.br

Gregor Mendel

Gregor Mendel, nasceu em Heizendorf, na Áustria, no ano de 1822 (HENIG, 2001). Ele é considerado hoje o pai da genética por ter sido o primeiro cientista a descobrir os mecanismos básicos da hereditariedade. Com seu trabalho “Ensaios sobre a hibridização de plantas”, descobriu os princípios da transmissão hereditária e formulou Leis que são o fundamento base de toda a Genética atual.

Depois de cultivar as ervilhas durante um período de dois anos, conseguiu isolar as linhagens puras, mais especificamente 22 linhagens, e podia observar nelas sete traços bastante distintos. Sete traços fáceis de identificar a olho nu e que nunca se misturavam.

Seu objetivo era observar esses caracteres (traços) e verificar de que forma eram transmitidos aos descendentes nas sucessivas gerações.

Os sete traços que Mendel observava em suas plantas eram os seguintes:

1. Forma ou aspecto da semente: lisa ou rugosa
2. Cor da semente:
verde ou amarela
3. Cor da película ou casca da semente:
branca ou cinzenta
4.
Forma da vagem: lisa ou ondulada
5. Cor da vagem:
verde ou amarela
6. Localização da flor:
axial (ao longo do caule) ou terminal (na ponta do caule)
7. Altura da planta:
alta ou baixa

Calcula-se que no final do seu experimento, Mendel contou mais de 10.000 plantas, 40.000 flores e 300.000 sementes.

E aí entra outra paixão do monge: a contagem. Era um apaixonado por matemática. Finalmente estudou, interpretou os dados, empregou análises estatísticas e formulou suas leis.

Descobriu um princípio genético fundamental: a existência de características devido a um par de unidades (partículas) elementares da hereditariedade, conhecidas atualmente como genes.

Estabeleceu pela primeira vez os termos dominante e recessivo e, além disso, foi também o primeiro a expressar e explorar dois conceitos muito importantes: as diferenças entre fenótipo e genótipo (HENIG, 2001).

Mendel publicou oficialmente seu artigo no meio científico num total de quarenta cópias. Destas, só se conhece o destino de doze.

Inclusive uma separata foi encontrada esquecida e ainda selada no escritório de Darwin (HENIG, 2001).

Possivelmente, muitas outras destas cópias seguiram o mesmo rumo: jamais foram lidas por seus destinatários.

Infelizmente, enquanto estava vivo, Mendel jamais teve seu trabalho reconhecido, mas segundo um colega do mosteiro, apesar disso, manteve-se sempre bastante otimista e confiante com relação à sua obra, porém com certeza intristecia-se vendo que a comunidade científica, pela qual ele nutria grande respeito e consideração, não havia aceitado nem reconhecido sua pesquisa com as ervilhas. Apesar disso, afirmou convicto, certa vez, para um amigo que “seu tempo iria chegar” (RICHTER, 2000).

Gregor Mendel morreu no dia 6 de janeiro de 1884, na obscuridade, aos 63 anos de idade. Mas seu dia realmente chegou. Anos mais tarde, em 1900, a sua obra foi redescoberta por três cientistas (Hugo de Vries, Karl Correns e Erich Von Tschermak) independentemente na Holanda, Alemanha e Áustria, tendo seu devido reconhecimento no meio científico. De qualquer forma hoje, depois de refeitas todas as suas experiências e análises estatísticas, é dele o mérito de dar o primeiro grande passo na história da ciência com relação aos mecanismos responsáveis pela transmissão de características hereditárias. Assim surgiu a chamada Genética Mendeliana e Mendel foi finalmente consagrado Pai da Genética.

Referências Bibliográficas

CHLOUPEK, O. One hundred years of Mendelism – one hundred years of genetics. In: Mendel Centenary Congress – 100 years of Genetics for Plant Breeding, 2000, Brno. Vorträge für Pflanzenzüchtung. Göttingen, Gesellschaft für Pflanzenzüchtung, mai 2000. Heft 48. 9-26 p.
HENIG, R. M. O monge no jardim: o gênio esquecido e redescoberto de Gregor Mendel, o pai da genética. Tradução Ronaldo Sérgio de Biasi. Rio de Janeiro: Rocco, 2001. 256 p.
MARSCHALEK, I. Gregor Mendel: um trabalho fundamentado em recorrência histórica para pesquisa e apoio em aulas de introdução à genética. Blumenau: FURB Monografia, 2005. 40 p.
RICHTER, P. C. Remembering Johan Gregor Mendel. In: Mendel Centenary Congress – 100 years of Genetics for Plant Breeding, 2000, Brno. Vorträge für Pflanzenzüchtung. Göttingen, Gesellschaft für Pflanzenzüchtung, mai 2000. Heft 48. 27-30 p.

Fonte: home.furb.br

Gregor Mendel

Gregor Mendel foi o fundador da Genética; ele demonstrou através das suas experiências que as características são herdadas através de pequenas "partículas" — mais tarde denominadas de genes. Antes dos seus estudos, acreditava-se que as características dos dois progenitores se misturavam durante a transmissão.

Mendel provou que os genes permanecem intactos durante a transmissão, apesar da sua combinação poder resultar numa característica diferente da dos progenitores.

A genética evoluiu muito desde estes estudos: descobriu-se que o material genético era constituído por ácido desoxirribonucleico (ADN), que a sua estrutura era em dupla hélice, e que o código genético era universal.

Hoje, a manipulação genética é comum e permitiu o desenvolvimento da clonagem.

História de Vida

Segundo filho de uma família de agricultores, nasceu em 1822 em Heinzendorf, na atual República Checa. Sendo um brilhante estudante, foi apoiado pela família a seguir estudos superiores, e mais tarde, a entrar para um mosteiro Agostinho em Brünn, também na atual República Checa. Completou os seus estudos na Universidade de Viena, e, de volta ao mosteiro, tornou-se professor numa escola secundária. Tinha também a seu cargo a supervisão dos jardins do mosteiro, o que lhe proporcionava inúmeros passeios, onde observou que plantas da mesma espécie apresentavam diferentes aspectos.

A partir destas observações, Mendel delineou um estudo com o objetivo de descobrir como apareciam as diferentes características nos indivíduos. Realizou estudos com plantas e animais, mas os melhores resultados que obteve foram com a ervilheira Pisum sativum, que ele criava no jardim do mosteiro. Entre 1856 e 1863 cultivou e realizou estudos em mais de 28.000 ervilheiras.

Gregor Mendel
Mosteiro Agostinho em Brünn (Brno) na República Checa

Estudos em Hereditariedade

Inicialmente, Mendel tinha que obter indivíduos puros em relação a uma característica, como por exemplo a cor das sementes (que podem ser verdes ou amarelas). Para isso, autopolinizava e embrulhava cada planta individualmente, de forma a evitar a polinização por insetos – polinização cruzada. A autopolinização era o processo mais indicado, pois o grão de pólen fecundava o órgão feminino da flor onde foi produzido e assim não eram introduzidos novos fatores na geração seguinte. Deste modo, conseguiu isolar indivíduos que só produziam sementes amarelas e indivíduos que só produziam sementes verdes.

Gregor Mendel
Figura 1: Árvore representativa das sementes obtidas após o cruzamento entre indivíduos puros

Cruzou estes indivíduos e obteve uma primeira geração de híbridos – geração F1, onde verificou que todas as sementes produzidas eram amarelas. Da autopolinização destes híbridos resultou a geração F2, e apareceram sementes amarelas e sementes verdes, numa proporção de 3 para 1, como está indicado na Figura 1. Ou seja, 75% dos indivíduos apresentavam a mesma característica que o progenitor e 25% apresentavam uma característica que não se tinha verificado na geração que lhe tinha dado origem.

Os indivíduos da geração F1 herdaram dois fatores diferentes, mas apenas um deles é responsável pela característica que o indivíduo apresenta. Este fator foi descrito como dominante, e o fator que não se revela na geração F1 e reaparece em 25% da geração F2, como fator recessivo. Quando um indivíduo da geração F2 herda dos seus progenitores dois fatores recessivos, a característica reaparece, como representa a Figura 2.

Gregor Mendel
Figura 2 - Xadrez mendelinao representativo da reprodução dos híbridos da geração F1.
A- Fator para sementes amarelas: fator dominante
V- Fator para sementes verdes: fator recessivo

A interpretação dos resultados, levou Mendel a formular a lei da segregação fatorial e a lei do agrupamento independente dos caracteres, hoje reconhecidas como duas das leis fundamentais de hereditariedade. A lei da segregação fatorial enuncia que, para cada característica, um organismo herda dois fatores, um de cada progenitor.

Os fatores podem ser iguais ou diferentes. Se forem diferentes, o dominante expressa a característica, e o recessivo não tem efeito nas características do indivíduo. Acrescenta ainda que durante a formação dos gâmetas (células sexuais) os fatores separam-se e cada gâmeta possui um só fator. A lei do agrupamento independente demonstra que o aparecimento de um fator não afeta o aparecimento de outro.

O fator dominante que determina a característica do indivíduo não influencia o fator recessivo: este pode ser transmitido à descendência sem alterações. Assim, os estudos de Mendel permitem calcular o aparecimento de um fator através de probabilidades matemáticas.

Atualmente, mais de um século após os trabalhos de Mendel, a evolução da Genética gerou diferentes interpretações. Os fatores responsáveis pela transmissão de uma característica correspondem a segmentos de DNA e são designados de genes. Estes podem ter diversas variantes, ou alelos, podendo ser dominantes ou recessivos. O conjunto particular de alelos de um organismo denomina-se genótipo, e codifica as características visíveis do organismo, reconhecido como fenótipo. Este corresponde ao modo como o genótipo se expressa.

Utilizando o exemplo: ao genótipo AA e ao genótipo Av (figura 2) corresponde o mesmo fenótipo — sementes amarelas.

Impacto dos Resultados

O jardim do mosteiro foi o humilde laboratório onde Mendel demonstrou que a transmissão dos caracteres não é ambígua; antes, que pode ser prevista. Em 1860 publicou o seu trabalho "Versuche über Pflanzen-Hybriden" (Experiências com híbridos de plantas). No entanto, como não tinha ligação a uma instituição científica, o seu trabalho só foi reconhecido em 1900, 16 anos após a sua morte.

O impacto das teorias genéticas propostas por Mendel é hoje inquestionável. Sabe-se que várias doenças são de transmissão genética e pela aplicação das teorias pode prever-se a probabilidade de transmissão dessa doença à descendência. As plantas, como o trigo e o milho, são produzidas em laboratórios de forma a resistirem a doenças e a problemas climáticos e a gerarem culturas mais rápidas.

Estes são apenas alguns de tantos outros exemplos que demonstram o impacto na vida atual das teorias de Mendel.

Fonte: www.ajc.pt

Gregor Mendel

Religioso e botânico austríaco cujo nome completo era Gregor Jonhann Mendel (1822-1884).

No dia 6 de janeiro de 1884 morreu o obscuro abade de um obscuro mosteiro na cidade de Brno, na Morávia. Os monges lamentaram-no, pois fora um homem bom. E muitas pessoas o tinham na conta de um grande cientista. Mas se perguntassem por que, pouco saberiam responder. Para ciência oficial, o abade Mendel era um desconhecido. Sua obra sobre hereditariedade cobria-se de poeira na biblioteca local, desde quando publicada em 1866, nas atas da Sociedade de Ciência Naturais. E assim ficou por 34 anos, até que em 1990, agindo independentemente, três botânicos - K. Correns, na Alemanha, E. Tcherrmak, na Áustria, e H. De Vries, na Holanda - redescobriram seu trabalho e proclamaram as leis de Mendel, desenterraram seu trabalho e proclamaram sua importância.

Johann Mendel nasceu a 22 de julho de 1822, em Heinzendorf, na parte da Silésia que então pertencia à Áustria. Na fazenda do pai costumava observar e estudar as plantas. Sua vocação científica desenvolveu-se paralela à vocação religiosa. Em 1843 entrou no Mosteiro Agostiniano de São Tomás, em Brno (então Brünn), onde foi ordenado padre com o nome de Gregório, tornou-se abade e passou o resto da vida.

Só saiu dali entre 1851 e 183, enviado à Universidade de Viena por seu superior, que queria dar ao jovem clérigo uma oportunidade de desenvolver seu interesse pela ciência. Após três anos de dedicação à física, química, biologia e matemática, voltou a província. E dividiu o tempo entre lecionar numa escola técnica e plantar ervilhas no jardim no mosteiro. Com alguns colegas de magistério, fundou em 1862 a Sociedade de Ciências Naturais.

E paradoxalmente, enquanto tentava ser aprovado oficialmente como professor de Biologia - o que nunca conseguiu - Mendel fez descobertas que criaram um novo ramo dentro das ciências biológicas: a genética, ciência da hereditariedade.

Apesar da paixão de Mendel por botânica e zoologia, lá por 1868 seus deveres administrativos no convento cresceram tanto, que ele abandonou por completo o trabalho científico. Quando morreu, querelava com o governo por uma questão de tributos exigidos do convento.

Os seus dois grandes trabalhos, hoje clássicos, são: Ensaios sobre a Hibridação das Plantas e Sobre Algumas Bastardas das Hieráceas Obtidas pela Fecundação Artificial. As leis de Mendel (ou mendelismo) são a base da moderna genética e foram estabelecidas a partir do cruzamento de ervilhas.

Suas observações também o levaram à criação dedois termos que continuam sendo empregados na genética moderna: dominante e recessivo.

Leis de Mendel

Foram formulados em 1865 pelo monge agostiniano Gregor Johann Mendel. Ao realizar experimentos com sete características diferentes de variedades puras de ervilhas, Mendel deduziu a existência de unidades hereditárias, que atualmente chamamos de genes, os quais expressam, freqüentemente, caracteres dominantes ou recessivos. Seu primeiro princípio (a lei da segregação), afirma que os genes se encontram agrupados em pares nas células somáticas e que se separam durante a formação das células sexuais (gametas femininos ou masculinos).

Seu segundo princípio (a lei da segregação independente) afirma que a atuação de um gene, para determinar uma característica física simples, não recebe influência de outras características. As leis de Mendel forneceram as bases teóricas para a genética moderna e a hereditariedade.

Fonte: members.tripod.com

Gregor Mendel

Gregor Mendel
Gregor Mendel (1822 - 1884)

Nascido em 1822, em Heinzendorf, na Áustria, Mendel era filho de pequenos fazendeiros, mas teve que superar grandes dificuldades financeiras para estudar.

Muito jovem começou a estudar botânica e horticultura com o pároco da aldeia onde nasceu, o qual passou seus conhecimentos a Mendel na tentativa de salvar a produção agrícola da comunidade arruinada pelas guerras francesas napoleônicas.

Johann Gregor Mende, tornou-se monge Agostiniano em 1847, ingressando na Universidade de Viena, onde estudou Matemática e Ciências por dois anos. Não sendo bem sucedido como professor de Ciências Naturais, voltou a Brünn, onde fez vários estudos sempre interessado em Ciências.

Considerado hoje, o "Pai da Genética", estabeleceu as leis básicas da hereditariedade, num mosteiro da cidade de Brünn, na Áustria (atualmente pertence à República Tcheca), mesmo antes da descoberta dos genes, como veículos da hereditariedade, presentes nos cromossomos das células.

Do resultado de suas observações foi originado seu trabalho publicado em 1866, sob o título "Experimentos com Plantas Híbridas", em que Mendel formulou suas três teorias básicas: aí estabeleceu o que conhecemos hoje por Leis de Mendel.

A primeira Lei de Mendel é também conhecida por princípio da segregação dos caracteres, em que as células sexuais, masculinas ou femininas, devem conter apenas um fator para cada característica a ser transmitida.

A segunda lei trata-se do princípio da independência dos caracteres, ou seja, cada característica hereditária é transmitida independentemente das demais.

Na terceira lei, Mendel formulou os conceitos da dominância, em que os seres híbridos apresentam um caráter dominante que encobre segundo determinadas proporções o chamado caráter recessivo, ou seja, os seres híbridos, resultados do cruzamento entre seres portadores de caracteres dominantes e recessivos, apresentam as características de dominância.

O trabalho de Mendel só passou a obter grande reconhecimento do meio científico no início do século XX, tendo sido precursor dos posteriores estudos dos cientistas Hugo de Vries, Karl Erich Correns e Erich Tschermak. Estes três pesquisadores realizaram, independentemente, muitas das experiências baseadas na obra de Mendel, tendo então chamado a atenção do mundo científico para as descobertas do precursor, atribuindo a ele a descoberta das Leis da Hereditariedade.

Mendel morreu em Brünn em 1884, após anos amargos e cheios de desapontamentos, pois os trabalhos no mosteiro não o permitiam dedicar-se inteiramente à ciência, além disso não havia um reconhecimento.

Cabe, no entanto, a Mendel o mérito dos mecanismos que regem a transmissão de caracteres hereditários, base fundamental para o desenvolvimento dos conhecimentos da Genética, da Engenharia Genética e da moderna Biotecnologia.

Fonte: www.biomania.com

Gregor Mendel

Gregor Mendel
Gregor Mendel

As leis da hereditariedade que revolucionaram a Biologia e tornaram-se a base da Genética Moderna foram descobertas por um monge austríaco — Gregor Mendel. Seu trabalho foi ignorado durante toda sua vida, pois a comunidade científica da época não foi capaz de absorver suas idéias que se opunham à noção darwiniana vigente.

Permaneceu na escola até os 21 anos, quando entrou para o monastério em Brunn (hoje, República Tcheca), grande centro intelectual.

Seguindo o costume, ao tornar-se monge, adotou outro nome: Gregor. Aos 25 anos, tornou-se sacerdote e aprendeu a língua tcheca.

Estudou na Universidade de Viena, tendo contato com ciência avançada e retornou a Brunn, onde lecionou durante catorze anos como professor de Física e História Natural. Além da hereditariedade, Mendel pesquisou também sobre Botânica, horticultura, Geologia e Meteorologia, deixando inúmeras contribuições para o estudo do fenômeno dos tornados.

Os experimentos mais famosos de Mendel foram realizados com ervilhas de jardim, no monastério onde vivia.

Foi a partir dessas experiências que ele estabeleceu as leis que hoje levam seu nome: Mendel realizou centenas de cruzamentos entre plantas de características diferentes porém da mesma espécie, anotando os resultados e observando que certas características das plantas resultantes de sucessivos cruzamentos predominavam em proporção constante.

Ele provou que, ao contrário de outros organismos que se reproduzem sexualmente, as plantas das ervilhas produzem sua prole por meio da união de gametas – células reprodutivas, ou seja, espermatozóides no homem e óvulos na mulher.

Embora a questão da hereditariedade seja bem mais complicada do que o cruzamento de ervilhas, Mendel descobriu um princípio genético fundamental: a existência de características como as cores das flores que, segundo ele, é devida a um par de unidades elementares de hereditariedade, hoje conhecidas como genes.

Do resultado de suas observações foi originado um trabalho publicado em 1866, sob o título "Experimentos com Plantas Híbridas", em que Mendel formulou suas três teorias básicas: as famosas Leis de Mendel. A primeira lei também é conhecida por princípio da segregação dos caracteres, em que as células sexuais, femininas ou masculinas, devem conter apenas um fator para cada característica transmitida. A segunda lei trata do princípio da transferência dos caracteres, isto é, cada característica hereditária é transmitida independentemente das demais. Na terceira lei, Mendel formulou os conceitos da dominância, em que os seres híbridos apresentam um caráter dominante que encobre segundo determinadas proporções o chamado caráter recessivo.

Após 1868, em função de sua eleição para superior do mosteiro, não pôde mais dar continuidade as suas pesquisas, vivendo o resto da vida em obscuridade. Em 1900, outros pesquisadores confirmaram suas hipóteses, dando à Mendel o título de pai da genética.

O trabalho de Mendel passou a ter grande reconhecimento no meio científico apenas a partir do início do século XX. Atualmente, sabe-se que as teorias de Mendel são apenas parcialmente válidas. No entanto, é unicamente dele o mérito de ter provocado o primeiro grande salto na história da ciência quanto à formulação das teorias sobre os mecanismos que regem a transmissão de características hereditárias.

Johann Gregor Mendel nasceu em Heinzendorf, na Silésia austríaca, região pertencente ao atual território da República Tcheca, no dia 22 de julho no ano de 1822. Morreu no dia 6 de janeiro de 1884, na atual cidade de Brno, na Morávia, aos 62 anos.

Fonte: ctjovem.mct.gov.br

Gregor Mendel

Johann (Gregor) Mendel

22 de junho de 1822, Heinzendorf (atual República Checa) 6 de janeiro de 1844, Brno (atual República Checa)

Gregor Mendel
Gregor Mendel
Fundador da Genética

Johann (Gregor) Mendel nasceu em Heinzendorf (que, naquela época, pertencia à Áustria, mas hoje faz parte da República Checa), a 22 de junho de 1822, e morreu em Brno, Morávia (atual República Checa), a 6 de janeiro de 1844. Filho de camponeses, cedo se apaixonou pelo estudo das plantas. Em 1843 entrou para o convento de Brno, da Ordem dos Agostinianos, e, depois de ordenar-se em 1847, estudou física e ciências naturais na Universidade de Viena. Ao entrar para a vida religiosa, ele substituiu seu nome de batismo (Johann) por Gregor.

Nos jardins do convento, Mendel iniciou, em 1856, as experiências sobre hibridação de ervilhas-de-cheiro, em que prosseguiu durante dez anos. Elas lhe permitiram estabelecer as leis que regem a hereditariedade.

Mendel criou um sistema para contagem dos híbridos resultantes do cruzamento das plantas e, tomando por base a altura dos vegetais e a cor das sementes e das flores, formulou leis relativas à hereditariedade dos caracteres dominantes e recessivos.

Essas leis, que colocam em evidência a descontinuidade do patrimônio hereditário, credenciam Mendel como fundador da genética.

Foram confirmadas muitos anos depois, por diversos pesquisadores, e constituem a base da teoria cromossômica da hereditariedade.

Mendel publicou o resultado de suas pesquisas nos trabalhos Experiências sobre híbridos das plantas, de 1865, e Alguns híbridos do Hieracium obtidos por fecundação artificial, de 1869. Esses trabalhos foram apresentados à Sociedade de Ciências Naturais de Brno, mas não receberam nenhuma atenção.

Esquecimento de uma obra-prima

A indiferença dos contemporâneos de Mendel é explicada, em parte, pelo caráter insólito do pensamento desse padre, que poderia parecer pouco biológico na época. Desencorajado, ele cessou sua atividade científica quando foi nomeado reitor do convento.

Seus trabalhos ficaram esquecidos durante longo tempo. Nem mesmo Darwin tomou conhecimento das leis de Mendel. Em 1900, contudo, os botânicos Erich Tschermak (austríaco), Hugo De Vries (holandês) e Carl Correns (alemão) chegaram a resultados semelhantes, trabalhando independentemente, mas tendo como ponto de partida ou de chegada as conclusões de Mendel.

Tschermak descobriu as leis de Mendel ao estudar os híbridos dos cereais. Quanto a De Vries, propôs uma teoria sobre o crescimento e a evolução das plantas, desenterrando, então, as leis do padre agostiniano. Correns, por sua vez, descobriu os genes alelos depois de haver estudado Mendel.

A partir daí, a obra de Johann Mendel influenciou profundamente a fisiologia, a bioquímica, a medicina, a agricultura e as ciências sociais. Para o biólogo e escritor francês Jean Rostand, as idéias de Mendel representam "uma obra-prima da experimentação e da lógica".

Fonte: educacao.uol.com.br

Gregor Mendel

Gregor Mendel
Gregor Mendel

A Fantástica História do Monge e suas Ervilhas

Alguém já disse que você tem os olhos do seu pai ou o nariz igual ao da sua mãe? Porque será que somos parecidos com nossos familiares? Se você já se perguntou alguma vez como as características físicas passam de geração em geração, saiba que a resposta para essa questão foi encontrada pela primeira vez em um jardim... Mas o que será que as flores têm a ver com as características físicas dos seres humanos? Epa, alguém disse flores? Não estamos falando de um jardim florido, mas de um jardim repleto de ervilhas!

Se você quiser saber como as experiências com ervilhas mostraram que as características físicas de uma geração são transmitidas às gerações seguintes, precisa conhecer a história de Gregor Mendel, o monge que descobriu o segredo da hereditariedade usando um jardim, algumas ervilhas e muita, muita inteligência.

Mendel nasceu em 1822, na cidade de Heizandorf, na Áustria. Aos 21 anos, entrou no monastério de São Tomás em Brunn, atual Brno. Para se tornar monge, era preciso entender de religião, mas também de ciências. Ele se tornou monge em 1847 e em 1851 resolveu se aprofundar em disciplinas como física, matemática e ciências naturais na Universidade de Viena. Ao se formar, depois de quatro anos, iniciou uma série de trabalhos com plantas no monastério para descobrir como se transmitem as características hereditárias.

Gregor Mendel
Estátua de Mendel no Mosteiro de São Tomás

Os contemporâneos de Mendel não acreditaram nele, pois estavam ouvindo pela primeira vez suas descobertas, que são hoje o ponto de partida para quem quer estudar genética. Ele foi um homem à frente de seu tempo e a História guardou um lugar especial para sua memória. O monge passou a ser considerado o pai da genética! O reconhecimento é tanto que construíram uma estátua de pedra em sua homenagem no jardim mais importante do Mosteiro de São Tomás, onde ele fez suas primeiras descobertas.

Graças a Mendel, o troca-troca genético de que a gente tanto ouve falar se tornou possível. Os transgênicos -- animais e plantas que recebem genes de outras espécies de seres vivos -- são realidade! O homem hoje é capaz de modificar o gene de uma planta para torná-la mais resistente às pragas, por exemplo. Ou então, fazer experiências trocando genes de animais, para tentar desenvolver novos medicamentos.

Enfim, muita coisa pode ser feita com o estudo da genética. Não se admire se um dia você acordar com uma imensa vontade de ser geneticista! Lembre-se que toda essa história começou em um jardim, com um monge sabido que cultivava ervilhas...

Era uma vez um Jardim de Ervilhas

O sino bateu às três horas da tarde. A missa tinha acabado. Todos os monges foram descansar em seus aposentos, menos Mendel. Ele foi direto ao jardim para voltar a seus experimentos. Fazia muito frio naquele monastério em Brunn, na Áustria, mas isso não impedia Mendel de estudar suas plantas. Esse monge muito sabido cultivava diversos tipos de ervilhas em seu jardim.

As ervilhas eram separadas por famílias. Cada família tinha nascido de uma semente diferente e por isso possuía características distintas. Uma família era de ervilhas amarelas; outra, de ervilhas verdes; a sua forma podia ser lisa ou rugosa.

Por seis gerações, cada família havia conservado sua característica, isto é: a primeira semente da família de ervilhas amarelas só teve filhos, netos e bisnetos amarelos; a semente verde, só descendentes verdes... E assim por diante. Isto porque as plantas de ervilhas têm a capacidade de se reproduzir independentemente de qualquer parceiro.

Mendel, que havia percebido que as características mencionadas e outras passavam de geração para geração e, portanto, eram hereditárias, queria descobrir o que aconteceria se ele misturasse as famílias de ervilhas. "Se eu promover o casamento da ervilha amarela com a ervilha anã, que característica será que seus filhos terão?", deve ter pensado enquanto caminhava entre as plantas.

Gregor Mendel
O diagrama representa o resultado de um experimento no qual Mendel
cruzava ervilhas e analisava as características das gerações seguintes

Para não ficar na dúvida, Mendel começou a fazer o cruzamento entre as famílias. A primeira tarefa era abrir a parte interna da flor onde se forma a ervilha para encontrar seus órgãos reprodutores. Esse trabalho era muito delicado e ele precisava do auxílio de uma pinça. Ao abrir essa parte da planta, o monge observou alguns filamentos semelhantes a antenas -- eram os órgãos masculinos! No topo dessas antenas ficava o pólen, as células reprodutoras masculinas das ervilhas. O fato de ficarem isoladas do meio exterior impedia o que, agora, Mendel iria realizar.

Com a pinça, Mendel pegou o pólen das plantas da família de ervilha verdes e o depositou nos órgãos femininos das plantas de ervilhas amarelas, denominados pistilos. O pólen viajou por esse órgão até chegar a parte mais interna da flor, onde o ovário o esperava. Com isso, o cruzamento estava pronto. O padre repetiu a experiência com todas as plantas de todas as famílias até que conseguiu descobrir os segredos da hereditariedade depois de sete anos.

Certo de que havia feito uma grande descoberta, Mendel mandou seu trabalho para as bibliotecas e para os maiores especialistas em hereditariedade da época.

Mas não teve reconhecimento... Ele passou a vida inteira esperando que alguém entendesse o que estava dizendo, mas isso só foi acontecer 16 anos depois de sua morte, em 1884.

Mundo conhece as descobertas do Monge

Na primavera européia de 1900, um cientista chamado William Bateson fazia uma viagem de trem, quando se deparou com um jornal científico. O artigo que começou a ler era assinado por Hugo De Vries, um grande botânico da época, e falava sobre as descobertas feitas por um tal de Mendel, um monge que cultivava ervilhas e que havia morrido 16 anos antes.

Era a terceira vez, em menos de quatro meses, que ele lia um artigo sobre Mendel escrito por algum pesquisador importante. Seu interesse pelo monge era grande porque ambos estudavam o mesmo assunto! Ao perceber que estava diante de uma grande descoberta, Bateson começou a divulgar o trabalho do cientista.

Diferentemente do que havia acontecido em 1865, quando Mendel apresentou sua descoberta, agora, em 1900, muitos começaram a acreditar em Bateson. E cada vez mais as pessoas se interessavam pela história do monge... Não era para menos! Ele havia realmente descoberto o segredo da hereditariedade!

Gregor Mendel
Graças a Mendel, os cientistas puderam entender melhor
como os filhos herdam características físicas dos pais

Mendel descobriu que as características das plantas são herdadas em separado.

Isto é: há uma unidade responsável pela cor da ervilha, outra pela sua forma, outra pela forma da vagem e assim por diante... Com isso, ele pôde deduzir que o mesmo acontecia com os outros seres vivos, incluindo o homem. Cada característica é transmitida separadamente! É por isso que você pode ter os olhos do seu pai, a boca de sua mãe e o nariz de sua avó!

A aparência física de uma pessoa é resultado da soma de todas essas unidades que ditam as características. Mais tarde, os cientistas chamaram essas unidades de genes. Mendel observou que alguns genes são dominantes (necessitam de uma só cópia para se manifestar) enquanto outros são recessivos (só aparecem quando duas cópias se reúnem).

No cruzamento de ervilhas verdes com amarelas, por exemplo, uma cor (verde) dominava sobre a outra (amarela). Se você for reparar bem, vai perceber que os olhos escuros também dominam os claros. Assim, se sua mãe tem olhos claros e seu pai escuros, a possibilidade maior é que você tenha olhos escuros... Por isso, os genes que determinam olhos escuros são considerados dominantes.

Mas isso não quer dizer que sempre seja assim! Mendel descobriu que algumas características perdidas em uma geração podem reaparecer após uma ou duas gerações, devido à união dos genes recessivos. Então, se seus avós ou bisavós paternos tiverem olhos claros, isso aumenta a possibilidade de você também os ter, mesmo que um de seus pais tenha olhos escuros.

Sarita Coelho

Fonte: cienciahoje.uol.com.br

Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal