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Guaco

O "Guaco" (Mikania glomerata Spreng.) é um tipo de planta medicinal utilizado contra gripe, rouquidão, infecção na garganta, tosse, bronquite. Pertence a família das Compositae e tem sua distribuição como espécie nativa no sul do Brasil, de São Paulo ao Rio Grande do Sul. é uma trepadeira volúvel, glabra. Folhas simples, opostas, ovadas e oblongo-lanceoladas, de base obtusa e ápice agudo, de até 15cm de comprimento e 7cm de largura, com três nervuras bem evidentes, pecioladas, carnoso-coriáceas, verde-brilhantes na face superior, mais pálidas na inferior. Flores hemafroditas, reunidas em número de quatro capítulos, uguais entre si, de papus branco e corola tubulosa, de cor branco-creme; capítulos agrupados em ramos espiciformes congestos, ou em glomérulos. Fruto tipo aquênio, glabro.

Como composição química, possui compostos sesquiterpênicos, diterpênicos, estigmasterol, flavonóides, cumarinas, resina, tanino, saponina e guacosídeo.

Propriedades medicinais

A ciência já comprovou as propriedades medicinais do guaco e atestou seu efeito broncodilatador e expectorante.

No inverno, quando aumenta incrivelmente a incidência de problemas do aparelho respiratório, por conta das gripes e resfriados, o guaco volta a figurar nas receitas caseiras.

A planta também conhecida como erva-de-serpentes, cipó-catinga ou erva-de-cobra, pertence à família das Compostas.

O guaco (Mikania glomerata) é originário do Brasil e sempre foi muito conhecido pelos índios brasileiros, que usavam a planta para combater o veneno das serpentes (daí vêm alguns dos seus nomes populares). Ainda hoje, em algumas regiões do Brasil, o macerado das folhas é aplicado em forma de cataplasma sobre picadas de cobras e outros animais peçonhentos. Existe também a tradição de usar a planta fresca e nova (cujas folhas emanam um aroma intenso e agradável) para manter as cobras afastadas.

Cultivo

O guaco é uma planta que se desenvolve bem em locais com clima ameno, como os da região Sul e boa parte do Sudeste. Trata-se de um arbusto lenhoso e cheio de ramos, que cresce como uma trepadeira, embora não tenha garras para se prender e precise de suporte como apoio. As folhas apresentam um tom verde brilhante e são levemente escuras na face superior e mais claras no verso. A floração, de cor branca ou amarelada, surge na forma de pequenos capítulos.

É importante lembrar que o guaco só floresce quando cultivado em locais onde possa receber luz solar direta.

Para o plantio, recomenda-se solo arenoso e rico em matéria orgânica. O plantio se faz por estacas de caule que apresentem pelo menos dois nós. Após o enraizamento, a muda deve ser transplantada para um local que lhe sirva de suporte. No caso de optar-se pelo plantio em vasos ou jardineiras, é necessário providenciar um apoio.

Por ser uma planta relativamente rústica, o guaco não exige muitos cuidados. Para garantir um crescimento robusto, é recomendável, por ocasião do plantio, incorporar ao solo uma adubação com húmus de minhoca. Nos períodos de seca é importante estar atento para manter a terra úmida, irrigando sempre que necessário, mas evitando encharcamentos. Tanto as folhas como as flores podem ser usados com finalidades medicinais. A colheita se dá normalmente seis meses após o plantio, quando é possível colher as primeiras folhas.

Usos e receitas

O uso do guaco como planta medicinal é muito antigo. Em 1870, chegou a ser criado um produto preparado com hastes e folhas da planta - era o Opodeldo de Guaco que durante décadas foi considerado um “santo remédio” contra bronquite, tosse e reumatismo.

Cientificamente já está provado que o guaco apresenta propriedades medicinais expectorantes e broncodilatadoras, sendo indicado no combate à tosse, asma, bronquite, rouquidão e outros sintomas associados à gripes e resfriados.

Popularmente, o guaco continua sendo usado para tratar reumatismo, infecções intestinais e cicatrizar ferimentos. A planta não apresenta princípios tóxicos, entretanto, deve ser usada com cautela, evitando-se todo tipo de excesso. Para o uso em crianças, é recomendável sempre a metade da dose indicada para os adultos.

Exemplo de Receita

Chá de guaco

Colocar 5 g (cerca de uma colher de chá) de folhas secas em meio litro de água fervente. Abafar e depois coar. Pode ser tomado como um chá comum, três vezes ao dia.

Dica

Para secar as folhas, pendure-as amarradas em maço, num local arejado e sem umidade. Xarope de guaco com mel: Coloque um punhado de caules e folhas em 2 e 1/2 litros de água fervendo, deixando no fogo até reduzir para 1/2 litro. Espere esfriar um pouco, filtre, junte 250 g de açúcar e ferva até o ponto de xarope.

Desligue e acrescente 3 colheres(sopa) de mel. Deixe esfriar e guarde em um vidro bem limpo e seco. Usar como um xarope, três vezes ao dia. Xarope de guaco: Ferver água e açúcar em ponto de calda. Juntar um chá bem forte de guaco e misturar até incorporar bem. Para aliviar a tosse, recomenda-se 1 colher (sopa) três vezes ao dia. Receita cicatrizante: Ferver algumas folhas de guaco com um pouco de água, juntando uma pequena quantidade de raiz de confrei e um pouco de casca de romã.

Fonte: pt.wikipedia.org

Guaco

O guaco (Mikania laevigata) é uma planta do tipo cipó-trepadeira, com folhas largas e flores pequenas que exalam leve aroma de baunilha quando amassadas. As flores atraem abelhas e seu odor agradável se torna mais intenso depois da chuva. Popularmente, o guaco é um dos fitoterápicos de maior consumo, utilizado principalmente no tratamento de afecções respiratórias. Contudo, estudos desenvolvidos no Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp, revelam outros efeitos farmacológicos da planta.

A pesquisa foi iniciada em 1998 com duas espécies de guaco (Mikania glomerata e Mikania laevigata), pelas equipes dos professores Pedro Mellilo de Magalhães (Divisão de Agrotecnologia), Vera Lúcia Garcia Rehder (Química) e João Ernesto de Carvalho (Farmacologia e Toxicologia). A primeira etapa consistiu de cultivo controlado e em grande escala da erva; na segunda, a extração e purificação do extrato, com o objetivo de identificar quimicamente as substâncias ativas; e a terceira teve a finalidade de comprovar as propriedades farmacológicas e toxicológicas.

Em experimentos com animais de laboratório, os extratos de guaco diminuíram as lesões ulcerativas resultantes do uso prolongado de antiinflamatórios, abuso de bebidas alcoólicas e estresse – que respondem pela maioria dos casos de úlcera gastroduodenal. “A atividade do guaco foi muito superior às de outras plantas utilizadas contra úlcera, como a espinheira-santa”, conta Carvalho. Segundo os pesquisadores, isto é uma conseqüência da diminuição da liberação de ácido estomacal, provocada pela cumarina, princípio ativo responsável pelo odor de baunilha do guaco.

A ação da cumarina é tema da tese de doutorado de Aparecida Érica Bighetti, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, sob orientação do próprio professor Carvalho. Os estudos em relação ao guaco resultaram ainda em duas bolsas de capacitação técnica, uma bolsa de iniciação científica, uma tese de mestrado e uma segunda de doutorado.

Efeitos dos extratos

Sistema respiratório
O mecanismo de ação contra úlcera é igual ao comprovado no sistema respiratório: diminuição da secreção brônquica e relaxamento da musculatura, o que justifica o uso popular da planta, de acordo Vera Lúcia Garcia Rehder e João Ernesto de Carvalho.

Cárie e placa bacteriana
Testes realizados pelo grupo do professor Pedro L. Rosalen, da Faculdade de Odontologia (FOP) da Unicamp, revelaram que os extratos de guaco provocam inibição do crescimento e a morte dos microorganismos responsáveis pela formação da placa bacteriana.

Candidíase
Trabalho de Marta Teixeira Duarte, da Divisão de Microbiologia do CPQBA, demonstra que os extratos inibem o crescimento dos microorganismos responsáveis pela candidíase da região genital feminina (flores brancas) ou da boca de bebês (sapinho).

Câncer
Em cultura de células tumorais humanas, os extratos e princípios ativos do guaco inibiram o crescimento e provocaram a morte de diversas linhagens. Esses resultados reforçam a necessidade de estudos toxicológicos, pois essas substâncias podem também provocar morte de células normais do nosso organismo, segundo alerta de João Ernesto de Carvalho.

RONEI THEZOLIN

Fonte: www.unicamp.br

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