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Guaraná

Guaraná

As propriedades estimulantes e os diversos usos ampliam os negócios com esta fruta da Amazônia brasileira

O guaraná é processado e consumido na forma de pó, bastão, xaropes e extratos. A produção brasileira de guaraná é praticamente toda consumida no mercado interno, estimando-se que pelo menos 70% da produção seja absorvida pelos fabricantes de refrigerantes. Pequenas quantidades são exportadas.

Nome popular da fruta

Guaraná (uaraná, narana, guaranauva, guaranaina, guaraná-da-amazônia)

Nome científico

Paullinia cupana H.B.K. var. sorbilis (Mart.) Ducke

Origem

Brasil (Amazônia)

Fruto

Os frutos apresentam a coloração vermelha e, em menores proporções, alaranjadas e amarelas. Quando maduros abrem-se parcialmente, deixando à mostra 1 a 3 sementes castanho-escuras, com a metade inferior recoberta por um espesso arilo branco. A colheita é realizada nesse estágio, para que as cápsulas (casca) não se abram totalmente, evitando a queda das sementes.

A fruta possui guaraína, substância parecida com a cafeína, que possui propriedade estimulante, aumenta a resistência nos esforços mentais e musculares, diminui a fadiga motora e psíquica.

Planta

Arbusto de clima tropical, quente e úmido, o guaranazeiro é uma planta perene e trepadeira. Pode atingir até 10 metros de altura quando tem como suporte as árvores da floresta. Em cultivos isolados tem porte de arbusto, em forma de moita, crescendo no máximo 2 ou 3 metros.

Cultivo

O Brasil é o único produtor comercial de guaraná do mundo. A produtividade média da cultura no Brasil é de 298 kg/ha. A baixa produtividade é justificada pelo pequeno uso de mudas de clones selecionados, plantio de variedades tradicionais não melhoradas, idade avançada dos guaranazais, alta incidência de pragas e doenças e falta de tratos culturais adequados.

Para a produção comercial, os produtores devem buscar sementes ou mudas (clones) selecionadas. Os especialistas na cultura recomendam que o guaranazeiro seja propagado através do enraizamento de estacas (ramos retirados da planta, herbáceos, não lignificados e com as folhas totalmente expandidas). A produção de mudas por sementes, devido à grande variabilidade genética existente entre as plantas de guaraná, não é recomendada, pois produzem um pomar desuniforme e de produtividade muito variável.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária tem lançado cultivares selecionados e de alta produtividade. Além da alta produtividade – os clones produzem de 400 gramas a 1,5 quilo de sementes por planta –, as plantas são resistentes à antracnose, doença causada pelo fungo Colletotrichum guaranicola que traz sérios prejuízos à lavoura. A muda obtida por clonagem (propagação vegetativa) apresenta a vantagem de menor tempo de formação, de sete meses, enquanto a muda tradicional, produzida a partir das sementes, demora 12 meses para ficar pronta e ir ao campo.

Os clones apresentam precocidade para o início da produção, em média, de dois anos, contra quatro anos das plantas tradicionais. A produção comercial estabiliza-se após três anos do plantio, no caso dos clones, e em cinco anos nas plantas tradicionais. Além disso, a sobrevivência dos clones no campo, após um ano de plantio, supera 90%, enquanto nas plantas provenientes de sementes, geralmente fica abaixo de 80%.

O fruto do guaraná deverá ser despolpado e torrado para comercialização. Após a colheita, os frutos são acondicionados em sacos ou amontoados em local limpo por até três dias para fermentação. O local deve ter piso de cimento ou cerâmica e, de preferência, ser fechado, para evitar acesso de animais. A fermentação facilita a retirada da casca, tanto manualmente ou com equipamentos apropriados. Após o despolpamento, as sementes são lavadas em água limpa e classificadas em dois tamanhos, por peneira com malha de 6 mm.

Após a classificação, as sementes são torradas separadamente, possibilitando a uniformização do ponto de torrefação e a obtenção de um produto homogêneo. A torrefação é feita em tacho de barro ou metálico, em fogo brando, mexendo-se as sementes constantemente para melhor distribuição do calor. A torrefação em tacho de barro é mais usual e leva de quatro a cinco horas, enquanto no tacho metálico, este tempo é de cerca de três horas e meia.

Para a indústria de refrigerantes, as sementes estarão prontas quando atingirem o "ponto de estalo" ou umidade em torno de 5% a 7%. Para o guaraná em bastão, a umidade deve ser de 8% a 12%.

As sementes são armazenadas em sacos aerados, de preferência de fibras naturais, como aniagem ou juta. O tempo de armazenamento, desde que em condições adequadas, pode alcançar até dezoito meses.

Usos

O guaraná é processado e consumido na forma de pó, bastão, xaropes e extratos. Nos refrigerantes o conteúdo mínimo exigido de sementes de guaraná é de 0,2 g e o máximo de 2 g/litro ou o seu equivalente em extrato. É, ainda, utilizado na fabricação de bebidas energéticas, sorvetes, fármacos, cosméticos, confecção de artesanato, entre outros usos.

Mercado

A produção brasileira de guaraná é praticamente toda consumida no mercado interno. Estima-se que pelo menos 70% da produção seja absorvida pelos fabricantes de refrigerantes, enquanto o restante é comercializado na forma de xarope, bastão, pó, extrato e outros subprodutos. Pequenas quantidades são exportadas.

Pierre Vilela

Fonte: www.sebrae.com.br

Guaraná

Guaraná

Fruto do guaranazeiro, arbusto trepador, Paullinia cupana var. sorbilis , da família das Sapindáceas. Primitivamente existente na Bacia Amazônica, em torno das localidades de Mauás e Parintins, no Estado do Amazonas. O fato de ser conhecida apenas em cultivo, indica ser esta planta uma das muitas do tesouro etnobotânico dos ameríndios que passaram às mãos dos conquistadores brancos.

As primeiras notícias sobre o guaraná vieram de viajantes que, em séculos passados, percorrendo o interior do Brasil, tomaram conhecimento de uma pasta, endurecida em bastões pelo calor e pela fumaça, que os habitantes da região dissolviam em água para fazer uma bebida. Era um alimento estimulante imprescindível para os nativos daquela região. Estes recorriam ao guaraná sempre que necessitavam de maior energia para executar trabalhos físicos exaustivos. A ação estimulante do guaraná é devida ao seu conteúdo em cafeína.

É indicado na fraqueza geral, esgotamento, depressão nervosa, fastio, prevenindo e curando perturbações gastro-intestinais, como despepsias, flatulências, fermentações anormais, diarréias, gazes e prisão de ventre. Estimula as funções cerebrais, favorecendo a atividade intelectual. Combate a enxaqueca, dá ritmo ao coração e restaura o vigor tanto em jovens quanto em idosos (reparando as forças das pessoas gastas por abusos e prazeres).

Tem ação benéfica sobre o estômago e intestino, e livra o organismo das toxinas e das fermentações. A sua ingestão é tão importante que até a sonolência após as refeições desaparece pois grande é seu efeito sobre o aparelho digestivo.

É considerado um excelente tônico vitalizante.

Fonte: www.phytoplanet.com.br

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