A gestão do ex-presidente Slobodan Milosevic na Iugoslávia
foi marcada pela polêmica e por vários conflitos.
Desde que Milosevic chegou ao poder, a Iugoslávia perdeu quatro de
suas antigas repúblicas - a Croácia, a Bósnia, a Eslovênia
e a Macedônia. Hoje o país é composto apenas pela Sérvia
e pela República de Montenegro.
Durante este período, a queda de Milosevic foi tida várias vezes como iminente pelo ocidente. Finalmente, o candidato da oposição, Vojislav Kostunica, ganhou as eleiçoes presidenciais de 24 de setembro de 2000. A princípio, Slobodan Milosevic se recusou a aceitar a derrota. Depois de grandes manifestações lideradas pela oposição, Milosevic reconheceu a vitória de Vojislav Kostunica.
Em 28 de junho de 2001 Milosevic foi entregue aos investigadores do Tribunal Internacional de Crimes de Guerra das Nações Unidas, em Haia horas antes do início de uma conferência em Bruxelas para arrecadar dinheiro para a reconstrução da Iugoslávia.
A extradição provocou uma crise no governo e a renúncia do primeiro-ministro, Zoran Zizic. Além da promessa de mais de US$ 1 bilhão para reconstrução.
Milosevic chega ao poder explorando o sentimento nacionalista dos sérvios.
Em 1987, Milosevic assume o controle do Partido Comunista da Sérvia.
No mesmo ano, ele faz um famoso discurso a uma multidão de sérvios
em Pristina, a capital de Kosovo, que marca a sua ascensão política
no país.
Na ocasião, os sérvios protestavam contra o que eles viam como perseguição por parte da maioria albanesa em Kosovo. No discurso, Milosevic afirma que "ninguém jamais vai derrotar os sérvios" na província. A sua posição atrai grande apoio e se transforma em motivo de unidade entre os sérvios de todas as partes da Iugoslávia.
Com o tempo, Milosevic abandona a sua posição de líder comunista sem grande apelo e se transforma num carismático defensor do nacionalismo sérvio. Explorando o nacionalismo, ele é eleito presidente da Sérvia em 1989.
A queda do regime de partido único na Iugoslávia consolida
o poder de Milosevic na presidência da Sérvia.
Em janeiro de 1990, em meio ao tumulto causado pela queda do comunismo na
Europa Oriental, o Partido Comunista da Iugoslávia convoca um congresso
em Belgrado. Na ocasião, os membros do partido resolvem aceitar a instalação
de um regime multi-partidário no país. Mas Milosevic se recusa
a permitir outras reformas e as delegações da Eslovênia
e da Croácia se retiram do congresso, provocando a dissolução
do partido.
Em julho de 1990, o Partido Comunista da Sérvia muda o seu nome para Partido Socialista da Sérvia, mas mantém o seu patrimônio, a sua estrutura de poder e o controle sobre a mídia estatal. Milosevic também mantém firme controle sobre o partido.
Logo depois, a Croácia resolve deixar a Iugoslávia e convoca eleições gerais. Milosevic reage, afirmando que se a Iugoslávia for dissolvida, as fronteiras da Sérvia têm que ser redesenhadas para incluir no seu território os sérvios que vivem fora da república. A possibilidade de uma guerra civil aumenta.
A Guerra da Croácia não acaba com a vitória clara e
rápida da Sérvia que muitos de seus habitantes esperavam.
Depois de a Croácia ter declarado sua independência, em junho
de 1991, a minoria sérvia no país busca o apoio de Milosevic.
"Nós acreditamos que os sérvios têm o direito legítimo
de viver num país unido. Se tivermos que lutar para manter este direito,
nós lutaremos," afirma Milosevic. Em setembro de 1991, forças
federais da Iugoslávia invadem a Croácia, dando início
à guerra.
Em dezembro de 1991, o exército da Iugoslávia e paramilitares sérvios já controlam um terço do território croata - onde vão permanecer até 1995.
Mas os custos da guerra são altos. Cerca de 20 mil pessoas morrem no conflito e cerca de 400 mil ficam desabrigadas. As vitórias sérvias levam a ONU a impor sanções econômicas contra a Iugoslávia.
Mas a invasão da Croácia não impede que a Bósnia-Herzegóvina também decida declarar sua independência - estopim para um novo conflito nos Balcãs.
A guerra da Bósnia leva à dissolução da República
Federal Socialista da Iugoslávia.
A Bósnia-Herzegóvina declara a independência em abril
de 1992, depois de um referendo convocado por muçulmanos e croatas
- e boicotado pelos sérvios da república. A violência
explode logo depois. Milosevic afirma que vai defender os sérvios do
"genocídio provocado pelos croatas" e do "fundamentalismo
islâmico" dos muçulmanos. A guerra dura mais de três
anos e se transforma no mais sangrento conflito na Europa desde a Segunda
Guerra Mundial.
A opinião pública em Belgrado reage de formas diferentes. Muitas pessoas, especialmente as famílias afetadas pelo conflito, querem o fim da guerra. Mas muitos outros querem proteger os sérvios da Bósnia e dão grande apoio a Milosevic.
Com o tempo, várias histórias de atrocidades são reveladas e a Sérvia é isolada pela comunidade internacional.
Milosevic vai à mesa de negociações.
Em meados de 1995, a Croácia retoma a iniciativa militar e recupera
a maior parte do território ocupado pelos sérvios.
Como resultado, mais de 200 mil servo-croatas se refugiam na Sérvia, ampliando os problemas econômicos do país, já sob sanções da ONU.
Logo depois da vitória em seu próprio território, as forças croatas dão início a uma ofensiva contra os sérvios na Bósnia. Além disso, durante três semanas as forças da Otan bombardeiam sem parar as áreas da Bósnia controladas pelos bósnios sérvios. Isso leva Milosevic a concordar em ir à mesa de negociação em Dayton e dar fim à guerra da Bósnia.
Com as negociações, Milosevic abandona o sonho de formação de uma Grande Sérvia e a ONU suspende parcialmente as sanções econômicas adotadas contra o país em 1991.
Slobodan Milosevic enfrenta grandes protestos contra seu governo.
Em 1996, a oposição vence as eleições municipais
nas principais cidades da Sérvia, mas o governo anula a votação
sob alegação de fraude. Milhares de pessoas organizam protestos
contra o governo e paralisam algumas das principais cidades, como a capital,
Belgrado.
Depois de três meses, Milosevic cede e reconhece a vitória da oposição em sete cidades, inclusive Belgradol. Logo em seguida, o movimento da oposição, conhecido como Zajedno (Juntos) se dissolve sob acusações de traição e de colaboração com Milosevic.
Em julho de 1997, Milosevic é eleito presidente da Iugoslávia pelo parlamento - controlado pelos seus aliados.
O conflito com a Otan é o maior desafio ao poder de Milosevic.
Depois do fim da guerra na Bósnia, começa a crescer a tensão
entre os kosovares de origem albanesa e os sérvios na província
de Kosovo. Em janeiro de 1998, ocorrem confrontos entre as forças sérvias
e os guerrilheiros do Exército de Libertação de Kosovo
(ELK). A União Européia e os Estados Unidos condenam a repressão
aos kosovares de origem albanesa (que formam cerca de 90% da população).
Em maio, quando a guerrilha já controla cerca de 40% do país, Milosevic concorda em negociar com os kosovares, mas as conversas não vão longe. No ano seguinte, Estados Unidos e União Européia forçam os dois lados a retomar negociações sobre o futuro da província. A Iugoslávia rejeita uma proposta de autonomia para a província seguida pelo envio de uma força de paz internacional.
Com o impasse, a Otan decide atacar a Iugoslávia - sem consultar a ONU ou qualquer outro organismo internacional. Durante 78 dias, a Sérvia, Montenegro e Kosovo são bombardeados sem parar. Centenas de pessoas morrem e mais de um milhão fogem para a Albânia e Macedônia.
Milosevic decide retirar suas tropas da província, mas não admite a derrota. Uma força de paz é enviada para a província de Kosovo, que passa a ser administrada de fato pela ONU.
Apesar da destruição de boa parte da infra-estrutura do país, Milosevic tenta mudar a sua imagem e aparecer para a população como o líder que vai reconstruir a Sérvia.
Slobodan Milosevic foi derrubado do poder pelo povo em outubro de 2000, da mesma forma que a população iugoslava ajudou-o a conquistar a presidência 13 anos antes.
Quando o presidente Slobodan Milosevic convocou eleições, em setembro de 2000, o país sofria com as sanções impostas pelo ocidente, e milhares de sérvios estavam vivendo em pobreza absoluta.
Montenegro, a única república iugoslava que ainda se mantinha fiel à Sérvia, ameaçava romper com a federação, que vivenciava um clima de medo e instabilidade.
Quando Milosevic se recusou a reconhecer a vitória do líder da oposição, Vojislav Kostunica, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas das grandes cidades iugoslavas em protesto e uma greve geral chegou a paralisar o país. Um por um os aliados mais próximos de Milosevic foram retirando o apoio ao presidente, incluindo a igreja Ortodoxa Sérvia e segmentos da imprensa oficial.
A confiança do povo crescia constantemente e, 10 dias depois da eleição, manifestantes invadiram e tomaram o parlamento iugoslavo e a sede da estação de TV estatal, incendiando ambos os prédios. Dezenas de policiais que inicialmente tentavam conter a multidão, tiraram seus capacetes e uniformes e se juntaram aos protestos. Era o fim do império de Milosevic.
A reintegração da Sérvia na comunidade internacional
e a extradição de Milosevic.
No dia 05 de outubro de 2000, o novo presidente, Vojislav Kostunica declara
a libertação do país em discurso para meio milhão
de pessoas reunidas no centro de Belgrado.
Kostunica declara a intenção de cooperar com o Tribunal Internacional de Crimes de Guerra da antiga Iugoslávia e reintegra o país à ONU e à Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Em janeiro de 2001, são reestabelecidas as relações da Sérvia com a Albânia e em abril o ex-presidente Slobodan Milosevic é preso, acusado de corrupção e abuso de poder.
O presidente norte-americano George W. Bush impõe a extradição de Milosevic para o Tribunal de Haia, como condição para a liberação de ajuda financeira para a reconstrução da Sérvia.
Horas depois da autorização para a extradição, no dia 28 de junho, os EUA, a Europa e o Banco Mundial se comprometem a dar US$ 1,28 bilhão para a Sérvia.
Boa parte do dinheiro vai ser usada para pagar dívidas, mas cerca de US$ 800 milhões vão ajudar a reeguer a economia do país, que depois da guerra tem uma taxa de desemprego de 40% e uma inflação estimada em 80% para 2001.
Fonte: www.bbc.co.uk