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Afeganistão

Os primeiros registros históricos sobre o Afeganistão datam do século VI a.C, quando foi incorporado ao império persa. Juntamente com os persas, a região foi subjugada, depois, por Alexandre, o Grande (século IV a.C). Após sua morte, a região caiu sob o domínio de um general de Alexandre, Seleucus I, mais tarde do rei indiano, Chadragupta e, mais uma vez, de uma dinastia grega que se estabeleceu em Bactria, ao norte do Afeganistão, e que fundou um estado que durou até 130 a.C. Este estado greco-bactriano se rendeu aos nômades iranianos, chamados de Sakas e adotaram o budismo como religião. Nos séculos III e IV d.C, os persas sassânidas invadiram o país e lá permaneceram até a chegada dos árabes, em meados do século VII d.C.

Séculos se passaram antes que o Islam se transformasse na religião dominante. O controle político árabe, enquanto isso, foi substituído por governos turcos e iranianos. A total ascendência turca sobre a região foi estabelecida mais tarde, no final do século X e início do século XI pelo sultão muçulmano Mahmud de Ghazna (971-1030).

Afeganistão
O Império de Mahmud Ghazni em 1027 d.C.

A cultura islâmica depois alcançou o seu auge sob a dinastia dos ghuridas. Aos poucos, eles ampliaram seu governo até o norte da Ìndia, mas foram esmagados pelas invasões mongóis, lideradas por Gêngis Khan, que chegou do norte, em torno de 1220. A maior parte do país permaneceu sob domínio mongol até perto do século XIV, quando Tamerlão, um conquistador turcomano ocupou o norte do Afeganistão. Entre os mais notáveis sucessores de Tamerlão, estava Babur, fundador da dinastia mogol na Índia, que conquistou Cabul em 1504. Mais tarde, no século XVI, os safávidas do Irã e os uzbeques do norte fizeram incursões na região. Os sucessores mogóis e iranianos de Babur enfrentaram contínuas revoltas afegãs.

Afeganistão
Mesquita de Mazar-i-Shariff

Durante o século XVI, os afegãos começaram a ganhar poder. A tribo ghilzai conquistou Isfahan, a capital iraniana, em 1722. Em sequida, uma vigorosa contraofensiva iraniana foi iniciada pelo governante turcomano, Nadir Shah, que em 1738, restabeleceu a autoridade iraniana sobre todo o Afeganistão. Nadir foi assassinado em 1747, e foi substituído por Ahmad Shah, um general da tribo abdali, que fundou uma dinastia que permaneceu no poder até 1818. Ahmad Shah ficou conhecido como Durri-i-Dauran e os abdalis como os duranis. Ahmad Shah aumentou seus domínios, conquistando o leste do Irã, o Beluquistão, a Caxemira e parte do Punjab. Em 1826, Dost Mohammad Khan, um membro de uma proeminente família afegã, assumiu o controle do leste do Afeganistão e tomou o título de emir.

Afeganistão
O império afegão em 1762

No século XIX, o Afeganistão tornou-se palco de uma acirrada disputa entre os impérios russo e britânico. Em 1839, tropas inglesas invadiram o país, sendo repelidas ao final de quatro anos de combates. Mais tarde, uma nova guerra (1878 - 1880), colocou a monarquia afegã sob a tutela britânica até 1919, quando o país conquistou a sua independência. Abd-ar-Rahman Khan, neto de Dost Mohammad Khan assumiu o trono. Em 1907, durante o reinado de Habibullah Khan, o filho e sucessor de Abd-ar-Rahman-Khan, os governos inglês e russo concluíram o acordo de respeito mútuo, que garantia a integridade territorial do Afeganistão. Habibullah foi assassinado em 1919 e seu irmão, Nasrullah Khan, que assumiu assumiu o trono por apenas 6 dias, foi deposto pela nobreza afegã, em favor de Amanullah Khan, filho de Habibullah. Determinado a retirar seu país completamente da esfera inglesa de influência, ele declarou guerra à Inglaterra. Os ingleses, que ao mesmo tempo enfrentaram o crescente movimento de libertação indiano, negociaram um tratado de paz com o Afeganistão, pelo qual reconheciam a soberania do país e a independência da nação.

A popularidade e o prestígio que Amanullah tinha conquistado logo se dissiparam. Profundamente impressionado com os programas modernizantes do Irã e da Turquia, ele instituiu uma série de reformas políticas, sociais e religiosa. O governo constitucional foi inaugurado em 1923, os títulos de nobreza foram abolidos, a educação foi estabelecida para as mulheres e outras medidas mais amplas que modernizavam as instituições tradicionais foram reforçadas. A hostilidade provocada pelo programa de reformas do rei levaram à revolta de 1929 e Amanullah abdicou e se exilou. Depois de alguns distúrbios, o governo foi passado para Nadir Shah.

O novo governo, aos poucos, restabeleceu a ordem no reino. Em 1932, Nadir iniciou um programa de reformas econômicas mas foi assassinado no ano seguinte. Seu filho e sucessor, Zahir Shah, que tinha apenas 19 anos quando assumiu, foi dominado por 30 anos por seus tios e primos, principalmente seu primo e, mais tarde cunhado, Príncipe Mohammad Daud Khan. O governo intensificou o programa de modernização iniciado por Nadir Shah e estabeleceu relações comerciais com a Alemanha, Itália e Japão. Zahir Shah declarou a neutralidade do Afeganistão quando eclodiu a II Guerra Mundial. No entanto, em 1941, a pedido da Inglaterra e da ex-União Soviética, mais de duzentos agentes alemães e italianos foram expulsos do país. Os Estados Unidos estabeleceram relações diplomáticas com o país em 1942. Em novembro de 1946, o Afeganistão tornou-se membro das Nações Unidas.

No ano de 1953, o primeiro-ministro Daud Khan lançou um programa de modernização da economia, com a ajuda financeira da ex-União Soviética. Renunciou ao cargo em 1963, mas voltou ao governo em 1973, à frente de um golpe militar que depôs o rei Zahir e proclamou a República. Daud tornou-se presidente e durante seu governo contribuiu para o reforço da influência soviética sobre o país.

Em 1974, grupos islâmicos rebelaram-se contra o novo regime mas foram derrotados. Em abril de 1978, Daud foi deposto e morto pelos militares que o haviam conduzido ao poder. Mohamed Taraki, seu sucessor, implantou o regime de partido único, de inspiração comunista. Grupos islâmicos apoiados pelo Paquistão iniciaram as guerrilhas.

Acirrou-se a luta de facções no partido do governo, o Partido Democrático do Povo Afegão, de linha comunista. Incapazes de conter a rebelião, Taraki e Amin pediram ajuda à Rússia. Apesar do apoio militar, a resistência ao governo continuou em 1979. Em dezembro, Amin foi destronado e morto e o Afeganistão foi ocupado por tropas soviéticas. A ex- União Soviética colocou no lugar Babrak Karmal, o antigo vice-presidente. Embora ele tentasse aplacar os rebeldes, a insurreição persistiu e mais de 3 milhões de afegãos fugiram para o vizinho Paquistão. Durante os anos 80, forças do governo e cerca de 118.000 soldados soviéticos ocuparam as estradas e cidades principais, mas não conseguiram desalojar os rebeledes, que tiveram a ajuda da CIA americana. Em maio de 1986, Karmal renunciou, alegando motivos de saúde e foi substituído por Mohammad Najibullah, ex-chefe da polícia secreta.

Em 1989, a ex-União Soviética completou sua retirada do país, iniciada no ano anterior, em cumprimento a um acordo de paz assinado em Genebra. Continuou, no entanto,. a sustentar o regime afegão, a essa altura liderado por Mohammad Najibullah, ex-chefe da polícia secreta que havia derrubado Karmal em 1986. Os conflitos prosseguiram. Uma ofensiva da guerrilha, em abril de 1992, provocou a renúncia de Najibullah, diante das pressões de membros do governo, que negociaram a entrega do poder.

A perspectiva da vitória próxima agravou e trouxe à tona as divergências entre grupos rebeldes rivais. Uma ala, com quartel-general no Paquistão, defendia a instalação de um governo islâmico moderado, aberto a influências do Ocidente. Outros grupos, ligados ao Irã, queriam um estado teocrático, com a aplicação rigorosa da shari'ah.

Em abril de 1992, grupos guerrilheiros rivais ocuparam Cabul, a capital do país e começaram a lutar entre si. O Conselho Islâmico assumiu o poder e escolheu Sibhatullah Mohaddedei para a presidência. Entretanto, o líder da facção guerrilheira mais radical, Gulbuddin Hekmatyar, não aceitou o novo governo e comandou um bombardeio aos bairros da capital, controlados por seus adversários. O Conselho Islâmico escolheu, então,um novo presidente, Burhanuddin Rabbani.

Em 1993, os combates se haviam espalhado por todo o país, dividindo-o em zonas autônomas, sob o controle de grupos locais. Diante desse quadro, foi assinado um acordo de paz, segundo o qual Rabbani continuava na presidência e Hekmatyar se tornaria o primeiro-ministro. Mas o acordo não foi cumprido e os combates se agravaram. Prosseguiu, assim o êxodo de refugiados para o Paquistão e para o Irã. A essa altura, os 15 anos de guerra no Afeganistão já haviam deixado um saldo de 2 milhõe de mortos e 6 milhões de refugiados.

A partir de 1994, enquanto facções simpáticas a Rabbani ocupavam Cabul, um grupo de sunitas fundamentalistas, conhecido como Taleban, conquistava o controle da maior parte do país. O Taleban era um grupo formado por estudantes fundamentalistas muçulmanos, que defendiam práticas extremistas, como a exclusão social das mulheres. Liderado por Mohammed Umar, e com provável apoio do vizinho Paquistão, o Taleban ganhou popularidade e passou a controlar um terço do Afeganistão. Ameaçou invadir Cabul e exigiu a saída de Rabbani e a criação de um estado islâmico "puro". Em março, as forças de Rabbani revidaram com um ataque o Taleban e expulsaram a milícia da área de Cabul. Em setembro, a milícia tomou a cidadde de Herat, no extremo oeste do país.

Em setembro de 1996, os talebans entraram na capital e Rabbani e seus partidários fugiram para o norte. Najibullah foi executado junto com muitos de seu grupo e os taleban estabeleceram um conselho de governo composto de seis integrantes. O conselho, imediatamente começou a impor a sua marca de governo rigorosamente islâmico. Durante o ano de 1997, o Taleban buscou estender seu controle ao resto do país, mas encontrou uma resistência por parte de Rabbani e de seus aliados, que estabeleceram uma fortaleza no norte do país, perto de Mazar-e-Sharif. Em julho de 1998, os Taleban iniciaram uma nova ofensiva e em agosto Mazar-e-Sharif foi ocupada, com a morte de muitos civis, inclusive um grupo de diplomatas iranianos, o que aumentou as tensões com o Irã. Mais tarde, após o ataque às embaixadas americanas no Quênia e Tanzânia, os Estados Unidos atacaram com mísseis o que eles achavam ser um complexo de treinamento para terroristas internacionais do Afeganistão. Provou-se que o prédio era uma fábrica de produtos químicos para a fabricação de remédios. Nesta mesma ocasião, os Estados Unidos acusaram o rico empresário saudita Osama bin Laden de estar envolvido em outros atos de terrorismo. Quando o regime do Taleban se recusou a entregar bin Laden aos Estados Unidos para julgamento, a ONU impôs pesadas sanções ao Afeganistão, que como sempre, afetam a população deste país, já empobrecido em decorência das constantes guerras por que passou.

Em função dos conflitos armados que ainda se sucedem no Afeganistão, a expectativa de vida no país é a mais baixa do planeta. Além disso, o Afeganistão possui um dos mais altos índices de analfabetismo da Ásia.

Fonte: www.geocities.com

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