
Os seis países que fazem fronteira com o Afeganistão têm motivos para se preocupar com a crise. No mínimo, poderão sofrer com uma onda de refugiados. Na pior das hipóteses, poder enfrentar instabilidade ou guerras em seus próprios territórios.
Se opõem ao Talebã e já conta com cerca de 1,5 milhão de refugiados afegãos.
Terra da Revolução Islâmica, Teerã é questionada ideologicamente pelo regime fundamentalista do Talebã.
O presidente Mohammad Khatami acusou o Talebã de prejudicar a imagem do Islamismo, enquanto os conservadores que se opõem ao presidente elogiam o grupo afegão por sua visão estrita da religião.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse que seu país vai condenar qualque ação que provoque uma "nova catástrofe humana" no Afeganistão.
Mas o presidente Khatami teria dado indicações de que não vai se opor a ações militares com alvos específicos.
Irã e Afeganistão quase entraram em guerra no final da década de 90 devido ao tratamento que o Talebã - muçulmanos sunitas - estavam dando à minoria xiita no país. A tensão aumentou com a morte de diplomatas iranianos na guerra civil no Afeganistão.
O Irã fechou a fronteira com o Afeganistão com o objetivo de evitar uma nova onda de refugiados.
O país já conta com dois milhões de refugiados afegãos e deverá ser o foco de uma nova onda de refugiados, caso os EUA ataquem.
O Paquistão também é a principal rota de suprimentos para o Afeganistão - e um dos poucos países que reconhece a legitimidade do governo do Talebã.
O Talebã já ameaçou qualquer país que venha a dar apoio aos EUA , no caso de guerra, e o Paquistão parece ser a base mais óbvia para uma taque militar americano.
O governo do Paquistão já declarou seu apoio aos EUA, mas sua atuação deverá ser limitada pelo grau de apoio com que o Talebã conta entre os paquistaneses.
No pior cenário, o general Pervez Musharraf, que chegou ao poder através de um golpe de Estado, pode arriscar a estabilidade de seu governo ao ser atacado por grupos pró-Talebã e anti-EUA.
Há informações de que Pequim ordenou fechamento tanto da pequena fronteira com o Afeganistão como das fronteiras com o Paquistão, Tadjiquistão e Quirguistão.
O governo chinês está preocupado com os elos de ligação entre os separatistas muçulmanos da região de Xinjiang, no noroeste do país, e os militantes do Afeganistão.
Alguns dos guerrilheiros chineses teriam sido treinados em campos militares no Afeganistão.
A posição oficial da China em relação a uma retaliação militar americana é de que qualquer ato deve ser autorizado pelo Conselho de Segurança da ONU.
Pequim também já deixou claro que espera receber apoio de Washington em relação à política que adota contra os separatistas em Xinjiang.
Até agora, os EUA vinham criticando a China por desrespeitar os direitos humanos na região.
O país já esteve sob pressão para receber refugiados afegãos por ter conexões com a aliança que se opõem ao Talebã, que inclui grupos de etnia Tadjique.
Dushambe é uma importante base diplomática para os grupos de oposição do Afeganistão - a aliança poderá ser um fonte vital de apoio para qualquer força americana que venha a se infiltrar no Afeganistão.
O Tadjiquistão seria a base ideal para as forças especiais infiltrarem o Afeganistão, mas o governo já avisou que só aprova o uso de seu território se Moscou concordar.
Se o recente assassinato do líder do grupo de oposição ao Talebã, Ahmed Shah Masood, levar a milícia afegã a uma nova ofensiva no norte do Afeganistão, o movimento de refugiados poderá atingir duramente o Tadjiquistão.
O país já está enfrentando uma falta de alimentos que pode facilmente desestabilizar o frágil governo de coalizão.
Durante a violente guerra civil no Tadjiquistão na década de 90, as forças muçulmanas contrárias ao governo apoiado por Moscou receberam suprimentos através do Afeganistão.
A Rússia ainda mantém grandes bases militares na antiga república soviética, especialmente para vigiar a fronteira com o Afeganistão.
Como em toda a fronteira com o Afeganistão, um dos maiores problemas enfrentados é o tráfico de drogas.
O país também tem elos étnicos com o norte do Afeganistão mas, até recentemente, vinha evitando os problemas enfrentados pelo Tadjiquistão.
Nos últimos dois anos, a linha dura adota pelo governo secular do presidente Islam Karimov vem sendo desafiada por militantes muçulmanos.
O governo acusa os muçulmanos de usarem o Tadjiquistão e o Afeganistão como bases para suas atividades.
O Uzbequistão é considerado a super-potência regional entre as ex-repúblicas soviéticas da Ásia central.
Por isso, ele poderá ter um papel importante em qualquer ação contra o Talebã.
Em resposta ao apelo por apoio feito pelos EUA, o governo do Uzbequistão respondeu que está preparado para discutir "qualquer questão que possa levar à eliminação do terrorismo e que possa reforçar a estabilidade".
O Turcomenistão - mais uma ex-república soviética que faz fronteira com o Afeganistão - se isolou da política regional sob o regime stalinista do presidente Saparmyrat Niyazov.
Uma fonte no Ministério do Exterior descartou qualquer possibilidade de envolvimento militar no Afeganistão porque o país quer se manter neutro.
O governo mantém contatos constantes com o Talebã por ver o Afeganistão como uma rota para a exportação, no futuro, das imensas reservas energéticas do país.
Fonte: www.bbc.co.uk