Tida por muitos séculos como uma região desimportante sob o ponto de vista econômico, a região do Golfo Pérsico, especialmente depois da IIª Guerra Mundial, passou a deter as atenções do mundo inteiro pela importância cada vez maior que o petróleo passou a assumir no século XX. A riqueza impressionante do seu subsolo, que acolhe mais de 60% das reservas de óleo cru conhecidas, terminou por gerar cobiças e desejos de conquista e dominação, fazendo do Golfo Pérsico uma interminável praça de guerra.
A região do Golfo Pérsico foi, por séculos a fio, uma área pobre, esquecida e abandonada do mundo. Só despertava o interesse das expedições arqueológicas, visto ser o epicentro das imemoriais culturas mesopotâmicas, nascidas nas margens dos rios Tigre e Eufrates (como a da caldéia, da assíria e da babilônia, consideradas matrizes da civilização). Historicamente, ela separa o mundo árabe dos persas, e, até 1918, fazia a fronteira entre o reino da Pérsia e o Império Turco Otomano, a verdadeira potência daquela região. Até então, o Império Britânico tinha uma pequena presença por lá, limitando-se a tutelar, desde o século XVIII, o emirado do Kuwait e controlar o estreito de Omã.
Algo espetacular, porém, ocorreu em 1908. No subsolo da Pérsia, encontrou-se um rico lençol de petróleo, o suficiente para que a Royal Navy, a esquadra britânica, substituísse, a partir de 1914, o carvão por óleo, como o principal combustível dos seus navios, tornando o Golfo Pérsico um lugar estratégico importantíssimo. Em 1917, os britânicos, em guerra contra o Império Turco, conquistam Bagdá, tornado-a sede do seu domínio sobre a antiga Mesopotâmia.
Novos lençóis de petróleo foram encontrados nos anos vinte e trinta do século XX no Iraque, no Kuwait, nos Emirados Árabes, e também na Arábia Saudita, sendo explorados por companhias britânicas e depois americanas. Entrementes, com a explosão da indústria automobilística e a subsequente revolução dos transportes, o petróleo do Golfo Pérsico passou ser mais importante ainda. Hoje, estima-se que o subsolo da região abrigue 2/3 das reservas mundiais, ou seja 696.2 bilhões de barris.
Principal importador e dono dos maiores contratos de exploração da região, os Estados Unidos, potência vencedora da Segunda Guerra Mundial, fizeram do Golfo Pérsico a sua área estratégica preferencial, concentrando ali um número impressionante de bases militares, terrestres, aéreas e navais. Para melhor protegê-la, apoiaram os regimes monárquicos locais (o reino saudita e o xarado do Irã), sobre os quais exerciam tutela política e militar.

Tanque de guerra, o veículo mais comum no Golfo Pérsico
O controle ocidental sobre o Golfo Pérsico começou a ser ameaçado devido a dois acontecimentos espetaculares que estão entrelaçados: em 1979 o xarado do Irã, principal aliado de Washington, foi derrubado por uma revolução popular liderada pelos chefes religiosos iranianos, os aiatolás, que imediatamente voltam-se contra os americanos (denominado por eles como os agentes do “Grande Satã”). Quase em seguida, no ano de 1980, estoura a Primeira Guerra do Golfo, ocasião em que o vizinho Iraque, dominado por Saddam Hussein, ataca o Irã de surpresa, querendo aproveitar-se do caos em que o país se encontrava, devido à revolução xiita, então em andamento. A partir daquele momento, o Golfo Pérsico vai conhecer uma instabilidade quase que permanente.

O Oriente Médio e o Golfo Pérsico
Ocupada pelos britânicos em 1917, a Mesopotâmia - num acerto com os franceses combinado no Tratado de Sèvres, de 1920 - , tornou-se um protetorado da Coroa de Sua Majestade. Em 1921, os ocupantes entregaram o trono do Iraque ao rei Faisal I, da família Hachemita . a mesma que governava a Arábia e a Jordânia. Na verdade, tratava-se de um reino títere, pois os britânicos controlavam o exército, a força pública e os poços de petróleo (através da Irak Petroleum Company, fundada em 1927). Em 1932, juntando as províncias de Mossul, Bagdá e Basra, a monarquia iraquiana alcançou uma independência pró-forma sem que isso abalasse os interesses britânicos na região, mas voltou a ser reocupada por ordem de Londres em 1941, para evitar que os nazistas conquistassem seus poços de petróleo.
A monarquia Hachemita pró-britânica, foi finalmente derrubada por um sangrento golpe republicano em 1958, ocasião em que o rei Faisal II e seu filho Abdula foram mortos por ordem do general Karim Kassem. Naquela época, o Oriente Médio, tal como a maior parte do Terceiro Mundo colonizado, fora sacudido pela onda nacionalista que insurgiu-se contra o domínio dos impérios coloniais europeus. Desencadeado por primeiro no Egito, onde era forte a presença britânica, o movimento nacionalista árabe liderado por Gamal Nasser tomou o poder no Cairo em 1953 (oportunidade em que aboliram com a monarquia colaboracionista do rei Farouk). Desde então, o nasserismo (nacionalismo + autoritarismo) serviu como modelo para os demais militares nacionalistas do Oriente Médio na sua busca pela autodeterminação política e liberdade econômica, servindo como exemplo a ser seguido na Argélia, no Iraque, no Iêmen, no Sudão e na Líbia.
Durante os dez anos seguintes, de 1958 a 1968, o Iraque viu-se palco de terríveis lutas internas, nas quais os nacionalistas do partido Baaz (fundado antes na Síria, por Michael Aflak nos anos 40) conseguiram impor-se sobre seus rivais, a ferro e a fogo. Sendo um mosaico de etnias (árabes, assírios, iranianos, curdos, etc...) e de rivalidades religiosas (sunitas versus xiitas), o poder no Iraque quase sempre foi disputado a tiros e mantido por meio de repressão e de massacres. Duas medidas nacionalista então atingiram os interesses da companhias anglo-americanas: a primeira delas foi a nacionalização do petroleo iraquiano, ocorrida em 1966, e a segunda foi a estatização da Irak Petroleum, em 1972.
Um nome então começou a despontar dentro do partido Baaz, o de Saddam Hussein, um ex-pistoleiro que participara do fracassado atentado ao general Kassem (acusado pelos nacionalistas árabes de ser muito próximo dos comunistas), e que dali por diante, como chefe do CMR (o Comitê Militar Revolucionário, órgão dirigente supremo do Iraque) se manteria no poder por meios repressivos e violentos. Nos anos 70, ele tornou-se o verdadeiro homem-forte do Iraque, desenvolvendo, graças aos lucros do petróleo, uma intensa politica de modernização do país (ensino público e saúde gratuitas, investimentos em infra-estrutura, hospitais, pontes, estradas de rodagem e de ferro, inclusive energia nuclear, liberalização feminina, etc.).
Curdos: localizados no Norte do Iraque, formam 18% da população
e lutam pela independência.
Sunitas: ocupam a região central do Iraque, a área de Bagdá,
e controlam o poder político. São 17% da população.
Xiitas: localizam-se no Sul do Iraque e formam 65% da população do pais.
Com o tempo, uma expressiva classe média de profissionais, técnicos
e administradores, passou a usufruir de um excelente padrão de vida.
O sucesso da sua política somou para que Saddam Hussein ambicionasse
tomar o lugar do Xá Reza Pahlevi, derrubado pela revolução
xiita de 1979, tornado-se no novo gendarme do Golfo Pérsico. Acreditou
que, com o naufrágio do Irã, chegara a vez do Iraque tornar-se
a única potência da região. Com quase 440 mil km2, e com
mais de 20 milhões de habitantes, o mais bem servido país em
águas de todo o Oriente Médio, rico em petróleo, dono
da segunda maior reserva do mundo (estimada entre 115 e 220 bilhões
de barris), Saddam Hussein imaginou ser um novo Nabucodonossor (605-562 a.C.),
o famoso rei da Babilônia citado na Bíblia, que imperara sobre
toda a Mesopotâmia e a Palestina há séculos passados.
Daí aquela obsessão de Saddam Hussein em construir palácios
luxuosos espalhados pelo Iraque, visto que Nabucodonossor ficou na história
devido aos magníficos Jardins Suspensos da Babilônia.
Na entrada dos anos 80, Saddam Hussein estava pronto para ir à guerra, em nome do mundo árabe, contra os velhos rivais persas, ao tempo em que atacando as forças do aiatolá Khomeini, protegia o Mundo Sunita do expansionismo da revolução Xiita do Irã. Vencido o conflito, ele se tornaria o novo senhor do Golfo Pérsico. Naquela ocasião, os Estados Unidos, em fortes desavenças com o governo revolucionário do Irã - que desmontara o exército do Xá armado e treinado pelos americanos – apoiou o projeto de Saddam Hussein em liquidar com o Irã por meio de uma guerra-relâmpago.

Saddam Hussein, como líder dos árabes
"Homens mortos, não ramalhetes de flores/Cobriam
os acessos/As muralhas gretadas/As portas altas, os caminhos/Tudo semeado
de mortos/ Nas praças onde se reuniam multidões divertidas/Agora
encontram-se dispersos.../os cadáveres se desfazem, como a gordura
ao Sol."
Poema anônimo – O Lamento de Ur, 2.000 a.C.
A tensão entre os dois vizinhos, o Irã revolucionário-teocrático e o Iraque baazista-secular, foi quase que instantânea. Líderes religiosos mandavam mensagens de Teerã insuflando os xiitas do sul do Iraque a livrarem-se do governante "ímpio" de Bagdá. As ameaças de ambos os lados fizeram com que Saddam Hussein tomasse a iniciativa. Ao mesmo tempo em que isso se dava, o Egito, que até então fora a nação símbolo da emancipação do Oriente Médio, fora expulso da Liga Árabe em 1979, devido a sua política de reconhecimento do Estado de Israel. Fato que atiçou Saddam Hussein a empunhar o bastão da liderança árabe parecendo ao Mundo Sunita como o seu novo campeão numa guerra bem sucedida. Além disso, ao lutar contra o velho inimigo persa, a guerra serviria para forjar um real sentimento patriótico em todos os iraquianos, ao tempo em que projetava a liderança absoluta de Saddam Hussein sobre todo o país.
O botim, o prêmio da guerra, seria a anexação de uns 200 quilômetros da região da fronteira que abrangia o Chatt-al-Arab, o Canal dos Árabes, região rica em petróleo controlada pelos iranianos, área historicamente reivindicada pelo Iraque que ampliaria o seu acesso ao Golfo Pérsico. Num primeiro momento, bem armado e equipado com material bélico soviético, o Iraque, executando um ataque de surpresa em setembro de 1980, com 190 mil homens, 2.200 tanques e 450 aviões, conseguiu penetrar ao longo de toda a fronteira iraniana numa profundidade de 200 quilômetros. Mas não demorou para ser detido por um enorme esforço dos iranianos.
Os aiatolás conseguiram mobilizar milhares de combates, formando a Pasdaran (a Guarda Revolucionária) e os Basijs (voluntários mártires do exército popular), jogando-os em ondas humanas contra as posições iraquianas. A guerra que começara móvel, com tanques e aviões, tornou-se então uma dura luta de trincheiras, uma brutal guerra de atrito. Em 1982, o Iraque, vendo frustrada a sua guerra relâmpago, foi obrigado a recuar. O aiatolá Khomeini não aceitou nenhuma solicitação de trégua e a guerra continuou, ainda que tivesse provocado a morte de 120 mil iranianos e 60 mil iraquianos. Só que a partir de 1984, com a Operação Ramadã desencadeada pelo Irã, ela foi travada no território iraquiano, concluindo com o grande cerco de Basra, feito por meio milhão de iranianos, onde se deu uma das maiores batalhas desde a Segunda Guerra Mundial.
Somente em 1986 com milhares de perdas, é que o Iraque, reforçando seu equipamento bélico, recorrendo inclusive aos gases venenosos, conseguiu reverter o desastre, fazendo que por fim, em agosto de 1988, o Irã, reduzido à inoperância, aceitasse as determinações da resolução 598 da ONU, pondo fim ao longo e mortífero conflito que no total, causou a perda de quase um milhão de iranianos (300 mil mortos e 500 mil feridos) e de 375 mil iraquianos.
1980-82 - Ofensiva do Iraque ao longo da fronteira iraniana.
1982-84 - Contra-ofensiva iraniana, recuo do Iraque para os limites originais.
1984-87 - Guerra de atrito em solo iraquiano. Guerra de trincheiras. Batalha
de Basra.
1987-88 - Contra-ofensiva iraquiana obriga o Irã a aceitar a paz,
assinada em 22 de agosto de 1988.
Mesmo tendo sido bem sucedido no campo de batalha, Saddam Hussein teve um vitória de Pirro. A não ser reforçar sua autoridade sobre o Iraque, nada usufruiu do resultado final de oito anos de terríveis combates, pois não integrou nenhum dos territórios pretendidos. Endividado em 85 bilhões de dólares com as monarquias vizinhas, numa guerra cujos gastos gerais de reconstrução atingiram 230 bilhões de dólares, e só recebendo 14,2 bilhões da conta das exportações, o ditador começou a pressionar o Emirado do Kuwait.
Queria que elevasse os preços do petróleo para o Iraque poder pagar seus compromissos. Exigiu também receber uma vultosa indenização pelas perdas que o Iraque tinha na exploração em conjunto com o Kuwait de certos poços de petróleo em Ramaillah, na embocadura do Golfo Pérsico. Além disso, Saddam Hussein pediu à família Al-Sabat, que domina o Kuwait, que concordasse com uma moratória da dívida iraquiana. Como não foi atendido em nenhum dos dois casos, Saddam Hussein decidiu punir o Kuwait com uma invasão militar, seguida de total ocupação. No dia 2 de agosto de 1990, um exército de cem mil iraquianos adonou-se do Emirado.
Apoiado na resolução nº 678 da ONU - que ordenava ao Iraque a imediata evacuação do Kuwait até o dia 15 de janeiro de 1991 - , o presidente dos Estados Unidos, George Bush mobilizou a opinião publica mundial contra Saddam Hussein. Era indefensável a guerra de anexação que o ditador se lançara. Organizando a Operação Escudo do Deserto, o presidente americano conseguiu a adesão de 28 países na sua campanha anti-Iraque, fazendo também com que as despesas da operação fossem pagas por diversos países interessados na estabilidade do Golfo Pérsico (especialmente o Japão e a Europa Ocidental).
Como Saddam Hussein não podia voltar a trás sob pena de desmoralizar-se frente à coalizão ocidental, (especialmente das tropas anglo-americanas), no dia 17 de janeiro teve início a Operação Tempestade do Deserto. Durante 47 dias, Bagdá e outras cidades importantes do Iraque foram bombardeadas, sendo que o exército iraquiano capitulou no dia 27 de fevereiro depois de um devastador ataque dos anglo-saxãos, sob o comando do general Norman Schwartkopf. Batendo em retirada, Saddam Hussein determinou a destruição e o incêndio de mais de 300 poços de petroleo do Kuwait, o que causou uma descomunal tragédia ecológica no Golfo Pérsico.
A ação bem sucedida dos americanos devia-se a um motivo bem simples. Por razões estratégicas, econômicas e geopoliticas, os Estados Unidos, a única hiperpotência do planeta e o maior consumidor de petróleo do mundo (*), não podiam aceitar que as mais importantes reservas do ouro negro de toda a Terra caíssem no controle de um homem só. A conseqüência direta disso foi que os Estados Unidos resolveram então acampar definitivamente ao redor da Península Arábica, montando bases militares, terrestres, aéreas e navais, nos emirados da região (no Kuwait, no Catar, no Bahrain, no Iêmen e em Omã, e igualmente na Arábia Saudita).
Com a poderosa 6º frota navegando no Mar Mediterrâneo e outra esquadra dominado o Mar Arábico e o Golfo Pérsico, o mundo árabe viu-se cercado por todos os lados. Exatamente por isso, por não retirar suas tropas depois da Guerra do Golfo em 1991, os Estados Unidos se viram alvos de atentados dos fundamentalistas muçulmanos, liderados por Osama Bin Laden, que consideram a presença dos soldados americanos uma profanação ao Ummã, a terra sagrada do Islã.
(*) o consumo de petróleo dos EUA é de 33/barris-dias por habitante. O da Europa é 22 barris/p/habitante e o do Brasil é de 4.

Além de ter estimulado os xiitas no sul e os curdos no norte a rebelarem-se contra Saddam Hussein, os Estados Unidos fizeram com que fossem adotadas severíssimas sanções contra o regime iraquiano, isolando-o do mundo. Duas Zonas de Exclusão Aérea foram fixadas no Iraque, uma no paralelo 33° e outra no paralelo 36°, a pretexto de proteger os curdos e os xiitas de um possível ataque aéreo. Elas se tornaram uma verdadeira camisa de força na qual o Iraque ficou preso. Além disso, o Iraque somente poderia exportar petróleo no valor de 5 a 6 bilhões de dólares/ano, valor insuficiente para atender as necessidades alimentares e as carências gerais da população iraquiana.
Medidas essas que fizeram com que, em dez anos de embargo, de 500 a 600 mil crianças perdessem a vida por falta de assistência e de remédios. E, como humilhação definitiva, o Iraque deveria acolher uma equipe de inspetores da ONU para verificarem e supervisionarem in loco o desmantelamento de todas as possíveis armas de destruição em massa que ainda teriam restado nas mãos do regime de Saddam Hussein (químicas, biológicas ou nucleares). Em 1998, os inspetores da ONU foram denunciados por acolherem em seu meio espiões a serviço da CIA e o Iraque exigiu então que eles fossem expulsos do país. De fato, eles recolheram informações que serviram aos bombardeios pontuais que a aviação anglo-americana continuou fazendo sobre alvos iraquianos nas Zonas de Exclusão Aérea, além de tentarem inutilmente localizar o paradeiro de Saddam Hussein para que um comando especial pudesse vir a assassiná-lo.
Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas do World Trade Center de Nova Iorque e o edifício do Pentágono em Washington foram alvo de um espetacular atentado cometido pelos sahids, os suicidas mártires do grupo Al Qaeda, o Iraque voltou a ordem do dia. O governo do presidente George W.Bush, em nome da “ guerra global contra o terrorismo”, passou a acusar Saddam Hussein de esconder armas de destruição em massa e de desprezar as resoluções da ONU que exigiam o desarme total e completo do país. Alegou que mais tarde ou mais cedo, o ditador alcançaria aquelas armas a grupos terroristas e esse as usariam contra cidadãos americanos. De fato, o grupo de falcões - direitistas chamados de neoconservadores - que faz parte do governo republicano (Donald Rumsfeld, Paul Wolffowitz, Dick Cheney), homens do Pentágono sedentos de vingança, tem planos de recolonizar o Oriente Médio, submetendo toda a região ao controle direto ou indireto dos Estados Unidos.
Depois de que o Conselho de Segurança da ONU negou-se a autorizar uma guerra preventiva contra o Iraque, especialmente pela atuação da França e da Alemanha, por entender que o país não representava nenhum tipo de ameaça aos seus vizinhos, os governos anglo-americanos de George W.Bush e Tony Blair resolveram mesmo assim ir em frente. Concentrando 242 mil soldados no Kuwait, aviões, grandes navios, inclusive cinco porta-aviões, cercando o debilitado Iraque por todos os lados, a ofensiva anglo-americana, iniciada em 19 de março de 2003, não teve dificuldades em, movendo-se diretamente para Bagdá, liquidar com a resistência iraquiana ao completar 25 dias de combates.
A desproporção de forças foi incomensurável. De um lado estavam duas das maiores potências militares do mundo, donas de um arsenal convencional e nuclear capaz de arrasar com a vida no planeta, do outro um empobrecido e debilitado país do Terceiro Mundo sem as mínimas condições de opor uma resistência efetiva. Despejando sobre Bagdá e outras cidades mais de 20 mil bombas e mísseis, o ataque da coligação anglo-americana literalmente pulverizou o regime de Saddam Hussein, deixando que suas cidades fossem submetidas ao saque e a pilhagem por multidões famintas e humilhadas.
A luta contra o terrorismo, pretexto utilizado pelos Estados Unidos na guerra contra o Iraque, tornou-se o grande motivo para que a hiperpotência americana ocupasse militarmente parte do Oriente Médio nos moldes do colonialismo do século 19, ocasião em que um império qualquer daqueles tempos, ocultando seus interesses econômicos ou estratégicos, ocupava um pais do Terceiro Mundo a pretexto de querer civilizá-lo ou dotá-lo de instituições políticas avançadas. Para tanto, o presidente encontrou respaldo na aprovação feita pelo Congresso norte-americano, no ano de 2002, da nova Estratégia da Segurança Nacional, que defende, sem o necessário consentimento de nenhuma organização mundial, o princípio do direito à guerra preventiva. Princípio diga-se, impossível de ser sustentado aos olhos do direito internacional. Entrementes, o Iraque, dividido em três grandes áreas de ocupação, será administrado futuramente, por generais e diplomatas americanos.
Fonte: educaterra.terra.com.br
Protagonistas Estados Unidos e Iraque. Forças da Coalizão: Grã-Bretanha, França, Arábia Saudita, Egito e pequenos contingentes de diversas nações arábes.
Histórico A intenção de Saddam Hussein de a longo prazo controlar as reservas petrolíferas da Península Arábica levou-o a invadir o Kuwait, em 2 de agosto de 1990, numa ação coordenada, iniciada pelo avanço de duas divisões blindadas iraquianas através da fronteira, ataques executados por forças de assalto especiais na capital kuwaitiana, por unidades anfíbias e por helicópteros. Apesar de alguns focos de resistência, os bravos kuwaitianos foram facilmente sobrepujados pela investida furiosa da Guarda Republicana de Saddam. A seguir outras divisões foram enviadas para garantir a ocupação do país vizinho.
A preocupação com a possibilidade de que o Iraque viesse a dominar as principais reservas de petróleo do mundo, inclusive invadindo outros países da região, levaram os Estados Unidos a preparar uma resposta armada, com apoio da ONU e aliados como Grã-Bretanha, França, Egito e Arábia Saudita. As tropas iraquianas então começaram a reforçar suas defesas, cavando profundos fossos anti-tanques, campos minados, trincheiras e extensas cercas de arame farpado nos acessos ao Kuwait. Em novembro de 1990 haviam 430.000 soldados e 4.000 tanques iraquianos naquele teatro de operações. Os americanos, por outro lado, haviam reunido a mais poderosa força militar desde a invasão da Normandia, no dia D em junho de 1944, para por em andamento o plano de liberação do Kuwait, a Operação Tempestade do Deserto.
A batalha começou com intensos bombardeios a alvos estratégicos cuidadosamente escolhidos no Iraque, em 16 de janeiro de 1991, utilizando-se das mais sofisticadas armas do arsenal americano, como bombas guiadas a laser (LGB), mísseis de cruzeiro Tomahawk (290 mísseis disparados com 242 acertos) e os caças F-117 Night Hawk (stealth), com o intuito de quebrar a cadeia de comando dos iraquianos, destruir centros de comunicação (17 destruídos de um total de 26), usinas elétricas ( 50% ficaram inoperantes), pontes, bases aéreas (pistas inutilizadas e 70 abrigos aniquilados), lançadores de mísseis Scud e as baterias de mísseis anti-aéreos. No final de janeiro, os aliados tinham o controle incontestável do espaço aéreo e do mar e haviam cortado boa parte das linhas de suprimento das tropas iraquianas de ocupação. Esperando um ataque anfíbio em grande escala, o Exército iraquiano concentrou suas forças junto ao litoral, deixando as tropas da Guarda Republicana na retaguarda.
A estratégia dos Aliados, no entanto, consistia em criar tantas frentes de penetração que o inimigo não saberia de onde viria o ataque principal, até ser tarde demais para reagir. Desviando-se dos pontos fortificados dos iraquianos, atacando pelos flancos para isolar o adversário, as tropas aliadas, iniciaram a grande ofensiva em 24 de fevereiro de 1991, com as Forças Árabes e os Marines á esquerda da linha de frente, a 1a.Div.Cavalaria, o 7° Corpo de Exército, o 3° Regimento Blindado, a 24a. Div.Infantaria e as 82a. e a 101a. Div.Aerotransportadas à direita. A cidade de As Salman, defendida pela 45a. Div.Inf.iraquiana, foi liberada numa atuação fulminante de tropas francesas e americanas (82a.), com apoio de helicópteros de ataque e tanques, fazendo 2.900 prisioneiros. Os marines da 1a.Divisão conseguiram dominar a área dos campos petrolíferos de Burgan, apesar dos tanques T-72 iraquianos e do ar empregnado de petróleo dos poços incendiados pelo inimigo. No setor do 7° Corpo, britânicos e americanos avançaram pelas brechas da linha defensiva, conhecida como Linha Saddam, e em Busayya enfrentaram a 12a.Div.Blindada iraquiana, destruindo 200 tanques, 100 veículos blindados, 100 peças de artilharia e fazendo 5.000 prisioneiros. O clímax da guerra viria ao longo da chamada linha 73 norte-sul, onde de 26 a 28 de fevereiro, o 7° Corpo dizimou a Guarda Republicana, tropa de elite que apesar dos intensos ataques aéreos ainda tinha 75% de seu poderio intacto.
Percebendo a derrota próxima, Saddam ordenou que as tropas que restavam no Kuwait batessem em retirada, mas foram emboscados ao longo da rodovia que leva a Basra, numa ação em que durante horas os pilotos aliados destruiram centenas de veículos com uma precisão devastadora. O local ficou conhecido como "Rodovia para o Inferno". No início de março de 1991, americanos e iraquianos se reuniram em Safwan, um lugar isolado no meio do deserto, para discutir os termos da rendição do Iraque.
Principais forças envolvidas Estados Unidos: 82a. e 101a.Div.Aerotransportada; 3° Regimento de Cav.Blindada; 24a. Div.Inf. Mecanizada; 45.000 marines; 719 aviões de combate de diversos tipos; cerca de 200 helicópteros de ataque e transporte; 120 navios de guerra; unidades das forças especiais Rangers, Boinas Verdes e SEAL.
Iraque: 570.000 soldados ( 4 Div.Mec., 9 Div.Blindadas e 29 Div.Inf.); 4.500 tanques (3.847 destruídos); 2.880 veículos blindados (1.450 destruídos); 3.257 peças de artilharia (2.917 destruídas); 500 aviões de combate.
Principais batalhas Batalhas de As Salman, dos campos petrolíferos de Burgan, de Busayya, da Linha 73 norte-sul e de Medina Ridge.
Resultado final Rendição incondicional do Iraque (com atraso de pelo menos 10 anos em sua capacidade de produzir armas de destruição em massa e eliminação de seu poderio ofensivo), libertação do Kuwait, criação da zona de exclusão aérea ao sul do Iraque e embargo econômico. Mas Saddam Hussein continuava vivo e governando o país.
Fonte: www.militarypower.com.br
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