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Batalha de Itororó

"Quando resolvi o movimento que levou o exército a Santo Antônio, ordenei ao general Argolo, depois Visconde de Itaparica, logo que pusesse pé em terra, mandasse ocupar a ponte de Itororó. S Excia, seguiu, embarcado, às 2 horas da noite, com a sua vanguarda, do ponto em que nos achávamos no Chaco, em direção a Santo Antônio, e eu com o Sr General, perguntei-lhe imediatamente: "Já está ocupada a ponte de Itororó?" Respondeu-me: "Não". "Por quê?". Repliquei. Soube então que não era possível ocupar a ponte sem se fazer um reconhecimento, mas que não se tinha desembarcado cavalaria suficiente para empreender essa operação. Mandei marchar a pouca cavalaria que havia em terra, adicionando-lhe dois batalhões de infantaria. Quando essa força chegou a seu destino, já achou a ponte ocupada pelo inimigo.

A posição era terrível, ninguém conhecia o terreno, eram 4 para 5 horas da tarde, por isso julguei conveniente não atacar logo. Tinha de atravessar espêssa mata, onde o inimigo podia estar oculto, e ignorava-se até de que força dispunha além da mata. Mandei retroceder essa vanguarda e ordenei o ataque para o dia seguinte:"

Guardava a ponte o General Cabalero, com 6 Batalhões de Infantaria, 5 Regimentos de Cavalaria e 12 peças de Artilharia.

Alvoreceu o 6 de dezembro de 1868. O Exército iniciou o movimento para Sul.

"A estrada era estreita, bordada de capoeirões e pequenos campestres, e ligeiramente acidentada. Levava a uma ponte sobre Itororó".

Este riacho:

"verdadeira torrente, deslizava por entre muros de rochedos e teria nesse passo de 3 a 4 metros de largura por 4 ½ de profundidade. A ponte tosca, de madeira forte, apresentava uma largura de três metros. Ao alcançarmos o alto, o inimigo, cuja artilharia dominava a ponte do arroio Itotoró, rompeu fogo sobre a vanguarda. Travou-se o combate".

A violência revela-se extraordinária. Num corpo a corpo que durou horas, sucedem-se os ataques e os contra-ataques consecutivos, sem intervalos, um após outro, de lado a lado, num fluxo e refluxo de imprevisíveis conseqüências.

Morre o coronel Fernando Machado. As margens e a ponte estão cobertas de cadáveres.

O general Argolo, comandando um contra-ataque, cai gravemente ferido em plena ponte.

É quando os paraguaios lançam violento contra-ataque.

"Caxias vislumbra rapidamente a influência deste lance sobre o resultado final da jornada"

Comandando, pessoalmente, a Reserva, O Marechal desembainha a espada, galopa para a ponte, numa atitude que arrebata, e grita às suas tropas:

"- Sigam-me os que forem brasileiros!"

Conta Dionísio Cerqueira, que participou da ação:

"Passou pela nossa frente, animado, erecto no cavalo, o boné de capa branca com tapanuca, de pala levantada e presa ao queixo pelo jugular, a espada curva, desembainhada, empunhada com vigor e presa pelo fiador de ouro, o velho general em chefe, que parecia ter recuperado a energia e o fogo dos cinte anos. Estava realmente belo. Perfilâmo-nos como se uma centelha elétrica tivesse passado por todos nós. Apertavámos o punho das espadas, ouvia-se um murmúrio de bravos ao grande marechal. O batalhão mexia-se agitado e atraído pelo nobre figura, que abaixou a espada em ligeira saudação a seus soldados. O comandante deu a voz firme. Daí há pouco, o maior dos nossos generais arrojava-se impávido sobre a ponte, acompanhado dos batalhões galvanizados pela irradiação da sua glória. Houve quem visse moribundos, quando ele passou, erguerem-se brandindo espadas ou carabinas, para caírem mortos adiante"

Passada a ponte, Caxias comanda pessoalmente a carga final e se apodera da posição.

Fonte: www.exercito.gov.br

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