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Guerra do Paraguai

Maior conflito da história da América do Sul, entre o Paraguai e uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. A guerra dura de 1865 a 1870 e dizima quase dois terços da população paraguaia.

As disputas pela estratégica região do rio da Prata nascem nas guerras de independência e transformam-se em luta pela hegemonia regional. Além dos interesses econômicos em torno da navegação no Prata, a questão é usada pelos caudilhos das repúblicas platinas e pelas elites dirigentes do império brasileiro para consolidar seu poder interno.

A rivalidade entre o Brasil e a Argentina na região é agravada pela determinação do Paraguai de participar da disputa regional.

Antecedentes imediatos

Em 1851, com a alegação de que os blancos uruguaios, compostos principalmente de proprietários rurais, estariam atacando e pilhando fazendas e estâncias na fronteira gaúcha, o império brasileiro intervém no Uruguai para derrubar o governo de Manuel Oribe, do Partido Blanco, apoiado pelos argentinos.

No ano seguinte, o Brasil invade o território argentino para destituir o ditador Manuel Rosas. Em 1864, os brasileiros voltam a atacar o governo blanco do Uruguai, agora chefiado por Atanásio Aguirre.

Intervenção paraguaia

Aguirre é apoiado pelo presidente paraguaio Francisco Solano López, que reivindica os mesmos direitos dos países vizinhos quanto à navegação e ao comércio no rio da Prata. Em 11 de novembro de 1864, López manda apreender o navio brasileiro Marquês de Olinda, em trânsito pelo rio Paraguai. Em dezembro declara guerra ao Brasil e ordena a invasão da província de Mato Grosso.

O primeiro ano da guerra é de ofensiva paraguaia, sustentada pela surpresa da iniciativa, pela boa estrutura produtiva e pela eficiente preparação militar. Os paraguaios abrem várias frentes de guerra na fronteira com o Brasil, de Mato Grosso ao Rio Grande do Sul.

Contando com a neutralidade da Argentina, López cruza seu território e entra no Rio Grande. Seu objetivo é chegar ao Uruguai e, com o apoio dos blancos, estabelecer uma sólida posição.

Tríplice Aliança

A estratégia começa a falhar em maio de 1865, quando Brasil, Argentina e Uruguai firmam o Tratado da Tríplice Aliança.

A partir daí, o império brasileiro passa ao contra-ataque: adquire canhões e navios no exterior, intensifica o recrutamento de soldados e convoca batalhões de "voluntários da pátria", na maioria pobres, mulatos e negros.

Em 11 de junho, as esquadras dos almirantes Tamandaré e Barroso destroem a frota paraguaia na Batalha do Riachuelo. Em 18 de setembro, tropas paraguaias rendem-se em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, na presença do imperador dom Pedro II.

Solano López recua da estratégia ofensiva e concentra as forças em torno do sistema de fortalezas que resguardam o território paraguaio, como as de Curupaiti, Humaitá e Curuzu. Em 1866, as primeiras divisões de soldados aliados, comandadas pelo general argentino Bartolomeu Mitre, invadem o Paraguai.

A contra-ofensiva da Tríplice Aliança cresce em 1867 e 1868, sob o comando dos brasileiros Manuel Luís Osório e Luís Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias.

De julho a dezembro de 1868, os Aliados vencem os paraguaios em Curupaiti, Humaitá, Itororó, Lomas Valentinas e Angostura.

Em janeiro de 1869 entram em Assunção, capital do Paraguai. Solano López retira-se para o norte do Paraguai, onde resiste até ser assassinado em Cerro Corá, em 1º de março de 1870.

Fonte: www.geocities.com

Guerra do Paraguai

Política Externa do II Reinado e a Guerra do Paraguai (1865-1870)

Origens da Guerra

Os interesses em conflito

Durante cinco anos, o Brasil, a Argentina e o Uruguai, apoiados financeiramente pela Inglaterra, fizeram uma guerra suja, que tinha por meta a destruição do Paraguai. Esse confronto militar ficou conheci­do como Guerra do Paraguai e foi a mais longa e sangrenta das guerras ocorridas na América do Sul.

Os motivos dessa guerra foram muito com­plexos, pois abarcaram inúmeros interesses, que, por fim, acabaram voltando-se contra o Paraguai. O terreno para compreender a origem do conflito é o Prata, durante o processo de in­dependência da região.

A origem dos países platinos

A Argentina, o Uruguai e o Paraguai faziam parte do Vice-reino do Prata, uma possessão espanhola.

Em 1810, quando a Argentina proclamou a sua independência --- posteriormente reafirma da em 1816 no Congresso de Tucumán -, deu­se o primeiro passo no sentido da independência total do Prata da dominação espanhola.

Em 1811, José Gaspar Rodríguez Francia proclamou a independência do Paraguai. Mais tarde, em 1828, o Uruguai libertou-se do Brasil, formando um outro país independente. Com isso, desfez-se a antiga unidade do Prata.

A fragmentação do antigo Vice-reino não estava, contudo nos planos dos poderosos comerciantes de Buenos Aires, que esperavam manter a unidade sob sua direção. Isso equivalia a dominar e anexar o Paraguai e o Uruguai.

O Paraguai, considerado por Buenos Aires uma província argentina, tinha motivos de sobra para temer por sua independência. Situa­do no interior do Prata, sem acesso direto ao mar, encontrava-se à mercê de Buenos Aires, que controlava o estuário. É fácil perceber que, para o Paraguai, o direito de navegar com segurança e a garantia de manter aberta a sua comunicação com o exterior eram questões vitais.

Os ditadores paraguaios

Por tudo isso, o Paraguai era um país vulnerável. Bastaria bloquear o estuário do Prata ou qualquer trecho do rio Paraná para que o seu isolamento do resto do mundo fosse completo. Assim, desde a sua independência, o Paraguai desenvolveu uma política voltada para dentro, a fim de depender o mínimo possível do exterior. Essa política foi inaugurada por Francia (1811-1840) e aprimorada por Carlos Antonio López (1840­1862) e seu filho e sucessor Francisco Solano López (1862-1870). Foram esses os três ditadores que imprimiram ao Paraguai uma direção histórica peculiar.

O modelo paraguaio

Francia compreende­ra muito cedo que o desenvolvimento do Paraguai com base numa economia exportadora daria muitos poderes aos grandes proprietários rurais e à burguesia mercantil. De­pendendo do mercado externo, dependeria igualmente de Buenos Aires, pois a produção teria que ser embarcada ali, com o devido pagamento de taxas. Os grandes proprietários e comerciantes paraguaios fariam então concessões a Buenos Aires, tendo em vista seus interesses particulares, mesmo à custa da soberania do país. Grandes proprietários e comerciantes podiam ser considerados, portanto, aliados em potencial de Buenos Aires; conseqüentemente, eram categorias sociais perigosas para a segurança do Estado. Esse era o ponto de vista de Francia.

Entende-se, assim, por que Francia optou por um modelo econômico voltado para dentro, com ênfase ao mercado interno. Para enfrentar o desafio, Francia estimulou as pequenas e médias propriedades dirigidas à produção de alimentos para o consumo local; confiscou, depois de lutas, as propriedades dos grandes empresários rurais e monopolizou o comércio exterior.

A essa combinação de pequenas propriedades e economia com elevado grau de estatização correspondeu, no âmbito político, um poder despótico e ditatorial.

Portanto, os traços que fizeram a originalidade paraguaia foram: pequena propriedade, estatização e ditadura.

Lembremos apenas que a solução foi uma resposta à ameaça dos portenhos (habitantes de Buenos Aires) contra a independência paraguaia, e não se deve concluir que o modelo de desenvolvimento econômico foi livre opção de ditadores afeiçoados ao povo. É inegável que o povo foi beneficiado, mas isso ocorreu como efeito indireto de uma política apoiada na "razão de Estado”.

Os sucessores de Francia

Depois de ter governado por trinta anos, Francia foi sucedido por Carlos Antonio López, que se preocupou em desenvolver a indústria. Em vez de consumir divisas obtidas com as exportações de couro e erva-mate e com a importação de manufaturas, o novo ditador tratou de equipar tecnicamente o país, visando a produção interna. A criação da fundição de Ibicuí foi a mais famosa dessas iniciativas. Ao lado disso, estudantes paraguaios eram mandados para o exterior e técnicos estrangeiros eram contratados. Com Solano López chegou ao fim essa experiência original. A guerra destruiu o país, que, embora não houvesse atingido um nível europeu de desenvolvimento, tinha praticamente eliminado a miséria. Quando a guerra começou, o analfabetismo era praticamente desconhecido no Paraguai.

O Confronto

As tensões no Prata

O Brasil e a Argentina eram os dois países mais poderosos com interesses diretos na bacia do Prata e tinham no Uruguai um ponto muito sério de atrito.

A situação da guerra civil uruguaia entre blancos (apoiados pela Argentina) e colorados (apoiados pelo Brasil), que se vinha arrastando desde 1850, despertou profundas preocupações no Paraguai.

Do ponto de vista paraguaio, a independência do Uruguai era a melhor garantia para manter livre o trânsito no estuário do Prata. Qual­quer outra solução punha em risco a única saí­da do Paraguai para o mar. E isso era considera­do intolerável.

O motivo imediato da guerra foi a intervenção do Império brasileiro em favor de Venâncio Flores, chefe colorado no Uruguai. Esse fato desfez o equilíbrio de forças no Prata, alarmando o Paraguai, que se sentiu diretamente ameaçado pelo Império brasileiro. Em represália, no dia 11 de novembro de 1864, Solano López ordenou que fosse apreendido no rio Paraguai o navio brasileiro Marquês de Olinda, que conduzia o presidente da província de Mato Grosso, fazendo-o prisioneiro. Sem perda de tempo, as relações com o Brasil foram rompidas e já no mês de dezembro o Mato Grosso foi invadido. Em março de 1865 as tropas de Solano López penetraram em Corrientes (Argentina), visando o Rio Grande do Sul e o Uruguai.

A firme e fulminante iniciativa de López, pro­curando o rápido domínio do sul de Mato Grosso, de Corrientes, do Rio Grande do Sul e do Uruguai, mostrou que o ditador paraguaio tinha um plano prévio e definido. Esse projeto era o de transformar o Paraguai numa potência continental hegemônica - o Paraguai Maior - que teria por base o território das antigas missões jesuíticas.

Além disso, a pronta mobilização de 64 mil homens, contra os 18 mil do Brasil e os mil do Uruguai, demonstrou que o Paraguai não estava improvisando em matéria militar. É o que sugere a conclusão de que, além da política visando a auto-suficiência econômica para diminuir o grau de vulnerabilidade, os ditadores paraguaios não haviam descuidado de um preparo militar adequado.

O Significado da Guerra

Em 1864, diante das agressivas e decididas ofensivas, estava claro que o Paraguai havia se transformado, à sombra da ri­validade entre Brasil e Argentina, numa potência respeitável e desafiadora.

A política iniciada por Francia estava dando os seus frutos: uma economia sólida e uma força militar considerável.

Mas foi precisamente devido ao êxito dessa política que se alterou a correlação de forças na região, favorecendo a aliança entre Brasil e Argentina, que esqueceram momentaneamente suas diferenças a fim de impedir a emergência de uma terceira potência no Pra­ta.

E isso interessava também a um outro país: a Inglaterra.

O Brasil e a Argentina estavam perfeitamente integrados à ordem mundial, dominada pela Inglaterra. Não era o caso do Paraguai, que adotara uma política de pouca dependência em relação ao exterior.

Já por isso, era razoável supor que a Inglaterra tomaria partido dos países que, em 1° de maio de 1865, formaram a Tríplice Aliança: Brasil, Argentina e Uruguai. Havia outros motivos ainda.

Quando a Guerra do Paraguai começou, em 1865, a Inglaterra acabara de aprender a lição com a Guerra de Secessão (1861-1865) dos Estados Unidos: a de que não deveria de­pender de um único fornecedor. A Inglaterra importava algodão, que era a matéria-prima de seu principal ramo industrial - a fabricação de tecidos -, dos estados sulistas norte­americanos. Com a Guerra de Secessão, o fluxo de matéria-prima foi interrompido, ameaçando a indústria têxtil inglesa.

Assim, a Inglaterra começou a buscar a diversificação de suas fontes de suprimentos. Nesse quadro, países como o Paraguai, fechados para o mercado externo, estavam fora de cogitação. Por isso, a destruição do sistema vigente no Paraguai harmonizava-se com a nova política inglesa.

Com esse propósito, a Inglaterra sustentou financeiramente a Tríplice Aliança contra o Paraguai e foi a principal beneficiada pela sua derrota.

O exército brasileiro

Apesar de sua imensidão territorial e densidade populacional, o Brasil tinha um exército mal-organizado e muito pequeno. E, na verdade, tal situação era reflexo da organização escravista da sociedade, que, marginalizando a população livre não proprietária, dificultava a formação de um exército com senso de responsabilidade, disciplina e patriotismo. Além disso, o serviço militar era visto como um castigo sempre a ser evitado e o recrutamento era arbitrário e violento.

Um reforço era, portanto, necessário.

Para enfrentar o Paraguai, recorreu-se à Guarda Nacional e à formação dos Voluntários da Pátria, organizados em batalhões que incluíam maciçamente negros alforriados.

Vitória dos aliados

Foi no setor naval que o Brasil, mais bem preparado, ' infligiu, logo no primeiro ano de guerra, uma pesada derrota aos paraguaios na batalha do Riachuelo, sob o comando do almirante Barroso.

No ano seguinte, 1866, as forças aliadas procuraram invadir o território paraguaio, tentando desfazer o forte esquema defensivo montado por Solano López na confluência dos rios Paraguai e Paraná. Ali os paraguaios sofreram nova derrota na batalha de Tuiuti. Nesse mesmo ano de 1866, desentendi­mentos entre Venâncio Flores (Uruguai) e Mitre (Argentina) fizeram ambos se retirarem do combate, deixando o Brasil praticamente sozinho na guerra.

No final de 1866, ainda um outro evento importante aconteceu: o co­mando das tropas brasileiras foi entregue a duque de Caxias, que organizou o exército, dando-lhe novo alento.

Em 1867, a atuação de Caxias no exército se fez notar com o isolamento da fortaleza de Humaitá, principal ponto de defesa paraguaia, na confluência dos rios Paraguai e Paraná.

No ano seguinte, 1868, finalmente, caiu a resistência paraguaia em Humaitá. Novas vitórias de Caxias ocorreram nas batalhas de Avaí, Itororó e Lomas Valentinas.

No ano de 1869, Caxias finalmente chegou a Assunção, enquanto Solano López recuava para Peribebuí, depois para Cerro-Corá, onde resistiu até 1° de março de 1870, quando foi derrotado e morto.

O estabelecimento da paz

Embora a guerra tenha terminado em 1870, os acordos de paz entre os quatro países não foram concluídos de imediato. As negociações foram obstadas pela recusa argentina em reconhecer a independência paraguaia, o que foi feito somente na Conferência de Buenos Aires, em 1876, quando a paz foi definitivamente estabelecida.

Conseqüências da guerra

Naturalmente, o país que mais sofreu com a guerra foi o Paraguai, que teve seu território devastado e sua população dizimada, marcando profundamente sua história a partir daí.

Para o Brasil, que sustentou praticamente sozinho a guerra, as conseqüências foram também desastrosas.

De fato, a monarquia teve de concentrar esforços para vencer o Paraguai, e isso contribuiu em grande parte para trazer à tona as contradições do Império brasileiro: a escravidão, que até então se mantinha como sua mais sólida base, começou a ser contestada com grande intensidade. Ao mesmo tempo, ao se fortalecer, o Exército, que então superou a tradicional Guarda Nacional, tomou consciência de seu poder, recusando as lideranças civis que ocupavam as pastas militares. Assim, na Guerra do Paraguai, embora o Brasil tenha saído vitorioso, a monarquia foi derrotada.

Seu declínio foi concomitante à guerra, e as críticas atingiram o seu ponto vital: a escravidão. Por essa brecha que se abriu, os ideais republicanos se propagaram.

Evolução Política do Brasil durante a Guerra do Paraguai

As modificações no cenário político

Bem antes da Guerra do Paraguai, criou-se no Brasil o cargo de presidente do Conselho de Ministros, em 1847, que dera origem ao nosso "parlamentarismo às avessas”. Dessa data, até a guerra, os dois partidos - Liberal e Conservador - vinham regularmente se alternando no poder. A vida política continuou bastante agitada. No Segundo Reinado foram formados 36 gabinetes ou ministérios, geralmente de curta duração, e por nove vezes a Câmara foi dissolvida pelo imperador.

Contudo, as rivalidades entre liberais e conservadores que deram origem a essas mudanças de gabinete, como já menciona­mos, não eram profundas porque os partidos se entendiam no essencial: ambos eram escravistas.

Discordavam apenas quanto à forma da organização administrativa: os conservadores eram acentuadamente centra­listas, ao passo que os liberais inclinavam-se pela descentralização. Graças a essa identidade de princípios, através de um acordo, liberais e conservadores começaram a governar juntos, inaugurando a era da conciliação em 1853, que perdurou até 1868.

A conciliação

A era da conciliação iniciou­se com Honório Carneiro Leão - marquês de Paraná -, que formou o chamado Ministério da Conciliação, em 1853, composto tanto por liberais quanto por conservadores.

A conciliação caracterizou-se pela alternância pacífica entre liberais e conservadores, que adotavam a mesma política, tanto no governo quanto na oposição.

Porém, já por volta de 1860, a situação do país começava a se modificar. De um lado, a expansão cafeeira estava transformando a feição do Brasil e, de outro, a abolição do tráfico negreiro em 1850 havia colocado a escravidão em xeque. Por fim, a eclosão da Guerra do Paraguai (1865-1870) pôs fim ao clima de entendimento político.

Um dos sintomas da crise da política de conciliação foi a criação da Liga Progressista (1861), por um grupo de conservadores que evoluíram para uma posição moderadamente liberal, que, no entanto, se dissolveu em 1864. Paralelamente, ressurgiram tendências políticas mais radicais que iriam desembocar, futuramente, na fundação do Partido Republicano.

Com a radicalização das posições políticas, o imperador interferiu pessoalmente a favor dos conservadores.

D. Pedro II havia colocado o marquês de Caxias na direção da guerra contra o Paraguai. Caxias, entretanto, desentendeu-se com o Gabinete de Conciliação chefiado por Zacarias de Góis. O imperador resolveu, então, compor um gabinete totalmente afinado com Caxias - um conservador -, rompendo com o espírito da conciliação. Com a queda do Gabinete Zacarias, em 1868, encerrou-se, portanto, a era da conciliação.

Daí para a frente, as facções políticas ten­deram à radicalização. Depois de 1870, com o fim da Guerra do Paraguai, o republicanismo ganhou um grande impulso, na mesma medi­da em que a monarquia foi se debilitando. Es­tava preparado o terreno para a queda da monarquia.

Bibliografia

História do Brasil - Luiz Koshiba - Editora Atual
História do Brasil - Bóris Fausto - EDUSP

Fonte: www.culturabrasil.pro.br

Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito da América do Sul. Nela morreram 75,75% dos paraguaios, sendo 99,5% dos homens adultos do Paraguai. Para custear sua participação na guerra, o Império do Brasil aumentou 45 vezes seus empréstimos dos banco ingleses. Ainda hoje se questiona porque o maior conflito da nossa história permanece ignorado pela historiografia oficial e por boa parte dos historiadores brasileiros. Entre alguns dos motivos está o fato de ter sido uma guerra de interesses escusos, com o Brasil e seus aliados fazendo o jogo do imperialismo inglês, interessado em manter intocado sua hegemonia na América do Sul.

O Paraguai antes da guerra, teve um desenvolvimento diferenciado em relação ao dos outros países sul-americanos, especialmente durante os anos de 1813 a 1862, iniciado após 14 de maio de 1811, quando se libertou da Espanha. O governo controlava o comércio exterior. O mate, o fumo e as madeiras raras exportados mantinham a balança comercial com saldo positivo. O Paraguai adotava uma política protecionista, isto é, de evitar a entrada de produtos estrangeiros, por meio de impostos elevados. Defendia o mercado interno para a pequena indústria nacional, que se desenvolvia com base no fortalecimento da produção agrícola.

Francisco Solano López assumiu o governo em 1862 e deu prosseguimento à política de seus antecessores.O crescimento econômico exigia contatos com o mercado internacional. O governo de Solano López pretendia criar o chamado Paraguai Maior, com a inclusão de uma faixa do território brasileiro que ligasse o Paraguai ao litoral. López incentivou a indústria de guerra, mobilizou grande quantidade de homens para o Exército e construiu fortalezas na entrada do rio Paraguai.

Desde que o Brasil e a Argentina se tornaram independentes, a luta entre os dois países pela hegemonia na Bacia do Prata foi intensa. O Brasil chegou a entrar em guerra com a Argentina duas vezes.

O governo de Buenos Aires pretendia reconstituir o território do antigo Vice-Reinado do Rio da Prata, anexando o Paraguai e o Uruguai. Realizou diversas tentativas nesse sentido durante a primeira metade do séc. XIX, sem obter êxito. Temendo o fortalecimento da Argentina, o Brasil ajudava o Paraguai e o Uruguai a conservarem sua soberania.

Em abril de 1864, o Brasil enviou ao Uruguai uma missão chefiada pelo conselheiro José Antônio Saraiva para exigir o pagamento dos prejuízos causados a fazendeiros gaúchos por fazendeiros uruguaios. O presidente do Uruguai, Atanásio Aguirre, recusou-se a atender às exigências brasileiras.

Solano López ofereceu-se como mediador, mas não foi aceito. Rompeu então relações diplomáticas com o Brasil, em 1864, e divulgou um protesto afirmando que a ocupação do Uruguai por tropas do império Brasileiro seria um atentado ao equilíbrio dos Estados do Prata. Em outubro, as tropas brasileiras invadiram o Uruguai. Os partidários de Venancio Flores uniram-se às tropas brasileiras para depor Aguirre.

No dia 12 de novembro de 1864, o vapor paraguaio Tacuari apresou o navio brasileiro Marquês de Olinda, que atravessava o território paraguaio rumo a Mato Grosso. No dia 13 de dezembro, o Paraguai declarava guerra ao Brasil. Três meses mais tarde, em 18 de março de 1865, declarava guerra à Argentina. O Uruguai solidarizou-se com o Brasil e a Argentina.

Em 1º de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança, contra o Paraguai.

As forças militares da Tríplice Aliança não chegavam a um terço das paraguaias. A infantaria brasileira era formada pelos chamados Voluntários da Pátria, cidadãos que se apresentavam para lutar.

Durante a primeira fase da guerra, a iniciativa esteve com os paraguaios. Os Exércitos de López definiram as três frentes de batalha iniciais invadindo Mato Grosso, em dezembro de 1864, e, nos primeiros meses de 1865, o Rio Grande do Sul e a província argentina de Corrientes.

Na Bacia do Prata quase não havia estradas. Quem controlasse os rios ganharia a guerra. Em 11 de junho de 1865, travou-se a Batalha Naval do Riachuelo, na qual a esquadra comandada pelo chefe-de-divisão Francisco Manuel Barroso da Silva derrotou a esquadra paraguaia. Ela praticamente decidiu a guerra em favor da Tríplice Aliança.

Enquanto López ordenava o recuo das forças que haviam ocupado Corrientes, o corpo de tropa paraguaio que havia invadido São Borja avançava, tomando Itaqui e Uruguaiana. Uma divisão que dele se havia separado e marchava em direção ao Uruguai foi derrotada por Flores no sangrento combate de Jataí. Nessa altura, as tropas aliadas estavam-se reunindo, sob o comando de Bartolomeu Mitre, na província argentina de Entre Ríos. Os paraguaios renderam-se no dia 18 de setembro de 1865.

A Invasão do Paraguai foi feita seguindo o curso do rio Paraguai. Durante mais de dois anos, o avanço dos invasores foi bloqueado naquela região, apesar das primeiras vitórias da Tríplice Aliança.

Em julho de 1866, o marechal-de-campo Manuel Luís Osório passou o comando do 1° Corpo de Exército brasileiro ao general Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Na mesma época, chegava ao teatro de operações o 2° Corpo de Exército, trazido do Rio Grande do Sul pelo barão de Porto Alegre.

Para abrir caminho até Humaitá, a maior fortaleza paraguaia, Mitre determinou o ataque às baterias de Curuzu e Curupaiti. Curuzu foi tomada de surpresa pelo barão de Porto Alegre, mas Curupaiti resistiu ao ataque. Este ataque fracassado deteve o avanço dos aliados.

Designado em outubro de 1866 para o comando das forças brasileiras, o marechal Luís Alves de Lima e Silva, marquês e, posteriormente, duque de Caxias, chegou ao Paraguai em novembro, encontrando o Exército praticamente paralisado.

Entre novembro de 1866 e julho de 1867, Caxias organizou um corpo de saúde e um sistema de abastecimento das tropas.

A marcha de flanco pela ala esquerda das fortificações paraguaias constituía a base tática de Caxias: ultrapassar o reduto fortificado paraguaio, cortar as ligações entre Assunção e Humaitá e submeter esta última a um cerco. Com este fim, Caxias iniciou a marcha em direção a Tuiu-Cuê. Mas Mitre, que havia voltado ao comando em agosto de 1867, insistia no ataque pela ala direita. Por sua ordem, a esquadra brasileira forçou a passagem de Curupaiti, mas foi obrigada a deter-se diante de Humaitá.

Surgiram novas divergências no alto comando: Mitre desejava que a esquadra prosseguisse, enquanto os brasileiros eram favoráveis ao cerco por terra de Humaitá. As vitórias de São Solano, Pilar e Tayi iriam tornar possível este cerco, isolando Humaitá de Assunção. Como reação, López atacou a retaguarda dos aliados em Tuiuti, sofrendo nova derrota.

Com o afastamento definitivo de Mitre, em janeiro de 1868, Caxias reassumiu o comando supremo e determinou a passagem de Curupaiti e Humaitá, realizadas com êxito pela esquadra. Humaitá caiu em 25 de julho, após demorado cerco.

Rumo a Assunção, o Exército de Caxias marchou 200 km até Palmas. Ali, López havia concentrado 18 mil paraguaios. Enquanto a esquadra forçava a passagem, Caxias fez o Exército atravessar para a margem direita do rio. As tropas avançaram em direção ao nordeste. Na altura de Villeta, o Exército cruzou novamente o rio. Em vez de avançar para a capital, Caxias marchou para o sul e iniciou a dezembrada, uma série de vitórias obtidas em dezembro de 1868.

No dia 24 de dezembro, os comandantes da Tríplice Aliança (Caxias, o argentino Gelly y Obes e o uruguaio Enrique Castro) enviaram uma intimação a Solano López para que se rendesse. Mas López recusou-se a ceder e fugiu. Assunção foi ocupada em 1° de janeiro de 1869 por forças comandadas pelo coronel Hermes Ernesto da Fonseca.

O genro do imperador Dom Pedro II, Luís Filipe Gastão de Orléans, conde d'Eu, foi nomeado para dirigir a fase final das operações militares no Paraguai. À frente de 21 mil homens, chefiou a campanha contra a resistência paraguaia, que se prolongou por mais de um ano. Dois destacamentos foram enviados em perseguição ao presidente paraguaio. No dia 1° de março de 1870, as tropas surpreenderam o último acampamento paraguaio em Cerro Corá, onde Solano López foi ferido a lança e depois baleado.

RESULTADOS DA GUERRA

A questão dos limites entre o Paraguai e a Argentina foi arbitrada pelo presidente norte-americano Rutherford Birchard Hayes. O Brasil assinou um tratado de paz em separado com o Paraguai, em 9 de janeiro de 1872, obtendo a liberdade de navegação no rio Paraguai. Foram confirmadas as fronteiras reivindicadas pelo Brasil antes da guerra.

O Paraguai sofreu uma violenta redução de sua população. As aldeias destruídas pela guerra foram abandonadas, e os camponeses sobreviventes migraram para os arredores de Assunção, dedicando-se à agricultura de subsistência. As terras das outras regiões foram vendidas a estrangeiros, principalmente a argentinos, e transformadas em latifúndios. A indústria entrou em decadência.

O mercado paraguaio abriu-se para os produtos ingleses, e o país se viu forçado a contrair seu primeiro empréstimo no exterior: um milhão de libras da Inglaterra.

A Argentina foi a principal beneficiada com a guerra. Anexou parte do território paraguaio e tornou-se o mais forte dos países do Prata.

O Brasil pagou um preço alto pela vitória. Durante os cinco anos de lutas, as despesas do império chegaram ao dobro de sua receita, provocando uma crise financeira. Por outro lado, o Exército brasileiro passou a ser uma força nova e expressiva dentro da vida nacional.

Fonte: www.pedalnaestrada.com.br

Guerra do Paraguai

Guerra do Paraguai dizimou a grande maioria da população do país

Desde a primeira metade do século XIX, o Paraguai investe no desenvolvimento econômico auto-suficiente.

Sem as marcas da escravidão, sua população tem um alto índice de alfabetização.

A autonomia do país desafia o imperialismo britânico na América. Em 1862, Francisco Solano López, sucessor de Carlos Antonio López no governo, investe na organização militar.

Guerra do Paraguai
Os três chefes de Estado do Uruguai, Brasil e Argentina,
numa caricatura da revista A Semana Ilustrada, 1865

Tendo em vista a necessidade de exportar excedentes de produção, era imprescindível a ruptura da política paraguaia de isolamento em relação aos demais países, assim como a necessidade da utilização do Rio da Prata como meio de escoamento dos produtos excedentes. Possuindo um forte exército e passando a figurar entre os países mais desenvolvidos da América do Sul, o Paraguai passa a reivindicar voz de comando nos assuntos políticos locais. Estas reivindicações se fizeram presentes através do oferecimento de Francisco Solano López como mediador das questões entre o Brasil e o Uruguai.

As relações entre estes países encontravam-se entre a cordialidade e a agressão: o Paraguai passava a questionar os limites territoriais entre os dois países, vendo-se prejudicado na grande perda de terras e ainda dependente da tolerância dos países que dominavam os transportes fluvio-marítimos no Rio da Prata.

Assim, a intermediação de Solano López é recusada pela diplomacia brasileira. Não aceitando as condições impostas pelo Império no Brasil, o Uruguai, por sua vez, é invadido e tem seu governante blanco Atanásio Aguirre deposto.

Apoiando oficialmente Aguirre, Solano López passa da postura diplomática à agressão, ordenando a captura de uma embarcação brasileira que trafegava no Rio Paraguai, o navio "Marquês de Olinda", em 11 de novembro de 1864, que ia a caminho do Mato Grosso. Posteriormente, Solano López declara guerra ao Brasil, invadindo os territórios do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. Em março de 1865, tropas paraguaias invadem a Argentina. O objetivo paraguaio é obter uma porto marítimo, conquistando uma fatia dos territórios brasileiro e argentino.

Os governos da Argentina, do Brasil e seus aliados uruguaios assinam o Tratado da Tríplice Aliança, em 1º de maio de 1865, contra o Paraguai. Empréstimos ingleses financiam as forças aliadas. O Exército paraguaio, superior em contingente - cerca de 64 mil homens em 1864 - e em organização, defende o território de seu país por quase um ano.

A primeira grande virada da Aliança sobre o Paraguai ocorreu com a famosa Batalha do Riachuelo, em 1865, quando a esquadra paraguaia foi completamente dizimada pelas forças navais brasileiras sob os comandos do Almirante Tamandaré e de Francisco Manuel Barroso da Silva, estas aliadas às forças argentinas sob o comando do general Paunero.

As forças paraguaias, tendo em vista suas intenções agora frustradas, passam da tática ofensiva à defensiva, procurando resistir nos fortes localizados em regiões estratégicas do território paraguaio. Porém, seus exércitos já haviam passado por uma série de desfalques, dando ainda maior ânimo à Tríplice Aliança.

Finalmente, em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai ao vencer a batalha de Tuiuti, sob o comando do argentino Bartolomeu Mitre.

Em 1868, o comando dos aliados passa para o barão de Caxias. Ele toma a fortaleza de Humaitá, em 5 de agosto de 1868, e invade Assunção em 5 de janeiro.

Passa o comando das tropas brasileiras ao conde d'Eu, marido da princesa Isabel. Solano López resiste no interior. A batalha final acontece em Cerro Corá, em 1º de março de 1870. O país é ocupado por um comando aliado e sua economia é destruída. A população paraguaia, que antes do conflito chegava a 1,3 milhão de pessoas, fica reduzida a pouco mais de 200 mil pessoas.

Para o Brasil, a guerra significa o início da ruptura com o sistema monárquico-escravista. Diante da dificuldade de recrutar soldados, escravos são alforriados para substituí-los, fato que incentiva a campanha abolicionista. A conseqüência mais importante, porém, é o fortalecimento do Exército. Atraídos pela causa republicana, em poucos anos os militares passam a liderá-la. No plano financeiro, o saldo final é uma duplicata de 10 milhões de libras que o Brasil deixa pendente com o Banco Rothchild, de Londres.

Fonte: www.unificado.com.br

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