Os bancos ingleses financiaram os aliados e receberam altos juros. “(...) Os prejuízos que os países envolvidos tiveram foram muito maiores do que os benefícios. Só a Inglaterra saiu ganhando, e duplamente: recebeu com juros o dinheiro que havia emprestado (...) e passou a vender seus produtos ao Paraguai”. (PILETTI; PILETTI; 1989, p. 22).
Classificamos as interpretações da Guerra da Tríplice Aliança em três grupos. No primeiro se encontram aqueles que identificam o “Projeto Paraguai Maior” de Solano López como causa principal do conflito; no segundo, os que afirmam que o conflito foi causado “(...) pelo rompimento da estrutura dominante do imperialismo inglês” (CHIAVENATO, 1998, p. 37); e no terceiro, intermediário entre os outros dois, os historiadores que combinam em suas explicações os interesses de todos os países envolvidos e não apontam uma causa principal.
Não acreditamos nos autores do primeiro grupo. Eles incorrem na ideologia “estatista”, que considera o Estado como um sujeito autônomo. Assim, por exemplo, Mariana Nunes realiza uma inversão de causas e conseqüências ao afirmar que os comerciantes de Buenos Aires impuseram restrições ao comércio paraguaio em represália à política econômica de Francia, “(...) que acabava com o poder de infiltração de Buenos Aires”. (NUNES, s/d). Em nossa interpretação, e também na de Denise Pereira (1987), a política econômica e social de Francia é uma resposta à ameaça portenha contra a autonomia do Paraguai.
Em segundo lugar, não encontramos nada que prove a necessidade absoluta de Solano López ampliar o território paraguaio. Para nós, a presença de um diplomata inglês nas negociações que resultaram no secreto pacto dos aliados não é simples acaso. O nome Tríplice Aliança esconde a existência de uma outra aliança presidida pela Inglaterra. Sabe-se que a participação das forças do Uruguai foi quase insignificante se comparada com a ajuda dos empréstimos ingleses aos países aliados. Os aliados provavelmente não seriam os vencedores sem este apoio.
Encontramos contradições e, principalmente, lacunas nos livros didáticos. Estas obras apresentam muito resumidamente os temas. A documentação praticamente inexiste neles. Desta forma, o risco de realizar simplificações é bastante grande. Apenas uma pequena fração dos autores se preocupa em apresentar o conteúdo de forma não dogmática, mostrando as diferentes interpretações existentes. Alguns realizam isto de maneira atrapalhada ao oferecer textos contraditórios entre si.
Seria muito interessante realizar um estudo que comparasse as interpretações da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai apresentadas pelos livros didáticos paraguaios com as interpretações apresentadas pelos livros didáticos brasileiros. Isto nos ajudaria a compreender a influência do sentimento nacionalista e do etnocentrismo na elaboração dos textos dos historiadores.
[1] Isto não significa que o país estivesse completamente isolado. Segundo José Dantas (DANTAS, 1984, p. 36), as fazendas estatais produziam para exportar. Elas “(...) monopolizavam o reduzido comércio exterior”. (ARAÚJO, 1985, p. 37).
[2] Não conseguimos descobrir seu nome, apenas o ano de publicação – 1992 – e a página – 122.
[3] Utilizamos as expressões “Guerra do Paraguai” e “Guerra da Tríplice Aliança” para nos referirmos ao mesmo conflito.
[4] Costa Sobrinho (s/d) assegura que Carlos López declinou do convite brasileiro para formar uma aliança contra Rosas, governante argentino. Marina Nunes (s/d) sustenta o oposto. Para ela, o Império também contou com o apoio do exército paraguaio para derrubar Rosas.
[5] Trata-se de uma obra didática do autor(a) referido(a) na nota 2, escrita para o Ensino Médio, publicada em 1992 pela editora Nova Geração, em São Paulo.
[6] Dois autores, Lucci (1985) e Guedes, asseguram que o presidente Solano López pediu a paz, “(...) contando que ele próprio fosse poupado e que o Paraguai não fosse totalmente desmembrado e ocupado de forma permanente”. (GUEDES, 1995).
[7] Segundo Araújo (1985), o Paraguai comprou armamento dos ingleses, aumentando suas dívidas junto aos bancos britânicos. Nós discordamos desta informação.
[8] Os Estados Aliados perdoaram as dívidas de guerra do Paraguai. Não consta, porém, que os banqueiros ingleses tenham remitido qualquer débito deste país, do Brasil, da Argentina ou do Uruguai.
Referências
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Dálcio Aurélio Milanesi
Fonte: www.urutagua.uem.br
Os interesses em conflito
Durante cinco anos, o Brasil, a Argentina e o Uruguai, apoiados financeiramente pela Inglaterra, fizeram uma guerra suja, que tinha por meta a destruição do Paraguai. Esse confronto militar ficou conhecido como Guerra do Paraguai e foi a mais longa e sangrenta das guerras ocorridas na América do Sul. Os motivos dessa guerra foram muito complexos, pois abarcaram inúmeros interesses, que, por fim, acabaram voltando-se contra o Paraguai. O terreno para compreender a origem do conflito é o Prata, durante o processo de independência da região.
A origem dos países platinos
A Argentina, o Uruguai e o Paraguai faziam parte do Vice-reino do Prata, uma possessão espanhola.
Em 1810, quando a Argentina proclamou a sua independência --- posteriormente reafirma da em 1816 no Congresso de Tucumán -, deuse o primeiro passo no sentido da independência total do Prata da dominação espanhola.
Em 1811, José Gaspar Rodríguez Francia proclamou a independência do Paraguai. Mais tarde, em 1828, o Uruguai libertou-se do Brasil, formando um outro país independente. Com isso, desfez-se a antiga unidade do Prata.
A fragmentação do antigo Vice-reino não estava, contudo nos planos dos poderosos comerciantes de Buenos Aires, que esperavam manter a unidade sob sua direção. Isso equivalia a dominar e anexar o Paraguai e o Uruguai.
O Paraguai, considerado por Buenos Aires uma província argentina, tinha motivos de sobra para temer por sua independência. Situado no interior do Prata, sem acesso direto ao mar, encontrava-se à mercê de Buenos Aires, que controlava o estuário. É fácil perceber que, para o Paraguai, o direito de navegar com segurança e a garantia de manter aberta a sua comunicação com o exterior eram questões vitais.
Os ditadores paraguaios
Por tudo isso, o Paraguai era um país vulnerável. Bastaria bloquear o estuário do Prata ou qualquer trecho do rio Paraná para que o seu isolamento do resto do mundo fosse completo. Assim, desde a sua independência, o Paraguai desenvolveu uma política voltada para dentro, a fim de depender o mínimo possível do exterior. Essa política foi inaugurada por Francia (1811-1840) e aprimorada por Carlos Antonio López (18401862) e seu filho e sucessor Francisco Solano López (1862-1870). Foram esses os três ditadores que imprimiram ao Paraguai uma direção histórica peculiar.
O modelo paraguaio
Francia compreendera muito cedo que o desenvolvimento do Paraguai com base numa economia exportadora daria muitos poderes aos grandes proprietários rurais e à burguesia mercantil. Dependendo do mercado externo, dependeria igualmente de Buenos Aires, pois a produção teria que ser embarcada ali, com o devido pagamento de taxas. Os grandes proprietários e comerciantes paraguaios fariam então concessões a Buenos Aires, tendo em vista seus interesses particulares, mesmo à custa da soberania do país. Grandes proprietários e comerciantes podiam ser considerados, portanto, aliados em potencial de Buenos Aires; conseqüentemente, eram categorias sociais perigosas para a segurança do Estado. Esse era o ponto de vista de Francia.
Entende-se, assim, por que Francia optou por um modelo econômico voltado para dentro, com ênfase ao mercado interno. Para enfrentar o desafio, Francia estimulou as pequenas e médias propriedades dirigidas à produção de alimentos para o consumo local; confiscou, depois de lutas, as propriedades dos grandes empresários rurais e monopolizou o comércio exterior.
A essa combinação de pequenas propriedades e economia com elevado grau de estatização correspondeu, no âmbito político, um poder despótico e ditatorial. Portanto, os traços que fizeram a originalidade paraguaia foram: pequena propriedade, estatização e ditadura.
Lembremos apenas que a solução foi uma resposta à ameaça dos portenhos (habitantes de Buenos Aires) contra a independência paraguaia, e não se deve concluir que o modelo de desenvolvimento econômico foi livre opção de ditadores afeiçoados ao povo. É inegável que o povo foi beneficiado, mas isso ocorreu como efeito indireto de uma política apoiada na "razão de Estado”.
Os sucessores de Francia
Depois de ter governado por trinta anos, Francia foi sucedido por Carlos Antonio López, que se preocupou em desenvolver a indústria. Em vez de consumir divisas obtidas com as exportações de couro e erva-mate e com a importação de manufaturas, o novo ditador tratou de equipar tecnicamente o país, visando a produção interna. A criação da fundição de Ibicuí foi a mais famosa dessas iniciativas. Ao lado disso, estudantes paraguaios eram mandados para o exterior e técnicos estrangeiros eram contratados. Com Solano López chegou ao fim essa experiência original. A guerra destruiu o país, que, embora não houvesse atingido um nível europeu de desenvolvimento, tinha praticamente eliminado a miséria. Quando a guerra começou, o analfabetismo era praticamente desconhecido no Paraguai.
As tensões no Prata
O Brasil e a Argentina eram os dois países mais poderosos com interesses diretos na bacia do Prata e tinham no Uruguai um ponto muito sério de atrito.
A situação da guerra civil uruguaia entre blancos (apoiados pela Argentina) e colorados (apoiados pelo Brasil), que se vinha arrastando desde 1850, despertou profundas preocupações no Paraguai.
Do ponto de vista paraguaio, a independência do Uruguai era a melhor garantia para manter livre o trânsito no estuário do Prata. Qualquer outra solução punha em risco a única saída do Paraguai para o mar. E isso era considerado intolerável.
O motivo imediato da guerra foi a intervenção do Império brasileiro em favor de Venâncio Flores, chefe colorado no Uruguai. Esse fato desfez o equilíbrio de forças no Prata, alarmando o Paraguai, que se sentiu diretamente ameaçado pelo Império brasileiro. Em represália, no dia 11 de novembro de 1864, Solano López ordenou que fosse apreendido no rio Paraguai o navio brasileiro Marquês de Olinda, que conduzia o presidente da província de Mato Grosso, fazendo-o prisioneiro. Sem perda de tempo, as relações com o Brasil foram rompidas e já no mês de dezembro o Mato Grosso foi invadido. Em março de 1865 as tropas de Solano López penetraram em Corrientes (Argentina), visando o Rio Grande do Sul e o Uruguai.
A firme e fulminante iniciativa de López, procurando o rápido domínio do sul de Mato Grosso, de Corrientes, do Rio Grande do Sul e do Uruguai, mostrou que o ditador paraguaio tinha um plano prévio e definido. Esse projeto era o de transformar o Paraguai numa potência continental hegemônica - o Paraguai Maior - que teria por base o território das antigas missões jesuíticas.
Além disso, a pronta mobilização de 64 mil homens, contra os 18 mil do Brasil e os mil do Uruguai, demonstrou que o Paraguai não estava improvisando em matéria militar. É o que sugere a conclusão de que, além da política visando a auto-suficiência econômica para diminuir o grau de vulnerabilidade, os ditadores paraguaios não haviam descuidado de um preparo militar adequado.
O Significado da Guerra
Em 1864, diante das agressivas e decididas ofensivas, estava claro que o Paraguai havia se transformado, à sombra da rivalidade entre Brasil e Argentina, numa potência respeitável e desafiadora. A política iniciada por Francia estava dando os seus frutos: uma economia sólida e uma força militar considerável.
Mas foi precisamente devido ao êxito dessa política que se alterou a correlação de forças na região, favorecendo a aliança entre Brasil e Argentina, que esqueceram momentaneamente suas diferenças a fim de impedir a emergência de uma terceira potência no Prata. E isso interessava também a um outro país: a Inglaterra.
O Brasil e a Argentina estavam perfeitamente integrados à ordem mundial, dominada pela Inglaterra. Não era o caso do Paraguai, que adotara uma política de pouca dependência em relação ao exterior. Já por isso, era razoável supor que a Inglaterra tomaria partido dos países que, em 1° de maio de 1865, formaram a Tríplice Aliança: Brasil, Argentina e Uruguai. Havia outros motivos ainda.
Quando a Guerra do Paraguai começou, em 1865, a Inglaterra acabara de aprender a lição com a Guerra de Secessão (1861-1865) dos Estados Unidos: a de que não deveria depender de um único fornecedor. A Inglaterra importava algodão, que era a matéria-prima de seu principal ramo industrial - a fabricação de tecidos -, dos estados sulistas norteamericanos. Com a Guerra de Secessão, o fluxo de matéria-prima foi interrompido, ameaçando a indústria têxtil inglesa. Assim, a Inglaterra começou a buscar a diversificação de suas fontes de suprimentos. Nesse quadro, países como o Paraguai, fechados para o mercado externo, estavam fora de cogitação. Por isso, a destruição do sistema vigente no Paraguai harmonizava-se com a nova política inglesa.
Com esse propósito, a Inglaterra sustentou financeiramente a Tríplice Aliança contra o Paraguai e foi a principal beneficiada pela sua derrota.
O exército brasileiro
Apesar de sua imensidão territorial e densidade populacional, o Brasil tinha um exército mal-organizado e muito pequeno. E, na verdade, tal situação era reflexo da organização escravista da sociedade, que, marginalizando a população livre não proprietária, dificultava a formação de um exército com senso de responsabilidade, disciplina e patriotismo. Além disso, o serviço militar era visto como um castigo sempre a ser evitado e o recrutamento era arbitrário e violento. Um reforço era, portanto, necessário.
Para enfrentar o Paraguai, recorreu-se à Guarda Nacional e à formação dos Voluntários da Pátria, organizados em batalhões que incluíam maciçamente negros alforriados.
Vitória dos aliados
Foi no setor naval que o Brasil, mais bem preparado, ' infligiu, logo no primeiro ano de guerra, uma pesada derrota aos paraguaios na batalha do Riachuelo, sob o comando do almirante Barroso. No ano seguinte, 1866, as forças aliadas procuraram invadir o território paraguaio, tentando desfazer o forte esquema defensivo montado por Solano López na confluência dos rios Paraguai e Paraná. Ali os paraguaios sofreram nova derrota na batalha de Tuiuti. Nesse mesmo ano de 1866, desentendimentos entre Venâncio Flores (Uruguai) e Mitre (Argentina) fizeram ambos se retirarem do combate, deixando o Brasil praticamente sozinho na guerra. No final de 1866, ainda um outro evento importante aconteceu: o comando das tropas brasileiras foi entregue a duque de Caxias, que organizou o exército, dando-lhe novo alento.
Em 1867, a atuação de Caxias no exército se fez notar com o isolamento da fortaleza de Humaitá, principal ponto de defesa paraguaia, na confluência dos rios Paraguai e Paraná.
No ano seguinte, 1868, finalmente, caiu a resistência paraguaia em Humaitá. Novas vitórias de Caxias ocorreram nas batalhas de Avaí, Itororó e Lomas Valentinas.
No ano de 1869, Caxias finalmente chegou a Assunção, enquanto Solano López recuava para Peribebuí, depois para Cerro-Corá, onde resistiu até 1° de março de 1870, quando foi derrotado e morto.
O estabelecimento da paz
Embora a guerra tenha terminado em 1870, os acordos de paz entre os quatro países não foram concluídos de imediato. As negociações foram obstadas pela recusa argentina em reconhecer a independência paraguaia, o que foi feito somente na Conferência de Buenos Aires, em 1876, quando a paz foi definitivamente estabelecida.
Conseqüências da guerra
Naturalmente, o país que mais sofreu com a guerra foi o Paraguai, que teve seu território devastado e sua população dizimada, marcando profundamente sua história a partir daí.
Para o Brasil, que sustentou praticamente sozinho a guerra, as conseqüências foram também desastrosas. De fato, a monarquia teve de concentrar esforços para vencer o Paraguai, e isso contribuiu em grande parte para trazer à tona as contradições do Império brasileiro: a escravidão, que até então se mantinha como sua mais sólida base, começou a ser contestada com grande intensidade. Ao mesmo tempo, ao se fortalecer, o Exército, que então superou a tradicional Guarda Nacional, tomou consciência de seu poder, recusando as lideranças civis que ocupavam as pastas militares. Assim, na Guerra do Paraguai, embora o Brasil tenha saído vitorioso, a monarquia foi derrotada. Seu declínio foi concomitante à guerra, e as críticas atingiram o seu ponto vital: a escravidão. Por essa brecha que se abriu, os ideais republicanos se propagaram.
As modificações no cenário político
Bem antes da Guerra do Paraguai, criou-se no Brasil o cargo de presidente do Conselho de Ministros, em 1847, que dera origem ao nosso "parlamentarismo às avessas”. Dessa data, até a guerra, os dois partidos - Liberal e Conservador - vinham regularmente se alternando no poder. A vida política continuou bastante agitada. No Segundo Reinado foram formados 36 gabinetes ou ministérios, geralmente de curta duração, e por nove vezes a Câmara foi dissolvida pelo imperador. Contudo, as rivalidades entre liberais e conservadores que deram origem a essas mudanças de gabinete, como já mencionamos, não eram profundas porque os partidos se entendiam no essencial: ambos eram escravistas. Discordavam apenas quanto à forma da organização administrativa: os conservadores eram acentuadamente centralistas, ao passo que os liberais inclinavam-se pela descentralização. Graças a essa identidade de princípios, através de um acordo, liberais e conservadores começaram a governar juntos, inaugurando a era da conciliação em 1853, que perdurou até 1868.
A conciliação
A era da conciliação iniciouse com Honório Carneiro Leão - marquês de Paraná -, que formou o chamado Ministério da Conciliação, em 1853, composto tanto por liberais quanto por conservadores.
A conciliação caracterizou-se pela alternância pacífica entre liberais e conservadores, que adotavam a mesma política, tanto no governo quanto na oposição.
Porém, já por volta de 1860, a situação do país começava a se modificar. De um lado, a expansão cafeeira estava transformando a feição do Brasil e, de outro, a abolição do tráfico negreiro em 1850 havia colocado a escravidão em xeque. Por fim, a eclosão da Guerra do Paraguai (1865-1870) pôs fim ao clima de entendimento político.
Um dos sintomas da crise da política de conciliação foi a criação da Liga Progressista (1861), por um grupo de conservadores que evoluíram para uma posição moderadamente liberal, que, no entanto, se dissolveu em 1864. Paralelamente, ressurgiram tendências políticas mais radicais que iriam desembocar, futuramente, na fundação do Partido Republicano.
Com a radicalização das posições políticas, o imperador interferiu pessoalmente a favor dos conservadores.
D. Pedro II havia colocado o marquês de Caxias na direção da guerra contra o Paraguai. Caxias, entretanto, desentendeu-se com o Gabinete de Conciliação chefiado por Zacarias de Góis. O imperador resolveu, então, compor um gabinete totalmente afinado com Caxias - um conservador -, rompendo com o espírito da conciliação. Com a queda do Gabinete Zacarias, em 1868, encerrou-se, portanto, a era da conciliação.
Daí para a frente, as facções políticas tenderam à radicalização. Depois de 1870, com o fim da Guerra do Paraguai, o republicanismo ganhou um grande impulso, na mesma medida em que a monarquia foi se debilitando. Estava preparado o terreno para a queda da monarquia.
Bibliografia
História do Brasil - Luiz Koshiba - Editora Atual
História do Brasil - Bóris Fausto - EDUSP
Fonte: www.culturabrasil.pro.br