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guerra do paraguai

Neste período coexistiram na Argentina correntes políticas divergentes. Uma delas era composta pelos comerciantes de Buenos Aires, que defendiam um Estado centralizado e unitário, pois, pelo porto de Buenos Aires, controlariam o comércio exterior e, conseqüentemente, as rendas dos tributos sobre as importações. A outra corrente era federalista, sendo composta pelos grandes proprietários rurais, pequenos industriais e um grupo de comerciantes mais voltados para o mercado interno. Defendiam, através do Estado descentralizado, que suas rendas não fossem submetidas aos tributos estabelecidos pela burguesia comercial de Buenos Aires.

Posto de comerciantes no rio Paraná, século XIX
Posto de comerciantes no rio Paraná, século XIX

O Uruguai, por sua vez, nascera em 1828, após conflitos que envolveram o Brasil, em uma área onde os ingleses tinham diversos interesses financeiros e comerciais. Disputando o poder político uruguaio formaram-se duas facções: os blancos, grupo composto por proprietários rurais, e os colorados, ligados aos comerciantes, simpatizantes das idéias liberais.

Quanto à Província do Paraguai, desde 1810, recusava-se a submeter-se à burguesia formada pelos comerciantes do porto de Buenos Aires. Sua independência seria definida quando da designação para a Presidência de Carlos Antonio López, em 1842. Aos poucos o Paraguai procurava crescer vinculando-se ao mercado externo. Buscando romper o isolamento do país, Carlos Antonio López instalou linhas telegráficas, construiu estradas de ferro, modernizou a esquadra, estabeleceu fábricas de tecidos, papel, tinta e pólvora. Por volta de 1862, seu filho Francisco Solano López ascendeu ao poder, procurando novas alternativas para prosseguir no desenvolvimento do Paraguai.

O Governo imperial do Brasil via com preocupação alguns aspectos deste quadro político traçado por seus vizinhos da América Latina. Temia, por exemplo, que a Argentina, transformada em uma República forte, fosse capaz de causar problemas junto à "inquieta" Província do Rio Grande do Sul. Por outro lado, quanto ao Uruguai, a preocupação relacionava-se às medidas de repressão ao contrabando na fronteira, já que muitos gaúchos, criadores de gado, tinham interesses econômicos naquele país. O Governo do Brasil chegou, inclusive, a promover acordos secretos com os colorados com os quais tinha interesses comuns. Comentava-se que alguns "acertos" teriam sido intermediados por Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, proprietário de um banco no Uruguai.

Com o Paraguai, o Brasil volta e meia via-se envolvido em atritos e desentendimentos. Algumas divergências relacionavam-se às questões de fronteira e à vontade do Brasil em garantir o acesso a Mato Grosso pelo Rio Paraguai. Uma viagem, por terra, do Rio de Janeiro até Mato Grosso demorava, em média, quatro meses e meio. Já a ligação fluvial cobria o percurso em menos tempo

O imperador D. Pedro II aclamado pela população por se negar a pedir desculpas à Marinha britânica
O imperador D. Pedro II aclamado pela população
por se negar a pedir desculpas à Marinha britânica

No início da década de 60 do século XIX, uma sucessão de fatos definiria algumas posições e acirraria antigas rivalidades. Em 1863 o Governo imperial, após inúmeros incidentes que envolveram a atuação do embaixador inglês e a ação da Marinha inglesa fundeada no Rio de Janeiro que apreendera embarcações brasileiras, rompeu relações diplomáticas com a Inglaterra. Isto distanciou a posição brasileira dos interesses ingleses gerando um clima de "exaltação patriótica", no dizer de Bóris Fausto. Na Argentina reunificada, Bartolomeu Mitre era eleito Presidente. A política assumida pelo novo governante argentino que agradou ao Gabinete do Brasil, conduzido neste momento pelos liberais, incluía a aproximação com os colorados uruguaios e, também, a defesa da livre navegação nos rios da bacia do Prata. Solano López, por sua vez, aliou-se aos blancos, então no poder no Uruguai, e aos adversários de Mitre na Argentina.

Segundo a historiadora Lilia Moritz Schwarcz (...) "o cenário da guerra estava montado e só faltava o estopim" que surge em setembro de 1864 quando uma esquadra comandada pelo Almirante Tamandaré é enviada ao Uruguai, onde os blancos estavam no poder, para averiguar supostas violências praticadas contra brasileiros que lá moravam.

Fonte: www.multirio.rj.gov.br

Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito da América do Sul. Nela morreram 75,75% dos paraguaios, sendo 99,5% dos homens adultos do Paraguai. Para custear sua participação na guerra, o Império do Brasil aumentou 45 vezes seus empréstimos dos banco ingleses. Ainda hoje se questiona porque o maior conflito da nossa história permanece ignorado pela historiografia oficial e por boa parte dos historiadores brasileiros. Entre alguns dos motivos está o fato de ter sido uma guerra de interesses escusos, com o Brasil e seus aliados fazendo o jogo do imperialismo inglês, interessado em manter intocado sua hegemonia na América do Sul

O Paraguai antes da guerra, teve um desenvolvimento diferenciado em relação ao dos outros países sul-americanos, especialmente durante os anos de 1813 a 1862, iniciado após 14 de maio de 1811, quando se libertou da Espanha. O governo controlava o comércio exterior. O mate, o fumo e as madeiras raras exportados mantinham a balança comercial com saldo positivo. O Paraguai adotava uma política protecionista, isto é, de evitar a entrada de produtos estrangeiros, por meio de impostos elevados. Defendia o mercado interno para a pequena indústria nacional, que se desenvolvia com base no fortalecimento da produção agrícola.

Francisco Solano López assumiu o governo em 1862 e deu prosseguimento à política de seus antecessores.O crescimento econômico exigia contatos com o mercado internacional. O governo de Solano López pretendia criar o chamado Paraguai Maior, com a inclusão de uma faixa do território brasileiro que ligasse o Paraguai ao litoral. López incentivou a indústria de guerra, mobilizou grande quantidade de homens para o Exército e construiu fortalezas na entrada do rio Paraguai.

Desde que o Brasil e a Argentina se tornaram independentes, a luta entre os dois países pela hegemonia na Bacia do Prata foi intensa. O Brasil chegou a entrar em guerra com a Argentina duas vezes.

O governo de Buenos Aires pretendia reconstituir o território do antigo Vice-Reinado do Rio da Prata, anexando o Paraguai e o Uruguai. Realizou diversas tentativas nesse sentido durante a primeira metade do séc. XIX, sem obter êxito. Temendo o fortalecimento da Argentina, o Brasil ajudava o Paraguai e o Uruguai a conservarem sua soberania.

Em abril de 1864, o Brasil enviou ao Uruguai uma missão chefiada pelo conselheiro José Antônio Saraiva para exigir o pagamento dos prejuízos causados a fazendeiros gaúchos por fazendeiros uruguaios. O presidente do Uruguai, Atanásio Aguirre, recusou-se a atender às exigências brasileiras.

Solano López ofereceu-se como mediador, mas não foi aceito. Rompeu então relações diplomáticas com o Brasil, em 1864, e divulgou um protesto afirmando que a ocupação do Uruguai por tropas do império Brasileiro seria um atentado ao equilíbrio dos Estados do Prata. Em outubro, as tropas brasileiras invadiram o Uruguai. Os partidários de Venancio Flores uniram-se às tropas brasileiras para depor Aguirre.

No dia 12 de novembro de 1864, o vapor paraguaio Tacuari apresou o navio brasileiro Marquês de Olinda, que atravessava o território paraguaio rumo a Mato Grosso. No dia 13 de dezembro, o Paraguai declarava guerra ao Brasil. Três meses mais tarde, em 18 de março de 1865, declarava guerra à Argentina. O Uruguai solidarizou-se com o Brasil e a Argentina.

Em 1º de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança, contra o Paraguai.

As forças militares da Tríplice Aliança não chegavam a um terço das paraguaias. A infantaria brasileira era formada pelos chamados Voluntários da Pátria, cidadãos que se apresentavam para lutar.

Durante a primeira fase da guerra, a iniciativa esteve com os paraguaios. Os Exércitos de López definiram as três frentes de batalha iniciais invadindo Mato Grosso, em dezembro de 1864, e, nos primeiros meses de 1865, o Rio Grande do Sul e a província argentina de Corrientes.

Na Bacia do Prata quase não havia estradas. Quem controlasse os rios ganharia a guerra. Em 11 de junho de 1865, travou-se a Batalha Naval do Riachuelo, na qual a esquadra comandada pelo chefe-de-divisão Francisco Manuel Barroso da Silva derrotou a esquadra paraguaia. Ela praticamente decidiu a guerra em favor da Tríplice Aliança.

Enquanto López ordenava o recuo das forças que haviam ocupado Corrientes, o corpo de tropa paraguaio que havia invadido São Borja avançava, tomando Itaqui e Uruguaiana. Uma divisão que dele se havia separado e marchava em direção ao Uruguai foi derrotada por Flores no sangrento combate de Jataí. Nessa altura, as tropas aliadas estavam-se reunindo, sob o comando de Bartolomeu Mitre, na província argentina de Entre Ríos. Os paraguaios renderam-se no dia 18 de setembro de 1865.

A Invasão do Paraguai foi feita seguindo o curso do rio Paraguai. Durante mais de dois anos, o avanço dos invasores foi bloqueado naquela região, apesar das primeiras vitórias da Tríplice Aliança.

Em julho de 1866, o marechal-de-campo Manuel Luís Osório passou o comando do 1° Corpo de Exército brasileiro ao general Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Na mesma época, chegava ao teatro de operações o 2° Corpo de Exército, trazido do Rio Grande do Sul pelo barão de Porto Alegre.

Para abrir caminho até Humaitá, a maior fortaleza paraguaia, Mitre determinou o ataque às baterias de Curuzu e Curupaiti. Curuzu foi tomada de surpresa pelo barão de Porto Alegre, mas Curupaiti resistiu ao ataque. Este ataque fracassado deteve o avanço dos aliados.

Designado em outubro de 1866 para o comando das forças brasileiras, o marechal Luís Alves de Lima e Silva, marquês e, posteriormente, duque de Caxias, chegou ao Paraguai em novembro, encontrando o Exército praticamente paralisado.

Entre novembro de 1866 e julho de 1867, Caxias organizou um corpo de saúde e um sistema de abastecimento das tropas. A marcha de flanco pela ala esquerda das fortificações paraguaias constituía a base tática de Caxias: ultrapassar o reduto fortificado paraguaio, cortar as ligações entre Assunção e Humaitá e submeter esta última a um cerco. Com este fim, Caxias iniciou a marcha em direção a Tuiu-Cuê. Mas Mitre, que havia voltado ao comando em agosto de 1867, insistia no ataque pela ala direita. Por sua ordem, a esquadra brasileira forçou a passagem de Curupaiti, mas foi obrigada a deter-se diante de Humaitá. Surgiram novas divergências no alto comando: Mitre desejava que a esquadra prosseguisse, enquanto os brasileiros eram favoráveis ao cerco por terra de Humaitá. As vitórias de São Solano, Pilar e Tayi iriam tornar possível este cerco, isolando Humaitá de Assunção. Como reação, López atacou a retaguarda dos aliados em Tuiuti, sofrendo nova derrota.

Com o afastamento definitivo de Mitre, em janeiro de 1868, Caxias reassumiu o comando supremo e determinou a passagem de Curupaiti e Humaitá, realizadas com êxito pela esquadra. Humaitá caiu em 25 de julho, após demorado cerco.

Rumo a Assunção, o Exército de Caxias marchou 200 km até Palmas. Ali, López havia concentrado 18 mil paraguaios. Enquanto a esquadra forçava a passagem, Caxias fez o Exército atravessar para a margem direita do rio. As tropas avançaram em direção ao nordeste. Na altura de Villeta, o Exército cruzou novamente o rio. Em vez de avançar para a capital, Caxias marchou para o sul e iniciou a dezembrada, uma série de vitórias obtidas em dezembro de 1868. No dia 24 de dezembro, os comandantes da Tríplice Aliança (Caxias, o argentino Gelly y Obes e o uruguaio Enrique Castro) enviaram uma intimação a Solano López para que se rendesse. Mas López recusou-se a ceder e fugiu. Assunção foi ocupada em 1° de janeiro de 1869 por forças comandadas pelo coronel Hermes Ernesto da Fonseca.

O genro do imperador Dom Pedro II, Luís Filipe Gastão de Orléans, conde d'Eu, foi nomeado para dirigir a fase final das operações militares no Paraguai. À frente de 21 mil homens, chefiou a campanha contra a resistência paraguaia, que se prolongou por mais de um ano. Dois destacamentos foram enviados em perseguição ao presidente paraguaio. No dia 1° de março de 1870, as tropas surpreenderam o último acampamento paraguaio em Cerro Corá, onde Solano López foi ferido a lança e depois baleado.

RESULTADOS DA GUERRA

A questão dos limites entre o Paraguai e a Argentina foi arbitrada pelo presidente norte-americano Rutherford Birchard Hayes. O Brasil assinou um tratado de paz em separado com o Paraguai, em 9 de janeiro de 1872, obtendo a liberdade de navegação no rio Paraguai. Foram confirmadas as fronteiras reivindicadas pelo Brasil antes da guerra.

O Paraguai sofreu uma violenta redução de sua população. As aldeias destruídas pela guerra foram abandonadas, e os camponeses sobreviventes migraram para os arredores de Assunção, dedicando-se à agricultura de subsistência. As terras das outras regiões foram vendidas a estrangeiros, principalmente a argentinos, e transformadas em latifúndios. A indústria entrou em decadência. O mercado paraguaio abriu-se para os produtos ingleses, e o país se viu forçado a contrair seu primeiro empréstimo no exterior: um milhão de libras da Inglaterra.

A Argentina foi a principal beneficiada com a guerra. Anexou parte do território paraguaio e tornou-se o mais forte dos países do Prata.

O Brasil pagou um preço alto pela vitória. Durante os cinco anos de lutas, as despesas do império chegaram ao dobro de sua receita, provocando uma crise financeira. Por outro lado, o Exército brasileiro passou a ser uma força nova e expressiva dentro da vida nacional.

Fonte: www.pedalnaestrada.com.br

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