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Guerra do Paraguai

Guerra do Paraguai

O Paraguai no século XIX era um país que destoava do conjunto latino-americano por ter alcançado um certo progresso econômico autônomo, a partir da independência em 1811. Durante os longos governos de José Francía (1811-1840) e Carlos López (1840-1862), erradicara-se o analfabetismo no país e haviam surgido fábricas -- inclusive de armas e pólvora --, indústrias siderúrgicas, estradas de ferro e um eficiente sistema de telégrafo. As "estâncias da pátria" (unidades econômicas formadas por terras e instrumentos de trabalho destribuídos pelo Estado aos camponeses, desde o governo Francía) abasteciam o consumo nacional de produtos agrícolas e garantiam à população emprego e invejável padrão alimentar.

Nesse quadro de relativo sucesso socioeconômico e de autonomia internacional, Solano López, cujo governo iniciou-se em 1862, enfatizou a política militar-expansionista, a fim de ampliar o território paraguaio. Pretendia criar o "Paraguai Maior", anexando, para isso, regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil (como Rio Grande do Sul e Mato Grosso). Obteria, dessa forma, acesso ao Atlântico, tido como imprescindível para a continuação do progresso econômico do país.

A expansão econômica paraguaia, contudo, prejudicava os interesses ingleses na região, na medida em que reduzia o mercado consumidor paraguaio para seus produtos. Havia, ainda, a ameaça de que o país eventualmente se transformasse em exportador de manufaturados ou que seu modelo de desenvolvimento autônomo e independente pudesse servir de exemplo para outros países da região. Dessa forma, a Inglaterra tinha sólidos interesses que justificavam estimular e financiar uma guerra contra o Paraguai.

Usando como pretexto a intervenção brasileira no Uruguai e contando com um exército bem mais numeroso que o do oponente brasileiro, Solano López tomou a ofensiva ao romper relações diplomáticas com o Brasil, em 1864. Logo depois, como medida complementar, ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, no rio Paraguai, retendo, entre seus passageiros e tripulantes, o presidente da província do Mato Grosso, Carneiro de Campos. A resposta brasileira foi a imediata declaração de guerra ao Paraguai.

Em 1865, mantendo-se na ofensiva, o Paraguai havia invadido o Mato Grosso e o Norte da Argentina, e os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram a Tríplice Aliança contra Solano López.

Apesar de as primeiras vitórias da guerra terem sido paraguaias, o país não pôde resistir a uma guerra prolongada. A população paraguaia era muito menor que a dos países da Tríplice Aliança e, por maior que fosse a competência do exército paraguaio, a ocupação militar dos territórios desses países era fisicamente impossível, enquanto o pequeno Paraguai podia ser facilmente ocupado pelas tropas da Aliança. Finalmente, Brasil, Argentina e Uruguai contavam com o apoio inglês, recebendo empréstimos para equipar e manter poderosos exércitos.

A vitória brasileira do almirante Barroso na batalha de Riachuelo, já em 1865, levou à destruição da frota paraguaia. A partir daí, as forças da Tríplice Aliança passaram a ter a iniciativa na guerra, controlando rios, principais meios de comunicação da bacia platina.

Apesar de todas essas limitações, o Paraguai resistiu a quase cinco anos de guerra, mostrando o grau relativamente alto de desenvolvimento e auto-suficiência que havia obtido, além do engajamento da sua população em defesa do país.

O maior contigente das tropas da Aliança foi fornecido pelo exército brasileiro, que até então praticamente inexistia. Como sabemos, a Guarda Nacional cumpria, ainda que mal, as funções normalmente destinadas ao exército. Diante de uma tropa bem-organizada e treinada como a paraguaia, era necessária uma nova força a rmada para o Brasil. O reduzido corpo de oficiais profissionais do exército brasileiro encarregou-se dessa função com bastante sucesso, ainda que isso demandasse tempo.

Para ampliar o contigente de soldados, em novembro de 1866 foi decretado que os escravos voluntariamente se apresentassem para lutar na guerra obteriam a liberdade. Muitos se alistaram dessa maneira, mas alguns foram obrigados a fazê-lo no lugar dos filhos de seus senhores que haviam sido recrutados.

No mesmo ano, o Brasil alcançou expressiva vitória na batalha de Tuiuti. Luís Alves de Lima e Silva, barão de Caxias, assumiu o comando das forças militares imperiais, vencendo rapidamente importante batalhas como as de Itororó, Avaí, Angosturas e Lomas Valentinas, chamadas "dezembradas" por terem acontecidos no mês de dezembro de 1868. Essas batalhas abriram caminho para a invasão de Assunção, capital paraguaia, tomada em janeiro de 1869. O conde D'Eu, genro do imperador, liderou a última fase da guerra, conhecida como campanha da Cordilheira, completada com a morte de Solano López em 1870.

A guerra devastou o território paraguaio, desestruturando sua economia e causando a morte de cerca de 75% da população (aproximadamente 600 mil mortos). Acredita-se que a guerra foi responsável pela morte de mais de 99% da população masculina com mais de 20 anos, sobrevivendo a população formada, predominantemente, por velhos, crianças e mulheres.

Além das mortes em combate, foram devastadoras as epidemais, principalmente a de cólera, que atingiram os homens de ambos os lados da guerra. Acrescente-se, ainda, que os governos da Tríplice Aliança adotaram uma política genocida contra a população paraguaia.

Para o Brasil, além da morte de aproximadamente 40 mil homens (sobretudo negros), a guerra trouxe forte endividamento em relação à Inglaterra. Apontada como a principal beneficiária do conflito, forneceu armas e empréstimos, ampliando seus negócios na região e acabando com a experiência econômica paraguaia.

O Brasil conseguiu a manutenção da situação na bacia Platina, embora a um preço exorbitantemente alto. Mas a principal conseqüência da Guerra do Paraguai foi o fortalecimento e a institucionalização do exército, com o surgimento de um grande e disciplinado corpo de oficiais experientes, pronto a defender os interesses da instituição. Além disso, seu poder bélico tornava-o uma organização capaz de impor suas idéias a força, caso necessário, acrescentando uma dose de instabilidade ao regime imperial.

Carlos Leite Ribeiro

Fonte: www.sokarinhos.com

Guerra do Paraguai

Travada contra o Paraguai pela a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai, foi o maior conflito armado da história da América do Sul. Prolongou-se durante 5 anos, de 1865 a 1870, reduzindo a população paraguaia em quase dois terços. Suas origens mais remotas encontram-se nas disputas pela estratégica região do Rio da Prata.

A disputa entre Brasil e Argentina em torno da navegação naquele rio, de grande importância econômica, agravou-se com a determinação do Paraguai em reivindicar os mesmos direitos sobre a rede fluvial.

Em 1864, o Brasil voltou a atacar o Uruguai. Solano Lopez, presidente do Paraguai, temendo o expansionismo brasileiro, mandou apreender o navio brasileiro Marquês de Olinda, em trânsito pelo rio Paraguai e, em dezembro, declarou guerra ao Brasil, ordenando a invasão da província de Mato Grosso. Lopez obteve diversas vitórias, cruzou o território argentino e entrou no Rio Grande do Sul para, dali, alcançar o Uruguai. Sua estratégia começou a minar quando, em 1865, Brasil, Argentina e Uruguai, sob o incentivo da Inglaterra, firmaram o Tratado da Tríplice Aliança, desencadeando um pesado contra-ataque.

A partir daí o Império brasileiro adquiriu armamento e navios no exterior e intensificou o recrutamento de soldados, convocando os chamados "voluntários da pátria", na maioria pobres, mulatos e negros que ganhavam a alforria [liberdade] para lutar nas frentes de batalha. O exército nacional impôs sérias derrotas aos paraguaios que, apesar da sua inferioridade numérica, mas contando com uma eficiente máquina de guerra e a forte liderança de Solano Lopez, resistiram com bravura. A contra-ofensiva da Tríplice Aliança ganhou novo impulso entre 1867 e 1868, sob o comando dos brasileiros Manuel Luís Osório e Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias.

Em janeiro de 1869, conseguiram entrar em Assunção, capital do Paraguai. Solano retirou-se para o norte e prosseguiu enfrentando as tropas inimigas até ser assassinado em Cerro Corá, em 1o de março de 1870, colocando um ponto final na conflagração.

Fonte: familytreemaker.genealogy.com

GUERRA DO PARAGUAI

Maior conflito armado da história sul-americana, tanto pela duração (1864-1870) como pelo vulto dos efetivos militares envolvidos.

Guerra do Paraguai

Em novembro de 1864, o ditador paraguaio Francisco Solano López - que tinha planos de formar o Grande Estado do Prata, a ser composto pelo Paraguai, Uruguai e partes da Argentina e do Brasil - declarou guerra ao Brasil, após ter mandado aprisionar o navio mercante brasileiro Marquês de Olinda.

Em janeiro de 1865, Solano López invadiu a província argentina de Corrientes para atacar o Brasil. A Argentina entrou na guerra ao lado do Brasil, que já tinha o Uruguai como aliado. Os três países assinaram o Tratado da Tríplice Aliança, apoiados pela Inglaterra - já que o nacionalismo paraguaio ameaçava os interesses ingleses na América do Sul.

Após várias batalhas, o exército paraguaio foi derrotado e o ditador assassinado em março de 1870. Algumas das batalhas tornaram-se famosas, tais como a do Riachuelo, Tuiuti (considerada a maior batalha campal da América do Sul), Itotoró e Avaí.

Vários brasileiros notabilizaram-se por sua participação no conflito, entre eles o Duque de Caxias, Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva e General Manuel Luís Osório.

A Guerra do Paraguai aumentou a crise econômica brasileira e arruinou o Paraguai, até então a nação mais desenvolvida da América do Sul.

Fonte: www.senado.gov.br

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