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Guerra do Paraguai

 

Maior conflito armado ocorrido na América do Sul, a Guerra do Paraguai (1864-1870) foi o desfecho inevitável das lutas travadas durante quase dois séculos entre Portugal e Espanha e, depois, entre Brasil e as repúblicas hispano-americanas pela hegemonia na região do Prata.

A Guerra do Paraguai surgiu de um complexo encadeamento de rivalidades internacionais, de ambições pessoais e das peculiares condições geográficas da região platina. Na época do conflito, o Império do Brasil emergia provavelmente como a nação mais influente e bem organizada da América do Sul, tendo fortalecido sua posição no continente após o período de lutas contra Rosas (na Argentina) e Oribe (no Uruguai).

Desde a independência do Paraguai, em 1813, o Brasil passara a manter relações satisfatórias com esse país, mesmo durante o longo período de isolamento que sofrera a nação paraguaia sob os governos de Francia e de Carlos Antonio López.

O marechal paraguaio Francisco Solano López sucedeu ao pai no momento em que arrefecera a rivalidade entre a Argentina e o Brasil, os dois pólos de poder do continente. Sua ambição era tornar o Paraguai uma potência platina, capaz de competir com a Argentina e o Brasil pela preeminência na América do Sul.

Atribuía o confinamento de seu país, em parte, às maquinações diplomáticas entre o Brasil e os argentinos, que dificultavam ao Paraguai a navegação fluvial e o exercício de um relevante comércio internacional. Em seu avanço para oeste, o Brasil poria em risco a nação paraguaia, e a consolidação das províncias argentinas criaria um poderoso rival na fronteira sul do país. López alimentava o plano de uma confederação das populações hispânicas do interior. Reunindo o Paraguai, as províncias argentinas de Entre Ríos e Corrientes, o Uruguai e talvez a parte meridional do Rio Grande do Sul, teria condições de fazer frente tanto ao Brasil quanto à Argentina.

Com a reviravolta política ocorrida na Argentina, em 1861, após a batalha de Pavón, em que os unitários de Bartolomé Mitre derrotaram os federais de Justo José Urquiza, e a instalação posterior dos liberais em Buenos Aires e por toda a Confederação Argentina, López se convenceu da inviabilidade de seu plano da "confederação do interior", que lhe daria o livre acesso ao mar.

Descartada essa possibilidade, o ditador paraguaio preparou sua nação para a guerra: já em 1864, o Paraguai, em flagrante contradição com os recursos de que dispunha, surgia como a principal potência militar do Prata.

Às vésperas do conflito, o Paraguai dispunha de sessenta mil homens bem treinados e 400 canhões. Os recursos de transporte e abastecimento, porém, não atendiam às exigências de uma movimentação de tropas em campanha. A maioria dos canhões estava fixada na fortaleza de Humaitá, onde também se encontravam grandes efetivos de infantaria. Quanto às forças navais, essenciais para um país cuja única via de comunicação com o exterior era a bacia platina, López só dispunha de 14 pequenas canhoneiras fluviais.

O Brasil podia lançar em campo 18.000 homens, dos quais oito mil estavam nas guarnições do sul; contava com uma força naval considerável e bem treinada, com uma esquadra de 42 navios, embora alguns deles, pelo calado, não fossem apropriados à navegação fluvial. A Argentina possuía apenas oito mil homens e não dispunha de uma marinha de guerra quantitativamente apreciável. As forças do Uruguai contavam menos de três mil homens, sem unidades navais.

Fonte: www.geocities.yahoo.com.br

Guerra do Paraguai

1 INTRODUÇÃO

Guerra que opôs, entre 1864 e 1870, de um lado o Brasil, a Argentina e o Uruguai, formando a Tríplice Aliança e de outro o Paraguai. O equilíbrio na região platina sempre foi buscado pelos países que a compunham, de forma a assegurar que um deles detivesse poder excessivo na região.

O conflito teve início quando as relações entre o Brasil e o Uruguai chegaram a um ponto crítico, devido a constantes choques fronteiriços entre estancieiros uruguaios e rio-grandenses.

Apoiado pelo presidente paraguaio Francisco Solano López, o presidente uruguaio Atanasio Aguirre recusou as exigências brasileiras de reparação formuladas pelo enviado especial José Antônio Saraiva.

Quando os brasileiros sitiaram Montevidéu, terminando por derrubar Aguirre, Lopez invadiu a província de Mato Grosso, tomando Nova Coimbra e Dourados e logo depois a província argentina de Corrientes, visando chegar a seus aliados uruguaios. Em conseqüência, foi assinado em 1º de maio de 1865 o Tratado da Tríplice Aliança contra o Paraguai.

Os aliados conseguiram, em 1865, a vitória naval da batalha do Riachuelo e a rendição dos paraguaios que haviam chegado a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Tomando a ofensiva, sob o comando de Bartolomeu Mitre, presidente argentino, os aliados venceram as batalhas de Passo da Pátria e Tuiuti (1866). Quando o então marquês de Caxias, Luís Alves de Lima e Silva, assumiu o comando, a fortaleza de Humaitá foi conquistada. (1867).

Lopez retirou-se para mais próximo de Assunção, onde acabou derrotado nas batalhas da "dezembrada"(1868): Avaí, Itororó e Lomas Valentinas.

Assunção caiu e a última fase da guerra foi comandada pelo conde d'Eu, encerrando-se com a morte de Lopez em Cerro Corá (1870).

2 DEFINIÇÕES

Maior conflito armado ocorrido na América do Sul, a guerra do Paraguai (1864-1870) foi o desfecho inevitável das lutas travadas durante quase dois séculos entre Portugal e Espanha e, depois, entre Brasil e as repúblicas hispano-americanas pela hegemonia na região do Prata.

A guerra do Paraguai surgiu de um complexo encadeamento de rivalidades internacionais, de ambições pessoais e das peculiares condições geográficas da região platina.

Na época do conflito, o Império do Brasil emergia provavelmente como a nação mais influente e bem organizada da América do Sul, tendo fortalecido sua posição no continente após o período de lutas contra Rosas (na Argentina) e Oribe (no Uruguai).

Desde a independência do Paraguai, em 1813, o Brasil passara a manter relações satisfatórias com esse país, mesmo durante o longo período de isolamento que sofrera a nação paraguaia sob os governos de Francia e de Carlos Antonio López. O marechal paraguaio Francisco Solano López sucedeu ao pai no momento em que arrefecera a rivalidade entre a Argentina e o Brasil, os dois pólos de poder do continente.

Sua ambição era tornar o Paraguai uma potência platina, capaz de competir com a Argentina e o Brasil pela preeminência na América do Sul. Atribuía o confinamento de seu país, em parte, às maquinações diplomáticas entre o Brasil e os argentinos, que dificultavam ao Paraguai a navegação fluvial e o exercício de um relevante comércio internacional.

Em seu avanço para oeste, o Brasil poria em risco a nação paraguaia, e a consolidação das províncias argentinas criaria um poderoso rival na fronteira sul do país. López alimentava o plano de uma confederação das populações hispânicas do interior.

Reunindo o Paraguai, as províncias argentinas de Entre Ríos e Corrientes, o Uruguai e talvez a parte meridional do Rio Grande do Sul, teria condições de fazer frente tanto ao Brasil quanto à Argentina. Com a reviravolta política ocorrida na Argentina, em 1861, após a batalha de Pavón, em que os unitários de Bartolomé Mitre derrotaram os federais de Justo José Urquiza, e a instalação posterior dos liberais em Buenos Aires e por toda a Confederação Argentina, López se convenceu da inviabilidade de seu plano da "confederação do interior", que lhe daria o livre acesso ao mar.

Descartada essa possibilidade, o ditador paraguaio preparou sua nação para a guerra: já em 1864, o Paraguai, em flagrante contradição com os recursos de que dispunha, surgia como a principal potência militar do Prata. Às vésperas do conflito, o Paraguai dispunha de sessenta mil homens bem treinados e 400 canhões. Os recursos de transporte e abastecimento, porém, não atendiam às exigências de uma movimentação de tropas em campanha.

A maioria dos canhões estava fixada na fortaleza de Humaitá, onde também se encontravam grandes efetivos de infantaria. Quanto às forças navais, essenciais para um país cuja única via de comunicação com o exterior era a bacia platina, López só dispunha de 14 pequenas canhoneiras fluviais.

O Brasil podia lançar em campo 18.000 homens, dos quais oito mil estavam nas guarnições do sul; contava com uma força naval considerável e bem treinada, com uma esquadra de 42 navios, embora alguns deles, pelo calado, não fossem apropriados à navegação fluvial.

A Argentina possuía apenas oito mil homens e não dispunha de uma marinha de guerra quantitativamente apreciável. As forças do Uruguai contavam menos de três mil homens, sem unidades navais.

3 INÍCIO DA GUERRA

O pretexto para a guerra foi a intervenção do Brasil na política uruguaia entre agosto de 1864 e fevereiro de 1865. Para atender ao pedido do governador dos blancos de Aguirre, López tentou servir de mediador entre o Império do Brasil e a República Oriental do Uruguai, mas, ao ver rejeitada sua pretensão pelo governo brasileiro, deu início às hostilidades.

Em 12 de novembro de 1864, mandou capturar o navio mercante brasileiro Marquês de Olinda, que subia o rio Paraguai, e, em 11 de dezembro, iniciou a invasão da província de Mato Grosso. Dois dias depois declarou guerra ao Brasil, que ainda estava em meio à intervenção armada no Uruguai.

Para a invasão de Mato Grosso, López mobilizou duas fortes colunas: uma por via fluvial, que atacou e dominou o forte Coimbra, apoderando-se em seguida de Albuquerque e de Corumbá; e outra por via terrestre, que venceu a guarnição de Dourados, ocupou depois Nioaque e Miranda e enviou um destacamento para tomar Coxim, em abril de 1865.

4 TOMADA DE HUMAITÁ

Em 1º de agosto Mitre retornou ao comando e deu ordens para que a esquadra imperial forçasse a passagem em Curupaiti e Humaitá. Em 15 de agosto, duas divisões de cinco encouraçados ultrapassaram, sem perdas, Curupaiti, mas foram obrigadas a deter-se frente aos poderosos canhões da fortaleza de Humaitá.

O fato causou novas dissensões no alto comando aliado. Ao contrário de Mitre, os brasileiros consideravam imprudente e inútil prosseguir, enquanto não se concatenassem ataques terrestres para envolver o Quadrilátero, que se iniciaram, finalmente, em 18 de agosto.

A partir de Tuiu-Cuê, os aliados rumaram para o norte e tomaram São Solano, Vila do Pilar e Tayi, às margens do rio Paraguai, onde completaram o cerco da fortaleza por terra e cortaram as comunicações fluviais entre Humaitá e Assunção.

Em 3 de novembro de 1867 os paraguaios atacaram a posição aliada de Tuiuti (segunda batalha de Tuiuti), mas foram derrotados. Com o afastamento definitivo de Mitre, que retornou à Argentina, Caxias voltou a assumir o comando geral dos aliados. Em 19 de fevereiro a esquadra imperial forçou a passagem de Humaitá que, totalmente cercada, só caiu em 25 de julho de 1868.

5 TRATADO DA TRÍPLICE ALIANÇA

O principal objetivo da invasão do Mato Grosso era distrair a atenção do Exército brasileiro para o norte do Paraguai, enquanto a guerra se decidia no sul.

Em 18 de março de 1865, com a recusa do presidente argentino Bartolomé Mitre a conceder autorização para que tropas paraguaias cruzassem seu território, Solano López declarou guerra à Argentina e lançou-se à ofensiva: capturou duas canhoneiras argentinas fundeadas no porto de Corrientes e invadiu a província em 14 de abril.

O fato motivou a formação, em 1º de maio de 1865, da Tríplice Aliança, que reunia o Brasil, a Argentina e o Uruguai (governado por Venancio Flores, chefe dos colorados) e destinava-se a conter os avanços do Paraguai. Enquanto isso, no Mato Grosso, uma expedição de aproximadamente 2.500 homens, organizada em São Paulo, Minas Gerais e Goiás, foi enviada para combater os invasores.

A coluna percorreu mais de dois mil quilômetros e, com grande número de baixas, causadas por enchentes e doenças, atingiu Coxim em dezembro de 1865, quando a região já havia sido abandonada. O mesmo aconteceu em Miranda, aonde chegaram em setembro de 1866.

Essa mesma expedição decidiu em seguida invadir o território paraguaio, onde atingiu Laguna. Perseguida pelos inimigos, a coluna foi obrigada a recuar, ação que ficou conhecida como a retirada da Laguna.

6 RENDIÇÃO DE URUGUAIANA

Em 16 de julho, o Exército brasileiro chegou à fronteira do Rio Grande do Sul e logo depois cercou Uruguaiana. Em 18 de setembro Estigarribia rendeu-se, na presença de D. Pedro II e dos presidentes Bartolomé Mitre e Venancio Flores. Encerrava-se com esse episódio a primeira fase da guerra, em que Solano López lançara sua grande ofensiva nas operações de invasão da Argentina e do Brasil.

No início de outubro, as tropas paraguaias de ocupação em Corrientes receberam de López ordem para retornar a suas bases em Humaitá. Ao mesmo tempo, as tropas aliadas, com Mitre como comandante-em-chefe, libertavam Corrientes e São Cosme, na confluência dos rios Paraná e Paraguai, no final de 1865.

7 BATALHA DO RIACHUELO

Em 11 de junho de 1865 travou-se no rio Paraná a batalha do Riachuelo, em que a esquadra brasileira, comandada por Francisco Manuel Barroso da Silva, futuro barão do Amazonas, aniquilou a paraguaia, comandada por Pedro Inacio Meza.

A vitória do Riachuelo teve notável influência nos rumos da guerra: impediu a invasão da província argentina de Entre Ríos e cortou a marcha, até então triunfante, de López. Desse momento até a derrota final, o Paraguai teve de recorrer à guerra defensiva. Quase ao mesmo tempo, as tropas imperiais repeliam o Exército paraguaio que invadira o Rio Grande do Sul.

Os paraguaios, sob o comando do tenente-coronel Antonio de la Cruz Estigarribia, haviam atravessado o rio Uruguai e ocupado sucessivamente, de junho a agosto, as povoações de São Borja, Itaqui e Uruguaiana. Outra coluna, que, sob as ordens do major Pedro Duarte, pretendia chegar ao Uruguai, foi detida por Flores, em 17 de agosto, na batalha de Jataí.

8 INVASÃO DO PARAGUAI

Começava então uma segunda fase do conflito, com a transferência da iniciativa do Exército paraguaio para o aliado. Fortalecidos, com um efetivo de cinqüenta mil homens, os aliados lançaram-se à ofensiva. Sob o comando do general Manuel Luís Osório, e com o auxílio da esquadra imperial, transpuseram o rio Paraná, em 16 de abril de 1866, e conquistaram posição em território inimigo, em Passo da Pátria, uma semana depois.

Estabeleceram-se em 20 de maio, em Tuiuti, onde sofreram um ataque paraguaio quatro dias depois. A batalha de Tuiuti, considerada a mais renhida e sangrenta de todas as que se realizaram na América do Sul, trouxe expressiva vitória às forças aliadas.

O caminho para Humaitá, entretanto, não fora desimpedido. O comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos pelo barão de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias de Curuzu e Curupaiti, que guarneciam a direita da posição de Humaitá, às margens do rio Paraguai. Atacada de surpresa, a bateria de Curuzu foi conquistada em 3 de setembro.

Não se obteve, porém, o mesmo êxito em Curupaiti, onde em 22 de setembro os aliados foram dizimados pelo inimigo: cinco mil homens morreram.

9 DEZEMBRADA

Efetuada a ocupação de Humaitá, Caxias concentrou as forças aliadas, em 30 de setembro, na região de Palmas, fronteiriça às novas fortificações inimigas.

Situadas ao longo do arroio Piquissiri, essas fortificações barravam o caminho para Assunção, apoiadas nos dois fortes de Ita-Ibaté (Lomas Valentinas) e Angostura, este à margem esquerda do rio Paraguai.

O comandante brasileiro idealizou, então, a mais brilhante e ousada operação do conflito: a manobra do Piquissiri. Em 23 dias fez construir uma estrada de 11km através do Chaco pantanoso que se estendia pela margem direita do rio Paraguai, enquanto forças brasileiras e argentinas encarregavam-se de diversões frente à linha do Piquissiri.

Executou-se então a manobra: três corpos do Exército brasileiro, com 23.000 homens, foram transportados pela esquadra imperial de Humaitá para a margem direita do rio, percorreram a estrada do Chaco, reembarcaram em frente ao porto de Villeta, e desceram em terra no porto de Santo Antônio e Ipané, novamente na margem esquerda, vinte quilômetros à retaguarda das linhas paraguaias do Piquissiri.

López foi inteiramente surpreendido por esse movimento, tamanha era sua confiança na impossibilidade de grandes contingentes atravessarem o Chaco. Na noite de 5 de dezembro, as tropas brasileiras encontravam-se em terra e iniciaram no dia seguinte o movimento para o sul, conhecido como a "dezembrada".

No mesmo dia, o general Bernardino Caballero tentou barrar-lhes a passagem na ponte sobre o arroio Itororó. Vencida a batalha, o Exército brasileiro prosseguiu na marcha e aniquilou na localidade de Avaí, em 11 de dezembro, as duas divisões de Caballero.

Em 21 de dezembro, tendo recebido o necessário abastecimento por Villeta, os brasileiros atacaram o Piquissiri pela retaguarda e, após seis dias de combates contínuos, conquistaram a posição de Lomas Valentinas, com o que obrigou a guarnição de Angostura a render-se em 30 de dezembro. López, acompanhado apenas de alguns contingentes, fugiu para o norte, na direção da cordilheira.

Em 1º de janeiro de 1869 os aliados ocuparam Assunção. López, prosseguindo na resistência, refez um pequeno exército de 12.000 homens e 36 canhões na região montanhosa de Ascurra-Caacupê-Peribebuí, aldeia que transformou em sua capital. Caxias, por motivo de saúde, regressou ao Brasil.

Em abril de 1869, assumiu o comando geral das operações, o marechal-de-exército Gastão d'Órléans, conde d'Eu, genro do imperador, que empreendeu a chamada campanha das cordilheiras. O Exército brasileiro flanqueou as posições inimigas de Ascurra e venceu as batalhas de Peribebuí (12 de agosto) e Campo Grande ou Nhu-Guaçu (16 de agosto).

López abandonou Ascurra e, seguido por menos de trezentos homens, embrenhou-se nas matas, marchando sempre para o norte, até ser alcançado pelas tropas brasileiras em Cerro-Corá, à margem do arroio Aquidabanigui, onde foi morto após recusar-se à rendição, em 1º de março de 1870. Em 20 de junho de 1870, Brasil e Paraguai assinaram um acordo preliminar de paz.

As baixas da nação paraguaia foram estimadas em cerca de 300.000, incluídos os civis mortos pela fome e em conseqüência da cólera. O Brasil, que chegou a mobilizar 180.000 homens durante a luta, teve cerca de trinta mil baixas.

O tratado definitivo de paz entre Brasil e Paraguai, assinado somente em 9 de janeiro de 1872, consagrava a liberdade de navegação no rio Paraguai e as fronteiras reivindicadas pelo Brasil antes da guerra.

10 CONCLUSÃO

Nos anos 60 do século XIX uma nova crise na região do Prata se transformaria no em longo e sangrento conflito conhecido como a Guerra do Paraguai. Este episódio durante algum tempo, foi entendido pelo lado brasileiro como uma luta realizada contra o ditador Solano López e seus planos expansionistas.

Mais adiante, na década de 1960, segundo a versão de historiadores como o argentino León Pomer, a razão da guerra seria relacionada aos interesses ingleses, que viam com desagrado a crescente autonomia paraguaia. Assim, havia uma emergente necessidade, por parte do Governo inglês, de desarticular o Paraguai, mantendo o controle econômico sobre a América Latina.

Henrique Buzatto Storck

REFERÊNCIAS

MADUREIRA, Antônio de Sena. Guerra do Paraguai. Coleção Temas Brasileiros. Brasília, 1982. v. 22. Editora Universidade de Brasília.
VIANA, Hélio. História do Brasil. 14. ed. rev. São Paulo. Edições Melhoramentos.

Fonte: Academia de Policia Militar de Minas Gerais

Guerra do Paraguai

O maior conflito ocorrido nessa área foi, A Guerra do Paraguai, que envolveu os quatro países da região ( Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e se estendeu de 1865 a 1870.

O Paraguai havia surgido como país independente em 1811, quando conseguiu libertar-se do domínio espanhol.

Ao contrário de todas de todas as outras nações da América Latina, o Paraguai, desde o governo do primeiro presidente, Rodríguez Francia, organizou-se de forma verdadeira independente.

Isso era fundamental para o país, que ficava encravado entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, sem saída para o mar. Todo o comércio paraguaio com o exterior dependia do rio Prata, controlado pela Argentina.

Guerra do Paraguai
Rancho do comandante do Batalhão Argentino

A passagem de navios de outros países pelo estuário só podia ser feita mediante a pagamento de impostos à Argentina. Após a morte de Francia, seu sucessor continuou promovendo o desenvolvimento do Paraguai.

A indústria paraguaia se desenvolveu tanto, que o país não precisava comprar mercadorias estrangeiras para o seu consumo interno. E todos esses empreendimentos se faziam sem a presença dos empréstimos ingleses, como ocorria nos outros países da América Latina.

Guerra do Paraguai
Igreja de Humaitá durante a guerra

O terceiro presidente do paraguaio, general Francisco Solano Lopes, transformou o exército de seu país mais disciplinada força militar da América do Sul. Ele sabia que o desenvolvimento do Paraguai incomodava os países vizinhos e contrariava os interesses da Inglaterra. Por isso, preparava-se para um confronto armado e estava disposto a lutar para conseguir uma saída para o Atlântico.

Com isso, o Paraguai ameaçou os interesses dos vizinhos: Brasil, Argentina e Paraguai.

Em maio de 1865, esses três países formaram uma aliança (a Tríplice Aliança) contra o Paraguai. A Inglaterra, logicamente, estava apoiando essa aliança, pois também tinha interesse na destruição do Paraguai. Desejava controlar os rios navegáveis que atravessavam aquele país e, além disso, cobiçavam suas terras férteis e excelentes para o cultivo do algodão.

Logo no início da guerra, ficou demostrado que o exército paraguaio estava muito mais preparado do que os seus inimigos. Venceu as primeiras batalhas sem dificuldades.

No entanto, apesar do preparo das tropas paraguaias, as forças navais brasileiras estavam mais bem aparelhadas, o que acabou resultando na superioridade do Brasil na guerra. Assim mesmo, o Paraguai resistiu por cinco anos, até o limite de suas forças.

MORTE E DESTRUIÇÃO

O país foi praticamente destruído. Quando a guerra começou, o Paraguai possuia 800 mil habitantes; ao final do conflito restavam apenas 194 mil (14 mil homens e 180 mil mulheres).

As propriedades dos pequenos agricultores foram vendidas a holandeses, ingleses e americanos. As fábricas foram destruídas, a estrada de ferro que ligava as várias região foi vendida aos ingleses.

Guerra do Paraguai
Interior da Igreja Humaitá toda destruida em consequência da guerra

Fonte: br500.tripod.com

Guerra do Paraguai

Causas / motivos da guerra

A Argentina e o Brasil tinham antigas ambições territoriais na região do Rio do Prata. Pensavam aumentar seu território conquistando o Uruguai. O Brasil chegou a realizar duas intervenções no Uruguai uma em 1851 e outra em 1864.

As forças militares do Império brasileiro em 1852 com apoio do Uruguai e de duas províncias argentinas, também invadiram a Argentina.

Após esses conflitos a Argentina e o Uruguai passaram a ter governos aliados ao Brasil.

Até o século XIX o Paraguai era um país de economia desenvolvida e forte. Porém o Paraguai é um país continental, isto é , não tem saída para o mar.

O governo do Paraguai Francisco Solano Lopez queria construir uma saída livre para o Oceano, via rios Paraguai, Paraná e Prata . Uma espécie de canal livre para o comércio exportador e importador dos países. O sonho do presidente do Paraguai choca-se com os interesses da Inglaterra, tradicional aliada do Brasil, Argentina e do Uruguai.

Com o desenvolvimento econômico do Paraguai, a economia inglesa corre o risco de ter diminuído o seu comércio na América do Sul, que é abastecida cada vez mais, pelos produtos do Paraguai.

A Inglaterra então apóia seus aliados o Brasil, Argentina e Uruguai para realizar uma guerra contra o Paraguai.

Como isso aconteceu ?

Os habitantes que viviam na região de Mato Grosso no século XIX, dependia muito do Rio Paraguai, porque não havia estradas ligando a Província do resto do Brasil. Procurando um pretexto para a guerra, o Brasil enviou para Mato Grosso, o navio Marquês de Olinda, cheio de armas e de munições.

Porém governo do Paraguai Solano considerou tal fato um ato de agressão e proibiu a navegação de navios brasileiros no Rio Paraguai. Em contra partida o Imperador D. Pedro II diante do ato de Solano considerou uma agressão ao Brasil e declarou guerra ao Paraguai.

Os conflitos na região começam pela disputa estratégica da região do Rio Prata. Solano ordena a invasão da província de Mato Grosso em dezembro de 1864, e a guerra está declarada .

A guerra e a participação de Duque de Caxias e o Conde D`Eu

A guerra contra o Paraguai teve três fases. No primeiro ano, as forças paraguaias venceram , em ações rápidas e fulminante vencendo facilmente o Forte de Coimbra e Dourados. Na Segunda etapa entre 1865 e1868 , os três aliados Brasil, Argentina e Uruguai conseguiram equilibrar as ações. Essa fase foi de lutas violentas, com vitórias e derrotas de lado a lado.

Nesta fase os aliados venceram a Batalha de Riachuelo em 11 de junho de 1865, a Batalha de Uruguaiana em 18 de setembro de 1865, e as tropas da Fortaleza de Tuiuti em 24 de maio de 1866. Porém em 03 de setembro de 1866 os aliados foram derrotados na Batalha de Curuzu pelas tropas de Solano.

A partir de 1867 depois dos aliados deixarem o Brasil quase sozinho na guerra Duque de Caxias foi nomeado Comandante-maior-da-guerra e assumiu o comando, e vence a 03 de novembro de 1867 Batalha de Humaitá . Depois de cercar a Fortaleza de Humaitá , Caxias tomou-a em 1868, abrindo caminho para a invasão a Assunção.

No ano de 1868, Caxias venceu as tropas de Solano na Dezembrada.

A 11 de dezembro de 1868, Caxias venceu as Batalhas de Itororó e Avaí, e a 27 do mesmo mês e ano vence a Batalha de Lomas Valentinas. E sem poder resistir, Assunção caiu, a 5 de Janeiro de 1869, nas mãos de Caxias.

Após o comando de Caxias, a guerra passou a ser comandada pelo Conde D`Eu, Gastão de Orlenas, genro de D. Pedro II em 1869. Esta é a última fase da guerra , quando Solano quase vencido ainda resiste até 1870. A 12 de agosto de 1869, as tropas de Solano foram vencidas em Peribebuí, pelo Conde D`Eu e , finalmente , a 1º de março de 1870, Solano foi morto na Batalha de Cerro-Corá. Era o fim da guerra.

Conseqüências da guerra para o Brasil e Paraguai

Para o Paraguai, as conseqüências da guerra foram seríssimas. Sua economia estava destruída e grande parte da população, principalmente a masculina, estava morta, perdeu 40.000 km² do seu território para a Argentina e para o Brasil. Desde então o Paraguai não se recuperou mais, sendo até hoje um dos países mais pobres da América Latina.

A guerra trouxe mudanças também para o Brasil. Além da morte de milhares de pessoas sua economia sofreu forte abalo, pois os gastos foram enormes, o que gerou a necessidade de se contrair novos empréstimos junto à Inglaterra.

Enfim, a guerra só beneficiou as Inglaterra, que vendeu suas armas à Tríplice Aliança. E, ao arrasar a indústria do Paraguai, podia vender novamente, sem concorrente, seus produtos industriais na América do Sul.

Referências Bibliográficas

Milton & Maria Luiza, História do Brasil do Império à República, Editora Scipione.
Dantas, José, História do Brasil da Independência aos dias atuais, volume 2, Editora Moderna.

Fonte: www.profissionalizando.com

Guerra do Paraguai

Sangrento conflito do Paraguai com a Argentina, Brasil e Uruguai.

Também conhecida como a Guerra da Tríplice Aliança, este foi o mais longo conflito entre as nações independentes da América Latina, com duração de novembro 1864 a março de 1870, quando o líder paraguaio, o marechal Solano López, foi morto no cerco final dentro de si Paraguai.

A própria guerra

Resumidamente, a guerra foi o resultado do desejo do Paraguai para transformar suas riquezas da indústria de erva-mate em uma transformação de seu status como um estado-tampão entre Brasil e Argentina em uma potência de pleno direito regional. Para isso foi necessário dominar o Uruguai para garantir o acesso ao mar, levando a irrefletidas invasões do país, assim como a Argentina eo Brasil muito maior.

De 150 para mais de 200 mil pessoas morreram em consequência da guerra, seja no campo de batalha ou de doença ou outras conseqüências do conflito.

População masculina do Paraguai foi devastada, enquanto as sociedades de todas as nações envolvidas foram irrevogavelmente alterada.

Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai

A guerra do Paraguai, que envolveu o Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai, foi uma das mais sangrentas guerras que ocorreram na América do Sul no século passado. Tratava-se da disputa sobre o controle da navegação comercial na Bacia do Prata (Rio Prata) entre esses países.

O Paraguai havia sido uma província Argentina que havia ganhe sua independência em 1852 e seu governo era aliado do partido Blanco, dos latifundiários do Uruguai. Paraguai é um país da América Latina que não tem saída para o oceano. O Uruguai era a antiga Província de Cisplatina, região disputada entre os governos espanhóis e portugueses que foi invadida por D. João VI quando este esteve no Brasil. O Uruguai conseguiu se libertar do Brasil no final do governo de D. Pedro I.

Solano Lopez, presidente paraguaio, contava com o apoio de seus aliados quando iniciou a guerra em seu objetivo de conquistar para seu país uma saída para o Atlântico a fim de comercializar produtos paraguaios. Quando as tropas brasileiras invadiram o Uruguai para colocar o partido Colorado no poder, em 1867, Lopez, em defesa dos blancos, invadiu o Mato Grosso do Sul. Como a Argentina não quis deixar que as tropas paraguaias passassem em seu território, Solano invadiu a província argentina Corrientes.

Sem seus aliados no poder uruguaio, o Paraguai acabou tendo que enfrentar a Argentina, o Brasil e o Uruguai dos Colorados juntos. Mas, com o tempo, a guerra trouxe fome e dívidas para todos, pois a Inglaterra emprestou dinheiro para compra de armas para o Brasil e para a Argentina.

O exército brasileiro era o maior de todos, mas também era o mais despreparado. Naquela época, não era o exército o encarregado de proteger o território brasileiro, mas a Guarda nacional.

A Guarda Nacional era uma força criada ainda na época das Regências. Os comandantes eram os latifundiários que tinham condições de contratar e armar pessoas por seus próprios recursos. Esses latifundiários ganharam o título de coronéis mesmo sem pertencer a nenhuma instituição militar e eram encarregados de proteger apenas seu Estado. O exército, daquela época, eram mercenários, sem nenhum vínculo com o exército. Mercenários são guerreiros que lutam apenas se forem pagos, independente de qual país está pagando.

Foi apenas na Guerra do Paraguai que o governo brasileiro criou um exército com soldados não mercenários, profissionais. Os soldados que lutaram na Guerra do Paraguai eram, em boa parte, negros, escravos que ganhavam a liberdade para lutarem. O Brasil era o único país na guerra a adotar a Monarquia e a manter a escravidão.

Sem nunca chegarem ao Uruguai para colocarem os Blancos novamente no poder, as tropas paraguaias, depois de vitórias iniciais, foram sofrendo derrotas. Mesmo tendo a Argentina, que sofria suas revoltas internas, e o Uruguai fora da guerra, as tropas brasileiras, com o apoio da potente frota naval, aos poucos conseguiam expulsar os paraguaios do território brasileiro.

A derrota definitiva do Paraguai ocorreu com o massacre nas tropas paraguaias em 16 de agosto de 1869. Todos os países envolvidos na guerra tiveram suas economias abaladas com enormes dívidas, mas o Paraguai praticamente viu seu exército dizimado, sua economia arrasada e seu território diminuído em 40%. Brasil e Argentina ganharam territórios do país derrotado.

Fonte: conhecimentosgerais.com.br

Guerra do Paraguai

O Paraguai no século XIX era um país que destoava do conjunto latino-americano por ter alcançado um certo progresso econômico autônomo, a partir da independência em 1811.

Durante os longos governos de José Francía (1811-1840) e Carlos López (1840-1862), erradicara-se o analfabetismo no país e haviam surgido fábricas -- inclusive de armas e pólvora --, indústrias siderúrgicas, estradas de ferro e um eficiente sistema de telégrafo.

As "estâncias da pátria" (unidades econômicas formadas por terras e instrumentos de trabalho destribuídos pelo Estado aos camponeses, desde o governo Francía) abasteciam o consumo nacional de produtos agrícolas e garantiam à população emprego e invejável padrão alimentar.

Nesse quadro de relativo sucesso socioeconômico e de autonomia internacional, Solano López, cujo governo iniciou-se em 1862, enfatizou a política militar-expansionista, a fim de ampliar o território paraguaio.

Pretendia criar o "Paraguai Maior", anexando, para isso, regiões da Argentina, do Uruguai e do Brasil (como Rio Grande do Sul e Mato Grosso). Obteria, dessa forma, acesso ao Atlântico, tido como imprescindível para a continuação do progresso econômico do país. A expansão econômica paraguaia, contudo, prejudicava os interesses ingleses na região, na medida em que reduzia o mercado consumidor paraguaio para seus produtos.

Havia, ainda, a ameaça de que o país eventualmente se transformasse em exportador de manufaturados ou que seu modelo de desenvolvimento autônomo e independente pudesse servir de exemplo para outros países da região. Dessa forma, a Inglaterra tinha sólidos interesses que justificavam estimular e financiar uma guerra contra o Paraguai.

Usando como pretexto a intervenção brasileira no Uruguai e contando com um exército bem mais numeroso que o do oponente brasileiro, Solano López tomou a ofensiva ao romper relações diplomáticas com o Brasil, em 1864. Logo depois, como medida complementar, ordenou o aprisionamento do navio brasileiro Marquês de Olinda, no rio Paraguai, retendo, entre seus passageiros e tripulantes, o presidente da província do Mato Grosso, Carneiro de Campos. A resposta brasileira foi a imediata declaração de guerra ao Paraguai.

Em 1865, mantendo-se na ofensiva, o Paraguai havia invadido o Mato Grosso e o Norte da Argentina, e os governos do Brasil, Argentina e Uruguai criaram a Tríplice Aliança contra Solano López.

Apesar de as primeiras vitórias da guerra terem sido paraguaias, o país não pôde resistir a uma guerra prolongada. A população paraguaia era muito menor que a dos países da Tríplice Aliança e, por maior que fosse a competência do exército paraguaio, a ocupação militar dos territórios desses países era fisicamente impossível, enquanto o pequeno Paraguai podia ser facilmente ocupado pelas tropas da Aliança.

Finalmente, Brasil, Argentina e Uruguai contavam com o apoio inglês, recebendo empréstimos para equipar e manter poderosos exércitos. A vitória brasileira do almirante Barroso na batalha de Riachuelo, já em 1865, levou à destruição da frota paraguaia. A partir daí, as forças da Tríplice Aliança passaram a ter a iniciativa na guerra, controlando rios, principais meios de comunicação da bacia platina.

Apesar de todas essas limitações, o Paraguai resistiu a quase cinco anos de guerra, mostrando o grau relativamente alto de desenvolvimento e auto-suficiência que havia obtido, além do engajamento da sua população em defesa do país.

O maior contigente das tropas da Aliança foi fornecido pelo exército brasileiro, que até então praticamente inexistia. Como sabemos, a Guarda Nacional cumpria, ainda que mal, as funções normalmente destinadas ao exército.

Diante de uma tropa bem-organizada e treinada como a paraguaia, era necessária uma nova força a rmada para o Brasil. O reduzido corpo de oficiais profissionais do exército brasileiro encarregou-se dessa função com bastante sucesso, ainda que isso demandasse tempo.

Para ampliar o contigente de soldados, em novembro de 1866 foi decretado que os escravos voluntariamente se apresentassem para lutar na guerra obteriam a liberdade. Muitos se alistaram dessa maneira, mas alguns foram obrigados a fazê-lo no lugar dos filhos de seus senhores que haviam sido recrutados.

No mesmo ano, o Brasil alcançou expressiva vitória na batalha de Tuiuti. Luís Alves de Lima e Silva, barão de Caxias, assumiu o comando das forças militares imperiais, vencendo rapidamente importante batalhas como as de Itororó, Avaí, Angosturas e Lomas Valentinas, chamadas "dezembradas" por terem acontecidos no mês de dezembro de 1868.

Essas batalhas abriram caminho para a invasão de Assunção, capital paraguaia, tomada em janeiro de 1869. O conde D'Eu, genro do imperador, liderou a última fase da guerra, conhecida como campanha da Cordilheira, completada com a morte de Solano López em 1870.

A guerra devastou o território paraguaio, desestruturando sua economia e causando a morte de cerca de 75% da população (aproximadamente 600 mil mortos).

Acredita-se que a guerra foi responsável pela morte de mais de 99% da população masculina com mais de 20 anos, sobrevivendo a população formada, predominantemente, por velhos, crianças e mulheres.

Além das mortes em combate, foram devastadoras as epidemais, principalmente a de cólera, que atingiram os homens de ambos os lados da guerra.

Acrescente-se, ainda, que os governos da Tríplice Aliança adotaram uma política genocida contra a população paraguaia.

Para o Brasil, além da morte de aproximadamente 40 mil homens (sobretudo negros), a guerra trouxe forte endividamento em relação à Inglaterra. Apontada como a principal beneficiária do conflito, forneceu armas e empréstimos, ampliando seus negócios na região e acabando com a experiência econômica paraguaia.

O Brasil conseguiu a manutenção da situação na bacia Platina, embora a um preço exorbitantemente alto. Mas a principal conseqüência da Guerra do Paraguai foi o fortalecimento e a institucionalização do exército, com o surgimento de um grande e disciplinado corpo de oficiais experientes, pronto a defender os interesses da instituição. Além disso, seu poder bélico tornava-o uma organização capaz de impor suas idéias a força, caso necessário, acrescentando uma dose de instabilidade ao regime imperial.

Carlos Leite Ribeiro

Fonte: www.sokarinhos.com

Guerra do Paraguai

11 de junho de 1865, nove da manhã. A Esquadra do Império Brasileiro, ancorada no rio Paraná perto da cidade argentina de Corrientes, é surpreendida, em pleno desjejum, pela Marinha Paraguaia em peso.

Estava para começar a batalha mais decisiva do maior conflito do nosso continente.

Estudei História Militar por achar que eram nos momentos-limites, como guerras, que os povos mais se revelavam.

Pois a Batalha de Riachuelo mostra com clareza tudo o que o brasileiro tem de melhor e pior.

Difícil dizer quando começa a Guerra do Paraguai. Depende de que lado você está.

Explico a situação aos meus alunos do Ensino Médio do seguinte modo.

Quem começa uma briga: o valentão que desenha uma linha no chão e diz que quem passar da linha, apanha, ou o outro valentão que vai e passa?

Foi mais ou menos isso que aconteceu.

O Paraguai declarou considerar a independência do Uruguai estratégica e que uma invasão brasileira do Uruguai seria uma declaração de guerra.

Dom Pedro II cagou e invadiu assim mesmo.

E então, quem começou a guerra?

Você pode argumentar que o Brasil não tinha direito de invadir ninguém. Você pode argumentar que o Paraguai não tinha direito de determinar quem pode ou não ser invadido.

Imediatamente, o Paraguai fechou o rio Paraná e invadiu o Mato Grosso, o Rio Grande do Sul e a província argentina de Corrientes.

Por seis meses, enquanto os aliados organizavam suas forças, López era dono da iniciativa e fez o que quis.

Em breve, a Tríplice Aliança foi consolidada, entre Brasil, Argentina e Uruguai. Em uma das muitas ironias da guerra, López, que iniciou o conflito ostensivamente para proteger o Uruguai, acabou lutando contra o próprio Uruguai. Naturalmente, o governo uruguaio que se uniu à Aliança foi o governo instalado pelo Brasil - o governo anterior, sumariamente derrubado, apoiava López.

Os aliados combatem os paraguaios em Corrientes e no Rio Grande do Sul, enquanto a Esquadra Imperial, moderna e numerosa, vai subindo o rio, em direção ao Paraguai.

Sempre ousado, López decide apostar todas as suas fichas em uma batalha decisiva: enviar sua Marinha inteira rio abaixo para tomar a armada brasileira.

Era tudo ou nada. Se ganhasse, o Paraguai teria acesso ao mar e poderia receber armas e suprimentos para continuar a luta. Se perdesse, não teria nem navios para tentar de novo. O Paraguai estaria ilhado.

Tudo favorecia o Brasil. Ninguém na Marinha Paraguaia tinha qualquer experiência guerreira ou naval. Só havia um navio de guerra. Os outros eram mercantes convertidos, a maioria apresada do Brasil nos primeiros dias da guerra.

Já o Brasil possuía um corpo de oficiais treinados em uma Escola Naval considerada completa pelos padrões europeus; navios de última geração, tanto encouraçados quanto adaptados para combate em rio; e, talvez o mais importante, muita experiência em guerra naval.

A geração dos almirantes brasileiros dessa guerra, nascidos por volta de 1800 e sessentões, tinham combatido portugueses na Guerra de Independência (1822-23), argentinos, na Guerra Cisplatina (1825-1828), cabanos, farrapos e todo tipo de rebeldes nas lagoas, mares e rios do Brasil durante as agitações da Regência, mais uma vez, argentinos durante as Guerras contra Rosas (1850-1851) e, por fim, uruguaios na guerra imediatamente anterior (1864).

Nunca houve (nem, espero, nunca haverá) uma geração tão guerreira quanto essa no Brasil.

O espanto é terem quase perdido o raio da batalha.

Brasileiro é Um Bicho Preguiçoso, Arrogante e Negligente

Como pode uma esquadra em território inimigo, numa manhã ensolarada, ser surpreendida com as calças na mão?

Só isso já era pra ter dado corte marcial pra todo mundo.

Naturalmente, o brasileiro já é meio preguiçoso e negligente. Quando ele acha que tem uma enorme superioridade material e que está invandindo o país de um bando de índio ignorante, mais ainda.

Brasileiro É Um Bicho Sortudo

A situação estava preta.

Os paraguaios já chegaram atirando antes mesmo que as âncoras fossem levantadas. Pior, durante a noite, os paraguaios também tinham guarnecido as margens do rio com homens e canhões.

Tinham pensado em tudo, menos em uma coisa: ninguém lembrou de trazer ganchos de abordagem.

O objetivo da batalha não era destruir a esquadra imperial.

De que adiantaria isso?

Os aliados mandariam mais navios.

O grande objetivo da batalha era capturar a marinha brasileira e já aproveitá-la para descer o rio barbarizando.

Mas como, sem ganchos de abordagem?

Pra quem nunca viu filme de pirata, ganchos de abordagem são aqueles ganchos que seguram os navios juntos, lado a lado, para os atacantes possam pular de um barco pro outro.

A esquadra paraguaia havia saído de Assunção em festa, López presente e tudo, uma operação cuidadosamente planejada. E esqueceram os ganchos!

Essa eu juro que nunca engoli. Pesquisei muito. Investiguei arquivos. Falei com experts. Mas não encontrei nenhuma outra explicação além de um fortuito esquecimento.

Algum dia escreverei um romance sobre o agente secreto imperial que se infiltrou na esquadra paraguaia, jogou os ganchos ao rio e ganhou a guerra. Pois ganhou mesmo.

Os navios paraguaios passaram várias vezes ao lado dos brasileiros e tudo o que podiam fazer era atirar com munição de pequeno calibre. Um ou outro soldado conseguia pular para dentro dos navios brasileiros, mas não fazia muito estrago.

Com os ganchos, a abordagem teria sido imediata. A batalha não duraria nem meia hora.

Se foi mesmo só esquecimento, então brasileiro é um bicho muito sortudo.

Brasileiro É Um Bicho Arretado de Bravo

Com os ganchos, a batalha teria sido paraguaia, com certeza. Mas, sem os ganchos, ela também não estava nem um pouco decidida.

Pega de surpresa, entre dois fogos, a esquadra brasileira manobrou mal. Em mais uma mostra de incompetência ou negligência, nos primeiros momentos de reação caótica, vários navios brasileiros simplesmente encalharam nos bancos de areia.

Ora, uma esquadra navegando em um rio inimigo tem que ter práticos que conheçam bem as águas.

Imediatamente, os navios encalhados viraram alvos tanto das baterias em terra, como dos navios paraguaios. Na falta dos fatídicos ganchos, os paraguaios tinham que vir nadando das margens, ou pulavam dos navios em movimento, para abordar os encalhados.

Um dos meus antepassados era tenente em um desses navios.

Vocês conseguem se imaginar no passadiço inclinado de um navio encalhado, lutando de espada em punho, o dia todo, de nove às cinco, contra um número interminável e incansável de inimigos tentando tomar o seu navio?

Brasileiro é um bicho arretado: apesar da extrema exaustão física das tripulações, nenhum dos navios brasileiros encalhados foi tomado. Nem perdido.

Brasileiro É Um Bicho Malandro

Por fim, mesmo com tanta negligência, incompetência e bravura, Riachuelo foi ganha no jeitinho, na malandragem.

E quer coisa mais característica do que nossa maior batalha brasileira ter sido decidida na improvisação?

O almirante no comando da esquadra, Barroso, português de nascimento mas, claramente, brasileiro de coração, viu que as coisas não iam nada bem e teve um estalo genial: ressuscitou, fora do nada, uma tática naval em desuso há quase 400 anos, que nem era mais ensinada ou estudada.

Nas guerras navais da antiguidade, usava-se flechas para diminuir o número de soldados ou remadores a bordo, mas o único modo de realmente afundar um inimigo era por abalroamento. Ou seja, um navio enfiava sua proa (seu bico) a toda velocidade contra o costado (o lado) do navio inimigo, literalmente cortando-o ao meio.

As batalhas navais eram verdadeiros números de dança: centenas de navios tentando se colocar na melhor posição para abalroar alguém, ao mesmo tempo em que tentavam evitar de ser abalroados.

O abalroamento, entretanto, não era usado desde Lepanto, em 1570, onde Cervantes perdeu um braço e os turcos foram expulsos do Mediterrâneo.

A razão era simples: com o advento dos grandes canhões, era possível (e recomendável!) afundar navios inimigos de longe. Ninguém mais chegava perto o suficiente do inimigo para sequer pensar em abalroamento.

Qualquer um sabe seguir o manual. Gênio é quem faz associações inesperadas no momento de maior necessidade.

Barroso era um lobo do mar à moda antiga. Nunca tinha nem cursado Escola Naval. Aprendeu seu ofício combatendo no mar durante 50 anos. Era péssimo com burocracias, políticas, frescuras e papeladas.

Um oficial responsável, que seguisse procedimentos à risca, jamais teria sido pego assim, com as calças na mão em território inimigo.

Por outro lado, esse oficial responsável e certinho também jamais teria conseguido, na hora de maior necessidade, puxar da cartola o abalroamento.

Finalmente, o oficial cuidadoso nunca teria se metido na sinuca em que Barroso se meteu.

Em suma, nada poderia ser mais brasileiro do que o final de Riachuelo.

Guerra do Paraguai
D Pedro II

Antes mesmo que os paraguaios se dessem conta do que estava acontecendo, o Amazonas, capitânea de Barroso, afundou rapidamente os três principais navios inimigos. Sabendo que seriam os próximos, os outros fugiram rio acima. Em poucos minutos, tudo estava encerrado.

A esquadra brasileira preferiu não persegui-los: foi lamber suas feridas e desencalhar seus navios.

Era o fim da tarde de 11 de junho de 1865.

Epílogo

Barroso merecia uma corte-marcial, mas ninguém pune o herói da maior batalha naval da história.

Circularam boatos de que ele se escondera no banheiro durante o grosso da ação e que a idéia do abalroamento e a condução do navio tinham ficado a cargo do prático. Naturalmente, são Pomer e Chiavenatto que dizem isso. Naturalmente, sem prova alguma.

Barroso participou de dezenas de batalhas, algumas mais desesperadoras e perigosas, embora nenhuma mais decisiva, que Riachuelo. Não há razão para supor, ainda mais sem evidências, que depois de 50 anos de combates ele teria entrado em pânico logo nesse momento.

Os poucos navios paraguaios que sobraram nunca mais enfrentaram a esquadra brasileira. Subindo o rio, as únicas ameaças ao avanço aliado eram as fortalezas fluviais como Humaitá e Curupaiti.

Em Riachuelo, López perdeu algo muito mais importante do que o acesso ao mar e o controle do rio: perdeu a iniciativa.

Guerra do Paraguai
Francisco Solano Lopez

O Exército Paraguaio no Rio Grande do Sul se rendeu ao Imperador em Uruguaiana, e os paraguaios no Mato Grosso voltaram para defender a pátria. Depois de Riachuelo, seriam os aliados a ditar o ritmo das operações. Dali em diante, a guerra seria travada no próprio Paraguai.

Vários fatores fizeram com que a guerra ainda durasse cinco anos: os aliados foram excessivamente tímidos enquanto os paraguaios, excessivamente bravos e Dom Pedro não abriu mão da cabeça de López enquanto López não abriu mão da Presidência

Fonte: www.sobresites.com

Guerra do Paraguai

Maior conflito armado da história sul-americana, tanto pela duração (1864-1870) como pelo vulto dos efetivos militares envolvidos.

Em novembro de 1864, o ditador paraguaio Francisco Solano López - que tinha planos de formar o Grande Estado do Prata, a ser composto pelo Paraguai, Uruguai e partes da Argentina e do Brasil - declarou guerra ao Brasil, após ter mandado aprisionar o navio mercante brasileiro Marquês de Olinda.

Em janeiro de 1865, Solano López invadiu a província argentina de Corrientes para atacar o Brasil. A Argentina entrou na guerra ao lado do Brasil, que já tinha o Uruguai como aliado. Os três países assinaram o Tratado da Tríplice Aliança, apoiados pela Inglaterra - já que o nacionalismo paraguaio ameaçava os interesses ingleses na América do Sul.

Após várias batalhas, o exército paraguaio foi derrotado e o ditador assassinado em março de 1870. Algumas das batalhas tornaram-se famosas, tais como a do Riachuelo, Tuiuti (considerada a maior batalha campal da América do Sul), Itotoró e Avaí.

Vários brasileiros notabilizaram-se por sua participação no conflito, entre eles o Duque de Caxias, Almirante Francisco Manuel Barroso da Silva e General Manuel Luís Osório.

A Guerra do Paraguai aumentou a crise econômica brasileira e arruinou o Paraguai, até então a nação mais desenvolvida da América do Sul.

Fonte: www.senado.gov.br

Guerra do Paraguai

Maior conflito da história da América do Sul, entre o Paraguai e uma aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. A guerra dura de 1865 a 1870 e dizima quase dois terços da população paraguaia.

As disputas pela estratégica região do rio da Prata nascem nas guerras de independência e transformam-se em luta pela hegemonia regional. Além dos interesses econômicos em torno da navegação no Prata, a questão é usada pelos caudilhos das repúblicas platinas e pelas elites dirigentes do império brasileiro para consolidar seu poder interno.

A rivalidade entre o Brasil e a Argentina na região é agravada pela determinação do Paraguai de participar da disputa regional.

Antecedentes imediatos

Em 1851, com a alegação de que os blancos uruguaios, compostos principalmente de proprietários rurais, estariam atacando e pilhando fazendas e estâncias na fronteira gaúcha, o império brasileiro intervém no Uruguai para derrubar o governo de Manuel Oribe, do Partido Blanco, apoiado pelos argentinos.

No ano seguinte, o Brasil invade o território argentino para destituir o ditador Manuel Rosas. Em 1864, os brasileiros voltam a atacar o governo blanco do Uruguai, agora chefiado por Atanásio Aguirre.

Intervenção paraguaia

Aguirre é apoiado pelo presidente paraguaio Francisco Solano López, que reivindica os mesmos direitos dos países vizinhos quanto à navegação e ao comércio no rio da Prata. Em 11 de novembro de 1864, López manda apreender o navio brasileiro Marquês de Olinda, em trânsito pelo rio Paraguai. Em dezembro declara guerra ao Brasil e ordena a invasão da província de Mato Grosso.

O primeiro ano da guerra é de ofensiva paraguaia, sustentada pela surpresa da iniciativa, pela boa estrutura produtiva e pela eficiente preparação militar. Os paraguaios abrem várias frentes de guerra na fronteira com o Brasil, de Mato Grosso ao Rio Grande do Sul.

Contando com a neutralidade da Argentina, López cruza seu território e entra no Rio Grande. Seu objetivo é chegar ao Uruguai e, com o apoio dos blancos, estabelecer uma sólida posição.

Tríplice Aliança

A estratégia começa a falhar em maio de 1865, quando Brasil, Argentina e Uruguai firmam o Tratado da Tríplice Aliança.

A partir daí, o império brasileiro passa ao contra-ataque: adquire canhões e navios no exterior, intensifica o recrutamento de soldados e convoca batalhões de "voluntários da pátria", na maioria pobres, mulatos e negros.

Em 11 de junho, as esquadras dos almirantes Tamandaré e Barroso destroem a frota paraguaia na Batalha do Riachuelo. Em 18 de setembro, tropas paraguaias rendem-se em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, na presença do imperador dom Pedro II.

Solano López recua da estratégia ofensiva e concentra as forças em torno do sistema de fortalezas que resguardam o território paraguaio, como as de Curupaiti, Humaitá e Curuzu. Em 1866, as primeiras divisões de soldados aliados, comandadas pelo general argentino Bartolomeu Mitre, invadem o Paraguai.

A contra-ofensiva da Tríplice Aliança cresce em 1867 e 1868, sob o comando dos brasileiros Manuel Luís Osório e Luís Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias.

De julho a dezembro de 1868, os Aliados vencem os paraguaios em Curupaiti, Humaitá, Itororó, Lomas Valentinas e Angostura.

Em janeiro de 1869 entram em Assunção, capital do Paraguai. Solano López retira-se para o norte do Paraguai, onde resiste até ser assassinado em Cerro Corá, em 1º de março de 1870.

Fonte: www.geocities.com

Guerra do Paraguai

Não houve desde o final das Guerras Napoleônicas, em 1815, até a deflagração da Grande Guerra, em 1914, guerras internacionais envolvendo todas ou mesmo a maioria das grandes potências (predominantemente européias).

Houve algumas guerras - como, por exemplo, a Guerra Franco-Prussiana (1870-1871) - entre duas grandes potências.

A maior parte delas encerrou-se em um pequeno espaço de alguns meses, ou mesmo de algumas semanas, com um número de perdas de vidas humanas relativamente reduzido. Uma delas - a Guerra da Criméia (1854-1856) - chegou a envolver três grandes potências (Rússia, Inglaterra e França), durou quase dois anos e custou a perda de mais de 450 mil vidas (dois terços das quais russas).

Fora da Europa, na periferia da política mundial, algumas guerras foram empreendidas por poderes imperialistas ou por estados com ambições imperialistas contra estados mais fracos (notadamente, nas Américas, a Guerra Mexicana, 1846-1848 entre os EUA e o México). Houve também duas guerras civis bastante extensas e extremamente selvagens - as Guerras Taiping, na China (nas décadas de 1850-60), com perdas de vida incalculáveis, e a Guerra Civil americana (1861-1865), na qual morreram mais de 600 mil soldados da União e da Confederação - e, no México, com início em 1910 (bem no final do "longo século XIX"), uma violenta revolução social.

Finalmente, na América do Sul, ocorreram diversas guerras - a maior parte delas de menor importância - entre os estados independentes recentemente formados a partir da emancipação dos antigos impérios espanhol e (no caso do Brasil) português, sobretudo envolvendo estados que tinham interesses conflitantes, quer no tocante a costa do Pacífico, quer ao Rio da Prata.

A mais longa, mais sanguinolenta e mais destrutiva das guerras que assolaram a América do Sul no século XIX foi a Guerra do Paraguai, ou Guerra da Tríplice Aliança, que começou com a declaração de guerra pelo Paraguai em primeiro lugar ao Brasil e depois à Argentina, seguida por uma invasão aos territórios desses dois países, e acabou por se tornar uma guerra travada entre Brasil, Argentina e Uruguai para a destruição do Paraguai.

Foi sem dúvida a mais prolongada e - com exceção da Guerra da Criméia - a mais violenta guerra interestados já ocorrida em qualquer parte do mundo entre 1815 e 1914. Durou mais de cinco anos (de outubro/novembro de 1864 a março de 1870) e consumiu cerca de 300 mil vidas (embora, à luz da pesquisa moderna, o número de 200 mil ou até 150 mil vidas possa ser considerado uma estimativa mais razoável). Além disso, a guerra teve um impacto profundo sobre os assuntos econômicos, sociais e políticos de todos os quatro países nela envolvidos.

Foi um episódio inserido na guerra civil extremamente longa entre blancos e colorados, no Uruguai - a rebelião do general Venâncio Flores (do Partido Colorado) contra o governo Blanco do presidente Bernardo Berro, em abril de 1863 -, que detonou a seqüência de eventos que culminou com a invasão do Brasil e da Argentina pelo Paraguai e, portanto, com a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai.

A Guerra do Paraguai tem suas raízes, sob certo ponto de vista, nas lutas entre Espanha e Portugal, nos séculos XVII e XVIII, e entre as então recém-independentes Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina); e, mais especificamente ainda, entre a província de Buenos Aires, e, primeiro, Portugal, e depois, o recém-independente Império do Brasil, nas segunda e terceira décadas do século XIX pelo controle da chamada "Banda Oriental" (ou Lado Oriental) do Rio da Prata.

Esse conflito havia sido, no entanto, amplamente resolvido, muito antes dos eventos que levaram diretamente à deflagração da Guerra do Paraguai. Em 1828, após a mediação britânica, tinha sido criada a República Independente do Uruguai, estabelecida como um estado "pára-choque" (ou intermediador) entre a Argentina e o Brasil. E, em 1851-52, o ditador argentino Juan Manuel de Rosas, o principal inimigo do Uruguai independente, havia sido derrotado por uma Tríplice Aliança prévia (liderada por Entre-Rios e seu caudilho, o general Justo José de Urquiza), que reunia o Uruguai, o Brasil e as províncias argentinas, que se opunham a Rosas e a uma dominação por parte de Buenos Aires. Na verdade, em 1863-64, Argentina e Brasil, pela primeira vez, estavam do mesmo lado numa crise no Uruguai e não tinham intenção de entrar em guerra - pelo menos não entre si.

Após cerca de um década, durante a qual Buenos Aires tinha ficado independente, as províncias do Rio da Prata haviam finalmente - e, como se viu mais tarde, definitivamente - sido unificadas, em 1861. Na decisiva batalha de Pavón, o general Bartolomé Mitre - o governador liberal de Buenos Aires, que, em 1862, viria a se tornar o primeiro presidente eleito da República Unida da Argentina - tinha recebido apoio do general Flores e dos colorados (liberais) uruguaios.

Em abril de 1863, por sua vez, Mitre apoiou Flores em sua tentativa de derrubar o governo blanco (conservador) em Montevidéu. A principal preocupação de Mitre era garantir que o Uruguai não voltasse, mais uma vez, a concentrar um possível foco de oposição residual federalista nas províncias, ameaçando uma Argentina unificada sob a hegemonia de Buenos Aires.

Durante a década de 1850, o Brasil havia aumentado enormemente os seus interesses econômicos e financeiros, bem como a sua influência política sobre o Uruguai. Já no final dessa década, mais de 20 mil súditos brasileiros, na maioria gaúchos, juntamente com seus escravos, ali se haviam estabelecido. Os brasileiros constituíam mais de 10% da população uruguaia.

Eles possuíam, talvez, 30% da terra, incluindo algumas das melhores propriedades disponíveis, e transportavam livremente o seu gado para as charqueadas no Rio Grande do Sul. Mas a administração de Berro, eleita em 1860, tinha começado a adotar uma linha mais dura, tentando restringir o assentamento de brasileiros (e o direito de possuir escravos) e procurando controlar - e taxar - o comércio feito através da fronteira.

O Rio Grande do Sul, estado dominado por tendências liberais, que há apenas 15 anos tinha desistido da luta para se tornar independente julgou que o governo imperial do Rio de Janeiro fosse proteger os seus interesses no Uruguai. À medida que as tendências políticas nacionais ficavam cada vez mais simpáticas aos liberais (culminando, em janeiro de 1864, com a nomeação de um governo liberal-progressista, sob a liderança de Zacarias Góis e Vasconcelos), os governos brasileiros foram se tornando cada vez mais sensíveis às pressões vindas do Rio Grande do Sul. Assim o Brasil, a exemplo da Argentina, apoiou a rebelião colorada, iniciada pelo general Flores, no Uruguai, em abril de 1863.

Foi exatamente nessas circunstâncias que o governo blanco, no Uruguai, voltou-se para o Paraguai como seu único possível aliado contra os colorados, agora apoiados tanto pela Argentina como pelo Brasil.

O Paraguai, uma província de fronteira do Vice-Reinado do Rio da Prata, havia conseguido separar-se tanto da Espanha como de Buenos Aires, em 1811-1813.

O país já era e permanecia sendo não apenas geograficamente isolado (até a derrota da Bolívia na Guerra do Pacífico, no final do século, o Paraguai era o único Estado latino-americano cercado por terra), uma nação que falava predominantemente a língua guarani, como era também um país culturalmente isolado.

Sob a ditadura do doutor José Gaspar Rodríguez de Francia (1813-1840) e, em menor proporção (pelo menos até a década de 1850), sob a ditadura do seu sucessor, Carlos Antonio López, o Paraguai tinha se isolado política e economicamente de seus vizinhos. Seu papel fora bem pouco significativo nas guerras civil e interestados do Rio da Prata durante a primeira metade do século XIX.

Ele tinha, contudo, muito receio e alimentava sentimentos de profunda desconfiança com relação aos dois vizinhos - muito maiores, muito mais populosos do que ele e potencialmente predatórios -, as Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina) e o Brasil, que, por sua vez, tinham pendências envolvendo domínio territorial contra o Paraguai.

A Argentina reconheceu a independência do Paraguai em 1852. Havia pontos de atrito com os dois países sobre a liberdade (ou não) de navegação no sistema hidroviário Paraguai-Paraná. O Brasil pediu ao Paraguai que desse à província de Mato Grosso acesso ao Rio Paraná, e portanto, ao Atlântico, via Rio Paraguai. A Argentina deveria dar ao Paraguai acesso ao Atlântico através do Rio Paraná.

Durante a década de 1850 - visto que primeiramente o Brasil e, a seguir a Argentina ultrapassaram os obstáculos para a consolidação da sua unidade interna e da sua estabilidade, e que sobretudo o Brasil adotou uma atitude que o Paraguai encarava como uma política imperialista com relação ao Uruguai -, o governo de Carlos Antonio López passou a implementar, com crescente empenho, uma política de modernização econômica - e militar -, passando então a fazer uso efetivo da tecnologia e dos técnicos britânicos.

Francisco Solano López - a quem o governo de Berro, em Montevidéu, tinha recorrido em busca de ajuda em julho de 1863, após as conseqüências da invasão empreendida por Flores - tinha assumido o poder no Paraguai, em outubro de 1862, depois da morte do pai.

Inicialmente hesitante em estabelecer uma aliança formal com os blancos - seus aliados naturais - contra os colorados, no Uruguai, agora que estes últimos contavam com o apoio tanto do Brasil como da Argentina, durante a segunda metade daquele ano, López começou, numa espiral ascendente, a advertir a Argentina e o Brasil contra o que ele considerava uma ameaça crescente ao equilíbrio de poderes existente no Rio da Prata, que, em sua opinião, garantia a segurança, a integridade territorial e a independência do Paraguai.

Ele também vislumbrou uma oportunidade de fazer sua presença sobressair na região, uma chance de desempenhar um papel que estivesse à altura do novo poder econômico e militar do Paraguai. No início de 1864, López começou a se mobilizar, tendo em vista uma possível guerra.

Depois que toda diplomacia havia fracassado nas tentativas de resolver as diferenças com o governo uruguaio, a administração de Zacarias, no Rio de Janeiro, acabou por expedir, em 4 de agosto de 1864, um ultimatum ao Uruguai, com ameaças de retaliação em resposta a pretensas ofensas sofridas por súditos brasileiros, bem como uma intervenção direta em favor dos rebeldes colorados, López enviou um ultimato ao Brasil, em 30 de agosto, contra qualquer intervenção no Uruguai.

Quando o aviso foi ignorado e as tropas brasileiras invadiram o Uruguai, em 16 de outubro, López tomou a fatídica decisão de declarar guerra ao Brasil, capturando o navio Marquês de Olinda, que rumava para o Mato Grosso, através do rio Paraguai e, em dezembro de 1864, invadiu esta província brasileira.

A Argentina recusou permissão para que o Exército paraguaio atravessasse o território das Missiones - motivo de tantas contendas e altamente despovoado - e invadisse o Rio Grande do Sul e, em última análise, o Uruguai. López declarou guerra também à Argentina e, em abril de 1865, invadiu a província argentina de Corrientes.

Assim, Francisco Solano López iniciou o que veio a se tornar a Guerra do Paraguai. Até que ponto suas ações foram racionais, provocadas pelo Brasil e pela Argentina, essencialmente em defesa de interesses nacionais ameaçados (talvez mesmo em defesa da sobrevivência do seu país); ou irracionais, agressivas e expansionistas, tendo a intervenção brasileira no Uruguai servido de pretexto ou de oportunidade para que uma personalidade megalomaníaca realizasse o sonho de construir um império - esses são ainda pontos a serem debatidos.

Mas, qualquer que tenha sido o pensamento inspirador das ações, qualquer que tenha sido a sua motivação, a decisão de López de declarar guerra primeiro ao Brasil e depois à Argentina, e de invadir os territórios dos dois países, constituiu um erro gravíssimo de cálculo, erro que traria conseqüências trágicas para o povo paraguaio. Na pior das hipóteses, López lançou-se em um jogo arriscado - e perdeu.

Ele superestimou o poder econômico e militar do Paraguai. Ele subestimou o potencial (sem considerar o efetivamente existente) do poder militar brasileiro - e a disposição para a luta do Brasil. Enganou-se ao imaginar que a Argentina ficaria neutra numa guerra entre Paraguai e Brasil.

Por diversas ações, como vimos, tanto a Argentina como o Brasil apoiaram os colorados na sua luta contra os blancos, e Mitre não acreditou que os interesses argentinos, inclusive a contínua independência do Uruguai, estivessem ameaçados pelo que ele esperava ser uma breve intervenção cirúrgica do Brasil no Uruguai, em defesa de seus próprios interesses.

López também exagerou na avaliação das contradições internas da Argentina e na possibilidade de que, por exemplo, Entre-Rios (ainda sob a liderança de Urquiza) e Corrientes impedissem a Argentina de entrar na guerra contra o Paraguai, ou que, caso houvesse guerra, ficassem do lado paraguaio e contra Buenos Aires.

Dessa forma, as imprudentes ações de López trouxeram à tona exatamente a coisa que mais ameaçava a segurança e até mesmo a existência de seu país, uma união entre os dois vizinhos poderosos - na verdade, visto que Flores tinha finalmente conseguido tomar o poder em Montevidéu, em fevereiro de 1865, uma união dos três vizinhos - em uma guerra contra ele.

Nem o Brasil nem a Argentina tinham uma contenda suficientemente séria com o Paraguai que justificasse uma situação de guerra. Eles não desejaram nem planejaram uma guerra com o Paraguai. A guerra não contava com o apoio nem era uma reivindicação popular. Na verdade, a guerra provou ser impopular, falando em termos genéricos, nos dois países, mas sobretudo na Argentina.

Mas a necessidade de se defender contra a agressão paraguaia (fosse ela em grande parte provocada ou justificada) ofereceu aos dois países (Brasil e Argentina) uma oportunidade de fazer um "acerto de contas" com o Paraguai, bem como de punir e enfraquecer, talvez mesmo de destruir, um poder emergente e preocupante dentro de sua região.

Mitre e D. Pedro II não confiavam em López. Além disso, Mitre agarrou essa oportunidade de remover um regime que, a exemplo dos blancos, no Uruguai, ele encarava como um foco perpétuo de resistência federalista para Buenos Aires e, portanto, como uma ameaça constante ao processo de tornar a Argentina uma verdadeira nação. Por sua vez, D. Pedro aproveitou a chance de afirmar a inquestionável hegemonia brasileira na região (talvez em toda a América do Sul) e, sobretudo, de estabelecer uma hegemonia sobre o Paraguai, em lugar de uma hegemonia argentina.

Determinar até que ponto o Brasil e a Argentina também estavam à espreita de minar e destruir um "modelo" paraguaio de desenvolvimento econômico "autônomo" liderado pelo Estado, que supostamente representava uma ameaça ao avanço do "modelo" do capitalismo liberal na região; saber se, como "neocolônias" britânicas, os dois países foram, ou não, estimulados ou manipulados a deflagrar uma guerra contra o Paraguai, a fim de abrir a única economia fechada remanescente na América Latina para os produtos manufaturados e para o capital britânicos - estas são questões que procurei tratar em meu ensaio, neste volume.

Meu argumento é que existe muito pouca - se é que há alguma - evidência capaz de dar suporte a esta tese "revisionista", muito embora os empréstimos britânicos para a Argentina e, mais especificamente, para o Brasil, antes e durante a guerra - bem como a venda de armas britânicas -, sem dúvida tenham sido uma contribuição muito importante para a eventual vitória dos aliados sobre o Paraguai.

Em 1o de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram um tratado de Aliança contra o Paraguai.

Os objetivos dos aliados eram:

a) acabar com a ditadura de López
b)
garantir a livre navegação nos rios Paraguai e Paraná; e
c)
secretamente, conquistar definitivamente para o Brasil o território sobre o qual ele julgava ter direito, situado no noroeste do Paraguai, e, para a Argentina, o território que ela reclamava para si no leste e oeste do Paraguai.

À medida que a guerra foi se desenvolvendo, tornou-se, tanto para o Brasil como para a Argentina, uma guerra pela civilização contra o barbarismo - apesar do fato bastante estranho de que, após a emancipação dos escravos ocorrida nos Estados Unidos, em 1863, durante a Guerra Civil, o Brasil era (além da colônia espanhola de Cuba) o único Estado em todo o hemisfério ocidental a ter uma sociedade e uma economia baseadas no trabalho escravo (além de continuar sendo a única Monarquia).

A Guerra do Paraguai não era inevitável. Também não era necessária.

Mas, uma vez que Flores saiu de Buenos Aires em direção ao Uruguai, em abril de 1863, ela apenas poderia ter sido evitada:

a) se o Brasil tivesse sido menos veemente em defesa dos interesses dos seus súditos no Uruguai e, sobretudo, se não tivesse intervindo militarmente em seu favor
b)
se a Argentina tivesse ficado neutra no conflito entre o Paraguai e o Brasil; e, mais importante que tudo,
c)
se o Paraguai tivesse agido com mais prudência, reconhecendo as realidades em termos de poderes na região e procurando defender seus interesses por meios diplomáticos, e não bélicos.

Considerando-se a enorme disparidade entre os dois lados em termos de tamanho, riqueza e população (e, portanto, em termos de recursos materiais e humanos, tanto reais como potenciais), a Guerra do Paraguai, desde o início, se nos apresenta como uma luta desigual.

O Brasil (população de quase 10 milhões, incluindo entre 1,5 e 2 milhões de escravos), a Argentina (população de 1,5 milhão) e o Uruguai (população de 250 mil a 300 mil) uniram forças contra o Paraguai (população de 300 mil a 400 mil (?), certamente muito menos do que o 1 milhão ou mais ainda freqüentemente mencionados).

Em termos militares, no entanto, os dois lados estavam em proporções mais bem equiparadas. Na verdade, no início da guerra (e, pelos menos, durante o primeiro ano), o Paraguai provavelmente tinha, ao menos numericamente, uma clara superioridade militar. Estima-se, muito disparatadamente, que o Exército Regular paraguaio tinha entre 28 mil e 57 mil homens, mais os reservistas (entre 20 mil e 28 mil) o que significa dizer que, virtualmente, toda a população masculina adulta estava pronta para combate.

Isto deve ser comparado com o Exército argentino de 25 mil a 30 mil homens (dos quais somente 10 mil ou 15 mil estavam disponíveis no caso de uma guerra externa, o que nos mostra o grau de fragilidade da recém-conquistada unidade e estabilidade argentinas); com o Exército do Uruguai de 5 mil homens (se tanto), e o do Brasil, de 17 mil a 20 mil (embora o Brasil também contasse com os corpos policiais das províncias e uma ampla reserva, de até 200 mil homens, na forma da Guarda Nacional.)

No decorrer da guerra, o Paraguai mobilizou pelo menos de 70 mil a 80 mil homens (embora provavelmente menos do que os 100 mil homens algumas vezes mencionados). Ele podia mobilizar de 30 mil a 40 mil a qualquer momento, mas após a derrota de Tuyuti, em maio de 1866, raramente enviou para o campo de batalha mais de 20 mil homens. Depois que as forças paraguaias foram expulsas do território argentino (e não parecia haver nenhuma possibilidade concreta de retorno), a Argentina reduziu o seu envolvimento com o esforço de guerra aliado, de maneira que, por volta do final da guerra, havia somente um contingente de cerca de 4 mil homens no solo paraguaio.

O Uruguai teve uma presença meramente simbólica no teatro das operações. Por outro lado, o Brasil, que foi assumindo responsabilidades cada vez maiores, considerando-se a campanha como um todo - por exemplo, em agosto de 1867, havia de 40 mil a 45 mil soldados da Aliança no campo (três quartos destes brasileiros) -, expandiu seu Exército Regular para 60 mil ou 70 mil homens durante o primeiro ano das hostilidades, lançando mão de recrutamento forçado, do uso de escravos (que recebiam alforria em troca do serviço na guerra) e de unidades militares formadas por voluntários (os Voluntários da Pátria, que também incluíam muitos negros nascidos livres, como por exemplo, o Príncipe Obá, tema de um ensaio da autoria de Eduardo Silva neste volume).

Ao longo da guerra, estima-se que o Brasil tenha mobilizado entre 130 mil e 150 mil homens (embora, provavelmente, não os 200 mil relatados por alguns historiadores), e a proporção de tropas recrutadas da Guarda Nacional caiu de cerca de 75%, em 1866, para menos de 45%, em 1869.

Além disso, ao contrário do Paraguai, que tinha que confiar em seu próprio arsenal e estaleiros, os aliados também tinham acesso armas e navios de guerra fabricados e comprados no exterior, na maior parte na Europa, bem como a empréstimos levantados na City de Londres para ajudar no pagamento desse "reforço". E os aliados, ou seja, o Brasil, possuíam uma superioridade naval absoluta. No início da guerra, o Brasil já dispunha da maior e mais poderosa marinha da região (33 embarcações a vapor e 12 a vela); e, em dezembro de 1865, o primeiro de uma série de encouraçados, o Brasil, entrou em cena.

Os combates em si podem ser divididos em três fases. A primeira teve início com as limitadas ofensivas paraguaias contra o Mato Grosso, em dezembro de 1864, e Corrientes, em abril de 1865. Em maio de 1865, o Exército paraguaio finalmente atravessou as Missiones e invadiu o Rio Grande do Sul.

No começo muito bem-sucedida, a invasão acabou sendo contida pelas forças aliadas. Os paraguaios nunca chegaram a alcançar o Uruguai. O comandante paraguaio, coronel Estigarribia, rendeu-se ao presidente Mitre (comandante das forças aliadas durante os primeiros dois anos e meio da guerra), ao Imperador D. Pedro II - em sua única visita à zona de guerra - e ao presidente Flores, em Uruguaiana, em 14 de setembro.

O Exército paraguaio recuou, atravessando o rio Paraná, e preparou-se para defender a fronteira sul do país. No final do primeiro ano de guerra, as únicas tropas paraguaias que permaneciam em solo aliado eram umas poucas unidades localizadas em Mato Grosso (que continuou como um front secundário dentro da guerra). Nesse ínterim, em 11 de junho, em Riachuelo, no rio Paraná, logo abaixo do porto fluvial de Corrientes, na única batalha naval da guerra que realmente foi importante, a Marinha Imperial destruiu a esquadra paraguaia e instituiu um efetivo bloqueio do Paraguai, mantido até o final da guerra.

A segunda e principal fase (que incluiu diversos períodos em que quase não havia luta de fato) começou quando os aliados finalmente invadiram o Paraguai, em abril de 1866, e estabeleceram seu quartel-general em Tuyuti, logo acima da confluência dos rios Paraná e Paraguai.

Nesse local, em 24 de maio, eles rechaçaram uma violenta investida paraguaia e ganharam a primeira grande batalha terrestre da guerra. Contudo, passaram-se mais de três meses até que os exércitos aliados começassem a avançar, subindo o rio Paraguai.

Quase imediatamente, em Curupaiti, em 22 de setembro apenas dez dias depois de um encontro entre Mitre e López, em Yatayti-Corá, no qual López ofereceu vantagens que incluíam concessões territoriais para que a guerra pudesse chegar ao fim, contanto que ele próprio fosse poupado e que o Paraguai não fosse totalmente desmembrado e ocupado de forma permanente, proposta definitivamente rejeitada -, os aliados sofreram a sua pior derrota na guerra.

Eles não renovaram seus esforços de avanço até julho de 1867, quando foi iniciado um movimento para cercar a grande fortaleza fluvial de Humaitá (a Sebastopol do Paraguai), que bloqueou o acesso ao rio Paraguai e à capital paraguaia, Assunção. Mesmo assim, foi preciso mais de um ano (agosto de 1868) até que Humaitá fosse finalmente ocupada, e mais uns cinco meses (janeiro de 1869) até que, após uma derrota decisiva e a destruição virtual do Exército paraguaio na batalha de Lomas Valentinas (em 27 de dezembro), as tropas aliadas (na maior parte brasileiras), que, desde janeiro de 1868, estavam sob a liderança do comandante-em-chefe brasileiro, o Marquês de Caxias, finalmente invadiram Assunção e colocaram um ponto final na guerra - ou assim pensavam eles, na época.

Houve, entretanto, uma terceira fase da guerra. López constituiu um novo exército na Cordillera a leste de Assunção e liderou uma campanha de guerrilha que, embora limitada, foi bem-sucedida, contra as forças aliadas. Finalmente foi derrotado e teve suas tropas massacradas, em 16 de agosto de 1869, na última grande batalha dessa guerra, em Campo Grande, ou Acosta Nhu.

O próprio López escapou novamente. Ele e sua companheira irlandesa, Elisa Alicia Lynch, foram perseguidos, em direção ao norte, pelas tropas brasileiras, por mais uns seis meses, até que López foi finalmente encurralado e morto em Cerro Corá, no lado extrema da região nordeste do Paraguai, em 1o de março de 1870.

Por que foi preciso tanto tempo para que os aliados conseguissem dar um fim bem-sucedido a essa guerra a despeito da esmagadora superioridade naval e, pelo menos após Tuyuti, terrestre?

Bem no início da guerra, Mitre tinha declarado que os aliados estariam dentro de Assunção em um período de três meses. Na verdade, foram necessários quase quatro anos para que os aliados chegassem à capital paraguaia. E, mesmo então, a guerra ainda se arrastou por mais um outro ano. A explicação está, por um lado, na parte dos aliados, ou melhor, na parte do Brasil, visto que, após o primeiro ano, mais ou menos, este travou a guerra praticamente sozinho.

O governo brasileiro enfrentou enormes problemas logísticos, primeiro organizando seus contingentes, depois transportando-os por milhares de quilômetros, tanto por terra, como por mar e por rio, e, finalmente, tendo que abastecer as tropas. Destruir as excelentes defesas terrestres e fluviais do Paraguai não era uma tarefa nada fácil.

Mas também não se pode negar que os comandantes aliados, inclusive os brasileiros, demonstraram um elevado grau de falta de aptidão, tática e estratégica (Nota do Copista: É bom não esquecer que os generais brasileiros nunca antes travaram uma guerra remotamente parecida com esta. E também lembrar como o próprio Marquês de Caxias comparava a fartura de meios de comunicação que os generais da União e da Confederação tiveram na Guerra Civil americana em comparação com a penúria de meios materiais dentro de um país hostil e totalmente desconhecido em termos topográficos)Por outro lado, as tropas paraguaias - na verdade, o povo paraguaio - permaneceram fiéis a López e lutaram com uma tenacidade extraordinária.

No final, quando a sobrevivência nacional estava em jogo, lutaram heroicamente. Isto e a determinação dos aliados de levarem a guerra té o final mais doloroso explicam por que o confronto foi tão sangrento.

A guerra foi, para o Paraguai, um desastre quase que absoluto. No final, ele sobreviveu como um Estado independente (muito embora, no período imediatamente pós-guerra, tenha ficado sob a tutela do Brasil).

A mais extrema conseqüência da derrota, o desmembramento total, foi evitada, quanto mais não fosse por causa da rivalidade entre os vencedores. O orgulho nacional dos paraguaios permaneceu intacto, talvez até acrescido. Mas o território foi reduzido em cerca de 40%.

Embora a perda populacional tenha sido grosseiramente exagerada - até mesmo calculada em 50% da população paraguaia do período anterior à guerra (em geral aumentada), ou seja, 200 mil, 300 mil ou meio milhão de mortos - , estimativas mais recentes de 15% a 20% (até menos) de uma população de pré-guerra, estimada em contingente muito menor, ou seja, entre 50 mil e 80 mil mortes, tanto nos campos de batalha quanto por doenças (sarampo, varíola, febre amarela e cólera), constituem percentuais extremamente elevados segundo os padrões de qualquer guerra moderna.

A economia do Paraguai ficou em ruínas, suas bases de produção e de infra-estrutura foram destruídas, seus primeiros passos de desenvolvimento voltados para fora, através de um comércio mais amplo e de uma integração mais estreita com a economia mundial, levaram uma geração ao retrocesso.

Indenização vultosa foi imposta pelos vencedores, embora acabasse sendo revista (não no caso do Brasil, até a Segunda Guerra Mundial). O que sobrou do Exército paraguaio foram tropas desprovidas de armamentos e as fortificações fluviais, famosas e poderosas, ficaram permanentemente inutilizadas. Tropas brasileiras (e algumas argentinas) mantiveram a posição no Paraguai por quase uma década.

Dentre os dois principais vencedores - visto que o Uruguai tinha sido um participante relativamente insignificante e foi muito pouco afetado pela guerra, quer de forma positiva ou negativa -, a Argentina sofreu (possivelmente com alguns exageros) perdas estimadas de 18 mil homens em batalhas, mais 5 mil em distúrbios internos provocados pela guerra, e 12 mil na epidemia de cólera.

O território que conseguiu conquistar ficou aquém de suas ambições - a astuta diplomacia brasileira manteve a Argentina fora da região norte do Chaco. Mas ela conseguiu assegurar finalmente as Missiones e o Chaco Central, até o rio Pilcomayo. Um Paraguai cada vez mais forte e potencialmente expansionista havia sido erradicado da política do Rio da Prata. E, no saldo final, a guerra tinha contribuído positivamente para a consolidação nacional. Entre-Rios e Corrientes mantiveram a união.

As rebeliões dos montoneros, em diversas províncias tinham sido debeladas. Buenos Aires foi aceita como a capital inquestionável de uma República Argentina unida. A identidade nacional argentina ficara consideravelmente mais fortalecida. O solo estava pronto para receber as notáveis transformações econômicas, sociais e políticas da Argentina durante a metade do século seguinte.

No caso do Brasil, a quem coube a principal contribuição para o esforço de guerra responsável pela vitória, os custos, mas também os benefícios da vitória, foram ainda maiores. As perdas humanas totalizaram pelo menos 25 mil ou 50 mil em combates, acrescidas das mortes por doenças (embora muito provavelmente menos do que o número de 100 mil por vezes mencionado).

Entretanto, o Brasil conquistou do Paraguai todo o território que ele reivindicava, entre o rio Apa e o rio Branco. E o próprio Paraguai, até mais que o Uruguai, estava agora firmemente sob a influência e o controle brasileiros.

O custo da guerra deixou uma grande nódoa nas finanças públicas do Brasil. Mas essa mesma guerra também estimulou a indústria brasileira - sem chegar a mencionar as fábricas de produtos têxteis (para uniformes do Exército) e o arsenal do Rio de Janeiro - e, de alguma maneira, modernizou a infra-estrutura do país.

O recrutamento, o treinamento, o fornecimento de vestuário, de armamentos e o transporte para um exército tão grande tinham desenvolvido a organização ainda rudimentar do Estado brasileiro. A guerra também aguçou as tensões sociais de diversas maneiras, mas, no saldo final, estimulou a causa da reforma social.

De maneira bastante significativa, em maio de 1867, D. Pedro anunciou que, após guerra, seriam tomadas medidas no sentido de emancipar os escravos brasileiros. De fato, foi preparado o terreno para o que veio a se tornar a Lei do Ventre Livre (1871), a legislação mais importante que levou à abolição final da escravatura, em 1888. A guerra também estimulou a discussão sobre a reforma política no Brasil. Não foi por acaso que o último ano da guerra presenciou o nascimento no Partido Republicano (1870).

Finalmente, a guerra produziu, pela primeira vez no Brasil, um exército moderno e profissional interessado em desempenhar um papel político.

A ligação entre a Guerra do Paraguai e o golpe militar de 1889, que estabeleceu a República no Brasil, é demasiadamente conhecida e dispensa que aqui se teçam maiores comentários.

É muito fácil constatar por que, para o Império Brasileiro, baseado sobre a escravidão, a vitória na Guerra do Paraguai é tantas vezes representada como uma vitória de Pirro.

Fonte: www.militar.com.br

Guerra do Paraguai

Travada contra o Paraguai pela a aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai, foi o maior conflito armado da história da América do Sul. Prolongou-se durante 5 anos, de 1865 a 1870, reduzindo a população paraguaia em quase dois terços.

Suas origens mais remotas encontram-se nas disputas pela estratégica região do Rio da Prata.

A disputa entre Brasil e Argentina em torno da navegação naquele rio, de grande importância econômica, agravou-se com a determinação do Paraguai em reivindicar os mesmos direitos sobre a rede fluvial.

Em 1864, o Brasil voltou a atacar o Uruguai. Solano Lopez, presidente do Paraguai, temendo o expansionismo brasileiro, mandou apreender o navio brasileiro Marquês de Olinda, em trânsito pelo rio Paraguai e, em dezembro, declarou guerra ao Brasil, ordenando a invasão da província de Mato Grosso.

Lopez obteve diversas vitórias, cruzou o território argentino e entrou no Rio Grande do Sul para, dali, alcançar o Uruguai. Sua estratégia começou a minar quando, em 1865, Brasil, Argentina e Uruguai, sob o incentivo da Inglaterra, firmaram o Tratado da Tríplice Aliança, desencadeando um pesado contra-ataque.

A partir daí o Império brasileiro adquiriu armamento e navios no exterior e intensificou o recrutamento de soldados, convocando os chamados "voluntários da pátria", na maioria pobres, mulatos e negros que ganhavam a alforria [liberdade] para lutar nas frentes de batalha.

O exército nacional impôs sérias derrotas aos paraguaios que, apesar da sua inferioridade numérica, mas contando com uma eficiente máquina de guerra e a forte liderança de Solano Lopez, resistiram com bravura.

A contra-ofensiva da Tríplice Aliança ganhou novo impulso entre 1867 e 1868, sob o comando dos brasileiros Manuel Luís Osório e Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias.

Em janeiro de 1869, conseguiram entrar em Assunção, capital do Paraguai.

Solano retirou-se para o norte e prosseguiu enfrentando as tropas inimigas até ser assassinado em Cerro Corá, em 1o de março de 1870, colocando um ponto final na conflagração.

Fonte: www.projetomemoria.art.br

Guerra do Paraguai

Guerra do Paraguai - 1865-1870

Conflito ocorrido a partir de 1865 até 1870 entre o Paraguai e os países da então formada Tríplice Aliança (Argentina, Uruguai e Brasil). Foi o maior conflito armado na história da América Latina, tendo sido responsável pela aniquilação de mais de dois terços da população paraguaia e ainda levado o Paraguai a uma grave condição de atraso e pobreza.

Anteriormente ao conflito, o Paraguai encontrava-se em uma fase de amplo desenvolvimento: ainda que sob um regime ditatorial, no período de governo do patriarca da independência paraguaia (Dr. José Gaspar Rodrigues Francia, de 1811 a 1840), o país possuía o mais bem treinado e equipado exército nacional em solo sul-americano, além da produtividade agrícola se desenvolver grandemente com as chamadas "fazendas da pátria", terras de grande produtividade em que agricultores trabalhavam para o estado.

O analfabetismo e a escravidão no país haviam sido praticamente erradicados, o que demonstrava um alto grau de modernidade em relação aos demais países da América Latina. Tais características tiveram prosseguimento com o período do governo sucessor de Carlos Antonio López. No entanto, o país permanecia na política de isolamento com relação aos demais países da América e ainda em relação aos países europeus que expandiam seus domínios em terras americanas.

Tendo em vista a necessidade de expansão da produtividade paraguaia para o comércio exterior, era imprescindível a ruptura da política paraguaia de isolamento em relação aos demais estados e ainda a utilização do Rio da Prata como meio de escoamento dos produtos excedentes. Possuindo um forte exército e demonstrando estar se tornando a principal potência econômica da América do Sul, o Paraguai passa a reivindicar voz de comando nos assuntos políticos locais.

Estas reivindicações se fizeram presentes através do oferecimento de Francisco Solano López (sucessor de Carlos Antonio López no governo) como mediador das questões entre o Brasil e o Uruguai.

As relações entre estes países econtrava-se entre os limites entre a cordialidade e a agressão: o Paraguai passava a questionar os limites territoriais entre os dois países, vendo-se prejudicado na grande perda de terras e ainda na dependência da tolerância dos países que dominavam os transportes fluviais no Rio da Prata.

Assim, a intermediação de Solano López é recusada pela diplomacia brasileira. O Uruguai por sua vez, não aceitando as condições impostas pelo Império no Brasil, é invadido e tem seu governante blanco Atanásio Aguirre deposto. Apoiando oficialmente Aguirre, Solano López passa da postura diplomática à agressão, ordenando a captura de uma embarcação brasileira que trafegava no Rio Paraguai, o navio "Marquês de Olinda", que ia a caminho do Mato Grosso.

Posteriormente, Solano López declara guerra ao Brasil, invadindo os territórios do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. O Paraguai, tendo um exército preparado e contando com o fator da surpresa, acaba por vencer as primeiras batalhas. Porém, contou ilusoriamente com a neutralidade argentina e, tendo invadido os territórios argentinos e uruguaios, Argentina e Uruguai acabam por aliar-se ao Brasil na formação da Tríplice Aliança em primeiro de maio de 1865, na cidade de Buenos Aires.

Mas a maior participação da Aliança no conflito foi brasileira: a sorte paraguaia começa a tomar rumo contrário a partir do momento em que o Brasil passa a importar armas e admitir voluntários para o grupo dos "voluntários da Pátria", provenientes das camadas sociais mais baixas e ainda negros sob o jugo escravista, que se alistaram conforme a promessa de alforria que, em muitos casos, foi postergada após o fim da guerra.

Ao todo, a soma de homens à disposição da Aliança era de vinte e sete mil, entre os quais dezoito mil eram brasileiros.

A primeira grande virada da Aliança sobre o Paraguai se deu na famosa Batalha do Riachuelo, em 1865, quando a esquadra paraguaia foi completamente dizimada pelas forças navais brasileiras sob os comandos do Almirante Tamandaré e de Francisco Manuel Barroso da Silva, estas aliadas às forças argentinas sob o comando do general Paunero.

As forças paraguaias, tendo em vista suas intenções agora frustradas, passam da tática ofensiva à tática defensiva, implantando forças nos fortes localizados em regiões estratégicas do território paraguaio. Porém, seus exércitos já haviam passado por uma série de desfalques, dando ainda maior ânimo às forças da Tríplice Aliança.

O território paraguaio portanto não tardou a ser invadido por tropas argentinas, sob o comando do general Mitre. Também as forças brasileiras passam a contar com os comandos de Luís Alves de Lima e Silva, então Marquês de Caxias, futuro Duque de Caxias, e ainda do Marechal Manuel Luís Osório.

As vitórias brasileiras em território paraguaio sucederam-se inúmeras até o cercamento do próprio Solano López, morto em primeiro de março de 1870, colocando fim à guerra.

O evento da Guerra do Paraguai gerou novas realidades no Brasil: o aumento do prestígio do Exército brasileiro que, a partir daí, passou a tomar parte decisiva nos assuntos políticos brasileiros, além do surgimento de abolicionistas entre os comandantes dos exército que participaram da guerra, pois a participação dos negros na guerra foi contada por muitos comandantes como decisiva e estes passaram a apoiar os negros que retornaram ao país ainda na condição de escravos reclamados pelos senhores de terras.

A luta abolicionista caminhou paralelamente à ação republicana que então se insurgia no Brasil e que, posteriormente, acarretou na Proclamação da República no Brasil.

Fonte: urs.bira.nom.br

Guerra do Paraguai

Desde o início do século XIX, os membros da colônia participaram de forma ativa do movimento de independência que começara a se irradiar pela América do Sul e que alcançou seu apogeu após o destronamento do rei espanhol Fernando VII em 1808.

Instaurou-se então um governo provisório que depôs o vice-rei e lançou uma campanha para ampliar a revolução. Em 1813, a parte libertada do vice-reinado dividiu-se em 14 províncias. José de San Martín e Carlos de Alvear assumiram o comando do exército rebelde.

Houve uma influência em toda a América da Doutrina Monroe. Monroe, James (1758-1831), quinto presidente dos Estados Unidos (1817-1825) e um dos fundadores do Partido Republicano, mais tarde chamado de Partido Democrata Republicano.

Monroe foi embaixador na França e na Grã-Bretanha e secretário de Estado (ministro das Relações Exteriores) do presidente James Madison. Foi um dos negociadores da compra de Louisiana e formulou a chamada Doutrina Monroe, que marcou durante anos a linha da política externa norte-americana.

Guerra do Paraguai ou da Tríplice Aliança, guerra que opôs, entre 1864 e 1870, de um lado o Brasil, a Argentina e o Uruguai, formando a Tríplice Aliança e de outro o Paraguai.

O equilíbrio na região platina sempre foi buscado pelos países que a compunham, de forma a evitar que um deles detivesse poder excessivo na região.

O conflito teve início quando as relações entre o Brasil e o Uruguai chegaram a um ponto crítico, devido a constantes choques fronteiriços entre estancieiros uruguaios e rio-grandenses.

Apoiado pelo presidente paraguaio Francisco Solano López, o presidente uruguaio Atanasio Aguirre recusou as exigências brasileiras de reparação formuladas pelo enviado especial José Antônio Saraiva.

Quando os brasileiros sitiaram Montevidéu, terminando por derrubar Aguirre, Lopez invadiu a província de Mato Grosso, tomando Nova Coimbra e Dourados e logo depois a província argentina de Corrientes, visando chegar a seus aliados uruguaios.

Em conseqüência, foi assinado em 1º de maio de 1865 o Tratado da Tríplice Aliança contra o Paraguai.

Os aliados conseguiram, em 1865, a vitória naval da batalha do Riachuelo e a rendição dos paraguaios que haviam chegado a Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Tomando a ofensiva, sob o comando de Bartolomeu Mitre, presidente argentino, os aliados venceram as batalhas de Passo da Pátria e Tuiuti (1866). Quando o então marquês de Caxias, Luís Alves de Lima e Silva, assumiu o comando, a fortaleza de Humaitá foi conquistada. (1867).

Lopez retirou-se para mais próximo de Assunção, onde acabou derrotado nas batalhas da "dezembrada"(1868): Avaí, Itororó e Lomas Valentinas.

Assunção caiu e a última fase da guerra foi comandada pelo conde d’Eu, encerrando-se com a morte de Lopez em Cerro Corá (1870).

A guerra acarretou dificuldades para os contendores, particularmente o Paraguai, que teve grandes perdas em vidas e recursos.

Fonte: www.vestibular1.com.br

Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai foi o maior conflito da América do Sul. Nela morreram 75,75% dos paraguaios, sendo 99,5% dos homens adultos do Paraguai. Para custear sua participação na guerra, o Império do Brasil aumentou 45 vezes seus empréstimos dos banco ingleses.

Ainda hoje se questiona porque o maior conflito da nossa história permanece ignorado pela historiografia oficial e por boa parte dos historiadores brasileiros. Entre alguns dos motivos está o fato de ter sido uma guerra de interesses escusos, com o Brasil e seus aliados fazendo o jogo do imperialismo inglês, interessado em manter intocado sua hegemonia na América do Sul.

O Paraguai antes da guerra, teve um desenvolvimento diferenciado em relação ao dos outros países sul-americanos, especialmente durante os anos de 1813 a 1862, iniciado após 14 de maio de 1811, quando se libertou da Espanha. O governo controlava o comércio exterior. O mate, o fumo e as madeiras raras exportados mantinham a balança comercial com saldo positivo.

O Paraguai adotava uma política protecionista, isto é, de evitar a entrada de produtos estrangeiros, por meio de impostos elevados. Defendia o mercado interno para a pequena indústria nacional, que se desenvolvia com base no fortalecimento da produção agrícola.

Francisco Solano López assumiu o governo em 1862 e deu prosseguimento à política de seus antecessores.O crescimento econômico exigia contatos com o mercado internacional. O governo de Solano López pretendia criar o chamado Paraguai Maior, com a inclusão de uma faixa do território brasileiro que ligasse o Paraguai ao litoral. López incentivou a indústria de guerra, mobilizou grande quantidade de homens para o Exército e construiu fortalezas na entrada do rio Paraguai.

Desde que o Brasil e a Argentina se tornaram independentes, a luta entre os dois países pela hegemonia na Bacia do Prata foi intensa. O Brasil chegou a entrar em guerra com a Argentina duas vezes.

O governo de Buenos Aires pretendia reconstituir o território do antigo Vice-Reinado do Rio da Prata, anexando o Paraguai e o Uruguai. Realizou diversas tentativas nesse sentido durante a primeira metade do séc. XIX, sem obter êxito. Temendo o fortalecimento da Argentina, o Brasil ajudava o Paraguai e o Uruguai a conservarem sua soberania.

Em abril de 1864, o Brasil enviou ao Uruguai uma missão chefiada pelo conselheiro José Antônio Saraiva para exigir o pagamento dos prejuízos causados a fazendeiros gaúchos por fazendeiros uruguaios. O presidente do Uruguai, Atanásio Aguirre, recusou-se a atender às exigências brasileiras.

Solano López ofereceu-se como mediador, mas não foi aceito. Rompeu então relações diplomáticas com o Brasil, em 1864, e divulgou um protesto afirmando que a ocupação do Uruguai por tropas do império Brasileiro seria um atentado ao equilíbrio dos Estados do Prata. Em outubro, as tropas brasileiras invadiram o Uruguai. Os partidários de Venancio Flores uniram-se às tropas brasileiras para depor Aguirre.

No dia 12 de novembro de 1864, o vapor paraguaio Tacuari apresou o navio brasileiro Marquês de Olinda, que atravessava o território paraguaio rumo a Mato Grosso. No dia 13 de dezembro, o Paraguai declarava guerra ao Brasil. Três meses mais tarde, em 18 de março de 1865, declarava guerra à Argentina. O Uruguai solidarizou-se com o Brasil e a Argentina.

Em 1º de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram o Tratado da Tríplice Aliança, contra o Paraguai.

As forças militares da Tríplice Aliança não chegavam a um terço das paraguaias. A infantaria brasileira era formada pelos chamados Voluntários da Pátria, cidadãos que se apresentavam para lutar.

Durante a primeira fase da guerra, a iniciativa esteve com os paraguaios. Os Exércitos de López definiram as três frentes de batalha iniciais invadindo Mato Grosso, em dezembro de 1864, e, nos primeiros meses de 1865, o Rio Grande do Sul e a província argentina de Corrientes.

Na Bacia do Prata quase não havia estradas. Quem controlasse os rios ganharia a guerra. Em 11 de junho de 1865, travou-se a Batalha Naval do Riachuelo, na qual a esquadra comandada pelo chefe-de-divisão Francisco Manuel Barroso da Silva derrotou a esquadra paraguaia. Ela praticamente decidiu a guerra em favor da Tríplice Aliança.

Enquanto López ordenava o recuo das forças que haviam ocupado Corrientes, o corpo de tropa paraguaio que havia invadido São Borja avançava, tomando Itaqui e Uruguaiana. Uma divisão que dele se havia separado e marchava em direção ao Uruguai foi derrotada por Flores no sangrento combate de Jataí. Nessa altura, as tropas aliadas estavam-se reunindo, sob o comando de Bartolomeu Mitre, na província argentina de Entre Ríos. Os paraguaios renderam-se no dia 18 de setembro de 1865.

A Invasão do Paraguai foi feita seguindo o curso do rio Paraguai. Durante mais de dois anos, o avanço dos invasores foi bloqueado naquela região, apesar das primeiras vitórias da Tríplice Aliança.

Em julho de 1866, o marechal-de-campo Manuel Luís Osório passou o comando do 1° Corpo de Exército brasileiro ao general Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Na mesma época, chegava ao teatro de operações o 2° Corpo de Exército, trazido do Rio Grande do Sul pelo barão de Porto Alegre.

Para abrir caminho até Humaitá, a maior fortaleza paraguaia, Mitre determinou o ataque às baterias de Curuzu e Curupaiti. Curuzu foi tomada de surpresa pelo barão de Porto Alegre, mas Curupaiti resistiu ao ataque. Este ataque fracassado deteve o avanço dos aliados.

Designado em outubro de 1866 para o comando das forças brasileiras, o marechal Luís Alves de Lima e Silva, marquês e, posteriormente, duque de Caxias, chegou ao Paraguai em novembro, encontrando o Exército praticamente paralisado.

Entre novembro de 1866 e julho de 1867, Caxias organizou um corpo de saúde e um sistema de abastecimento das tropas.

A marcha de flanco pela ala esquerda das fortificações paraguaias constituía a base tática de Caxias: ultrapassar o reduto fortificado paraguaio, cortar as ligações entre Assunção e Humaitá e submeter esta última a um cerco. Com este fim, Caxias iniciou a marcha em direção a Tuiu-Cuê. Mas Mitre, que havia voltado ao comando em agosto de 1867, insistia no ataque pela ala direita. Por sua ordem, a esquadra brasileira forçou a passagem de Curupaiti, mas foi obrigada a deter-se diante de Humaitá.

Surgiram novas divergências no alto comando: Mitre desejava que a esquadra prosseguisse, enquanto os brasileiros eram favoráveis ao cerco por terra de Humaitá. As vitórias de São Solano, Pilar e Tayi iriam tornar possível este cerco, isolando Humaitá de Assunção. Como reação, López atacou a retaguarda dos aliados em Tuiuti, sofrendo nova derrota.

Com o afastamento definitivo de Mitre, em janeiro de 1868, Caxias reassumiu o comando supremo e determinou a passagem de Curupaiti e Humaitá, realizadas com êxito pela esquadra. Humaitá caiu em 25 de julho, após demorado cerco.

Rumo a Assunção, o Exército de Caxias marchou 200 km até Palmas. Ali, López havia concentrado 18 mil paraguaios. Enquanto a esquadra forçava a passagem, Caxias fez o Exército atravessar para a margem direita do rio. As tropas avançaram em direção ao nordeste. Na altura de Villeta, o Exército cruzou novamente o rio. Em vez de avançar para a capital, Caxias marchou para o sul e iniciou a dezembrada, uma série de vitórias obtidas em dezembro de 1868.

No dia 24 de dezembro, os comandantes da Tríplice Aliança (Caxias, o argentino Gelly y Obes e o uruguaio Enrique Castro) enviaram uma intimação a Solano López para que se rendesse. Mas López recusou-se a ceder e fugiu. Assunção foi ocupada em 1° de janeiro de 1869 por forças comandadas pelo coronel Hermes Ernesto da Fonseca.

O genro do imperador Dom Pedro II, Luís Filipe Gastão de Orléans, conde d'Eu, foi nomeado para dirigir a fase final das operações militares no Paraguai. À frente de 21 mil homens, chefiou a campanha contra a resistência paraguaia, que se prolongou por mais de um ano.

Dois destacamentos foram enviados em perseguição ao presidente paraguaio. No dia 1° de março de 1870, as tropas surpreenderam o último acampamento paraguaio em Cerro Corá, onde Solano López foi ferido a lança e depois baleado.

RESULTADOS DA GUERRA

A questão dos limites entre o Paraguai e a Argentina foi arbitrada pelo presidente norte-americano Rutherford Birchard Hayes. O Brasil assinou um tratado de paz em separado com o Paraguai, em 9 de janeiro de 1872, obtendo a liberdade de navegação no rio Paraguai. Foram confirmadas as fronteiras reivindicadas pelo Brasil antes da guerra.

O Paraguai sofreu uma violenta redução de sua população. As aldeias destruídas pela guerra foram abandonadas, e os camponeses sobreviventes migraram para os arredores de Assunção, dedicando-se à agricultura de subsistência. As terras das outras regiões foram vendidas a estrangeiros, principalmente a argentinos, e transformadas em latifúndios. A indústria entrou em decadência.

O mercado paraguaio abriu-se para os produtos ingleses, e o país se viu forçado a contrair seu primeiro empréstimo no exterior: um milhão de libras da Inglaterra.

A Argentina foi a principal beneficiada com a guerra. Anexou parte do território paraguaio e tornou-se o mais forte dos países do Prata.

O Brasil pagou um preço alto pela vitória. Durante os cinco anos de lutas, as despesas do império chegaram ao dobro de sua receita, provocando uma crise financeira. Por outro lado, o Exército brasileiro passou a ser uma força nova e expressiva dentro da vida nacional.

Fonte: www.pedalnaestrada.com.br

Guerra do Paraguai

Guerra do Paraguai dizimou a grande maioria da população do país

Desde a primeira metade do século XIX, o Paraguai investe no desenvolvimento econômico auto-suficiente.

Sem as marcas da escravidão, sua população tem um alto índice de alfabetização.

A autonomia do país desafia o imperialismo britânico na América. Em 1862, Francisco Solano López, sucessor de Carlos Antonio López no governo, investe na organização militar.

Guerra do Paraguai
Os três chefes de Estado do Uruguai, Brasil e Argentina,
numa caricatura da revista A Semana Ilustrada, 1865

Tendo em vista a necessidade de exportar excedentes de produção, era imprescindível a ruptura da política paraguaia de isolamento em relação aos demais países, assim como a necessidade da utilização do Rio da Prata como meio de escoamento dos produtos excedentes.

Possuindo um forte exército e passando a figurar entre os países mais desenvolvidos da América do Sul, o Paraguai passa a reivindicar voz de comando nos assuntos políticos locais. Estas reivindicações se fizeram presentes através do oferecimento de Francisco Solano López como mediador das questões entre o Brasil e o Uruguai.

As relações entre estes países encontravam-se entre a cordialidade e a agressão: o Paraguai passava a questionar os limites territoriais entre os dois países, vendo-se prejudicado na grande perda de terras e ainda dependente da tolerância dos países que dominavam os transportes fluvio-marítimos no Rio da Prata.

Assim, a intermediação de Solano López é recusada pela diplomacia brasileira. Não aceitando as condições impostas pelo Império no Brasil, o Uruguai, por sua vez, é invadido e tem seu governante blanco Atanásio Aguirre deposto.

Apoiando oficialmente Aguirre, Solano López passa da postura diplomática à agressão, ordenando a captura de uma embarcação brasileira que trafegava no Rio Paraguai, o navio "Marquês de Olinda", em 11 de novembro de 1864, que ia a caminho do Mato Grosso. Posteriormente, Solano López declara guerra ao Brasil, invadindo os territórios do Mato Grosso e do Rio Grande do Sul. Em março de 1865, tropas paraguaias invadem a Argentina. O objetivo paraguaio é obter uma porto marítimo, conquistando uma fatia dos territórios brasileiro e argentino.

Os governos da Argentina, do Brasil e seus aliados uruguaios assinam o Tratado da Tríplice Aliança, em 1º de maio de 1865, contra o Paraguai. Empréstimos ingleses financiam as forças aliadas. O Exército paraguaio, superior em contingente - cerca de 64 mil homens em 1864 - e em organização, defende o território de seu país por quase um ano.

A primeira grande virada da Aliança sobre o Paraguai ocorreu com a famosa Batalha do Riachuelo, em 1865, quando a esquadra paraguaia foi completamente dizimada pelas forças navais brasileiras sob os comandos do Almirante Tamandaré e de Francisco Manuel Barroso da Silva, estas aliadas às forças argentinas sob o comando do general Paunero.

As forças paraguaias, tendo em vista suas intenções agora frustradas, passam da tática ofensiva à defensiva, procurando resistir nos fortes localizados em regiões estratégicas do território paraguaio. Porém, seus exércitos já haviam passado por uma série de desfalques, dando ainda maior ânimo à Tríplice Aliança.

Finalmente, em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai ao vencer a batalha de Tuiuti, sob o comando do argentino Bartolomeu Mitre.

Em 1868, o comando dos aliados passa para o barão de Caxias. Ele toma a fortaleza de Humaitá, em 5 de agosto de 1868, e invade Assunção em 5 de janeiro.

Passa o comando das tropas brasileiras ao conde d'Eu, marido da princesa Isabel. Solano López resiste no interior. A batalha final acontece em Cerro Corá, em 1º de março de 1870. O país é ocupado por um comando aliado e sua economia é destruída. A população paraguaia, que antes do conflito chegava a 1,3 milhão de pessoas, fica reduzida a pouco mais de 200 mil pessoas.

Para o Brasil, a guerra significa o início da ruptura com o sistema monárquico-escravista. Diante da dificuldade de recrutar soldados, escravos são alforriados para substituí-los, fato que incentiva a campanha abolicionista. A conseqüência mais importante, porém, é o fortalecimento do Exército. Atraídos pela causa republicana, em poucos anos os militares passam a liderá-la. No plano financeiro, o saldo final é uma duplicata de 10 milhões de libras que o Brasil deixa pendente com o Banco Rothchild, de Londres.

Fonte: www.unificado.com.br

Guerra do Paraguai

1. Introdução

A Guerra do Paraguai, a mais longa e devastadora da história da América do Sul, resultou no aniquilamento do Paraguai, o mais desenvolvido país de toda a América Latina até o início do confronto. Os combates se realizaram na segunda metade da década de 1860 e envolveram as forças armadas do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Paraguai.

Antes do conflito, desde o início da re-ocupação do território conhecido hoje como América do Sul, a área da Bacia do rio da Prata – formada pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Paraguai, e banhada por rios consideráveis como o Paraná, o Paraguai e o Uruguai – foi sempre muito disputada.

No século XIX, a navegação marítima e fluvial predominava sobre os demais meios de transporte. “Com a implantação da navegação a vapor, a região se tornava cada vez mais importante, intensificando-se o movimento comercial nos rios Paraná, Paraguai, Uruguai e no estuário do Prata.” (CARMO, 1989, p. 45).

Daí a importância da Bacia Platina: dela dependia o comércio da Argentina, do Uruguai, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, do Paraná e, principalmente, do Paraguai e do Mato Grosso, que não dispunham de outro meio para alcançar o oceano. Segundo o historiador Pedro Bastos (1983, p. 154), ela também escoava a prata extraída do Peru e da Bolívia.

2. O Modelo Econômico e Social Paraguaio

O primeiro governante do Paraguai foi Gaspar Rodríguez de Francia (1776-1840). Ele governou de 1814 a 1840. Francia tentou estabelecer a livre navegação no Prata, mas os comerciantes dos portos de Buenos Aires e Montevidéu insistiam em cobrar pesadas taxas. Nesta época, A Argentina se recusava a reconhecer a independência do Paraguai.

Os poderosos comerciantes do porto de Buenos Aires - o principal da bacia - desejavam reunificar toda a região platina[1]. Isto posto, restou à república guarani trilhar uma política de desenvolvimento auto-sustentado – ao contrário dos demais países da região – na qual o Estado controlava a economia de tal modo que a estrutura sócio-econômica se voltava para os interesses da população e a independência do país. Tal estrutura era livre de burocratas e cortesãos.

Para Denise Pereira, “(...) a solução foi uma resposta à ameaça portenha contra a independência paraguaia, e não se deve concluir que o modelo de desenvolvimento econômico foi livre opção de ditadores afeiçoados ao povo”. (PEREIRA, 1987, p. 222).

Francia considerava os grandes proprietários e comerciantes como categorias perigosas, pois eram aliados em potencial de Buenos Aires. Durante sua gestão, o Estado atacou os privilégios dos ricos, as oligarquias de seu país. Ele confiscou as “(...) terras cujo direito de posse as classes proprietárias não puderam comprovar”. (DANTAS, 1989, p. 157). A Igreja Católica foi nacionalizada com o confisco de seus bens e propriedades.

Realizou-se a primeira grande reforma agrária da América do Sul: metade das terras foi arrendada a camponeses e indígenas, os quais receberam implementos agrícolas, sementes e cabeças de gado. Havia muitas fazendas sob o controle do Estado.

“Em 1840, o Paraguai praticamente não possuía analfabetos. Seu desenvolvimento agrícola permitia-lhe produzir tudo quanto sua população necessitava e sua atividade industrial era capaz de produzir ferramentas, armas e outros utensílios”. (LUCCI, 1985, p. 36-37). Diante disso, conclui um autor[2] que havia pouca pobreza no país.

O sucessor de Gaspar Rodríguez de Francia, Carlos Antonio López, que permaneceu no poder até 1862, contratou técnicos e enviou centenas de estudantes para o exterior com o objetivo de modernizar a economia. O país atingiu esta meta, a indústria paraguaia tornou-se a mais avançada da América do Sul. Foram instaladas ferrovias, estaleiros, indústrias bélicas, metalúrgicas, têxteis, de calçados, de louças, de materiais de construção, de instrumentos agrícolas, de tintas e de papel, além do telégrafo e da grande Fundição de Ibicuí.

A nação mais desenvolvida da América do Sul protegia a produção local. Assim, a balança comercial era sempre favorável e a moeda era forte e estável.

Claudius Ceccon (1986) afirma que as exportações paraguaias valiam duas vezes mais que as importações. Para Eduardo Galeano, a intervenção do Estado na economia era quase total, pois “(...) noventa e oito por cento do território paraguaio era de propriedade pública”. (GALEANO, 1985, p. 207).

O Paraguai havia conseguido eliminar a oligarquia, a escravidão, a violência, a miséria e o analfabetismo. Era o único país sul-americano que tinha uma indústria de base. “O único que não tinha dívida externa ou interna.

O único praticamente sem analfabetos”. (CHIAVENATO, 1998, p. 33). A economia crescia sem a interferência de empréstimos estrangeiros. O desenvolvimento econômico autônomo e sustentado do Paraguai era uma exceção na América Latina, uma vez que os demais países recorriam freqüentemente aos banqueiros estrangeiros, notadamente aos ingleses.

Enquanto os países aliados, contra os quais ele lutaria na guerra que estava por vir, “(...) tinham suas economias voltadas para o mercado externo, a economia paraguaia voltava-se muito mais para o atendimento das necessidades internas”. (NADAI, 1985, p. 76).

O historiador Júlio José Chiavenato (1998) aponta um problema não superado pelos governantes paraguaios: a inexistência de uma intelectualidade capaz de apreender a natureza do confronto com o capital inglês. Como também não havia uma classe dirigente vinculada aos interesses da nação, a interpretação da conjuntura política internacional teria ficado comprometida, uma vez que os presidentes ficariam praticamente “solitários” à frente do governo.

Esta tese, de acordo com nossa “leitura”, é questionável.

Seria possível que poucos indivíduos permanecessem “solitários” no comando de um país por cerca de meio século, apoiados apenas pelas massas (não intelectualizadas e afastadas da participação política)?

3. As Forças Armadas

De acordo com Borges Hermida (1986); Boni e Belluci (s/d); e Elian Alabi Lucci (1987), Carlos López aumentou consideravelmente o poder militar de seu país.

Ele sabia que a Argentina ambicionava reconstruir o antigo vice-reino do Prata, o que pressupunha a re-anexação da nação guarani. Ao final de seu governo, de acordo com Raymundo Campos (1983), o exército paraguaio era o melhor da América Latina. Seu sucessor, Solano López, deu continuidade a esse trabalho de organização e fortalecimento militar.

3.1 Discordâncias

Pretendemos, neste capítulo, apresentar um levantamento das informações, presentes nos livros por nós analisados, a respeito dos efetivos militares à disposição dos países diretamente envolvidos na guerra da Tríplice Aliança[3] em 1864, às vésperas do conflito. Estes “dados” estão listados na tabela da página seguinte, na qual não estão arroladas as populações das forças armadas da Argentina e do Uruguai devido à escassez destes subsídios em nosso corpus.

Chiavenato acredita que o exército do Paraguai era constituído por cerca de 40 mil homens em 1864; por sua vez, Antaracy Araújo (1985) assegura que tal exército era composto por 100 mil homens. Não há consenso sequer a respeito da população paraguaia da época.

Para Max Justo Guedes (1995), ela era formada por 300 a 400 mil habitantes, menos da metade do número divulgado pela maioria dos autores consultados – 800 mil pessoas. A divergência entre as fontes consultadas é tão grande que somos tentados a seguir pelos caminhos do ceticismo. É preciso, entretanto, tentar entender o que determina a multiplicação das divergências e das concepções distorcidas do processo histórico.

TABELA: Comparação das informações sobre os efetivos militares disponíveis no início da campanha

AUTOR
EXÉRCITO PARAGUAIO EXÉRCITO BRASILEIRO
EXÉRCITO ALIADO
FERREIRA 140 mil (1)
x (2)
x
ARAÚJO 100 mil X 30 mil
BASTOS
80 mil X X
BONI; BELLUCI 80 mil X 45 mil
HERMIDA
80 mil 17 mil x
GUEDES Entre 28 mil e 57 mil + reservistas (entre 20 mil e 28 mil). Total: de 48 mil a 85 mil 17 mil a 20 mil + 200 mil da Guarda Nacional.
Entre 232 mil a 240 mil
NADAI 64 mil
x 27 mil
LUCCI 64 mil
x x
PEREIRA 64 mil
18 mil
27 mil
SANTOS 64 mil
x 27 mil
COTRIM
60 mil
x x
CHIAVENATO 40 mil x x
LACAMBE 4 vezes o brasileiro
¼ do paraguaio
x

FONTE: Livros didáticos brasileiros de história do Brasil.

NOTAS:

(1) Incluindo a força policial. Entretanto, Ferreira assegura que “o Paraguai, no início das hostilidades, colocou 80 mil soldados em combate”. (FERREIRA, 1986, p. 128).
(2)
Utilizamos a letra “x” para indicar que a informação não consta no referido texto.

4. A Reação da Inglaterra

“Durante o século XIX, a Inglaterra foi a potência hegemônica no mundo, ampliando constantemente seu império colonial e impondo sua vontade pela força, especialmente nos países ao sul do Equador”. (CAMPOS, 1983, p. 136). A independência dos países latino-americanos, com a honrosa exceção do Paraguai, o único destes ainda não penetrado pelo capital inglês, não era completa, pois eram dependentes do capitalismo mundial.

A guerra ocorreu num período caracterizado pela expansão da produção e das trocas inglesas e pelo aumento do número dos investimentos britânicos na região.

No estuário do Prata, os ingleses realizavam intenso comércio, “(...) exportando seus produtos industrializados e importando matérias-primas. (SANTOS, 1990, p. 51). Na segunda metade do século XIX, do ponto de vista econômico, a Inglaterra substituiu Portugal na condição de metrópole do Brasil, afirma Elza Nadai.

O comércio brasileiro era quase todo feito com a Inglaterra: ela era o principal comprador de café e fornecia a maior parte dos produtos industrializados que se consumiam no Brasil. Além do comércio, as estradas, os bancos e muitas empresas eram inglesas; portanto, os valores e os padrões ingleses acabaram por se impor como modelos para a sociedade brasileira. (NADAI, 1985, p. 74).

Elza Nadai e Elian Lucci (1987) asseguram que o Brasil atuava na região platina, sobretudo quando havia revoltas ou guerras, também como representante dos interesses da Inglaterra. Estes dois países, assim como a França, eram contrários à reunificação dos países platinos, à consolidação de qualquer “grande nação” na região, pois desejavam a livre utilização da rede hidrográfica platina. Foram, portanto, razões comerciais que levaram os governos ingleses a apoiar os movimentos de independência na América Espanhola – inclusive no Paraguai – e no Brasil.

A Inglaterra, no século XIX, exportava aproximadamente 70% da sua produção, constituída por produtos industrializados. Ela necessitava de novos compradores para estas mercadorias e de diversificar suas fontes de suprimento de matérias-prima. Além de não ser um grande exportador destes produtos, nem um voraz consumidor de mercadorias inglesas, o Paraguai impedia a entrada dos capitais provenientes da Grã-Bretanha.

Deste modo, seu modelo econômico independente “(...) não era bom para o comércio inglês, que do Paraguai comprava o mate e a ele nada vendia”. (ARAÚJO, 1985, p. 37). José Dantas (1984) afirma que os produtos industrializados do Paraguai já começavam a abastecer a América do Sul. Para outro autor, Elian Lucci (1985), a guerra de Secessão norte-americana lançou a economia britânica em uma crise que acentuou ainda mais sua necessidade de destruir a república guarani, a qual possuía terras férteis e excelentes para o cultivo do algodão – matéria-prima vital para a fortíssima indústria têxtil da Inglaterra, que até então dependera das provisões dos Estados Unidos.

Os capitalistas ingleses estavam inquietos com o perigoso exemplo da experiência paraguaia de desenvolvimento, que poderia influenciar as políticas de outros países sul-americanos. Conseqüentemente, não foi por acaso que tais capitalistas estimularam e alimentaram a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, financiando os aliados – Brasil, Argentina e Uruguai – com grandes empréstimos.

4.1 Imperialismo Inglês Versus Imperialismo de Solano López

Muitos autores discordam da interpretação acima. Diferentemente de nós, eles não incluem os interesses dos capitalistas ingleses entre as principais causas do conflito.

Dentre aqueles por nós consultados, integram este grupo os seguintes historiadores: Max Justo Guedes (1995); Américo Lacambe (1979); Arthur da Costa Sobrinho (s/d); Olavo Leonel Ferreira (1986); Álvaro de Alencar (1985); Ana Maria de Morais e Maria Efigênia Lage de Resende (1979); Sérgio Buarque de Holanda (s/d); Vital Darós (s/d); Geraldo Arcênio (s/d); Boni e Belluci (s/d); Milton B. Barbosa Filho e Maria Luiza Santiago Stockler (1988); Borges Hermida (1986); e Lúcia Carpi (1985). Elza Nadai também pode ser incluída graças a um livro publicado em 1985, mas ela muda sua interpretação no livro didático que publica em 1990. Entre os 39 textos consultados, pelo menos 14 pertencem a esse grupo, sendo que 13 deles sequer citam o nome da referida potência.

Em geral, os escritores mencionados no parágrafo anterior substituem a argumentação baseada nas determinações do capitalismo internacional, o qual se manifesta mais claramente nas ações imperialistas da maior potência econômica do planeta, por uma versão que culpa as iniciativas imperialistas de Solano López, realizando a condenação moral deste presidente.

Foi interessante constatar que cinco dentre eles não se preocupam em descrever o modelo econômico e social do Paraguai e que três não mencionam as trágicas conseqüências do conflito para a república guarani – lacunas que não verificamos em nenhum dos historiadores esforçados em relacionar a atuação da Inglaterra com a destruição do exemplo paraguaio de desenvolvimento.

Existem, entretanto, estudiosos que combinam os dois fatores para compor suas interpretações.

5. O Projeto de Solano López

Na gestão de Francisco Solano López, a orientação da política econômica do Estado não sofreu grandes modificações. Assim como seu antecessor, ele contratou vários profissionais de alto nível de instrução na Europa para fortalecer o parque industrial de seu país.

Eduardo Galeano (1985) assegura que o protecionismo sobre a indústria nacional e o mercado interno foi muito reforçado em 1864. Para Gilberto Cotrim, o objetivo daquele presidente “(...) era fazer do Paraguai um país forte e soberano”. (COTRIM, 1987, p. 54). Mas, em boa medida, o Paraguai já era um país forte e soberano.

Quantos países europeus, chamados por nós de desenvolvidos, podiam, em meados do século XIX, afirmar que estavam livres da miséria, da violência e do analfabetismo?

Solano López, provavelmente, apenas desejava consolidar o desenvolvimento de seu país.

Mesmo defendendo e realizando o protecionismo econômico, interessava à república guarani ver suas embarcações e mercadorias navegando com liberdade a bacia rio-platense. “Do ponto de vista paraguaio, a independência do Uruguai era a melhor garantia para manter livre o trânsito no estuário do Prata”. (PEREIRA, 1987, p. 222). A independência do Uruguai era vital para a manutenção de um equilíbrio de poderes na região. Tal equilíbrio garantia, na opinião de Solano López, a segurança, a integridade territorial e a independência do Paraguai.

Muitos historiadores declaram que a maior preocupação de Francisco López era garantir o controle sobre os rios platinos ou conseguir uma saída direta para o oceano por meio da ampliação do território paraguaio. Mariana Nunes, por exemplo, sustenta ser isto “(...) imprescindível para a continuidade do processo de modernização do Paraguai”. (NUNES, s/d).

É preciso questionar esta afirmação de Nunes e descobrir o quão necessário era para esse país assegurar a comunicação direta com o oceano na gestão de Solano López. Isto é muito importante, pois o argumento utilizado por Mariana Nunes fundamenta uma tese que denominaremos de “Paraguai Maior”.

5.1 Projeto “Paraguai Maior”

“Paraguai Maior” e “Grande Paraguai” são os nomes atribuídos por dezenas de autores aos supostos planos expansionistas de Solano López. Segundo eles, o território deste “Grande Paraguai” se estenderia até o mar. Em verdade, porém, as descrições não coincidem. Osvaldo de Souza, por exemplo, afirma que o “Grande Paraguai” iria dos “Andes ao Atlântico”, “(...) abrangendo o Uruguai, províncias argentinas e, no Brasil, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina”. (SOUZA, 1987, p. 48).

De outro lado, Sérgio Buarque de Holanda e Denise Pereira garantem que Solano López desejava incorporar ao seu país apenas “(...) antigas áreas das missões argentinas e das reduções jesuítas no sul do Brasil”. (HOLANDA, s/d, p. 33).

Consultamos cerca de 20 livros didáticos que incluem este projeto de expansão territorial entre as causas fundamentais da guerra. A maioria deles utiliza a expressão “Paraguai Maior” ou a expressão “Grande Paraguai”. Entretanto, nenhum destes historiadores se preocupa em revelar a procedência de tais nomes, o que consideramos uma falha grave de documentação.

6. A Formação da Tríplice Aliança

“Desde sua independência, em 1811, o Paraguai procurou se isolar dos conflitos platinos”. (SILVA, 1994, p. 28) [4]. Francisco Solano López, porém, por considerar fundamental para seu país a manutenção da independência do Uruguai, abandona essa posição de neutralidade e firma com este país um tratado militar de ajuda mútua. Este pacto era conhecido pelo governo brasileiro, pois o presidente paraguaio deixou claro que declararia guerra ao Brasil caso as tropas do Império invadissem o Uruguai.

Em um livro didático publicado em 1989, José Dantas menciona que a Argentina e o Brasil assinaram em 1857, sete anos antes de “explodir” o conflito, “(...) um protocolo secreto onde manifestavam a intenção de se aliarem contra a nação guarani caso esta se recusasse a abrir o rio Paraguai à livre navegação”. (DANTAS, 1989, p. 158).

Renato Mocellin (1985), Claudius Ceccon (1986), Júlio José Chiavenato (1998), José Dantas (1984) e mais um autor[5], cujo nome não conseguimos identificar, destacam o fato de que o Tratado de Tríplice Aliança entre o Império do Brasil, a República Argentina e a República Oriental do Uruguai foi secretamente engendrado um ano antes de sua publicação.

Chiavenato (1998) cita documentos – cartas e artigos de jornal – que provam o caso. Segundo Mocellin e Chiavenato (1998), esta farsa tornou-se pública na época, uma vez que vários países “(...) protestaram contra esse plano premeditado de destruir e partilhar o Paraguai”. (MOCELLIN, 1985, p. 33). É certo que a versão oficial dos signatários tenta encobrir o nascimento precoce do pacto.

As bases do Tratado de Tríplice Aliança foram lançadas numa reunião entre José Antônio Saraiva, político brasileiro; Rufino de Elizalde, diplomata argentino; Venâncio Flores, militar e político uruguaio; e o diplomata inglês Thornton. O acordo tinha como seus objetivos principais estabelecer a partilha de uma grande fração do território paraguaio; “(...) tirar do Paraguai a soberania sobre seus rios; (...) responsabilizar o Paraguai por toda a dívida de guerra; não negociar qualquer trégua (...) até a deposição de Solano López”. (CARPI, 1985, p. 158) [6]. Ele estipulava o saque do país e a destruição de suas instalações industriais.

Seu texto é contraditório, pois afirma respeitar a integridade territorial da república guarani ao mesmo tempo em que determina unilateralmente novas fronteiras.

7. Os Efeitos da Guerra

7.1 Paraguai

Este país – o qual era o mais desenvolvido da América do Sul antes da guerra – ficou arrasado: sua população foi reduzida a uma pequena parcela e sua economia foi destruída. “Desde então o Paraguai não mais se recuperou, sendo até hoje um dos países mais pobres da América Latina”. (BARBOSA FILHO; STOCKLER; 1988; p. 38). Os vencedores implantaram o “livre-cambismo” e o latifúndio.

Tudo foi saqueado e vendido: as terras e as propriedades estatais foram vendidas a capitalistas estrangeiros. Em poucos anos o Paraguai contraiu uma enorme dívida com os ingleses. O país, até mais que o Uruguai, ficou sob a influência e o controle do Brasil.

O conflito entre os aliados e a nação guarani foi um dos maiores massacres da história das Américas. Os historiadores divergem enormemente a respeito do número de mortos e do tamanho do território perdido pelo Paraguai. Morais e Resende (1979) afirmam que, para cumprir o tratado de aliança, a integridade territorial e a independência do Paraguai foram mantidas. Isso é falso.

Estas autoras devem partir de um curioso ponto de vista. Para elas, as terras incorporadas pelo Brasil e pela Argentina estariam sob o poder ilegítimo do governo paraguaio ou eram “terras de ninguém”. Somente desta maneira pode-se compreender a posição das autoras e o próprio Tratado da Tríplice Aliança como algo diferente de propaganda cínica.

Chiavenato (1998) e Mocellin (1985) declaram que a república paraguaia perdeu 140 mil km² de terras. Para Dantas (1984), foram 40 mil km². Max Justo Guedes (1995) acredita numa perda de 40% do território. Segundo ele e Costa Sobrinho (s/d), as perdas populacionais do Paraguai foram grosseiramente exageradas pela grande maioria dos historiadores e devem ser de 15% a 20% da população pré-guerra – entre 50 mil e 80 mil mortes. Em geral, os autores informam que mais de 75% dos paraguaios foram mortos.

Ao contrário dos aliados[7], o Paraguai teve de confiar em seu próprio arsenal e estaleiros, pois não comprou armas e navios com dinheiro emprestado em Londres. Infelizmente, ele foi obrigado pelos vencedores a assumir uma pesada dívida de guerra que nunca teve condições de pagar. Muitos anos depois, “(...) os próprios aliados reconheceram que o Paraguai jamais teria condições de saldar as dívidas de guerra e acabaram por perdoá-las”. (NADAI, 1985, p. 78).[8]

7.2 Aliados

O Brasil perdeu muitas vidas e grandes recursos financeiros. “O temor de que os bolivianos ajudassem Solano López levou o governo brasileiro a ceder ao ditador boliviano Melgarejo a região do Acre”. (MOCELLIN, 1985, p. 35). “Para Argentina e Brasil [e também para o Uruguai], a guerra aumentou a dependência ao capital inglês, mas desafogou suas dificuldades financeiras imediatas”. (CHIAVENATO, 1998, p. 93).

O número de negros no Brasil sofreu uma grande queda, uma vez que havia um branco para cada 45 negros nas forças brasileiras. A navegação brasileira dos rios Paraná e Paraguai foi garantida. O Império, de acordo com Eduardo Galeano (1985), ganhou mais de 60 mil km² de território e levou muitos prisioneiros paraguaios como mão de obra escrava.

O exército brasileiro ficou mais unido e ganhou importância política. Ele tornou-se um centro de contestação à escravidão e ao Império, e aderiu às campanhas abolicionista e republicana. A Guerra do Paraguai foi uma das causas da queda do Império brasileiro.

As províncias argentinas de Entre Rios e Corrientes tiveram grandes lucros vendendo provisões aos exércitos aliados. A Argentina ficou com 94 mil km² de terra paraguaia, segundo Eduardo Galeano (1985) e Claudius Ceccon (1986).

7.3 Inglaterra

Os bancos ingleses financiaram os aliados e receberam altos juros. “(...) Os prejuízos que os países envolvidos tiveram foram muito maiores do que os benefícios.

Só a Inglaterra saiu ganhando, e duplamente: recebeu com juros o dinheiro que havia emprestado (...) e passou a vender seus produtos ao Paraguai”. (PILETTI; PILETTI; 1989, p. 22).

8. Considerações Finais

Classificamos as interpretações da Guerra da Tríplice Aliança em três grupos. No primeiro se encontram aqueles que identificam o “Projeto Paraguai Maior” de Solano López como causa principal do conflito; no segundo, os que afirmam que o conflito foi causado “(...) pelo rompimento da estrutura dominante do imperialismo inglês” (CHIAVENATO, 1998, p. 37); e no terceiro, intermediário entre os outros dois, os historiadores que combinam em suas explicações os interesses de todos os países envolvidos e não apontam uma causa principal.

Não acreditamos nos autores do primeiro grupo. Eles incorrem na ideologia “estatista”, que considera o Estado como um sujeito autônomo. Assim, por exemplo, Mariana Nunes realiza uma inversão de causas e conseqüências ao afirmar que os comerciantes de Buenos Aires impuseram restrições ao comércio paraguaio em represália à política econômica de Francia, “(...) que acabava com o poder de infiltração de Buenos Aires”. (NUNES, s/d). Em nossa interpretação, e também na de Denise Pereira (1987), a política econômica e social de Francia é uma resposta à ameaça portenha contra a autonomia do Paraguai.

Em segundo lugar, não encontramos nada que prove a necessidade absoluta de Solano López ampliar o território paraguaio. Para nós, a presença de um diplomata inglês nas negociações que resultaram no secreto pacto dos aliados não é simples acaso. O nome Tríplice Aliança esconde a existência de uma outra aliança presidida pela Inglaterra. Sabe-se que a participação das forças do Uruguai foi quase insignificante se comparada com a ajuda dos empréstimos ingleses aos países aliados. Os aliados provavelmente não seriam os vencedores sem este apoio.

Encontramos contradições e, principalmente, lacunas nos livros didáticos. Estas obras apresentam muito resumidamente os temas. A documentação praticamente inexiste neles. Desta forma, o risco de realizar simplificações é bastante grande. Apenas uma pequena fração dos autores se preocupa em apresentar o conteúdo de forma não dogmática, mostrando as diferentes interpretações existentes. Alguns realizam isto de maneira atrapalhada ao oferecer textos contraditórios entre si.

Seria muito interessante realizar um estudo que comparasse as interpretações da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai apresentadas pelos livros didáticos paraguaios com as interpretações apresentadas pelos livros didáticos brasileiros. Isto nos ajudaria a compreender a influência do sentimento nacionalista e do etnocentrismo na elaboração dos textos dos historiadores.

Dálcio Aurélio Milanesi

[1] Isto não significa que o país estivesse completamente isolado. Segundo José Dantas (DANTAS, 1984, p. 36), as fazendas estatais produziam para exportar. Elas “(...) monopolizavam o reduzido comércio exterior”. (ARAÚJO, 1985, p. 37).
[2] Não conseguimos descobrir seu nome, apenas o ano de publicação – 1992 – e a página – 122.
[3] Utilizamos as expressões “Guerra do Paraguai” e “Guerra da Tríplice Aliança” para nos referirmos ao mesmo conflito.
[4] Costa Sobrinho (s/d) assegura que Carlos López declinou do convite brasileiro para formar uma aliança contra Rosas, governante argentino. Marina Nunes (s/d) sustenta o oposto. Para ela, o Império também contou com o apoio do exército paraguaio para derrubar Rosas.
[5] Trata-se de uma obra didática do autor(a) referido(a) na nota 2, escrita para o Ensino Médio, publicada em 1992 pela editora Nova Geração, em São Paulo.
[6] Dois autores, Lucci (1985) e Guedes, asseguram que o presidente Solano López pediu a paz, “(...) contando que ele próprio fosse poupado e que o Paraguai não fosse totalmente desmembrado e ocupado de forma permanente”. (GUEDES, 1995).
[7] Segundo Araújo (1985), o Paraguai comprou armamento dos ingleses, aumentando suas dívidas junto aos bancos britânicos. Nós discordamos desta informação.
[8] Os Estados Aliados perdoaram as dívidas de Guerra do Paraguai. Não consta, porém, que os banqueiros ingleses tenham remitido qualquer débito deste país, do Brasil, da Argentina ou do Uruguai.

Referências

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Fonte: www.urutagua.uem.br

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