"Após 40 anos de guerras civis, a França, ao subir ao trono Henrique IV (1574), o. primeiro Bourbon, era um país arruinado e desorganizado. O novo rei, otimista e conciliador, empreendedor e hábil, soube restaurar o Estado e restabelecer a autoridade real. Sully, excelente ministro das finanças, foi seu melhor colaborador. Seu filho e sucessor, Luís XIII (1617-1643) teve por ministro Armando du Plessis, cardeal (1585-1642) que desde o posto de Presidente do Conselho Real (1624-1642) foi o artífice da grandeza da França. Os pontos essenciais do seu programa político foram: afirmação do poder real frente à nobreza e ao partido protestante (sítio e tomada de La Rochela, 1627-1628); aprimoramento da administração real, do exército e da marinha; fomento do comércio marítimo, do comércio interior e da indústria; conquista para a França de fronteiras naturais (Pireneus, Alpes, Reno). Seu objetivo ao intervir na guerra dos Trinta Anos em favor dos príncipes alemães foi o enfraquecimento dos Habsburgo, tanto da Espanha como da Alemanha. Nesta contenda, Richelieu assentou as bases da hegemonia francesa na Europa.
Mortos Richelieu (1642) e Luís XIII (1643), a regência do sucessor deste, Luís XIV, foi confiada a sua mãe, Ana da Áustria, embora o poder fosse exercido pelo cardeal Mazarino (1602-1661), continuador da obra de Richelieu. Enfrentou com êxito a intenção postreira da grande nobreza de opor-se ao absolutismo real: a guerra da Fronda (1648-1652). Concluiu as pazes favoráveis á França, de Westfália (1648) e dos Pirineus (1659); por esta última a França, que havia sustentado a rebelião dos Catalâes (guerra da Catalunha ou "dos ceifadores", 1640-1652) recebeu o Roussillon e a Alta Sardenha; morto Mazafino em 1661, Luís XIV (1638-1715) iniciou a etapa do governo pessoal. Seu
reinado, de 54 anos, coincide exatamente com a hegemonia da França na Europa, pois esta supremacia estende-se da Paz dos Pirineus (1659) à de Utrecht-Rastatt (1714). A concepção da realeza alcança com Luís XIV uma elevada expressão: um monarca só é responsável diante de Deus e não compartilha com ninguém o seu poder. Vivia rodeado de uma corte faustosa, submetida a uma complexa etiqueta em palácios esplendorosos (Fontainebleau, Versalhes —este construído por ele). Foi chamado o Rei-Sol pois havia adotado como símbolo um sol resplandecente.
Rodeou-se de homens de grande talento: Colbert, reorganizador da Fazenda Pública, da agricultura, do comércio e da indústria; Louvois, reformador do exército. Em seu exército cumpre destacar o grande engenheiro militar Vauban, construtor de inúmeras fortalezas.
A política de Luís XIV propunha-se: alcançar as fronteiras naturais da França (herança de Richelieu); conseguir o domínio dos mares (primeiro passo para uma supremacia comercial e econômica); estabelecer a superioridade indiscutível de Luís XIV sobre os demais reis (política de prestígio). O primeiro propósito enfrentou a França com a Espanha, Holanda e Áustria, estados interessados em manter o "status quo" no Reno. O segundo significou a rivalidade com a Inglaterra e a Holanda, as duas maiores potências marítimas e comerciais da época. Quanto ao terceiro acarretou também inúmeras guerras (de Devolução, de Sucessão Espanhola), pois Luís XIV considerava que sua vontade era lei.
Sob o Rei-Sol, a França exerceu uma hegemonia política e cultural no continente, mas quando em 1685 a Inglaterra assumiu a direção das coligações européias contra Luis XIV, iniciou-se a debilitação da França e, em definitivo, o fracasso de seu propósito imperial continental e o triunfo da fórmula do esquilíbrio europeu propugnada - e imposta - pela Inglaterra."
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