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Guerra Fria

 

Guerra Fria

ESQUEMA GUERRA FRIA

Inicio- Ao final da 2ª Guerra mundial:

Enfraquecimento econômico e político dos países europeus
Bipolaridade mundial
Cortina de Ferro
Ausência de confrontos diretos entre EUA e URSS
Bomba atômica soviética
Criação da OTAN e do Pacto de Varsóvia
Descolonização da África e da Ásia
Revolução socialista na China
Plano Marchal
Marcatismo
Muro de Berlim (Maior símbolo da Guerra Fria)
Guerra da Coréia
Guerra do Vietnã
Invasão da Hungria
Primavera de Praga
Revolução cubana
Questão dos mísseis
Aliança para o Progresso
Combate ao populismo na América latina
Apoio as ditaduras latino-americanas
Detente
Perestroika e Glasnort
Queda do muro de Berlim ( maior representação do fim da guerra fria)

Resumo Guerra Fria

Disputa pela hegemonia mundial entre Estados Unidos e URSS após a II Guerra Mundial. É uma intensa guerra econômica, diplomática e tecnológica pela conquista de zonas de influência.

Ela divide o mundo em dois blocos, com sistemas econômico e político opostos: o chamado mundo capitalista, liderado pelos EUA, e o mundo comunista, encabeçado pela URSS. Provoca uma corrida armamentista que se estende por 40 anos e coloca o mundo sob a ameaça de uma guerra nuclear.

Após a II Guerra Mundial, os soviéticos controlam os países do Leste Europeu e os norte-americanos tentam manter o resto da Europa sob sua influência.

Apoiado na Doutrina Truman – segundo a qual cabe aos EUA a defesa do mundo capitalista diante do avanço do comunismo –, o governo norte-americano presta ajuda militar e econômica aos países que se opõem à expansão comunista e auxilia a instalação de ditaduras militares na América Latina. O Plano Marshall, por exemplo, resulta na injeção de US$ 13 bilhões na Europa. A URSS adota uma política isolacionista, a chamada Cortina de Ferro. Ajudada pelo Exército Vermelho, transforma os governos do Leste Europeu em satélites de Moscou.

Nos anos 50 e 60, a política norte-americana de contenção da expansão comunista leva à participação da nação na Guerra da Coréia e na Guerra do Vietnã. A Guerra Fria repercute na própria política interna dos EUA, com o chamado macarthismo, que desencadeia no país uma onda de perseguição a supostos simpatizantes comunistas.

Corrida nuclear

A Guerra Fria amplia-se a partir de 1949, quando os soviéticos explodem sua primeira bomba atômica e inauguram a corrida nuclear. Os EUA testam novas armas nucleares no atol de Bikini, no Pacífico, e, em 1952, explodem a primeira bomba de hidrogênio. A URSS lança a sua em 1955. As superpotências criam blocos militares reunindo seus aliados, como a OTAN, que agrega os anticomunistas, e o Pacto de Varsóvia, do bloco socialista.

Com a descoberta da instalação de mísseis soviéticos em Cuba, em 1962, os EUA ameaçam um ataque nuclear e abordam navios soviéticos no Caribe. A URSS recua e retira os mísseis. O perigo nuclear aumenta com a entrada do Reino Unido, da França e da China no rol dos detentores de armas nucleares. Em 1973, as superpotências concordam em desacelerar a corrida armamentista, fato conhecido como Política da Détente.

Esse acordo dura até 1979, quando a URSS invade o Afeganistão. Em 1985, com a subida ao poder do líder soviético Mikhail Gorbatchov, a tensão e a guerra ideológica entre as superpotências começam a diminuir. O símbolo do final da Guerra Fria é a queda do Muro de Berlim, em 1989. A Alemanha é reunificada e, aos poucos, dissolvem-se os regimes comunistas do Leste Europeu. Com a desintegração da própria URSS, em 1991, o conflito entre capitalismo e comunismo cede lugar às contradições existentes entre o hemisfério norte, que reúne os países desenvolvidos, e o hemisfério sul, onde está a maioria dos subdesenvolvidos.

Observações:

Existiu também a "Aliança para o Progresso" um plano de ajuda economica para ajudar os paises da América Latina a sair do subdesenvolvimento porem com valores bem inferiores ao plano Marshal.

No Brasil a Guerra Fria se fez sentir principalmente no governo Dutra com o rompimento de relações diplomaticas com os paises socialistas, na "Aliança para o Progresso",No golpe militar de 1964 e no apoio a ditadura militar (1964 a 1985)

Perestroika: Plano economico criado no governo Gorbachov que reinicia a introdução do capitalismo na URSS

Glasnort: Plano que visava um democratização do socialismo soviético

Fonte: br.geocities.com

Guerra Fria

Após a segunda guerra mundial, o mundo conheceu o poder de duas superpotências e o aspecto mais marcante da ordem geopolítica bipolar foi a chamada guerra fria.

Ela consistiu simultaneamente numa disputa e numa conivência entre Estados Unidos e ex-União Soviética. Foi uma disputa tanto político-militar e econômica como diplomática, cultural e ideológica.

O termo “Guerra Fria” pode ser justificado devido à ausência de campos de batalhas, isto é, não houve conflitos militares diretos entre essas duas superpotências.

Foi uma espécie de “guerra” não declarada, por outros meios diferentes dos convencionais: disputas econômicas e comerciais, espionagem de ambos lados, propaganda de cada modelo societário, competição por áreas de influências, etc.

Ideologia da Guerra Fria

A guerra fria não consistiu somente numa disputa ou oposição de duas superpotências e dois modelos sociais alternativos. Ela foi também uma forma de dominação internacional. Cada superpotência tinha sua “zona de influencia” e havia uma intensa disputa por regiões do terceiro mundo, onde as transformações aconteciam com mais freqüências.

Os estados Unidos através de seus porta-vozes e apologetas, diziam representar o “mundo livre” - isto é o capitalismo identificado de forma incorreta. E os divulgadores da ex-União Soviética afirmavam que ela seria a guardiã dos ideais socialistas e igualitários.

O mundo bipolar possuía também uma ideologia, que consistia na supervalorização da oposição entre capitalismo e socialismo ou comunismo. Como se no século XX pudesse ser interpretado como um momento de luta ou oposição entre esses dois sistemas socioeconômicos.

O preço desta guerra

A guerra fria foi também acompanhada por uma fantástica corrida armamentista. O mundo após 45 ingressou na era atômica e na conquista do espaço, fatos que foram instrumentalizados pela guerra fria.

Da bomba atômica chegou-se á termonuclear e em seguida à bomba de nêutrons. Um dos principais motivos que levaram ao desmoronamento do edifício bipolar foi sem dúvida alguma o desenvolvimento desigual das nações nas últimas décadas, em especial nos anos 70 e 80. Pouco a pouco enquanto o ritmo de crescimento anual dos Estados Unidos era de 0,5 ou 1% e o da URSS era praticamente nulo, esse era de 7 ou 9% no Japão e na Alemanha isto devido aos altos gastos das duas superpotências em armamento.

Elas gastavam por volta de 50% do total mundial de despesas militares, ou até mais em alguns anos.

Esses enormes gastos no setor militar, sem duvida prejudicaram muito a economia das superpotências, todos estes gastos militares podem ser considerados improdutivos, isto é, eles não ampliam em nada o padrão de vida dos povos.

São gastos que não tem retorno social alguns, não acrescem em nada a base produtivo do país.

Em outras palavras, um investimento de centenas de bilhões de dólares para fabricar algumas bombas nucleares é um recurso praticamente jogado fora do ponto de vista da coletividade.

Não é por acaso que os dois principais beneficiários com a globalização e a modernização da economia internacional das ultimas décadas, o Japão e a Alemanha, estiveram entre os países que menos gastaram com militarismo.

Fonte: www.gicn.hpg.ig.com.br

Guerra Fria

A Guerra Fria foi um período em que a guerra era improvável, e a paz, impossível. Com essa frase, o pensador Raymond Aron definiu o período em que a opinião pública mundial acompanhou o conturbado relacionamento entre os Estados Unidos e a União Soviética.

A divisão do mundo em dois blocos, logo após a Segunda Guerra Mundial, transformou o planeta num grande tabuleiro de xadrez, em que um jogador só podia dar um xeque-mate simbólico no outro. Com arsenais nucleares capazes de destruir a Terra em instantes, os jogadores, Estados Unidos e União Soviética, não podiam cumprir suas ameaças, por uma simples questão de sobrevivência.

A paz era impossível porque os interesses de capitalistas e de comunistas eram inconciliáveis por natureza. E a guerra era improvável porque o poder de destruição das superpotências era tão grande que um confronto generalizado seria, com certeza, o último. Hoje, podemos ver isso claramente. Mas, na época, a situação se caracterizava como o equilíbrio do terror.

Quando começou e quando terminou a Guerra Fria

Não existe um consenso sobre a data exata do início da Guerra Fria. Para alguns estudiosos, o marco simbólico foi a explosão nuclear sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Outros acreditam que seu início data de fevereiro de 1947. Foi quando o presidente norte-americano Harry Truman lançou no Congresso dos Estados Unidos a Doutrina Truman, que previa uma luta sem tréguas contra a expansão comunista no mundo. E há também estudiosos que lembram a divisão da Alemanha em dois Estados, em outubro de 1949. O surgimento da Alemanha Oriental, socialista, estimulou a criação de alianças militares dos dois lados, tornando oficial a divisão da Europa em dois blocos antagônicos. Poderia ser esse o marco inicial da Guerra Fria.

Não há consenso também sobre quando terminou a Guerra Fria. Alguns historiadores acreditam que foi em novembro de 1989, com a queda do Muro de Berlim, um dos grandes símbolos do período de tensão entre as superpotências. Nessa mesma perspectiva, o marco final da Guerra Fria poderia ser a própria dissolução da União Soviética, em dezembro de 1991, num processo que deu origem à Comunidade dos Estados Independentes. E outros analistas, ainda, consideram que o período terminou não em dezembro, mas em fevereiro de 1991, quando os Estados Unidos saíram da Guerra do Golfo como a maior superpotência de uma nova Ordem Mundial.

"Quando se tenta delimitar os marcos da Guerra Fria, as pessoas escolhem datas que enfatizam aquilo que lhes parece ser o mais importante. Por exemplo, aqueles que acham que a questão nuclear é o principal, dirão que a Guerra Fria começou em 1945, com Hiroshima e Nagasaki, e terminou em 72, com os acordos do Salt-1.

Para aqueles que acham que o principal foi a relação entre os blocos, os marcos serão, provavelmente, a Doutrina Truman, em 1947, e a queda do Muro de Berlim, em 1989. Mas a Guerra Fria foi muito mais do que apenas uma disputa armamentista ou geopolítica. Ela teve uma importante dimensão cultural, que colocou em movimento um jogo simbólico do Bem contra o Mal.

Ela mexeu com a imaginação das pessoas, criou e reforçou preconceitos, ódios e ansiedades.

Nesse sentido mais amplo, dois marcos parecem ser mais adequados quando se trata de dar à Guerra Fria o seu conteúdo simbólico mais abrangente: o seu início foi a conquista de um novo poder, a bomba atômica, e o seu fim foi a Guerra do Golfo, quando os Estados Unidos escolheram outros símbolos do Mal para ocupar o lugar que antes pertencia ao comunismo, como o chamado fanatismo islâmico ou o narcotráfico."

Socialismo e capitalismo: dois ideais de felicidade

A Guerra Fria se manifestou em todos os setores da vida e da cultura, representando a oposição entre dois ideais de felicidade: o ideal socialista e o ideal capitalista. Os socialistas idealizavam uma sociedade igualitária. O Estado era o dono dos bancos, das fábricas, do sistema de crédito e das terras, e era ele, o Estado, que deveria distribuir riquezas e garantir uma vida decente a todos os cidadãos. Para os capitalistas, o raciocínio era inverso. A felicidade individual era o principal. O Estado justo era aquele que garantia a cada indivíduo as condições de procurar livremente o seu lucro e construir uma vida feliz. A solução dos problemas sociais vinha depois, estava em segundo plano. É por isso que a implantação de um dos dois sistemas, em termos mundiais, só seria viável mediante o desaparecimento do outro. Nenhum país poderia ser, ao mesmo tempo, capitalista e comunista.

Esta constatação deu origem ao maior instrumento ideológico da Guerra Fria: a propaganda.

A força da propaganda

A partir do final dos anos 40 e nas décadas de 50 e 60, o mundo foi bombardeado com imagens que tentavam mostrar a superioridade do modo de vida de cada sistema. Para ridicularizar o inimigo, os dois lados utilizavam muito a força das caricaturas. A propaganda serviu para consolidar a imagem do mundo dividido em blocos.

A novidade era o surgimento do bloco socialista na Europa, formado pelos países com governos de orientação marxista: Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Iugoslávia, Albânia e Bulgária. No mundo ocidental, os capitalistas procuravam mostrar que do seu lado a vida era brilhante.

As facilidades tecnológicas estavam ao alcance de todos. Os cidadãos comuns possuíam carros e bens de consumo, tinham liberdade de opinião e de ir e vir.

Segundo a propaganda ocidental, a vida no lado socialista, retratada em diversos filmes de Hollywood, era triste e sem brilho, controlada pela polícia política e pelo Partido Comunista. No mundo socialista, as imagens mostravam exatamente o contrário. A vida no socialismo era alegre e tranqüila. Os trabalhadores não precisavam se preocupar com emprego, educação e moradia. Tudo era garantido pelo Estado. A cada dia, as novas conquistas tecnológicas, especialmente na área militar e espacial, mostravam a superioridade do socialismo. A propaganda socialista mostrava, ainda, o mundo ocidental como decadente e individualista, onde o capitalismo garantia, para alguns, uma vida confortável. E para a maioria, uma situação de miséria, privações e desemprego.

O mundo em perigo: armamentismo e corrida espacial

A guerra da propaganda ganhou ainda mais impulso com o acirramento da corrida armamentista, nos anos 50. A corrida teve início com a explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, em 1945. Quatro anos depois, em 49, foi a vez de a União Soviética anunciar a conquista da tecnologia nuclear. Foi o mesmo ano da criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN. A resposta viria em 1955, quando a União Soviética construiu sua própria aliança, o Pacto de Varsóvia. As superpotências passaram a acumular um poder nuclear capaz de aniquilar o planeta em instantes.

Um componente fundamental da corrida armamentista foi a disputa pelo espaço. Em 1957, os soviéticos colocaram em órbita da Terra o primeiro satélite construído pelo homem, o Sputnik-1.

Em 61, os soviéticos fariam uma nova demonstração de avanço tecnológico: lançaram o foguete Vostok, a primeira nave espacial pilotada por um ser humano. O jovem cosmonauta Yuri Gagarin viajou durante cerca de 90 minutos em órbita da Terra, a uma altura média de 320 quilômetros.

Os Estados Unidos reagiram. Num histórico discurso em maio de 61, o presidente John Kennedy prometeu que, em menos de 10 anos, um astronauta norte-americano pisaria o solo da Lua. Toda a estrutura tecnológica e científica foi direcionada para o programa espacial.

Cumprir a promessa de Kennedy era mais do que um desafio científico: era um compromisso político.

Em 20 de julho de 1969, o grande momento: o astronauta Neil Armstrong, comandante da missão Apollo-11, e o piloto Edwin Aldrin pisam o solo lunar. A conquista norte-americana foi transmitida ao vivo pela TV, e acompanhada por mais de 1 bilhão de pessoas no mundo todo.

É claro que a corrida espacial tinha também, desde o começo, um significado militar. Se um foguete podia levar ao espaço uma cachorrinha como a Laika, sem dúvida poderia transportar equipamentos bem menos inofensivos, como ogivas nucleares. A combinação da tecnologia nuclear com as conquistas espaciais colocou o mundo na era dos mísseis balísticos intercontinentais. Um míssil disparado em Washington, por exemplo, poderia atingir Moscou em cheio em apenas 20 minutos. O aperfeiçoamento constante das armas acentuou a corrida armamentista.

A conquista sistemática de novas tecnologias, nos dois blocos, incentivou o desenvolvimento de um ofício milenar: a espionagem.

CIA x KGB

A espionagem foi um dos aspectos da Guerra Fria mais explorados pelo cinema. O espião mais famoso das telas, James Bond, criado por um ex-agente do serviço secreto britânico, Ian Fleming, vivia aventuras glamourosas e bem distantes da realidade. No mundo real, as duas grandes agências de espionagem, a KGB soviética e a CIA americana, treinavam agentes para atos de sabotagem, assassinatos, chantagens e coleta de informações. Nos dois lados criou-se um clima de histeria coletiva, em que qualquer cidadão poderia ser acusado de espionagem a serviço do inimigo. Na União Soviética, Stalin contribuiu para esse clima, confinando muitos de seus adversários em campos de concentração na Sibéria. Nos Estados Unidos, o senador anticomunista Joseph McCarthy promoveu uma verdadeira caça às bruxas, levando ao desespero inúmeros intelectuais e artistas de Hollywood, acusados de colaborar com Moscou.

Um dos momentos dramáticos da história da espionagem na Guerra Fria aconteceu em 1962. O presidente americano, John Kennedy, reagiu duramente contra a iniciativa soviética de instalar uma plataforma de mísseis em Cuba. Chegou a advertir o líder soviético Nikita Khruschev de que usaria armas nucleares se fosse necessário. Depois de três semanas, a União Soviética recuou. Durante esse tempo, o mundo viveu o pavor de um confronto nuclear entre as superpotências.

O terrorismo ganha força

O clima de terror que pairava no mundo não era simples paranóia. Nada disso. Havia realmente a sensação que a vida humana poderia deixar de existir de um momento para outro, se um dos lados apertasse o célebre "botão vermelho". Nesse clima, o diálogo político foi bastante prejudicado. Era difícil falar em negociações de paz com os dois blocos apontando mísseis um para o outro. Esse equilíbrio baseado na força contribuía para aumentar o descrédito dos políticos junto à opinião pública.

Na época da Guerra Fria, a falta de confiança na classe política era problemática.

O ambiente internacional, contaminado pelo relacionamento pouco amistoso entre as superpotências, contribuía para a expansão de um dos maiores obstáculos à paz no mundo: o terrorismo. O uso da força e o terror estão presentes em todo o século XX. Mas, foi no período da Guerra Fria que se multiplicaram as ações de grupos radicais. Organizações antigas, como o grupo basco ETA e o IRA, Exército Republicano Irlandês, intensificaram suas atividades.

No Oriente Médio, a OLP, Organização para a Libertação da Palestina, surgiu em 64 e centralizou as atividades de diversos grupos radicais palestinos. Nos anos 70, as Brigadas Vermelhas, na Itália, e o grupo Baader-Meinhof, na Alemanha, formados por estudantes e intelectuais, praticaram atentados desvinculados de compromissos políticos ou ideológicos.

O terrorismo assustou muito os países da Europa nos anos 70. Diante do terror não há paÍses atrasados ou adiantados, fortes ou fracos. Todo o planeta sente a mesma insegurança sob o fantasma constante de bombas lançadas contra pessoas inocentes. O fato de o terrorismo atingir em cheio os países desenvolvidos deixava temporariamente em segundo plano uma visão imperialista muito utilizada pelas superpotências nos anos 60, que dividia o planeta em Primeiro Mundo e Terceiro Mundo.

O termo "Terceiro Mundo", surgido nos anos 40, designa um conjunto de mais de cem países da África, Ásia e América Latina que não faz parte do grupo de países industrializados do Primeiro Mundo, e nem do grupo de países socialistas do Segundo Mundo. Com o tempo, no entanto, os termos "Primeiro Mundo" e "Terceiro Mundo", passaram a ser empregados como um conceito econômico, dividindo o planeta em grupos de países ricos e pobres. Foram justamente os países ricos da Europa o cenário principal da Guerra Fria, por razões de natureza histórica e geográfica. Mas as outras regiões do planeta foram incluídas no xadrez das superpotências por conta da própria lógica do jogo, que previa a destruição completa de um dos dois jogadores.

A Guerra Fria na Ásia

Uma dessas regiões, a Ásia, entrou de forma espetacular nesse contexto. Foi em 1949, quando o líder comunista Mao Tsé-tung tomou o poder na China, um país que na época contava 600 milhões de habitantes. O comunismo chinês alterou o equilíbrio geopolítico no continente asiático. A revolução de Mao Tsé-tung encorajou a Coréia do Norte a atacar a Coréia do Sul, em 1950.

A guerra, que teve a intervenção militar dos Estados Unidos, durou 3 anos e causou a morte de mais de dois milhões de pessoas. Na época, a Índia, que havia conquistado sua independência em 1947, mantinha-se neutra, sem aderir a nenhum dos grandes blocos econômicos. Em 1954, foi a vez de a França sofrer uma derrota humilhante na Ásia, durante a Guerra da Indochina. A vitória do líder comunista vietnamita Ho Chi Min consolidou a formação do Vietnã do Norte e aumentou a preocupação dos Estados Unidos com o rumo político dos países do sudeste asiático.

Alarmado com a expansão comunista na região, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, envolveu seu país na Guerra do Vietnã, em 1960. Depois de treze anos de batalhas, a maior superpotência do planeta seria derrotada por soldados pobremente armados e por guerrilheiros camponeses munidos de facas e lanças de bambu. Os Estados Unidos perderam a guerra não pelas armas, mas pela falta de apoio da opinião pública de todo o mundo, em particular da americana.

A oposição à Guerra do Vietnã foi uma das bandeiras dos jovens no final dos anos 60, quando explodiram, nos dois blocos, movimentos por liberdade e democracia. No lado ocidental, em 68, os jovens saíram às ruas em Paris e em outros centros importantes, como Londres e São Francisco. No Brasil, os protestos foram principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Todas essas manifestações culminaram num grande evento pacifista, contra a Guerra do Vietnã e o racismo: o Festival de Woodstock, realizado numa fazenda no estado de Nova York, em agosto de 69. No lado socialista, o movimento atingiu o auge com a Primavera de Praga, na antiga Tchecoslováquia, em 1968. A luta pela democracia naquele país foi duramente reprimida pelas forças do Pacto de Varsóvia

A Guerra Fria no Oriente Médio

A Guerra Fria envolveu também uma das áreas mais fascinantes e estratégicas do planeta: o Oriente Médio. Habitada desde tempos imemoriais, a região destaca-se por três razões. Do ponto de vista econômico, é a mais rica em reservas de petróleo. Do ponto de vista geopolítico, serve de passagem entre Ásia e Europa.

E no aspecto cultural, é o berço das três principais religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Com todas essas características, o Oriente Médio tornou-se um dos centros nevrálgicos da Guerra Fria. O interesse pela região já era visível nos anos 40, quando as principais potências mundiais negociaram a criação do Estado de Israel, em 1948. Havia muitos interesses geopolíticos em jogo no Oriente Médio.

A União Soviética, de um lado, e os Estados Unidos, de outro lado, acreditavam que Israel poderia se tornar um importante parceiro político na região. Os palestinos e os países árabes vizinhos, no entanto, nunca aceitaram a criação de Israel. A primeira guerra árabe-israelense, vencida por Israel em 1949, teve como conseqüência o fim do Estado árabe-palestino. Foi dividido entre Israel, Jordânia e Egito. Nas décadas seguintes, outras três guerras modificariam o panorama geopolítico do Oriente Médio. Por trás de cada conflito estava um jogo de alianças internacionais que evidenciava o interesse das superpotências na região. Somente em 1993, quando Israel e a OLP assinaram um acordo de paz, é que se acendeu uma pequena luz de esperança na região.

Em outra parte do Oriente Médio, no entanto, havia um elemento complicador: em 1979, o Irã converteu-se ao islamismo xiita, com pretensões de levar o mundo na direção da fé muçulmana. Uma situação que fugia à lógica da Guerra Fria. O aiatolá Khomeini tratava Estados Unidos e União Soviética como o Grande Satã, como inimigos que deveriam ser combatidos em nome do Islã.

A revolução iraniana era um fato novo no cenário internacional no fim dos anos 70. Até hoje, terminada a Guerra Fria, o Islã continua sendo um grande enigma contemporâneo. A Guerra Fria, na verdade, permeou os principais fatos políticos no mundo inteiro, desde o término da Segunda Guerra até o final dos anos 80.

O complexo jogo das superpotências envolveu todos os continentes, inclusive a África.

A Guerra Fria na África

Havia um motivo peculiar para o interesse dos países desenvolvidos pela África: as ditaduras africanas, miseráveis e violentas, eram excelentes compradoras de armas. Só por esse fato o continente ganhou destaque no panorama global do período. Na África, a Guerra Fria foi particularmente acirrada pelo fim do colonialismo português, em 1975. A saída de Portugal abriu caminho para o surgimento de regimes comunistas em Angola e Moçambique, e para a deflagração de conflitos tribais em diversos países do continente. As disputas internas e regionais estimularam os governantes a investir em armas poderosas, apesar da situação de miséria de suas populações.

O fim da Guerra Fria não mudou a situação no continente africano. O único fato de grande importância nos anos 90 foi o fim do regime racista da África do Sul e a ascensão ao poder do líder negro Nélson Mandela, em 1994. No aspecto político e econômico, a África não exercia influência no cenário internacional.

A Guerra Fria na América Latina

Na verdade, no chamado Terceiro Mundo era a América Latina o principal foco de atenção das superpotências. Esse interesse, natural por causa da proximidade geográfica dos Estados Unidos, aumentou bastante a partir de 1959, quando Fidel Castro chegou ao poder em Cuba. A partir desse momento, não demorou para que as superpotências se preocupassem com o Brasil, o maior país da América Latina. O golpe militar no Brasil, em março de 64, atendia à estratégia política dos Estados Unidos para a América Latina. A Casa Branca tinha medo que de a revolução cubana, que resultou num regime socialista, se espalhasse pelas Américas. Por causa disso, passou a patrocinar ditaduras em toda a América Latina. No Brasil, o quadro político e econômico favorecia os conspiradores.

O presidente João Goulart era apontado como simpatizante do socialismo e a economia do país estava em crise, com índices elevados de inflação. Nos anos que se seguiram ao golpe de 64, o regime militar tornou-se mais forte e repressivo. O Ato Institucional número 5, de 1968, restringiu as liberdades democráticas e deu ao regime poderes quase irrestritos para governar, prender, torturar e eliminar adversários.

A ditadura militar, conseqüência direta da Guerra Fria, teve um nítido impacto negativo na vida cultural. Durante duas décadas, o governo censurou a imprensa, a literatura e as artes de um modo geral. Experiências inovadoras, como o Tropicalismo, e o talento de artistas como Chico Buarque, Geraldo Vandré e Augusto Boal, entre muitos outros, foram sufocados pela censura imposta pelo regime.

Nos anos 80, ganharam força os movimentos pela democratização no Brasil, com o movimento pelas Diretas-Já, e em outros países sul-americanos, como o Paraguai, o Chile, o Uruguai e a Argentina.

No Brasil, o grande marco da volta à democracia foi o restabelecimento da eleição direta para presidente da República, em 1989. E também nos anos 80 começava a se configurar o quadro político internacional que viria a culminar no fim da Guerra Fria, simbolizado pela queda do Muro de Berlim, em 89. O fim do muro foi resultado do intenso processo de reformas na União Soviética, iniciado em 85 pelo dirigente Mikhail Gorbatchev.

Gorbatchev e o fim da Guerra Fria

No plano econômico, Gorbatchev instituiu a Perestroika, ou Reconstrução, buscando novas formas de conduzir a economia soviética. No plano político, retomou negociações para pôr fim à corrida armamentista. Internamente, libertou opositores do regime, viabilizou o abrandamento da censura e permitiu que os problemas fossem discutidos abertamente pela população. As reformas iniciadas em Moscou logo se refletiram na Europa socialista, onde os movimentos democráticos ganharam força para mudar todo o panorama político do antigo bloco soviético. Esse processo iniciado por Gorbatchev culminou no fim da própria União Soviética, em 1991.

A partir daí, os Estados Unidos, vencedores da Guerra Fria, tornaram-se a única superpotência mundial e encontraram novos inimigos contra os quais lutar, como os fanáticos do Islã, de um lado, e os narcotraficantes, de outro lado. Ou seja, novos elementos para a mesma fórmula do Bem e do Mal dos tempos da Guerra Fria. É um mundo que enfrenta novos problemas, como o ressurgimento de conflitos nacionais e étnicos; a disputa entre blocos econômicos; e as grandes máfias que controlam o crime organizado internacional. Para entender esse mundo temos de voltar nossos olhos ao passado recente e fazer uma reflexão que, talvez, nos indique o caminho para um futuro melhor.

José Arbex Jr.

Fonte: www.tvcultura.com.br

Guerra Fria

A GUERRA FRIA: 1945 - 1987

I - INTRODUÇÃO

Com o fim da II Grande Guerra, emergiam do teatro de batalhas duas grandes potências bélicas: os Estados Unidos da América (EUA), cuja economia fundava-se no capitalismo e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), um Estados formado por diversas repúblicas reunidas pela força centralizadora do stalinismo, cuja base econômica socialista foi imposta pela a Revolução bolchevique de 1917, que derrubou o último dos imperadores czaristas, da família Romanov.

As palavras-chave na guerra fria eram a “ameaça nuclear”: havia um temor constante, alimentado pela instabilidade da relações entre as duas superpotências, de que a qualquer momento num simples apertar de botões estaria a humanidade face a face com o armagedom, com a completa destruição da vida pelas armas nucleares, cujo potencial destrutivo fora testado e apresentado ao mundo em agosto de 1945 sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki.

A ameaça nuclear de destruição da humanidade, enfim os instrumentos de equilíbrio de força para a guerra fria, a guerra de ameaças que duraria até 1986 e 1987 com as Conferências de Reykjavik e Conferência de Washington, respectivamente, tiveram seu ponto de partida com as explosões nucleares sobre o Japão. O domínio da energia nuclear e da técnicas para produção de armamentos nucleares passou a significar um importante elemento de geopolítica dos Estados, especialmente entre as duas superpotências. À corrida nuclear associou-se a corrida armamentista e um época de graves conflitos armados nos Estados do “terceiro mundo”, os “filhos pobres” do capitalismo de primeiro mundo e contraponto dos países socialistas do segundo mundo, ao lado de outros Estados denominados não-alinhados, aos quais cumpriria interessante papel na condução das resoluções na Assembléia Geral da então recém-criada Organização das Nações Unidas.

Analisando com desprendimento este período de mais de quarenta anos de guerra fria, tendo em mente as duas grandes guerras que assolaram a Europa neste século, verifica-se, curiosamente, nestes anos de ameaças um grande avanço das ciências humanas, da economia internacional, das relativa promoção e estabelecimento de relações pacíficas entre os Estados.

A Carta das Nações Unidas foi concebida como um grande sistema integrado de princípios tendentes à solução pacífica de controvérsias; criou um monopólio do uso da força e o atribuiu ao um Conselho de Segurança que representava, além das duas superpotências emergentes do conflito, também os aliados de guerra.

Contudo, infelizmente, este sistema esteve relegado por todo o período da guerra fria a um ostracismo que revelava cada vez mais nítido um mundo bipolarizado que somente viria a se desmantelar com a derrocada do socialismo soviético a partir de 1987.

Não se pode haver, contudo, como homogêneo todo o período de guerra fria. Logo no início da década de 70, mais precisamente em 1973, as drásticas alterações na economia internacional por conta da primeira crise do petróleo provocada pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e as revoluções sociais que eclodiram na África, Ásia, Oriente e América Latina, provocaram uma ruptura não somente temporal, mas também política e econômica no período da guerra fria. Diz-se, então, ter havido uma primeira (1945-1973) e uma segunda guerra fria (1973-1987).

A primeira guerra fria foi marcada pelo mais intensa ameaça de destruição nuclear e pelo desenvolvimento da indústria armamentista, o que explica o significativo número de resoluções da Assembléia Geral e de tratados internacionais sobre armas nucleares neste período, mas, curiosamente uma fase de próspero desenvolvimento econômico global.

O segundo período foi marcado por duas crises econômicas globais, ambas causadas pela intervenção da OPEP sobre o petróleo: em 1973 e 1979, esta última agravada pela revolução cultural islâmica no Irã, que derrubou o Xá Reza Pahlevi, o qual havia sido reconduzido ao trono em1953 pela CIA, guindando ao poder o Aiatolá Khomeini. Encerrando este período de graves conflitos armados, em 1986 e 1987, diante de um flagrante processo de degeneração econômica do bloco socialista, URSS (Gorbachev) e EUA (Reagan) promovem a assinatura de dois tratados internacionais, em Helsinque e Washington, respectivamente, colocando um fim na guerra fria entre os EUA e a debilitada URSS.

O marco de uma nova era teria lugar dois anos mais tarde, em 1991, quando se pôs abaixo o maior ícone de um mundo bipolarizado que não mais existia: o muro de Berlim.

Até os acordos de Reykjavik (1986) e Washington (1987) o mundo conviveu com o constante confronto entre as duas superpotências emergentes da Segunda Guerra, EUA e URSS, conflito que os historiadores denominaram de “guerra fria.

A origem da guerra fria está inserida no contexto da Segunda Guerra, pois foi entre 1943 e 1945, nas Conferências de Yalta, que os Chefes de Estado aliados - Roosevelt, Churchill e Stalin - traçaram as linhas demarcatórias da nova geografia mundial, dividindo o mundo entre as duas superpotências emergentes, EUA e URSS, entre dois sistemas econômicos diferentes: capitalismo e socialismo.

Assim, a proposta deste trabalho é apresentar um breve resumo deste curioso período de nossa história, a guerra fria, que segundo alguns é a primeira guerra que jamais se findou ou a terceira guerra, que nem se lutou.

II - O MUNDO PÓS-II GUERRA.

Antes de apresentarmos um breve panorama do novo mapa global (especialmente da Europa), vejamos de que trata o termo superpotência. O termo superpotência não equivalia somente a um poderio econômico, mas também a um poderio militar que emergia da guerra como instrumento de política, de força. A partir de Hiroshima, o poder militar, o poder de destruição, tornou-se instrumento de política, de geopolítica.

Entre os aliados, ao fim da guerra, somente os EUA demonstravam saúde econômica para enfrentar o que se previa como um dos mais negros e críticos períodos da economia internacional, previsão tomada a partir dos efeitos percebidos após a I GGM, tal como a Crise de 1929. Numa perspectiva de força, a URSS contava com 12 milhões de soldados no Exército Vermelho e a confiança por parte dos aliados de que somente com a ajuda soviética poderia ser vencido Hitler. A Inglaterra de Churchill, de sua vez, estava economicamente debilitada no pós-guerra e não possuía um poderio militar que pudesse contrastar com os EUA e URSS.

Assim, os aliados cuidaram de dividir a Europa de acordo com as forças de ocupação dos EUA e URSS. A Alemanha, de forma particular, teve dividida sua capital, Berlim, entre EUA e URSS, a despeito de sua localização Oriental. Os soviéticos não tiveram força suficiente para repelir a ingerência americana neste ponto de seu território. No que se refere à Áustria, esta foi transformada numa segunda Suíça com a retirada dos ex-beligerantes. Na Europa oriental prevaleceu o domínio de Moscou, exceção feita à Iugoslávia de Tito (1948).

Fora da Europa, no oriente, o General McArthur ocupava unilateralmente para os EUA o Japão, excluindo todos os demais aliados.

Ao fim da guerra, como já se asseverou, existiam dois sistemas econômicos em confronto - capitalismo e socialismo - que dividiram o mundo em três categorias econômicas distintas: primeiro, segundo e terceiro mundos. No pós guerra os Estados do terceiro Mundo e os pós-coloniais, apesar de não se afinarem com a política dos EUA, eram em sua maioria anti-comunistas na ordem interna e não-alinhados (nãosoviéticos) em assuntos internacionais, constituindo um bloco de Estados que ficou conhecido nas Nações Unidas como “Grupo dos 77”, o qual consegui aprovar uma série de resoluções contra o sistema neo-colonialista e se fixação da soberania absoluta dos Estados sobre seus assuntos internos.

Nos primeiros anos das Nações Unidas destacam-se duas resoluções da Assembléia Geral de grande importância: a Convenção sobre Prevenção e Punição do Crime de Genocídio e a Declaração Universal do Direitos do Homem, ambas de 1948.

III – POR QUE GUERRA FRIA?

Deste o início deste estudo destacou-se que a guerra fria foi marcada pela constante ameaça de um conflito nuclear, embora não se possa afirmar, com certeza, que em algum momento preciso se estivesse na iminência de um conflito desta natureza.

A guerra fria foi uma guerra de ameaças, não de confrontos. Jamais houve um confronto direto entre EUA e URSS durante os 43 anos de guerra fria. Se não houve uma “guerra quente”, talvez tenha havido, como diz HOBSBAWN, um “paz fria”.

Embora não tenha havido confrontos direitos entre os EUA e URSS, ainda sim pode-se falar em “guerra”, já que guerra, adotada a concepção hobbesiana para o termo, não é somente batalha, mas também a clara e expressa vontade de disputar pela batalha, durante certo período de tempo. A guerra fria foi isso, uma guerra de ameaças, de ameaças nucleares e de extinção de toda a humanidade.

Durante todo o período da guerra fria a humanidade conviveu com o constante temor de extermínio da humanidade pelas armas nucleares, temor maximizado pelo desconhecimento leigo da energia nuclear e pela instabilidade das relações entre EUA e URSS. Até mesmo os mais incrédulos com a possibilidade de uma guerra não excluíam, em absoluto, a possibilidade de que ela ocorresse.

IV - PRIMEIRA GUERRA FRIA: 1945 A 1973

Neste primeiro período da guerra fria será que houve um real perigo de um confronto nuclear? Difícil dizer. Neste período, sem dúvida, o mais conturbado período foi a era Truman (1947/1951) e de sua doutrina (política americana de apoiar os povos livres da tentativa de sub-julgação por minorias armadas ou forças externas).

Em sua política exterior Truman lançou os EUA em três campanhas: na China em 1949, na Coréia em 1950 e na Revolução Iugoslava de Tito em 1948, todas com contraponto soviético.

Em 1949, o poder político na China, um país até então não-alinhado, era tomado por Mao Tsé Tung e os comunista, os quais iniciaram de imediato uma guerra a Coréia. Entre 1950 e 1953, os norte-americanos envolveram-se oficialmente na conflito.

Abalados com a derrota na China, os EUA e seus aliados (ONU) intervieram na Coréia para impedir que o regime comunista do Norte se estendesse ao Sul. Do lado chinês, a força aérea era reforçada por experientes pilotos soviéticos, o que foi desconsiderado politicamente pelos EUA, informação desmentida por Moscou, que não desejava um conflito com EUA, tampouco a vitória deste. Outro fato que pode ser lembrado é a questão dos mísseis soviéticos em Cuba (1962), onde a maior preocupação de ambos os lados era não tomar atitudes que pudessem ser interpretadas como agressões diretas ao outro lado.

Assim que a URSS anunciou e testou sua primeira arma nuclear na Sibéria, em 1953, as duas superpotências abandonaram a guerra como instrumento de política, pois isto equivaleria a um pacto suicida.

Se a partir deste momento não estava mais clara a possibilidade de uma guerra nuclear entre EUA e URSS, não menos obscuras eram as possibilidades de guerras nucleares destes contra terceiros: EUA X Vietnã, em 1965 e URSS X China em 1969, conflitos nos quais não houve o emprego de qualquer artefato nuclear.

Não existia, em termos objetivos, apesar da retórica apocalíptica de ambos os lados, perigo iminente de guerra mundial, sobretudo do lado americano, pois os governos das superpotências aceitaram a divisão de forças ao fim da Segunda Guerra, que equivaleria a um equilíbrio desigual de poder, mas que não contestado em sua essência. Havia, sim, o medo da destruição mútua inevitável (bem traduzida na sigla MAD - Mutual Assured Destruction) que impedia a ambos os lados de apertar o botão que destruiria toda a humanidade. O medo e a divisão concertada do mundo entre as duas superpotências fez criar duas áreas de influência bem delineadas e respeitadas por ambos os lados.

Para a Europa, os EUA criaram o plano Marshall de recuperação econômica; a URSS, no entanto, não fixou plano algum para seu domínio.

No entanto, havia algumas áreas indefinidas (fora da Europa) nas quais as duas superpotências continuaram a competir: ex-colônias imperiais da África e Ásia (Angola, Vietnã e Coréia).Estes Estados recém saídos do colonialismo mergulharam em extensa crise política e econômica, situações agravadas no início da década de 70 resultante da 1ª crise do petróleo.

Neste período de intensa instabilidade política internacional, as superpotências confiaram na possibilidade de uma coexistência pacífica, sem um ataque direto entre as duas forças armadas.

Até 1970, a guerra Fria foi tratada como uma Paz Fria. Evidências: em 1953 os tanques soviéticos avançaram sobre a Alemanha Oriental sem qualquer reação dos EUA. Era mais uma evidência do concerto sobre a divisão do Mundo. Ficou evidente, a partir de então, que o discurso anticomunista americano não passava de retórica. Fato semelhante aconteceu em 1956 no que se refere à revolução húngara.

Havia uma confiança mútua de que ambos os lados não queria a guerra.

Confiança abalada em 1962 com a mencionada crise dos mísseis cubanos a qual, por alguns dias, deixou o mundo à beira de uma guerra desnecessária (Kruschev decidiu colocar mísseis em Cuba em resposta aos mísseis americanos colocados do outro lado da fronteira soviética com a Turquia). Mais tarde se descobriria que os mísseis americanos e soviéticos eram obsoletos e que portanto, como já sabia Kennedy, não faziam diferença alguma no equilíbrio de forças.

Mas como justificar quase 45 anos de confrontos armados e mobilizados baseados somente na suposição de que a instabilidade do planeta era de tal ordem que uma guerra mundial poderia por fim a toda a humanidade?

Primeira justificativa que se apresenta é de que este temos era preponderantemente Ocidental. Uma estratégia de política interna e de Geopolítica. Os EUA acreditavam que o mundo do pós-guerra mergulharia numa crise sem precedentes, com problemas que minariam a estabilidade econômica, política e social do mundo. Era evidente que os aliados, à exceção dos EUA, estavam saindo muito abalados da II GGM.

Além disso a URSS fora favorecida pelo desmoronamento internacional do pós-guerra, propiciando a ela a influência sobre extensas áreas do mundo, especialmente na Europa. Um bom exemplo desta instabilidade foi a ameaça francesa de adotar o regime comunista se os EUA não fornecessem ajuda financeira ao país (1946).

Ao contrário do pensamento americano, contudo, a URSS não demonstrava interesses expansionistas, já que não avançou para além das fronteiras estabelecidas em Yalta. Na verdade, nas áreas controladas por Moscou, os regimes locais (comunistas) não estavam dispostos a erguer Estados semelhantes ao modelo soviético, mas economias mistas sob regime parlamentar multipartidário, muito distinto da ditadura de proletariado unipartidária de Moscou (o único Estado Europeu que rompeu com o modelo de Moscou foi a Iugoslávia de Tito, em 1948). Além disso, deve- -se considerar que a URSS diminuiu seu Exército de 12 milhões em 1945 para 3 milhões de soldados em 1948.

A posição da URSS era frágil ao final da II GGM. A única estratégia para se manter os domínios conquistados na guerra era a contumaz negativa a revisão do acordo de Yalta. Stalin sabia das deficiências da URSS, de sorte que não haveria negociações sobre posições já conquistadas. ë de se recordar, também, que os EUA “perderam” o pedido de ajuda financeira feito por Moscou ainda no último período da guerra.

No outro lado do front, os EUA se preocupavam com o perigo da supremacia da URSS, enquanto esta se preocupava com a hegemonia de fato dos EUA.

Ao lado deste embate entre EUA e URSS, a corrida armamentista ganhava fôlego: em 1952 os ingleses conseguem produzir sua primeira bomba nuclear, proclamando sua independência em relação aos EUA; em 1953, como mencionado, a URSS testa sua primeira bomba nuclear, dando início à corrida armamentista e desenvolvimento de complexos industriais militares que não mais se voltavam para a guerra direta, mas para o lucrativo mercado internacional de armas. Finalmente em 1960, os chineses constróem sua primeira bomba nuclear.

Enquanto durou a guerra fria, os artefatos nucleares da Inglaterra e China em nada influenciaram a política entre as duas superpotências. Os problemas surgiriam, como de fato surgiram, com o final da guerra fria, com o descontrole da produção de armas nucleares, que se deslocaram em tecnologia e material contrabandeado para perigosos focos de tensões históricas, a exemplo do Paquistão e da Índia.

Afinal, quem foi o responsável pela guerra fria. Certamente o medo do mútuo confronto, mais acentuado no Ocidente, fundado na idéia de “conspiração comunista”, plataforma política que definitivamente elegeu Robert Kennedy nos EUA.

Nesta primeira fase, a guerra fria inspirou dois conflitos armados de grande relevância: a guerra da Coréia (1950/1953) e a guerra do Vietnã (1965/1975), que se estendeu até o início da Segunda fase da guerra fria.

Juntamente com a guerra do Vietnã surgiram os primeiros movimentos contra a guerra fria, bem como movimentos ambientalistas contra as armas nucleares e experimentos nucleares.

Entre as consequências políticas e econômicas da guerra fria no panorama internacional, pode-se identificar os seguintes:

1. Polarizou o mundo controlado por EUA e URSS em dois grupos bem definidos (pró-comunistas e anti-comunistas).
2.
Ameaça americana de intervenção na Itália se os comunistas vencessem as eleições de 1948.
3.
Criação da “Internacional Comunista”, extinta em 1953.
4.
Criação de um sistema unipartidário permanente no Japão e Itália, excluindo os comunistas.
5.
Alteração da política internacional do continente europeu. Provocou a reação e a criação da Comunidade Européia em 1957, pelo acordo de 06 Estados (França, Alemanha, Itália, Países baixos, Bélgica e Luxemburgo)
6.
Criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN (1949) aliança militar anti-soviética (pacto de Varsóvia), baseada na força da economia alemã, rearmada pelos EUA.
7.
Enfraquecimento do dólar com o estabelecimento do “Pacto do ouro” para estabilização do preço do metal no mercado internacional (a paridade ouro-dólar extinta em 1971, retirando dos EUA o controle do sistema de pagamentos internacional).

O início da década de 60 foi marcado pelo afrouxamento da tensão entre EUA e URSS, fato denominado no meio diplomático como détent. Josef Stalin falecera em 1953 ao mesmo tempo que a guerra da Coréia havia terminado sem um conflito nuclear. Na URSS Nikita Kruschev estabeleceu sua liderança após a morte de Stalin.

O período de détent se estenderia até o ano de 1973, rompido somente pela crise dos mísseis cubanos em 1962 Curiosamente em 1977 a Assembléia Geral aprovava a Resolução 23/155 que encerrava a Declaração sobre Aprofundamento e Consolidação da Detent Internacional.

Nesta fase inicial de détent, concluia-se a construção do Muro de Berlin (1961)e se estabelecia a “linha quente” entre Moscou e Washington (1963). Nesta mesmo ano, Kennedy foi assassinado em Dallas, Texas; no ano seguinte Kruschev seria substituído por Leonid Brejnev, que mergulharia a URSS num “período de estagnação” de 20 anos.

Neste período de estagnação da URSS, entre 1961 e 1981, estabeleceram-se uma séria de tratados sobre o uso do espaço cósmico e controle de armas nucleares: tratados de proibição de testes, tentativas de deter a proliferação de armas nucleares; tratado de limitação de armas estratégicas (SALT) entre EUA e URSS, acordo sobre mísseis antibalísticos (ABMs) de cada lado.

Vejam-se, por exemplo, somente com relação à primeira guerra fria (1945-1973), a Declaração sobre a Proibição do Uso de Armas Nucleares e Termonucleares de 1961, a Declaração sobre os Princípios Legais de Governo das Atividades dos Estados na Exploração e uso do Espaço de 1963, o Tratado sobre Não Proliferação de Armas Nucleares de 1968, o Tratado sobre Proibição de Depósito de Armas Nucleares e outras Armas de Destruição em Massa na Plataforma, no Fundo Oceânico e no Subsolo Oceânicos de 1970, a Convenção sobre a Proibição do Desenvolvimento, Produção, Estocagem de Armas Bacteriológicas (Biológicas) e Tóxicas e sobre sua Destruição de 1971, o Tratado sobre Princípios de Governo das Atividades dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico, inclusive a Lua e outros Corpos Celestes de 1966, o Acordo sobre Resgate de Astronautas, o retorno de Astronautas e de Objetos Lançados ao Espaço de 1967, a Convenção sobre Responsabilidade por Danos Causados por Objetos Espaciais de 1971, a Convenção sobre Registro de Objetos Lançados ao Espaço de 1974 e a Declaração sobre Cooperação Internacional para o Desarmamento de 1979.

Este também foi um período de reconhecimentos em direitos da mulher - Convenção sobre Direitos Políticos das Mulheres de 1952, das crianças - Declaração sobre os Direitos da Criança de 1959; da auto-determinação das ex-colônias - Declaração de Outorga de Independência aos Estados e Povos Coloniais de 196017 e a Declaração sobre a Inadmissibilidade de Intervenção nos Assuntos Internos dos Estados e de Proteção de sua Independência e Soberania de 1965; da eliminação da discriminação racial - Declaração das Nações Unidas sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial de 1963, retomada em 1965 e a Convenção Internacional sobre a Supressão e Punição do Crime de Apartheid de 1973; de reconhecimento de direitos humanos - Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais de 1966, a Convenção sobre não-aplicabilidade do Estatuto de Limitações para Crimes de Guerra e Crimes contra a Humanidade de 1968; e segurança internacional – a Convenção sobre Missões Especiais e Protocolo Opcional relativo à Solução de Disputas Compulsória de 1969, a Declaração sobre os Princípios de Direito Internacional relativos às Relações Amistosas e Cooperação entre Estados de acordo com a Carta das Nações Unidas de 1970, e a Declaração sobre Segurança Internacional de 1970.

Em resumo, nos anos que antecederam a primeira crise do petróleo, começava a florescer o comércio entre EUA e URSS, em excelente perspectiva, ao mesmo tempo que se procurava equacionar a questão da corrida armamentista não somente entre os EUA e a URSS, mas também com relação a outros Estados (Inglaterra, França, China) que buscavam uma maior independência em relação a ambos os sistemas – capitalista e socialista. Este período, sem dúvida, ficou marcado como uma era de ameaças de um conflito nuclear capaz de destruir toda a humanidade. Iniciava neste período, contudo, os principais movimentos de independência da África, os quais teriam grande instabilidade na economia global, masca do segundo período da guerra fria.

V - 2ª GUERRA FRIA

O período da Segunda guerra fria iniciou com uma grande crise econômica global provocada pela repentina superelevação dos preços do petróleo provocada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), agravada em 1979 por uma segunda grande crise coincidente com a Revolução Cultural do Islã promovida pelo Aiatolá Khomeini.

Em 1973 o cartel internacional de petróleo (OPEP) provocou uma mudança drástica na economia internacional a aumentar o preço do produto, enfraquecendo o domínio dos EUA.

Como se não bastasse este fato, os EUA estavam desmoralizados com os sucessivos fracassos na Guerra do Vietnã e com a infeliz campanha na Guerra do Yom Kipur (1973) na qual apoiou Israel em sua guerra contra o Egito e Síria (apoiados pela URSS). Neste conflito, nem mesmo os aliados europeus apoiaram a investida americana, recusando autorização de uso de bases americanas em seus território (o que foi autorizado somente por Portugal - Açores).

Foi também nesta ocasião que o Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger fez soar o primeiro alarme de guerra nuclear desde a crise dos mísseis cubanos.

A OPEP queira cortar o fornecimento de petróleo para Israel, ao fazer isso descobriram o poder de controle do mercado de petróleo. Sem dúvida o Vietnã e o Yom Kipur enfraqueceram a posição política americana, mas não alteraram o cenário da GF.

No entanto, entre 1974 e 1979 uma nova onde de revoluções eclodiu na África (confirmada anos mais tarde na Declaração sobre a Situação Crítica da África de 1984), Oriente e América, propiciando à URSS a instalação de bases militares em alguns Estados.

Foi a coincidência desta terceira onda de revoluções mundiais, associada ao fracasso político americano, que fez surgir a Segunda guerra fria. Transferia-se, assim, a área de competição das superpotências da Europa para o 3ª Mundo. Logo após a crise de 1973, as Nações Unidas editaram a Resolução 3201 (S-VI) contendo a Declaração sobre o Estabelecimento de uma Nova Ordem Econômica Internacional e no final daquele mesmo ano a Carta dos Direitos e Deveres Econômicos dos Estados de 197428, sem descuidar do tema sempre presente dos conflitos armados com a edição da Resolução 3314 (XXIX) sobre a Definição de Agressão.

A mudança de foco de conflitos e tensões (détent), deu ao Presidente norte americano Richard Nixxon e ao Secretário de Estado Henry Kissinger a oportunidade de duas importantes vitórias militares e políticas: a expulsão dos soviéticos do Egito e o recrutamento informal da China para a aliança anti-comunista.

Do lado soviético, Leonid Brejnev, o líder da era da estagnação, afundava a URSS em dívidas com armas. O resultado desta corrida armamentista foi que em meados da década de 80 a URSS superava os EUA em produção de ferrogusa, aço e tratores, mas descuidou da economia do silício e do software.

Em 1979 a OPEP mais uma vez elevou os preços do petróleo, agravando ainda mais o quadro da economia internacional. Coincidentemente com a revolução islâmica do Irã, a maior revolução social deste período.

Neste panorama de crise política assumiu Ronald Reagan (1980/88) com a missão de reconquistar o prestígio americano. Para tanto promoveu a invasão de Granada (1983), o ataque à Líbia (1986) e a invasão do Panamá (1989).

Do outro lado da mesa de negociações estava o presidente soviético Mikail Gorbachev, que com a política de perestroika e intensas negociações com o governo Reagan, pôs fim à guerra fria através de dois acordos assinados em 1986, em Reykjavik, e em 1987, em Washington.

Encerrando vinte anos de estagnação na URSS, em 1988 Gorbachev promoveu a retirada das tropas soviéticas do Afeganistão após 08 anos de ajuda ao governo que lutava contra guerrilheiros financiados pelos EUA e abastecidos pelo Paquistão.

Com a queda do Muro de Berlim (1991), dois anos após o Acordo de Washington, deixava-se clara a queda do socialismo, em maior parte devido às suas próprias mazelas, sem que significasse uma vitória do capitalismo, que sobrevivera melhor respondendo aos anos de crise e instabilidade política do pós-guerra.

Entre 1973 e 1991 a comunidade internacional não deixou de lado a corrida armamentista (Declaração da Década de 80 como a Segunda Década de Desarmamento de 1980, a Declaração sobre Prevenção de Catástrofe Nuclear de 1981 e a Declaração da Década de 90 como a Terceira Década de Desarmamento de 1990) ou a independência soberana dos Estados (Declaração sobre a Inadmissibilidade de Intervenção e Interferência nos Assuntos Internos dos Estados de 1981, mas passou a atentar também para outras matérias de interesse de preservação da própria vida do Homem. Em 1972, na Conferência de Estocolmo, consolidavam-se num instrumento internacional princípios de direito internacional do meio ambiente, que serviram e vêm servindo de fundamento para novos instrumentos de direito ambiental, a exemplo da Carta Mundial da Natureza de 1982.

Ganhou também vulto os debates em torno do direito ao desenvolvimento (Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento de 1986, o qual comportava um exercício soberano dos Estados sobre suas próprias riquesas naturais.

Rodrigo Fernandes More

Fonte: www.more.com.br

Guerra Fria

A Guerra Fria foi o período de tensão que ocorreu entre o final da Segunda Guerra Mundial e a queda da União Soviética (1947 a 1991), marcada pelo estado de tensão entre as duas potências mundiais da época, os EUA (capitalistas) e a URSS (socialista), no qual se confrontavam com doutrinas ideológicas antagônicas destinadas a fortalecer-se a si próprio e a enfraquecer o adversário por meio de constantes dissídios e políticas de alianças, corrida armamentista, mas sem chegar ao confronto armado.

O fim da Segunda Guerra Mundial foi marcado por uma série de inúmeros tratados que dividiram o mundo em duas áreas de influência, uma sob controle capitalista liderado pelos EUA e outra sob controle socialista liderado pela URSS. Na Conferência de Teerã, em 1943, Roosevelt (presidente dos EUA), Stálin (líder da URSS) e Churchill (primeiro-ministro britânico) definiram a fronteira da Polônia em relação à União Soviética, garantindo a esta a anexação dos países bálticos e projetaram a divisão da Alemanha. Vendo próxima a derrota alemã, os três grandes se reuniram de novo na Conferência de Yalta em 1945. Stálin se beneficiou do rápido avanço soviético. Os três anunciaram princípios gerais, como a autodeterminação dos países e a democratização, sem definir qual democracia. Privada de governo, a Alemanha seria dividida em zonas de ocupação, bem como a Áustria; o ocidente admitiu a instalação do governo socialista de Tito na Iugoslávia; a Polônia perdia regiões conquistadas à Rússia em 1921 e receberia compensações em direção ao Rio Oder; os soviéticos se comprometiam a guerrear o Japão em troca de Port-Artur, sul das ilhas Sakhalinas e ilhas Kurilas.

Finda a guerra, parecia muito alto o preço pago aos soviéticos. Em clima de tensão, reuniu-se a Conferência de Potsdam, em 1945, agora com Truman, Stálin e Churchill. Os soviéticos haviam ocupado a maior parte da Europa central; não queriam que o ocidente se envolvesse na reorganização política da região.

O Ocidente não queria que a União Soviética se intrometesse nas questões mediterrâneas e africanas. A Alemanha foi dividida em zonas de influência, dadas a americanos, soviéticos, ingleses, e franceses. Berlim, a capital, que ficava no setor soviético, foi igualmente dividida em quatro partes.

Os vencedores impuseram aos alemães uma reparação de guerra de 20 milhões de dólares: 50% para a URSS, 14% para a Grã-Bretanha, 12,5% para os EUA e 10% para a França. A indústria bélica alemã foi amputada, a produção de aço limitada e certas fábricas desmontadas em favor dos aliados. Os principais chefes alemães seriam julgados, para desnazificar o país.

Além disso, o término da Segunda Guerra mudou o panorama político e econômico internacional. As perdas materiais e humanas da Europa e do Japão rebaixaram a posição das antigas potências. Surgem novas nações e novas organizações internacionais, como a ONU, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, criados em 1945.

A rivalidade entre aliados e soviéticos na Conferência de Potsdam, pela divisão do mundo em áreas de influência, inaugurou uma nova política internacional que conduziria, muito rapidamente, à Guerra Fria. Em 1946, Winston Churchill, já não era mais o primeiro-ministro britânico, mas ainda um líder da resistência antinazista, tornou-se líder anti-soviético ao preferir violento discurso, nos EUA, defendendo, pela primeira vez, a necessidade de uma política de controle e de vigilância da URSS. Era preciso uma cortina de ferro em torno dela para evitar que entendesse seus domínios no leste europeu e na Ásia. Conclamava os EUA a assumirem a liderança mundial contra a sovietização do mundo.

Anos 40 e 50: A Guerra Fria Clássica

Reconstrução da Europa Ocidental

Missão gigantesca diante da destruição causada pela guerra. Só em perdas humanas a URSS teve 17 milhões; a Alemanha, 5,5 milhões; a Polônia, 4 milhões; a Iugoslávia, 1,6 milhão; a França, 535 mil; a Itália, 450 mil; os Estados Unidos, 410 mil; e o Reino Unido, 396 mil.

Hegemonia dos EUA

Conquistada em virtude do fortalecimento dos Estados Unidos durante a guerra, concomitante ao enfraquecimento relativo das potências européias. A economia norte-americana se expande internacionalmente. Suas Forças Armadas detêm o monopólio da bomba atômica e disseminam bases pelo mundo. Washington dita a política no Ocidente e disputa a hegemonia no resto do planeta. A supremacia econômica é alcançada com a exportação de capitais, empresas, produtos industriais e agrícolas e tecnologia. As empresas norte-americanas tornam-se multinacionais, com filiais espalhadas por todo o mundo. Exercem influência sobre as economias nacionais e determinam seu rumo. A busca da hegemonia política tem por base a Doutrina Truman.

Expansão Soviética

Apesar das perdas humanas e materiais, a URSS sai da guerra como grande potência econômica e militar. Aumenta a centralização política, a pretexto de uma rápida recuperação econômica e do perigo de uma nova guerra, desta vez contra as potências ocidentais, tendo os Estados Unidos à frente. Stalin centraliza em 1946 as funções de secretário-geral do Partido Comunista, primeiro-ministro e ministro da Defesa. Reorganiza os organismos de repressão política e intensifica a perseguição aos opositores. A economia é restaurada através da planificação centralizada, com prioridade para a indústria pesada. Em 1950 a produção industrial e agrícola atinge os níveis anteriores à guerra. As regiões industriais no oeste do país são reconstruídas e tem início a exploração da Sibéria. Intensifica-se a mecanização agrícola e as áreas de cultivo são ampliadas. Entra em execução um plano de massificação do ensino básico e técnico e tem início o rearmamento.

O V Plano Qüinqüenal, entre 1951 e 1955, é voltado para a realização de obras energéticas e de irrigação e transporte fluvial. São executados projetos de armas modernas, centradas em artefatos nucleares e foguetes, e começa a pesquisa espacial.

Doutrina Truman

No início de 1947, estava dado o passo inicial da política da Guerra Fria, quando os Estados Unidos decidiram substituir a Inglaterra no controle da região do Mediterrâneo Oriental, principalmente na Grécia e na Turquia, contra o avanço soviético.

A justificativa desse intervencionismo consta em um discurso de Harry Truman ao Congresso Norte Americano:

"(...) O governo britânico informou-nos de que, em virtude das suas próprias dificuldades, não pode proporcionar por mais tempo a ajuda financeira ou econômica que vinha prestando à Turquia. Somos o único país capaz de fornecê-la...

Os povos de certo número de países do mundo tiveram recentemente de aceitar regimes totalitários impostos, à força, contra a sua vontade. O governo dos Estados Unidos tem lavrado amiudados protestos contra a coerção e a intimidação, em flagrante desrespeito ao acordo de Yalta, na Polônia, na Romênia e na Bulgária. Devo também consignar que em certo número de outros países têm ocorrido fatos semelhantes.

No momento atual da história do mundo quase todas as nações se vêem na contingência de escolher entre modos alternativos de vida. E a escolha, freqüente vezes, não é livre.

Um dos modos de vida baseia-se na vontade da maioria e distingue-se pelas instituições livres, pelo governo representativo, pelas eleições livres, pelas garantias de liberdade individual, pela liberdade de palavra e de religião, pela libertação da opressão política.

O segundo modo de vida baseia-se na vontade da minoria, imposta pela força à maioria. Escora-se no terror e na opressão, no controle da imprensa e do rádio, em eleições fixas e na supressão das liberdades pessoais.

Acredito que precisamos ajudar os povos livres a elaborar seus destinos à sua maneira. Acredito que a nossa ajuda deve ser dada, principalmente, através da assistência econômica e financeira, essencial á estabilidade econômica e aos processos ordenados...

Alem dos fundos, solicito ao Congresso que autorize o envio pessoal civil e militar à Turquia e à Grécia, a pedido desses países, a fim de assistir nas tarefas de reconstrução e com o propósito de supervisar o emprego da assistência financeira e material que vier a ser fornecido...

Se fraquejarmos em nossa liderança, podemos pôr em perigo a paz do mundo – e poremos seguramente o bem-estar da nossa nação..."

Assim, estava lançada a base da Doutrina Truman. Segundo a qual a URSS apresenta um antagonismo inconciliável com o mundo capitalista, e a sua tendência expansionista só poderia ser mediante a hábil e vigente aplicação de uma contra força em uma série de pontos geográficos e políticos em constante mudança correspondente às mudanças e manobras das políticas soviéticas. Pela Doutrina Truman, era necessário bloquear o expansionismo soviético ponto a ponto, país por país, em todos os lugares que eles se manifestasse.

Plano Marshall

O Programa de Reconstrução da Europa (ERP) é elaborado em 1947 pelo secretário de Estado norte-americano George C. Marshall (1880-1959), com base na Doutrina Truman. Os Estados Unidos decidem abandonar a colaboração com a URSS e investir maciçamente na Europa ocidental para barrar a expansão comunista e assegurar sua própria hegemonia política na região. Washington fornece matérias-primas, produtos e capital, na forma de créditos e doações. Em contrapartida, o mercado europeu evita impor qualquer restrição à atividade das empresas norte-americanas. A distribuição dos fundos é realizada por meio da Organização Européia de Cooperação Econômica (OECE), fundada em Paris, em 1948. Entre 1948 e 1952, o Plano Marshall fornece US$ 14 bilhões para a reconstrução européia, na forma de fundos, créditos e suprimentos materiais a juros irrisórios.

OTAN

Em 1949, os Estados Unidos fizeram uma aliança militar com outros países europeus para combater a influência da União Soviética. Estava nascendo a OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, que completava, no campo militar, a Doutrina Truman.

Criou-se um exército conjunto dos seguintes países: EUA, Alemanha Ocidental, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Grécia, Islândia, Holanda, Itália, Noruega, Portugal e Turquia.

Pacto de Varsóvia

Em 1955, a União Soviética organizou um pacto de defesa mútua com todos os países que estavam sob sua influência. Esse pacto foi assinado na cidade de Varsóvia, na Polônia, e consistia em ajuda mútua em caso de agressão armada, consulta sobre problemas de segurança e questões políticas.

Eram membros do Pacto de Varsóvia: URSS, Romênia, Tchecoslováquia, Bulgária, Polônia, Hungria e, posteriormente, a Alemanha Oriental.

Bloqueio de Berlim

A Doutrina Truman inviabilizou o projeto de reunificação da Alemanha nos primeiros anos do pós-guerra. O Plano Marshall, visando reconstruir a economia de mercado nas zonas de ocupação das potências capitalistas, ameaçava desestabilizar o controle soviético do lado oriental do país.

A resposta soviética não demorou. Uma série de pequenos incidentes entre EUA e URSS, como bloqueio de abastecimentos e de trânsito entre as áreas de controle, serviu para acirrar ainda mais as rivalidades.

Na porção ocupada pelos exércitos inglês, francês e americano formou-se a República Federal Alemã. As reformas econômicas e a ajuda norte-americana propiciaram a reconstrução da economia alemã em bases capitalistas, permitindo que os grandes trustes alemães se recuperassem.

Após a ocupação da sua zona, o exército soviético, procedeu a normalização política, permitindo a formação de vários partidos, iniciando a reforma agrária e nacionalizando os grandes monopólios alemães. Mas o acirramento das disputas entre os antigos aliados levou a URSS a atuar no sentido de favorecer uma solução socialista para a sua zona de ocupação.

Berlim também foi divida em quatro zonas de ocupação após a guerra. Assim, mesmo se localizando na porção soviética, a cidade não poderia ser ocupada por nenhuma das potências vitoriosas. À medida que as relações entre os antigos aliados iam-se tornando tensas, a URSS pressionava para que o setor ocidental da cidade fosse abandonado pelas outras potências. Mas os soviéticos não conseguiram alcançar seu intento. Em 1961, os soviéticos construíram um muro dividindo a cidade, para impedir a evasão de mão de obra especializada da RDA (socialista) para a RFA (capitalista).

Guerra da Coréia

Um dos momentos mais tensos dessa primeira fase foi a Guerra Fria. Em 1950, cinco anos depois de derrotar a Alemanha nazista, os Estados Unidos e a União Soviética, ex-aliados, entram em conflito pelo controle da Coréia, uma nova zona de influência, arriscando provocar uma terceira guerra mundial.

A península da Coréia é cortada pelo paralelo 38, uma linha demarcatória que divide dois exércitos, dois Estados: a República da Coréia, no sul, e a República Popular Democrática da Coréia, no norte.

Essa demarcação, existente desde 1945 por um acordo entre Moscou e Washington, dividiu o povo coreano em dois sistemas políticos opostos: no norte o comunismo apoiado pela União Soviética, e, no sul, o capitalismo apoiado pelos Estados Unidos.

Em 3 de julho de 1950, depois de várias tentativas para derrubar o governo do sul, a Coréia do Norte ataca de surpresa e toma Seul, a capital. As Nações Unidas condenam o ataque e enviam forças, comandadas pelo general americano Douglas MacArthur, para ajudar a Coréia do Sul a repelir os invasores. Em setembro, as forças das Nações Unidas começam uma ambiciosa ofensiva para retomar a costa oeste, ocupada pelo exército norte-coreano. Em 15 de setembro, chegam inesperadamente em Inchon, perto de Seul, e algumas horas depois entram na cidade ocupada. Os setenta mil soldados norte-coreanos são vencidos pelos cento e quarenta mil soldados das Nações Unidas. Cinco dias depois, exatamente três meses após o início das hostilidades, Seul é libertada.

Com essa vitória, os Estados Unidos mantêm sua supremacia no sul. Mas, para eles isso não basta. Em primeiro de outubro, as forças internacionais violam a fronteira do paralelo 38, como os coreanos haviam feito, e avançam para a Coréia do Norte. A capital, Piongiang, é invadida pelo exército sul-coreano e pelas tropas das Nações Unidas, que, em novembro, aproximam-se da fronteira com a China. Ameaçada, a China envia trezentos mil homens para ajudar a Coréia do Norte.

A Coréia do Norte é devastada. Os suprimentos enviados pela União Soviética são interceptados pelas forças das Nações Unidas. Durante quase três anos, o povo coreano, uma das mais notáveis culturas da Ásia, é envolvido em uma brutal guerra fratricida. Milhares de prisioneiros amontoados em campos de concentração esperam ansiosamente por um armistício. Com a ajuda da China, as forças das Nações Unidas são rechaçadas para a Coréia do Sul. A luta pelo paralelo 38 continua. Em Seul, as tropas são visitadas por artistas que tentam elevar seu moral.

O General MacArthur, insistindo em um ataque direto à China, é substituído, em abril de 51, pelo General Ridway. Em 23 de junho começam as negociações de paz, que duram dois anos e resultam num acordo assinado em Pamunjon, em 27 de julho de 53. Mas, o único resultado é o cessar fogo. Na guerra coreana morreram cerca de três milhões e meio de pessoas. O tratado de paz ainda não foi assinado, e a Coréia continua dividida em Norte e Sul. A oportunidade chegou em junho de 1950, com os conflitos entre o sul e o norte da Coréia, na região dividida pelo paralelo 38. As duas partes reivindicavam para si a hegemonia sobre todo o país.

Os Estados Unidos, liderando uma força multinacional da ONU, enviaram, em setembro, suas tropas em auxílio ao governo sul-coreano. Ao mesmo tempo, fizeram grandes encomendas ao Japão, que ficou encarregado de fabricar roupas e suprimentos para as tropas na frente de batalha. Dessa forma, o Japão pôde iniciar a reconstrução de sua economia. A Guerra da Coréia durou três anos e matou pelo menos três milhões e quinhentas mil pessoas. No final, tudo como antes.

As fronteiras permaneciam as mesmas, no paralelo 38, e os regimes dos dois países também: o norte sob o domínio dos comunistas pró-soviéticos e o sul controlado pelos capitalistas pró-Estados Unidos.

Após a guerra os Estados Unidos passaram a injetar na Coréia do Sul milhões de dólares todo o ano na intenção de impedir a volta do socialismo naquele país, como fez em vários outros países que circundavam a URSS. Com tanto dinheiro entrando nos cofres públicos, a Coréia do Sul foi se desenvolvendo, e com a entrada do capital japonês despontou como líder dos Tigres Asiáticos no final da década de 80 e por toda a década de 90. Porém o grande salto tecnológico e desenvolvimentista do pós-guerra da Coréia configura uma grande diferença sócio-econômica entre o país sulista e a Coréia do Norte, um dos fatos que dificulta a reunificação. Os impasses para que o país volte a ser um só são muitos.

A reportagem seguir, retirada do jornal Gazeta do Povo, nº. 26.573, de 26 de julho de 2002, mostra a proposta de retomada do diálogo pela Coréia do Norte com o Sul, interrompido desde 29 de junho de 2002:

"Seul (AFP) – A Coréia do Norte lamentou o incidente naval do fim de junho com a Coréia do Sul e propôs ontem a retomada do diálogo em nível ministerial com o país vizinho, informaram fontes oficiais sul-coreanas.

O governo norte-coreano sugeriu que conversas preliminares ocorram no início de agosto, no Monte Kumgang, em seu território, para a preparação de um encontro de maior escalão, disse um porta-voz do Ministério da Reunificação.

As relações entre os dois países voltaram a ficar tensas depois do confronto naval de 29 de junho, que deixou 4 mortos, 1 desaparecido e 19 feridos entre os marinheiros sul-coreanos, e 30 mortos e feridos do lado norte-coreano, segundo o exército da Coréia do Sul.

A proposta foi enviada ao ministro da Reunificação, Jeong Se-Hyun – da cidade de Panmunjom, situada na área desmilitarizada – pelo chefe da delegação do Norte nas negociações anteriores, Kim Ryong-Song.

O presidente sul-coreano, Kim Dae-Jung, havia pedido que Pyongyang se desculpasse e punisse os responsáveis pelo incidente, o mais grave dos últimos três anos entre as duas Coréias. O presidente denunciou uma ‘provocação norte-coreana’, mas destacou que incidente não deveria pôr em dúvida sua política de abertura ao Norte, apesar do pedido da oposição de um endurecimento da posição sul-coreana.

Seul não respondeu imediatamente ao convite de Pyongyang, mas o recebeu de bom grado. ‘Sejam quais forem as circunstâncias, o diálogo deve continuar para garantir a paz na península’, indicou o Ministério da Reunificação através de um comunicado.

O chamado diálogo acontece no momento em que se evoca um possível encontro entre o ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Paek Nam-Sum, e o americano Colin Powell, semana que vem em Brunei. Coincide também com um projeto de liberação da economia norte-coreana tomando como base o modelo chinês."

A crise dos mísseis em Cuba

O fim dessa primeira fase é assinalado com a crise dos mísseis soviéticos em Cuba. John Kennedy anunciou o fim da crise dos mísseis em Cuba, que ameaçou transformar em atômica a Guerra Fria entre União Soviética e Estados Unidos. A crise começou quando espiões americanos detectaram na ilha, por meio de fotos aéreas, a presença de mísseis soviéticos apontados para os Estados Unidos. A instalação das bases de lançamento foi feita por solicitação de Cuba, que queria afastar qualquer tentativa de invasão do país, como a ocorrida no ano passado na Baía dos Porcos, que contou com a ajuda dos Estados Unidos. Os americanos reagiram anunciando o bloqueio naval a Cuba. A decisão contou com o apoio do Brasil, que votou favoravelmente à medida na reunião da OEA. O governo brasileiro, no entanto, foi categórico ao se negar a atender a outro pedido de Kennedy, que queria o apoio do país a uma eventual ação armada, com participação de tropas brasileiras. "Os princípios de não intervenção e da defesa do direito de autodeterminação, que norteiam a política exterior brasileira, não serão alterados em conseqüência dos acontecimentos que no mundo se desenrolam", afirmou o presidente João Goulart. Depois de muita negociação, os soviéticos concordaram em retirar os mísseis em troca da garantia americana de não invadir a ilha e de retirar mísseis da Turquia apontados para a União Soviética.

A crise dos mísseis de Cuba foi o grande evento do governo Kennedy. A pequena ilha do Caribe estava atravessada na garganta de JFK desde abril de 1961.

Nessa data, uma brigada de 1400 refugiados cubanos apoiados pela CIA desembarcou na Baía dos Porcos para tentar derrubar Fidel Castro. A desorganização do golpe, aliado à retirada de apoio aéreo - ordenada pelo próprio JFK - resultou na morte de 112 invasores e na prisão do restante. Foi um desastre completo.

Em meio a planos mirabolantes para assassinar o líder cubano, os americanos descobriram através dos vôos do avião de espionagem U-2, que bases para lançamento de mísseis balísticos estavam sendo montados em Cuba. Os treze dias que deram o título ao filme eram o período entre a descoberta e o tempo em que ficariam operacionais. Pela versão oficial, Kennedy impôs um bloqueio naval em Cuba e forçou os russos a retirarem os mísseis. Aplausos homéricos.

A história por baixo do pano é um pouco diferente. Mesmo numa época de corrida armamentista, o poderio militar soviético era muito inferior ao americano. Para se ter uma idéia, enquanto os Estados Unidos tinham trezentos lançadores de mísseis, os russos teriam no máximo quarenta e quatro - já contando com os de Cuba.

No seu ódio irracional para com os cubanos, Kennedy bravateava numa posição de valentão, enquanto corria desesperadamente junto com o irmão Bob para uma solução negociada. Para isso utilizaram até os serviços de um agente da KGB, passando os canais diplomáticos formais.

Ninguém queria uma guerra nuclear, mas acima de tudo, Kennedy queria a reeleição. Por isso, mesmo tendo feito um acordo com Khrushchev, o líder da União Soviética, manteve a propaganda de valentão do mundo. Pelo acordo, os mísseis soviéticos seriam retirados de Cuba em troca de mísseis americanos na Turquia e - o mais importante - a garantia de que a ilha de Fidel jamais sofreria uma invasão dos Estados Unidos. Os cubanos foram os grandes vencedores da crise dos mísseis.

Para o mundo, o que se via era a véspera de um holocausto nuclear. A frota do Comando Aéreo Estratégico, com mais de mil e quatrocentos bombardeiros B-52 e B-47, além de 174 mísseis balísticos intercontinentais entrou em DEFCON 2, que é o último estágio antes da guerra total. Mais de cem mil homens foram posicionados na Costa Leste, enquanto que uma força naval com quarenta mil fuzileiros navegava no Caribe e Atlântico Sul. Enquanto isso, do lado soviético não havia nenhuma atividade que não fosse de rotina.

Como os Kennedy pretendiam se manter pelo menos mais dez anos no poder (com uma reeleição de John e depois a dobradinha Bob-John), é possível que os soviéticos tenham preferido deixar os americanos saboreando uma vitória falsa, e ficar com informações que praticamente manteriam os Kennedy em suas mãos. Só a morte de John desfez tanto as ambições dos Kennedy como a possível ameaça russa.

Em toda a Guerra Fria, o perigo de um conflito nuclear não esteve tão iminente como em outubro de 1962. A União Soviética havia enviado 24 foguetes soviéticos secretamente para Cuba. O presidente norte-americano John Kennedy declarou tratar-se de uma ameaça inaceitável à segurança dos Estados Unidos e anunciou, como represália, o bloqueio de Cuba. O apoio unânime veio da América Latina e dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

Por seu lado, o governo soviético alegava que a presença de mísseis nucleares norte-americanos na Turquia ameaçava o Kremlin. Nestes dramáticos momentos de tensão entre as duas superpotências, demorou 18 horas para que as notícias oficiais entre Washington e Moscou cruzassem o oceano, sempre indiretamente, através de suas embaixadas.

O conflito armado foi impedido pela União Soviética, que retrocedeu na instalação dos mísseis, depois da promessa norte-americana de não invadir Cuba. Os graves problemas de comunicação foram solucionados com uma "linha direta" entre o chefe de Estado e de Partido soviético Nikita Kruchev e o presidente norte-americano John Kennedy, em 20 de junho de 1963, durante a Conferência pelo Desarmamento.

Através de dois cabos exclusivos de telégrafo, o chefe de Estado e de Partido da União Soviética e o presidente dos Estados Unidos poderiam trocar mensagens diretas. Os líderes dos governos determinaram que a decisão política teria que prevalecer sobre a militar.

Já algum tempo a liderança soviética vinha acenando com a idéia da "coexistência pacífica". O processo de distensão iniciado em fins de 1962 durou aproximadamente dez anos, em benefício não só dos Estados Unidos e da União Soviética, como também da Europa e dos países em desenvolvimento.

Anos 60 e 70: Coexistência Pacífica e Détente

Com sistemas sociais e políticos opostos, armas nucleares e políticas de conquista da hegemonia mundial, Estados Unidos e União Soviética mantêm o mundo sob a ameaça de uma guerra nuclear. São chamadas de superpotências porque cada uma delas tem armamentos suficientes para destruir o planeta sozinhas.

Após a explosão da primeira bomba atômica em 1945, os Estados Unidos fazem testes de novas armas nucleares no atol de Bikini, no Pacífico, e criam a Comissão de Energia Atômica para a expansão de seu poderio nuclear. Em 1949 a União Soviética explode seu primeiro artefato atômico no deserto do Cazaquistão, entrando na corrida nuclear. O mundo ingressa assim na era do terror atômico, na qual cada uma das superpotências se esforça por conseguir uma bomba mais potente que a experimentada pela outra. Em 1952 os Estados Unidos explodem a primeira bomba de hidrogênio, com potência de 15 milhões de TNT (750 vezes mais potente que a primeira bomba atômica). Em 1955 a União Soviética lança sua bomba de hidrogênio de um avião, considerado um importante avanço técnico sobre os norte-americanos. Essa corrida coloca o mundo diante do perigo da destruição. Mas outros países, como Reino Unido, França, China e Índia, entram no rol de países que têm armas nucleares. Países suspeitos de terem a bomba incluem Paquistão e Israel. Em 1963 é assinado o primeiro acordo de limitação de atividades nucleares, proibindo testes na atmosfera.

Em 1955, em Genebra, pela primeira vez se encontram Eisenhower pelos Estados Unidos, Bulganin e Khruchtchev pela URSS e os representantes da França e Grã-Bretanha. Nada de concreto sai da conferência, mas sua realização tem um alcance simbólico. Estabelece-se um novo estado das relações; já que não é exatamente a guerra fria, ainda que suas formas subsistam É o que se denomina a "coexistência pacífica"; os dois grandes resignam a viver juntos, já que não podem esperar suprimir-se; aliás, tão pouco esperar persuadir o outro a esposar suas idéias. As relações internacionais conhecerão, desde então, uma alternância de crises e distensões em que prepondera a vontade de ambos de não levar as coisas até o fim.

Stalinismo X Macarthismo

Stalinismo - Com a morte de Lênin, em 1924, Josef Stálin assume o controle do Partido Comunista e do governo soviético. Sua política de coletivização forçada das terras, a partir de 1929, provoca a morte de 10 milhões de camponeses por fome ou execução. Ele também combate às tendências autonomistas dos povos não russos. Com os Processos de Moscou, iniciados em 1936, nos quais julgamentos sumários podiam resultar em penas que iam da deportação ao fuzilamento, Stálin leva à morte a maioria dos antigos dirigentes bolcheviques. Trotski é assassinado em 1940, no México, por um agente secreto. Em 1941, a Alemanha nazista invade a URSS. O avanço das tropas alemãs em território soviético só é interrompido em 1943, na Batalha de Stalingrado, que muda o curso da II Guerra Mundial. Em 1945, a URSS emerge como a segunda maior potência do mundo, submetendo o Leste Europeu. A economia, no entanto, está arruinada, e as mortes provocadas pelo conflito chegam a 20 milhões.

Macarthismo

Movimento iniciado pelo senador Joseph McCarthy, em 1951, com a organização de comissões de investigação que acusam de atividades antiamericanas qualquer pessoa suspeita de ligação com movimentos ou organizações consideradas comunistas. Realiza uma caça às bruxas na área cultural, atingindo artistas, diretores e roteiristas que durante a guerra manifestam-se a favor da aliança com a União Soviética e, depois, a favor de medidas para garantir a paz e evitar nova guerra. Charlie Chaplin é o mais famoso entre os artistas perseguidos pelo macarthismo. Sindicalistas, cientistas, diplomatas, políticos e jornalistas também são alvo de perseguições. Em 1960 o Senado reconhece que as atividades das comissões dirigidas por McCarthy colocam em risco a ação do governo.

Projeto Guerra nas Estrelas

Quando o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, anunciou em março de 1983 o projeto Iniciativa de Defesa Estratégica (IDE), mais conhecido como "guerra nas estrelas", esse ambicioso plano já tinha sua central de operações. Localizava-se no arenoso atol de Kwajalein, nas ilhas Marshall (Micronésia, Pacífico Norte), e consistia numa base secreta de alta tecnologia. Ali, um grupo selecionado de cientistas civis e militares pesquisava e desenvolvia sistemas antibalísticos e de rastreamento no espaço. Ali também ocorreu a façanha pioneira que consistiu em explodir, com um míssil teleguiado, outro projétil nuclear em pleno ar (...).

Pela primeira vez desde que se iniciou a corrida espacial, conseguia-se interceptar um míssil na alta atmosfera. Tornava-se possível explodir ogivas atômicas no espaço, durante o curto intervalo em que elas se dirigem para o alvo. Era, afinal a prova da viabilidade do projeto "guerra nas estrelas", que prevê o uso do espaço cósmico para a instalação de escudos defensivos antimísseis.

Seu papel inicial: proteger o território e as instalações militares americanas contra os 1.400 mísseis balísticos intercontinentais do arsenal soviético, presumivelmente baseados em terra.

A chave da tecnologia da IDE consiste no uso de armas de energia dirigida: feixes de partículas atômicas ou raios laser, que têm velocidade superior à dos mísseis convencionais (de dezenas de quilômetros por segundo até a velocidade da luz, 300.000 km/s, contra apenas alguns quilômetros por segundo dos mísseis).

Segundo os defensores do projeto, seria essa a única forma de neutralizar um ataque nuclear nos cinco primeiros e cruciais minutos a partir do seu lançamento: os sistemas antibalísticos então vigentes se baseavam em foguetes capazes de destruir as ogivas atacantes no dois últimos minutos de sua trajetória, quando os projéteis reingressam na atmosfera.

Propaganda de Hollyhood

A partir do final dos anos 40 e nas décadas de 50 e 60, o mundo foi bombardeado com imagens que tentavam mostrar a superioridade do modo de vida de cada sistema. Para ridicularizar o inimigo, os dois lados utilizavam muito a força das caricaturas. A propaganda serviu para consolidar a imagem do mundo dividido em blocos.

A novidade era o surgimento do bloco socialista na Europa, formado pelos países com governos de orientação marxista: Alemanha Oriental, Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Iugoslávia, Albânia e Bulgária. No mundo ocidental, os capitalistas procuravam mostrar que do seu lado a vida era brilhante.

As facilidades tecnológicas estavam ao alcance de todos. Os cidadãos comuns possuíam carros e bens de consumo, tinham liberdade de opinião e de ir e vir.

Segundo a propaganda ocidental, a vida no lado socialista, retratada em diversos filmes de Hollywood, era triste e sem brilho, controlada pela polícia política e pelo Partido Comunista. No mundo socialista, as imagens mostravam exatamente o contrário. A vida no socialismo era alegre e tranqüila. Os trabalhadores não precisavam se preocupar com emprego, educação e moradia. Tudo era garantido pelo Estado. A cada dia, as novas conquistas tecnológicas, especialmente na área militar e espacial, mostravam a superioridade do socialismo. A propaganda socialista mostrava, ainda, o mundo ocidental como decadente e individualista, onde o capitalismo garantia, para alguns, uma vida confortável. E para a maioria, uma situação de miséria, privações e desemprego.

CIA X KGB

As duas grandes agências de espionagem, a KGB soviética e a CIA americana, treinavam agentes para atos de sabotagem, assassinatos, chantagens e coleta de informações. Nos dois lados criou-se um clima de histeria coletiva, em que qualquer cidadão poderia ser acusado de espionagem a serviço do inimigo. Na União Soviética, Stalin contribuiu para esse clima, confinando muitos de seus adversários em campos de concentração na Sibéria. Nos Estados Unidos, o senador anticomunista Joseph McCarthy promoveu uma verdadeira caça às bruxas, levando ao desespero inúmeros intelectuais e artistas de Hollywood, acusados de colaborar com Moscou.

A Guerra do Vietnã

"Inicialmente, foi um conflito interno. De um lado existiam os guerrilheiros do Vietnã do Sul, chamados genericamente de vietcongs, que queriam derrubar o governo sul-vietnamita. Esses guerrilheiros eram apoiados pelo Vietnã do Norte, comunista desde 1954. E, de outro lado, os Estados Unidos apoiavam o governo do Vietnã do Sul. É claro que a União Soviética apoiou o governo comunista do Vietnã do Norte e, indiretamente, os vietcongs do sul". (Nélson Bacic Olic geógrafo)

A Guerra do Vietnã foi o mais longo conflito militar que ocorreu depois da II Guerra Mundial. Estendeu-se essa guerra em dois períodos distintos. No primeiro deles, as forças nacionalistas vietnamitas, sob orientação do Viet-minh (a liga vietnamita), lutaram contra os colonialistas franceses, entre 1946 a 1954. No segundo, uma frente de nacionalistas e comunistas - o Vietcong - enfrentou as tropas de intervenção norte-americanas, entre 1964 e 1975. Com um pequeno intervalo entre os finais dos anos 50 e início dos 60, a guerra durou quase 20 anos.

Na verdade, devido a sua irradiação, seria melhor dizer Guerra da Indochina, do qual o Vietnã é uma das partes. A Indochina, região assim chamada por ser uma zona intermediária entre a Índia e a China, ocupa uma península do sudoeste asiático e está dividida entre o Vietnã (subdividido em Tonquim e Conchinchina), o Laos e o reino do Camboja. Toda essa região caiu sob domínio do colonialismo francês entre 1883-5 e assim ficou até a ocupação japonesa, entre 1941-45.

Com a queda da França em 1940, formou-se o governo colaboracionista de Vichy, aliado dos nazistas. Em vista disso os japoneses permitiram uma certa autonomia administrativa feita por franceses. Mas em 1945, com a derrota do Japão, os franceses tentaram recolonizar toda a Indochina.

Ho Chi Minh

Ho Chi Minh ("aquele que ilumina"), nasceu em 1890 numa pequena aldeia vietnamita, filho de um professor rural. Tornou-se um dos mais importantes e lendários líderes nacionalistas e revolucionários do mundo do após-guerra. Viajou muito jovem como marinheiro e tornou-se socialista quando viveu em Paris, entre 1917 e 1923. Quando ocorreu as Conferências de Versalhes, em 1919, para fixar um novo mapa mundial, o jovem Ho Chi Minh (então chamado de Nguyen Ai quoc, o "patriota"), solicitou aos negociadores europeus que fosse dado ao Vietnã um estatuto autônomo. Ninguém lhe deu resposta, mas Ho Chi Minh tornou-se um herói para o seu povo.

Em 1930 ele fundou o Partido Comunista Indochinês e seu sucessor, o Viet-mihn (Liga da Independência do Vietnã), em 1941, para resistir à ocupação japonesa. Foi preso na China por atividade subversiva e escreveu na prisão os "Diários da Prisão", em chinês clássico, uma série de poemas curtos, onde enalteceu a luta pela independência.

Com seus companheiros mais próximos, Pahm Van Dong e Vo Nguyen Giap, lançou-se numa guerra de guerrilhas contra os japoneses, obedecendo à estratégia de Mao Tse Tung de uma "guerra de longa duração". Finalmente, em 2 de setembro de 1945, eles ocupam Hanói (a capital do norte) e Ho Chi Minh proclamou a independência do Vietnã. Mas os franceses não aceitaram. O Gen. Leclerc, a mando do Gen. De Gaulle, recebeu ordens de reconquistar todo o norte do país, nas mãos dos comunistas de Ho Chi Minh. Isso irá jogar a França na sua primeira guerra colonial depois de 1945, levando-a a derrota na batalha de Diem Biem Phu, em 1954, quando as forças do Viet-minh, comandadas por Giap, cercam e levam os franceses à rendição. Depois de oito anos, encerrou-se assim a primeira Guerra da Indochina.

A Conferência de Genebra

Em Genebra, na Suíça, os franceses acertaram com os vietnamitas um acordo que previa:

O Vietnã seria momentaneamente dividido em duas partes, a partir do paralelo 17, no Norte, sob o controle de Ho Chi Minh e no Sul sob o domínio do imperador Bao Dai, um títere dos franceses; Haveria entre eles uma Zona Desmilitarizada (ZDM); Seriam realizadas em 1956, sob supervisão internacional, eleições livres para unificar o país. Os Estados Unidos presentes no encontro não assinaram o acordo.

A ditadura de Diem

Entrementes no Sul, assumia a administração em nome do imperador, Ngo Dinh Diem, um líder católico, que em pouco tempo tornou-se o ditador do Vietnã do Sul. Ao invés de realizar as eleições em 1956, como previa o acordo de Genebra, Diem proclamou a independência do Sul e cancelou a votação. Os americanos apoiaram Diem porque sabiam que as eleições seriam vencidas pelos nacionalistas e pelos comunistas de Ho Chi Minh. Em 1954, o Gen. Eisenhower, presidente dos Estados Unidos, explicou a posição americana na região pela defesa da Teoria de Dominó: "Se vocês porem uma série de peças de dominó em fila e empurrarem a primeira, logo acabará caindo até a última... se permitirmos que os comunistas conquistem o Vietnã corre-se o risco de se provocar uma reação em cadeia e todo os estados da Ásia Oriental tornar-se-ão comunistas um após o outro".

A partir de então Diem conquistou a colaboração aberta dos EUA, primeiro em armas e dinheiro e depois em instrutores militares. Diem reprimiu as seitas sul-vietnamitas, indispôs-se com os budistas e perseguiu violentamente os nacionalistas e comunistas, além de conviver, como bom déspota oriental, com uma administração extremamente nepótica e corrupta. Em 1956, para solidificar ainda mais o projeto de contenção ao comunismo, especialmente contra a China, o secretário John Foster Dulles criou, em Manilla, a OTASE (Organização do Tratado do Sudeste Asiático), para servir de suporte ao Vietnã do Sul.

A segunda guerra da Indochina, a Guerra Civil e a intervenção americana

Com as perseguições desencadeadas pela ditadura Diem, comunistas e nacionalistas formaram, em 1960, uma Frente de Libertação Nacional (FLN), mais conhecida como Vietcong, e lançaram-se numa guerra de guerrilhas contra o governo sul-vietnamita. Em pouco tempo o ditador Diem mostrou-se incapaz de por si só vencer seus adversários. O presidente Kennedy envia então os primeiros "conselheiros militares" que, depois de sua morte em 1963, serão substituídos por combatentes. Seu sucessor, o presidente L. Johnson aumenta a escalada de guerra, depois do incidente do Golfo de Tonquim, em setembro de 1964. Esse incidente provou-se posteriormente ter sido forjado pelo Pentágono para justificar a intervenção. Um navio americano teria sido atacado por lanchas vietnamitas em águas internacionais (na verdade era o mar territorial norte-vietnamita), quando patrulhava no Golfo de Tonquim. Assim os norte-americanos consideraram esse episódio como um ato de guerra contra eles, fazendo com que o Congresso aprovasse a Resolução do Golfo de Tonquim, que autorizou o presidente a ampliar o envolvimento americano na região.

Em represália a um ataque norte-vietnamita e vietcong a base de Pleiku e Qui Nhon o presidente Johnson ordena o bombardeio intenso do Vietnã do Norte. Mas as tentativas de separar o Vietcong das suas bases rurais fracassam, mesmo com a adoção das chamadas "aldeias estratégicas" que na verdade eram pequenas prisões onde os camponeses deveriam ficar confinados.

A reação contra a guerra e a contra-cultura

"Muitos dizem, inclusive, que a Guerra do Vietnã foi a primeira guerra televisada do mundo, em cores e ao vivo. Era chamada, na época, de ‘guerra da sala de jantar’. (...) A cinematografia americana também levou em conta o conflito, obviamente. Num primeiro momento, os filmes eram a favor da intervenção norte-americana no Vietnã. É o caso específico do filme ‘Os Boinas Verdes’, com John Wayne. E depois, com o término da guerra, começaram a aparecer filmes que questionavam a validade ou não da intervenção no conflito. Talvez um dos filmes mais marcantes tenha sido ‘Platoon’, de Oliver Stone".(Nélson Bacic Olic geógrafo)

A participação crescente dos EUA na Guerra e a brutalidade e inutilidade dos bombardeios aéreos - inclusive com bombas napalm - fez com que surgisse na América um forte movimento contra a guerra. Começou num bairro de São Francisco, na Califórnia, o Haight - Aschbury, com "as crianças das flores" (flower children), quando gente jovem lançou o movimento "paz e amor" (peace and love), rejeitando o projeto da Grande Sociedade do pres. Johnson.

A partir de então tomou forma a movimento da contra-cultura - chamado de movimento hippy - que teve enorme influência nos costumes da geração dos anos 60, irradiando-se pelo mundo todo. Se a sociedade americana era capaz de cometer um crime daquele vulto, atacando uma pobre sociedade camponesa no sudeste asiático, ela deveria ser rejeitada. Se o americano médio cortava o cabelo rente como um militar, a contracultura estimulou o cabelo despenteado, cumprido, e de cara com barba. Se o americano médio tomava banho, opunham-se a ele andando sujos. Se aqueles andavam de terno e gravata, aboliram-na pelo brim e pela sandália. Repudiaram também a sociedade urbana e industrial, propondo o comunitarismo rural e a atividade artesanal, vivendo da fabricação de pequenas peças, de anéis e colares. Se o tabaco e o álcool eram a marca registrada da sociedade tradicional, aderiram à maconha e aos ácidos e as anfetaminas.

Foram os grandes responsáveis pela prática do amor livre e pela abolição do casamento convencional e pela cultura do rock. Seu apogeu deu-se com o festival de Woodstock realizado no Estado de N.York, em 1969.

A revolta instalou-se nos Campi Universitários, particularmente em Berkeley e em Kent onde vários jovens morrem num conflito com a Guarda Nacional. Praticamente toda a grande imprensa também se opôs ao envolvimento. Surgiram entre os negros os Panteras Negras (The Black Panthers), um expressivo grupo revolucionário que pregava a guerra contra o mundo branco americano da mesma forma que os vietcongs. Passeatas e manifestações ocorriam em toda a América. Milhares de jovens negaram-se, pela primeira vez na história do país, a servir no exército, desertando ou fugindo para o exterior. Esse clima espalhou-se para outros continentes e, em 1968, em março, eclodiu a grande rebelião estudantil no Brasil contra o regime militar, implantado em 1964, e em maio, na França, a revolta universitária contra o governo do Gen. de Gaulle. Outras ainda ocorreram no México e na Alemanha e Itália. O filósofo marxista Herbert Marcuse afirmou que a revolução seria feita doravante pelos estudantes e outros grupos não assimilados pela sociedade de consumo conservadora.

A ofensiva do Ano Tet e o desengajamento

Em 30 de janeiro de 1968, os vietcongs fizeram uma surpreendente ofensiva - a ofensiva do Ano Tet (o ano lunar chinês) - sobre 36 cidades sul-vietnamitas, ocupando inclusive a embaixada americana em Saigon. Morreram 33 mil vietcongs nessa operação arriscada, pois expôs quase todos os quadros revolucionários, mas foi uma tremenda vitória política. O gen. Wetsmoreland, que havia dito que "já podia ver a luz no fim do túnel", predizendo uma vitória americana para breve, foi destituído, e o presidente Johnson foi obrigado a aceitar negociações, a serem realizadas em Paris, além de anunciar sua desistência de tentar a reeleição. Para a opinião pública americana tratava-se agora de sair daquela guerra de qualquer maneira. O novo presidente eleito, Richard Nixon, assumiu o compromisso de "trazer nossos rapazes de volta", fazendo com que lentamente as tropas americanas se desengajassem do conflito. O problema passou a ser de que maneira os Estados Unidos poderiam obter uma "retirada honrosa" e manter ainda o seu aliado, o governo sul-vietnamita.

Desde 1963, quando os militares sul-vietnamitas, apoiados pelos americanos, derrubaram e mataram o ditador Diem (aquela altura extremamente impopular), os sul-vietnamitas não conseguiram mais preencher o vácuo de sua liderança. Umas séries de outros militares assumiram a chefia do governo transitoriamente enquanto os combates mais e mais eram tarefa dos americanos. Nixon passou a reverter isso, fazendo com que os sul-vietnamitas voltassem a ser encarregados das operações. Chamou-se isso de "vietnamização" da guerra. Imaginou que os abastecendo o suficiente de dinheiro e armas eles poderiam lutar sozinhos contra o vietcong. Transformou o presidente Van Thieu num simples títere desse projeto. Enquanto isso as negociações em Paris marcavam passo. Em 1970, Nixon ordenou o ataque a célebre trilha Ho Chi Minh que passava pelo Laos e Camboja e que servia como estrada de abastecimento do vietcong. Estimulou também um golpe militar contra o neutralista príncipe N. Sianouk do Camboja, o que provocou uma guerra civil naquele país entre os militares direitistas e os guerrilheiros do Khmer Vermelho (Khmer Rouge) liderados por Pol Pot.

A derrota e a unificação

Depois de imobilizarem militarmente as forças americanas em várias situações, levando-as a serem retiradas do conflito, os norte-vietnamitas de Giap, juntamente com os vietcongs, prepararam-se para a ofensiva final. Deixaram de lado a guerra de guerrilhas e passaram a concentrar suas forças para um ataque em massa.

Desmoralizado, o exército sul-vietnamita começou a dissolver-se. Haviam chegado a 600 mil soldados, mas reduziu-se apenas a um punhado de combatentes.

Em dezembro de 1974, os nortistas ocupam Phuoc Binh, a 100 quilômetros de Saigon. Em janeiro de 1975 começou o ataque final. O pânico alcança os sul-vietnamitas que fogem para as cercanias da capital. O presidente Thieu embarca para o exílio e os americanos retiram o resto do seu pessoal e grupos de colaboradores nativos. Finalmente, no dia 30 de abril, as tropas nortistas ocupam Saigon e a rebatizam como Ho Chi Minh, em homenagem ao líder falecido em 1969. A unificação nacional foi formalizada em 2 de julho de 1976 com o nome de República Socialista do Vietnã, 31 anos depois de ter sido anunciada. Mais de um milhão de vietnamitas perecem enquanto que 47 mil mortos e 313 mil feridos ocorreram pelo lado americano, a um custo de US$ 200 bilhões.

Conseqüências da guerra

O Vietnã foi o país mais vitimado por bombardeios aéreos no século XX. Caíram sobre suas cidades, terras e florestas, mais toneladas de bombas do que as que foram lançadas na II Guerra Mundial. Para tentar desalojar os guerrilheiros das matas foram utilizados violentos herbicidas - o agente laranja - que dizimou milhões de árvores e envenenou os rios e lagos do país. Milhares de pessoas ficaram mutiladas pelas queimaduras provocadas pelas bombas de napalm e suas terras ficaram imprestáveis para a lavoura. Por outro lado, aqueles que não aceitaram viver no regime comunista fugiram em precárias condições, tornaram-se boat people, navegando pelo Mar da China em busca de um abrigo ou vivendo em campos de refugiados em países vizinhos. O Vietnã regrediu economicamente a um nível de antes da II Guerra Mundial. Os Estados Unidos por sua vez saíram moralmente dilacerados, tendo que amargar a primeira derrota militar da sua história. Suas instituições - a CIA e o Pentágono - foram duramente criticadas e um de seus presidentes, Richard Nixon, foi obrigado a renunciar em 1974, depois do escândalo de Watergate. Nunca mais o establishment americano voltou a ganhar a integral confiança dos cidadãos.

A primeira vez que o Vietcongue atacou o exército do sul foi dia 8 de julho de 1959, em Bien Hoa, próximo a Saigon. A 20 de dezembro de 1960, a Frente Nacional de Libertação (FNL) foi formada no Vietnã do Norte para organizar a conquista do sul. O exército do sul foi derrotado pelos vietcongues na batalha de Ap Dac, no dia 2 de janeiro de 1963, e ficou claro que o Vietnã do Sul necessitaria de ajuda para manter-se independente.

A interferência dos EUA na guerra pelo presidente Johnson aconteceu por fases, entre agosto de 1964 e junho de 1965. A primeira unidade de combate americana, com 3.500 fuzileiros navais, desembarcou em Da Nang, no dia 8 de março de 1965.

Os americanos empreenderam operações maciças de busca e destruição, com helicópteros, artilharia e veículos blindados. A Operação Cedar Falls, ao norte de Saigon, em janeiro de 1967, e a Operação Junction City, em fevereiro, foram bem-sucedidas. Ao final de 1967, mais de 500 mil americanos estavam no Vietnã, e os caças bombardeiros americanos voavam em 200 missões ao dia sobre o Vietnã do Norte. Em 30 de janeiro de 1968, durante a trégua que marcou as festividades Tet do ano novo budista, o Vietcongue iniciou uma grande ofensiva contra cidades do norte, de províncias costeiras e planaltos centrais. Em 31 de janeiro, cinco mil vietcongues, que se haviam infiltrado em Saigon, atacaram alvos selecionados, incluindo o Palácio Presidencial e a Embaixada Americana. Os americanos e as forças do exército vietnamita do sul responderam rapidamente. As perdas comunistas na Ofensiva Tet excederam aquelas dos americanos durante toda a guerra. No final de 1968, o poderio militar americano no Vietnã do Sul atingiu a cifra dos 549 mil homens. O general Creighton Abrams, substituindo Westmoreland como comandante-em-chefe, usou tropas móveis em helicópteros para atingir concentrações de vietcongues.

O Vietcongue lançou ofensivas em fevereiro, maio e agosto de 1969. Paulatinamente, tropas americanas foram sendo retiradas das áreas de combate e, no dia 1º de setembro de 1969, os vietnamitas do Sul ficaram sós no combate, em toda a região do delta do Mekong. O número de americanos no Vietnã também foi reduzido gradativamente, até chegar a 171 mil em 1971. Essa redução foi imposta pela forte influência da opinião pública americana, que era contra a guerra.

Em resposta a uma série de ofensivas inimigas, os Estados Unidos retaliaram, aumentando muito o bombardeio aéreo ao norte. Em 11 de agosto de 1972, a última unidade de combate americana foi retirada do Vietnã do Sul, embora 43 mil homens da força aérea tenham permanecido. Para os Estados Unidos, o final do conflito veio no dia 2 de janeiro, quando um tratado de paz foi assinado. Entre o dia 1º de janeiro de 1961 e 27 de janeiro de 1972, as baixas americanas foram de 45.941 mortos e 300.635 feridos. A participação australiana no Vietnã começou em 1962 e, dois anos depois, três batalhões com tropas de auxílio estavam de serviço na província de Phuoc Tuy. Cerca de 47 mil soldados serviram durante a guerra, com um reforço de oito mil no auge do conflito. A batalha mais importante para os australianos foi a de Long Tan, em agosto de 1966, quando 108 homens avançaram em direção a uma armadilha vietcongue de 2.500 homens.

Durante 1973 e 1974, a atividade comunista intensificou-se, e ocorreram muitas violações ao cessar-fogo. Durante os meses de março e abril de 1975, os ataques comunistas destruíram as forças do exército vietnamita do sul, forçando o governo a render-se aos comunistas em 30 de abril. Nos 16 anos de guerra, mais de 150 mil vietnamitas do Sul morreram e 400 mil foram feridos. As baixas não-oficiais para o Vietnã do Norte e para as tropas vietcongues chegaram a 100 mil mortos e 300 mil feridos. Comenta-se muitas vezes que a guerra começou em 1961. Claramente, as hostilidades surgiram em 1959, embora a ajuda militar americana direta ao Vietnã do Sul tenha se iniciado em dezembro de 1961.

Durante várias gerações do povo vietnamita, a vida foi sinônimo de guerra, fogo e sangue. Ao longo de 30 anos, eles lutaram contra o governo colonial por uma libertação nacional. Em 29 de abril de 1975, um dos mais longos conflitos do século XX finalmente termina, depois de 30 anos de derramamento de sangue.

Primeiro os japoneses, depois os franceses e por fim os americanos renderam-se diante da determinação do povo vietnamita, que recuperou seu país ao preço de milhões de vidas.

Os Estados Unidos perderam a guerra não pelas armas, mas pela falta de apoio da opinião pública de todo o mundo, em particular da americana. A oposição à Guerra do Vietnã foi uma das bandeiras dos jovens no final dos anos 60, quando explodiram, nos dois blocos, movimentos por liberdade e democracia.

No lado ocidental, em 68, os jovens saíram às ruas em Paris e em outros centros importantes, como Londres e São Francisco. No Brasil, os protestos foram principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Todas essas manifestações culminaram num grande evento pacifista, contra a Guerra do Vietnã e o racismo: o Festival de Woodstock, realizado numa fazenda no estado de Nova York, em agosto de 69. No lado socialista, o movimento atingiu o auge com a Primavera de Praga, na antiga Tchecoslováquia, em 1968. A luta pela democracia naquele país foi duramente reprimida pelas forças do Pacto de Varsóvia.

Anos 80 – O Colapso na Economia Soviética

No início dos anos 80, a economia soviética estava à beira de um colapso, a maior parte da indústria soviética estava obsoleta e a qualidade de vida era cada vez pior. Um terço da população estava desempregada, havia fome, falta de médicos e precariedade de serviços elementares, como telefone, água e luz.

Mas havia um pequeno grupo de cidadãos privilegiados, que tinham tudo ao seu dispor. Eles faziam compras em lojas especiais, viajavam ao exterior, viviam em apartamentos grandes e confortáveis, possuíam carros novos e até casas de campo, as chamadas datchas. Esses cidadãos eram em geral membros do governo e altos funcionários do Partido Comunista, que para garantirem seus interesses utilizavam a força e a tortura, sistema garantido pela KGB. Esse esquema funcionou entre 1964 e 1982 durante o governo de Leonid Brejnev.

O Enigma Andropov

O sucessor de Brejnev foi Iúri Andropov, que foi chefe da KGB entre 1967 e 1982. Iniciou um programa de pequenas reformas, por ele qualificado como "experimento econômico", formou a equipe reformista soviética, com Gorbatchov, Eduard Shevarnadze e alguns intelectuais e políticos que defenderam as reformas democráticas nos anos 80.

Acredita-se que Andropov, por ter sido chefe da KGB, sabia das condições precárias da política soviética. Seu projeto de reformas seria uma maneira de evitar revoltas populares, que poderiam abalar a estrutura do poder soviético. Inicialmente essas reformas não seriam democráticas, seriam uma visão estratégica de poder.

Andropov governou até 1984, ano em que faleceu em circunstâncias que nunca foram completamente esclarecidas. Nesse ano o Partido Comunista já estava dividido. De um lado estavam aqueles que eram a favor do desenvolvimento dos "experimentos econômicos" e das reformas liberais, como Gorbatchov e de outro lado estavam os herdeiros de Brejenev que não queriam reformas.

O sucessor de Andropov foi Konstantin Tchernenko, que já assumiu o governo com condições precárias de saúde. Hoje já se sabe que essas eleições foram feitas para o Partido Comunista ganhar tempo, a disputa pelo poder não estava definida e Tchernenko era um nome conveniente para os dois lados, já que estava suficientemente velho e doente para não representar uma ameaça a nenhum dos dois lados.

O governo de Mikhail Gorbatchov

Em março de 1985, morre Tchernenko, e assume o poder Mikhail Sergueievitvh Gorbatchov, um advogado de 54 anos portador de idéias inovadoras.

Em agosto de 1985 Gorbatchov suspendeu os testes nucleares subterrâneos. A moratória nuclear unilateral surpreendeu o mundo. Em 1986, quando se realizou o vigésimo sétimo Congresso do Partido Comunista, Gorbatchov mostrou um programa de reformas políticas e econômicas. No plano político acabaria com a corrida armamentista e estabeleceria um processo de colaboração entre as nações. No plano econômico propunha uma revitalização da sociedade e do país.

Com a Glasnost, termo que em russo significa transparência, Gorbatchov queria expressar uma nova relação entre o poder e a sociedade, a censura seria abolida.

Com a Perestroika, que significa reconstrução, Gorbatchov queria reconstruir a economia soviética. Era a favor do socialismo e do igualitarismo econômico, mas, não queria mais impedir aqueles que queriam progredir.

No dia 26 de abril de 1986 ocorreu um acidente na Usina Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, que liberou uma nuvem radioativa que contaminou partes da União Soviética e da Europa. A responsabilidade do acidente foi reconhecida 48 horas depois por Moscou. O local foi liberado à imprensa internacional, o assunto foi divulgado nos meios de comunicação soviéticos e iniciou-se um debate sobre o programa nuclear e as condições das usinas no país. Se o acidente tivesse acontecido na era Brejnev, o acidente seria negado e a causa seria atribuída a anti-socialistas ou até sabotagem.

Gorbatchov libertou o físico nuclear Andrei Sakharov, que estava exilado desde 1981 na cidade de Gorki, como resultado de suas atividades em defesa dos direitos humanos e contra a invasão do Afeganistão pelo Exército Vermelho. Sakharov ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1975.

Poucos meses após assumir o governo, Gorbatchov já enfrentava a oposição de duas alas do Partido Comunista. Uma ala era composta por alguns homens que tinham participado do governo Brejnev, liderados por Ligatchov, que eram contra as reformas do atual governo. A outra ala queria dar força à iniciativa privada e individual e limitar os privilégios dos membros dos partidos, era representada por Bóris Yeltsin, que até 1987 ocupava o cargo de chefe no Partido Comunista em Moscou.

Para enfrentar essa dupla oposição Gorbatchov adotou uma política de compromissos e concessões. Ora cedia a ala "reformista", adotando medidas que favoreciam a iniciativa privada e a liberdade política e ora cedia aos "burocratas".

Durante o ano de 1988 foi implantadas a glasnost e a Perestroika; a Igreja Ortodoxa russa festejou os seus mil anos de existência em todo o país, sem quaisquer restrições a festas e a cultos. Em maio de 1988 Gorbatchov recebeu a visita do presidente americano, Ronald Reagan, para implantar acordos de desarmamento.

Nos costumes, a sociedade começava a ter liberdade, em junho de 1988 surgiu o primeiro concurso para Miss Moscou, pela primeira vez a beleza feminina deixava de ser considerada um sintoma de decadência burguesa ou um "desvio do socialismo".

A sociedade estava transformada, casais de namorados passeavam de mãos dadas na rua, diziam que gostavam de rock’n’roll, artistas expunham obras abstratas, os programas de televisão passaram a discutir abertamente os problemas reais da sociedade.

Em junho e julho de 1988 se realizou a décima nona Conferência do Partido Comunista. Gorbatchov anunciou que deveria haver pluralismo político no país, criticou a natureza autoritária do socialismo soviético e defendeu a criação de um sistema de garantias dos direitos de todos os cidadãos, o Estado de Direito.

Nessa Conferência Gorbatchov deixou claras suas intenções, tendo que enfrentar os representantes de Brejnev, representados por Igor Ligatchov.

No mês de agosto são retiradas as tropas do Afeganistão, depois de nove anos de ocupação e guerras. Nas repúblicas que compunham a União Soviética começavam a surgir as Frentes Populares, organizações não partidárias, mas que tinham uma plataforma política.

No final de 1988, o antigo regime político soviético não existia, no entanto não havia nascido uma nova sociedade. A paisagem cultural estava mudando, artistas, jovens e intelectuais se expressavam com liberdade cada vez maior nas ruas. A mídia refletia esse clima geral com programas cada vez mais críticos.

As pressões políticas e econômicas vinham de todos os lados para Moscou: nas repúblicas, movimentos nacionalistas queriam independência; na economia, a maioria da população temia instabilidade, a inflação e a volta do comércio privado com seus altos preços; na política, o Partido Comunista estava cada vez mais rachado e as Frentes Populares cresciam.

Em março de 1989, Gorbatchov convocou eleições para o Congresso dos Deputados do Povo, criado pela décima nona Conferência do Partido Comunista, embora esse era o único partido legalizado, qualquer pessoa podia se candidatar, tendo o apoio de 500 moradores de seu bairro. Boris Yeltsin retorna ao governo, sendo o deputado mais votado. Com as eleições, acabou o monopólio do Partido Comunista.

Gorbatchov era aplaudido em todo o mundo, pois trazia a esperança do fim da corrida armamentista e de uma nova era de paz.

Em outubro, quando visitou Berlim Oriental, Gorbatchov advertiu o então dirigente comunista, Erich Honeker, um homem de linha dura, de que não admitiria nenhum banho de sangue para sufocar um movimento cada vez mais poderoso de democracia no país. Essa visita acelerou a queda do Muro de Berlim.

Na prática, com a queda do Muro deixava de existir o Pacto de Varsóvia (cujo fim como aliança militar só seria oficializado seis meses depois). Isso significa que, no final de 1989, o Leste Europeu já não era mais controlado por Moscou, ao passo que a Otan continuava existindo. Gorbatchov encontrou-se, em dezembro, com o presidente dos Estados Unidos, George Bush, na Ilha de Malta, no Mediterrâneo. Esse encontro, para muitos historiadores marca o início de uma Nova Ordem Mundial, com uma única superpotência.

De volta a Moscou, Gorbatchov começou a organizar o vigésimo oitavo Congresso do Partido Comunista da União Soviética. Seria Também o último. Foi o Congresso em que Boris Yeltsin, eleito presidente da Rússia pelo Parlamento, rompeu definitivamente com o comunismo.

A "explosão" da Europa do Leste agitava o fim da própria União Soviética. Para evitar um colapso, Gorbatchov articulou uma estratégia de crescente concessão da economia às repúblicas da União Soviética, procurando mantê-las no quadro de um único país. Tinha, em suas mãos, o poderio econômico da Rússia, principal fornecedor de petróleo e matérias-primas para as repúblicas vizinhas. Se as repúblicas ficassem no quadro da União Soviética, dizia Gorbatchov, elas poderiam contar com insumos econômicos a preços baixos, proteção militar de seus territórios e uma ampla autonomia de decisão; caso se separassem, teriam de pagar um preço político e econômico muito alto por isso.

Com essa estratégia, Gorbatchov formulou um Tratado de União, que deveria ser assinado em 21 de agosto de 1991 pelas repúblicas que constituíam a União Soviética. Não foi um simples acaso que o golpe tenha acontecido 24 horas antes da assinatura do Tratado da União. A estratégia de Gorbatchov era inaceitável para os imperialistas russos.

Os golpistas permaneceram menos de 72 horas no poder. O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, que em maio de 1991 havia sido reeleito, dessa vez pelo voto direto, tornou-se grande herói da resistência aos golpistas. Gorbatchov ainda tentou manter a estratégia do Tratado da União, mas já era tarde demais. Nos dias seguintes ao golpe, as repúblicas do Báltico, Estônia, Letônia e Lituânia proclamaram a sua independência. Nos meses seguintes, todas as outras repúblicas seguiriam o mesmo caminho.

Finalmente em 8 de dezembro de 1991, Yeltsin proclamou oficialmente o fim da União Soviética, com a formação da Comunidade dos Estados Independentes – CEI – junto com a Ucrânia e a Belarus. Um 21 de dezembro, as antigas repúblicas da União Soviética, exceto as bálticas e a da Moldávia, ratificaram a decisão.

A União Soviética não existia mais.

Acordos para diminuir as armas nucleares

Os acordos internacionais para diminuir a corrida armamentista iniciaram em 1972, com o chamado Salt-1 que limitava o número de mísseis que cada superpotência poderia construir. O objetivo era garantir que a União Soviética e os Estados Unidos pudessem proteger apenas um número limitado de alvos essenciais, como as capitais Washington e Moscou.

Em 1979 foi assinado o Salt-2 durante um período tenso da Guerra Fria, ano da invasão do Afeganistão, da Revolução da Nicarágua e da Revolução xiita no Irã.

Em 1982 inicia o plano Start, destinado a diminuir os sistemas de armas nucleares estratégicas. O objetivo era reduzir 50% dos arsenais de mísseis intercontinentais. Apesar disso continuava as pesquisas para novas armas. Foram criados foguetes de ogivas múltiplas, capazes de carregar até 10 bombas at6omicas. O desenvolvimento da informática permitiu equipar os foguetes com computadores, com mapas com o caminho para chegar até o alvo, para ler e interpretar dados fornecidos por sensores de variações de temperatura, de relevo, de som e de outros fatores geofísicos.

Em 1983 o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, começa com a chamada Iniciativa de Defesa Estratégica ou "Guerra nas Estrelas", um escudo espacial contra mísseis. Reagan convidou a União Soviética como sócio que não aceitou o convite. O projeto inicial precisava de um investimento de 1,5 trilhão de dólares. Com o tempo o projeto seria abandonado por ser caro e de viabilidade duvidosa.

Com a ascensão de Gorbatchov, em 1985, declara moratória nuclear unilateral. Em 1987 as superpotências concluíram um acordo para eliminar todos os mísseis baseados em terra e com alcance entre 500 e 5.500 Km. Em 1990 um novo acordo reduzia as tropas dos países da Otan e do Pacto de Varsóvia.

Após o fim da URSS, os presidentes Boris Yeltsin e George Bush fazem novo acordo para eliminar no prazo de 10 anos dois terços dos mísseis e das armas nucleares fabricadas durante a Guerra Fria.

O fim da Guerra Fria significou o fim da corrida armamentista, mas, o mundo hoje continua com o mercado de armas inclusive armas nucleares. Ucrânia, Belarus e Cazaquistão mantêm os seus arsenais nucleares. Antigos cientistas soviéticos desempregados podem fornecer segredos tecnológicos em troca de dinheiro. Grã-Bretanha, França, Israel e Índia nunca se mostraram dispostos para eliminar suas armas nucleares.

Nova Ordem Mundial

Após a queda do Muro de Berlim, os Estados Unidos surge no cenário internacional como superpotência isolada.

O Muro de Berlim havia caído, mas, ainda existiam duas Alemanhas. Além disso, continuava de pé a aliança militar do bloco socialista, o Pacto de Varsóvia, do qual a Alemanha Oriental era membro. O anúncio da eventual reunificação da Alemanha foi mal recebido pela França, Grã-Bretanha e por outros países europeus, que temiam o ressurgimento da grande potência germânica, berço do nazismo e de ambições históricas de hegemonia sobre a Europa. Até mesmo no interior das duas Alemanhas havia correntes minoritárias de oposição à reunificação, algumas por temerem o fantasma do nazismo, outras por acharem que a Alemanha Ocidental, capitalista, teria de pagar um preço alto demais para modernizar as empresas improdutivas e as estruturas sociais precárias da Alemanha Oriental, socialista.

Sob o impacto da queda do Muro de Berlim, em de junho de 1990, o Pacto de Varsóvia proclamou que não tinha mais funções militares. Isso representava, na prática, o fim da aliança socialista. Acabava assim o único obstáculo geopolítico à reunificação da Alemanha. Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha Oriental deixava de existir, a Alemanha estava unificada.

Em 20 de dezembro de 1989, os Estados Unidos resolveram invadir o Panamá. O objetivo oficial da invasão era depor e prender o general Manoel Antonio Noriega, homem forte no país, acusado por Bush de ser narcotraficante. Noriega era realmente narcotraficante, mas, nos anos 70 havia trabalhado para a CIA, que usava dinheiro do narcotráfico para financiar operações clandestinas na Nicarágua, Honduras e El Salvador. Era importante para Bush dizer que invadia o Panamá para combater o narcotráfico, a luta contra as drogas se tornou uma bandeira dos Estados Unidos na Nova Ordem Mundial.

Em 1º de janeiro de 1990, ou seja, dez dias após o início da invasão, venceria o prazo para que os Estados Unidos entregassem ao governo panamenho, o controle administrativo do Canal do Panamá. A Casa Branca não estava disposta a cumprir esse prazo, o Canal do Panamá, além de uma importância econômica, é também estratégico, funciona como base do Comando Sul do Exército dos Estados Unidos.

Na época da Guerra Fria, o Comando Sul servia para impedir o avanço do comunismo na América Central. Com o fim do comunismo, o combate ao narcotráfico tornou-se uma justificativa e um pretexto para manter a base e o controle sobre o canal.

Nos anos seguintes a "guerra do narcotráfico" daria aos Estados Unidos o pretexto para enviar tropas e "agentes especiais" para Brasil, Colômbia, Bolívia, Peru e Equador, aos países situados na Amazônia Internacional.

Com o fim do comunismo, o capitalismo não tinha nada a oferecer à grande maioria da população mundial, formada por gente pobre e miserável, mesmo nos Estados Unidos, é cada vez mais acentuada à concentração de renda e ao aumento da desigualdade entre ricos e pobres.

Com o fim da Guerra Fria continuou existindo disputa entre países. No plano econômico as disputas se multiplicaram e aumentaram a intensidade, mediante a formação e consolidação dos grandes blocos econômicos. Em junho de 1991, o presidente americano anunciou sua Iniciativa para as Américas, um plano para criar facilidades de transações comerciais e financeiras entre os Estados Unidos e o restante da América, incluindo tarifas especiais de importação e exportação.

Tratava-se de proteger o mercado americano contra a concorrência da Europa e dos países asiáticos, todos de olho no mercado latino-americano, em particular o mercado brasileiro.

No ano de 1993 foi criado a União Européia, uma zona de livre comércio entre os antigos países membros da Comunidade Econômica Européia. No outro lado do mundo, o Japão e os chamados Tigres Asiáticos, Hong Kong, Taiwan, Cingapura e Coréia do Sul, constituíram outro pólo em franca expansão. Em 1994 o então presidente americano Bill Clinton lançou o Nafta, North America Free Trade Association ou Mercado Comum da América do Norte, agregando Estados Unidos, Canadá e México. Também em 1994 surge o Mercado Comum do Cone Sul ou Mercosul, uma zona de livre comércio entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e com a participação do Chile e da Bolívia.

A Rússia não foi integrada a nenhum bloco econômico. Ela tornou-se o país líder da Comunidade de Estados Independentes, (CEI), formada após a dissolução da União Soviética. A CEI constituiu uma espécie de grande mercado para a Rússia, mesmo que não fosse uma zona de livre comércio. Mas a CEI não formou um bloco econômico como decorrência principalmente da grande crise que assolou a Rússia.

Washington: "Xerife" do Mundo

Em 7 de dezembro de 1992, o presidente Bill Clinton invadiu a Somália, devidamente autorizado pela ONU. Dessa vez, o pretexto era oferecer ajuda humanitária a um dos países mais miseráveis do mundo e envolto em uma cruel guerra civil.

A Somália controla a entrada do Golfo de Áden, passagem para o Mar Vermelho e para o Canal de Suez, que, por essa via, liga o Oceano Índico ao Mar Mediterrâneo. É uma rota de importância mundial estratégica, por ser via de petroleiros que abastecem o Japão, a Europa e os Estados Unidos. A guerra contra o Iraque, no início de 1991, já havia dado aos Estados Unidos o controle militar sobre o Golfo Pérsico. Agora, com a invasão da Somália, Washington completava seu controle sobre toda a região. Ela consagrou o direito de intervenção dos Estados Unidos em qualquer ponto do planeta, bastando para isso que a Casa Branca manifestasse seu desejo nesse sentido.

Em 31 de julho de 1994, foi a vez do Haiti. Novamente autorizados pela ONU, os Estados Unidos desembarcaram suas tropas em Porto Príncipe, dessa vez com o objetivo de remover o governo militar e reinstalar o presidente Jean-Bertrand Aristide, deposto por um golpe três anos antes.

A invasão foi importante para reafirmar o controle americano militar sobre as Antilhas. Teve também a função de estancar a onda de milhares de emigrantes do Haiti que, levados pelo desespero e por uma situação de absoluta miséria, procuravam fugir para os Estados Unidos em jangadas e botes precários.

Também no Oriente Médio os Estados Unidos agiram com as mãos livres. Ali a diplomacia americana pressionou pela conclusão de um acordo entre Israel e a OLP, procurando com isso assegurar alguma estabilidade geopolítica duradoura. O famoso aperto de mão entre o então primeiro ministro israelense Yitzhak

Rabin, o chefe da OLP, Iasser Arafat e Bill Clinton em setembro de 1993 é um símbolo perfeito do lugar ocupado por Washington.

Finalmente, os Estados Unidos também foram a força fundamental para decidir a intervenção da ONU na guerra civil da Bósnia, no final de 1995. Através da Otan, Clinton praticamente impôs um acordo às forças em conflito na Bósnia (isto é, muçulmanos, sérvios e croatas).

Em todos esses episódios, no Golfo, na Somália, no Haiti, na Bósnia, assim como nas cerimônias diplomáticas, a presença da televisão foi fundamental. A multiplicação de imagens do poderio americano funciona como um meio de reafirmar seu lugar de liderança no mundo. Suas ações são apresentadas como a própria aplicação da justiça; suas palavras acabam virando sinônimo da verdade histórica. Trata-se, sem dúvida, de uma nova forma de autoritarismo, revestida, porém, com as cores da democracia da informação.

A Guerra Fria na Ásia

China x URSS: antagonismo de gigantes

Mas um fato novo iria alterar radicalmente as regras do equilíbrio de poder na Ásia: após a morte de Stalin, em 1953, as relações entre Moscou e Pequim tornaram-se tensas, chegando à ruptura por volta de 1960. Os dois gigantes já não estavam tão unidos ideologicamente e disputavam a liderança do movimento comunista internacional. Apesar da admiração por Stalin, Mao Tse-tung não seguia à risca a linha soviética. Mao era um dirigente carismático, de personalidade forte, que preferia seguir uma linha independente de Moscou e manter plenamente a soberania chinesa.

A partir de 1956, o clima entre os dois países esfriou ainda mais com as mudanças de orientação na construção do socialismo ditadas por Khruschev, o novo líder do Kremlin. Mao Tse-tung temia que a nova situação na União Soviética estimulasse focos de oposição na China, onde parte da população também sofria os efeitos da repressão política. Outro fator de tensão foi a recusa do governo chinês em permitir que os soviéticos instalassem bases navais na costa da China.

Em conseqüência, a União Soviética suspendeu o programa de assistência tecnológica a Pequim, que incluía a tecnologia da bomba atômica.

A ruptura, por volta de 1960, teve reflexos no equilíbrio entre os países asiáticos. A China ficou politicamente isolada, porque os Estados comunistas do continente permaneceram sob influência soviética. Mesmo isolada, a China era um país de grande importância, principalmente a partir de 1964, quando cientistas chineses fizeram os primeiros testes nucleares bem sucedidos. Na Europa, somente a pequena Albânia, liderada por Enver Hodja, somou-se a Mao Tse-tung na denúncia da União Soviética como superpotência social-imperialista. Os dois países contestavam a liderança de Moscou no mundo socialista.

Mao Tsé-tung revolucionou a China

Uma dessas regiões, a Ásia, entrou de forma espetacular nesse contexto. Foi em 1949, quando o líder comunista Mao Tsé-tung tomou o poder na China, um país que na época contava 600 milhões de habitantes. O comunismo chinês alterou o equilíbrio geopolítico no continente asiático. A revolução de Mao Tsé-tung encorajou a Coréia do Norte a atacar a Coréia do Sul, em 1950.A guerra, que teve a intervenção militar dos Estados Unidos, durou três anos e causou a morte de mais de dois milhões de pessoas. Na época, a Índia, que havia conquistado sua independência em 1947, mantinha-se neutra, sem aderir a nenhum dos grandes blocos econômicos.

Em 1954, foi a vez de a França sofrer uma derrota humilhante na Ásia, durante a Guerra da Indochina. A vitória do líder comunista vietnamita Ho Chi Min consolidou a formação do Vietnã do Norte e aumentou a preocupação dos Estados Unidos com o rumo político dos países do sudeste asiático.

Alarmado com a expansão comunista na região, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, envolveu seu país na Guerra do Vietnã, em 1960. Depois de treze anos de batalhas, a maior superpotência do planeta seria derrotada por soldados pobremente armados e por guerrilheiros camponeses munidos de facas e lanças de bambu.

Invasão Soviética no Afeganistão

A União Soviética não vendo outro meio para tentar salvar o regime comunista no Afeganistão acaba por invadi-lo. A intervenção militar ocorre em 27 de dezembro de 1979, pegando a Casa Branca em pleno feriado de fim de ano, talvez por isso a invasão tenha sido um sucesso.

Dias depois da invasão, Brejnev concede uma entrevista ao "Diário Pravda": "... a incessante ingerência armada e uma conjuntura muito avançada por parte das forças externas da reação têm originado o perigo, bem palpável, de que o Afeganistão perdera sua independência, convertendo-se numa praça de armas imperialistas na fronteira do sul do nosso país. (...) Proceder de outro modo significava deixar o Afeganistão à mercê do imperialismo, permitir as força inimigas perpetuar o mesmo que havia acontecido no Chile, onde a liberdade do povo se afogava em sangue. Proceder de outro modo significava cair com os braços cruzados vendo como na nossa fronteira sul vai surgindo uma séria ameaça à segurança do Estado soviético". (Entrevista concedida ao Diário Privda, 10/01/80. Apud. LEBEDEV, N. La URSS en la política mundial. Moscou. Ed. Progresso, 1983.)

Amim é derrubado e Braba Karmal, do Parcham, assume o poder. O novo governo diminui o ritmo das reformas conseguindo uma aproximação com líderes tribais, porém a guerra civil já tinha grandes proporções e com a invasão intensifica-se ainda mais. As tropas soviéticas pouco conseguem fazer contra a guerrilha que possuía bases no Paquistão e estava alojada nas montanhas. Neste momento, plena Guerra Fria, o apoio dos EUA torna-se mais intenso, (sempre via Paquistão) fornecendo armamentos e treinando os mujahideens. Karmal tem o controle de algumas cidades e os guerrilheiros continuam controlando o meio rural.

A retirada das tropas soviéticas

Gorbatchov não pretendia, no início de seu mandato, fazer a retirada das tropas, como pode ser percebido pela evolução das posições soviéticas, entretanto, a parir de 1986, começou a tomar medidas para que a retirada se desse em condições favoráveis tanto para o regime afegão quanto para a URSS.

A primeira medida foi à substituição de Babrak Karmal à frente do regime, que à vista da maioria dos observadores, fora imposta pela URSS. Convocado para ir a Moscou em abril de 1986, Karmal deixou suas funções como secretário-geral do PDPA no dia seguinte a seu retorno a Kabul, e sete meses mais tarde, abandonaria a presidência. As duas posições foram assumidas pelo doutor Najibullah, antigo responsável pelo Serviço Secreto Afegão e teoricamente menos apegado que Karmal a antigas querelas com o Khalk.

Contudo, o regime comunista conseguiu manter-se no poder mesmo após a retirada das tropas soviéticas em 15 de fevereiro de 1989. As guerrilhas, apesar de toda ajuda externa através do Paquistão, não conseguiram derrubar o governo de Kabul, que resistiu mesmo após a queda da URSS, quando foi cortada toda e qualquer ajuda financeira e militar. O que causou de fato o colapso do governo no Afeganistão foi a deserção do General Rashid Douston (comandante da milícia uzbeques) devido ao não repasse de recursos, por parte do governo, para os comandantes regionais, o que fez com que Douston passasse para o lado da guerrilha.

Intensificou-se a guerra civil e Kabul foi totalmente destruída tendo sua população fugido para o campo. Os comunistas que não foram mortos juntaram-se a diferentes grupos (de acordo com sua etnia) e as milícias guerrilheiras passaram a receber apoio das potências regionais que almejavam ocupar o espaço vazio que havia deixado a URSS.

Como não poderia deixar de ser, dentro da lógica maniqueísta da Guerra Fria, o enfrentamento com a União Soviética recebeu apoio dos Estados Unidos.

Nesse ponto, reside uma grande ironia: o atual inimigo número 1 dos americanos pode ter recebido treinamento da CIA, que gastou três bilhões de dólares para ajudar os rebeldes afegãos. Os soviéticos se retiraram depois de dez anos de conflito. A vitória serviu de estímulo para que se formassem grupos de fanáticos fundamentalistas em outras nações islâmicas.

Sua premissa: se havia sido possível derrotar a União Soviética, não era impossível vencer Israel e seu maior aliado, os Estados Unidos. Mais tarde, Laden tomaria para si a tarefa de fazer com que essas organizações se conectassem.

A Guerra Fria no Oriente Médio

A Guerra Fria envolveu também uma das áreas mais fascinantes e estratégicas do planeta: o Oriente Médio. Habitada desde tempos imemoriais, a região destaca-se por três razões. Do ponto de vista econômico, é a mais rica em reservas de petróleo. Do ponto de vista geopolítico, serve de passagem entre Ásia e Europa.

E no aspecto cultural, é o berço das três principais religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Com todas essas características, o Oriente Médio tornou-se um dos centros nevrálgicos da Guerra Fria. O interesse pela região já era visível nos anos 40, quando as principais potências mundiais negociaram a criação do Estado de Israel, em 1948.

Havia muitos interesses geopolíticos em jogo no Oriente Médio. A União Soviética, de um lado, e os Estados Unidos, de outro lado, acreditavam que Israel poderia se tornar um importante parceiro político na região. Os palestinos e os países árabes vizinhos, no entanto, nunca aceitaram a criação de Israel. A primeira guerra árabe-israelense, vencida por Israel em 1949, teve como conseqüência o fim do Estado árabe-palestino. Foi dividido entre Israel, Jordânia e Egito.

As décadas seguintes, outras três guerras modificariam o panorama geopolítico do Oriente Médio. Por trás de cada conflito estava um jogo de alianças internacionais que evidenciava o interesse das superpotências na região. Somente em 1993, quando Israel e a OLP assinaram um acordo de paz, é que se acendeu uma pequena luz de esperança na região.

Outra parte do Oriente Médio, no entanto, havia um elemento complicador: em 1979, o Irã converteu-se ao islamismo xiita, com pretensões de levar o mundo na direção da fé muçulmana. Uma situação que fugia à lógica da Guerra Fria. O Aiatolá Khomeini tratava Estados Unidos e União Soviética como o Grande Satã, como inimigos que deveriam ser combatidos em nome do Islã.

Revolução Islâmica

Aiatolá Khomeini contra as potências

A revolução iraniana era um fato novo no cenário internacional no fim dos anos 70. Até hoje, terminada a Guerra Fria, o Islã continua sendo um grande enigma contemporâneo. A Guerra Fria, na verdade, permeou os principais fatos políticos no mundo inteiro, desde o término da Segunda Guerra até o final dos anos 80.

O complexo jogo das superpotências envolveu todos os continentes, inclusive a África.

No dia 26 de fevereiro de 1979, o Aiatolá Ruholah Khomeini voltou triunfalmente ao Irã, depois de 15 anos exilado na França. O Xá Mohammed Reza Pahlevi, no poder há 20 anos, foi deposto. Ocorria a Revolução Islâmica.

Os protestos tomavam as ruas desde o ano anterior. As manifestações uniam fundamentalistas muçulmanos e partidários de esquerda, que defendiam mais atenção do governo com as liberdades individuais e direitos humanos, notadamente desrespeitados pela polícia secreta criada por Pahlevi. Chamada de Savak (Sazeman Etelaat va Amniat Keshvar - Agência Estatal de Segurança e Informação), calculava-se que, na década de 70, esse organismo tinha pelo menos 20 mil funcionários, controlando uma rede de mais de 180 mil informantes e espiões. Era de conhecimento geral que os métodos da temida polícia incluíam o emprego rotineiro de torturas e execuções.

O processo que eclodiu na Revolução Islâmica de 1979 começou nos anos 60, com manifestações populares contra o governo do xá, julgado excessivamente liberal pela maioria xiita (93%) do país. Pahlevi começava a implantar a reforma agrária, defendia a aproximação com o ocidente e uma incipiente emancipação feminina. Os líderes religiosos ortodoxos sentiram-se afetados, porque começaram a perder suas numerosas propriedades fundiárias e por indignar-se com a adoção de "costumes dissolutos".A luta ganhou força com a fundação, em 1965, da Sazeman-e-Mujahidin-Kkalq-e-Iran (Organização Mujahidin Popular do Irã), por um grupo de estudantes muçulmanos partidários de esquerda.

Os protestos nas ruas começaram a tornar-se freqüentes na década de 70, com a população pedindo a volta de Khomeini. Os grupos de tradicionalistas islâmicos, unidos aos esquerdistas, formaram uma frente libertária islâmico-marxista. Em seguida criaram estreitos laços com a Organização da Libertação da Palestina (OLP), em cujos campos receberam treinamento militar. Em 1971, o grupo lança as bases para um movimento de guerrilha urbana. As primeiras operações incluíram o assassinato de um assessor militar americano e o chefe de polícia de Teerã. Em 1972, membros da liderança do grupo Mujahidin foram torturados e mortos pela Savak. Os atentados contra instituições consideradas elitistas, como bancos, se acentuaram.

Durante toda a década de 70, o desemprego aumentava no país, as favelas ao redor de Teerã tornavam-se mais numerosas, e à revolta dos proletários somavam-se às aspirações da minoria com formação universitária, que protestava contra a corrupção. O xá, que embora tivesse feito crescer a economia do país, era acusado de remeter grandes somas de dinheiro para suas contas bancárias no exterior, de favorecer parentes e amigos usando recursos do governo, e de melhorar as condições dos iranianos ricos, em detrimento dos pobres.

Paralelamente aos protestos internos, o xá sofria pressões dos Estados Unidos, que apoiavam sua administração. Na condição de principal país fornecedor de armas para o Irã, os EUA demandavam que Pahlevi promovesse uma abertura crescente na economia e melhorasse a defesa de direitos humanos. Com sua eleição à presidência, em 1976, Jimmy Carter persuadiu o Irã a adotar um projeto de eleições livres para dali a três anos.

A liberalização, porém, gerou mais protestos. A morte do filho do aiatolá Khomeini e uma crítica ao líder religioso publicado em um jornal da capital serviram de estopim para a manifestação de 4 se setembro de 1978, quando mais de 100 mil pessoas saíram às ruas, em desafio ao poder do xá. Três dias depois, em nova manifestação popular, 500 pessoas foram fuziladas por tropas do governo, o que marcou a transição dos protestos para a guerra civil aberta.

Em fevereiro de 1979, a oposição tomou aeroportos e prédios oficiais, desmantelou o exército fiel ao xá e comandou a calorosa recepção a Khomeini, aclamado pela maioria do povo iraniano. A deposição de Pahlevi, que em seguida fugiu do país e exilou-se no Egito, levou à rebelião na qual morreram milhares. Khomeini assumiu o poder e proclamou o Irã uma República Islâmica. Caía o império da Pérsia. Os muçulmanos xiitas, exultantes partidários do novo líder, saíram pelas ruas da capital Teerã conclamando a população a apoiar o novo Estado islâmico. Os militares leais ao xá foram fuzilados, e os xiitas - a maioria vinda das classes mais pobres da população - assumiram os cargos. A esquerda, que os ajudara a tomar o poder, foi excluída do governo.

O então primeiro-ministro, Shahpur Bakhtiar, ameaçava fazer campanha contrária à adoção de leis baseadas nos princípios islâmicos, mas desistiu do objetivo diante da falta de apoio do exército, que já tinha aderido ao novo líder. Os Estados Unidos, que sustentavam o governo de Pahlevi, tentaram impedir o andamento da revolução, mas também não lograram sucesso, dando início ao processo que levaria ao embargo comercial ao Irã. A Política da Dinastia Pahlevi – o último regime monárquico do Irã – alienou completamente o país às potências estrangeiras, reduzindo a soberania nacional à praticamente nada.

A Revolução Islâmica do Irã foi o primeiro movimento político e social que optou por sua própria fundação ideológica em sua sociedade, também foi o primeiro a apresentar suas notáveis e verdadeiras manifestações, uma após outra. Isto também enfureceu círculos políticos mundiais, pegando-os de surpresa e deixando-os em dúvida com relação às suas atitudes para com o Irã. Até hoje, a opinião pública mundial ainda permanece espantada com os eventos que aconteceram rapidamente no Irã e que ainda não são muito bem entendidos por ela. Por esta razão, as renovações de relações de outros países com o Irã são estudadas com muita cautela. Antes da Revolução Islâmica, o Islã era considerado apenas como uma religião, deixando o Irã desconhecido por muitos, exceto pelo petróleo e recursos nacionais. Hoje, com os eventos que aconteceram no Irã, as dimensões políticas, sociais, culturais, militares e ideológicas do Islã foram exibidas para todo o mundo. A massa de problemas políticos, econômicos e sociais que foi deixada para trás, seguindo o colapso do regime monárquico no Irã, foram suficientes para estabelecer severas limitações na nova administração do país. A recém surgida República Islâmica superou apenas problemas internos quando a guerra satânica dos representantes do mundo imperialista foi imposta ao Irã. Sanções econômicas, bloqueio dos depósitos cambiais do Irã em bancos estrangeiros, conspirações, várias tentativas de golpe de Estado e a fracassada invasão militar americana em Tabass, foram todas manifestações de reação mostradas pelas potências mundiais sobre a Revolução Islâmica do Irã e seus resultados. Do ponto de vista das potências colonizadoras, o perigo da Revolução Islâmica está no fato de incentivar outros muçulmanos a requererem seus direitos.

Para Washington e Moscou, era importante impedir a expansão da revolução islâmica. Os Estados Unidos temiam que a difusão do radicalismo iraniano incentivasse um sentimento antiamericano no mundo muçulmano. A União Soviética, por sua vez, acreditava que o crescimento da religião poderia encorajar o separatismo nas repúblicas soviéticas, como o Cazaquistão e o Turcomenistão, com população de maioria muçulmana.

A Guerra Fria na América Latina

Na verdade, no chamado Terceiro Mundo era a América Latina o principal foco de atenção das superpotências. Esse interesse, natural por causa da proximidade geográfica dos Estados Unidos, aumentou bastante a partir de 1959, quando Fidel Castro chegou ao poder em Cuba. A partir desse momento, não demorou que as superpotências se preocupassem com o Brasil, o maior país da América Latina.

O golpe militar no Brasil, em março de 64, atendia à estratégia política dos Estados Unidos para a América Latina. A Casa Branca tinha medo que de a revolução cubana, que resultou num regime socialista, se espalhasse pelas Américas. Por causa disso, passou a patrocinar ditaduras em toda a América Latina.

Brasil

No Brasil, o quadro político e econômico favorecia os conspiradores. O presidente João Goulart era apontado como simpatizante do socialismo e a economia do país estava em crise, com índices elevados de inflação. Nos anos que se seguiram ao golpe de 64, o regime militar tornou-se mais forte e repressivo. O Ato Institucional número 5, de 1968, restringiu as liberdades democráticas e deu ao regime poderes quase irrestritos para governar, prender, torturar e eliminar adversários.

Argentina

Em 1943, após o golpe do general José Uriburu, o cel. Juan Domingo Perón, nomeado secretário do Trabalho, realiza reformas sociais e econômicas; mas é preso pelos militares, assustados com a sua popularidade. É libertado após intensa pressão popular, dirigida pela artista de rádio Eva Duarte. Em 1946, Perón vence as eleições e casa-se com Evita, que o ajuda a fazer um governo populista, firmando, com a indústria e os sindicatos, o Pacto Justicialista, que estabelece uma política de equilíbrio entre salários e preços, em troca da contenção de greves. Evita morre em 26/7/1952 e Perón, após enfrentar acusações de imoralidade e corrupção e frustrar vários golpes, é deposto em 1955 e parte para o Paraguai. A Argentina atravessa uma fase de governos militares que perdura até a volta do peronismo. Em 1973, Hector Campora elege-se prometendo renunciar em favor de Péron. O velho líder volta a Buenos Aires e torna-se presidente. Mas uma onda crescente de atentados abala o país. Após sua morte, em 1974, assume sua vice e terceira esposa, María Estela (Isabelita) Martínez de Perón. A crise econômica desestabiliza seu governo; terroristas de esquerda e de direita promovem atentados, roubos, seqüestros e assassinatos. Em 1976, ela é deposta; assume o general Jorge Rafael Videla (29/3), que a coloca em prisão domiciliar. Começa a "guerra suja", responsável por prisões arbitrárias, torturas, seqüestros, assassinatos e desaparecimentos de oposicionistas.

Chile

Ao governo liberal do democrata-cristão Eduardo Frei Montaiva segue-se, em 1970, o do socialista Salvador Allende Gossens, eleito pela coalizão de esquerda Unidade Popular. A nacionalização das empresas estrangeiras, em especial de mineração do cobre, faz os EUA se empenharem na desestabilização do regime, principalmente depois do incremento das relações comerciais com a URSS e a China. O aumento da pressão americana impulsiona o golpe do general Augusto Pinochet Ugarte, em 11/9/1973, que culmina com a morte de Allende.

O general nomeia-se chefe supremo do Estado e devolve a seus antigos donos as empresas nacionalizadas; só permanecem em poder do Estado as indústrias de valor estratégico: cobre, ferro, carvão e hidrelétricas. São adotadas medidas repressivas, denunciadas no exterior por violarem os direitos humanos. O repúdio internacional cresce com o atentado realizado em Washington, em 21/9/1976, pela DNA, a polícia política chilena, em que morrem o ex-chanceler e ex-embaixador nos EUA, Orlando Letelier, e sua secretária, Ronnie Moffti. A recusa de Santiago em punir o responsável, general Manuel Contreras, concorre para que a Assembléia Geral da ONU condene o regime.

Uruguai

Na década de 1960, trabalhadores e estudantes protestaram contra a difícil situação econômica do país. O governo pediu ajuda aos militares e aos Estados Unidos para enfrentar o grupo guerrilheiro Tupamaros. As ações dos Tupamaros baseavam-se, principalmente, nos seqüestros de embaixadores estrangeiros trocados por militantes de esquerda presos pelo regime. Em 1972, a pedido do presidente Juan María Bordaberry, o Congresso declarou "estado de guerra interna" para combater a guerrilha, dando pleno poder às Forças Armadas. Em 1973, sob intensa pressão dos militares, Bordaberry transformou o Uruguai em uma ditadura feroz.

A ditadura militar, conseqüência direta da Guerra Fria, teve um nítido impacto negativo na vida cultural. Durante duas décadas, o governo censurou a imprensa, a literatura e as artes de um modo geral. Experiências inovadoras, como o Tropicalismo, e o talento de artistas como Chico Buarque, Geraldo Vandré e Augusto Boal, entre muitos outros, foram sufocados pela censura imposta pelo regime.

Nos anos 80, ganharam força os movimentos pela democratização no Brasil, com o movimento pelas Diretas-Já, e em outros países sul-americanos, como o Paraguai, o Chile, o Uruguai e a Argentina. No Brasil, o grande marco da volta à democracia foi o restabelecimento da eleição direta para presidente da República, em 1989. E também nos anos 80 começava a se configurar o quadro político internacional que viria a culminar no fim da Guerra Fria, simbolizado pela queda do Muro de Berlim, em 89. O fim do muro foi resultado do intenso processo de reformas na União Soviética, iniciado em 85 pelo dirigente Mikhail Gorbatchev.

A Doutrina da Segurança Nacional e a América Latina

Na grande maioria dos países da América Latina, o processo de formação do Estado Nacional se deu em bases autoritárias.

A partir do regime militar implantado no Brasil, em 1º de abril de 1964, surge uma nova forma de governo autoritário que se multiplica em outras experiências: na Argentina de 1966, Bolívia, 1971, nas ditaduras militares do Uruguai e Chile implantadas em 1973 e, novamente, Argentina, 1976.

Todas estas experiências políticas compartilham traços e características comuns: o exercício do poder político se realiza por altos mandatários das Forças Armadas, de forma institucional; as práticas democráticas são abolidas, por tempo indeterminado; os partidos políticos são dissolvidos; as organizações sindicais, estudantis e camponesas são proibidas; implanta-se uma política econômica que aceita indiscriminadamente a inversão de capitais estrangeiros; limitam-se as medidas de proteção à indústria nacional; a distribuição de renda é desigual e acumulada em setores minoritários, deixando de fora a imensa maioria dos trabalhadores, que fica à mercê do desemprego e da pauperização crescente; há intervenções militares nas Universidades e instituições de ensino superior; é proibida toda a manifestação do pensamento crítico e a livre produção cultural; de forma nova e científica é implantado um regime de terror e repressão policial contra o conjunto da população e, sobretudo contra os setores organizados de oposição ao regime. O assassinato e a tortura, a prisão e o "desaparecimento", passam a ser utilizados sistematicamente, em escala assustadora.

O acesso ao poder é visto pelos militares como de caráter quase permanente. Por isto, insistem várias vezes de que se trata de "governos que não têm prazos e, sim, objetivos". Outro denominador comum a essas ditaduras é que a Doutrina da Segurança Nacional é elevada à categoria de pensamento oficial, global e orientador de sua conduta. Todavia, todos esses governos se proclamam "Nacionalistas", mas, na verdade, a DSN que os orienta, nasceu nos Estados Unidos vinculada ao Colégio Nacional de Guerra, o principal estabelecimento para altos estudos militares norte-americanos durante a 2ª Guerra Mundial. É através do mecanismo de assessoria e adestramento militar que surge, como conseqüência, o Tratado Internacional de Assistência Recíproca, aprovado em 1947, mediante o qual as Forças Armadas latino-americanas vinculam sua sorte à dos EEUU para responderem a qualquer agressão "extracontinental".

Seguindo essas orientações, os primeiros países da América do Sul: Brasil, Argentina e Chile, ajustam-se imediatamente aos princípios substantivos da DSN, entre os quais se propõe a necessidade de subordinar o funcionamento dos sistemas político e produtivos às exigências de uma possível confrontação entre os países do ocidente e a União Soviética, e, por decorrência, a subordinação de todos os demais fatores ao fator militar, que é o elemento definidor dos governos e Estados regidos pela ideologia da DSN. A implantação desses governos supõe um estado de exceção, onde todos os poderes – Legislativo, Judiciário e Executivo se subordinam ao militar.

A Guerra Fria na África

Havia um motivo peculiar para o interesse dos países desenvolvidos pela África: as ditaduras africanas, miseráveis e violentas, eram excelentes compradoras de armas. Só por esse fato o continente ganhou destaque no panorama global do período. Na África, a Guerra Fria foi particularmente acirrada pelo fim do colonialismo português, em 1975. A saída de Portugal abriu caminho para o surgimento de regimes comunistas em Angola e Moçambique, e para a deflagração de conflitos tribais em diversos países do continente. As disputas internas e regionais estimularam os governantes a investir em armas poderosas, apesar da situação de miséria de suas populações.

No final da Segunda Guerra Mundial, não havia mais clima político no mundo para a preservação de impérios coloniais. A guerra marcou a derrota do Japão, da Alemanha e da Itália, países que tinham um projeto declaradamente colonialista. A própria criação da Organização das Nações Unidas, a ONU, em junho de 1945, tinha formalmente, como premissa, assegurar a igualdade entre todos os países do mundo.

Nesse quadro, os impérios coloniais ainda existentes eram uma anomalia, o resquício de um ciclo histórico já ultrapassado. Na realidade, a estrutura da ONU sempre refletiu a distribuição do poder na Guerra Fria. A composição do Conselho de Segurança é o melhor exemplo disso.

Começou com 11 membros, depois ampliados para 15, sendo cinco permanentes e com poder de veto: Estados Unidos, União Soviética, França, Grã-Bretanha e China.

"A questão é que os países que realmente venceram a guerra - Estados Unidos, União Soviética, Grã-Bretanha, França e China - vão formar aquilo que se chama, no Conselho de Segurança, de bloco de países com direito a veto. Isso significa que qualquer decisão tomada pelo Conselho pode ser barrada por um desses cinco países. Agora, o que significa isso em termos, por exemplo, das regiões que estavam sendo colonizadas? Ficava muito estranho que essas nações todas tivessem lutado contra as nações totalitárias, pela democracia, pela liberdade, e ao mesmo tempo possuíssem colônias. Esse era o caso da França e especialmente da Grã-Bretanha, que possuía um vasto império colonial. Nesse sentido, fica claro que num determinado momento essas potências seriam colocadas em xeque e obrigadas a ceder a independência a todas as suas colônias". (Maria Helena Senise historiadora)

Apesar do poder de veto, as potências coloniais estavam em declínio, abaladas por duas guerras mundiais e por crises econômicas. Em 1947, a Grã-Bretanha foi obrigada a ceder a independência à Índia, sob o impacto de um movimento nacionalista liderado pelo Mahatma Gandhi. Em 1954, foi a vez de a França ser expulsa da Indochina pelos guerrilheiros vietnamitas de Ho Chi Min, encorajados pela vitória comunista na China.

Pan-Africanismo

Os sinais de enfraquecimento dos impérios coloniais, somados ao apoio retórico da União Soviética às lutas nacionalistas, estimularam as lideranças africanas a buscar o caminho da independência. Um dos primeiros projetos foi o do pan-africanismo, ou a união de todas as nações africanas, formulado pelo líder negro Jomo Kennyata, do Quênia. O principal obstáculo do pan-africanismo era a diversidade étnica e cultural do continente. Existiam, como ainda existem, muitas "Áfricas" diferentes, impedindo as tentativas de aliança dos países africanos. Essa inexistência de uma "identidade africana" deve-se, em grande parte, ao fato de a África ter sido dominada, dividida e explorada por potências que nunca se preocuparam com os traços culturais daquelas populações.

Escravagismo e exploração dos bens naturais

Uma das raízes mais profundas da dura realidade africana é o mercado de escravos, explorado por árabes e europeus entre os séculos XVI e XIX. Naquele período, mais de onze milhões de seres humanos foram capturados por portugueses, holandeses, ingleses e franceses, e transportados à força, principalmente para as plantations dos Estados Unidos e para as possessões portuguesas na América.

Encerrado o período escravagista, no século XIX, as potências coloniais mantiveram o controle sobre a África, que se tornou fonte de minerais e matéria-prima para a florescente indústria européia. No processo de colonização, muitas tribos e nações inimigas acabaram unidas à força pelos colonizadores. Por causa disso, as fronteiras dos Estados e regiões refletiam muito mais os interesses estrangeiros do que a história dos povos locais.

"O tráfico de escravos vai de certa maneira desarticular não só as economias locais, mas desorganizar os pequenos reinos, as pequenas formações sociais existentes no litoral do continente, possibilitando futuramente a possibilidade de uma colonização, de uma dominação desses povos. Essa dominação ocorre de uma forma violenta ou estabelecendo fronteiras artificiais, cortando, na maior parte das vezes, segmentos e grupos étnicos. Isso pode ser notado na Conferência de Berlim, onde as principais potências européias dividem aleatoriamente, segundo seus interesses, o continente africano". (Prof. Dr. Carlos Serrano. Depto. de Antropologia da USP).

Bandung: tentativa de união dos países do Terceiro Mundo

Quando o líder nacionalista Jomo Kenyatta falava em pan-africanismo, ele tinha em vista, provavelmente, muito mais uma estratégia geopolítica do que cultural ou étnica. O objetivo era defender os interesses geopolíticos comuns dos países africanos. Da mesma forma, e também no começo dos anos 50, outro líder nacionalista, o egípcio Gamal Abdel Nasser, defendia um ideal pan-arabista, que centralizasse os interesses do povo árabe. Nos dois casos, do pan-arabismo e do pan-africanismo, essa unidade serviria de cimento político e ideológico contra os interesses imperialistas. Foi com esse propósito, de unir os países do Terceiro Mundo, que se realizou a Conferência de Bandung, na Indonésia, em abril de 1955. A conferência proclamou-se representante dos países não alinhados nem ao bloco soviético nem ao bloco capitalista, mas favoráveis à criação de sociedades igualitárias. Bandung, a França havia sido expulsa da Indochina. E, para completar, o pan-arabista Gamal Abdel Nasser havia dirigido, em 52, o processo de independência do Egito e despontava como líder do norte da África.

Nasser e o Pan-Arabismo

Gamal Abdel Nasser, na verdade, era o principal articulador do chamado "pan-arabismo", que propunha a união de todos os países de maioria árabe-muçulmana, como forma de fortalecer a cultura e a causa islâmica frente ao mundo ocidental. Em função da identificação do Egito com o Islã, o país estava mais próximo do Oriente Médio, do ponto de vista cultural e político, do que dos países da África Negra. De qualquer forma, o pan-arabismo de Nasser foi de grande importância para a causa pan-africanista, já que as duas iniciativas tinham em comum a luta contra os interesses estrangeiros em seus países. E um dos pilares dessa luta, no caso da África, era exatamente a descolonização do continente.

Outra iniciativa importante para acelerar o processo de descolonização foi a realização, em 1958, da 1ª Conferência dos Povos da África, em Acra, capital de Gana. Na ocasião, os países fecharam um acordo de ajuda mútua contra a Grã-Bretanha, França, Bélgica e Portugal. Àquela altura, a descolonização do continente já estava em andamento. Em 56, Marrocos e Tunísia, colônias da França, haviam conquistado a independência.

O fim da Guerra Fria não mudou a situação no continente africano. O único fato de grande importância nos anos 90 foi o fim do regime racista da África do Sul e a ascensão ao poder do líder negro Nélson Mandela, em 1994. No aspecto político e econômico, a África não exercia influência no cenário internacional.

Fonte: www.logisticabs.com.br

Guerra Fria

Guerra Fria, confronto ideológico entre os Estados Unidos e a União Soviética. Não houve um conflito militar direto entre as duas superpotências, mas ocorreram intensas lutas econômicas e diplomáticas.

ANTECEDENTES

Os Estados Unidos intervieram nos conflitos internos russos e até 1933 não reconheceram o Estado soviético. Embora aliados contra a Alemanha nazista, a aliança se desfez após a vitória sobre a própria Alemanha, por causa de insuperáveis diferenças ideológicas.

Os diferentes interesses pós-1945 levaram a suspeitas e hostilidades mútuas em meio a uma rivalidade crescente fundamentada na ideologia. Alguns historiadores, invocando a geopolítica e outras razões, argumentam que as relações entre os poderes durante a Guerra Fria não eram piores do que as existentes em outras épocas. Entretanto, a natureza ideológica da luta e a ameaça de um holocausto nuclear colaboraram para esconder as tensões políticas que ressurgiram em várias partes do mundo, uma vez que a antiga forma de organização e relacionamento entre os países havia sido modificada. Paradoxalmente, a Guerra Fria assegurou a paz militar na Europa durante quase 50 anos.

MANOBRAS E CONTRAMANOBRAS

Em 1948, Truman lançou o Plano Marshall para a reconstrução da Europa Central e Ocidental, propondo a criação de uma aliança militar que seria a chamada Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No ano seguinte, os soviéticos conseguiram a bomba atômica e nas lutas civis chinesas foram vencedores os comunistas que se aliaram a Stalin. Na Guerra da Coréia (1950-1953), enfrentaram-se o regime comunista do Norte e o pró-ocidental do Sul. As tensões da Guerra Fria foram reativadas no final da década de 1950, quando ambos os lados começaram a desenvolver projetos para a construção de mísseis balísticos intercontinentais. A União Soviética tentou proteger a Alemanha Oriental comunista de uma fuga da população para o Ocidente ao construir o Muro de Berlim em 1961. Cada superpotência também tentava influenciar as nações emergentes da Ásia, da África, do Oriente Médio e da América Latina. Em 1962, surgiu uma grave crise quando a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) instalou mísseis em Cuba e o presidente John Fitzgerald Kennedy ameaçou com represálias nucleares. Os soviéticos retiraram os mísseis em troca da promessa de Kennedy de não invadir Cuba.

Ambos os lados tornaram-se mais moderados devido à crise dos mísseis de Cuba, demonstrando a relutância mútua em travar uma guerra nuclear. De alguma maneira, a rígida polarização anterior foi arrefecida. Os soviéticos se enfraqueceram devido à cisão entre a China e Moscou, aos acontecimentos em Praga na primavera de 1968 e às manifestações opositoras em outros países da Europa Oriental

Enquanto isso, os Estados Unidos estavam lutando no Vietnã, uma ação militar que custou a vida de 57 mil soldados norte-americanos e 2 milhões de vietnamitas.

Por volta de 1973, as duas superpotências chegaram a um acordo sobre uma política de distensão na tentativa de deter a corrida armamentista. Foi o acordo Salt de limitação de armas estratégicas.

FIM DA GUERRA FRIA

Em 1985, Mikhail Gorbatchov e Ronald Reagan, que no começo da década haviam iniciado um novo plano de desenvolvimento armamentístico, decidiram reduzir sua presença na Europa. A reunificação alemã e o esfacelamento da URSS colaboraram para o fim da Guerra Fria. George Bush declarou a necessidade de “uma nova ordem mundial”.

Em maio de 1997 foi assinado um acordo histórico entre a Rússia, representada pelo presidente Boris Yeltsin, e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), sendo seu secretário-geral Javier Solana. O acordo estendeu a atuação da Otan aos países do antigo bloco soviético e foi reconhecido pela sua Ata de fundação no que diz respeito às relações mútuas e de cooperação entre a Otan e a Rússia. As duas partes deixavam de considerarem-se adversárias, razão pela qual numerosos analistas têm considerado o fato o fim definitivo da Guerra Fria.

A Guerra Fria significou um período especial na história da humanidade. Embora não tenha ocorrido um confronto bélico entre os dois blocos, o clima de animosidade entre os Estados Unidos e a União Soviética era cada vez mais agravado pela propaganda e espionagem. O domínio de armas atômicas pelos soviéticos representava os riscos de um conflito direto.

Origens e propagação da Guerra Fria

Ao findar a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) a Europa, até então centro da civilização mundial e sede do capitalismo, entrou em declínio.

Já durante o conflito, as potências européias tradicionais, como a França e a Inglaterra, foram incapazes de derrotar sozinhas as potências do Eixo: Alemanha, Itália e Japão.

De fato, a libertação da Europa deveu-se quase exclusivamente à participação de dois países: União Soviética e Estados Unidos. Terminada a guerra, a situação mostrou-se ainda mais grave, pois a Europa não tinha condições de empreender sua reconstrução.

Ao declínio da Europa correspondeu, paralelamente, a ascensão dos Estados Unidos e da União Soviética. Porém, no dia seguinte à guerra, os aliados da véspera estavam em campos divididos.

Dois sistemas repartiam claramente o mundo: o capitalismo e o socialismo. O confronto ideológico entre eles passou a ser conhecido como guerra fria. Sua origem situa-se no fato de a Europa continental ter sido libertada pelo Exército Vermelho soviético, que ocupava dez capitais européias, de Viena a Berlim, passando por Budapeste, Varsóvia, Praga e Bucareste. Enquanto a presença soviética era sentida maciçamente, os Estados Unidos, logo após o conflito, começaram a retirar suas tropas. A desmobilização norte-americana, todavia, alarmou a Europa, que, diante do avanço soviético, se via completamente incapaz de se defender. Esse desequilíbrio fez com que os Estados Unidos suspendessem imediatamente a desmobilização, a fim de evitar a hegemonia soviética na Europa.

Fonte: www.vestibular1.com.br

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