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Macartismo

Em nome dos valores democráticos, no entanto, surgiu o macartismo, um movimento conservador que estremeceu os Estados Unidos nos anos 50.

Charles Chaplin em ação no cinema
Charles Chaplin em ação no cinema

O senador Joseph McCarthy desencadeou uma feroz campanha anticomunista, levando dezenas de artistas, produtores e intelectuais à falência e ao desespero. Muitos entraram na lista negra apenas por serem suspeitos de pertencer ao Partido Comunista ou de simpatizar com os ideais socialistas. Um dos alvos dessa campanha foi Charles Chaplin. Perseguido pelo FBI, a polícia federal norte-americana, por causa de seus filmes de temática humanista, Chaplin acabou deixando os Estados Unidos em 1952.

Os anos 60 e a revolução dos costumes

A histeria anticomunista foi substituída, na mídia do início dos anos 60, por manifestações contra o racismo e pelo fim da guerra do Vietnã. Nesse clima de contestação surgiu um movimento pacifista chamado genericamente de "flower power".Os Estados Unidos e a Europa passaram por uma profunda mudança de costumes, com o rock de Elvis Presley, Beatles e Rolling Stones. O feminismo também ganhou força na América. Esse panorama de agitação cultural preparou o clima de magia de 1968, ano em que os principais valores estabelecidos começaram a ser postos em questão.

Em maio de 68, universitários franceses organizaram manifestações nas ruas de Paris. Inspirados pelas teorias do pensador marxista alemão Herbert Marcuse, os jovens franceses protestavam contra os "valores hipócritas de uma sociedade injusta e atrasada". O filósofo Jean-Paul Sartre e sua mulher Simone de Beauvoir juntaram-se às manifestações de jovens e trabalhadores. Os principais intelectuais da geração de Sartre receberam o impacto da Revolução Cultural de Mao Tsetung, na China, servindo de inspiração para filmes como "A Chinesa", realizado em 1967 pelo cineasta Jean-Luc Godard.

Na mesma época estourava, na antiga Tchecoslováquia, Europa Oriental, uma série de manifestações populares que exigiam mudanças no país. Os checos saíram às ruas para lutar pela independência do país no Pacto de Varsóvia, e contavam com a simpatia do novo dirigente do Partido Comunista, Alexander Dubcek. Nos dois blocos, os sistemas vigentes trataram de conter os movimentos de oposição. Essa reação culminaria com o atentado que matou, em abril de 68, nos Estados Unidos, o líder negro Martin Luther King. Na França, a repressão e outras ações do governo desarticularam o movimento dos estudantes.

Em agosto, tanques soviéticos começaram a tomar as ruas da capital da Tchecoslováquia para pôr fim a um período liberal conhecido como "Primavera de Praga".No Brasil, o movimento estudantil, as lideranças sindicais e os meios artísticos e intelectuais lutavam contra o regime militar instalado em março de 1964. É dessa época o surgimento da Tropicália, uma proposta musical de conotação libertária, e os festivais, onde a chamada "música de protesto" encontrava grande aceitação popular. As manifestações contrárias ao governo eram reprimidas através das armas e das leis de exceção, como o Ato Institucional número 5, criado em dezembro de 1968 para tolher os direitos de livre manifestação e expressão.Na América, como na Europa, foram conquistados novos espaços de participação política e cultural.

O evento mais significativo desse momento foi o Festival de Woodstock, realizado em agosto de 69 em uma fazenda no estado de Nova York. Cerca de 500 mil jovens conviveram por 3 dias em clima de paz e harmonia, no auge da pregação em torno do sexo, drogas e rock'n'roll.A mensagem dos jovens norte-americanos, simbolizada por Woodstock, não se encaixava na lógica da Guerra Fria. Por um lado, essa mensagem criticava o capitalismo, mas por outro lado não apoiava o autoritarismo dos regimes socialistas. Condenava a guerra do Vietnã, mas desaprovava também a luta armada pela conquista do poder, preconizada pelos comunistas. Woodstock foi o momento mais representativo daquilo que hoje chamamos de "contracultura".

"A chamada "cultura jovem" vem de longe, vem dos anos 50, com os beatniks. (...) A fusão da coisa beat com a cultura pop dos Beatles, dos Rolling Stones e dos grupos novos da Califórnia, mais o underground que surgia com Andy Warhol em Nova York e o advento do LSD nas universidades, por volta de 1967, tudo isso proporcionou o que ficou conhecido como "Verão do Amor". (...)

Antonio Bivar e a famosa obra de Warhol
Antonio Bivar e a famosa obra de Warhol

Paralelamente, foram acontecendo o movimento feminista - que ganhava força na época -, o 'black power', o movimento de liberação gay e uma série de outros movimentos que receberam o nome de contracultura.(...)Uma das coisas mais curiosas desse movimento contracultural é a arte de Andy Warhol (...). Além de descobrir a arte pop, ele tinha uma cabeça para impactar.

Quando ele fez o quadro da lata de sopa Campbell, aquilo era um nada, mas um nada que ficou sendo maior que a vida, porque ninguém nunca tinha feito aquilo.(...) Em 1967, paralelo ao Verão do Amor, teve o Festival de Monterey, na Califórnia, onde apareceu pela primeira vez a Janis Joplin, e onde tocaram Jimi Hendrix e Mamas & Papas.

Esse festival foi a primeira vontade que havia de fazer um festival maior, que culminaria, dois anos depois, no festival de Woodstock, perto de Nova York, e que foi o ápice da coisa contracultural (...). Era a época do jovem se dizer ‘drop-out’, de cair fora da universidade, de sair pela estrada, mochila, carona, de viver e dormir onde desse... Esse espírito aberto, essa confiança de que qualquer porta seria aberta para um hippie de bom coração, isso espalhou-se pelo mundo. E junto a isso tudo formou-se uma indústria, já que havia consumidores para toda essa nova onda (...). Quer dizer, por trás de toda essa coisa contra o sistema, contra a guerra, havia uma indústria faturando em cima."

A Guerra Fria no esporte

A relativa liberdade de opinião e expressão nos países capitalistas oferecia um contraste notável com a rigidez adotada pelo socialismo, e era considerada um dos grandes trunfos do sistema de mercado. Talvez por essa razão, a turbulência das idéias no mundo capitalista conseguia conviver com a guerra fria das imagens promovida pelos ideólogos dos dois sistemas.Uma das arenas favoritas da guerra das imagens era o esporte, em particular os Jogos Olímpicos e os campeonatos mundiais de xadrez. A utilização do esporte para fins ideológicos em nosso século, no entanto, é anterior à Guerra Fria.

Em 1936, o atleta norte-americano Jesse Owens conquistara 4 medalhas de ouro nas Olimpíadas de Berlim. Um duro golpe nos planos de Hitler, que pretendia fazer dos Jogos uma demonstração da propalada superioridade da raça ariana. O ditador teria ficado ainda mais contrariado pelo fato de Jesse Owens ser negro.Durante os anos da Guerra Fria, o acúmulo de medalhas olímpicas serviu para mostrar, no plano simbólico, a suposta primazia de um sistema sobre o outro. Esse tipo de confrontação simbólica atingiu o ponto máximo nas Olimpíadas de Moscou, em 1980, e nas de Los Angeles, em 84.

As competições foram prejudicadas pelo boicote das superpotências: em 80, os norte-americanos e alguns aliados ausentaram-se dos Jogos, em protesto contra a invasão do Afeganistão. Em represália, quatro anos depois foi a vez de o bloco socialista não comparecer à competição de Los Angeles.

Os campeonatos mundiais de xadrez também eram por excelência um palco de confronto ideológico. A própria Guerra Fria pode ser comparada ao jogo de xadrez, em que um adversário só pode aplicar um xeque-mate simbólico no outro. O poder de destruição nuclear acumulado pelas superpotências era de tal forma aniquilador que já não fazia sentido um enfrentamento real. Por isso, o xadrez da Guerra Fria tinha o título de "equilíbrio do terror".

Cai o muro

Na verdade, uma das imagens mais contundentes da Guerra Fria aconteceu apenas em novembro de 1989, com a queda do Muro de Berlim. O fim do muro foi fruto de um processo que se originou em abril de 85, com a ascensão de Mikhail Gorbatchev à chefia do Partido Comunista da União Soviética.

Aos poucos, Gorbatchev foi dando forma a um conjunto de mudanças democratizantes, acompanhadas de uma nova política de relações exteriores. As transformações chegaram à Europa do Leste, incluindo a Alemanha Oriental e sua capital, Berlim. Com a queda do muro, a turbulência cultural do mundo capitalista inundou a União Soviética e seus aliados europeus.

Ao fundo, loja do ícone norte-americano
Ao fundo, loja do ícone norte-americano

Talvez seja uma imagem representativa do início de uma nova ordem mundial: o "M", conhecidíssimo símbolo do McDonald's, colocado bem diante da estátua de Alexander Pushkin, o maior dos poetas da Rússia.

Fonte: www.tvcultura.com.br

Macartismo

Macartismo (McCarthyism) é o nome pelo qual é conhecida a política surgida nos Estados Unidos nos anos 50, caracterizando-se pelo combate às "atividades antiamericanas" , surgidas da crescente disputa entre EUA e URSS. O nome origina-se de Joseph McCarthy, senador republicano cuja paranóia o levou a acusar milhares de americanos de serem militantes socialistas. Entre outras acusações fantasiosas, insinuou que o Departamento de Estado Americano em Washington, DC estava repleto de "comunistas fichados" e que "via comunistas até mesmo embaixo de sua cama".

Uma das mais famosas vítimas do macartismo foi Albert Einstein – que, ironicamente, emigrara para os EUA fugindo da perseguição dos nazistas. A "caça às bruxas", como ficou conhecido esse período, perdurou até que a própria opinião pública americana ficasse indignada com as flagrantes violações dos direitos individuais, graças em grande parte, a atuação do jornalista Edward R. Murrow na rede americana de TV CBS, o que levou McCarthy ao ostracismo. Ele morreu em 1957, já totalmente desacreditado.

Fonte: pt.wikipedia.org

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