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HISTÓRIA DE SAN ANGEL CUSTÓDIO

San Angel Custódio integra o conjunto dos Trinta Povos Guarani, entre fundações, deslocamentos e a estrutura definitiva das Reduções Jesuítico- Guarani, a redução de San Angel, uma das últimas, foi fundada em 12 de agosto de 1706 pelo Padre Diogo Hase.

A origem de San Angel deu-se pela necessidade de deslocamento de parte dos habitantes da Redução de Concepción (hoje território argentino localizado na Província de Misiones) que, em 1706, alcançava mais de 5.600 pessoas, e em média, os povoados missioneiros comportavam de dois a cinco mil índios. Outro motivo apresentado para a fundação de San Angel foi o medo de que doenças poderiam alastrar-se e dizimar a população de Concepción (CARBONEL DE MASY, 1992: 97).

A fundação de San Angel, confirmada por pesquisas bibliográficas e documentais a data de 12 de agosto de 1706, entre os rios Ijuí Grande e Ijuizinho, porém o local escolhido não oferecia condições favoráveis para a expansão do povoado e, no ano seguinte, foi transferido mais para o norte, onde hoje se encontra o município de mesmo nome (Santo Ângelo). A escolha dos terrenos para localização dos povoados missioneiros era feita com cuidado pelos Jesuítas, pois deveriam ter solos férteis, presença de água, vegetação e uma grande preocupação com a defesa, dando preferencia a lugares altos, com matas, que poderiam servir de esconderijos.

Quanto à denominação dada a San Angel Custódio, sabe-se que os Jesuítas costumavam adotar nomes de santos que eram considerados padroeiros dos povoados. Na literatura religiosa, é considerado como “anjo da guarda”. Na Espanha, a data consagrada ao anjo da guarda é 2 de outubro. Isso permite deduzir que na redução de San Angel a festa em homenagem ao padroeiro se realiza nesta data, tradição que se mantém até hoje.

Com relação ao crescimento populacional da redução, se enquadra em alta natalidade e uma mortalidade reduzida, trazendo um saldo positivo de crescimento natural. Média de 4.199 habitantes e, no auge do desenvolvimento, mais ou menos 5.417 habitantes. A partir de 1768, a população de San Angel, como as demais, começa a decrescer, chegando a 1827 com apenas 103 habitantes.

Como as demais reduções, a de San Angel seguia basicamente a mesma distribuição espacial. Hoje são inúmeras as análises feitas por estudiosos que, segundo Cardiel, buscam descobrir o modelo para a forma dos povoados guaraníticos missioneiros. Palácios (1991: 131) diz que foi inspirado no greco-romano que originou o plano renascentista espanhol levado para a América, o modelo urbanista das Missões era em forma de “plano damero”, que se baseava em toda uma legislação que continha recomendações para fundação dos povoados.

Segundo Cabrer, Santo Ângelo não correspondia totalmente às demais reduções, o Cotiguaçu estaria localizado no estremo sul do povoado e a igreja voltada para o sul e não para o norte.

Conforme registros feitos pelo Padre Antonio Sepp, o material utilizado na construção da igreja foi a pedra cupim (itacuru), que era só escavar a terra para encontrá-la. Em 1828, a igreja estava em péssimo estado de conservação, porém não deixava de mostrar a sua beleza, assemelhava-se às demais igrejas missioneiras.

As casas dos índios eram construídas com taipas (taquara com barro) ou com adobes (tijolos de barro seco ao sol) colocados sobre fileiras de pedras até uma certa altura para proteger da umidade. As cobertas eram de telhas.

Como as demais reduções, a de Santo Ângelo ressalta-se, também na pintura, na escultura, no importante papel da evangelização dos Guarani missioneiros. O trabalho artístico tinha caráter didático, útil à evangelização, utilizando a estatuária para transmitir mensagens visuais aos indígenas, complementar o ensino da catequese as imagens de Cristo, dos anjos e dos santos de devoção.

A economia das Reduções visava à autosuficiência e cada povoado dispunha de recursos diferenciados, com sistema de intercâmbio entre as Reduções de suas produções para suplementação das necessidades de cada um. Mais tarde, com a produção excedente, as Reduções passaram a comercializar, permitindo, assim, o pagamento dos tributos reais e a aquisição de armas e outros produtos. A Redução de Santo Ângelo comercializava erva-mate e algodão. No aspecto econômico das Reduções, destacava-se a singularidade e o desenvolvimento alcançado pelos povoados do Guarani, administrados por Jesuítas, onde o aproveitamento simultâneo e racional de recursos agrícolas, pecuários e florestais, de atividades artesanais e industriais, transforma-se em um ambiente favorável e fundamental para proporcionar a satisfação das necessidades básicas dos Guarani nos povoados.

A organização político-administrativa de Santo Ângelo, como das demais, estava inserida na esfera jurídica da administração colonial espanhola, mesclando elementos tradicionais da sociedade Guarani com instituições da cultura espanhola, mas que adquire aspectos originais. O Cabildo, sede administrativa, adaptado para a sociedade guaranítica, garantia a segurança externa, mantinha a ordem interna e as funções eram desempenhadas por caciques indígenas e Jesuítas.

A decadência de Santo Ângelo, assim como as demais dos povoados missioneiros da banda oriental do rio Uruguai, inicia com a assinatura do Tratado de Madrid, em 1750, que delimitava fronteiras entre Portugal e Espanha. Nessa negociação as terras dos Sete Povos eram trocadas pelas terras da Colônia do Sacramento.

Na tentativa de transferência dos índios dos Sete Povos para terras espanholas, a resistência dos índios em abandonar seus povoados, plantações, etc., fez com que os mesmos se rebelassem, tentando defender suas terras dos portugueses, originando-se, assim, a difamação dos Jesuítas na América e na Europa, acusados de serem os responsáveis pela resistência dos índios.

Muitas negociações entre índios, portugueses e espanhóis foram realizadas, mas em vão. É deflagrada a Guerra Guaranítica em 1754. Batalhas acontecem, queima de postos, mortes de muitos índios. Uma das maiores batalhas dessa guerra foi a de Caiboaté, em 1756, onde as tropas guaraníticas foram derrotadas, e é quando inicia a debandagem e o abandono de seus povoados. Os exércitos portugueses e espanhóis vão tomando os povoados para assegurar a partida dos índios.

A expulsão dos Jesuítas, em 1768, muda as diretrizes administrativas, pois os novos administradores, religiosos de outras ordens e civis, não estavam preparados e a economia, educação e a religião entram em declínio. A situação de servidão dos índios levou os mesmos a procurar trabalho como peões.

Repovoamento de Santo Ângelo

A primeira tentativa de povoamento foi logo após o Tratado de Madrid pelo governo luso, trazendo casais açorianos que aguardavam em Viamão, Rio Grande e Porto Alegre. A retirada dos índios dos povoados missioneiros se fez para dar continuidade ao processo de colonização desse espaço, mas esse processo fracassou devido aos acontecimentos como a Guerra Guaranítica, por exemplo.

Em 1824, novos projetos de colonização, do governo do Estado, trazendo uma leva de imigrantes alemães que se instalou em São João. Em 1831, começam a chegar famílias paulistas (portuguesas), adquirindo grandes áreas de terras, as sesmarias, por volta de 1850/1860. Foram considerados grandes latifundiários: Francisco de Paula e Silva, Antônio Manoel de Oliveira, Francisco Corrêa Taborda, Alfredo Pinheiro Machado, Bento Barbosa de Lima, Antônio José Antunes, entre outros. Desses, dois resolveram restaurar o povoado de Santo Ângelo, em 1859, Antônio Manoel de Oliveira e Alfredo Pinheiro Machado que, limpando o espaço da antiga redução, encontraram vestígios da igreja e de outras construções do período Jesuítico-Guarani, iniciando, assim, a nova Santo Ângelo.

Oficialmente, as terras de Santo Ângelo até 1822 pertenciam ao município de Rio Pardo. A partir daí, passaram a integrar o novo município de Cachoeira do Sul. Em 1857, com emancipação de Cruz Alta, Santo Ângelo passa a integrar o novo município. E, em 22 de março de1873, pela Lei provincial número 835, Santo Ângelo foi elevado à condição de Vila e sede do município, desmembrando suas terras dos municípios de Cruz Alta e São Borja.

Hoje Santo Ângelo possui uma população estimada em torno de 76.000 habitantes, formada por uma grande diversidade étnica. A base econômica do município é o comércio, a prestação de serviços, pequenas indústrias e a atividade agropastoril.

Atualmente, o município de Santo Ângelo integra a “Rota Missões”, um dos roteiros turísticos da região missioneira, onde, neste município, pode-se visitar atrativos como:

Catedral Angelopolitana - construída no mesmo espaço da antiga igreja jesuítico-guarani, a partir de 1929, sendo concluída no final da década de 1950. O estilo da igreja lembra a arquitetura das igrejas missioneiras. Em seu interior, possui uma escultura do período missioneiro e que retrata a imagem de Cristo, esculpida em madeira; um painel retratando a saga missioneira do artista plástico Tadeu Martins. No pórtico da igreja, encontram-se esculturas feitas pelo escultor austríaco Valentin Von Adamovichi, em pedra grês, retratando os sete padroeiros dos Sete Povos das Missões.

Museu Municipal Doutor José Olavo Machado

O prédio que hoje abriga o museu foi construído entre 1870/1880, foi residência do último intendente de Santo Ângelo, Ulisses Rodrigues. O museu foi inaugurado em 1985, abriga várias etapas da História de Santo Ângelo desde o pré-jesuítico, o período jesuítico-guarani até o repovoamento de Santo Ângelo, com um espaço do museu destinado a exposições temporárias.

Memorial da Coluna Prestes

O prédio que abriga o memorial hoje foi a antiga Estação Ferroviária de Santo Ângelo, construída a partir de 1917, inaugurada em 1921.

Desde dezembro de 1996, abriga o Memorial da Coluna Prestes que retrata o maior movimento revolucionário invicto da história mundial, que partiu de Santo Ângelo em outubro de 1924. Ao lado do memorial, funciona o museu ferroviário.

Capela do Colégio Teresa Verzeri

Em seu interior, possui pintura sacra do italiano Emílio Sessa.

Centro de Cultura Missioneira

Localizado no campus da URI, oferece sessão de vídeos sobre a História das Missões, possui uma biblioteca setorial com excelente acervo sobre a História do Rio Grande do Sul e Missões, entre outros.

Fonte: www.urisan.tche.br

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