
Aníbal, o General que derrotou Roma
Aníbal é considerado o maior gênio da Estratégia em toda a História. E não
é exagero. Suas campanhas e batalhas são estudadas até hoje na Academia Militar
de Sandhurst, na Inglaterra, em West Point, nos Estados Unidos, e na Academia
Militar das Agulhas Negras, no Brasil, entre outras. Passados mais de 2.200
anos desde que ele derrotou Roma de forma esmagadora, o fato de sua estratégia
ainda ser estudada é prova de seu gênio como líder, general, e estrategista.
Ele nasceu em Cartago, em 247 A.C. e faleceu em 183. A.C. com 64 anos. Cartago
era uma colônia Fenícia no norte da África. A colônia se desenvolveu e chegou
a dominar um território em volta do Mediterrâneo maior do que o que Roma controlava
na época.
Aníbal viveu durante um período de tensão no Mediterrâneo, quando Roma era
uma República (isso foi bem antes de César e dos Imperadores. Para você ter
uma idéia de tempo, Cesar nasceu cerca de 147 anos depois de Aníbal nascer,
e Augusto, o Primeiro Imperador, assumiu o Governo cerca de 220 anos depois
de Aníbal nascer).
Uma das frases mais famosas de Aníbal é:
Ou encontraremos um caminho, ou faremos um.
Esta frase mostra bem quem foi Aníbal.
O pai de Aníbal chamava-se Amílcar Barca, e também foi um grande general,
tendo comandado o exército de Cartago durante a Primeira Guerra Púnica (264
a 241 A.C.) , entre Roma e Cartago. O nome de Guerra Púnica vem
do fato de que os Romanos chamavam os Cartagineses de Poeni ou
Fenícios (vê como conhecer um pouco de Latim é útil?). A vida
e a alma de Amilcar ficaram marcadas pela derrota para os Romanos. Quando
o pequeno Aníbal tinha apenas 10 anos, seu pai o levou ao templo do deus Melcarte
(Hércules ou Heracles) e o fez jurar que jamais seria amigo dos Romanos. Logo
em seguida, ele foi levado pelo pai para a Península Ibérica, onde Amílcar
concentrou as forças de Cartago para conseguir dominar as tribos Hispânicas
e aumentar o poder de Cartago.
Dos dez anos em diante ele viveu a vida de militar, acompanhando o pai e aprendendo
a ser um bom militar, um líder e um estrategista. Quando Amílcar Barca morreu
em combate, o cunhado de Aníbal, Asdrúbal, assumiu o comando das tropas. E
quando Asdrúbal por sua vez foi assassinado, em 221 A.C., Aníbal foi aclamado
chefe do exército e governador da Hispania. Ele tinha apenas 26 anos.

No mapa acima você pode ver a região dominada por Roma, na Itália, em vermelho, e os
domínios de Cartago, na África, Espanha e Portugal). Note que Cartago tinha mais territórios do que Roma.
A partir do momento em que assumiu o comando do exército cartaginês,
Aníbal começou a se preparar para enfrentar os Romanos. Seu cunhado Asdrúbal
havia assinado um tratado com os Romanos segundo o qual os Cartagineses ocupariam
a região ao sul do Rio Ebro, e os Romanos a região ao Norte. No entanto, os
Romanos resolveram declarar a cidade de Saguntum como Protetorado Romano.
Ocorre que Saguntum ficava no território que o tratado havia designado para
Cartago. Aníbal achara o motivo que procurava para irritar e provocar os Romanos.
Resolveu então sitiar a cidade.
Mesmo antes de chegar com seu exército lá, os Romanos enviaram dois embaixadores
para avisá-lo que qualquer ataque a Saguntum seria considerado uma agressão
a Roma (esse truque já foi usado várias vezes nos últimos dois mil anos...).
Aníbal recebeu-os e calmamente declarou que estava ciente. E continuou a avançar
para sitiar Saguntum.
Os embaixadores foram a Cartago, na África, e perante o Senado Cartaginês apresentaram o ultimato: Se Saguntum fosse atacada, Roma entraria em guerra de novo contra Cartago seria a Segunda Guerra Púnica.
O Senado de Cartago ouviu-os e declarou: Então
estamos em guerra.
Aníbal sitiou Saguntum por oito meses e finalmente tomou a cidade e a saqueou,
como era costume na época os soldados eram pagos com os resultados
dos saques e a venda dos habitantes como escravos.
Ele então decidiu atacar os Romanos da forma mais surpreendente e inesperada.
Marchando através da Espanha, cruzando os Pirineus, atravessando a Gália (França),
os Alpes, entrando na Itália pelo Norte, onde os Romanos acreditavam que as
altas montanhas os protegiam, e descendo até o vale do rio Po (onde as tropas
brasileiras lutaram durante a Segunda Guerra, mas isso já é outra história...).
Saiu da cidade de Nova Cartago (hoje Cartagena) em 218 A. C. com um exército
de 75.000 homens na infantaria, 9.000 na cavalaria e 36 elefantes de guerra.
Vale lembrar que naquela época ainda não havia sido inventado o estribo, uma
das invenções mais revolucionárias na arte da guerra. O estribo permitiu à
cavalaria firmar-se no animal e avançar com longas lanças e tornar-se uma
arma pesada. Então naquela época os cavaleiros se mantinham a galope apenas
com a forca das pernas.
Os elefantes de guerra eram totalmente desconhecidos na Europa, e tinham um
efeito nas tropas Romanas semelhante ao de tanques de guerra atuais sobre
grupos de infantaria. Até os cavalos romanos entravam em pânico, nunca tendo
visto aquelas estranhas e enormes criaturas.
Aníbal deixou cerca de 11.000 homens na base dos Pirineus, e prosseguiu a
marcha com 50.000 homens de infantaria e 9.000 de cavalaria. Ao longo da rota
tiveram de enfrentar as tribos Hispânicas que o atacavam usando táticas de
guerrilha nas montanhas, mas conseguiram ganhar os Gauleses como aliados.
Conseguiram atravessar os Alpes, enfrentando neve, frio, tempestades (lembre
que os cartagineses eram originários da África, sem experiência em climas
frios, nem agasalhos proteção para frio e neve). Finalmente o exercito de
Cartago desceu os Alpes e chegou à Itália com 28.000 homens de infantaria,
6.000 de cavalaria e 30 elefantes. Nunca um exército havia atravessado os
Alpes no inverno, com elefantes e cavalos, e essa manobra de Aníbal é considerada
uma façanha de tenacidade e de liderança.
Enquanto isso, os Romanos planejavam atacar Cartago. Mas a súbita aparição
das tropas de Aníbal ao norte de Roma pôs por terra todo o planejamento de
Roma. Agora seria necessário defender o território Italiano e Latino. E a
própria cidade de Roma. Os Romanos enviaram uma legião sob o comando de Publius
Cornelius Scipio para enfrentar Aníbal, e foram derrotados na batalha de Ticinus,
no norte da Península Italiana.

No mapa acima você vê a rota do exército de Aníbal, desde Cartagena, na Espanha, atravessando os
Pirineus, a França, os Alpes, entrando na Itália, descendo até o sul, voltando para Cartago e
para a África - ainda é cedo para contar o final da história
É importante guardar o nome desse general romano, pois apesar
de ter sido derrotado, ele é o pai de Publius Cornelius Scipio Major, que
no final dessa história você vai saber que foi o general que derrotou Aníbal
e destruiu Cartago, depois de muitas derrotas sofridas pelos romanos. Um aspecto
interessante sobre os romanos é a capacidade que sempre tiveram de aprender
com as derrotas e com o inimigo, tanto em estratégia, com tática, como em
armamento. O gládio romano, usado pelos legionários e que deu origem ao termo
gladiador, na verdade era usado pelas tribo hispânicas.
Roma era derrotada, e isso ocorreu várias vezes. Mas nunca aceitava a derrota
como definitiva. Os romanos tinham uma formação e uma mentalidade extremamente
pragmática, então depois das derrotas se reuniam para analisar as batalhas,
os erros e acertos, deles e dos inimigos, e definir mudanças para não deixar
ocorrer de novo a mesma situação. Esse tipo de mentalidade teria ajudado os
Estados Unidos, principalmente depois da guerra do Vietnam, a evitar a guerra
do Iraque... Por isso Roma foi um Império que durou mais de dois mil anos,
e o Império Americano, que não aprende Historia nem a valoriza, deve durar
cinqüenta anos.
Já os Cartagineses tinham uma vantagem diferente. Os Cônsules romanos eram
eleitos e ficavam no comando do exército por apenas um ano, já que os romanos
tinham pavor de que alguém tentasse de novo assumir o titulo de rei (foi esse
pavor que levou os senadores a assassinarem César). Os comandantes cartagineses
eram profissionais que passavam toda sua vida adulta como militares, que era
considerada uma carreira de grande honra. Os generais cartagineses podiam
aprender e vivenciar mais lições ao longo de sua carreira.
Mas voltando a Aníbal. Após a vitoria sobre P. C. Scipio, ele conseguiu fazer
alianças com os Gauleses do norte da Itália e com isso aumentar sua força.
Os romanos estavam cada vez mais apavorados. Haviam enviado um Cônsul, Sempronius
Longus, para a Sicilia a fim de prepara uma invasão de Cartago, e tiveram
de chamá-lo às pressas para defender o território romano. As forças de Scipio
e de Sempronius Longus se uniram e enfrentaram Aníbal na batalha de Trebia.
Os soldados romanos não haviam se alimentado, estavam fracos, e tiveram de
cruzar a nado um rio quase congelado. Mas, além disso, mais uma vez demonstrando
seu gênio estratégico, Aníbal fez com que seu irmão Mago atacasse os Romanos
por trás, enquanto ele os enfrentava de frente. Os romanos perderam 20.000
homens de um exército de 40.000. Tiveram de bater em retirada.
Enquanto isso, os gauleses aderiam ao exercito de Aníbal, levando o total
a cerca de 60 mil homens.
Com a tenacidade de sempre, o Senado Romano organizou dois novos exércitos
em 217 A.C. para enfrentar Aníbal. Um deles comandado pelo Cônsul Gnaeus Servilius
Geminus e o outro pelo Cônsul Gaius Flaminius (todos os anos o Senado elegia
dois Cônsules, os dois com os mesmos poderes, mais uma vez para evitar que
um único homem governasse Roma).
O exército de Flaminius marchou para o sul e acampou na cidade de Arretium.
Aníbal, que estava mais ao sul, subiu e deu a volta em torno do exército de
Flaminius. Esta é considerada a primeira vez em que na história militar foi
registrado um movimento deliberado de contornar o inimigo.
Aníbal queria provocar Flaminius para um enfrentamento. Mas o romano não se
movia. Então o Cartaginês começou a destruir e arrasar as vilas e cidades
da região, o que provocou pressões dos habitantes para que o Cônsul assumisse
a ofensiva. Finalmente ele se decidiu e avançou.
E caiu em mais uma armadilha de Aníbal.

Havia um lago na região chamado Trasimene. Aníbal sabia que
as tropas romanas teriam de passar por uma estrada que margeia o lago. Colocou
seus homens fora da estrada, escondidos no mato e na floresta, em silencio
absoluto imagine 40 mil homens na floresta, imóveis e silenciosos.
Imagine a disciplina deste exercito.
Como a estrada era estreita, os romanos não podiam avançar em formação de
combate com suas legiões, divididas em coortes. Tinham de marchar em ritmo
acelerado e mais preocupados em rapidez do que com segurança.
No momento adequado, as trombetas cartaginesas soaram e os homens de Aníbal
caíram sobre os romanos com toda a fúria, e foi um massacre. Os romanos foram
empurrados literalmente para dentro do lago.
Em três horas todo o exercito romano foi aniquilado. De um total de 36.000
homens, apenas 10.000 conseguiram regressar a Roma, os outros 26.000 foram
mortos, ou se afogaram no lago, ou capturados pelos cartagineses. O próprio
Flaminius foi morto por um gaulês, Ducarius. As perdas de Aníbal não chegaram
a 1.500 homens. Aníbal havia planejado e executado a maior manobra de emboscada
da história.
Em Roma a notícia causou um verdadeiro pânico, a tal ponto que apesar de sua
aversão ao governo de um homem só, os romanos elegeram como Dictator Quintus
Fabius Maximus, que passou a adotar uma estratégia de evitar combates com
os cartagineses. Preferia evitar batalhas e tentar uma estratégia de desgaste
contra Aníbal. Este então ficou livre para tomar a Apulia até que os romanos
encerraram a Ditadura e elegeram como Cônsules Aemilius Paulus e Gaius Terentius
Varro. Estes dois iriam levar Roma a sua pior derrota em todos os tempos,
a batalha de Canas.
Mesmo que você não se interesse muito por estratégia e história militar, vale
a pena conhecer pelo menos a história desta batalha, que talvez seja a mais
estudada da história, a mais famosa, a mais genial, e que serviu de base para
a estratégia alemã na Primeira Guerra, na Segunda Guerra, e em outras. Até
na Guerra do Golfo ela foi aplicada. Portanto, se em toda sua vida você for
conhecer apenas uma batalha, deve ser a de Canas.
Vou tentar descrever de forma simplificada o que aconteceu. Além disso, aqui
ao lado você tem duas figuras mostrando a disposição das tropas no inicio
e ao final da batalha.

Os romanos se colocaram em sua tradicional formação de batalha,
com as legiões em três linhas de frente. A cavalaria ficava no lado direito
e no esquerdo, para proteger a infantaria. Os cartagineses se colocaram um
pouco diferentes, como você pode ver na figura, eles estão em azul. Ficaram
com uma formação parecida com uma seta, com os lados recuados e o meio avançado.
Dos lados, como os romanos, Aníbal colocou cavalaria à direita e à esquerda.
Mas com um toque de gênio um dos lados bem mais forte.
Os romanos resolveram atacar dos dois lados com a cavalaria. Nessa hora, o
lado em que a cavalaria cartaginesa era mais forte conseguiu destruir a cavalaria
romana e colocá-los em fuga. (Na figura é o lado esquerdo de Aníbal, onde
você vê dois retângulos com uma diagonal, simbolizando uma massa dupla de
cavaleiros.)
Quando a cavalaria de Aníbal conseguiu destruir a dos romanos no lado esquerdo,
em lugar de ficar parada, ou de atacar a infantaria, fez uma manobra incrível.
Aproveitando que a cavalaria romana havia fugido, avançou e passou por trás
das tropas romanas!
E foi se unir com a cavalaria Númida, do outro lado da cavalaria cartaginesa!
As duas cavalarias, unidas, destruíram o que restava da cavalaria romana, no outro flanco.

Sem cavalaria para defender os flancos dos romanos, os cartagineses
puderam agora usar sua forte cavalaria e atacar os romanos por trás, enquanto
a infantaria de Aníbal os atacava pela frente.
Ao mesmo tempo, Aníbal deu ordens para que o centro de sua infantaria recuasse,
criando uma cilada para os Romanos, que com isso acharam que estavam pondo
os gauleses da infantaria de Aníbal em fuga. Os romanos do centro avançaram,
e os dois lados da infantaria cartaginesa se fecharam sobre eles como uma
pinça.
Assim Aníbal conseguiu fechar os romanos em um espaço cada vez menor, espremendo-os
entre sua infantaria na frente e sua cavalaria por trás. E foi apertando o
cerco, e os romanos perdendo espaço para manobrar, e os cartagineses destruindo
cada vez mais o exercito de Roma.
Os romanos haviam iniciado a batalha com 87.000 homens. Cerca de 75.000 romanos
foram mortos ou capturados em Canas, incluindo o Cônsul Lucius Aemilius Paullus,
e oitenta Senadores Romanos (o Senado nesta época tinha 300 Senadores). Os
cartagineses tinham 39.000, ou menos da metade. Os cartagineses perderam um
total de 16.000 homens. Em termos de perda de vidas em um único dia, Canas
está entre as 30 batalhas com mais perdas da história da humanidade.
Contam que antes da batalha um oficial cartaginês chamado Gisgo comentou com
Aníbal que o exercito romano era bem maior. Aníbal teria respondido um
detalhe que você não percebeu, Gisgo, é ainda mais incrível é que apesar
deles serem tantos, não existe entre eles nenhum que se chame Gisgo.
Roma entrou em estado de choque, declarou um dia oficial de luta, já que todos
os cidadãos tinham pelo menos um parente ou amigo que morrera em Canas.
Ficaram completamente perdidos.

Na figura acima você vê um quadro representando
Aníbal e seus homens atravessando os Alpes.
Naquela época os romanos usavam como sinal de aristocracia um
anel de ouro. Aníbal mandou recolher os anéis de ouro no campo de Canas e
enviou para Cartago mais de 200 anéis de ouro como prova de sua vitoria. Seu
emissário despejou um saco cheio de anéis no chão do Senado de Cartago, provocando
espanto entre os Senadores.
Aníbal havia derrotado na campanha da Itália o equivalente a oito exércitos
consulares. Em três campanhas, Roma havia perdido um quinto de todos os cidadãos
com mais de dezessete anos de idade. Todo o sul da Itália se aliou a Aníbal.
As cidades gregas da Sicilia se revoltaram contra Roma, e o rei da Macedônia,
Filipe V, se aliou a Aníbal, iniciando a Primeira Guerra Macedônia contra
Roma.
Logo após a batalha, o comandante da cavalaria cartaginesa, o veterano Maharbal,
que havia sido um dos heróis de Canas, insistiu com Aníbal para que avançassem
sobre a cidade de Roma imediatamente, aproveitando o estado de choque em que
ficaram os romanos.
Aníbal teria respondido: Elogio seu empenho, mas necessito de tempo para avaliar o que você propõe. Maharbal teria respondido Realmente, nenhum homem foi abençoado pelos deuses com todas as bênçãos. Você, Aníbal, sabe como obter uma vitoria; mas não sabe com utilizá-la.
A frase em Latim, que ficou famosa, é Vincere scis, Hannibal;
victoria uti nescis.
Mas na verdade Aníbal tinha boas razões, suas perdas haviam sido pesadas também.
Com o que lhe restava não teria sido possível tomar Roma, que ainda dispunha
de um grande numero de homens dentro da cidade para resistir.
Logo após Canas, Aníbal enviou uma delegação ao Senado Romano para oferecer
uma paz em termos razoáveis. Apesar da inúmeras catástrofes, o Senado recusou-se
a negociar. Aqui se pode ver uma das características que fizeram Roma ser
o maior Império do mundo e durar milênios. Em vez de negociar, o Senado recrutou
novas legiões.
A palavra Paz foi proibida. O luto foi estipulado a no máximo
trinta dias, e lágrimas em público permitidas apenas para as mulheres. Os
romanos haviam aprendido e iriam aplicar os ensinamentos. Pelo restante da
campanha na Itália não iriam mais aceitar batalhas em campo aberto com Aníbal.
Iriam usar a estratégia de atrito e desgaste das forças cartaginesas.
Finalmente, o Senado enviou uma força expedicionária sob o comando de Publius
Cornelius Scipio Major para a África. Como a maior parte do exército cartaginês
estava na Itália com Aníbal, os romanos conseguiram várias vitórias em torno
de Cartago, e o Senado Cartaginês resolveu ordenar a Aníbal que voltasse para
defender sua terra.

No quadro acima você vê uma ilustração da Batalha de Zama.
No dia 19 de Outubro de 202 A.C. Scipio enfrentou Aníbal na Batalha de Zama, perto de Cartago, e o venceu, pondo fim a uma guerra de 17 anos, e praticamente encerrando a carreira militar de Aníbal.
A persistência e a determinação romanas haviam vencido mais
uma vez.
Scipio a partir daí adotou o nome de Publius Cornelius Scipio Africanus Major,
adicionando como era o costume o Cognomem Africanus para lembrar
seus feitos na África.
Ao ser derrotado por Scipio, Aníbal ainda estava com 43 anos. Foi eleito magistrado
em Cartago, mas sob pressão de Roma, 14 anos após a batalha de Zama, partiu
para um exílio voluntário em Tyro, a cidade-mãe de Cartago, e em seguida em
Efeso, onde foi recebido pelo rei Antiochus III da Síria, que estava preparando-se
para uma guerra contra Roma.
Depois foi para Creta, em seguida para a Ásia Menor. Os Romanos ainda o consideravam
e temiam, e continuavam perseguindo-o. Aníbal, no entanto, estava decidido
a nunca ser capturado por seus velhos inimigos. Em Libissa nas margens orientais
do Mar de Marmara, ele tomou veneno, que sempre carregava consigo em um anel.
Por coincidência, Aníbal morreu no mesmo ano em que Scipio Africanus.
Fonte: virgiliofreire.blogspot.com