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Batalha de Canas

Batalha de Canas

Pequeno relato sobre a batalha de Canas, conflito que ocorreu durante a II Guerra Púnica. O texto é dividido em três partes. Os acontecimentos que provocaram a batalha, um relato do conflito em si (incluindo análise das táticas utilizadas) e as consequências.

Contexto

A Segunda Guerra Púnica já se arrastava por quase dois anos e o exército cartaginês estava impaciente com a carência de recursos provocada pela campanha prolongada. Para resolver a situação, Aníbal decidiu se instalar no abandonado forte romano na cidade de Canas, situada no monte do mesmo nome ao sul da península itálica.

Local onde eram estocados alimento e materiais para os legionários, Canas também era uma região muito próxima e estimada pelos romanos. A perda material aliada ao orgulho ferido provocou uma forte reação do Senado que, decidido a terminar com a ameaça cartaginesa definitivamente, resolveu enviar oito legiões inteiras - chefiadas pelos cônsules daquele ano (Caius Terentius Varro e Lucius Aemilius Paulus) - para combater o exército de Aníbal. Numa época em que normalmente se recrutava quatro legiões por ano e dificilmente se empregava todas juntas numa única campanha, esse movimento era perigoso. Se Roma fosse derrotada estaria completamente vulnerável.

Mas apesar disso, a vantagem romana era grande. As oito legiões (cerca de 80.000 homens a pé e 6.000 homens a cavalo entre romanos e aliados latinos) - provavelmente o máximo de soldados que Roma dispunha (a cidade encontrava-se carente de tropas, uma conseqüência de derrotas anteriores para os cargineses) - colocavam o exército de Aníbal em uma enorme inferioridade numérica, visto que este dispunha apenas de 50.000 homens (40.000 a pé e 10.000 a cavalo, entre cartagineses e mercenários gauleses, ibéricos, númidas e celtas).

O que os romanos não sabiam é que, apesar do quadro desfavorável, Aníbal havia planejado tudo, inclusive o envio das legiões pelo Senado. A ocupação de Canas se destinava não só a suprir o seu exército com comida e armas, mas também a obrigar Roma - que evitava as batalhas campais devido às esmagadoras derrotas sofridas nas mãos dos cartagineses - a reagir para um combate direto.

A Batalha

Ao lado do rio Aufidus, perto da cidade de Canas, os exércitos se encontraram.

As legiões romanas eram a melhor unidade militar de sua época. Seus métodos de luta, treinamento e equipamento eram altamente sofisticados e eficientes. Mas um exército sozinho não ganha batalhas. Precisa de bons comandantes e a longa linha de brilhantes líderes militares de Roma ainda estava para surgir.

O exército cartaginês estava em significativa desvantagem numérica. Possuía nenhum elefante de guerra (todos mortos desde a última batalha) e suas armas e armaduras eram inferiores às do oponente. Além disso era composto em sua maioria por mercenários, uma mistura heterogênia que dava vazão à falta de disciplina e dificultava o treinamento e o estabelecimento de uma tática.

No dia anterior havia ocorrido um ataque cartaginês infrutífero às linhas romanas e Aníbal, percebendo que a tropa estava de moral baixa, convocou seus generais para uma reunião.

Tentou convencê-los de que estavam em vantagem: as legiões romanas, que se encontravam acampadas à frente, tinham acabado de ser convocadas e ainda eram inexperientes (os soldados veteranos haviam sido dizimados em batalhas anteriores); os cônsules em comando nunca havia estado juntos em um campo de batalha; e o terreno plano proporcionava uma enorme vantagem às manobras de cavalaria.

A batalha começou com os romanos direcionados para o sul e os cartagineses para o norte, ambos tentando evitar lutar olhando diretamente para o sol. Em que altura do rio ocorreu ainda não está esclarecido, mas com certeza o Aufidus cortava a lateral do campo de batalha protegendo o flanco esquerdo cartaginês e o flanco direito romano.

É importante lembrar que nesse período da história todas as batalhas ocorriam de forma frontal com o objetivo de quebrar a linha de frente do inimigo e era assim que os romanos pretendiam lutar em Canas. A infantaria foi alinhada e a cavalaria disposta nas duas laterais com a missão primordial de proteger os flancos.

Lucius Aemilius se encontrava na cavalaria pesada romana no flanco direito (próximo ao rio) e Caius Terentius na cavalaria ligeira formada pelos aliados latinos, no flanco esquerdo. Sob o comando dos ex-cônsules Marcus Atilius e Gnalus Servilius, a infantaria ligeira estava disposta à frente e a infantaria pesada na retaguarda de forma não usual (maior profundidade e menor largura da linha de frente).

O exército cartaginês estava disposto da seguinte forma. No flanco esquerdo, sob o comando de Asdrúbal, se encontrava a pesada cavalaria ibera e celta e no flanco direito, sob o comando de Anno, a leve cavalaria númida. À frente estava a infantaria leve cartaginesa; no centro os celtas e iberos, comandados por Aníbal e seu irmão Mago, formavam uma 'meia-lua' com o lado convexo voltado para os romanos; e nas extremidades, em menor número e recuada em relação aos iberos e celtas, ficou a infantaria pesada líbia.

Embora Aemilius tenha levantado o problema do terreno plano que favorecia a cavalaria, Terentius - que estava no comando no dia da batalha - acreditava que a vitória era praticamente inevitável. E realmente assim seria, se não fosse a genialidade de Aníbal.

Seguindo sua consagrada tática, os soldados romanos marcharam à frente buscando um confronto frontal. O primeiro contato, entre as infantarias leves, terminou inconclusivo e Aníbal enviou sua tropa montada para um combate direto com a cavalaria romana.

A infantaria pesada de legionários avançou, mas somente os soldados ao centro encontraram os mercenários iberos e celtas, devido à disposição convexa das tropas cartaginesas. Como as unidades romanas nas extremidades estavam ansiosas para entrar em combate e as linhas inimigas eram excessivamente afinadas, seguiram instintivamente em direção ao centro afunilando a linha de frente.

Enquanto isso, no flanco esquerdo cartaginês, a cavalaria pesada comandada por Asdrúbal derrotou a cavalaria pesada romana. Os sobreviventes fugiram, inclusive Lucius Aemilius, e foram perseguidos até a outra margem do rio.

A leve cavalaria númida comandada por Anno permanecia em combate com a cavalaria leve de Caius Terentius, no flanco direito.

As linhas centrais de mercenários recuavam lentamente e a infantaria líbia avançava sem entrar em contato direto com os soldados romanos, que se concentravam cada vez mais no centro.

Quando Asdrúbal finalmente afastou a cavalaria pesada romana para além do rio Aufidus, voltou e percorreu todo o campo de batalha à retaguarda das legiões até o flanco esquerdo, onde ocorria o embate entre as cavalarias leves. Assim que Caius Terentius e os cavaleiros aliados avistaram a tropa montada de Asdrúbal fugiram. Nesse momento, Lucius Aemilius retornou a cavalo ao centro do campo de batalha e evocou a infantaria a avançar contra o inimigo.

Asdrúbal deixa o trabalho de perseguir a cavalaria leve para Anno e retorna para a retaguarda das legiões romanas. A linha de frente cartaginesa ainda não havia sido quebrada e a infantaria líbia já estava disposta nas laterais dos legionários. Enquanto isso, a cavalaria pesada finalmente alcança a retaguarda romana. Xeque-mate. O exército romano está cercado e pressionado. Os legionários, sem espaço para a locomoção e o manuseio da armas, são massacrados até a total rendição.

Conclusão

O exército romano, confiando na superioridade numérica e técnica de seus legionários avançou nas linhas inimigas ignorando as manobras táticas cartaginesas.

Agiu somente com a força de sua infantaria tentando derrubar sem inteligência ou imaginação um adverário muito mais esperto e ágil.

Na sua pior derrota até então as tropas romanas foram massacradas. Segundo o historiador romano Tito Lívio, 50 mil soldados tombaram no campo de batalha - incluindo 80 senadores e 29 tribunos militares (quase a totalidade da oficialidade legionária) -, 19 mil foram tomados como prisioneiros e 15 mil conseguiram fugir.

O cônsul Lucius Aemilius Paulus e os ex-cônsules Marcus Atilius e Gnalus Servilius se renderam e morreram, enquanto Caius Terentius Varro fugiu para Roma.

O destaque vai para a genialidade de Aníbal que transformou a batalha de Canas em uma obra-prima das táticas de guerra, obrigando o adversário a lutar simultaneamente em várias frentes e utilizar inteligentemente a sua cavalaria. A partir daí, a visão apenas frontal de um conflito armado caiu gradativamente em desuso e a tropa montada ganhou mais importância.

O sucesso do líder cartaginês também se deve à sua habilidade de controlar uma heterogênea tropa de mercenários, fazendo com que obedecessem rigorosamente suas ordens e não apenas avançassem por instinto como era o habitual.

Outros fatores importantes foram a escolha do terreno e a precisa coordenação dos eventos durante a batalha. Se as cavalarias avançassem muito cedo, estariam sozinhas à frente e seriam derrotadas pelas legiões; se avançassem muito tarde ou demorassem a derrotar os cavaleiros romanos, a tropa a pé não resistiria por um longo período à investida dos legionários e a linha de frente se romperia. Além disso, se a infantaria líbia avançasse muito cedo para alcançar os flancos do inimigo, acabaria sendo interceptada antes do adversário convergir para o centro.

A genialidade de Aníbal e a precisão de seu exército ganharam a batalha de Canas.

Bibliografia

(1) BRIZZI, Giovanni. O guerreiro, o soldado e o legionário. Tradução Silvia Massimini. São Paulo:Madras, 2003.

(2) Políbios. História. Tradução do grego por Mário da Gama Kury. Brasília: Universidade de Brasília, 1996.

(3) Livio, Tito. The History of Rome. (Electronic Text Center, University of Virginia Library). Disponível em: . Acesso: 9 de Março de 2005.

Fonte: www.ancientsites.com

Batalha de Canas

Batalha de Canas

Pintura á óleo de Peter V. Bianchi, e está no Kenosha Public Museum Essa é a Batalha de Canas.Ocorreu em 216 a.C na Apúlia, e foi decisiva na Segunda Guerra Púnica. Nela os cartagineses liderados por Aníbal Barca derrotaram o exército romano liderado por Varrão

A Batalha de Cannae (Canas), travada em 2 de agosto de 216 a.C., foi uma batalha decisiva da Segunda guerra púnica.

Aníbal invadira a Itália, e após infligir várias derrotas aos romanos, ficou sem ação diante da contemporização do ditador Fábio, o Contemporizador.

Mas depois desses seis meses de inatividade, Roma também queria ação. A cidade eterna estava cansada de ver seus campos saqueados. Então, os cônsules Paulo e Varro reuniram o maior exército jamais reunido pela República Romana, e enfrentaram Aníbal no sul, na Batalha de Cannae.

Estratégia Romana

Os dois cônsules tinham uma estratégia bem simples. Posicionando seu enorme exército no vale, fariam um ataque frontal. Nos dois flancos, a cavalaria romana e aliada. A infantaria atacaria, guardada pela cavalaria.

Estratégia Púnica

Aníbal, pelo contrário, desenvolveu um plano complexo, talvez o melhor já inventado, quase perfeito. Um plano tão bom que tentam imitá-lo até hoje, e nunca conseguiram. Sua infantaria faria uma convexidade em direção à infantaria romana. Nos flancos, a cavalaria.

Na retaguarda, a melhor tropa cartaginesa: a infantaria com armas romanas.

Realização

A infantaria romana atacou primeiro, e a convexidade cartaginesa recuou se tornando côncava. A cavalaria cartaginesa atacou a romana, vencendo-a sem problemas, e logo pôde atacar a infantaria de Roma por trás. Com os flancos abertos, a retaguarda púnica avançou, cercando os romanos de vez. Cada vez mais comprimidos, iniciou-se um massacre. Já os cartagineses sofreram poucas baixas.

Consequências

Aníbal teve a chancede tomar a cidade romana, mas não quis se arriscar a isso. Então, perdeu a guerra

Fonte: pt.wikipedia.org

 

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