Cultural e racialmente Cartago está ligada à História Antiga do Oriente Próximo e, mais precisamente, a História da Fenícia. Em geral, estamos acostumados a encarar Cartago como algo que surgiu para retardar a expansão romana. As sínteses históricas, ao tratarem das Guerras Púnicas, abrem parênteses e, em algumas páginas, às vezes em poucas linhas, completam as informações já registradas sobre a próspera colônia que, um dia, a audácia tíria fundou no litoral norte-africano. Mesmo como simples colônia fenícia, Cartago já merecia maior atenção da parte dos historiadores, sobretudo pelo influente papel econômico que desempenhou no Mediterrâneo Ocidental. Essa importância aumenta quando, a partir do século VI, o poderio do Tiro sofre o rude golpe do imperialismo babilônico. Cartago então, por sua situação privilegiada entre as duas bacias mediterrâneas, pela riqueza de seu comércio, pela imponência de suas construções, por sua numerosa população, pelo poderio de sua esquadra, vai tornar-se, num crescendo continuo, a maior metrópole do Ocidente até encontrar diante de si, no século III, a expansão da belicosa estirpe do Marte.
A destruição do Cartago cm 146 a.e.c. consumiu uma preciosa literatura que teria constituído, sem dúvida, abundante fonte para o conhecimento da História.
À falta dessa fonte, devemos contentar-nos com o que escreveram, de um modo as vezes vago, as vezes parcial e agressivo, os autores gregos e latinos. Nos poemas homéricos já sentimos a presença do audaz marinheiro fenício que concorre com os helenos mas aventuras marítimas. Heródoto, Aristóteles, Deodoro da Sicília, Polibio, Tito Lívio, Apiano, Justino, Cornélio Nepos, Silius Italicus e outros oferecem-nos alguns fios com que podemos tecer a História da Cidade-Estado que ousou, um dia, enfrentar a orgulhosa Roma.
Não é sem certa surpresa que, entre tantas Constituições gregas mencionadas por Aristóteles, se encontre a de uma cidade semítica, de um povo que os gregos incluíam no número dos bárbaros: refiro-me à Constituição cartaginense, que primeiramente Aristóteles, depois Polibio, analisam com grandes louvores, como uma das mais judiciosas que o mundo tem conhecido.
Aos autores antigos acrescentemos os resultados das pesquisas arqueológicas realizadas sobretudo no norte da África. Ao lado dos numerosos textos púnicos (que em sua maioria, entretanto, não encerram grandes novidades), podemos citar a descoberta de ruínas que remontam a Cartago anterior e a Cartago romana e cristã.
Dois nomes devem ser retidos entre os que, com zelo, abriram novos horizontes nas descobertas arqueológicas relacionadas com a antiga história de Cartago: o Pe. Delattre, da Sociedade dos Padres Brancos de Cartago, o P. Cauckler, antigo diretor de Antiguidades da Tunísia. O P. Delattre efetuou durante meio século, com um zelo infatigável, a exploração da Cartago antiga, dando particular atenção sobretudo aos vestígios púnicos e cristãos. O produto desses trabalhos e do trabalho de seus sucessores, os padres Lapeyro e Feron, é conservado no museu dos Padres Brancos sobre a colina de S. Luis.
Durante mais de quarenta anos os túmulos que as pesquisas arqueológicas iam revelando, eram o único elo material entre a Cartago púnica e a ciência moderna.
As descobertas mais recentes revelaram, entretanto, um fato sensacional: a destruição de Cartago pelos Romanos não havia sido tão radical a ponto de se ter poupado os túmulos. Assim, por exemplo, os vestígios das fortificações de Cartago, procuradas em vão por gerações de arqueólogos, foram, enfim, encontradas em 1949 pelo general R. Duval.
Geografia
Com a beleza de sua linguagem poética, Virgílio (Eneida, 1, 12), indica-nos a situação geográfica da antiga Cartago:
"Urbs antiqua fuit (Tyrri tenuere coloni).
Karthago, Italiam contra Tiberinaque longe.
Ostia, dives opum studiisque asperrima belli..." "Houve uma cidade antiga (colonos do Tiro a habitaram), Cartago, defronte à Itália e às fozes do Tibre, longe, rica de recursos e altiva por seus exercícios de guerra".
Cartago estava situada cerca de dezesseis quilômetros à nordeste da atual cidade de Tunis, em uma ampla península limitada a leste pelo mar, ao norte pela laguna do Sukra, ao sul polo golfo do Tunis e ligada ao continente a oeste. Essa região devia gozar, na Antiguidade, de um clima sensivelmente semelhante ao do norte da Tunísia atual. A magra vegetação que hoje cobre a península correspondia outrora, segundo o testemunho dos antigos, a existência de vastas florestas não Longe da cidade. A península cultivada com cuidado produzia cereais, videiras, oliveiras e flores.
A fauna era rica: encontravam-se leões, hienas, chacais, girafas, hipopótamos e elefantes. Entre os animais domésticos figuravam o cavalo, o asno, o boi, a cabra o a ovelha. O litoral fornecia, além de pesca abundante, o famoso múrice utilizado para a fabricação de púrpura. Completemos essa breve resenha dos recursos naturais de que dispunham os cartagineses, lembrando as pedreiras do Cabo Bon que forneciam material para as construções, e a própria argila encontrada em Cartago e utilizada pelos oleiros.
Os cartagineses eram semitas sobretudo por sua língua, sua religião, suas tradições e costumes. Como as fenícios, seus antepassados, os cartagineses representavam um tipo étnico heterogêneo principalmente porque aos púnicos não repugnava o casamento com os estrangeiros.
História Politica De acordo com a unanimidade das fontes antigas, Cartago foi fundada em 814 a.e.c. A única razão admissível alegada pelos partidários de uma data mais recente, é a raridade dos objetos do VIII século recolhidos até aqui na região, mas o argumento do silêncio possuí ainda menos peso em arqueologia que em qualquer outra disciplina.
Não possuímos dados para reconstituir a História de Cartago nos seus primeiros dois séculos do existência; os vestígios arqueológicos mais antigos de que se tem conhecimento são posteriores em cerca de um século à fundação da cidade.
Quais teriam sido as razões da fundação de Cartago? A conhecida lenda de Dido ou Elissa, irmã do rei de Tiro Pigmalião, encontra sua origem nos mitos que explicavam a origem dos principais cultos da jovem cidade, mitos esses que foram transformados e reconstituídos pelos autores gregos e latinos.
Uma rápida visão sobre os acontecimentos históricos revela-nos que a fundação de Cartago foi a consequência de uma série de fatos que levaram poderosos comerciantes tírios a fundar uma nova cidade. Esta recebeu o nome de Qart Hadasht (Cartago), o que significa precisamente Nova Cidade. Os fenícios só dirigiram suas expedições para o Mediterrâneo Ocidental e mais além, após a destruição do poderio marítimo de Creta polos helenos. Para garantir a longa rota entre a Fenícia e os confins do mundo conhecido foram fundadas colônias ao longo de todo o distante percurso. Já pelo ano 1100 (se dermos crédito a Plinio) teria sido fundada a colônia de útica. No século X a.e.c., Tiro atinge o apogeu de sua prosperidade, mas já no século seguinte começou a acumular-se nos horizontes orientais as nuvens ameaçadoras do imperialismo assírio. As riquezas do Tiro eram um constante convite à cupidez assíria. Para fugir a essa ameaça, ricos cidadãos tírios vão buscar um refúgio em primeiro lugar na ilha de Chipre e, logo depois, nas distantes praias quase despovoadas da África do Norte. Surge assim Cartago num momento internacional que se caracteriza pela decadência definitiva do poderio egípcio, pela hegemonia assíria no Ocidente e pela expansão helênica, cada vez mais intensa através da bacia mediterrânea. Roma ainda estava por ser fundada.
As relações entre a nova cidade e a metrópole parecem sugerir que a fundação de Cartago não se fez (como se depreenderia da lenda de Elissa) contra a vontade de Tiro, pois vemos a nova cidade adotar a atitude de vassala para com a metrópole. Cada ano uma embaixada ia sacrificar em Tiro no templo de Melkart e levava uma oferenda igual, na origem, ao dizimo das rendas do novel Estado.
Cartago foi, aos poucos, substituindo o papal colonizador e comercial desempenhado por Tiro.
Apiano escreve:
"Os Cartagineses cultivavam a navegação e o comércio marítimo como genuínos fenícios. Em breve se tornaram tão fortes que se apoderaram da supremacia da Líbia e de uma grande parte do mar e puderam empreender guerras exteriores a expedições militares à Sicília, Sardenha e a outras ilhas do mar e à Ibéria. E ainda enviaram colonos a diversas regiões".
No século VI, o poderio de Tiro sofre um golpe rude após o prolongado cerco a que foi submetida por Nabucodonosor. Cartago possui entre um notável império marítimo, substituindo Tiro na antiga hegemonia exercida sobre as colônias fenícias e fundando novos estabelecimentos. Mas os cartagineses encontram ferozes adversários nos gregos, estão em plena expansão.
Contra esses, Cartago faz duas alianças: com os etruscos e com os persas.
Durante todo o século VI, e mais além, cartagineses e gregas disputam o domínio do Mediterrâneo Ocidental. Sicília, Sardenha e Córsega são teatros de batalhas entre as duas potências.
Nessa época uma rica família do Cartago, os Magônides, dirigem durante três gerações sucessivas (535-450 a.e.c.) os destinos da Cidade-Estado: limitam a expansão grega no Mediterrâneo, asseguram as prerrogativas do comércio cartaginês na Espanha, nos Baloares, na Sardenha e numa parte da Sicília; libertam Cartago do tributa pago, desde sua fundação, aos africanos, criando um vasta império marítimo e terrestre na África, desde o golfo de Sirtes até, provavelmente, ao Senegal.
Quando Xerxes se prepara para o colossal ataque à Grécia, procura impedir que a mesma seja socorrida pelos gregos do Ocidente e concerta uma aliança com Cartago. Segundo Eforo, Xerxes teria agido como suserano e dado aos fenícios do Poente a ordem categórica de participar do ataque contra os helenos.
Para Deodoro, trata-se de um convênio formal estabelecido entre Susa e Cartago: é em virtude desse tratado, obrigando os cartagineses a reunir grandes forças contra os gregos da Sicília e da Itália, que Hamilcar, após três anos de preparativos, teria feito vela para Himera.
A versão de Deodoro parece-nos mais plausível. Cartagineses e persas estavam empenhados no esforço comum de pôr uma barreira à expansão helênica.
Mas, apesar do tudo, o ano do 480 assinala duas vitórias espetaculares dos helenos: Salamina, sobre os persas; Himera, na Sicília, sobre os cartagineses. A derrota de Cartago enfraquece mas não afasta a influência púnica na Sicília. A decadência da hegemonia de Atenas reanima os cartagineses em seu velho desejo do conquistar a ilha. Por todo o século IV, os exércitos púnicos ameaçam as colônias gregas da região meridional da importante região do Mediterrâneo.
No século seguinte a mesma ilha vai tornar-se o pomo da discórdia entre o poder continental de Roma e o poder marítimo de Cartago. A terceira dessas guerras assinala o fim do estado púnico.
A civilização cartaginesa, porém, não morreu com a destruição de sua metrópole: muitos emigrados de Cartago haviam implantado a cultura fenícia entre os reis númidas. Quando o benfazejo governo dos imperadores substituiu a opressão senatorial, os descendentes dos cartagineses participaram do admirável desenvolvimento da África romana, conservando sua língua e sua religião até o grande tormenta que devia, no decorrer dos IV e V séculos, mudar a face do mundo.
Estrutura Político-social Organização politica
Só podemos estudar a organização política de Cartago em linhas gerais, pois as fontes de que dispomos para esse estudo são insuficientes.
Sabemos que no século VI existiam duas assembléias: o senado e uma câmara eleita pelo povo. Ao que parece, a realeza era eletiva e a rica família dos Magônides teria conseguido conservar o poder através de três gerações graças ao valor pessoal de seus membros e aos sucessos obtidos em seus empreendimentos militares e marítimos. Um conselho de cerca de cem juízes, instituído nesse período, tinha a missão de evitar a tirania.
No século IV encontramos um senado de polo menos trezentos membros e um conselho permanente escolhido entre os senadores. Dois sufetas, que lembram os reis de Esparta ou os cônsules romanos, governavam por um ano podendo, ao que parece, ser reeleitos. A assembléia de cidadãos escolhia os chefes militares e os sufetas, o dirimia as questões surgidas entre os mesmos e o Senado.
Estudando a Constituição politica do Cartago, A. Croiset cita Aristóteles e Polibio acrescentando que ambos louvam, na Constituição cartaginense, é uma mescla harmoniosa de elementos monárquicos, aristocráticos e democráticos, que lhe davam equilíbrio e força. De que natureza era essa democracia semítica, tão singularmente isolada no mundo antigo, fora do domínio greco-romano? Para bem o saber, conviria conhecer o seu espirito, o seu minucioso funcionamento. Ora, só conhecemos de tudo isso a parte exterior, as formas e a moldura.
As classes sociais
Parte da aristocracia cartaginesa era, sem dúvida, formada por ricas e tradicionais famílias oriundas de Tiro. A lenda nos fala desses nobres que acompanharam Dido, revoltados contra a tirania de Pigmalião. A base do prestigio e poder da aristocracia era a fortuna. Esta provinha primeiramente do comércio marítimo; no século V apareceu uma nobreza territorial.
Os sacerdotes, designados frequentemente nos textos púnicos como "kohanin", gozavam de alto prestígio na sociedade de Cartago. Cabia-lhes, por meio dos sacrifícios, assegurar a proteção dos deuses sobre a Cidade-Estado para que a mesma progredisse politica e economicamente. A função sacerdotal se transmitia de pai para filho, formando uma espécie de casta. Entre os sacerdotes existia uma rígida organização hierárquica. Cada templo possuía um "chefe dos sacerdotes" (rab kohanin), ao qual, além dos sacerdotes propriamente ditos, estava subordinada uma multidão de pessoal subalterno entre os quais figuravam em primeiro lugar os escribas. A esses seguiam-se os assistentes do culto, como os barbeiros sagrados, e uma série infinda de outros servidores.
O templo cartaginês, como o templo fenício, foi um centro de ativa vida intelectual onde se discutia a natureza dos deuses e onde se elaborava uma verdadeira literatura mitológica composta de poemas que narravam as aventuras dos deuses. A lenda de Dido, como a conhecemos através dos autores clássicos, deve sua origem a um desses poemas sacros de Cartago.
O clero cartaginês desempenhou um papel intelectual importantíssimo. Graças ao clero, com efeito, a civilização e a língua fenícias não desapareceram da África no momento em que as mesmas periclitavam na própria metrópole, e se mantiveram ainda, após a conquista romana, durante longos séculos, até que o triunfo do sincretismo acabasse de apagar toda diferença entre os cultos africanos de tradição tíria e as outras religiões místicas espalhadas no Império.
Outras classes que constituíam a sociedade cartaginesa eram os comerciantes e os proletários urbanos; estes trabalhavam nos diversos ramos da indústria: metalurgia, tecidos, cerâmica, vidraria, etc. Havia ainda numerosos escravos, na sua maioria de origem africana e que, em geral, eram bem tratados, sendo frequentes as manumissões.
A população de Cartago, além das camadas sociais citadas, estava integrada por grupos de estrangeiros, em geral comerciantes. Entre esses grupos citemos a colônia etrusca, a numerosa colônia grega e os orientais como fenícios (considerados concidadãos), cipriotas e habitantes da Anatólia.
A descrição da sociedade cartaginesa ficaria incompleta se não mencionássemos a população líbica que trabalhava nos domínios rurais sujeita a pesadas contribuições e os mercenários estrangeiros que constituíam muitas vezes um foco de perturbações da ordem e de ameaça à segurança do Estado. Enquanto os cidadãos cartagineses, fiéis a tradição marítima dos fenícios, serviam na frota de guerra, o exército era composto de mercenários estrangeiros como sardos, ligures, iberos, celtas, etruscos, etc.
Economia Agricultura
Graças a fragmentos conservados nas obras do Plinio, Varrão e outros autores antigos, conhecemos o tratado sobre a agricultura da lavra do cartaginês Magon. A obra completa abrangia vinte e oito livros e condensava toda a ciência agrícola de sua época. Podemos avaliar a importância desse estudo se considerarmos o fato do quo o Senado Romano mandou traduzi-lo para o latim.
Os antigos admiravam a técnica agrícola dos cartagineses que haviam cercado sua cidade com um verdadeiro cinturão verde.
Polibio fala desses arredores cobertos de jardins e do árvores, do canais do irrigação, de casas do campo sombreadas por oliveiras, videiras e com prados de verdes relvas.
Os cartagineses tiveram a preocupação de introduzir e aclimatar na África do Norte os produtos cultivados entre os povos mais antigos da bacia do Mediterrâneo. Mas não foi só na agricultura que os cartagineses empregaram técnicas racionais. A criação mereceu-lhes cuidados especiais e já citamos as principais espécies de animais encontradas na zona rural do Cartago.
Indústria
A indústria cartaginesa caracteriza-se pela falta do originalidade. Os operários eram numerosos e dividiam suas atividades entre os diferentes ramos industriais. A metalurgia alimentada pelo cobre o pelo estanho importados da Espanha e das Cassitérides, pelo ferro da ilha de Elba, produzia machados, martelos, facas, cinzéis e sobretudo armas em tempo de guerra.
A indústria têxtil aproveitava a matéria-prima fornecida pela criação do gado na zona rural. Existiam numerosas oficinas domésticas nas quais dezenas de escravos fiavam e teciam a lã ou o linho. Como seus antepassados tírios, os cartagineses extraiam a púrpura do múrico existente no litoral africano. - A península em que se encontrava a cidade de Cartago fornecia argila com que se fabricavam os objetos de cerâmica que ainda hoje podemos apreciar nos museus. Esses objetos, ânforas, potes, tigelas, bilhas, lâmpadas, etc., foram produzidos aos milhares, mais para atender às necessidades do que propriamente com a finalidade de satisfazer aos requintes do luxo. A indústria cartaginesa fabricava também objetos do vidros, marfim e osso.
Navegação
Os cartagineses honraram as tradições navais herdadas de Tiro. Exímios construtores de navios e experimentados navegantes, possuíam uma bem equipada esquadra e uma numerosíssima marinha mercante. Foi graças a essa marinha que Cartago pôde enriquecer-se por meio de um comércio intenso que ultrapassava os limites do Mediterrâneo.
Das muitas expedições navais realizadas pelos audazes navegantes púnicos, conhecemos duas cujo relato nos foram conservados: o périplo de Himilcon e o périplo de Hanon.
O périplo de Himilcon realizou-se no século IV, segundo uns, ou no século V, segundo outros. Conhecemos essa expedição através de uma breve alusão de Plinio e por alguns versos do poeta latino Festus Avienus (IV século de nossa era). Himilcon, partindo de Cartago, teria chegado até Gados (Cádiz), e dai, contornando a Espanha, atingido a Bretanha, as Cornualhas e, talvez, a Irlanda. Esta viagem oficial tinha por finalidade revigorar os mercados de chumbo e de estanho que permitiam aos cartagineses, já possuidores das minas de prata da Espanha, monopolizar a quase totalidade dos recursos em metais preciosos do mundo ocidental.
Mais famoso quo a viagem de Himilcon é o périplo do Hanon. Essa expedição data da época dos Magônides e é, provavelmente, a mais bela manifestação do domínio naval cartaginês e certamente a melhor conhecida do todas as viagens de descoberta marítima da Antiguidade. Conhecemo-la através do relato do próprio Hanon, gravado no bronze e colocado no templo do Baal Hammom, em Cartago. Esse relato chegou até nós por meio de uma tradução grega feita no século IV, não sem ter sofrido algumas adaptações que deviam impedir os concorrentes de Cartago de tirar-lhe partido.
Embora não só possa negar a realidade dessa expedição, como Estrabão o fez na Antiguidade, contudo restam inúmeras passagens obscuras que tem dado margem à diversas interpretações. Para onde e até onde teria navegado Hanon? Plinio" (H.N. II, 169) diz-nos simplesmente que na época em que o poderio de Cartago florescia, Hanon partiu de Cádiz, contornou a África até a extremidade da Arábia e descreveu esta navegação em um escrito. De acordo com intérpretes modernos, Hanon teria chegado até a Serra Leoa ou até o fundo do Golfo da Guiné. As proezas de Hanon, ao que parece, não tiveram maiores consequências para os conhecimentos geográficos da Antiguidade.
O comércio
As atividades comerciais dominavam Cartago e seu Império. Eram mesmo a razão da existência da grande metrópole africana. Cartago produzia em grande quantidade e exportava os produtos de sua indústria trocando-os por outros de que carecia.
É interessante notar que a balança econômica estava permanentemente inchada em favor dos cartagineses: é que suas exportações superavam sempre as importações. O lugar privilegiado que a cidade ocupava, entre as duas bacias mediterrâneas, facilitava sobremaneira as trocas comerciais tanto com o mundo bárbaro como com o mundo civilizado.
Entre os produtos de exportação figuravam: o vinho, os cereais, o óleo de oliva e, principalmente, os objetos manufaturados, produtos dos diversos ramos da indústria: metalurgia, cerâmica, marcenaria, etc. Nos portos do litoral norte-africano, os comerciantes cartagineses adquiriam mercadoria trazida por caravanas procedentes do interior africano: ouro, marfim, escravos. Das minas da Espanha e das distantes Cornualhas importavam metais.
As Artes Embora a arqueologia nos forneça poucos dados sobre a arquitetura cartaginesa, sabemos, através dos escritos antigos, que os cartagineses foram grandes construtores.
Muralhas poderosas, numerosos templos, edifícios do seis andares, portos protetores, eis, em linhas genais, as principais obras dos arquitetos e engenheiros púnicos.
Nos elementos decorativos da arquitetura encontramos um reflexo do cosmopolitismo do Cartago e do suas relações com povos, os mais diversos, da zona mediterrânea. Motivos egípcios, cipriotas, gregos e do outras regiões do Oriente atestam não só a riqueza da decoração mas também a pobreza da inspiração artística dos cartagineses.
A arte funerária (túmulos e estelas) é nos conhecida pelas escavações arqueológicas. Quanto à escultura, notemos que Cartago possuía grande número de estátuas, muitas das quais Cipião Emiliano transportou para Roma. Essas estátuas, entretanto, ou foram produto do saque de cidades da Sicília (sabemos que os cartagineses despojaram Agrigento e Segesta de suas estátuas) ou foram, na maioria, obra de artistas de origem grega, que habitavam a cidade. Ainda aqui se revela a esterilidade artística dos fenícios.
A Religião Existia estreita semelhança entre a religião de Cartago e a religião das cidades fenícias. As milhares de inscrições encontradas entre as ruinas do Cartago constituem uma das principais fontes para o estudo dessa religião.
Panteão
No panteão cartaginês encontramos: Tanit, deusa representada em numerosas estelas e na qual alguns pretenderam ver a deusa fenícia Astarte. O prestigio dessa divindade atinge o auge no século V. Tanit parece estar relacionada com a "Grande Mãe", senhora do céu o da terra e dos infernos, adorada pelas populações pré-helênicas do Mar Egeu, das quais os fenícios, como os gregos, haviam recebido o essencial de sua civilização.
Baal Hammom, o grande deus de Cartago, o "Senhor das estrelas", correspondia ao El dos fenícios. Este deus teve um renome terrível na Antiguidade, pois a ele é que os primogênitos de Cartago, quer do gênero masculino, quer do feminino, eram queimados vivos, por ocasião de um voto individual ou coletivo.
Eshmun (identificado com Esculápio) possuía um templo em Cartago. Melkart, a grande divindade protetora dos tírios e de seus empreendimentos, possuía templos em todas as colônias de Tiro. O nome do Melkart entra frequentemente na composição dos nomes próprios cartagineses.
Além das divindades citadas, encontramos, no panteão cartaginês, sob nomes um tanto diversos, os mesmos deuses cultuados polos fenícios.
O culto
O culto prestado pelos fenícios a seus deuses desenrolava-se em templos constituídos de um vasto pátio quadrangular cercado por um muro; no interior deste recinto, estava a capela com a imagem do deus; a bacia para as abluções, os altares elevados e os lugares reservados aos sacerdotes, completavam, de um modo geral, o santuário.
O sacrifício era o grande ato pelo qual os fiéis impetravam favores à divindade, expiavam seus pecados e abrandavam a cólera dos deuses. Além da oferenda de alimentos, perfumes, havia sacrifícios sangrentos de animais como touros, bezerros, bodes, ovelhas, carneiros e aves. Os cartagineses, como os fenícios, praticavam os sacrifícios humanos para expiarem suas faltas. Certa ocasião de perigo nacional foram sacrificadas, do uma só vez, a Tanit e a Baal Hammom, quinhentas crianças das famílias mais nobres.
Outra vida
Os cartagineses acreditavam na vida do além-túmulo, mas não se preocupavam com a mesma, como o faziam os antigos egípcios. Não é fácil definir com exatidão as concepções púnicas sobre a vida que começa após a morte, pois essas idéias não eram precisas nem coerentes. Segundo antiga crença, a outra vida nada mais era do que uma sombra da existência terrena, limitada apenas pelas paredes do sepulcro onde o morto permaneceria contanto que lhe assegurassem uma tranquilidade e um conforto relativos. Explica-se, assim, o cuidado de sepultar os mortos em lugares profundos, difíceis de violar e a preocupação de colocar nos sepulcros certos objetos e provisões. É provável que os mortos não tenham sido jamais objeto de um culto, mas que as cerimônias com que cercavam o defunto tenham tido o duplo fim de assegurar-lhe os benefícios divinos no outro mundo e de evitar as represálias de uma alma infeliz.
Já vimos que os elementos estrangeiros eram bem numerosos. É natural, pois, que tais elementos, principalmente helênicos, possuíssem suas idéias religiosas e concepções escatológicas. Com o correr dos séculos a interpenetração dessas doutrinas e um consequente sincretismo seria inevitável. Assim é que, por influência da escola pitagórica, encontramos em época mais recente da História do Cartago a idéia de que as almas dos mortos se elevavam na atmosfera, sendo que as melhores dentre elas encontravam nos astros e sobretudo na lua um repouso paradisíaco.
Não restam dúvidas de que Cartago, ao longo da sua história, manteve uma estrita ligação a Tiro. Ano após ano, era enviada uma expedição para sacrificar no Templo de Melcarte "O Senhor da Cidade", em Tiro, uma ligação que foi preservada mesmo depois de Cartago se ter tomado mais poderosa e de ter ela própria começado a fundar colônias. Em termos culturais, a cidade permaneceu distintamente fenícia em língua e cultura, com a sua natureza essencial inalterada pelos poucos costumes gregos e líbios que foram adotados. Pelo menos num aspecto, a prática religiosa dos Cartagineses era mais conservadora do que a do povo de Tiro. Os Cartagineses continuaram com os horrendos sacrifícios de crianças a Moloch, que eram mortas e queimadas em nome de Baal Hammon e da sua consorte, Tanit, uma prática abandonada em Tiro por alturas da fundação de Cartago. O Tofet de Salambô, o local onde decorriam estes rituais, e a estrutura mais antiga até hoje descoberta em Cartago pela arqueologia, e as escavações revelaram que esta prática prosseguiu ate 146. De modo perturbador, ao longo dos séculos, a proporção de sacrifícios em que um cordeiro ou outro animal substituíam a criança diminuiu em vez de aumentar. Tofets semelhantes foram descobertos noutras fundações cartaginesas, mas raramente - se é que alguma vez - em lugares diretamente fundados pelos Fenícios. Em Cartago, a religião era estreitamente controlada pelo Estado, cujos altos magistrados combinavam funções politicas e religiosas.
O Legado Os múltiplos contatos de ordem econômica que os cartagineses estabeleceram entre diversos povos da bacia mediterrânea resultaram em intercâmbio cultural intenso que contribuiu para a difusão da civilização. Vamos citar apenas alguns exemplos de como Cartago, através desses contatos, influiu no aumento do patrimônio cultural da Humanidade. Antes de mais nada, os cartagineses podem ser considerados como propagadores do alfabeto fenício ou, pelo menos, da idéia de um alfabeto consonântico. Assim é que, provavelmente, podemos atribuir a origem das antigas escritas líbicas ao alfabeto púnico. Embora o assunto seja passível de discussão, Gilbert et Colette Charles-Picard escrevem que não somente os cartagineses jamais renunciaram a língua e a escrita de sua pátria, mas contribuíram para difundi-las entre os povos que lhes estavam submetidos. Já os estrangeiros residentes em Cartago, os mercenários principalmente, adotavam o púnico como língua corrente. Entre os líbios, o fenício tornou-se uma língua de cultura. A escrita que foi inventada para transcrever seus dialetos - sem dúvida no II século antes da era cristã e que sobrevive ainda, sob o nome de tifinagh, entre os tuaregues, deriva sem dúvida do alfabeto fenício.
É interessante notar a influência multissecular, mesmo depois da data fatídica de 146, da civilização cartaginesa nos berberes.
G. H. Bousquet, analisando essa influência acentua que Cartago foi, para os berberes, durante séculos o único farol de uma civilização superior e indica alguns pontos em que provavelmente se fez sentir tal influência: língua, artes e religião. Sob o ponto de vista religioso, parece que houve fusão das divindades berberes e púnicas, e que, em seguida, elas foram admitidas no panteão romano; talvez então, graças à influência de Cartago, os berberes começaram a passar do animismo agrário, que teria sido o fundo de sua religião, a um politeísmo mais organizado.
Denise Paulme, estudando as civilizações africanas, assinala as relações dos cartagineses com os garamantes, os predecessores imediatos e, numa medida difícil de determinar, antepassados dos tuaregues.
Na época de Cartago, caravanas de garamantes transportavam através do deserto do Saara, para as cidades do litoral mediterrâneo, penas e ovos de avestruz, marfim e escravos recolhidos na África Central, ouro em pó do Sudão. Assim, durante séculos, o interior africano esteve em contato permanente com o litoral e sofreu, sem dúvida, o benfazejo influxo dos centros civilizados.
Concluamos com a curiosa observação de que o nome dado ao continente, África, é de origem púnica e era reservado, no Império Romano, para a província de Cartago. Ainda hoje, os árabes chamam Ifrikia o país que chamamos Tunísia. Como explicar, sem uma influência profunda e durável sobre as regiões situadas ao sul do Saara, a sorte prodigiosa de um nome que se estendeu dos púnicos ao continente inteiro à medida que se avançava na descoberta do mesmo?
Sistema militar cartaginês Os reinos helenísticos do Mediterrâneo Oriental alinhavam exércitos estreitamente modelados nos de Filipe e Alexandre. Compunham-se de soldados profissionais, recrutados junto de uma base relativamente pequena de cidadãos estabelecidos em colônias militares. O núcleo do exército era a falange de piqueiros, muitíssimo adestrada, apoiada por uma cavalaria que operava em formação cerrada, com funções de choque - mas poucos eram os exércitos que conseguiam alinhar tantos cavaleiros como Alexandre. Estes soldados, bem treinados e disciplinados, eram bastante eficazes, mas os reinos tinham dificuldade em colmatar com rapidez as baixas pesadas. A frequência com que se digladiavam levava a que a maioria dos enfrentamentos fosse entre contingentes compostos pelos mesmos elementos básicos e que combatiam de modo similar. Não foi por coincidência que estes exércitos começaram a fazer experiências com elementos tão invulgares como os catafratários, os elefantes de guerra e os carros falcatos, buscando formas de ganharem vantagem sobre inimigos que se lhes assemelhavam. As obras sobre teoria militar, que começaram a aparecer no século IV, foram produzidas em grande profusão no século seguinte. O próprio Pirro escreveu um tratado sobre as funções do general, que infelizmente não sobreviveu. Esta literatura teórica tratava invariavelmente de uma possível guerra entre exércitos helenísticos de características similares. Contudo, nenhum dos exércitos envolvidos nas Guerras Púnicas correspondeu de perto a este modelo.
O número de cidadãos de Cartago era muito reduzido, e logo no principio da sua história abandonou a prática de depender de cidadãos-soldados para constituir o grosso dos seus exércitos, já que não se podia arriscar a sofrer pesadas baixas entre este grupo. Os cidadãos apenas eram obrigados ao serviço militar em caso de ameaça direta à cidade propriamente dita. Quando entravam em ação, faziam-no sob a forma de infantaria formada em falange e armada com lanças compridas e escudos, mas a sua eficácia militar era medíocre, provavelmente devido à sua inexperiência. Em 309, Agátocles, em grande inferioridade numérica, derrotou um exército que incluía um grande contingente destes cidadãos armados com lanças, que também não se revelaram dignos de nota durante os dois primeiros conflitos com Roma.
A marinha parece ter beneficiado dos serviços de um número maior de cidadãos, mas é forçoso admitir que as nossas informações sobre o recrutamento dos marinheiros são muito escassas. Ao contrário dos exércitos, que tendiam a ser constituídos para um conflito especifico para depois serem dissolvidos, a marinha cartaginesa possuía um estatuto mais permanente, pois desde sempre fora necessário proteger as rotas comerciais que tanta riqueza davam a cidade. O célebre porto circular de Cartago estava dotado de rampas que serviam de ancoradouros para 180 navios e de todas as infra-estruturas convenientes para a sua manutenção. As escavações levadas a cabo no porto dataram-no do século II, no máximo, mas as provas não são conclusivas e poderá ter-se tratado de um período de reconstrução. Mesmo que o porto mais antigo não estivesse localizado neste lugar, é provável que tenha sido construído na mesma escala de grandiosidade. Não é de crer que a totalidade da armada estivesse guarnecida e em serviço, exceto em tempo de guerra. Todavia, só seria possível manter a sua eficácia se as tripulações se exercitassem constantemente no mar, o que torna provável a existência, em permanência, de esquadras de dimensões consideráveis. É até bastante possível que muitos dos cidadãos mais pobres de Cartago ganhassem o pão servindo como remadores na armada. Se assim foi, este fato poderá ter efetivamente contribuído para a estabilidade politica da urbe, dado que noutras cidades, os desempregados e os pobres endividados, na esperança de melhorarem a sua triste sina, apoiavam tendencialmente os líderes revolucionários.
A escassez de cidadãos-soldados fez com que os exércitos cartagineses se compusessem de soldados estrangeiros. Os Líbios constituíram provavelmente o elemento mais firme e disciplinado da maioria dos exércitos. Os seus infantes, que operavam em fileiras cerradas, estavam equipados com lanças compridas e escudos redondos ou ovais, capacetes e talvez couraças de linho. A cavalaria líbia, que também combatia em ordem unida e armada com lanças, estava treinada para empreender cargas controladas. Os Líbios terão igualmente fornecido parte da infantaria ligeira que travava as primeiras escaramuças à frente do exército, os lonchophoroi de Polibio, armados com vários dardos e um pequeno escudo. Os reinos númidas eram célebres pela sua soberba cavalaria ligeira, que conduzia as suas pequenas montadas sem rédeas nem sela, fustigava o inimigo com descargas de dardos e evitava o combate próximo a menos que as condições lhe fossem absolutamente favoráveis. Os exércitos númidas também incluíam infantaria ligeira, armada com dardos e um escudo idêntico ao da cavalaria, e é possível que contingentes destas tropas operassem integradas nas forças púnicas. A Hispânia fornecia infantaria ligeira e infantaria pesada, cujo vestuário habitual era uma túnica branca com orla púrpura. A infantaria pesada (scutati) combatia numa densa falange, equipada com um escudo que protegia uma grande parte do corpo, uma pesada lança de arremesso e uma espada - a arma curta, para ferir com a ponta, que deu origem ao gladio romano, ou a falcata, uma arma de folha curva para golpear com o gume. A infantaria ligeira (caetrati) armava-se com um pequeno escudo redondo e vários dardos. A infantaria gaulesa combatia em grandes formações densas e estava equipada com dardos e escudos mas servia-se principalmente das suas longas espadas concebidas para desferir cutiladas. Tanto os Hispânicos como os Gauleses forneciam contingentes de cavaleiros valorosos e bem montados - mas algo indisciplinados -, cuja táctica primária era a carga desenfreada. As proteções defensivas para o corpo eram muito raras entre os povos tribais da Europa, e os capacetes um tudo-nada menos invulgares. Os autores clássicos caracterizam os guerreiros destas nações como ferozes na primeira carga mas lestos a fatigarem-se e dados ao desânimo quando a situação não lhes corre rapidamente de feição. Esta apreciação encerra alguma dose de verdade, mas houve ocasiões em que estas tropas revelaram muito mais denodo do que o sugerido por este estereótipo.
As fontes caracterizam os componentes dos exércitos cartagineses como sendo grupos nacionais. No entanto, somente um segmento muito pequeno de um exército seria provavelmente composto por uma única nacionalidade, e alguns exércitos apresentavam uma composição bastante mista. Havia geralmente o cuidado de não depender em demasia dos povos autóctones do teatro de operações, para evitar defecções ou deserções. Antes da sua expedição à Itália, Hannibal enviou um grande contingente de tropas hispânicas para África, substituindo-as por unidades africanas. A única força unificadora de cada exército era o alto-comando, composto por oficiais cartagineses.
É da praxe descrever os exércitos púnicos como compostos por mercenários mas trata-se de uma simplificação grosseira, já que estas forças incluíam soldados recrutados de muitos modos diferentes e que apresentavam uma grande variedade de motivações. Alguns contingentes não eram contratados, mas sim forbecidos por reinos ou Estados aliados em função de obrigações impostas por tratado. Parece ter sido sempre este o caso dos reinos númidas, cujas famílias reais mantinham uma relação bastante próxima com as famílias nobres cartaginesas, laços que eram ocasionalmente fortalecidos através de alianças matrimoniais. Os contingentes númidas eram geralmente liderados pelos seus príncipes. De modo similar muitas tribos da Hispânia e da Gália estavam formalmente aliadas a Cartago e forneciam contingentes idênticos aos dos seus exércitos tribais e comandados pelos seus próprios chefes. Também aqui existem algumas indicações de que os lideres púnicos terão formado laços estreitos com as aristocracias nativas, permitindo-lhes possivelmente explorar os padrões tradicionais de lealdade. Sabe-se que Asdrúbal desposou uma princesa hispânica, e é possível que Hannibal tenha feito o mesmo. Não restam dúvidas de que a lealdade das tribos hispânicas se centrava na família dos Barcas e não na distante Cartago. Mais tarde, as tribos viriam a aderir de modo similar aos Cipiões - e não propriamente a Roma -, e sublevaram-se quando correu o boato de que Cipião Africano tinha abandonado a Hispânia.
Não sabemos exatamente como eram as unidades líbias recrutadas. Algumas tropas seriam provavelmente fornecidas por cidades aliadas, de modo similar aos dos Númidas. Outros contingentes poderão ter sido formados por camponeses recrutados nos latifúndios cartagineses. Estas áreas rurais revelar-se-iam uma zona de recrutamento bastante fértil durante o Império Romano. Quanto aos mercenários, nem todos eram contratados de forma idêntica.
Em alguns casos, os seus serviços eram oferecidos pelo seu líder ou chefe, e eram contratados em grupo. O líder era pago pelos seus serviços e depois sustentava e recompensava os seus seguidores, tal como faria um chefe tribal. Nas sociedades tribais da Europa, existia uma tradição enraizada de guerreiros que procuravam servir lideres que os sustentassem e lhes garantissem riquezas e glória, pois uma reputação marcial era sempre muito prezada, independentemente de onde fosse conquistada. O elo entre o chefe e os seus apaniguados era intensamente pessoal. Os guerreiros combatiam por ele, e tão depressa lutariam a favor de como contra Cartago - o chefe é que decidia. A historia fala de um chefe gaulês que serviu sucessivos anos, revelando-se de dúbia lealde para com todos. A fidelidade deste tipo de soldados seria significativamente diferente da dos homens diretamente recrutados e pagos pelos seus lideres cartagineses. Algumas unidades do exército, especialmente as que incluíam desertores romanos ou italianos e escravos fugidos, seriam presumivelmente compostas por múltiplas nacionalidades.
As fontes raramente se referem à organização dos vários contingentes dos exércitos cartagineses, dizendo-nos simplesmente onde estava posicionada cada nacionalidade, pelo que não sabemos se havia quaisquer tropas organizadas em unidades de tamanho fixo. Livio faz referência a uma unidade de 500 cavaleiros númidas, mas pode tratar-se de um único contingente e não existem indicações de que estes cavaleiros combatessem em unidades fixas. Outra passagem menciona 500 infantes líbios em Sagunto, em 218, e também ouvimos falar de 2000 gauleses divididos em três bandos ou unidades aquando da conquista de Tarento, em 212, mas é impossível saber se se tratavam de organizações permanentes ou temporárias. As tropas gálicas ao serviço de Cartago combatiam geralmente em contingentes tribais e as hispânicas também o faziam de quando em quando, sob o comando dos seus lideres, tal como fariam quando pugnavam pelos seus povos. Todavia, em Cannae, o centro do dispositivo de Hannibal consistiu de unidades alternadas de Hispânicos e Gauleses, numa clara fragmentação de qualquer estrutura tribal que possuíssem. Polibio refere-se-lhes usando um dos termos que também emprega para o manipulo romano de 120-160 homens, termo utilizado por autores posteriores para designarem a coorte de 480 efetivos do exército republicano tardio e do exército imperial. Isto torna provável que estas "companhias" consistissem de algumas centenas de homens, mas eram certamente menos de mil.
Esta mistura de contingentes de diversas nacionalidades proporcionava geralmente aos exércitos cartagineses um bom equilíbrio entre os diferentes tipos de tropas, com infantaria e cavalaria capazes de combaterem em ordem aberta e unida. Muitos destes contingentes eram de elevada qualidade, mas os seus padrões de disciplina variavam consideravelmente. As tropas aliadas ou contratadas quase nunca combateram sem entusiasmo e os motins foram raros. Um dos elementos bélicos foi a utilização bastante frequente de elefantes de guerra, facilmente capazes de lançar o pânico entre um inimigo que não lhes estivesse habituado. Os paquidermes eram provavelmente animais da floresta africana, ligeiramente mais pequenos do que os indianos mas mais fáceis de adestrar do que os atuais elefantes africanos. O elefante constituía a arma principal, servindo-se do seu volume e da sua força para aterrorizar ou esmagar a oposição, mas os exércitos helenísticos também montavam torres em cima dos animais, plataformas a partir das quais os seus ocupantes podiam arremessar ou disparar projéteis. Não existem provas que refiram especificamente que os elefantes das Guerras Púnicas ostentavam torres, mas o retrato que Polibio faz da Batalha de Ráfia, em 217, implica que a raça africana era capaz de suportar esse peso adicional. O principal perigo associado aos elefantes era a sua tendência para entrarem em pânico e poderem espezinhar indiscriminadamente amigos e inimigos. Diz-se que Asdrúbal equipou os cornacas com um martelo e um cinzel que deveriam cravar na espinha do elefante caso o animal debandasse em direção às suas próprias tropas.
Os comandantes cartagineses dispunham habitualmente de forças equilibradas, mas a dificuldade residia na coordenação dos movimentos destes elementos dispares. As ordens dadas em púnico tinham que ser traduzidas para várias línguas para poderem ser transmitidas aos soldados. Os magistrados cartagineses, entres os quais os sufetas, não exerciam comandos militares. Para liderar as tropas eram nomeados generais - não é claro por quem - que se mantinham no comando numa base semi-permanente até serem substituídos ou até ao fim do conflito. Embora não fossem magistrados, os comandantes provinham certamente da classe social de onde saíam os membros das magistraturas, pois não existem razões para acreditar que a sua seleção dependia mais do seu talento do que das suas ligações familiares ou riqueza. Durante toda a Primeira Guerra Púnica, os Cartagineses trataram duramente os comandantes que falharam no seu desempenho, tendo vários deles sido crucificados por incompetência. Em mais do que uma ocasião, sofreram esta punição ao perderem a confiança dos oficiais superiores cartagineses sob o seu comando.
Todavia, a longa duração dos comandos que lhes eram atribuídos significa que muitos generais cartagineses se tornaram muitíssimo experientes. Quanto mais tempo o general comandasse o seu exército, mais eficiente este tendia a tornar-se. Os elementos dispares que o compunham acostumavam-se gradualmente a operar em conjunto, os seus lideres e o comandante supremo familiarizavam-se uns com os outros e, pelo menos até certo ponto, com as respectivas línguas. O exército que Hannibal conduziu para Itália, em 218, foi provavelmente o melhor exército cartaginês que alguma vez entrou em campanha. A sua eficácia deveu-se a capacidade de liderança do seu comandante, mas decorreu sobretudo dos longos anos de operações na Hispânia, sob a chefia de Amilcar, de Asdrúbal e do próprio Hannibal. Durante esse período, a sua estrutura de comando atingiu um nível elevadíssimo e, a par da disciplina de marcha e da capacidade de manobra, tornou o exército marcadamente superior às forças romanas que lhe fizeram frente. A elevada qualidade deste exército permitiu a Hannibal incorporar-lhe mais facilmente os seus aliados gálicos e posteriormente italianos, e atordoar os adversários com o seu gênio nas campanhas iniciais do conflito.
O exército de Hannibal não era um exército cartaginês típico. Alias, é duvidoso que tenha alguma vez existido um exército cartaginês típico, já que cada força púnica possuía um carácter singular. Não há indicações de que todos os generais procurassem controlar e liderar as suas tropas de modo idêntico. O seu relacionamento com os diferentes contingentes nacionais variava. Cada exército desenvolveu progressivamente um método para funcionar em conjunto. Contingentes recém-recrutados não conseguiram coordenar eficazmente as suas ações no campo de batalha, e até os exércitos experientes tiveram problemas quando chamados a agir de forma concertada. Em Zama, o exército de Hannibal incluiu tropas recrutadas por três comandantes, em alturas diferentes. Foram utilizadas na batalha como corpos assumidamente separados e, ao contrário do que se impunha, não se conseguiram apoiar mutuamente.
Por norma, os Cartagineses, dispondo de recursos econômicos suficientes para o efeito, conseguiam recrutar relativamente depressa grandes números de mercenários e contingentes aliados. De um modo geral, os soldados e os contingentes assim recrutados denotaram uma boa qualidade. Contudo, eram necessários algum tempo e muito empenho para converter essas forças em exércitos eficientes. Isto significava que um exército experiente era um ativo precioso, difícil de substituir e a não arriscar levianamente. Cartago nunca conseguiu alinhar tropas em número minimamente comparável ao dos Romanos. Além do mais, a dificuldade de substituir um exército experiente e com provas dadas encorajou amiúde uma abordagem mais hesitante às operações por parte dos generais púnicos, os quais, com algumas exceções de monta, tenderam a ser muito menos agressivos do que os seus homólogos romanos.
As fundações ultramarinas cartaginesas permaneceram primariamente feitorias, mas como as suas antecessoras fenícias, mas a partir do século VI entraram em concorrência direta com as colônias gregas que começavam a surgir. O principal motor da colonização grega foi a escassez de boa terra arável para responder a procura de uma população em expansão. As colônias que os Gregos estabeleceram eram réplicas das cidades-estado ou poleis da própria Grécia, comunidades nas quais o estatuto dependia normalmente da posse da terra. Esta competição entre rivais desejosos de explorar territórios em beneficio próprio converteu-se em conflito aberto, principalmente pelo controlo da Sicília. O número favorecia os colonos gregos, dado que as fundações cartaginesas foram sempre pequenas, mas os Gregos padeciam de desunião política. As vincadas diferenças religiosas entre os dois lados imprimiram ao conflito um tom especialmente feroz, vulgarizando a profanação de santuários e templos. Esta atitude diminuiu ligeiramente à medida que o Estado cartaginês começou a aceitar certas divindades gregas. O culto de Deméter e Core (Perséfone) foi formalmente introduzido em Cartago em 396, um ato de propiciação depois de a destruição de um dos seus templos na Sicília se ter seguido uma epidemia que devastou o exército púnico presente no local.
A sorte das partes foi alternando durante a prolongada luta pela Sicília. Em 480, os Gregos alcançaram uma grande vitória em Himera, uma proeza que coincidiu afortunadamente com a derrota da invasão de Xerxes em Salamina, no mesmo ano, e em Plateia, em 479, e foi motivo de grande satisfação em todo o mundo helênico. Apesar destes reveses, os Cartagineses perseveraram e os Gregos, para poderem continuar a luta, viram-se cada vez mais obrigados a aceitar a liderança de tiranos, nomeadamente Dionisio e Agátocles, ou de capitães mercenários, dos quais Pirro foi um dos últimos. Em 310, Agátocles, tirano de Siracusa, desembarcou no Cabo Bon, no Norte de África, ameaçando diretamente a pátria cartaginesa. Cartago sucumbiu ao pânico e a agitação politica. Agátocles derrotou um exército cartaginês muito maior, provocando a chamada de tropas das forças expedicionárias púnicas na Sicília. No entanto, não conseguiu tomar Cartago de assalto nem incitar a revolta um número suficiente dos seus súditos líbios para a enfraquecer fatalmente. Abandonando o exército, Agátocles regressou a Siracusa, a partir da qual dominou grande parte da Sicília até à sua morte, em 289. A intervenção de Pirro na ilha travou inicialmente a restauração do poderio cartaginês mas não conseguiu alcançar resultados duradouros quando os seus aliados se viraram contra ele e os Cartagineses derrotaram a sua esquadra, em 276.
Quando sobreveio a guerra contra Roma, Cartago era senhora incontestada das partes sul e ocidental da Sicília.
No século V, o poder cartaginês na África aumentou de modo considerável, quiçá parcialmente encorajado pelos fracassos na Sicília. A cidade deixou de pagar os subsídios exigidos pelos governantes líbios locais e adquiriu o controle de todas as urbes fenícias da área, com destaque para Adrumeto e Utica. Em meados do século, frotas cartaginesas realizaram grandes viagens de exploração ao longo da costa norte-africana, atravessaram o Estreito de Gibraltar e percorreram centenas de milhas junto ao litoral ocidental. De forma mais permanente, estas iniciativas levaram ao estabelecimento de novas feitorias na África, enquanto prosseguia o desenvolvimento dos colonatos da Hispânia. O controle de todas estas bases - situadas em posições costeiras cruciais, já que os colonatos cartagineses beneficiavam sempre de bons portos -, juntamente com o poderio da armada púnica, deu a Cartago o controle das principais rotas comerciais de acesso ao Mediterrâneo Ocidental. Os seus mercadores negociavam em condições particularmente favoráveis, enquanto que os das outras cidades pagavam taxas e tarifas que enriqueciam ainda mais os cofres da cidade. A enorme riqueza de Cartago refletia-se no constante crescimento da cidade e no esplendor das suas defesas e edifícios. As ruínas das áreas novas da urbe revelam uma edificação de acordo com um plano claramente definido, embora não tão rígido como o mais avançado planejamento urbano helenístico da época.
O comércio não era a única fonte de prosperidade da cidade. É importante não esquecer que a riqueza de Cartago derivava também de uma base agrícola extremamente organizada e eficiente.
o manual sobre agricultura escrito por um nobre cartaginês de nome Magão, provavelmente em finais do século IV, viria a exercer uma enorme influência sobre o resto do mundo depois de traduzido para grego e latim, posteriormente a 146. Magão escreveu sobre os métodos de gestão de um latifúndio operado com mão-de-obra servil complementada por camponeses líbios. No ano de 300, os Cartagineses já controlavam cerca de metade do território da moderna Tunísia, e a maior parte das terras estavam nas mãos da nobreza. Os nobres de Cartago constituíam uma aristocracia tão fundiária como as elites governantes de outras cidades, incluindo Roma. A terra era fértil (muito mais do que hoje) e o clima favorável, e a produtividade cartaginesa augurou o tempo em que as províncias africanas seriam os grandes celeiros do Império Romano. Estes latifúndios produziam vastas quantidades de cereais e, em especial, os produtos pelos quais a África era famosa, tais como uvas, figos, azeitonas, amêndoas e romãs. Diz-se que as tropas de Agátocles, ao desembarcarem na África, ficaram espantadas com a fertilidade das quintas cartaginesas. Toda esta produção, além de bastar as necessidades da urbe, gerava grandes excedentes para exportação.
Em 300, a terra controlada por Cartago era significativamente maior do que o ager Romanus, as terras que pertenciam ao povo romano, e rivalizavam em tamanho com a soma destas e dos territórios dos aliados de Roma. E a sua produtividade era provavelmente bastante superior, dado que uma grande parte de Itália apresentava solos mais pobres. Mas os benefícios desta riqueza agrícola não eram usufruídos de modo equitativo, cabendo quase em exclusivo aos Cartagineses, principalmente a nobreza. Cartago teve sempre relutância em estender a cidadania e os direitos políticos aos povos das áreas que veio a controlar.
Os cidadãos das comunidades cartaginesas e fenícias gozavam de uma posição privilegiada, tal como o povo mestiço que os Gregos conheciam por Líbio-Fenícios, mas todos os outros permaneceram claramente aliados subordinados ou súditos. Por consequência, a extensão da hegemonia púnica na África, na Hispânia, na Sicília e na Sardenha não resultou num grande aumento do número dos cidadãos cartagineses. A população líbia dos latifúndios estava aparentemente presa à terra e gozava de pouca liberdade. As comunidades líbias aliadas de Cartago beneficiavam de alguma autonomia interna mas estavam inequivocamente sujeitas à vontade púnica. Enquanto decorria a Primeira Guerra Púnica, muitos soldados cartagineses travaram uma renhida campanha de conquista de novas comunidades líbias. Depois de conclusão da paz com Roma, quando os mercenários de Cartago se amotinaram e sublevaram, receberam o apoio imediato de muitas comunidades líbias. Outros povos aliados, tais como os reinos númidas da África, gozavam de maior ou menor autonomia mas derivavam poucos benefícios de estarem integrados no império cantaginês, ao qual pagavam subsídios e pelo qual eram amiude obrigados a combater.
Cartago fora originalmente uma monarquia, com uma realeza dotada de um forte carácter religioso, mas no século III os principais funcionários executivos do Estado eram dois sufetas eleitos anualmente. Desconhece-se se este cargo teve origem na monarquia ou se a substituiu, mas a utilização grega da palavra basileus (rei) para designar os magistrados de Cartago torna possível a existência de uma ligação. A natureza da monarquia púnica suscita intensos debates entre os especialistas, mas é possível que fosse de carácter eletivo. A riqueza e o mérito contavam para a eleição dos sufetas, que detinham o poder civil e religioso supremo mas não eram comandantes militares. Um Concelho de Trinta Anciãos (Gerúsia) tinha funções de assessoria e era retirado de - e provavelmente supervisionado por - outro tribunal, o Conselho dos 104.
Quando os sufetas e os anciãos se punham de acordo sobre medidas a tomar, tinham poder para as implementarem. Caso contrário, as propostas eram submetidas a apreciação da Assembleia do Povo, que decidia soberanamente a questão. Nestas reuniões, qualquer cidadão estava autorizado a apresentar uma contra-proposta. Resulta evidente que um número relativamente pequeno de famílias nobres dominava o conselho e monopolizava provavelmente o cargo de suffes (sufeta). Os pormenores relativos à politica interna da cidade são muito menos claros, e embora nos possamos aperceber de sinais de disputas e facciosismo, é impossível descrevê-los com precisão. Os filósofos gregos, principalmente Aristóteles, elogiaram Cartago pela sua constituição equilibrada, combinando elementos de monarquia, de aristocracia e de democracia, o que lhe permitia evitar a instabilidade crónica que era a fraqueza da maioria dos Estados gregos. Cartago parece efetivamente ter sido bastante estável, embora seja difícil dizer se os Gregos compreenderam a verdadeira razão da sua estabilidade, e o seu regime trazia grandes benefícios aos seus cidadãos, principalmente aos mais abastados.
Fonte: www.grecia.templodeapolo.net

Cartago (do fenício Kart-Hadasht, ou Qrthdst, isto é « Nova Cidade », em árabe (Qartaj) ) é uma antiga cidade, originariamente uma colônia fenícia no norte da África, situada a leste do Lago de Túnis, perto do centro de Túnis, na Tunísia. Foi uma potência do mundo antigo, disputando com Roma o controle do Mar Mediterrâneo. Dessa disputa originaram-se as três Guerras Púnicas, após as quais Cartago foi destruída.
A antiga capital púnica é hoje um bairro de Túnis e um sítio arqueológico e turístico importante, tendo sido classificado Património Mundial pela UNESCO em 1979.
Cidade da costa da África do Norte (na atual Tunísia). Foi fundada por colonizadores de Tiro (antes da data tradicional de 814 a.C.) e transformou-se em uma das principais cidades de comércio do oeste mediterrâneo, com bases na Espanha, Sardenha e Sicília. Entre os séculos V e III a.C. envolveu-se em freqüentes hostilidades com a Grécia e a Sicília. Foi nesta última que Cartago teve seu primeiro choque com Roma, e as três Guerras Púnicas acabaram com a destruição da cidade em 146 a.C.
Refundada por César e Augusto como colônia romana, novamente adquiriu grande prosperidade e sua população cresceu a ponto de se tornar a quarta maior cidade do Império Romano com uma população estimada de 500.000 habitantes. Como centro do cristianismo, opôs-se aos donatistas. O vândalo Genserico ocupou a cidade em 439 e estabeleceu ali sua capital, mas em 533-534 Belisário expulsou os vândalos e a partir de então, até sua captura e destruição pelos árabes em 697, a cidade permaneceu como parte do Império Bizantino.
Fonte: pt.wikipedia.org