
A Primeira Guerra Púnica foi um conflito travado entre 264 e 241 a.C. que opôs Cartago à República de Roma, as maiores potências da região do Mediterrâneo da época.
Foi a primeira de três guerras entre os dois povos, todas vencidas pelos romanos.
As baixas e conseqüências econômicas do confronto foram muito altas para ambas as partes.
Fonte: guerras.wikidot.com
A Primeira Guerra Púnica foi um conflito travado entre 264 e 241 a.C. que opôs Cartago à República de Roma, as maiores potências da região do Mediterrâneo da época.
Foi a primeira de três guerras entre os dois povos, todas vencidas pelos romanos.
As baixas e conseqüências econômicas do confronto foram muito altas para ambas as partes.

Principais batalhas da Primeira Guerra Púnica.
Antecedentes

Cartago antes da Primeira Guerra Púnica
No meio do século III a.C., Roma já era uma força militar e
dominava toda a península Itálica, seja por meio de guerras ou por alianças
com outros grupos, dentre os quais as cidades gregas na península, tendo Tarento
como a mais importante, que após o fracasso da invasão de Pirro (comandante
grego que tentou dominar a Itália e a Sicília entre 280 e 275 a.C.) se renderam
a Roma.
Cartago era uma potência comercial e marítima no Mediterrâneo, com portos
no norte da África, península Ibérica e na Sicília. Cartago possuía uma inimizade
histórica com Siracusa, cidade grega situada ao leste da ilha da Sicília,
tendo ambas pretensões de dominar a ilha.
Cartago e Roma eram aliados comerciais e tinham inclusive combatido junto
contra Pirro, pouco mais de uma década antes do inicio da Primeira Guerra
Púnica.
Em 288 a.C., uma companhia de mercenários italianos que havia lutado por Siracusa
contra Cartago, os Mamertinos, atacou a cidade de Messina, até então em poder
de Siracusa, matando todos os homens e fazendo das mulheres suas esposas.
Os Mamertinos dominaram o Estreito de Messina que separa o sul da Península
Itálica da ilha da Sicília, atrapalhando rotas importantes da região. O sucesso
da ocupação incentivou uma rebelião semelhante na cidade romana de Rhegium
(atual Reggio di Calabria) do outro lado do Estreito de Messina que só foi
controlada dez anos depois, em 270 a.C..
Assumindo o poder de Siracusa em 270 a.C., Hierão II decidiu reconquistar
Messina e sitiou a cidade. Acuados, os Mamertinos pediram ajuda simultaneamente
a Roma e a Cartago. Cartago viu no pedido de ajuda uma oportunidade de prejudicar
Siracusa e aumentar seu poder na Sicília e assim respondeu enviando tropas.
Apesar de os Mamertinos serem italianos, os romanos ficaram relutantes em
ajudá-los contra Siracusa, principalmente por terem sofrido em Rhegium um
conflito semelhante contra mercenários, mas temiam um aumento do poder de
Cartago em suas vizinhanças.
Em 264 a.C., um exército romano chegou e atacou os sitiantes, com sucesso,
o que levou Hierão a abandonar em 263 a.C. seus aliados cartagineses e aliar-se
a Roma.
A guerra antes envolvendo o controle de uma cidade nas mãos de mercenários,
tornou um conflito entre as maiores forças da região do mediterrâneo.

Área de operações da Primeira Guerra Púnica
Os combates
Os primeiros combates na Sicília

Agrigento, Roma e Cartago
Os romanos comandados pelo cônsul Appius Claudius atacaram e
venceram primeiro as tropas de Siracusa, e em seguida as de Cartago, forçando-os
a recuar e fugir em desordem. Com o sucesso e a ida de tropas sob comando
do novo cônsul Manius Valerius Messalla, os romanos atacaram e sitiaram Siracusa,
forçando Hierão a mudar de lado no conflito, se aliando a Roma contra Cartago
em 263 a.C..
Com a situação desfavorável, Cartago passou a utilizar exércitos mercenários
e concentrou sua força na cidade de Agrigentum (atual Agrigento), principal
cidade na Sicília sob seu domínio. Em 262 a.C., Roma começou um grande e demorado
cerco à cidade. Aníbal Grisco, o comandante das tropas sitiadas, pediu por
reforços e mantimentos para Cartago e Hanno foi mandado com tropas e elefantes
para ajudá-lo. Hanno conseguiu significativas vitórias atacando as linhas
de suprimentos do exercito romano, mas devido à situação (fome e deserções
nas tropas de Grisco que continuavam sitiadas), Hanno teve que partir para
uma batalha contra as tropas principais de Roma. A batalha de Agrigentum terminou
com vitória dos romanos, apesar de Grisco ter conseguido fugir com a maior
parte de suas tropas abandonando a cidade para os inimigos.
Primeiras batalhas navais

Batalha de Ecnomus
Após a vitória em Agrigento, Roma passou a controlar grande
parte do território da Sicília, entretanto Cartago continuava a dominar os
mares, atacando as cidades costeiras aliadas a Roma e dificultando a chegada
de reforços e suprimentos. Com isso, Roma decidiu começar a produzir uma frota
marítima.[1]
Até o começo da guerra, Roma não possuía nenhuma experiência naval, mas com
a ajuda das cidades gregas sob seu domínio, produziu uma frota de 100 quinquerremes[1]
e 20 trirremes, a partir de navios capturados de Cartago.
A primeira batalha naval (Batalha de Lipari), foi travada próximo às Ilhas
Eólias e terminou com derrota das inexperientes forças romanas. Pouco depois,
em uma batalha maior (Batalha de Mylae), os romanos alcançaram sua primeira
vitória naval, sob o comando do cônsul Gaius Duilius, que passou a ser tido
como um herói em Roma.
Essa e as demais vitórias romanas na fase inicial da guerra se devem em grande parte a um novo dispositivo que passou a equipar os navios romanos: o corvus.
O corvus era uma espécie de ponte que os romanos prendiam nos navios inimigos ao se aproximar e assim tomavam o navio, utilizando sua superioridade no combate homem a homem. Com essa tática, Roma acabou com o domínio marítimo de Cartago, vencendo as batalhas de Sulci (258 a.C.) e Tyndaris (257 a.C.).
Em 256 a.C., uma grande força com cerca de 330 navios foi montada sob o comando dos cônsules Marcus Atilius Regulus e Lucius Manlius Vulso para invadir o Norte da África. Cartago, ciente desta ameaça, enviou sua frota para barrar o ataque. Os generais Hanno e Hamilcar (conhecidos por suas ações em Agrigento e Paropus) foram postos no comando da frota de Cartago. Quando essas duas forças se enfrentaram a sudeste da Sicília na Batalha do Cabo Ecnomo, na maior batalha naval da antiguidade, a frota romana saiu vitoriosa, podendo seguir para o ataque aos territórios de Cartago na África.
Combates na África
Após a batalha, grande parte da força romana voltou com Lucius
para Roma ou para a Sicília, deixando Regulus com 15 mil homens na África.
Regulus avançou atacando cidades menores. Cartago mandou um exército para
enfrentá-lo quando sitiava Adys. A batalha de Adys foi ganha pelos romanos,
o que fez com que Cartago tentasse um acordo de paz com os invasores. Entretanto
as condições impostas pelos romanos foram tão severas que o acordo não foi
concretizado.
Sem acordo, Cartago contratou o general mercenário espartano Xantipo para
organizar sua defesa contra as legiões romanas. Xantipo enfrentou Regulus
na Batalha de Tunis, onde os romanos sofreram pesada derrota.
As tempestades de 255 e 253 a.C.
Ao saber da derrota em Túnis, Roma enviou sua frota para resgatar os sobreviventes. Cartago tentou impedir, mas foi derrotada na batalha naval de Hermaeum.
Entretanto, no retorno à Sicília, uma tempestade destruiu a
maior parte dessa frota (quase 300 navios destruídos).
Devido à tragédia, Roma teve que construir uma nova frota rapidamente. Essa
frota foi mandada para Sicília onde conquistou a cidade de Panormus (atual
Palermo), a mais importante sob o domínio de Cartago.
Após a vitória, parte da frota foi para África onde atacou algumas cidades,
mas no retorno foi novamente surpreendida por tempestades, perdendo cerca
de 150 navios.
Cerco a Lilybaeum
Após alguns anos sem maiores batalhas, Cartago tentou reconquistar
Panormus (atual Palermo), mas foi derrotada. A vitória reanimou e encorajou
as forças de Roma, que tinha acabado de reconstruir sua frota. Roma cercou
por terra e por mar Lilybaeum (atual Marsala), a última cidade de Cartago
na Sicília. Cartago mandou reforços para a cidade, que sob comando de Himilco
vinha conseguindo se defender.
A frota de Cartago sob comando do almirante Aderbal se encontrava próxima
e apesar do cerco, vinha conseguindo enviar suprimentos para a cidade.
Para terminar com esse problema, o cônsul Publius Claudius Pulcher decide
atacar a frota inimiga de surpresa, mas o ataque a Drepana (atual Trapani)
é um fracasso completo, tornando a batalha de Drepana a maior derrota naval
dos romanos na guerra. Pouco depois, o resto da frota romana que não havia
participado da batalha foi destruída por tempestades enquanto tentava cercar
a frota de Aderbal. Depois disso, Cartago voltou a ter o domínio marítimo
na guerra e Roma ficou anos sem construir uma nova frota.
Em terra, o cerco a Marsala e à base naval de Trapani continuou, mas sem maiores
avanços.
Assustada com o rumo que a guerra estava tomando, Roma nomeia Aulus Atilius
Caiatinus para ditador.
Amílcar Barca
Em 247 a.C. Amílcar Barca, pai de Aníbal Barca, tornou-se comandante das forças de Cartago e começou a aproveitar o domínio marítimo para atacar cidades costeiras no Sul da Península Itálica. No mesmo ano, ele se estabeleceu com seu exército próximo de Panormus (atual Palermo), no meio do território inimigo. De lá, seus ataques a cidades italianas se estenderam até Cumae (atual Cumas) e graças a esses ataques ele conseguia suprimentos para suas tropas, visto que a essa altura da guerra a economia de Cartago e até mesmo de Roma já estavam bastante abaladas. Apesar dos constantes ataques seu exercito não apenas conseguiu se defender como avançou para Mt. Eryx (Monte San Giuliano).
A nova frota de Roma

Navio romano
Devido à dificuldade enfrentada na guerra em terra contra Amílcar,
Roma voltou a construir uma frota visando acabar com a chegada de suprimentos
por mar às tropas de Cartago na Sicília.
Como o Estado não tinha mais condições de bancar essa nova frota, ela foi
custeada pelos cidadãos ricos que se organizaram em pequenos grupos cada um
dos quais construindo um navio. Assim Roma, mesmo falida pela guerra que já
se estendia por mais de 20 anos, conseguiu uma nova frota de 200 navios.
Em 242 a.C., a nova frota foi mandada para as proximidades de Lylibaeum (atual
Marsala). Ao saber da inesperada força naval romana, Cartago mandou sua frota
com suprimentos esperando que chegasse à base de Amílcar, onde embarcaria
os experientes marinheiros sob seu comando. Entretanto a frota foi avistada,
o que resultou na batalha das Ilhas Aegates (Ilhas Égadi) ganha pelos romanos.
A cidade de Marsala acabou dominada, restando na Sicília apenas a base de
Amílcar, isolada e sem suprimentos que chegavam por mar.
Cartago, sem recursos para tentar qualquer manobra na guerra, aceitou a derrota
e, sob o comando de Amílcar, negociou um tratado de paz com Roma, pondo fim
à guerra.
Consequências
Roma ganhou a Primeira Guerra Púnica após 23 anos do conflito
e substituiu Cartago como o poder naval dominante do mediterrâneo. No fim
da guerra, ambos os estados estavam esgotados financeira e demograficamente.
Para determinar as fronteiras finais de seus territórios, fizeram uma linha
reta através do mediterrâneo. Espanha, Córsega, Sardenha e África permaneceram
com Cartago. Tudo ao norte dessa linha foi incorporado por Roma.
A vitória de Roma foi influenciada extremamente por sua recusa persistente
em admitir a derrota e aceitando somente a vitória total. Além disso, a habilidade
da república de atrair investimentos privados no esforço de guerra, usando
o patriotismo dos seus cidadãos para bancar navios e tripulação, foi um dos
fatores decisivos na guerra, principalmente quando comparado com o descaso
aparente da nobreza de Cartago em arriscar suas fortunas para o bem comum.
O fim da primeira guerra Púnica resultou também no nascimento oficial da marinha
romana, que no futuro proporcionou a expansão do Império Romano.
Termos de paz
Os termos da paz projetados pelos romanos eram particularmente pesados contra Cartago, que não estava em posição de negociar.
Foi imposto a Cartago:
Evacuar a Sicília;
Libertar seus prisioneiros de guerra sem resgate, mas pagar resgates para que os seus fossem libertados;
Não atacar Siracusa e aliados;
Transferir para Roma um grupo de pequenas ilhas ao Norte da Sicília;
Evacuar todas as pequenas ilhas entre a Sicília e a África;
Pagar uma indenização de 2200 talentos em dez prestações anuais, mais uma indenização adicional de 1000 talentos imediatamente.
Outras cláusulas determinavam que os aliados de cada lado não seriam atacados pelos do outro e ambos os lados foram proibidos de levantar tropas dentro do território do outro. Isto impedia Cartago de usar forças mercenárias romanas.
Perdas no conflito
O número de vítimas em cada lado é sempre difícil de determinar
precisamente, devido à parcialidade nas fontes históricas, dirigidas normalmente
para realçar o valor de Roma.
Entretanto, considerando que (excluindo vítimas da guerra terrestre):
Roma perdeu 700 navios (principalmente devido ao mau tempo e aos líderes incompetentes) e ao menos parte de suas tripulações;
Cartago perdeu 500 navios e ao menos parte de suas tripulações;
Cada navio tinha aproximadamente 100 homens.
Chega-se à conclusão que, embora incertas, as vítimas eram definitivamente pesadas para ambos os lados. O historiador Políbio comentou que a guerra foi, até então, o mais destrutivo em termos de vítimas na história das guerras, incluindo as batalhas de Alexandre, o Grande, o que pode dar uma idéia da dimensão do conflito. Olhando os dados do censo romano do século III a.C., Adrian Goldsworthy notou que durante o conflito Roma perdeu aproximadamente 50.000 cidadãos. Isto exclui tropas auxiliares e os homens no exército sem status de cidadão, que estariam de fora da contagem principal.
Cartago após a guerra
Após a guerra, Cartago não tinha praticamente nenhum dinheiro
e não pôde sequer pagar os exércitos mercenários mobiliados. Isto conduziu
a um conflito interno, a Revolta dos Mercenários, ganha após duro esforço
por Amílcar Barca.
Talvez o resultado político mais imediato da Primeira Guerra púnica tenha
sido a queda de Cartago como um poder naval principal. As condições assinadas
no tratado da paz comprometeram a situação econômica de Cartago e impediram
a recuperação da cidade. A indenização exigida pelos romanos causou uma tensão
adicional nas finanças, forçando a cidade a olhar para outras áreas de influência
para obter o dinheiro para pagar Roma. Isso resultou numa ocupação cada vez
mais agressiva nas colônias de Hispania (atual Espanha), o que mais tarde
causou a Segunda Guerra Púnica.
Uma comparação interessante pode ser feita com a política da Alemanha após
a derrota na Primeira Guerra Mundial. O tratado de Versalhes levou à crise
econômica e por consequência a Segunda Guerra Mundial.
Para Roma, o fim da Primeira guerra púnica marcou o começo da expansão além
da península Itálica. A Sicília transformou-se na primeira província romana
governada por um praetor, em vez de um aliado. A Sicília se tornaria muito
importante para Roma como uma fonte de cereais. Em 238 a.C. Roma anexou a
Sardenha como outra província e a Córsega como um território (ambos perdidos
por Cartago).
264 a.C. Os Mamertinos pedem ajuda a Roma e Cartago para lidar com os ataques de Hiero II de Siracusa. Ambas as cidades respondem ao pedido.
263 a.C.- Hiero II é derrotado pelo consul Manius Valerius Messalla; Siracusa torna-se aliada de Roma.
262 a.C.- Começa a intervenção romana contra a ocupação cartaginense da Sicília; início do cerco de Agrigentum.
261 a.C.- Batalha de Agrigentum, que resulta numa vitória de Roma; os romanos decidem construir uma marinha de guerra para ameaçar o poderio naval de Cartago.
260 a.C. O primeiro encontro nos mares (Batalha de Lipari) é um desastre para Roma; pouco depois, o consul Gaius Duilius ganha a batalha de Mylae e torna-se num herói nacional.
259 a.C. A guerra em terra estende-se à Sardenha e Córsega.
258 a.C. Batalha naval de Sulci: vitória romana
257 a.C. Batalha naval de Tyndaris: vitória romana
256 a.C. Roma tenta invadir o território de Cartago no Norte de África. A marinha cartaginense tenta intersectar a frota de transportes mas é derrotada na batalha de Ecnomus. As tropas romanas desembarcam e conseguem uma primeira vitória na batalha de Adys. Desenrolam-se negociações de paz, que resultam infrutíferas. A guerra continua.
255 a.C. Cartago contrata o general Espartano Xanthippus para organizar a defesa da cidade; o general é bem sucedido e derrota os romanos na batalha de Tunes. Os sobreviventes são evacuados para Roma, mas a frota onde são transportados é destruída por uma tempestade.
254 a.C. Roma constrói nova frota de 140 navios de guerra.
253 a.C. Os romanos organizam vários raides a cidades cartaginenses em África. Depois de um sucesso moderado, regressam a casa e a frota é novamente destruída pelas condições metereológicas.
251 a.C. Início do cerco de Lilybaeum.
249 a.C. Cartago vence a batalha de Drepana (a sua única vitória naval) e põe fim ao cerco de Lilybaeum. No mesmo ano Amílcar Barca consegue importantes vitórias na Sicília. Roma nomeia um ditador para lidar com a situação, que será Aulus Atilius Caiatinus.
248-242 a.C. Combates esporádicos na Sicília; Roma constrói nova frota em 242.
241 a.C. A 10 de Março ocorre a batalha das Ilhas Aegates; a vitória romana é decisiva e põe fim ao conflito, obrigando Cartago a aceitar condições de paz.
Referências
Grandes Impérios e Civilizações: Roma - Legado de um império. 1 ed. Madri: Ediciones del Prado, 1996. 112 p. p. 2 vol. vol. 1
Fonte: pt.wikipedia.org