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República Romana

A crise da República Romana

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A crise da República Romana teve início quando o senado romano passou a ter seu poder desafiado pelo poderio militar de alguns generais.

A partir de 238 a.C., Roma passou a ter províncias, sendo a primeira delas Córsega e Sardenha, seguida pela Sicília, em 241 a.C. Além disso, o aumento do território e da duração temporal das guerras de conquista obrigou o senado romano a criar o pro-rogatio, que era a prorrogação do tempo do mandato do procônsul ou do pró-pretor provincial, que era o funcionário da administração central incumbido de governar a nova província.

Com isso, a influência e o poder se concentraram nas mãos de alguns generais, o que lhes permitiu desafiar a tradicional classe senatorial.

Um dos melhores exemplos deste tipo de processo foi o general Caio Mário, que mesmo sendo rejeitado pelo senado para comandar a expedição ao norte da África com o intuito de solucionar a guerra contra Jugurta, foi enviado com o aval que a decisão popular lhe deu. Isso ilustra um exemplo de como os generais poderiam aliciar militantes a seu favor, mesmo quando o senado decidia contra eles.

Pode-se afirmar que um dos momentos mais críticos da República Romana até o primeiro triunvirato teria sido a ditadura de Lúcio Cornélio Sula, que chegou a marchar com seu exército sobre Roma. Desde o fim das Guerras Púnicas, o cargo de ditador romano havia sido abolido por ser considerado perigoso conceder a um único homem tanto poder. Porém, o cargo foi reintroduzido em 81 a.C. por Sula, no fim da guerra civil com a facção de Caio Mário.

Neste período turbulento, floresceu um dos mais importantes filósofos e políticos de toda a História de Roma: Marco Túlio Cícero. Cícero foi um dos grandes defensores da República e escreveu tanto tratados políticos quanto filosóficos.

Além da reimplantação da ditadura em Roma, houve outros motivos para o colapso da República Romana, entre eles o fracasso dos irmãos Gracos ao tentar realizar uma reforma agrária; guerras civis e revoltas populares; movimentos separatistas e insurreições de escravos. Podemos salientar também, que a estrutura política da República era inadequada ao Império.

Primeiro triunvirato

Em 60 a.C., os três mais poderosos generais de Roma, Júlio César (o favorito da plebe), Pompeu (que triunfara na Hispânia) e Crasso (o homem mais rico de Roma), firmaram um acordo tácito denominado triunvirato (governo de três pessoas), para dividir o governo.

A palavra triunvirato originou-se a partir de dois radicais do latim: trium- (três) e vir (homem).

Com a ajuda de Crasso e Pompeu, César elegeu-se cônsul e tornou-se encarregado da execução das medidas propostas pelos três. Distribuiu terras da Campânia para os soldados de Pompeu; apoiou os partidários de Crasso na expulsão de Cícero, senador inimigo de Crasso e contrário às reformas político-sociais em Roma. Também fez com que as soluções administrativas adotadas por Pompeu em suas conquistas no Oriente fossem confirmadas pela Assembleia Popular.

Para si, garantiu o domínio das Gálias Cisalpina e Transalpina, onde iria buscar glória militar na luta contra as tribos rebeladas e riquezas para pagar seus credores em Roma e sustentar suas ambições políticas.

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As Guerras da Gália duraram quase oito anos. Vercingetórix, herói gaulês que resistiu a César, foi preso e enviado a Roma; depois de definhar na prisão Mamertina, foi degolado. Toda a Gália foi então subjugada. Graças às vitórias e pilhagens, César conquistou a reputação militar, fortuna e glória que lhe faltavam para igualar-se a Crasso e Pompeu.

Crasso, célebre pela luta na Terceira Guerra Servil contra Espártaco e pela fabulosa fortuna que acumulou, foi nomeado governador da Síria. Logo após a vitória contra Espártaco, numa entrevista com o general dos Partos, que ele deveria combater, foi assassinado.

Nessa fase de acirrada disputa política, os soldados mantinham-se fiéis a seus generais, em função dos interesses clientelísticos que estes pudessem lhes garantir.

Durante as Guerras Gálicas, César procurou manter o triunvirato. Após a morte de Crasso, César e Pompeu passaram a disputar o poder.

O senado, temendo as ambições de César e seu controle absoluto sobre o experiente exército da Gália, procurou se aproximar de Pompeu, julgado mais cordato aos interesses dos senadores. Pompeu, grande general, considerado o mais ilustre cidadão de Roma desde a morte de Lúcio Cornélio Sula, em 54 a.C., exigiu de César o licenciamento do exército e a demissão do governo das Gálias.

A candidatura de César ao consulado foi barrada pelo senado. A tradição romana não permitia que um general vitorioso entrasse na cidade acompanhado de seu exército, o que era uma forma de impedir que os militares pudessem sobrepor-se ao poder senatorial. Quando se dirigiam para a capital, os generais dispersavam suas tropas.

César, no entanto, desconfiava das intenções do senado e sabia que se licenciasse suas tropas perderia seu poder de barganha e teria suas pretensões políticas frustradas. Em 49 a.C., atravessou com suas legiões o rio Rubicão (que separava a Itália da Gália Cisalpina), limite de sua jurisdição, e disse a famosa frase:

Alea jacta est ("a sorte está lançada") — Júlio César

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Quando soube que César havia atravessado o Rubicão com as tropas, Pompeu abandonou Roma. César invadiu a Itália e marchou sobre Roma.

Tempos depois, as tropas de César venceram Pompeu na Batalha de Farsalos. Vencido, Pompeu fugiu para o Egito, onde foi assassinado pelos ministros do faraó Ptolomeu XII. César desembarcou no Egito, onde havia uma disputa pelo poder, e recebeu a cabeça de Pompeu. Conquistou o país e depôs Ptolomeu, colocando em seu lugar Cleópatra (que era irmã do faraó). Incendiou a Biblioteca de Alexandria. César permaneceu nove meses ao lado da rainha Cleópatra antes de deixar o Egito, em 47 a.C.

Em 47 a.C., César dominou regiões da Ásia que se mantinham fiéis aos seguidores de Pompeu.

Ao vencer os Farnaces perto de Zela, anunciou sua fácil vitória com a célebre frase:

veni, vidi, vici! ("vim, vi e venci!") — Júlio César

Na Batalha de Tapso, na África, César derrotou os partidários de Pompeu. É nomeado ditador por dez anos. Na Batalha de Munda, na Hispânia, César derrotou os filhos de Pompeu. Foi então nomeado ditador vitalício.

A ditadura de Júlio César

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Júlio César, finalmente instaurado no poder exclusivamente, reformou o senado romano, aumentando o número de senadores de sua orientação política. Além disso, aumentou o número de magistraturas, assentou seus veteranos de guerra em colônias fundadas por ele próprio.

O senado, agora todo a seu favor, o elegeu pontífice máximo, áugure e pai da pátria. Além disso, para obter o apoio popular, César deu parte do espólio das novas conquistas para serem divididas entre os plebeus.

No entanto, o grupo opositor de César o assassinou durante sessão do senado, nas próprias escadarias do edifício. Logo após o assassinato, o senado extinguiu a ditadura do grupo de magistraturas romanas. Marco Antônio, um dos aliados de César agitou manifestações populares durante seu funeral, o que assustou os opositores de César.

Com isso, mesmo com a morte de César, o senado foi obrigado a ratificar as medidas implementadas pelo ditador e Marco Antônio se tornou um dos mais influentes senadores, dado o seu poder junto ao povo, tendo o senado que aprovar todas as medidas por ele propostas.

Segundo triunvirato

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O segundo triunvirato consistiu num acordo menos tácito do que o primeiro, já que os três generais dividiam oficialmente o território romano, cada qual com a parte sob sua jurisdição. O segundo triunvirato foi composto por Marco Antônio, Otaviano e Lépido.

Quando César morreu, deixou um testamento no qual prometeu a distribuição de terras à plebe e aos veteranos de guerra. Além disso, no testamento continha o seu sucessor, seu sobrinho Otaviano.

Como o senado havia permitido a César utilizar o nome Imperator antes de seu próprio nome e sendo este título hereditário, Otaviano foi a Roma reivindicar sua herança com o nome de Imperator Caesar Caius Otavianus. O jovem Otaviano organizou legiões e entrou para o senado como pretor.

No senado, Otaviano se uniu a Marco Antônio e a Lépido (o então pontifex maximus) a fim de vingar a morte do tio, caçando todos os conspiradores da morte de César, tais como Brutus e Pompeu Crasso. Todas as guerras empreendidas por Otaviano foram muito bem narradas por Suetônio em sua obra Vida dos doze Césares.

O território romano foi dividido entre os três senadores, mas a parte correspondente a Lépido foi logo anexada por Otaviano.

A Marco Antônio coube a parte oriental da república , bem como as províncias do Oriente Médio. No entanto, Marco Antônio redigiu, no Egito, para onde se mudou, um testamento no qual deixaria as províncias a seus filhos com Cleópatra quando morresse.

Este testamento foi usado por Otaviano para acusá-lo perante o senado de ter sido manipulado por Cleópatra a deixar parte do território nas mãos do império egípcio. O senado, por sua vez, deu autorização a Otaviano para perseguir Marco Antônio, que se suicidou juntamente com Cleópatra, em 30 a.C. Desta forma, Otaviano se consolidou sozinho no poder e transformou o Egito em mais uma província romana.

O governo de Otaviano

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Em 27 a.C., Otaviano recebeu o título de augusto e o de pontifex maximus em 12 a.C. Otaviano então declarou o fim das guerras civis e devolveu o poder ao senado. No entanto, recebeu o título de princeps, ou seja, de primeiro cidadão.

Mesmo depois de ter recebido várias recusas de outros títulos por parte de Otaviano, conhecido a partir de então como "augusto", tais como o de ditador e o de cônsul vitalício, o senado concedeu-lhe o poder de imperium vitalício. Este último cedia a Augusto o controle sobre todas as tropas (legiões) existentes na República, elevando-o ao posto de imperador, apesar de as instituições republicanas romanas continuarem existindo.

Assim, Augusto tornou-se o homem mais poderoso do Império, mas o senado figurava como depositário deste poder por ele foi concedido é renovado todos os anos.

Com o poder todo concentrado em suas mãos, Augusto deu início a um novo período da História de Roma conhecido como Império Romano, em 27 a.C. Augusto se manteve como imperador de Roma até sua morte em 14 d.C.

Referências

Grandes Impérios e Civilizações: Roma - Legado de um império. 1 ed. Madri: Ediciones del Prado, 1996. 112 p. p. 2 vol. vol. 1.
HAVELL, H.L.. Ancient Rome: the republic. 1 ed. New Kanark - Escócia: Geddes & Grosset, 2003. 544 p. 1 vol. vol. 1

Fonte: pt.wikipedia.org

 

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