Facebook do Portal São Francisco Google+
+ circle
Home  República Romana  Voltar

República Romana

República Romana

Essencialmente aristocrática, a República (509 a.C.-27 a.C.) tem o Senado como órgão supremo de governo. Os senadores, vitalícios, supervisionam as finanças públicas, dirigem a política externa e administram as províncias. As funções executivas são distribuídas entre os membros da Magistratura, como os cônsules e os tribunos da plebe. Os tribunos surgem ao longo do período da República em conseqüência da luta dos plebeus por direitos políticos. Entre suas conquistas destaca-se a Lei das Doze Tábuas (451 a.C.- 449 a.C.). Até então transmitidas por via oral e totalmente manipuladas pelos patrícios, as leis passam a ser escritas e públicas.

As magistraturas: Nos primeiros séculos as magistraturas eram cargos que só podiam ser exercidos pelos patrícios.

Havia sempre dois magistrados para cada cargo. Os magistrados eram eleitos pela Assembléia Centuriata.

República Romana

Os principais Magistrados eram:

Cônsules: exerciam o poder executivo, eram eleitos para o mandato de um ano, propunham as leis e presidiam as Assembléias e o Senado;

Pretores: responsáveis pela aplicação da justiça;

Cesores: vigiavam a conduta moral do cidadão e faziam o recenseamento da população;

Questores: administravam o dinheiro público;

Edis: encarregados da conservação pública do policiamento e do abastecimento da cidade;

Tribunos da Plebe: magistraturas que surgiram em conseqüências das lutas plebéias por reformas sociais. Podiam vetar as leis consideradas lesivas aos interesses da plebe.

Expansionismo

A partir de 510 a.C., Roma dedica-se à conquista de toda a península Itálica . Em 264 a.C., o interesse pelo domínio da Sicília coloca Roma em conflito com Cartago, dando início às Guerras Púnicas (264 a.C.-201 a.C.), das quais sai vencedora. De 200 a.C. até o fim do Império Romano do Ocidente, em 476, atravessa seis séculos de contínua expansão territorial. Os romanos conquistam a Macedônia e a Grécia, a Ásia Menor, o Egito, a Cirenaica (atual Líbia), a península Ibérica, a Gália (França), a Germânia (Alemanha), a Ilíria (Albânia), a Trácia, a Síria e a Palestina. As numerosas conquistas afetam a estrutura e o modo de vida dos romanos. Roma deixa de ser agrária e torna-se mercantil, urbana e luxuosa. O Exército vira uma instituição poderosa e o escravismo passa a ser o modo de produção dominante.

Guerras Púnicas

Três guerras travadas entre Roma e Cartago pela hegemonia do comércio no Mediterrâneo em um conflito que se estende por mais de cem anos, de 264 a.C. a 146 a.C. O termo púnico, do latim punicus, vem da palavra poeni, nome que os romanos davam aos cartagineses, os descendentes dos fenícios (em latim, phoenician). As guerras terminam com a destruição da cidade fenícia de Cartago e a venda dos sobreviventes como escravos. No início das guerras, Roma domina a península Itálica, enquanto a cidade fenícia de Cartago domina a rota marítima para a costa ocidental africana, assim como para a Bretanha e Noruega.

Na I Guerra Púnica, que dura de 264 a.C. a 241 a.C., Roma e Cartago são chamadas para ajudar a cidade de Messina, na ilha de Sicília, ameaçada por Hiero II, rei de Siracusa. Os romanos, para expulsar os cartagineses da ilha, provocam a guerra e saem vitoriosos. Sicília, Sardenha e Córsega são anexadas ao domínio de Roma, e os cartagineses têm restringida sua influência ao norte da África.

A II Guerra Púnica (218 a.C.-201 a.C.) começa na, onde Cartago amplia seu poder para compensar a perda da Sicília.

Comandadas por Aníbal as tropas cartaginesas tomam Saguntum, cidade espanhola aliada de Roma: é a declaração de guerra. Com 50 mil homens, 9 mil cavalos e 37 elefantes, Aníbal, estrategista genial, atravessa os Pireneus e conquista cidades no norte da Itália. Durante essa campanha fica cego de um olho e perde metade de seus homens. Mesmo assim chega às portas de Roma. A falta de reforços e o cerco de Cartago pelas forças romanas sob o comando de Cipião, o Africano (235 a.C.-183 a.C.), obrigam Aníbal a voltar para defendê-la. Vencido, refugia-se na Ásia Menor, onde se envenena para não ser preso pelos romanos.

A paz custa caro aos cartagineses: entregam a Espanha e sua esquadra naval, comprometendo-se ainda a pagar por 50 anos pesada indenização de guerra a Roma.

A III Guerra Púnica tem início em 149 a.C. É fomentada pelo persistente sucesso comercial dos cartagineses, apesar da sua diminuída importância política. Uma menor violação dos tratados de paz serve de pretexto para a terceira guerra. Roma destrói Cartago em 146 a.C. e vende 40 mil sobreviventes como escravos. A antiga potência fenícia é reduzida a província romana na África.

As lutas civis

O regime aristocrático de governo predominante durante o período republicano foi incapaz de administrar o imenso território conquistado pelo exército romano.

O senado continuava exercendo o monopólio sobre as principais decisões políticas, excluindo do poder a grande massa de habitantes das províncias. A passagem do regime republicano ao imperial foi marcada, portando, por uma série crise econômica e social proveniente do próprio movimento expansionista.

As disputas pelo poder político em Roma tiveram início com as propostas de reforma apresentadas pelos irmãos Tibério e Caio Graco, eleitos tribunos da plebe em 133 e 123 a.C., respectivamente. Tibério apresentou uma ousada proposta de reforma agrária, causando uma forte reação por parte da aristocracia patrícia, que mandou assassiná-lo juntamente com muitos de seus seguidores. Caio Graco, inspirado na concepção de democracia ateniense, procurou transferir as decisões políticas da esfera exclusiva do senado para a Assembléia popular. Seu destino, no entanto, não foi muito diferente do de seu irmão, pois uma nova repressão aristocrática pôs fim às idéias reformistas, levando-o a cometer suicídio.

O conflito entre os anseios da camada popular e dos membros da aristocracia prossegue. Após a morte dos irmãos Graco, a disputa entre Mário - cônsul da República, chefe do partido popular - e Sila - representante do senado - expressava a intensificação das lutas políticas. Mais uma vez, na história da política republicana, predominava a força da elite conservadora e Sila tornou-se ditador da República.


Durante o governo de Sila, a aristocracia consolidava seu poder, a medida que o ditador limitava o poder dos tribunos da plebe. Os plebeus responderam prontamente através de uma nova revolta, desta feita liderada por Catilina, senador de grande prestígio popular, o qual representava os interesses desta camada social. No entanto, o orador Cícero (cônsul da República) através de inflamados discursos denunciou a conspiração de Catilina, acusando-o de tentar um golpe de estado e transformando-o em inimigo de Roma.

Os triunviratos

Diante do grave quadro de crise política, três líderes populares, Pompeu, Crasso e Júlio César, impuseram-se diante do senado estabelecendo um acordo político (60 a.C.) o Primeiro Triunvirato. Após a morte de um dos triúnviros, Crasso, em 53 a.C., os outros dois Pompeu e Júlio César, lutaram pelo exercício do poder pessoal. Contando com o apoio popular (possuía muito prestígio junto à Plebe), César venceu Pompeu e tornou-se ditador da república romana.

César possuía plenos poderes, e seu governo indicava uma forte tendência à monarquia. No sentido de atender aos anseios da plebe, realizou um conjunto de reformas sociais ferindo os interesses da classe dominante. Ele procurou unificar o mundo romano ampliando o direito à cidadania romana aos habitantes das províncias; promoveu a fundação de várias colônias fora da Itália; reformou o calendário romano utilizando seu nome para designar o sétimo mês (daí a denominação Julho); organizou as finanças públicas, proibindo o abuso do luxo, e construiu diversas obras públicas (estradas em todos os domínios do Império, melhorias em Roma, drenagens dos pântanos, etc.). Dentre as novas leis que atingiam diretamente os privilégios da aristocracia, devemos destacar a obrigação de os proprietários empregarem pelo menos um terço dos homens livres em suas terras e a introdução de cidadãos estrangeiros no senado.

A aristocracia romana, despojada de muitos de seus privilégios e temendo que César concentrasse o poder em suas mãos, tornando-se imperador, resolveu assassiná-lo, procurando restaurar o regime republicano. Contudo, a morte de Júlio César revolto a camada popular, tornando ainda mais acirrada a disputa entre os defensores de um governo pessoal e absoluto e aqueles que defendiam a restauração da republica. Os responsáveis pelo assassinato de César - os republicanos Cássio e Brutus - tentaram tomar o poder, mas foram impedidos por Marco Antônio, importante líder "cesarista" que instigava a massa plebéia contra o senado, evitando a conspiração restauradora.

Nesse contexto, formou-se o segundo triunvirato, composto por Marco Antônio, Lépido e Otávio, que dividem o governo das províncias entre si: Marco Antônio comandaria o Oriente; Otávio, o ocidente; e Lépido, a África. No entanto, a rivalidade entre os triúnviros logo provoca a passagem da ditadura coletiva para a ditadura pessoal e, consequentemente, desta para a instauração da Monarquia. Lépido é afastado pelas forças de Otávio, rompendo o equilíbrio do poder e gerando o confronto com Marco Antônio. Este rompeu definitivamente com Otávio e, ao se aliar com Cleópatra no Egito, fortaleceu sua base militar no Oriente.

Otávio, visando tomar o Egito, fortalece seu exército e inicia uma campanha para derrotar Marco Antônio. Durante a batalha Naval de Cio, 31 a.C., Otávio consegue finalmente afastar o último dos seus oponentes, tornando-se senhor absoluto de Roma.

Otávio manteve as instituições republicanas, mas reduziu o poder do senado e das Magistraturas. Desta forma, Otávio consolida seu poder pessoal sobre o estado e, ao receber do senado o título de Augusto (significa sagrado, divino), torna-se definitivamente o primeiro imperador romano em 27 a.C.

Fonte: www.geocities.com

República Romana

No século VIII a.C., duas grandes civilizações haviam lançado suas bases na península itálica: nas terras onde posteriormente se localizaria a Toscana, as avançadas Cidades Etruscas se aproximavam do auge de seu esplendor; no Sul da Península e na Sicília, a chamada Magna Grécia implantava uma cultura semelhante à da Hélade, em cidades como Tarento e Siracusa.

De acordo com as fontes tradicionais, sete reis governaram Roma ao longo de dois séculos e meio, período durante o qual o território dominado pelos romanos passou por uma paulatina expansão. Os quatro primeiros monarcas, Romulus, que segundo a lenda, descendia do herói troiano Enéias e foi amamentado, junto com seu irmão Remus, por uma loba, que se converteu no símbolo da cidade, Numa Pompilius, Tulus Hostilius e Ancus Március, parecem ser totalmente lendários, e acredita-se que tanto seus nomes quanto seus feitos foram imaginados e narrados muitos séculos após a fundação da cidade.

Os três últimos soberanos foram os etruscos Tarquinius o Velho, Servius Tulius e Tarquinius o Soberbo, de existência mais documentada, cujos governos se estenderam pela maior parte do século VI. Nos primeiros tempos da república, só os membros das famílias mais poderosas habilitavam-se a participar do governo da cidade. Seu poder era exercido pelo Senado, uma assembléia integrada pelos chefes das principais famílias, que exerciam o cargo a título vitalício.

As tensões entre patrícios e plebeus fizeram com que estes últimos recorressem, por duas vezes, a movimentos de secessão, mediante a retirada para fora dos muros de Roma e a recusa de cumprir obrigações militares. Obrigado a aceitar suas condições, o Senado acabou por autorizar a criação de assembléias de plebeus. Por volta de 450 a.C., o direito consuetudinário romano foi codificado pelos Decênviros (magistrados especialmente designados para essa missão) e promulgada a Lei das Doze Tábuas, embrião do vasto corpo jurídico que Roma legou ao mundo e que haveria de constituir a base dos sistemas jurídicos modernos.

A Roma monárquica havia integrado uma federação de cidades latinas. Quando caíram os reis etruscos, as populações vizinhas deram início a um movimento para exigir maior autonomia, o que obrigou Roma a intensificar suas ações militares até reconstruir a antiga Liga Latina, dessa vez sob seu predomínio. Ao longo do século V, Roma dominou diversos povos.

A vizinha cidade etrusca de Veios, principal rival de Roma, foi destruída em 396 a.C., ao fim de dez anos de guerra. No início do século IV, povos celtas procedentes da planície da Europa central invadiram o norte da Itália e venceram os etruscos.

Prosseguindo seu avanço pela península, chocaram-se com as forças romanas junto ao Rio Ália e as derrotaram em 390 a.C. Os celtas apoderaram-se então de Roma e a incendiaram ao abandoná-la, depois de reunir um grande saque. Roma se recuperou rapidamente e em poucos anos se transformou na maior potência da Itália central, ao mesmo tempo que as cidades etruscas entravam em decadência, vítimas dos constantes ataques gauleses, que contribuíram para arruinar sua civilização. A cidade de Cápua, situada na Campânia, a sudeste de Roma, solicitou sem êxito a ajuda dos romanos para enfrentar os samnitas, seus inimigos. A poderosa comunidade samnita infiltrada em Roma - que se transformava numa metrópole para a qual acorriam imigrantes das mais diversas etnias - conseguiu que a cidade de Roma se voltasse contra Cápua. Depois que esta foi derrotada, os samnitas deram início a uma série de guerras contra seus vizinhos, o que acabou por lhe valer o domínio da Itália.

A segunda guerra samnita, em que as forças romanas foram vencidas, terminou em 321 a.C. com a chamada Paz Caudina, uma alusão ao humilhante desfile a que foram obrigados os romanos derrotados pelo desfiladeiro samnita de Caudinae Forculae. Entretanto, na terceira guerra samnita, de 298 a 290 a.C., as forças romanas conseguiram a esmagadora vitória de Sentino, contra uma coligação formada por seus principais inimigos. Todo o centro da Itália caiu então sob o poderio de Roma.

O expansionismo de Roma, já convertida em grande potência, voltou-se para as ricas cidades gregas do sul da península. A poderosa Tarento caiu em suas mãos em 271 a.C. e logo toda a península itálica tornou-se romana. Roma submetia as cidades dominadas a regimes jurídicos diversos. Basicamente, respeitou as instituições governamentais de cada uma delas e executou uma hábil política, concedendo, em alguns casos, a cidadania romana a seus habitantes, embora sem direitos políticos na metrópole.

O resultado foi a conquista de um vasto território em que a ordem jurídica se encontrava uniformizada e garantida, o que permitiu o incremento das relações comerciais e a manutenção de um poderoso exército. Logo foram construídas as primeiras grandes vias de comunicação terrestre e estabelecido o domínio marítimo da costa da península. Cidadãos romanos estabeleceram colônias, primeiro no Lácio e depois no resto da península itálica, o que contribuiu para a integração do território. Em meados do século III, Roma - senhora da península itálica - empreendeu a expansão que a tornaria dona do Mediterrâneo.

Para isso, era inevitável o confronto com um poderoso inimigo: Cartago. A cidade norte-africana dominava um extenso império comercial que incluía, além das costas africanas, o sul da península ibérica, a Córsega, a Sardenha e a maior parte da Sicília. Todas as três ilhas caíram em poder dos romanos após a Primeira Guerra Púnica, de 264 a 241 a.C.

Mais tarde, Roma deu início à colonização do Vale do Pó e se impôs aos gauleses, os quais ali se estabeleceram no século IV. Também as costas orientais do Mar Adriático caíram sob a influência romana em conseqüência das campanhas empreendidas contra os piratas que tinham suas bases no litoral de Ilíria. Uma nova guerra com Cartago - a Segunda Guerra Púnica - começou em 218 a.C. Quando chegou ao fim, em 201 a.C., a cidade africana havia deixado de ser uma potência rival, e grande parte da península ibérica caiu, com suas riquezas minerais, em poder de Roma. A Terceira Guerra Púnica, de 149 a 146 a.C., terminou com a destruição definitiva de Cartago e com a incorporação a Roma dos restos de seu império.

Ao mesmo tempo em que estabelecia seu domínio sobre o Mediterrâneo ocidental, Roma empreendeu a expansão pela zona oriental. A intervenção na Macedônia e Grécia teve início na época da segunda guerra púnica, mas a Macedônia só se tornou província romana em 148 a.C. Dois anos mais tarde, a destruição de Corinto punha fim às aspirações de independência dos gregos.

Em 133 a.C., Átalo III, rei de Pérgamo, legou seu reino a Roma, com o que os domínios da cidade chegaram pela primeira vez à Ásia. Somente no início do século I a.C. Roma reiniciou sua expansão pela Anatólia, Síria e Judéia. A partir do ano de 125 a.C., com os ataques de Címbrios e Teutões à recém-organizada província Gália Narbonense, atual sul da França, teve início a ocupação romana com o objetivo de estabelecer uma via de comunicação terrestre entre a Itália e os domínios ibéricos. Esses povos, procedentes da Jutlândia, desceram pela Europa central até chocar-se com as legiões romanas, que foram por elas derrotadas em Orange, no ano 105 a.C.

Ante a lembrança da antiga invasão gaulesa, Roma reuniu todas as suas forças e o cônsul Caius Marius conseguiu obrigar os invasores nórdicos a retroceder, rechaçando os címbrios e teutões da Gália no período entre 105 a 101 a.C. Depois que Roma se tornou centro de um grande território, os habitantes da cidade, que nos primeiros tempos da república constituíam um povo sóbrio, guerreiro e trabalhador, começaram a desfrutar as imensas riquezas acumuladas. Desapareceu o serviço militar como direito e dever do cidadão. As legiões começaram então a ser formadas com mercenários procedentes de toda a Itália e, mais tarde, de todas as regiões dominadas, o que provocou uma grande mistura de etnias e costumes.

A Grécia foi saqueada e seus tesouros artísticos enviados a Roma. As classes altas, a começar por algumas famílias como a dos Cipiões, assimilaram a Cultura Helênica, que foi protegida e imitada. Os prisioneiros de guerra constituíram um imenso exército de escravos, cujo trabalho barato nas grandes propriedades e nas manufaturas arruinou os camponeses e os artesãos livres da península itálica. O sistema econômico, muito monetarizado, permitiu notável acúmulo de capital. Os grandes comerciantes e banqueiros romanos pertenciam em geral à classe dos cavaleiros (equites), intermediária entre as grandes famílias que dividiam as cadeiras do Senado e as classes baixas.

O proletariado romano transformou-se numa classe ociosa que vivia miseravelmente das subvenções e distribuições de alimentos, freqüentava as termas e era entretida com jogos públicos e circo. A própria Roma tornou-se uma grande cidade parasita, que importava grande quantidade de mercadorias de luxo e especiarias orientais, trigo da Sicília e do norte da África, azeite da Espanha e escravos de todo o imenso território colonial. O velho sistema político republicano, edificado por e para uma cidadania identificada com sua cidade, era cada vez menos capaz de funcionar numa sociedade enriquecida que perdera seus ideais. Teve início assim um longo período de instabilidade interna que só cessou quando a velha república romana se transformou em império.

As últimas décadas do século II registraram lutas sociais que tiveram como protagonistas os irmãos Tiberius e Caius Gracus, eleitos tribunos da plebe. Já não se tratava, como no início da república, da reivindicação de igualdade de direitos por parte dos plebeus, mas do protesto do povo, reduzido à miséria, contra os ricos e, muito especialmente, contra a nobreza senatorial, proprietária da maior parte das terras da Itália. Mais tarde, generais vitoriosos como Marius, vencedor dos címbrios e teutões, e Sulla, pacificador da Itália, aproveitaram o poderio de seus exércitos e sua popularidade entre o povo para tentar apoderar-se do estado romano.

O Senado, temeroso de sua influência, interveio mais ou menos abertamente contra eles. As classes altas tentavam consolidar as instituições republicanas, enquanto o povo desejava, com determinação cada vez maior, um governante único. Por outro lado, as possessões orientais, cuja influência no mundo romano era considerável, careciam de tradição republicana e seus habitantes consideravam natural o fato de serem governados por autocratas divinizados.


A guerra social eclodiu na Itália quando os habitantes da península exigiram a cidadania romana para terem acesso à distribuição das terras públicas. Em 91 a.C., estendeu-se pela península uma verdadeira guerra civil que só terminou quando, ao fim de três anos, foi concedida a cidadania romana a todos os italianos. No ano 88 a.C. rebentou na Anatólia uma rebelião contra o poder de Roma. O Senado confiou o comando do exército, encarregado de reprimi-la, a Lucius Cornelius Sulla, mas a plebe romana o destituiu e colocou Marius em seu lugar, o vencedor dos invasores bárbaros, que simpatizava com o partido popular.

À frente das tropas expedicionárias, Sulla tomou Roma, desterrou Marius e restabeleceu o poder senatorial. Quando Sulla retomou o caminho da Ásia, os partidários de Marius aproveitaram-se de seu afastamento para se apoderar mais uma vez da capital. Após restabelecer a autoridade de Roma no Oriente, Sulla voltou à metrópole. Os partidários de Marius foram derrotados em 82 a.C. e se estabeleceu em Roma um regime ditatorial. No poder, Sulla fortaleceu a posição das classes altas e limitou as atribuições dos tribunos da plebe, que foram privados do direito de veto, de convocação do Senado e de apresentação de projetos de lei à assembléia sem autorização senatorial. Sulla deixou voluntariamente o poder em 79 a.C., pouco antes de sua morte. Em 73 a.C. eclodiu uma rebelião de escravos liderados pelo gladiador Espartacus. Durante dois anos, um grande contingente de escravos rebeldes colocou em perigo as próprias bases da república romana, até que foram exterminados pelo exército, sob o comando de Cnaeus Pompeius Magnus.

O mesmo cônsul conseguiu a vitória na luta contra os piratas e nas guerras do Oriente, o que lhe permitiu voltar triunfalmente a Roma. O Senado, temeroso de seu prestígio, desautorizou seu trabalho legislativo no Oriente e sua promessa de distribuir terras aos veteranos da guerra. Em represália, Pompeius se aliou a dois outros líderes poderosos, Caius Julius Caesar e Marcus Licinius Crassus, para enfrentar a nobreza senatorial.


O Primeiro Triunvirato, estabelecido em 60 a.C., manteve o equilíbrio de poder durante vários anos, ao longo dos quais Julius Caesar promoveu a conquista das Gálias e expedições além do Reno e do Canal da Mancha. O Senado procurou o apoio de Pompeius, em 52 a.C., para destruir o crescente poder de Julius Caesar. Eclodiu então uma guerra civil e os partidários de Pompeius foram derrotados em todas as regiões do mundo romano. Julius Caesar fez-se nomear ditador perpétuo e assumiu plenos poderes. Em pouco tempo, modificou a legislação romana, o censo de cidadãos e o calendário. A 15 de março de 44 a.C., foi assassinado por um grupo de senadores.

O Senado tentou recuperar seu antigo poder, mas a revolta do povo romano após os funerais do ditador desencadeou novo período de lutas civis e repressão. Em 43 a.C., constituiu-se um Segundo Triunvirato, integrado por Marcus Antonius, Marcus Aemilius Lepidus e Caius Octavius Thurinus (chamado depois Augustus), que o Senado foi obrigado a reconhecer.

Os triúnviros dividiram os domínios de Roma, mas nem por isso cessaram as lutas internas. Lepidus foi neutralizado, Otavius ocupou habilmente o poder no Ocidente e Marcus Antonius, impopular em Roma devido a seu comportamento de déspota oriental, foi derrotado em Actium (Áccio) em 31 a.C. Com sua morte, Otavius tornou-se o único senhor de Roma. A queda de Alexandria e o suicídio da rainha Cleopatra - aliada de Marcus Antonius - deixaram o Egito em mãos de Otavius, que o incorporou a Roma como patrimônio pessoal.

Fonte: www.nomismatike.hpg.ig.com.br

 

voltar 1234avançar
Sobre o Portal | Política de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal