O Gurgel Carajás foi o maior utilitário fabricado pela Gurgel. O grande porta-malas e o relativo conforto o diferenciavam dos demais jipes nacionais. Produzido nas versões Standard, LE e VIP, os modelos inicialmente planejados seriam: MM (Modelo Militar), TL (Teto Lona), RL (Rígido Lona) e TR (Teto Rígido), mas somente o último foi produzido em série. A partir de 1988 foi oferecida a versão com 4 portas, mais longa e com teto mais alto.
Inicialmente podia ser equipado com um motor VW movido a Gasolina 1.8 com 85 cv, Álcool 1.8 com 85 cv ou diesel 1.6 com 50 cv; depois de alguns anos os veículos a Álcool e a Diesel deixaram de ser fabricados, em 1989 somente o modelo a Gasolina era produzido. Mecanicamente o que mais chama atenção nesse carro é o sistema de transmissão: o TTS (Tork Tube System) era constituído por um cardã de aço maciço e flexível colocado dentro de um tubo de proteção, o que levava a força do motor (dianteiro) a sua caixa de marcha (traseira). Uma boa solução para compatibilizar as aptidões do carro nos ambientes de estrada e fora-de-estrada, pois permitia: uma perfeita distribuição de peso (50%/50%), o uso de suspensões independentes nas quatro rodas e razoável capacidade de tração nas rodas motrizes traseiras, a um custo muito menor do que se a opção fosse por uma transmissão 4X4. Contudo, o TTS apresentava alguns pontos negativos, como a demora do acionamento da embreagem (devido a grande inércia do sistema) forçando o motorista a trocar as marchas com um intervalo de tempo maior entre o desengate e o engate, principalmente entre a 2º e a 3º marcha.
Como tradição dos Jipes da marca, seu monobloco era feito de Plástico Industrial Reforçado com Fibra de vidro + aço, denominado Plasteel (patente Gurgel Motores). Tinha somente tração traseira e também o Selectraction, sistema que permitia bloquear uma das rodas traseiras fazendo que ele encarasse determinados terrenos que outro veículo sem tração 4X4 não venceria. A produção em série do Carajás terminou em janeiro de 1991, mas continuava a ser produzido e somente vendido por encomenda.
O Carajás foi o primeiro veículo da Gurgel com motor dianteiro e tração traseira. Ele era um veículo com enorme espaço interno, bancos e acabamento bons e desenho simples de linhas retas. Toda a carroceria era de fibra de vidro, algo característico dos veículos da Gurgel. Ao contrário dos jipes anteriores da Gurgel, que usavam os mesmos componentes mecânicos do Volkswagen Fusca montados na mesma configuração, o Gurgel Carajás tinha adaptações mecânicas próprias. Ele usava motores tanto a diesel, como a gasolina e álcool. Na sua faixa de mercado, o Carajás foi bem vendido até o início da abertura das importações, em 1990.
De fato, em 1989 a Gurgel detinha 75% do mercado brasileiro de jipes, sendo que o Toyota Bandeirante completava o restante.
Era muito caro, embora de preço bastante inferior ao Toyota Bandeirante, seu único concorrente real no Brasil, até a abertura das importações, em 1990. Convém lembrar que em 1989 o Toyota Bandeirante era mais caro no Brasil do que um Land Rover nos Estados Unidos.
Os Carajás até meados de 1987 tinham o teto pintado de preto, esquentando o interior, um inconveniente em muitos lugares do Brasil.
O estepe ficava sobre o capô do motor, dificultando a visibilidade nos primeiros modelos. Motoristas com menos de 1,8 metros tinham dificuldades por conta deste problema, solucionado em 1987 com o rebaixamento do compartimento do estepe.
O capô, por conter os estepe, era muito pesado, tanto é que é sofrível abrí-lo. A Gurgel instalou dois amortecedores a gás para facilitar o procedimento
Câmbio e transmissão sofriam com o uso descuidado ou em situações extremas, passando em alguns casos a apresentar vibrações e ruídos.
A grande carroceria de fibra de vidro tendia com o tempo a se tornar barulhenta e apresentar problemas de vedação.
A ventilação unicamente pelo era teto uma boa idéia, mas insuficiente para uso na cidade e em locais quentes.
Não tinha tração 4X4, mas sua proposta (apesar da aparência) não era de ser um verdadeiro jipe e sim um SUV ou "crossover".
| Gurgel Carajás | |
|---|---|
| Construtor | Gurgel Motores S/A |
| Produção | 1984-1991 |
| Antecessor | Gurgel X15 |
| Sucessor | - |
| Classe | Utilitário esportivo |
| Tipo de Carroçaria | Monobloco em Plasteel |
| Layout | Dois volumes, 3 ou 5 portas |
| Motor | 1.8 Volkswagen gasolina/álcool (85/97cv) 1.6 Volkswagen diesel (50cv) |
| Caixa de velocidades | 4 marchas |
| Distância entre os eixos (mm) | 2.550 mm |
| Comprimento (mm) | 4.115 mm |
| Largura (mm) | 1.705 mm |
| Altura (mm) | 1.775 mm |
| Peso bruto (kg) | 1.280 kg |
| Consumo | 8,67 km/l |
| Depósito (l) | 80 |
| Modelos relacionados | Gurgel X15 Gurgel X12/Tocantins |
| Modelos similares | Toyota Bandeirante Toyota Hilux SW4 Chevrolet Tracker Ford EcoSport |
| Designer | João Gurgel |
Fonte: pt.wikipedia.org