
Procurando uma solução para o problema do carro urbano, o engenheiro da Gurgel projetou vários veículos. Um deles, o Mocar, chegou a ser construído, mas limitava-se ao transporte de cargas em recintos pequenos. Com motor de um cilindro (6cv), o Mocar foi experimentado por empresas nacionais de aviação no transporte de bagagens nos aeroportos.
O Gurgel 2, que permaneceu no estágio de projeto, era um carrinho para duas pessoas, com carroceria em fibra de vidro e um pequeno motor de dois cilindros e dois tempos. A suspensão, totalmente inovadora, permitia às rodas um jogo também no sentido horizontal. Um sistema de correias variáveis, aproveitando a força total do pequeno motor, possibilitava a escolha de até dezesseis marchas.
Para atender sua crescente produção, a Gurgel mudou-se para uma área de 400 mil m2 em Rio Claro. Nessa ocasião, a indústria apresentava um projeto para a fabricação de um veículo elétrico, o Itaipu, cujo uso no trânsito urbano seria testado naquela cidade.
A Gurgel Veículos Ltda. solicitou à prefeitura de Rio Claro a criação de pontos especiais de estacionamento, onde seriam instalados postes apropriados à recarga de baterias, com tomadas especiais de quatro pontos: dois para conduzir a eletricidade e dois para ligar a tomada. Uma chave especial dentro do carro estacionado desligaria automaticamente a tomada quando as baterias do veículo estivessem carregadas.
O Itaipu era um carro de dois lugares, com 2,65m de comprimento, 1,40m de largura, 1,45m de altura. Pesava 780kg, sendo que 320kg eram das 10 baterias ligadas em série. O motor elétrico compound de 3000w e 120v, localizado longitudinalmente entre-eixos, desenvolvia uma potência de cerca 4,2cv. Fazia-se a aceleração por controle eletrônico de corrente seccionada, fornecendo ao motor uma voltagem efetiva de 2 a 120v.
Essas características permitiam ao Itaipu atingir uma velocidade máxima de 50km/h, com autonomia variável de 60 a 80km. Para recarregá-lo, era necessário ligar à uma tomada de 220v. Se as baterias estivessem com 90% de carga, o carro ficaria recarregado em 30 minutos; com 50% de carga, ficaria em 2h30m; sem carga, 10 horas.
O Itaipu tinha todas as condições básicas exigidas aos veículos urbanos: razoável velocidade, boa autonomia, pequeno, não poluente... quem sabe as montadoras de hoje não desenvolvem algo similar.
Fonte: www.primeiramao.com.br

Em 1973 a Gurgel apresentava um pioneiro projeto de carro elétrico. O Itaipu, alusão à usina hidrelétrica, era bastante interessante: ótima área envidraçada, quatro faróis quadrados e um limpador sobre o enorme pára-brisa, que tinha a mesma inclinação do capô traseiro. Visto de lado, era um trapézio sobre rodas. Era um mini-carro de uso exclusivamente urbano para duas pessoas, fácil de dirigir e manobrar, que usava baterias recarregáveis em qualquer tomada de luz, como um eletrodoméstico.
Ele teria tudo para dar certo se não fosse os problemas com a durabilidade, capacidade e peso das baterias, o que até hoje ainda é um desafio. Um dos modelos elétricos se chamaria CENA, carro elétrico nacional, nome que ressurgiria no projeto do BR-280/800, com o "E" representando "econômico".
Fonte: www.carroantigo.com