
Gurgel XEF
No XXI Salão do Automóvel de 1981 foi apresentado o primeiro protótipo, batizado de XEF ou GTA (Gran Turismo Articulado). Além da dimensão reduzida, chamava atenção uma pequena carreta que podia ser engatada ao veículo, como um porta-malas removível. Com 3,12 metros de comprimento, o carro não possuía compartimento para bagagem. A dianteira era tomada por estepe e tanque de plástico para 55 litros de combustível. O interior levava até três passageiros. O motor era o Volkswagen 1600, refrigerado a ar, com um ou dois carburadores.
Após dois anos, surgiram mudanças estéticas. Os vidros triangulares nas portas foram substituidos por quebra-ventos. A lateral ganhou um vidro em forma de escotilha. A grade ficou mais ressaltada. O símbolo "G" ficava sobre o capô, lembrando a estrela dos Mercedes-Benz, assim como as rodas, que guardavam semelhança com as dos modelos da empresa alemã. O reboque foi preterido. De acordo com pesquisas realizadas no Salão do Automóvel pelo próprio Gurgel, os clientes rejeitaram esse item porque ocuparia desnecessariamente espaço nas garagens.
O modelo 1984 recebeu mais alterações visuais, perdendo o ressalto na linha da cintura traseira. O vidro lateral de trás ficou oval. Duas garras foram adicionadas aos pára-choques. A placa traseira foi desocada para baixo e invadiu parte do pára-choque, o que fez perder as duas saidas de ar situadas ao lado.
No interior, os instrumentos foram reagrupados. Nos protótipos, o velocímetro maior ficava ao centro, ladeado por quatro mostradores, dispostos em linha reta. O conta-giros ficou do tamanho do velocímetro. Os bancos receberam apoio individual de cabeça. O volante passou a ser em V invertido.
A carroceria de fibra de vidro era montada sobre um chassi de tubos de aço. A suspensão dianteira vinha da Brasilia, com barras de torção, e a traseira era produzida pela Gurgel com uma cinta limitadora de curso. Teste publicado por QUATRO RODAS em dezembro de 1983 salientava o fato de o carro parecer um kart, tão junto ao chão ficava o motorista. O veículo alcançou a velocidade de 138 km/h e fez de 0 a 100 km/h em 19,64 s. Conforme a reportagem, resultado coerente com a proposta do automóvel.
A unidade que ilustra esta reportagem pertence ao analista de produção Felipe Bonventi e faz parte da primeira série (1984). Bonventi afirma que o seu é de número 65, restaurado recentemente. "Meus irmãos e eu aprendemos a dirigir num XEF", diz ele.
O modelo foi fabricado até o início de 1986. A grade havia sido incorporada ao capô e as garras nos pára-choques tinham sido retiradas. Os dados sobre o XEF são imprecisos, mas calcula-se que cerca de 120 unidades deixaram a linha de produção. O nome XEF foi dado de maneira involuntária pela filha de João Gurgel, Maria Cristina. Ao ouvir perguntarem que carro era aquele, ela respondeu: "É do chefe".
O XEF foi o laboratório para fabricação de carros de passeio e treinamento de funcionários. Depois dele, João Gurgel iniciou a caminhada em direção a realização de um antigo sonho: a construção de um automóvel barato, simples e acessível.
Fonte: speedb.blogspot.com
| Nome(s) alternativo(s): | GTA (Grâ Turismo Articulado) |
| Construtor: | Gurgel |
| Produção: | 1981 – 1986 |
| Sucessor: | Gurgel BR-800 |
| Classe: | Popular |
| Tipo de Carrçaria: | Sedan |
| Motor: | VW 1600, 56 cv, 11,3 mkgf |
| Caixa de velocidades: | 4 |
| Distância entre os eixos (mm): | 1,80 |
| Comprimento (mm): | 3,12 |
| Largura (mm): | 1,70 |
| Peso bruto (kg): | 800 kg |
| Designer: | João Gurgel |
O XEF é um sedan compacto produzido pela Gurgel por 6 anos. Era luxuoso na época de sua produção. Não há estimativa correta a respeito do número de unidades vendidas, mas estima-se que cerca de 120 unidades foram produzidas na fábrica de Rio Claro-SP, sede da Gurgel.
A denominação Xef foi dada por Maria Cristina, filha de João Gurgel. Certo dia ela chegou em casa dirigindo o protótipo. Ao perguntarem de quem era o carro ela disse: “É do Chefe!”, mostrando que se tratava de um carro projetado pelo seu pai.
Seu desenho imita os detalhes dos veículos da Mercedes-Benz dos anos 1980, sonho de consumo dos Brasileiros, numa época em que as importações eram proibidas a maioria dos brasileiros e permitida apenas ás embaixadas estrangeiras. Pode-se notar principalmente no desenho do pára-lama e faróis retangulares (de VW Voyage), com lentes de piscas nas extremidades. O conjunto é complementado com uma falsa grade de cor preto fosco, Existia um “G” estilizado sobre o capô dianteiro que também imitava a marca alemã.
Seu perfil chama a atenção por ser uma carroceria de três volumes, que era pouco comum em veículos muito pequenos. As portas são bem dimensionadas e facilitam a entrada dos ocupantes. Em sua traseira, as lanternas caneladas, provenientes do Brasília, também lembra a marca alemã.
O aro também são inspirados nos carros da Mercedes e a denominação Xef vem aplicada junto do para-lama dianteiro.
O chassi é originário da Gurgel: é uma estrutura tubular de aço incorporada pela carroceria com plástico reforçado com fibra de vidro.
Sua suspensão é a mesma do VW Fusca (braços arrastados superpostas, lâminas de torção e barra estabilizadora na dianteira e na traseira possui sistema de semi-eixo oscilante com uma lâmina tensora longitudinal em cada lado e ligada á barra de torção e com cinta limitadora de curso de distensão).
Possui tamanho reduzido (3,12 de comprimento e apenas 1,80 de extensão entre-eixos). Não possuia espaço para bagagem, pois o espaço que existia era para acomodar o tanque de 55 litros.
Seu motor é um VW 1600 a ar que tinha como opção o carburador simples (á gasolina, 48cv e 10 m.kgf de torque) ou dupla-carburação (á álcool, 56cv e 11,3 m.kgf de torque). Sua velocidade máxima e de cerca de 140 km/h e vai de 0 á 100 km/h em cerca de 20 segundos. Seu cãmbio é de 4 velocidades mais a ré e utilizava o mesma relações de marchas e diferencial do VW 1300.
No seu interior o acabamento foge do estilo espartano utilizado pela Gurgel. Seu interior comporta três pessoas confortavelmente lado a lado em função de sua largura ser de 1,70 e o banco do motorista é separado do banco dos passageiros, que já vinham com apoios de cabeça e podiam ser revestidos tanto em tecido ou couro. E atrás dos encostos existia uma bolsa elástica que era utilizada para prender a bagagem no reduzido espaço traseiro. Todo o seu interior era acarpetado, possuindo também vidros elétricos e toca-fitas de fábrica.
A Gurgel pensou em colocar ar-condicionado quando ele era produzido, mas acabou desistindo por motivos não especificados. Seu painel dispõe de cinco instrumentos: velocímetro, nível do combustível, pressão do óleo, conta-giros e vacuômetro e seu volante tem duas hastes.
A Gurgel sempre quis produzir um automóvel pequeno e rápido, adaptado para o transito complicado das grandes cidades. Na época em que estudava na universidade, João Conrado de Amaral Gurgel desenhou um veículo com motor de dois cilindros. Depois de virar fabricante de utilitários, que basicamente utilizavam mecânica de Fusca, ele aproveitou essa mecãnica para seu primeiro projeto de carro compacto e urbano. O então novo modelo foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 1981 e se chamava GTA (Grâ Turismo Articulado).
Em 1983 houve uma modificação e o modelo passou a se chamar Xef com algumas modificações, como o quebra-vento do Fiat 147, uma janela em forma de escotilha, um pára-brisa e a janela-vigia traseira original do VW Brasília. No início, por causa do restrito espaço para bagagem, poderia se acoplar uma pequena carreta atrás do carro utilizado como porta-malas removível, o que foi reprovado pelos consumidores.
O Xef começou a ser produzido em 1984 e recebeu mais alterações, como retirada do ressalto traseiro e a ovalação da escotilha, o que deixou seu desenho mais bonito. Também foram alterados a tampa do motor e as saídas de ar, que passaram para trás da placa. Foram adicionadas aletas para refrigeração do motor. Os pára-choques ganharam duas garras. No interior os instrumentos do painel foram modificados: os mostradores passaram a ser horizontais e os conta-giros no mesmo tamanho do velocímetro e os bancos tiveram os apoios de cabeça separados dos assentos.
O emblema G, no capõ, migrou para a coluna traseira. O modelo foi produzido até 1986 e nesse mesmo período foram alterados pela Gurgel a grade dianteira, sendo esta integrada ao seu capô e os para-choques perderam as garras, mas ganharam uma proteção emborrachada. Nesse ano foi oferecida a opção do banco inteiriço e o freio de mão foi transferido para baixo do painel. Nessa mesma ocasião foi apresentada uma versão picape do Xef que foi batizada de E-250, mas acabou não sendo produzida.
Fonte: pt.wikipedia.org