Linha de Produção da Gurgel em 1980
Em 1986 são lançados o Tocantins (um X-12 melhorado) e o Carajás. Este último um sport utility de grande porte que se utilizava do motor VW 2.0 a água e tração traseira com o mesmo sistema de bloqueio de diferencial já empregado no X-12. Esses carros também foram bem em vendas e conquistaram consumidores fiéis entre órgãos públicos e polícias.
Mas foi entre 1984 e 1988 que a fábrica de Rio Claro desenvolveu o que talvez tenha sido o projeto mais ambicioso de uma empresa brasileira em todos os tempos. Esse projeto, denominado CENA (Carro Econômico Nacional), visava criar um carro totalmente projetado e manufaturado no Brasil, que fosse econômico, e tivesse ainda manutenção simples e barata. Esse carro deveria ser para a Gurgel o que o Modelo-T fora para a Ford e o que o Fusca fora para a VW.
No final de 1987 unidades pré-série foram ter às pistas de testes para definir os últimos acertos e em 1988 o carro rebatizado como BR-800 começou a ser produzido em série. O Governo Federal, num louvável gesto de apoio à indústria nacional, concedeu ao carrinho o direito de pagar apenas 5% de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), enquanto os demais carros pagavam 25% ou mais dependendo da cilindrada.
O pequeno automóvel tinha a carroceria de fibra de vidro construída sobre um chassi tubular. O motor tinha dois cilindros contrapostos horizontalmente (boxer), era refrigerado a água, alimentado por carburador e movido a gasolina; desenvolvia 33cv e 6,2kgmf.
Itaipu Elétrico, carro elétrico desenvolvido pela Gurgel
Um dos objetivos principais do projeto não foi atingido, o preço. Nos dois primeiros anos, todas as unidades eram destinadas a quem comprasse um lote de ações da Gurgel. Mesmo assim o sucesso foi imediato, quem conseguia o carro recendia-o com até 100% de ágio facilmente. É que a idéia de um carro totalmente brasileiro despertara um generalizado nacionalismo ufanista.