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Hanseníase

Aspectos Clínicos

Os aspectos morfológicos das lesões cutâneas e classificação clínica nas 4 formas abaixo podem ser utilizados nas áreas com profissionais especializados e em investigação científica.

Entretanto, a ampliação da cobertura de diagnóstico e tratamento impõe a adoção da classificação operacional, baseada no número de lesões:

Sinopse para Classificação das Formas Clínicas da Hanseníase

CARACTERÍSTICAS

Clínicas

Bacterioscópicas

Formas Clínicas

Classificação Operacional

vigente para a rede básica

Áreas de hipo ou anestesia, parestesias, manchas hipocrômicas e/ou eritemo-hipocrômicas, com ou sem diminuição da sudorese e rarefação de pelos.

Negativa

Indeterminada (HI)

Paucibacilar (PB)

Placas eritematosas, eritemato-hipocrômicas, bem delimitadas, hipo ou anestésicas, comprometimento de nervo.

Negativa

Tuberculóide (HT)

£ 5 lesões de pele e/ou apenas 1 tronco nervoso acometido

Lesões pré-foveolares (eritematosas planas com o centro claro). Lesões foveolares (eritematopigmentares (de tonalidade ferruginosa ou pardacenta). Apresentando alterações de sensibilidade.

Positiva

(Bacilos e globias ou com raros bacilos) ou Negativa

Dimorfa (HD)

Multibacilar (MB)

> de 5 lesões de pele e/ou mais de um tronco nervoso acometido

Eritema e infiltração difusos, placas eritematosas infiltradas e de bordas mal definidas, tubérculos e nódulos, madarose, lesões das mucosas, com alteração de sensibilidade.

Positiva

(Bacilos abundantes e globias)

Virchoviana (HV)

Notas

Na hanseníase Virchowiana, afora as lesões dermatológicas e das mucosas, ocorrem também lesões viscerais.

As manifestações neurológicas são comuns a todas as formas clínicas. Na hanseníase indeterminada não há comprometimento de troncos nervosos, não ocorrendo por isso, problemas motores. Na hanseníase tuberculóide o comprometimento dos nervos é mais precoce e mais intenso.

Os casos não classificados quanto à forma clínica serão considerados para fins de tratamento como multibacilares.

Diagnóstico Diferencial

As seguintes dermatoses podem se assemelhar a algumas formas e reações de hanseníase, e exigem segura diferenciação: eczemátides, nevo acrômico, pitiríase versicolor, vitiligo, pitiríase rósea de Gilbert, eritema solar, eritrodermias e eritemas difusos vários, psoríase, eritema polimorfo, eritema nodoso, eritemas anulares, granuloma anular, lúpus eritematoso, farmacodermias, fotodermatites polimorfas, pelagra, sífilis, alopécia areata (pelada), sarcoidose, tuberculose, xantomas, hemoblastoses, esclerodermias, neurofibromatose de Von Recklinghausen.

Tratamento

O tratamento é eminentemente ambulatorial. Nos serviços básicos de saúde administra-se uma associação de medicamentos, a POLIQUIMIO-TERAPIA, padrão OMS (PQT/OMS). A regularidade do tratamento é fundamental para a cura do paciente. A prevenção de deformidades é atividade primordial durante o tratamento e, em alguns casos, até mesmo após a alta, sendo parte integrante do tratamento do paciente com hanseníase. Para o paciente, o aprendizado do auto-cuidado é arma valiosa para evitar seqüelas.

Esquema Padrão OMS (Poliquimioterapia/OMS)

DROGA

PAUCIBACILAR

MULTIBACILAR

Rifampicina (RFM) 600 mg uma vez por mês, supervisionadas 600 mg uma vez por mês, supervisionadas.
Dapsona (DDS) 100 mg uma vez ao dia, auto-administradas. 100 mg uma vez ao dia, auto-administradas.
Clofazimina (CFZ)

-

300 mg uma vez ao mês, supervisionadas + 100 mg em dias alternados ou 50mg diárias auto-administradas.
Seguimento dos casos Comparecimentos mensais para a medicação supervisionada, no período de tratamento de 6 doses mensais em até 9 meses. Comparecimentos mensais para a medicação supervisionada, no período de tratamento de 24 doses mensais, em até 36 meses.

Intolerâncias às drogas do esquema padrão OMS são raras. Nesses casos devem ser utilizados esquemas alternativos. (Ver Guia de Controle/Manual de Procedimentos em Hanseníase).

Novos Esquemas de Poliquimioterapia/ OMS

A partir de 1998, a OMS recomenda o esquema padrão com a redução do tratamento dos casos MB para 12 doses, em até 18 meses, e uma nova associação de drogas para os casos diagnosticados com lesão única de pele (lesão única de pele, mancha ou mácula hipocrômica, eritêmato-acastanhada ou área com alteração de sensibilidade cutânea, sem envolvimento de tronco nervoso): O esquema ROM (Rifampicina + Ofloxacina + Minociclina). O Ministério da Saúde adotou o esquema ROM para todas as Unidades de Saúde com diagnóstico clínico e tratamento e o esquema de PQT/OMS 12 doses em todas as US de referência.

Efeitos Colaterais

As medicações usadas na poliquimioterapia da hanseníase são conhecidas há bastante tempo e também usadas em outras doenças, porém, como em qualquer tratamento medicamentoso, deve-se ter atenção para a presença de possíveis efeitos colaterais.

Critérios para Alta por cura

O paciente obtém alta por cura ao completar as doses preconizadas, não necessitando ficar sob vigilância do serviço de saúde. Pacientes da forma paucibacilar farão 6 doses de PQT/OMS em até 9 meses de tratamento e aqueles tratados com esquema ROM farão dose única, e os pacientes da forma multibacilar farão 24 doses de PQT/OMS em até 36 meses, ou 12 doses em até 18 meses no caso do esquema de curta duração. A presença de reações não impede a alta, o mesmo se aplicando à presença de seqüelas.

Ao final das 24 doses, o paciente multibacilar pode apresentar baciloscopia positiva com bacilos fragmentados, ou seja, sem poder de multiplicação e de transmissão da doença, o que não impede a alta.

A eliminação de restos bacilares deve-se ao sistema imunológico do indivíduo e não à administração de medicamentos por um tempo mais prolongado. Deve-se ter especial atenção aos estados reacionais pós alta. Os pacientes devem ser exaustivamente esclarecidos sobre estados reacionais que poderão ocorrer, o que implicará em retorno imediato ao Serviço de Saúde para cuidados exclusivos, sem quimioterapia específica (ver tratamento de estados reacionais). O esclarecimento e a cooperação do paciente são fatores primordiais para o sucesso do tratamento e prevenção de incapacidades.

Recidiva

Não é considerada recidiva a ocorrência de episódio reacional após a alta por cura.

PB

Pacientes que após a alta por cura apresentarem dor em nervo não afetado anteriormente, novas alterações de sensibilidade, lesões cutâneas novas e/ou exarcebação de lesões anteriores que não respondam a corticoterapia, de acordo com as doses preconizadas.

MB

Pacientes com típicas lesões cutâneas virchovianas ou dimorfas, lesões reacionais após 3 anos de alta por cura ou que continuam com reações após o 5º ano de alta. A confirmação baciloscópica deve considerar a presença de bacilos íntegros e globias, com revisão de lâmina por laboratório de referência. Todo caso suspeito de recidiva deve ser investigado e, se confirmado, reintroduzido o tratamento e notificado.

Fonte: www.funasa.gov.br

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