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Hemograma

 

O que é

Hemograma é uma contagem de sangue completo. É um teste de sangue para avaliar a sua saúde geral e detectar uma grande variedade de desordens, incluindo a anemia, infecção e leucemia.

Um teste de hemograma completo mede vários componentes e funcionalidades do seu sangue, incluindo:

Os glóbulos vermelhos, que transportam oxigênio
Os glóbulos brancos, que combatem as infecções
A hemoglobina, a proteína que transporta oxigênio nos glóbulos vermelhos
O hematócrito, a proporção de glóbulos vermelhos para o componente de fluido, ou de plasma, no seu sangue
As plaquetas, que ajudam com a coagulação sanguínea

Aumentos anormais ou diminuições nas contagens de células como revelado em um hemograma completo pode indicar que você tem uma condição médica subjacente que exige uma avaliação mais aprofundada.

Por que ele é feito

Um hemograma completo é um exame de sangue comum, que é feito por uma variedade de razões:

Para rever a sua saúde geral. Seu médico pode recomendar um hemograma completo como parte de um exame médico de rotina para monitorar sua saúde geral e para a tela para uma variedade de doenças, como anemia ou leucemia.

Para diagnosticar uma condição médica. Seu médico pode sugerir um hemograma completo se você estiver enfrentando fraqueza, fadiga, febre, inflamação, nódoas negras ou sangramento. Um hemograma completo pode ajudar a diagnosticar a causa destes sinais e sintomas. Se o seu médico suspeitar que você tem uma infecção, o teste também pode ajudar a confirmar esse diagnóstico.

Para monitorar uma condição médica. Se você foi diagnosticado com uma doença do sangue que afeta a contagem de células do sangue, o médico pode usar hemogramas completos para monitorar sua condição.

Para monitorar o tratamento médico. Um hemograma completo pode ser usado para monitorar sua saúde se você estiver tomando medicamentos que possam afetar a contagem de células do sangue.

Como você se prepara

Se a sua amostra de sangue está sendo testado apenas por um hemograma completo, você pode comer e beber normalmente antes do teste. Se a sua amostra de sangue será usado para testes adicionais, pode ser necessário estar em jejum por um determinado período de tempo antes do teste. O seu médico lhe dará instruções específicas.

O que você pode esperar

Para um hemograma completo, um membro da sua equipa de cuidados de saúde tem uma amostra de sangue através da inserção de uma agulha em uma veia do braço, geralmente na curva do cotovelo. A amostra de sangue é enviada para um laboratório para análise. Você pode retornar às suas atividades normais imediatamente.

Não é um teste definitivo

Um hemograma completo normalmente não é um teste de diagnóstico definitivo. Dependendo do motivo, o seu médico recomendou este teste, os resultados fora da faixa normal pode ou não pode exigir o acompanhamento. O seu médico pode precisar olhar para os resultados de um hemograma, juntamente com os resultados de outros exames de sangue ou testes adicionais podem ser necessárias.

Por exemplo, se você for de outra maneira saudável e não têm sinais ou sintomas de doença, resulta um pouco fora da faixa normal em um hemograma completo não pode ser um motivo de preocupação, e o acompanhamento pode não ser necessário. No entanto, se você está em tratamento por exemplo de câncer, os resultados de um hemograma completo fora da faixa normal pode indicar a necessidade de alterar o seu plano de tratamento.

Em alguns casos, se os resultados são significativamente acima ou abaixo dos valores normais, o médico pode encaminhá-lo a um médico especialista em doenças do sangue (hematologista).

O que os resultados podem indicar

Os resultados nas seguintes áreas acima ou abaixo dos valores normais em um hemograma completo pode indicar um problema:

Contagem de células vermelhas do sangue, hemoglobina e hematócrito. Os resultados da sua contagem de células vermelhas do sangue, hemoglobina e hematócrito estão relacionados porque cada um medem aspectos de suas células vermelhas do sangue.
Se as medidas nestas três áreas são mais baixos do que o normal, você tem anemia. Anemia causa fadiga e fraqueza. Anemia tem muitas causas, incluindo baixos níveis de certas vitaminas ou ferro, perda de sangue, ou uma doença subjacente.
Um hemograma vermelho que é maior do que o normal (eritrocitose), ou níveis de hematócrito elevado de hemoglobina ou, poderia apontar para uma condição médica subjacente, como policitemia ou doença cardíaca.

Contagem de células brancas do sangue. Uma contagem baixa de células brancas do sangue (leucopenia), pode ser causado por uma condição médica, tal como uma doença auto-imune que destrói as células brancas do sangue, problemas de medula óssea ou de cancro. Certos medicamentos também podem causar a contagem de células brancas do sangue a cair.
Se a sua contagem de glóbulos brancos é maior do que o normal, você pode ter uma infecção ou inflamação. Ou, pode indicar que você tem uma doença do sistema imunológico ou de uma doença da medula óssea. A contagem de glóbulos brancos elevada também pode ser uma reação à medicação.

A contagem de plaquetas. Uma contagem de plaquetas que é menor do que o normal (trombocitopenia) ou mais elevada do que o normal (trombocitose) é geralmente um sinal de uma condição médica subjacente, ou pode ser um efeito secundário de medicação. Se a sua contagem de plaquetas está fora da faixa normal, você provavelmente vai precisar de testes adicionais para diagnosticar a causa.

Fonte: www.mayoclinic.org

Hemograma

Introdução

Hemograma é um exame laboratorial utilizado para a avaliação quantitativa e qualitativa dos elementos sanguíneos dividindo-os em dois grupos: série branca e série vermelha. Na série branca vemos a contagem das células do sangue (Granulócitos, agranu!ócitos e plaquetas) e sua avaliação morfológica Na série vermelha, a dosagem da hemoglobina hematócrito, os índices hematométricos e também, a avaliação morfológica

Colheita de material

Para hemograma, usa-se sempre sangue colhido de veia periférica com agulha de calibre 0,7 ou 0.8mm ou butterfiy 21.

O material deve ser recebido em tubo contendo 1 a 1,5mg de EDTA sódico ou potássio pó mL de sangue. Excesso de EDTA, ou escassez de sangue causa desidratação dos eritrócitos

Execução do esfregaço sangüíneo

O exame do esfregaço sangüíneo é parte Importante da avaliação hematológica. A confiabilidade da informação depende em grande parte do exame sistemático de esfregaços bem confeccionados e corados. Se possível os esfregaços sanguíneos devem ser preparados imediatamente.

Urna gota de sangue com 2 a 3 mm de diâmetro deve ser depositada cerca de um centímetro da extremidade de urna lâmina limpa e isenta de poeira. Com o polegar e o dedo indicador da mão direita segure a extremidade de uma segunda lâmina, num ângulo de 30° a 45°, e arraste-a para trás. até que contate a gota de sangue. Depois que o sangue se difunda e preencha o ângulo entre as duas lâminas, empurre para frente a lâmina extensora numa velocidade moderada, até que o sangue se tenha espalhado formando um esfregaço sangüíneo moderadamente fino.

O esfregaço sangüíneo deve cobrir toda a superfície da lâmina, deve ter um aspecto regular e igualado, não apresentando cristas, ondas ou buracos. Em esfregaços sangüíneos de espessura ideal ocorre alguma superposição de eritrócitos em boa parte do esfregaço, mas uma distribuição regular e separação dos eritrócitos mais para a calda delgada. Quanto mais rapidamente o esfregaço sangüíneo for fixado ao ar, melhor será o espalhamento individual das células.

Corantes sangüíneos

Os corantes de anilina usados nos esfregaços sangüíneos pertencem a duas classes gerais: como o azul de metileno e corantes ácidos, como a eosina.

Os núcleos e certas outras estruturas no sangue se coram pelos corantes básicos e, portanto, são chamadas basófilas. Estruturas que se coram apenas pelos corantes ácidos são denominadas acidófilas. ou eosinófilas. Outras estruturas que se coram por uma combinação das duas classes de corantes, são chamadas neutrófilas.

Os corantes polícromos contendo eosina e azul de metileno é um desenvolvimento do método original de Romanowsky, que tomava muito tempo para a sua aplicação. Eles coram diferencialmente a maioria das estruturas normais e anormais no sangue.

Os componentes básicos da tiazina consistem do azul de metileno (tetrametiltionina) e, em proporções variáveis, de seus análogos produzidos pela desmetilação oxidativa:

Azure B (trimetiltionina)
Azure A
(dimetiltiomina assimétrica) dimetiltionina simétrica; e
Azure C
(monometiltionina) (Lillie 1977).

Quase todos os corantes de Romanowsky são dissolvidos em álcool metílico e combinam a coloração com a fixação. Entre os métodos mais conhecidos, estão as corações de Wright e Giemsa.

Fonte: www.geocities.com

Hemograma

Hemograma completo

A.Contagem de hemácias e índices hematimétricos

Este teste, também chamado de contagem de eritrócitos, é parte de uma contagem completa de sangue. É também usado para detectar a quantidade de hemácias em um microlitro (milímetro cúbico) de sangue total. Os índices hematimétricos fornecem importantes informações sobre o tamanho, concentração de hemoglobina e peso da hemoglobina de uma hemácia média.

Objetivos

Fornecer dados para o cálculo do volume corpuscular médio e da hemoglobina corpuscular média, que revelam o tamanho da hemácia e o conteúdo de hemoglobina.
Dar suporte a outros testes hematológicos para o diagnóstico ou monitoração de anemia ou policitemia.
Auxiliar no diagnóstico e classificação das anemias.

Preparação do paciente

Jejum de 4 horas.

Valores de referência

Método: automatizado com eventual estudo morfológico em esfregaços corados.

Os valores normais de hemácias variam, dependendo do tipo de amostra e da idade e sexo do paciente, da seguinte maneira:

Homens adultos: 4,6 a 6,2 milhões de hemácias/ml de sangue venoso
Mulheres adultas:
4,2 a 5,4 milhões de hemácias/ml de sangue venoso
Crianças:
3,8 a 5,5 milhões de hemácias/ml de sangue venoso
Bebês a termo:
4,4 a 5,8 milhões de hemácias/ml de sangue capilar ao nascimento, diminuindo para 3,8 milhões de hemácias/ml na idade de 2 meses, e aumentando lentamente daí em diante.

Os índices hematimétricos testados incluem volume corpuscular médio (VCM), hemoglobina corpuscular média (HCM) e concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM).

VCM: 84 a 99mm3.
HCM:
26 a 32 pg.
CHCM:
31 a 36 g/dl.

Achados anormais

Uma contagem elevada de hemácias pode indicar policitemia absoluta ou relativa. Uma contagem deprimida de hemácias pode indicar anemia, sobrecarga de líquido ou hemorragia além de 24 horas. Teste adicionais, como, por exemplo, exame de célula colorida, hematócritos, hemoglobina, índices hematimétricos e estudos de glóbulos brancos são necessários para confirmar o diagnóstico.

Baixos VCM e CHCM indicam anemias microcíticas hipocrômicas causadas por anemia por deficiência de ferro, anemia sideroblástica ou talassemia. Um VCM alto sugere anemias macrocíticas causadas por anemias megaloblásticas, devido à deficiência de ácido fólico ou vitamina B12, desordens congênitas de DNA ou reticulocitose. Em razão do VCM refletir volume médio de muitas células, um valor dentro da faixa normal pode ocorrer em pacientes cujo tamanho de glóbulos vermelhos varia, e inclui células microcíticas e macrocíticas.

B.Hemoglobina Total

Este teste é usado para medir a quantidade de hemoglobina (Hb) encontrada em um decilitro (100 ml) de sangue total. Usualmente ele é parte de um hemograma completo.

A concentração de hemoglobina correlaciona-se estreitamente com a contagem de hemácias.

Objetivos

Medir a gravidade de anemia ou policitemia e monitorar a resposta à terapia.
Obter dados para o cálculo da hemoglobina corpuscular média e concentração de hemoglobina corpuscular média.

Valores de referência

Método: automatizado

As concentrações de Hb variam, dependendo do tipo de amostra retirada (amostras de sangue capilar para bebês e amostras de sangue venoso para todos os demais) e da idade e sexo do paciente, da seguinte maneira:

Recém-nascidos: 14 a 20 g/dl
1 semana de idade:
15 a 23 g/dl
6 meses de idade:
11 a 14 g/dl
Crianças de 6 meses a 18 anos:
12 a 16 g/dl
Homens:
14 a 18 g/dl
Mulheres:
12 a 16 g/dl.

Achados anormais

Baixas concentrações de Hb podem indicar anemia, hemorragia recente ou retenção de líquido causando hemodiluição.

Hb elevada sugere hemoconcentração originária de policitemia ou desidratação.

C.Hematócrito

O exame de hematócrito (Ht) pode ser efetuado separadamente ou como parte de um hemograma completo. Ele mede a porcentagem por volume de hemácias contidas em uma amostra de sangue total – por exemplo, 40% de Ht indica 40 ml de hemácias contidas em uma amostra de 100ml. Essa concentração é obtida centrifugando-se o sangue total anti-coagulado em um tubo capilar, de forma que as hemácias sejam firmemente concentradas sem hemólise.

Objetivos

Auxiliar no diagnóstico de policitemia, anemia ou estados anormais de hidratação.
Auxiliar no cálculo de dois índices de hemácias:
VCM e CHCM

Valores de referência

Método: automatizado.

O Ht é normalmente medido eletronicamente. Os resultados são até 3% mais baixos do que as medições manuais, que aprisionam o plasma na coluna de hemácias concentradas.

Os valores de referência variam dependendo do tipo de amostra, do laboratório que estiver efetuando o teste e do sexo e idade do paciente, como segue:

Recém-nascidos: 42% a 60% de Ht
1 semana de idade:
47% a 65% de Ht
6 meses de idade:
33% a 39% de Ht
Crianças de 6 meses a 18 anos:
35% a 45% de Ht
Homens:
42% a 54% de Ht
Mulheres:
36% a 46% de Ht.

Achados anormais

Um Ht baixo sugere anemia, hemodiluição ou uma perda maciça de sangue. Um Ht alto indica policitemia ou hemoconcentração devido à perda sangüínea ou desidratação.

D.Contagem de Leucócitos

Uma contagem de glóbulos brancos, também chamada de contagem de leucócitos, é parte de uma contagem completa de sangue. Ela indica a quantidade de leucócitos em um microlitro (milímetro cúbico) de sangue total. As contagens de leucócitos podem variar até em 2.000, em qualquer dia em particular, em função de exercício desgastante, tensão ou digestão. A contagem de leucócitos pode aumentar ou diminuir significativamente em determinadas doenças, porém é diagnosticamente útil somente quando o diferencial de glóbulos brancos e o estado clínico do paciente são levados em consideração.

Objetivos

Determinar infecção ou inflamação.
Determinar a necessidade de testes adicionais, como, por exemplo, o diferencial de leucócitos ou a biópsia de medula óssea.
Monitorar a resposta à quimioterapia, radioterapia ou outros tipos de terapia.

Valores de referência

Método: automatizado, com eventual estudo morfológico em esfregaços corados.

A contagem de leucócitos varia de 4.000 a 10.000/ml.

Achados anormais

Uma contagem elevada de leucócitos (leucocitose) com freqüência assinala uma infecção, como, por exemplo, um abscesso, meningite, apendicite ou amigdalite.

Uma contagem alta de leucócitos pode também resultar de leucemia e necrose tecidual devido à queimaduras, infarto do miocárdio ou gangrena.

Uma contagem diminuída de leucócitos (leucopenia) indica depressão da medula óssea, que pode resultar de infecções virais ou de reações tóxicas, como, por exemplo, as que acompanham o tratamento com antineoplásicos, ingestão de mercúrio ou outros metais pesados, ou exposição ao benzeno ou arsênicos. A leucopenia caracteristicamente acompanha influenza, febre tifóide, sarampo, hepatite infecciosa, mononucleose e rubéola.

E.Diferencial de Leucócitos

O diferencial de leucócitos é usado para avaliar a distribuição e morfologia dos glóbulos brancos, fornecendo informação mais específica sobre o sistema imune do paciente do que a contagem de leucócitos isoladamente.

Os glóbulos brancos são classificados de acordo com os cinco tipos principais – neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos – sendo determinada a porcentagem de cada tipo. A contagem diferencial é o valor percentual de cada tipo de glóbulo branco no sangue. O número absoluto de cada tipo de glóbulo branco é obtido por meio da multiplicação do valor percentual de cada tipo pela contagem total de glóbulos brancos.

Os altos níveis desses glóbulos brancos estão associados com diversas respostas imunes e anormalidades. Algumas vezes é solicitada uma contagem de eosinófilos como um teste de acompanhamento, quando é relatado um nível elevado ou deprimido de eosinófilos.

Objetivos

Avaliar a capacidade para resistir e superar infecções.
Detectar e identificar diversos tipos de leucemia.
Determinar o estágio e gravidade de uma infecção.
Detectar reações alérgicas.
Avaliar a gravidade de reações alérgicas (contagem de eosinófilos).
Detectar infecções parasíticas.
Servir de suporte para o diagnóstico de outras doenças.

Valores de referência

Método: automatizado, com eventual estudo morfológico em esfregaços corados.

De forma a assegurar um diagnóstico preciso, os resultados de testes diferenciais devem ser interpretados em relação à contagem de glóbulos brancos totais (4.000 a 10.000/ml).

Para adultos, os valores absolutos e porcentagens normais incluem o seguinte:

Basófilos: 0 a 200/ml; 0 a 2%
Eosinófilos:
40 a 500/ml; 1 a 5%
Linfócitos:
880 a 4.000/ml; 22 a 40%
Monócitos:
120 a 1.000/ml; 3 a 10%
Neutrófilos:
1.800 a 7.500/ml; 45 a 75%.

Para crianças, os valores absolutos e porcentagens normais podem diferir.

As porcentagens são as seguintes:

Basófilos: 0 a 2%
Eosinófilos:
1 a 5%
Linfócitos:
45 a 75%
Monócitos:
3 a 10%
Neutrófilos:
22 a 40%.

Achados anormais

Os padrões diferenciais anormais fornecem evidência para uma ampla faixa de estados de doença e outras condições.

F.Contagem de Plaquetas

As plaquetas ou trombócitos, promovem a coagulação, ou seja, a formação de um coágulo hemostático em locais de comprometimento vascular.

A contagem de plaquetas é o mais importante teste de rastreamento da função plaquetária. As contagens precisas são vitais.

Objetivos

Avaliar a produção ou utilização de plaquetas.
Avaliar os efeitos da quimioterapia ou radioterapia na produção de plaquetas.
Diagnosticar ou monitorar trombocitose ou trombocitopenia.
Confirmar uma estimativa visual da quantidade e morfologia da plaqueta a partir de um filme sangüíneo colorido.

Valores de referência

Método: automatizado, com eventual estudo morfológico com esfregaços corados.

As contagens normais de plaquetas variam entre 130.000 a 370.000/ml.

Achados anormais

Uma contagem diminuída de plaquetas (trombocitopenia) pode resultar de medula óssea aplástica ou hipoplástica; uma doença infiltrativa de medula óssea, como, por exemplo, carcinoma ou leucemia; hipoplasia megacariocítica; trombopoiese infecciosa proveniente de deficiência de ácido fólico ou vitamina B12; acúmulo de plaquetas em um baço aumentado; destruição aumentada de plaquetas devido à drogas ou desordens imunes; coagulação intravascular disseminada; síndrome de Bernard-Soulier; ou lesões mecânicas às plaquetas.

Uma contagem aumentada de plaquetas (trombocitose) pode resultar de hemorragias, desordens infecciosas; câncer; anemia por deficiência de ferro; cirurgia recente, gravidez, ou esplenectomia e desordens inflamatórias. Em tais casos, a contagem de plaquetas retorna ao normal após o paciente recuperar-se da desordem primária. Todavia, a contagem permanece elevada em trombocitemia primária, mielofibrose com metaplasia mielóide, policitemia vera e leucemia mielóide crônica. Em tais desordens, as plaquetas podem estar disfuncionais, resultando em sangramento.

Exames correlatos (ao hemograma completo)

VHS, reticulócitos, mielograma, etc.

Fonte: www.labes.com.br

Hemograma

O que é um hemograma completo?

Um hemograma completo é o exame mais solicitado do pelos médicos devido à informação preciosa que fornece.

O hemograma consiste no cálculo dos elementos figurados (celulares) que compõem o sangue e os cálculos dos índices eritrocitários, isto é, indicadores sobre o tamanho e constituição dos glóbulos vermelhos a partir do doseamento da hemoglobina e do hematócrito. Estes cálculos são geralmente determinados por aparelhos electrónicos que analisam os diferentes componentes do sangue. Estes contadores são rápidos e fiáveis.

Quais são os parâmetros avaliados num hemograma normal?

Os parâmetros habitualmente avaliados são:

Contagem dos glóbulos brancos: revela o número de glóbulos brancos ou leucocitos num dado volume de sangue.
Fórmula leucocitária:
mostra a percentagem respectiva de cada uma das categorias dos glóbulos brancos num dado volume de sangue. Os glóbulos brancos podem dividir-se em neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos e basófilos.
Contagem dos glóbulos vermelhos:
revela o número de glóbulos vermelhos ou eritrócitos num dado volume de sangue.
Hemoglobina:
exprime a quantidade de hemoglobina num dado volume de sangue.
Hematócrito:
significa a percentagem do volume de glóbulos vermelhos relativa ao volume total de sangue.
Volume globular médio:
corresponde ao volume médio do glóbulo vermelho. Este valor é dado pela razão do hematócrito e o número de glóbulos vermelhos.
Hemoglobina globular média:
demonstra a quantidade de hemoglobina contida num glóbulo vermelho. Este valor é determinado pela razão da hemoglobina e o número de glóbulos vermelhos.
Concentração da hemoglobina globular média:
representa a concentração média de hemoglobina de um dado volume de glóbulos vermelhos. Este valor é calculado pela razão da hemoglobina e o hematócrito.
Contagem de plaquetas:
revela o número de plaquetas num dado volume de sangue.

Devo estar em jejum aquando da colheita de sangue?

Não é necessário estar em jejum quando colher sangue para a análise do hemograma completo. Apesar da alimentação provocar um ligeiro aumento de glóbulos brancos, este incremento é muito ligeiro, menor que 5%. No entanto, é conveniente estar em repouso porque o esforço físico pode provocar subida significativa de glóbulos brancos.

Fonte: www.medicoassistente.com

Hemograma

Hemograma: que exame é esse?

Hemograma
No hemograma são analisados os glóbulos vermelhos (hemáceas), os glóbulos brancos (leucócitos) e as plaquetas

Você já deve ter feito muitas vezes um exame que todos os médicos solicitam aos seus pacientes: o hemograma.

Mas você sabe para que serve esse exame? Pois bem, vamos falar então sobre a importância de tal exame, que informações ele traz ao médico e, principalmente, ao médico Hematologista / Hemoterapêuta.

Tal especialidade, que exige 4 anos de treinamento após o término da faculdade de medicina, atua avaliando alterações ou doenças que ocorrem no sangue. Tais problemas, na sua grande maioria, podem ser inicialmente avaliados a partir de um simples hemograma. Este é realizado no sangue, precisando portanto, de uma coleta de sangue através de uma punção de uma veia (normalmente dos braços). O exame não exige jejum e pode ser coletado em qualquer horário do dia ou da noite.

Algumas alterações consideradas fisiológicas podem ser observadas num hemograma de rotina. Podem não representar nenhum problema. Para evitar tais alterações sugere-se ao paciente que preferencialmente colete o exame após repouso, evite estar em uso de medicamentos ou informe-os ao laboratório na hora da coleta quais estão sendo utilizados. Sugere-se, também, sempre que for solicitado, que o médico justifique a necessidade do mesmo, pois isso poderá auxiliar muito na interpretação dos resultados.

A amostra do sangue coletado é armazenada em um frasco específico contendo uma substância anticoagulante.

Em seguida, é analisada num primeiro momento por uma máquina automática: o contador de células. Esse equipamento, se mal calibrado, pode ser causa de erros nos resultados.

A contagem das células é feita separando-se os elementos ou células do sangue que devem ser analisados. Tratam-se dos glóbulos vermelhos ou hemáceas, os glóbulos brancos ou leucócitos e as plaquetas.

É possível quantificar todas essas células, bem como analisar se há alterações na forma, no tamanho ou se há elementos ou células estranhas na amostra. Um profissional treinado, podendo ser um hematologista ou um bioquímico (ou ambos), fará a análise do sangue em microscópio, para então, liberar o resultado impresso como conhecemos.

Glóbulos vermelhos

Os glóbulos vermelhos ou hemáceas contém uma proteína no seu interior chamada de hemoglobina, que é a substância capaz de transportar oxigênio para todo o nosso corpo. A quantidade, tanto das hemáceas quanto da hemoglobina, variam de acordo com a idade e o sexo. Um recém nascido tem normalmente uma quantidade elevada de hemáceas. Uma mulher adulta tem, normalmente, uma quantidade mais baixa de glóbulos vermelhos que um homem da mesma idade. Isto não significa, necessariamente, que exista algum problema.

Anemia

Quando a pessoa tem níveis abaixo do valor normal de hemáceas para sua idade e sexo, tem um problema conhecido como anemia. A anemia é manifestação de algum distúrbio, que sempre necessita ser avaliado. Existem várias situações corriqueiras que causam baixa no nível de hemáceas. Podemos citar, como exemplos, uma alimentação pobre em alimentos ricos em ferro, até sangramentos menstruais abundantes. Portanto, anemia não é uma doença, mas a manifestação de alguma doença. A partir do achado de anemia em hemograma é possível iniciar toda uma investigação, que poderá revelar problemas de saúde muito simples até doenças mais graves.

Lembramos que anemia não é sinônimo de leucemia. Frequentemente paciente com leucemia tem anemia, mas o contrário não é verdadeiro na grande maioria das vezes. A maior parte dos casos de anemia não são, nem nunca serão, leucemia.

Existem, também, situações em que há excesso de glóbulos vermelhos, ou seja, quantidade acima do normal para aquela idade ou faixa etária. Uma situação bastante comum, onde pode-se observar tal elevação, são naqueles indivíduos tabagistas. Existem no entanto, várias outras doenças que cursam com elevação no número dos glóbulos vermelhos e sempre deverão ter uma avaliação especializada de um hematologista.

Glóbulos brancos

Os glóbulos brancos ou leucócitos são nossas células de defesa contra as infecções. É comum observarmos um aumento na quantidade dessas células ou até uma diminuição quando estamos com alguma infecção. É um evento considerado fisiológico. Inclusive poderá orientar o médico quanto à gravidade ou não da infecção.

Um achado muito comum nos hemogramas é o que chamamos de leucopenia, ou leucócitos baixos. Nos pacientes com câncer, em tratamento com quimioterapia, é freqüente o acompanhamento com hemogramas, pois os leucócitos, entre as aplicações, podem diminuir expressivamente, já que são células muito sensíveis.

Assim, tal controle é fundamental. Várias outras situações podem cursar com diminuição constante e prolongada no número de glóbulos brancos do sangue, e devem sempre ser analisadas.

Outra alteração que podemos observar com os leucócitos se refere a um aumento na sua quantidade, que se for de modo prolongado, normalmente estará relacionado a algum problema na “medula óssea” ou fábrica do sangue. A medula óssea esta localizada no “tutano dos ossos “. Nessas situações doenças como a Leucemia deve sempre ser pensada, e um hematologista sempre deverá ser consultado.

Plaquetas

O último, mas não menos importante elemento analisado pelo hemograma, são as plaquetas. Plaquetas são células que participam da coagulação do sangue.

Sempre que existe diminuição em sua quantidade, principalmente valores abaixo de 30.000 (normal varia de 140 a 400 mil plaquetas), existe sangramentos em pele (manchas roxas), gengiva, nariz, espontaneamente ou por pequenos traumas. A plaquetopenia (=plaquetas em contagem inferior ao valor normal) é uma alteração bastante freqüente, e sempre estará relacionada com alguma causa. Ou seja, sempre existirá alguma justificativa ou problema para tal alteração.

Elevações no número das plaquetas, além do normal, não são muito comuns, mas podem ser responsáveis pela formação de coágulos na circulação, produzindo tromboses ou derrames.

O aumento na quantidade das plaquetas também deve ser sempre avaliada, pois várias doenças hematológicas e não hematológicas podem causar tal alteração.

Como podemos ver, um exame tão simples e de fácil acesso a praticamente todas as pessoas, é capaz de trazer uma série enorme de informações que poderão auxiliar o médico a avaliar melhor seu paciente. Além disso, é capaz de auxiliar, e muito, no diagnóstico de várias doenças, que sem o hemograma, seriam muito mais difíceis de serem diagnosticadas.

O médico Hematologista/Hemoterapêuta é o profissional com formação especializada nas áreas de terapia transfusional, transplante de medula óssea, tromboses e doenças do sangue e da coagulação. Seu médico poderá encaminhá-lo a esse especialista sempre que houver necessidade e, na grande maioria das vezes, um simples hemograma pode ser o primeiro sinal para o encaminhamento.

Portanto fique atento! Faça pelo menos uma vez ao ano um hemograma. Também é importante lembrar que não há necessidade de repetí-lo frequentemente caso o resultado esteja normal.

Lygia G. Bruggemann Peters

Fonte: www.guiamedicoflorianopolis.com.br

Hemograma

Hemograma

O que é hemograma?

Hemograma é um exame laboratorial que avalia os elementos celulares do sangue, isto é, as células do sangue tanto em número quanto os seus diversos tipos. É o exame mais solicitado aos pacientes nas consultas médicas.

Para que serve?

É coadjuvante indispensável no diagnóstico e no controle evolutivo das emergências médicas, clínicas, cirúrgicas e traumatológicas, nas doenças infecciosas, nas doenças crônicas em geral, no acompanhamento de quimioterapia e radioterapia, e obviamente em todas as doenças hematológicas. Enfim, é de extrema utilidade nas mais diversas doenças.

Como é o procedimento?

Para o hemograma, usa-se sangue coletado de veia periférica com agulha ou escalpe de calibres compatíveis com o tamanho da veia. É minimamente invasivo.

A quantidade a ser coletada é pequena: 0,5 a 1 ml de sangue para crianças e de 2-3 ml para adultos.

Quais doenças o hemograma pode detectar?

São inúmeras as doenças que podem ser detectadas pelo hemograma. Apenas para mencionar uma das mais comuns no mundo todo, temos a anemia.

Aproximadamente 1 bilhão de indivíduos tem ou teve anemia em algum período de sua vida.

Quais são os tipos de hemograma?

O hemograma pode ser analisado manualmente ou com equipamentos. Os avanços tecnológicos nessa área têm sido muito expressivos e cada vez mais laboratórios utilizam-se de equipamentos para análise do hemograma. Importante lembrar que o uso de equipamentos não dispensa a análise microscópica por hematologista (médico especializado nas doenças do sangue) quando detectadas alterações significativas nesse exame.

Para quem é indicado?

São tantas as indicações desse exame (quase 50% dos pedidos de exames laboratoriais incluem o hemograma) que é difícil precisar todas as suas indicações.

Podemos afirmar que os valores desse exame variam conforme idade e sexo, devendo-se ter o cuidado na interpretação dos resultados encontrados.

Qual a idade mínima para fazer o hemograma?

Não há idade mínima para a coleta de hemograma, podendo ser feito até mesmo durante a vida intra-uterina (durante a gestação).

Fonte: idmed.com.br

Hemograma

Entenda para que servem as principais análises sanguíneas e o benefício do check-up

Todo mundo já fez um check-up pelo menos uma vez na vida. Algumas pessoas exageram e procuram seu médico de 6 em 6 meses para realizar seus exames.

Quem é que nunca recebeu suas análises de sangue cheia de números, termos técnicos e palavras desconhecidas ? E quando surge um resultado fora do valor de referência? Aquele número em negrito logo se transforma em uma ameaça de doença oculta. Já perdi a conta de quantos amigos e familiares já não me ligaram por causa desse temido valor fora da referência. A pergunta é sempre a mesma - Isso é algo grave?

Bom, antes de explicar o básico dos exames de sangue e check-ups é preciso esclarecer alguns pontos.

1 ) Os exames são chamados de "exames complementares" porque complementam a avaliação médica. Nunca a substitui. Um resultado de exame de sangue sem uma história clínica e uma exame físico do paciente pode causar mais confusão do que elucidações.
2 )
Qualquer exame complementar, seja de sangue, urina, imagem etc... é passível de erros. Estes erros podem ser tanto de interpretação, como erros nas máquinas que os produzem. É preciso um médico para saber interpretar os resultados. O quadro clínico do doente é sempre soberano. Deve-se diagnosticar e tratar o paciente, nunca o exame.
3 ) Não se pede exames sem motivo. O conceito do check-up completo é errado. Como os exames podem apresentar erros, não faz sentido solicitá-los se não há uma hipótese diagnóstica a ser investigada.
4 ) É preciso saber diferenciar exames de rastreamento (screening) do check-up. Os exames de rastreamento são aqueles realizados para se identificar doenças prevalentes em um determinado grupo ou faixa etária. São exames que se mostraram benéficos quando solicitados periodicamente. Um exemplo é a mamografia para o câncer de mama ou um exame ginecológico de rastreamento de câncer de colo de útero. Não faz sentido, por exemplo, solicitar ressonâncias magnéticas de crânio em todo mundo para tentar descobrir tumores cerebrais.
5 ) O que muitas empresas fazem, solicitando vários exames a novos empregados e encaminhando-os a especialistas quando aparece alguma alteração, é uma aberração. Primeiro, é gasto desnecessário de recursos da saúde, segundo, vários desses exames poderiam ser descartados com uma simples consulta, e terceiro, resultados errados levam a ansiedade desnecessária por parte do paciente, que às vezes, é rotulado como doente, quando na verdade não o é.
6 ) Alguns pacientes confundem o que é um exame de sangue. Não existe uma solicitação única, que engloba todos as análises existentes. Existem centenas de dosagens diferente em uma análise de sangue. O médico precisa especificar no pedido quais análises ele gostaria de receber. Se o médico não solicitar uma dosagem de colesterol, este não virá nos resultados. Não é porque foi colhido uma amostra de sangue, que sempre será feito hemograma, colesterol, glicose ou qualquer outra dosagem. O laboratório só fornece o que foi pedido, e o médico só pede o que acha ser relevante para aquele momento.

Bom, vamos então imaginar que seu médico após uma criteriosa avaliação do seu estado de saúde, dos seus antecedentes patológicos, do histórico familiar e de seus hábitos de vida, resolveu solicitar alguns exames para complementar sua avaliação.

Eis os exames de sangue mais frequentes na prática clínica:

A) HEMOGRAMA

O hemograma é o exame para avaliar as três principais linhagens de células do sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas). É o mais complexo e o que merece maiores explicações. Concentre-se apenas naqueles que explicarei.

1- Hemácias (glóbulos vermelhos)

Serve para o diagnóstico de anemia que é a redução do número de células vermelhas.

São levados em conta principalmente os valores do hematócrito e da hemoglobina. Valores um pouco fora da faixa de referência podem não ter significado clínico. Mulheres podem ter hematócrito/hemoglobina um pouco mais baixo devido a perdas de sangue na menstruação. Fumantes costumam tê-los um pouco elevado devido a pior oxigenação do sangue pelos seus pulmões.

Repito: esses valores devem sempre ser interpretados

2- Leucócitos (glóbulos brancos)

São as nossas células de defesa. É o exército ou a polícia do organismo. Chamamos de leucocitose quando estão aumentados. Normalmente indicam uma resposta do organismo a um processo infeccioso em curso. Doentes com pneumonia ou um abscesso costumam ter seu número de leucócitos aumentados. A ausência de leucocitose de modo algum descarta uma infecção. Mais uma vez, o quadro clínico é sempre soberano.

Grandes elevações podem indicar leucemia. Leucopenia é o nome que se dá a baixa contagem dos leucócitos. Significa uma supressão da imunidade e maior susceptibilidade a infecções.

Os leucócitos são divididos em 5 grupos de células com funções diferentes na defesa do organismo:

Neutrófilos
Eosinófilos
Basófilos
Linfócitos
Monócitos

Essas dosagens servem para se identificar qual linhagem é a responsável pela leucocitose ou leucopenia.

3- Plaquetas

São as células responsáveis pelo processo de coagulação do sangue. Elevações são chamadas de trombocitose e a diminuição de trombocitopenia. Pacientes com plaquetas muito baixas são mais propensos a sangramentos. Plaquetas muito elevadas podem favorecer a formação de trombos.

A dosagem das plaquetas são necessárias antes de cirurgias ou procedimentos susceptíveis a sangramentos. Também são importantes na distinção da forma hemorrágica e clássica da dengue.

B) Tempo de tromboplastina ativada (PTT ou TTP) e tempo de protrombina (TAP ou TP)

Medem o tempo que o sangue demora para coagular. Obviamente, tempos maiores indicam maior propensão a sangramentos. A cascata da coagulação inicia-se com a ativação das plaquetas e é completada pela ação dos fatores da coagulação. O TAP e o PTT medem a funcionamento desses fatores. A avaliação completa do estado da coagulação, feita com o TAP, PTT e plaquetas, é muitas vezes chamado de coagulograma.

A dosagem do INR é uma outra maneira de avaliar o TAP. Atualmente é a mais usada por ser mais confiável.

C) COLESTEROL

O colesterol total é composto da soma das frações HDL+LDL+VLDL.

HDL - colesterol bom. Protege os vasos da aterosclerose (Placas de gordura). Quanto mais elevado melhor.
LDL e VLDL - Colesterol ruim, formador da aterosclerose que obstrui os vasos sanguíneos e leva a doenças como infarto. Quanto mais baixo melhor.
Triglicerídeos - Estão relacionados ao VLDL. Normalmente equivale a 5x o seu valor. Um paciente com 150 mg/dl de triglicerídeos apresenta 30 mg/dl de VLDL.

Há algum tempo se sabe que o colesterol total não é tão importante quanto os valores de suas frações.

Pois vejamos 2 pacientes distintos:

1- HDL = 70, LDL= 100, VLDL= 30. Colesterol total = 200 mg/dl
2- HDL = 20, LDL = 160, VLDL = 20. Colesterol toal = 200 mg/dl

Sem dúvida o primeiro paciente tem muito menos risco de desenvolver ateroesclerose que o segundo, apesar de terem o colesterol total igual. Não basta ver a quantidade, é necessário saber a qualidade.

D) UREIA e CREATININA

São as análise que avaliam a função dos rins.

Seus valores são usados para cálculos do volume de sangue filtrado pelos rins a cada minuto. Os melhores laboratórios já fazem esse cálculo automaticamente para o médico e normalmente vem com o nome de "clearance de creatinina" ou "taxa de filtração glomerular".

Valores aumentados de ureia e creatinina indicam diminuição da filtração pelo rim.

Valores menores que 60 ml/minuto de clearance de creatinina indicam insuficiência renal.

Este é um dos exames que mais requerem interpretação do médico, pois o mesmo valor de creatinina pode ser normal para uma pessoa, e significar insuficiência renal para outra.

E) GLICOSE

A dosagem de glicose é importante para o diagnóstico ou controle do tratamento do diabetes mellitus. Só tem valor se realizada com um jejum mínimo de 8 horas.

Valores menores que 100 mg/dl são normais
Valores entre 100 e 125 mg/dl são considerados pré-diabetes.
Valores acima de 126 mg/dl são compatíveis com diabetes (deve ser sempre repetido para confirmação do diagnóstico)

F) TGO (AST) TGP (ALP)

São exames para se avaliar o fígado. Valores elevados indicam lesão das células hepáticas. Normalmente traduzem algum tipo de hepatite, seja viral, medicamentosa ou isquêmica.

G) Sódio (Na+), Potássio (K+), Cálcio (Ca++) e Fósforo(P-)

São chamados de eletrólitos. Valores elevados ou diminuídos devem ser tratados e investigados, pois podem trazer risco de morte se estiverem muito alterados.

H) TSH e T4 livre

São análises para se avaliar a função da tireóide, um pequeno órgão que se encontra na região anterior do nosso pescoço e controla nosso metabolismo. São com eles que diagnosticamos e controlamos o hipertireoidismo e o hipotireoidismo.

I) ÁCIDO ÚRICO

O ácido úrico é o metabólito resultante da metabolização de algumas proteínas pelo organismo. Níveis elevados são fatores de risco para gota, cálculo renal e estão associados a hipertensão e doenças cardiovasculares.

J) PCR

É uma proteína que se eleva em estados inflamatórios. Ela é inespecífica. Normalmente indica processo infeccioso em andamento, mas também pode estar alta nas neoplasias e doenças inflamatórias. Uma PCR elevada associado a leucocitose é forte indicador de infecção em curso.

K) PSA

Proteína que se eleva em caso de câncer de próstata ou prostatites (infecção da próstata). Aumentos do tamanho da próstata com a idade, chamada de hiperplasia prostática benigna, também podem levar a elevações, mas não nos níveis da neoplasia.

L) ALBUMINA

A albumina é a proteína mais abundante no sangue. É uma marcador de nutrição. Como é sintetizada pelo fígado também serve para avaliação da função hepática em doentes cirróticos.

M) VHS ou VS

É mais um teste não específico de inflamação. É menos sensível que o PCR. Costuma estar muito elevado nas doenças auto-imunes.

N) EAS ou Urina Tipo I

É o exame básico de urina. Permite a detecção de doenças renais ocultas e pode sugerir a presença de infecções urinarias.

Com ele podemos avaliar a presença na urina de pus, sangue, glicose, proteínas etc... substâncias que em geral não deveriam estar presentes.

O) UROCULTURA

É o exame de escolha para diagnosticar infecção urinária. Com ele conseguimos identificar a bactéria responsável e ainda testar quais são os antibióticos efetivos e resistentes

P) EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES

É o exame solicitado para investigar a presença de parasitas, conhecido vulgarmente por vermes

Existem inúmeras outras análises que são pedidas no sangue, fezes e urina. Estas são as mais comuns.

Pergunte sempre ao seu médico o porquê de cada exame solicitado. Não existe pedir exame apenas por pedir. A boa prática médica pede que todo exame solicitado tenha um motivo.

Pedro Pinheiro

Fonte: www.mdsaude.com

Hemograma

O hemograma compreende a contagem das células do sangue periférico (hemácias, leucócitos e plaquetas) e a contagem diferencial dos cinco tipos leucocitários, além da quantidade dos valores da hemoglobina e do hematócrito e ainda o do cálculo dos índices hematimétricos.

I ) - ERITROGRAMA

É a parte do exame hematológico que avalia especificamente a série vermelha, através dos seguintes parâmetros: número de glóbulos vermelhos, dosagens de hemoglobina e hematócrito e índices hematimétricos. O eritrograma permite o diagnóstico e o acompanhamento das anemias e poliglobulias.

Define-se anemia como “ o estado no qual a concentração de hemoglobina sanguínea é menor do que o limite inferior de referência para a idade e sexo do paciente ”; em geral, considera-se como anemia os níveis de hemoglobina:

Abaixo de 13,5g/dl em homens e de 11,5g/dl em mulheres adultos
Ao nascimento, como os recém-nascidos têm níveis altos de hemoglobina, considera-se 15,0g/dl o limite inferior de referência.
Dos três meses de idade até a puberdade, níveis abaixo de 11,0g/dl indicam anemia.

Quando a concentração de hemoglobina diminui, geralmente diminuem também as contagens de glóbulos vermelhos do sangue.

Poliglobulia é a condição na qual a concentração de hemoglobina sanguínea é maior do que o limite superior de referência para o sexo e idade do paciente; considera-se, geralmente, valores acima de 18g/dl e de 16g/dl para homens e para mulheres adultos, respectivamente. Ao nascimento, as crianças são fisiologicamente poliglobúlicas, considerando-se como limite superior da normalidade, nessa faixa etária, valores de até 22g/dl.

Os índices hematimétricos são valores fornecidos pelo contador eletrônico de células que ajudam a caracterizar o quadro anêmico.

Eles podem ser calculados pelas relações apresentadas no quadro 1:

ÍNDICE CÁLCULO SIGNIFICADO
VCM
Volume corpuscular médio
Ht/GV Tamanho da hemácia
HCM ( pg )
Hemoglobina corpuscular média
Ht/GV Cor da hemácia
CHCM ( % )
Concentração de hemoglobina corpuscular média
Hb/Ht ou HCM/VCM Cor da hemácia
RDW (% )
Cell distribution width
________ Anisocitose
Ht ( % )
Hematócrito
GV x VCM Volume eritrocitário

Hb = hemoglobina GV = glóbulos vermelhos pg = picograma

O hematócrito corresponde, em porcentagem, ao volume de hemácias em relação ao volume total de sangue.

Ao mesmo número de hemácias podem corresponder valores de hematócrito diferentes, conforme o estado de hidratação do indivíduo:

Desidratação e redução no volume plasmático geram valores mais elevados
Hipervolemia e aumento no volume plasmático resultam em valores menores.

O número de hemácias, isoladamente, não tem grande valor, mas é fundamental para o cálculo dos índices. Nos aparelhos automatizados, o hematócrito é calculado e não medido diretamente e, por esta razão, não é um índice adequado para se avaliar anemia.

Os índices hematimétricos avaliam as hemácias em relação ao tamanho e conteúdo de hemoglobina, auxiliando na caracterização dos quadros anêmicos. Os contadores automatizados medem o VCM (volume corpuscular médio) e calculam os demais índices, razão pela qual o VCM e a hemoglobina são os parâmetros de escolha para avaliação da anemia.

O VCM é um índice de tamanho da hemácia:

Hemácias com VCM abaixo de 80: são consideradas microcíticas
Valores acima de 95:
indicam macrocitose
O VCM é normal nas chamadas hemácias normocíticas.

De maneira geral, as alterações no tamanho das hemácias são referidas como anisocitose (microcitose e macrocitose).

Recentemente, o uso de aparelhos automatizados permitiu a introdução de um novo índice, o RDW - red cell distribution width, o qual corresponde à amplitude de distribuição do tamanho das hemácias. É mais um índice de anisocitose, indicando o quanto a população de hemácias se desvia do tamanho médio.

HCM e CHCM são índices de cor, refletindo a concentração de hemoglobina presente nas hemácias.

Valores de CHCM abaixo de 30%: indicam hipocromia, condição em que as hemácias estão menos coradas que as normais por apresentarem uma concentração hemoglobínica subnormal.

A classificação hematimétrica das anemias relaciona índices de cor e tamanho:

As anemias hipocrômicas geralmente são microcíticas; um exemplo desta condição é a anemia ferropriva, já que o ferro é fundamental para o processo normal de hemoglobinização das hemácias.
As anemias normocrômicas e normocíticas apresentam índices de cor e tamanho normais, porém, a concentração de hemoglobina e o número de glóbulos vermelhos são anormais; é o caso das anemias da doença crônica ou por sangramento agudo.
As anemias macrocíticas apresentam VCM acima do limite superior de referência; um exemplo é a deficiência de vitamina B e/ou de folato, os quais são cofatores indispensáveis para a maturação nuclear normal dos precursores eritrocíticos.

Precursores:

Os precursores das hemácias maduras são os chamados eritroblastos, células nucleadas que se encontram, normalmente, apenas na medula óssea; tais células só passam ao sangue periférico em condições de estímulo aumentado à gênese da série vermelha, como por exemplo na anemia hemolítica.
O precursor imediato da hemácia madura é o reticulócito (nl =1 a 2%; no RN é mais elevado:
a termo, 5%, prematuro, até 10%, normaliza-se ao fim da primeira semana), célula anucleada com restos ribossômicos em seu citoplasma e cuja contagem é útil para se avaliar a formação de novas hemácias.

Reticulócitos acima de 2,0% indicam maior estímulo à eritrogênese: anemias hemolíticas, pós-hemorrágicas. Reticulócitos também aumentam nas anemias ferroprivas quando se administra ferro (modo indireto de se diagnosticar anemia ferropriva)
Contagem inferior a 0,5% sugere falta de produção medular de glóbulos vermelhos (provável anemia ferropriva ou aplástica).

Alterações de forma, cor e tamanho de hemácia:

A avaliação da série vermelha inclui o exame microscópico do esfregaço sanguíneo, porque muitas alterações morfológicas de importância diagnóstica não são identificadas apenas pelas contagens e cálculo dos índices. A observação microscópica das hemácias pode fornecer informações adicionais importantes, sendo particularmente útil no diagnóstico das anemias.

Alterações da forma:

Anisocitose é a variação de tamanho das hemácias, medida pelos índices VCM e RDW
Poiquilocitose é a variaçâo da forma das hemácias
Alterações de forma das hemácias podem sugerir tipos específicos de anemias, necessitando-se eventualmente de outros exames para confirmação diagnóstica. São tipos de poiquilócitos: esferócitos (esferocitose hereditária), ovalócitos (ovalocitose), hemácias em alvo (talassemia ou HbC), hemácias em lágrima ou dacriócitos (mielofibrose), estomatócitos (estomatocitose), esquizócitos (coagulação intravascular disseminada, prótese valvar, microangiopatia), equinócitos ou crenadas (uremia), acantócitos (dislipidemia) e hemácias em foice ou drepanócitos (anemia falciforme).

Alterações da cor:

Hipocromia e hipercromia referem-se à variação de cor e são indicadas pela CHCM
O termo policromasia refere-se à cor azulada que as hemácias mais jovens – reticulócitos - assumem quando presentes no sangue periférico.

Atenção:

A anemia carencial ferropriva é a mais comum das anemias da infância
A idade de aparecimento geralmente é de 6meses a 2 anos, com pico de 6 a 10 meses, mas os sintomas geralmente se tornam evidentes mais tarde
São fatores de risco:
prematuridade ou baixo pesos ao nascer, anemia materna, ingestão exagerada de leite de vaca (ou de cabra), dieta prolongada com mamadeiras (atraso em iniciar alimentos sólidos), perda gastrointestinal ( diarréia crônica, ancilostomíse, RGE, alergia a leite de vaca, anomalias anatômicas, úlcera péptica).
É HIPOCÔMICA E MICROCÍTICA COM REICULÓCITOS BAIXOS E RDW ELEVADO
Adinamia, fraqueza, desânimo, mau desempenho físico e escolar são comuns. Pode haver vontade de comer terra ou gelo. Esplenomegalia pode ser palpada em 15% dos doentes. Deficiência de ferro está relacionada com déficit de aprendizado, menor desempenho intelectual e de atenção, tanto em crianças quanto em adolescentes.
Geralmente e microcitose e hipocromia e poiquilocitose mais a história clínica são suficientes para o diagnóstico e início do tratamento. Quando a história é típica e a palidez inquestionável o tratamento pode ser iniciado mesmo antes do resultado do laboratório Quando persiste dúvida estuda-se o ferro sérico e suas proteínas transportadoras.

O ferro sérico está baixo na anemia ferropriva mas em lactentes seu valor se superpõe à faixa normal, portanto, O FERRO SÉRICO ISOLADO É UM MAU MARCADOR DE ANEMIA FERROPRIVA (o valor limite normal varia com a idade)
A ferritina sérica é a proteína que se liga ao ferro nos tecidos. Reflete o total de ferro no organismo. Está diminuída na anemia ferropriva, exceto nos casos associados de infecção/inflamação. O valor da Ferritina Sérica pode ter aumento de duas a quatro vezes na presença de infecções e processos inflamatórios, o que faz diminuir o seu valor diagnóstico.
Quase todo o ferro do soro está ligado à transferrina, a proteína de transporte do ferro. Na anemia ferropriva aumenta muito a síntese de transferrina para compensar o transporte e a absorção. Valor normal varia de 300 a 360 microg/dL
O índice de saturação da transferrina é baixo.Valores abaixo de 10% da saturação de transferrina são indicativos de anemia ferropriva, entre 10 e 16%, duvidoso e acima de 16% normal.

Atenção:

Suspeitar de anemia hemolítica quando no hemograma aparecerem sinais de estímulo acentuado à eritropoiese, como presença de:

Eritroblastos circulantes (precursores nucleados das hemácias)

Inclusões no citoplasma das hemácias:

Corpúsculos de Howell-Jolly (restos de cromatina nuclear)
Pontilhado basófilo (restos ribossômicos, instabilidade do RNA)
Anel de Cabot (restos de membrana nuclear)
Corpúsculos de Pappenheimer (grânulos contendo ferro

II ) - LEUCOGRAMA

É a parte do hemograma que inclui a avaliação dos glóbulos brancos. Compreende as contagens global e diferencial dos leucócitos, além da avaliação morfológica do esfregaço sanguíneo ao microscópio.

Este exame está indicado no diagnóstico e acompanhamento dos processos infecciosos, inf lamatórios, alérgicos, tóxicos e neoplásicos.

Os valores de referência para leucócitos totais e para os diferentes tipos leucocitários variam com a idade. Crianças costumam apresentar contagens globais mais altas, com porcentagens relativas de linfócitos superiores às dos adultos, diferença esta que tende a desaparecer após a puberdade.

Número global de leucócitos é alto no recém-nascido, e começa a cair ano fim de 2 ou 3 dias.

Leucopenia é definida pela contagem de leucócitos abaixo de 4 000 por mm3
Leucocitose corresponde à contagem acima de 10 000 leucócitos por mm3.

A contagem relativa dos leucócitos é de uso corrente na prática clínica, mas pode não traduzir uma real alteração; esta deve ser comprovada pela contagem absoluta, a qual considera o número global dos leucócitos.

Os glóbulos brancos podem ser classificados em:

Granulócitos: neutrófilos (segmentados), eosinófilos e basófilos. Os neutrófilos jovens são formas não segmentadas (bastonetes, metamielócitos, mielócitos e pró-mielócitos)
Não granulócitos:
linfócitos e monócitos.

O número global de leucócitos no RN é alto e começa a cair no fim de 2 a 3 dias.

Valores hematológicos normais no RN:

  Ao nascer 12 horas 24horas >72h
Neutrófilos totais
(bastões + segmentados)
1.800 - 5.000 8100 - 14.400 7.000 - 12600 1.800 - 5.400
Neutrófilos imaturos
(bastões)
1.100 1.400   >60h: 800

Fórmula leucocitária

Na fórmula do RN predominam os neutrófilos (segmentados), mais ou menos até o décimo dia.

A partir dessa época:

Hemograma

Aos 3 ou 4 anos: equilíbrio

10 ou 12 anos: semelhante ao adulto:

Hemograma

O aumento de segmentados é denominado de neutrofilia e ocorre principalmente nas infecções bacterianas.

Cada um dos tipos de leucócito está envolvido com uma função particular.

Desvio à esquerda corresponde ao aparecimento, no sangue periférico, de precursores granulocíticos, que normalmente se localizam na medula óssea. Estes precursores incluem os bastonetes, os mielócitos e os metamielócitos.
O desvio à esquerda ocorre em resposta aos processos infecciosos bacterianos ou na leucemia mielóide crônica nos primeiros existe um desvio escalonado por todos os precursores.

Na avaliação dos resultados devem-se considerar os valores de referência para idade, sexo e etnia, bem como as condições de coleta do sangue. Situações de estresse, gravidez, exercício físico, alimentação e uso de corticóides podem aumentar a leucometria, mais especificamente o número de neutrófilos circulantes.

Leucocitose – aumento global de leucócitos – verifica-se:

Na maior parte dos casos de infecções bacterianas, agudas e crônicas.
Nas infecções bacterianas supuradas
Na coqueluche, no fim do período catarral e no começo do paroxístico ( atinge de 15.000 a 45.0000), havendo predomínio de linfócitos
Na mononucleose infecciosa, há elevação de leucócitos a partir da segunda semana, podendo exceder 30.000, e linfocitose, com presença de linfócitos atípicos
Na cetoacidose diabética ( na ausência de qualquer processo infeccioso), cifras podem atingir 20.000 a 30.000.

NAS INFECÇÕES BACTERIANAS SÃO OBSERVADOS:

Leucocitose por neutrofilia (aumento dos neutrófilos)
Desvio à esquerda escalonado dos neutrófilos:
corresponde à presença de neutrófilos jovens, as formas não segmentadas (bastonetes, metamielócitos, mielócitos e pró-mielócitos), no sangue periférico. O desvio é dito escalonado quando existe predomínio dos neutrófilos mais maduros.
Alterações tóxico-degenerativas nos neutrófilos:
caracterizadas pela presença de granulações tóxicas, corpúsculos de Döle e vacúolos no citoplasma dos neutrófilos
Eosinopenia

A resolução do processo infeccioso caracteriza-se por:

Diminuição do número de neutrófilos
Aumento do número de linfócitos
Retorno de eosinófilos

Tanto o desvio à esquerda quanto as granulações tóxicas são indicadores do aumento da produção e da velocidade de maturação dos neutrófilos pela medula óssea. Esta reação é comumente associada às infecções graves como pneumonias, endocardites, peritonites, pielonefrites, abscessos, etc. O surgimento de leucopenia no curso destas infecções é um sinal de mau prognóstico.

Alterações hematológicas na sepse do recém-nascido:

Leucopenia: < 5000 ou Leucocitose: > 25000
Neutropenia (diminuição de neutrófilos):
< 2500
Granulocitopenia:
< 500 (mau prognóstico)
Granulações tóxicas e vacúolos neutrofílicos
Bastonetose:
mais de 1400 bastões entre 12 e 18 horas de vida e após maior que 800
Ìndice neutrofílico:
relação Nº bastões/neutrófilos totais maior que 0,2 (mais sensível; sensibilidade maior que 90% e valor preditivo negativo em 100% dos RN normais
Plaquetopenia:
<100.000 (tardio)

As leucocitoses reacionais intensas são chamadas de reações leucemóides e devem ser diferenciadas principalmente da leucemia mielóide crônica. Nesta, o desvio à esquerda é não escalonado, com aumento de mielócitos e presença de poucos blastos. São comuns os aumentos no número de eosinófilos e de basófilos. A pesquisa de fosfatase alcalina nos neutrófilos pode ajudar nos casos mais difíceis. Ausência de atividade da fosfatase alcalina neutrofílica sugere a origem leucêmica dos neutrófilos.

Em raras ocasiões verifica-se a presença de neutrófilos jovens não escalonados e eritroblastos no sangue periférico, caracterizando a reação leuco-eritroblástica. Esta reação, que deve ser diferenciada dos quadros reacionais, sugere a presença de infiltração de medula óssea por metástases, por exemplo, permitindo o escape de células medulares.

Leucopenia – diminuição global dos leucócitos – encontra-se:

Na maior parte das viroses há leve leucopenia com linfocitose, mas às vezes o número de leucócitos não se modifica ou se mostra um pouco elevado
Em certas infecções bacterianas, como febre tifóide e paratifóide
Em infecções bacterianas habitualmente acompanhadas de leucocitose, em condições particulares, o aparecimento de leucopenia traduz um prognóstico de gravidade em relação à infecção (falha dos meios de defesa do organismo).
Nas riquetsioses (primeira semana de evolução do tifo exantemático)
Malária crônica
Leishmaniose visceral
Início do choque anafilático
Várias doenças do sangue:
anemia aplástica, leucemia aguda (formas leucopênicas)
Carência de ácido fólico ou vitamina B12. desnutrição grave. LES
Certas doenças acompanhadas de esplenomegalia (como a doença de Gaucher)
Como efeito de agentes depressores da medula óssea:
medicamentos (cloranfenicol, imunodepressores), tóxicos ( DDT), irradiação.

NAS INFECÇÕES VIRAIS SÃO OBSERVADAS, EM GERAL:

Leucopenia ou leucocitose por aumento no número de linfócitos
Atipia linfocitária:
caracterizada pela presença de linfócitos maiores, com citoplasma mais volumoso e basofílico, núcleos irregulares e com cromatina mais aberta. Esta reação é mais comum em crianças e adolescentes, sendo rara em adultos; a doença mais comumente associada a atipia linfocitária é a MONONUCLEOSE INFECCIOSA.
Algumas vezes, o polimorfismo dos linfócitos atípicos pode ser confundido com blastos ( que ocorrem nas doenças linfoproliferativas neoplásicas, como as leucemias).

O aumento no número de eosinófilos (eosinofilia: >500 eosinófilos) está comumente associado a: processos alérgicos como asma, rinite e dermatite; processos parasitários, especialmente as verminoses intestinais.

Reações a medicamentos: penicilina, cefalosporinas,nitrofurantoína, clorpromazina; convalescença de doenças infecciosas agudas; síndrome de Löeffler e outros.

O aumento de monócitos está associado aos processos inflamatórios ou infecciosos crônicos.

Linfocitose -aumento dos linfócitos – ocorre:

Nas infecções virais
Na coqueluche (acompanhada de leucocitose)
Nas infecções ou processos inflamatórios de evolução crônica ou subaguda (tuberculose, sífilis)
Na convalescença de moléstias infecciosas agudas

Dentre as principais causas de erro laboratorial na execução do hemograma destaca-se a coleta inadequada da amostra. Para este exame, o sangue deve ser obtido por punção venosa minimamente traumática, evitando-se, sempre que possível, o acesso de cateteres. O sangue assim colhido deve ser prontamente colocado em tubo de vidro contendo proporção adequada de EDTA (ácido etilenodiaminotetraacético) e homogeneizado com delicadeza. A formação de agregados plaquetários é causa de falsa plaquetopenia, podendo os microcoágulos resultar em grandes variações nas contagens celulares.

EXAMES DE URINA

Num indivíduo adulto normal, aproximadamente um litro de sangue perfunde os dois rins a cada minuto, possibilitando a formação de um ultrafiltrado do plasma.

Este filtrado possui pH e osmolalidade semelhantes aos do plasma sanguíneo, ou seja, 7,4 e 285mOsm/kg de água, respectivamente. A densidade é de aproximadamente 1010.

À medida que o ultrafiltrado flui pelos túbulos de cada néfron e pelos duetos coletores de cada rim, ocorrem modificações em sua constituição química e suas características físicas, que resultam em um volume de urina com composição final extremamente diferente daquela inicial do ultrafiltrado, seja pela reabsorção da maioria das substâncias, seja pela secreção de outras tantas.

O volume final de urina formada depende do estado de hidratação do indivíduo. Os 180 litros de filtrado glomerular formados a cada 24 horas são reduzidos a um ou dois litros de urina. A tabela 8 apresenta os volumes de urina habitualmente observados nas diferentes faixas etárias.

Tabela 8: Volume de urina nas diferentes faixas etárias

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Faixa etária

Volume (ml/24 horas)

1 a 2 dias

30-60

3 a 10 dias

100 - 300

11 a 60 dias

250 - 450

61 dias a 1 ano

400 - 500

2 a 3 anos

500 - 600

4 a 5anos

600 - 700

6 a 8anos

650 - 1.000

9 a14 anos

S00 - 1.400

Adultos

600 - 1.600

Idosos

250 - 2.400

Frente a algumas situações clínicas, pode ser útil a realização de dosagens bioquímicas na urina coletada por períodos de 12 ou 24 horas. A coleta de urina por períodos longos, ainda que mais representativa, pode se constituir em grande obstáculo nos pacientes pediátricos. Uma possível solução para este problema é a adoção de valores de referência parametrizados em relação à excreção urinária de creatinina.

A excreção urinária de cálcio, por exemplo, pode ser avaliada em amostras de urina de 24 horas ou isoladas, sendo expressa por creatinina (mg/g).

Os intervalos de referência nas diferentes faixas etárias são:

Relação cálcio/creatinina

0 a 6 meses – inferior a 0,86
7 a 18 meses – infenor a 0,60
19 a 24 meses – inferior a 0,42
acima de 2 anos – inferior a 0,2

Para as relações ácido úrico/creatinina e oxalato/creatinina, os intervalos de referência, nas diferentes faixas etárias. estão listados na tabela 9.

Tabela 9: Relação ácido úrico / creatinina (mg/g) e oxalato / creatinina (mg/g): intervalos de referencia nas diversas faixas etárias

Hemograma

Exame de urina de rotina (tipo I)

O exame de urina de rotina é um dos procedimentos laboratoriais mais solicitados para os pacientes com as mais diferentes queixas clínicas, ou mesmo para indivíduos normais que apenas se submetem à avaliação periódica, sem sintomatologia alguma.

Este exame pode fornecer informações úteis para o diagnóstico de processos irritativos, inflamatórios e infecciosos, bem como de alguns distúrbios metabólicos, como por exemplo, diabetes e acidose. Graças às diferentes substâncias pesquisadas é possível, também, a detecção até mesmo de algumas doenças não relacionadas com o rim ou vias urinárias, como distúrbios hemolíticos, hepatite, etc.

Como todos os demais exames laboratoriais, a ocasião e as condições de coleta são fundamentais para a obtenção de resultados úteis e confiáveis. Idealmente, deve-se utilizar amostra recente coletada após um período de, pelo menos, duas horas sem que o indivíduo tenha urinado. A urina deve ser colhida após assepsia local, desprezando-se o primeiro jato sempre que possível.

O exame é constituído por três fases: análises física, química e de elementos figurados.

Análise física

Compreende a observação do aspecto, da cor e da densidade.

Aspecto: a urina normal possui aspecto claro, transparente. Pode, porém, se apresentar turva devido à presença de formações de uratos ou fosfatos amorfos.
Cor:
a cor da urina normal varia do amarelo ao âmbar e é devida à presença de um pigmento chamado urocromo. As colorações rósea, vermelha ou castanha podem indicar presença de sangue, enquanto a cor âmbar escuro sugere níveis elevados de urobilina ou bilirrubina; já as urinas que assumem uma tonalidade amarela-viva, verde ou mesmo azul podem ser compatíveis com o uso de medicamentos, tais como antissépticos e vitaminas, ou de alimentos corados.
Densidade:
o uso da densidade como índice de avaliação parcial da integridade renal é baseado no conceito de que o túbulo renal normal é capaz de modular o volume de líquido a ser reabsorvido a partir do filtrado glomerular, poupando ou não água na dependência das necessidades imediatas do organismo. Em condições habituais, considera-se como densidade adequada aquela cujo valor se situa no intervalo entre 1 015 e 1 021 (1 018 + 0,003).

Análise química

Inclui a determinação do pH, a pesquisa de proteínas, glicose, corpos cetônicos, bilirrubinas e urobilinogênio e a quantificação dos valores de proteínas e glicose.

pH: os rins são reguladores do equilíbrio ácido-básico. A regulação se dá pela secreção de hidrogênio e de ácidos orgânicos fracos, bem como pela reabsorção de bicarbonato do ultrafiltrado pelos túbulos contornados. A determinação do pH urinário pode auxiliar no diagnóstico dos distúrbios eletrolíticos sistêmicos de origem metabólica ou respiratória e no acompanhamento de tratamentos que exijam manutenção da urina num determinado intervalo de pH. No exame de rotina, algumas vezes, a determinação do pH é substituída pela simples referência à reação (ácida, alcalina ou ligeiramente ácida). Esta determinação, para ter algum significado clínico, deve ser feita em amostra de urina recente.
Proteínas:
proteinúria pode ser indicadora de lesão renal.

Em relação à intensidade, ela pode ser classificada em:

Proteinúria elevada: excreção superior a 3,5g de proteínas em 24 horas. É típica de síndrome nefrótica, mas pode ocorrer em casos de glomerulonefrite, nefroesclerose, amiloidose, lupus eritematoso disseminado, trombose da veia renal, insuficiência cardíaca congestiva ou pericardite.
Proteinúria moderada:
excreção entre 0,5 e 3,5g de proteínas em 24 horas. É detectada em doenças renais como glomerulonefr,ite crônica, nefropatia diabética, mieloma múltiplo e nefropatia tóxica, na pré-eclâmpsia e ainda nas alterações inf lamatórias malignas, degenerativas e irritativas do trato urinário, incluindo a presença de cálculo urinário. excreção entre 0,5 e 3,5g de proteínas em 24 horas. É detectada em doenças renais como glomerulonefr,ite crônica, nefropatia diabética, mieloma múltiplo e nefropatia tóxica, na pré-eclâmpsia e ainda nas alterações inf lamatórias malignas, degenerativas e irritativas do trato urinário, incluindo a presença de cálculo urinário.
Proteinúria mínima:
excreção inferior a 0,5g de proteínas em 24 horas. Está associada a doenças como glomerulonefrite crônica, enfermidade policística renal, afecção túbulo-renal, fase de convalescença de glomerulonefrite aguda e vários distúrbios do trato urinário inferior.
Proteinúria postural:
ocorre apenas quando o indivíduo permanece em posição ereta e pode atingir até 1,0g de proteínas em 24 horas.
Proteinúria funcional:
associada a estados febris, à exposição ao calor ou ao frio intensos e a exercícios físicos.
Microalbuminúria:
presença de albumina na urina em quantidade variável de 20 a 200 microgramas por minuto ou de 30 a 300mg em 24 horas. No diabetes mellitus insulina-dependente, a microalbuminúria é indicador de doença renal inicial, refletindo a existência de lesão microvascular.

Em relação à etiologia e local de origem, a proteinúria pode ser classificada como se segue:

Proteinúria glomerular: é o tipo mais comum, havendo predomínio de albumina entre as proteínas excretadas. É decorrente do aumento da permeabilidade glomerular, como ocorre nas glomerulonefrites, sendo a proteinúria geralmente superior a 2,0 g em 24 horas.
Proteinúria tubular:
excreção urinária de proteínas de baixo peso molecular, as quais, em condições normais, são reabsorvidas pelas células tubulares. As proteínas excretadas são a beta-2 microglobulina, a lisozima, a pré-albumina, a proteína carregadora do retinol, a alfa-1 glicoproteína ácida, a alfa-2 macroglobulina e a siderofilina. A proteinúria tubular pode ocorrer agudamente, em situações de estresse, tais como queimaduras, pancreatite aguda ou administração de drogas nefrotóxicas. A proteinúria tubular crônica pode ser decorrente de doenças hereditárias, como a síndrome de Fanconi, ou de doença renal, como a pielonefrite crônica. Em geral, estas proteinúrias são de 1,0 a 2,0 g em 24 horas.
Proteinúria por sobrecarga:
ocorre quando a concentração plasmática de uma determinada proteína filtrável está anormalmente elevada, como acontece com a hemoglobina, nos casos de hemólise intravascular intensa, e com a mioglobina, nas lesões extensas de tecido muscular. Nas doenças linfoproliferativas, ocorre produção anormal de grandes quantidades de cadeias leves de imunoglobulinas, caracterizando a proteinúria de Bence-Jones.
Proteinúria pós-renal:
resultante do extravasamento de proteínas plasmáticas em decorrência de processos inf lamatórios, infecciosos ou neoplásicos em vias urinárias.
Glicose:
em circunstâncias normais, praticamente toda a glicose filtrada pelos glomérulos é reabsorvida no túbulo contornado proximal e a pesquisa de glicose na urina é negativa. O nível sanguíneo no qual a reabsorção tubular é superada é chamado de limiar renal e está situado na faixa entre 160 e 180 mg/dl. Esse conceito deve ser considerado nas situações em que a glicose aparece na urina.

Outros açúcares podem ser encontrados na urina, seja por simples sobrecarga alimentar, seja por deficiência de algumas enzimas responsáveis pelo metabolismo dos carboidratos. Estes erros inatos do metabolismo podem resultar em galactosúria, frutosúria e pentosúria. As fitas reagentes utilizadas na realização dos exames de urina de rotina são baseadas na reação com glicose--oxidase, o que lhes confere elevadas sensibilidade e especialidade. Para a identificação de outros açúcares, é necessária a utilização de metodologias específicas.

Corpos cetônicos: cetonúria ocorre no jejum prolongado, em estados febris, após exercícios físicos intensos, no frio intenso e no diabetes mellitus mal controlado.

Os três corpos cetônicos presentes são: ácido acetoacético (20%), acetona (2%) e ácido beta hidroxibutírico (78%).

Bilirrubina e urobilinogênio: em condições normais, após a conjugação, a bilirrubina direta é excretada pelas vias biliares, chegando ao intestino. Nesse local, por ação bacteriana, ela é metabolizada, gerando urobilinogênio. Cerca de 50% do urobilinogênio formado no intestino é reabsorvido pela circulação êntero-hepática e posteriormente excretado pelo fígado e pelo rim. Qualquer falha neste mecanismo, seja pela maior quantidade de bilirrubina formada, seja por lesão hepática que impeça a excreção do urobilinogênio, acarretará modificações na excreção urinária.

Há dois grupos de doenças que podem alterar os níveis de excreção urinária de bilirrubina e de urobilinogênio:

Doença hepática: a bilirrubina direta não é excretada, como ocorre, por exemplo, na obstrução biliar, ref luindo para o sangue. Como essa bilirrubina é filtrada pelos glomérulos renais, à medida que sua concentração aumenta no sangue, aumenta sua excreção renal. Como não chega bilirrubina no intestino, a produção de urobilinogênio é reduzida, chegando a ser negativa sua pesquisa na urina.
Doença hemolítica:
Há aumento acentuado na produção da bilirrubina indireta. Como o fígado está normal, grande quantidade de bilirrubina direta é produzida e lançada no intestino, com consequente conversão em urobilinogênio. Há, portanto, um aumento da reabsorção intestinal de urobilinogênio, elevando a excreção renal. Não ocorre excreção urinária de bilirrubina, pois a fração aumentada é a indireta, não solúvel e que circula ligada às proteínas, o que a torna não filtrável.

Hemoglobina: as fitas reagentes possuem áreas que permitem o reconhecimento da presença de hemoglobina na urina, seja na hemácia íntegra (hematúria) ou livre (hemoglobinúria). Esse dado é importante e deve ser relacionado com a observação do exame morfológico da urina. É possível a ocorrência de hemoglobinúria sem a presença de grande número de hemácias íntegras, em decorrência, por exemplo, de hemólise intravascular.

Análise dos elementos figurados

Pode ser realizada por microscopia óptica ou por citometria de fluxo. A microscopia é realizada no sedimento urinário obtido por centrifugação, enquanto na citometria de fluxo, a identificação e a contagem de elementos figurados são realizadas por equipamentos automatizados, em urina não centrifugada.

Os elementos figurados da urina incluem:

Células epiteliais: três diferentes tipos de células epiteliais podem ser observados na urina, quais sejam: escamosas, transicionais e tubulares renais. Na prática diária, pouca atenção é dispensada a estes elementos, uma vez que podem raramente ref letir alguma doença; no entanto, a presença de células com morfologia anômala deve ser considerada como indicativa de eventual processo neoplásico, havendo necessidade de exames mais específicos.
Células sanguíneas:
células do sangue periférico estão normalmente presentes em pequeno número na urina, sendo as mais frequentes os leucócitos polimorfonucleares e os eritrócitos.

Leucócitos: são visualizados cerca de 3 a 5 por campo e a elevação desse número indica, geralmente, a existência de processo inf lamatório ou infeccioso em algum nível do sistema urinário. A presença de um corpo estranho em via urinária, como cálculo, por exemplo, também pode ocasionar aumento no número de leucócitos. A detecção de mais de 50 leucócitos por campo, ou de grumos de leucócitos degenerados é fortemente sugestiva de infecção bacteriana aguda. Quando o exame é realizado por citometria de fluxo, considera-se como elevados mais de 20000 leucócitos por ml para os homens e mais de 30 000 leucócitos por ml para as mulheres;

Hemácias: não há um consenso sobre o número de hemácias que podem estar presentes na urina normal. Por esta razão, cada laboratório assume um valor de referência e o informa no lauda. Para a população pediátrica, em especial, o sedimento urinário obtido por centrifugação, quando examinado ao microscópio, apresenta de duas a cinco hemácias por campo; já na urina analisada por citometria de fluxo, considera-se como referência até 25 000 hemácias por ml.

Em urinas muito diluídas, com densidade entre 1002 e 1005, as hemácias podem se romper, liberando hemoglobina. Nesta eventualidade, o exame é negativo para hemácias, mas a pesquisa de hemoglobina se mantém positiva. Como a membrana celular é bastante flexível e distintamente permeável a solutos e água, a morfologia típica de disco bicôncavo dos eritrócitos pode ser alterada, em resposta a modificações na osmolalidade urinária. Quando a urina é hipertônica, verifica-se um deslocamento de água intracelular para o meio externo e a célula assume uma forma irregular, descrita como crenada. Quando a urina, ao contrário, está hipotônica, o fluxo de água ocorre em sentido contrário, fazendo com que as hemácias assumam a forma esférica.

Processos inflamatórios, infecciosos ou traumáticos das vias urinárias causam aumento do número de eritrócitos. A hematúria tem relação mais próxima com distúrbios de origem renal ou geniturinários, nos quais o sangramento é resultado de trauma ou irritação das mucosas. As principais causas de hematúria são: cálculos renais, glomerulonefrite, tumores, trauma, pielonefrite e exposição a produtos químicos tóxicos.

Pacientes com doenças glomerulares, como os diversos tipos de glomerulonefrites, nefropatia por IgA e nefroesclerose, apresentam eritrócitos com morfologia bizarra, denominados dismórficos, enquanto aqueles com lesões não glomerulares mostram eritrócitos com morfologia típica ou com alterações mínimas.

Estas características podem ser assim descritas:

Evaginações e/ou invaginações celulares com alta densidade óptica
Rupturas da membrana celular, com perda de citoplasma
Depósitos granulares com alta densidade óptica circundando internamente a célula; e
Células com aspecto de timão de navio, com evaginações pequenas circundando externamente a membrana.

Estas dismórficas não são devidas às modificações do meio ambiente urinário, mas sim da estrutura intrínseca da membrana celular e têm sido detectadas, com altos graus de sensibilidade (99%), e especificidade (93%) nos processos glomerulares. A referência ao dismorfismo eritrocitário só tem sentido quando se constata a presença de hematúria, uma vez que a maioria das hemácias observadas na urina de indivíduos normais apresenta algum grau de dismorfismo, sem nenhum significado clínico relevante.

Hematúria macroscópica é evento relativamente raro na clínica pediátrica, sendo relatada uma incidência anual de 1,3 por mil. Hematúria microscópica, porém, é encontrada com grande frequência na prática diária (ver definições de hematúrias macroscópica e microscópica no parágrafo abaixo). A ocorrência descrita na literatura varia na dependência dos critérios utilizados para diagnóstico, dos métodos laboratoriais, do número de amostras por indivíduo e das características da população estudada, entre outros fatores. Vehaskari e colaboradores, pesquisando crianças com idades entre oito e quinze anos, encontraram prevalência de 4,1% de hematúria microscópica definida como pelo menos uma amostra positiva em quatro; esta prevalência caiu para 1,1% quando houve exigência de duas amostras positivas em quatro. Doodge e colaboradores, ao analisarem amostras seriadas de urina de crianças com idades entre seis e doze anos, encontraram prevalência de 3,5 casos de hematúria por mil meninos e de 6,4 casos por mil meninas, considerando a ocorrência de pelo menos duas amostras positivas em três.

Com relação à intensidade, as hematúrias podem ser macroscópicas, quando o número de hemácias presentes é tal que o aspecto e a cor da urina estão alterados à simples inspeção visual, ou microscópicas, nas quais apenas ao exame mais minucioso se constata a presença de um número anormal destas células. A intensidade da hematúria não guarda relação com a gravidade do processo patológico que a ela deu origem; porém, as hematúrias microscópicas são, mais frequentemente, de origem glomerular, enquanto os sangramentos francos acompanhados de coágulos sanguíneos são, quase que exclusivamente, de causas urológicas. As hematúrias são ditas isoladas quando o aumento no número de hemácias é a única anormalidade presente. Em muitas ocasiões, a presença de hemácias está associada a outras alterações urinárias, das quais a proteinúria é a mais frequente. A hematúria pode, ainda, ser transitória, intermitente ou persistente.

Hematúria pode ser consequência de diferentes tipos de lesões em variados locais do trato urinário, dos rins até a uretra.

Ainda que um mesmo evento possa causar sangramento em diferentes locais do trato urinário, pode-se definir, sob o aspecto didático, quatro locais como fontes potenciais de hematúria: glomérulos, interstício renal, sistema vascular e vias urinárias. O reconhecimento da origem do sangramento, se renal ou pós-renal, é útil no direcionamento da elucidação etiológica, na escolha dos procedimentos diagnósticos e na definição da conduta a ser instituída.

Cilindros: são precipitados protéicos formados na luz tubular.

Na dependência do conteúdo da matriz protéica, os cilindros são classificados como:

Hialinos: compostos de proteína, sem inclusões. Possuem pouco significado clínico, podendo estar associados à proteinúria. Grandes quantidades destes cilindros aparecem na urina colhida após a realização de atividade física intensa
Celulares:
compostos por células epiteliais descarnadas. A presença de cilindros epiteliais renais é indicativa de doença tubular e varia de acordo com a natureza do processo lesivo
Leucocitários:
aparecem em inflamações intersticiais e doenças glomerulares. Podem conter uns poucos leucócitos ou estarem completamente saturados, sendo muito difícil a sua identificação se houver degeneração celular
Hemáticos:
caracterizam-se pela presença de eritrócitos no interior. Pode ocorrer lise dos eritrócitos, com liberação de hemoglobina, identificada pela cor amarelada na matriz protéica. A presença deste tipo de cilindro é significativa de doença glomerular
Granulosos:
caracterizam-se pela presença de restos celulares no interior da matriz
Protéica.
Cilindros mais velhos tendem a ser finamente granulosos. Estes cilindros indicam, quase sempre, a presença de doença renal e as exceções incluem os breves surtos de cilindros granulosos que podem aparecer após exercícios intensos
Céreos:
ref letem a fase final dos cilindros granulosos e significam obstrução prolongada do néfron e oligúria. Ocorrem em estágios finais de doença renal crônica
Gordurosos:
também chamados de cilindros lipoídeos, apresentam gotículas de gordura em seu interior. Este tipo de cilindro é observado em associação com grandes proteinúrias.

Cristais: podem ser observados ao exame microscópico de pessoas normais. Alguns são decorrentes de alterações posteriores à coleta, tais como rebaixamento da temperatura ou variações do pH, não possuindo nenhuma importância diagnóstica; outros ref letem características da composição da dieta habitual do indivíduo ou situações metabólicas particulares, mas não patológicas; por fim, raros tipos de cristais podem indicar a presença de distúrbios metabólicos específicos. Incluem-se entre estes os cristais de cistina, de fosfatoamoníaco-magnesiano, de tirosina e de leucina.

Os principais descritos são:

Oxalato de cálcio: estão presentes em grande número em urinas de indivíduos normais com dietas ricas em alimentos contendo precursores do ácido oxálico, tais como tomate, maçã, laranja e bebidas carbonatadas
Ácido úrico:
são vistos com frequência em urinas de crianças durante as fases de crescimento corporal acelerado, em razão do intenso metabolismo de nucleoproteínas
Cistina:
observados em urinas de portadores de cistinúria. A cistinúria é responsável por cerca de 1 % dos cálculos urinários
Fosfato-amoníaco-magnesiano:
também denominados de cristais triplos. Quando observados em urina recém emitida, sugerem a presença de processo infeccioso por germe produtor de urease
Tirosina e leucina:
são aminoácidos resultantes do catabolismo protéico e podem aparecer na forma de cristais em urinas de pacientes com degeneração ou necrose tecidual importante.

Outros elementos figurados incluem fungos e bactérias. Se as condições de coleta e preservação não são adequadas, o exame pode fornecer informações incorretas e até mesmo prejudiciais ao raciocínio clínico. Se o tempo entre a coleta e o exame é excessivo, pode ocorrer o crescimento de microrganismos que induzem o diagnóstico de infecção urinária. Ainda que seja possível a ocorrência isolada de bactérias, os processos infecciosos caracterizam-se, geralmente, por um conjunto de alterações que inclui aumento no número de leucócitos, de hemácias, bactérias e proteinúria.

Fonte: www.faculdademedicina.ufpa.br

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