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Herpes Zoster

O que é

O Herpes Zoster, também conhecido como Zoster, vulgarmente conhecido como COBREIRO, é a reativação de um vírus em células nervosas que resulta em uma erupção cutânea (ferida) característica na pele.

O vírus que causa o herpes, o vírus da varicela-zoster, é o mesmo vírus que causa a catapora. É um membro da família de vírus HERPES. Se o paciente já teve catapora, o vírus varicela-zoster permanece “dormente” nos tecidos nervosos de seu corpo e nunca realmente “vai embora”. O Herpes Zoster acontece quando o vírus é reativado.

Os médicos são sabem bem ao certo como ou por que o vírus da varicela-zoster reativa, mas a teoria que prevalece é que sua resposta imunológica protetora desaparece após alguns anos depois da catapora da infância. Quando o vírus reativa, ele percorre os nervos, causando freqüentemente uma sensação de queimor ou formigamento nas áreas afetadas. Dois ou três dias depois, quando o vírus alcança a pele, aparecem bolhas agrupadas na pele sobre o nervo afetado. A pele pode ficar muito sensível e com isso causar muita dor.

Se você teve catapora, você tem risco de desenvolver herpes zoster. Porém, o herpes freqüentemente aparece em pessoas acima dos 50 anos e em pessoas com sistema imunológico debilitado. Se você está fazendo tratamento para o câncer, por exemplo, você tem mais chance de desenvolver o herpes. As pessoas com HIV desenvolvem o herpes, o que é freqüentemente um dos primeiros sinais que o sistema imune está deficiente.

As chances de adquirir herpes aumentam com a idade, embora a doença possa acontecer em qualquer fase da vida. Quando o herpes aparece nas crianças, o que é incomum, ele é mais leve. Até 20 por cento da população pode ter a doença em alguma fase da vida.

As complicações potenciais do herpes incluem:

Neuralgia pós-herpética—aproximadamente 10 por cento dos adultos que adquirem o herpes experimentam dor a longo prazo na área da pele onde as bolhas aconteceram, até mesmo depois que a erupção cutânea se cura completamente. Esta condição, chamada neuralgia pós-herpética, pode durar meses ou, muito raramente, anos. Esta dor severa é muito comum em pacientes mais velhos e freqüentemente é acompanhada de sensibilidade extrema ao frio e calor na área afetada da pele.

Herpes Zoster Ocular (ou oftálmico)

Ele acontece quando o herpes envolve o olho. O Herpes Zoster Oftálmico podem afetar a visão, causando até mesmo cegueira, e pode ser muito doloroso.

Zoster Ótico

O Zoster Ótico, também chamado Síndrome de Ramsay Hunt ou zoster geniculado, acontece quando o herpes afeta os ouvidos. Ele pode resultar em perda de audição.

Paralisia de Bell

O Herpes pode causar a paralisia de Bell (tipo de paralisia facial) na qual o nervo facial fica paralisado.

Quadro Clínico

O Herpes Zoster tipicamente começa com uma sensação de calor local, uma coceira leve, um formigando ou ainda, uma dor aguda em uma área específica da pele. A área afetada normalmente fica situada em um lado do tórax, abdômen ou face ou em uma parte de um braço ou perna. A pele afetada pode ficar extremamente sensível, de forma que até mesmo o tocar ou o roçar da roupa podem ser intoleráveis.

Depois de aproximadamente cinco dias, a pele afetada fica vermelha e ligeiramente inchada, e uma erupção cutânea (ferida) aparece. As bolhas podem crescer em “cachos” ou podem formar uma linha contínua que asperamente corresponde ao caminho do nervo infectado. As bolhas podem ser dolorosas ou causar coceira, e algumas podem ser tão grandes quanto a palma da mão. As bolhas continuam a aparecer de dois a sete dias e eventualmente se romper, formar crostas e subseqüentemente se curar.

O Herpes está freqüentemente associado a uma sensação de cansaço, uma febre leve, e dores musculares moderadas.

Diagnóstico

O diagnóstico pode ser difícil antes que os sinais visíveis da doença apareçam. Uma vez a erupção cutânea e as bolhas aparecem, o médico terá condições de diagnosticar o herpes baseado nessas evidências em sua pele. Ele também pode pedir exames de sangue para determinar se o vírus da varicela-zoster foi reativado ou pode colher amostras através da raspagem do tecido e fluido das vesículas da pele afetada e mandá-los para exame sob o um microscópio e fazer uma cultura para o vírus.

Se você tem uma erupção cutânea na ponta do nariz ou em qualquer lugar que se aproxima dos olhos, seu médico irá solicitar o acompanhamento de um oftalmologista imediatamente.

Prevenção

Embora a vacina da catapora não seja recomendada para prevenir o herpes, espera-se que crianças que tomaram a vacina para prevenir a catapora primária não irão ter herpes quando ficarem mais velhas. Estão sendo feitos estudos clínicos para avaliar as condutas mais efetivas.

Tratamento

Se a doença é diagnosticada dentro de 72 horas após seu aparecimento, o médico pode prescrever um medicamento antiviral. Alguns medicamentos antivirais que tratam o herpes incluem o aciclovir, o famciclovir, e o valacyclovir (Valtrex ® ).

Medicamentos antivirais podem ajudar a reduzir o risco de desenvolver a dor crônica do herpes. Às vezes os medicamentos antivirais são dados combinados com a prednisona (uma droga antiinflamatória corticosteróide).

As erupções cutâneas da pele e as bolhas devem ser limpas suavemente algumas vezes por dia com água fria. Uma pomada antibiótica pode ser aconselhada para usar nas áreas expostas. Como a dor que acompanha o herpes zoster pode ser intensa, o médico provavelmente prescreverá um medicamento analgésico (que combate a dor). Para a neuralgia pós-herpética, a dor que persiste por mais tempo além daquele em que a erupção cutânea já se curou, são freqüentemente prescritos medicamentos diferentes. Estas drogas diminuem a ação das fibras nervosas condutoras da dor e alteram os sinais de modo que eles não sejam percebidos por nosso sistema nervoso central. A amitriptilina, o doxepina e a gabapentina são três exemplos deste tipo de remédio. Quando o herpes afeta os olhos, o especialista de olho (o oftalmologista) deve ser consultado imediatamente.

Qual Médico Procurar?

O tratamento precoce pode ajudar a evitar as complicações a longo prazo. Dessa forma, procure um dermatologista imediatamente se você estiver com sintomas de herpes zoster.

Prognóstico

A maioria das pessoas tem uma recuperação excelente, sem dor e com retorno da cor da pele normal. Uma vez você tenha tido o herpes, a recidiva (retorno) é rara. O Herpes Zoster só ocorre periodicamente em aproximadamente 2 por cento dos pacientes, mas pode chegar a até 20 por cento dos pacientes com AIDS. O escurecimento da pele na área da erupção cutânea pode ocorrer mas é raro.

Complicações a longo prazo do herpes, como a neuralgia pós-herpética, podem continuar por meses ou até muitos anos. A doença também pode causar graus variados de cicatrizes na pele.

Fonte: www.policlin.com.br

Herpes Zoster

O que é

O herpes zoster é a reativação de uma infecção anterior com o vírus da varicela, que consequentemente se instala para toda a vida nos gânglios espinais.

Episódios de herpes zoster ocorrem mesmo em doentes VIH em bom estado imunitário, e também são vistos durante a reconstituição imunológica (Martinez 1998).

O herpes zoster torna-se generalizado com uma imunodeficiência mais avançada. Além disso pode ocorrer envolvimento de um ou mais dermatomas, envolvimento perigoso do olho (afetando o ramo oftálmico do nervo trigémio, "herpes zoster oftálmico" (com envolvimento da córnea) e ouvidos (herpes zoster oticus).

O mais temido é o envolvimento da retina com retinite necrosante. As complicações neurológicas incluem meningoencefalite, mielite e também o envolvimento de outros nervos cranianos (Brown 2001).

Sinais e sintomas

Há vários sinais iniciais como dores de cabeça, mau estar e fotofobia, raramente acompanhados por febre. As áreas afetadas são inicialmente hipersensíveis, e em algumas horas ou dias dão prurido e/ou dor. A dor pode preceder as lesões em vários dias. As lesões mostram muitas vezes eritema segmentado (sempre unilateral!) com bolhas herpéticas com um ou mais dermatomas. As úlceras, são muitas vezes hemorrágicas, e gradualmente secam. Devem ser mantidas secas e limpas para evitar superinfecções bacterianas.

O envolvimento de vários dermatomas deixa normalmente síndromas de dor com nevralgia zoster resistentes ao tratamento. Pode-se assumir nevralgia pós-herpética se a dor persistir por mais de um mês (Gnann 2002).

Diagnóstico

O envolvimento cutâneo normalmente permite o diagnóstico do herpes zoster. No entanto, o diagnóstico pode ser difícil especialmente nas extremidades e em casos de zoster complicados. Casos típicos não necessitam de mais testes diagnósticos. Se houver dúvida, deve fazer-se uma zaragatoa das bolhas e enviar-se para o laboratório em meio de cultura viral. Um ensaio de imunofluorescência é provavelmente mais fidedigno. A encefalite pelo VVZ é apenas detectada por análise do LCR por PCR. O herpes zoster oticus deve ser considerado em casos de perda aguda de audição unilateral, que nem sempre é visível do exterior.

Deve-se examinar o ouvido e um otorrino! Para alterações visuais aplicam-se as mesmas regras que para a retinite por CMV – consultar o oftalmologista o mais rápido possível!

Tratamento

O zoster monosegmentado pode ser tratado em doentes em ambulatório com aciclovir oral. A iniciação rápida do tratamento é importante. Terapêutica sistémica é sempre necessária, e as doses são mais elevadas que para o VHS. As lesões secam mais rapidamente se for aplicada uma solução de calamina, que também alivia a dor. Usar luvas! As lesões no início são altamente infecciosas, e indivíduos não vacinados sem história clínica de varicela devem manter-se afastados de casos de herpes zoster.

Devem ser administrados analgésicos generosamente. Qualquer herpes zoster complicado, multi-segmentado ou facial, deve ser tratado com terapêutica intravenosa. Isto também pode ser feito nos cuidados ambulatórios por um serviço de enfermagem competente.

Tal como com o VHS, as várias alternativas para o tratamento incluem valaciclovir, famciclovir e brivudina. A nevralgia pós-herpética ocorre muito menos frequentemente com estes fármacos do que com o aciclovir em doentes VIH-negativos (Gnann 2002). No entanto, o valaciclovir, o famciclovir e a brivudina não foram testados exaustivamente em doentes VIH, e não estão licenciados para o tratamento de doentes imunodeficientes. São também mais caros (superior a 120 ¤/semana) do que as numerosas formulações de aciclovir. A resistência ao aciclovir pode ocorrer no gene da timidina cinase, mas é rara (Gershon 2001, Saint-Leger 2001). Nestes casos, pode ser usado o foscarnet.

A manutenção da dor da nevralgia pós-herpética é problemática. A carbamazepina ou gabapentina apenas ajudam parcialmente. Normalmente não se aconselham esteróides (Gnann 2002).

Profilaxia

A vacinação contra a varicela, anteriormente contra-indicada para os doentes VIH, parece ser segura e efetiva na era HAART para doentes com mais de 400 células T CD4/µl, como foi demonstrado num estudo controlado de placebo (Gershon 2001).Deve ser considerada se a serologia para VVZ for negativa. Em indivíduos com serologia negativa e exposição ao VVZ (altamente infeccioso!), pode tentar-se em casos individuais a administração de hiperimunoglobulina (2 mg/kg i.v.). Não é aconselhada profilaxia primária a longo termo. Alguns dermatologistas, recomendam, no entanto, terapêutica a longo termo com pequenas doses se houver persistentemente episódios recorrentes.

Bibliografia

1. Brown M, Scarborough M, Brink N, Manji H, Miller R. Varicella zoster virus-associated neurological disease in HIV-infected patients. Int J STD AIDS 2001, 12:79-83. http://amedeo.com/lit.php?id=11236108
2. Gershon AA. Prevention and treatment of VZV infections in patients with HIV. Herpes 2001, 8:32-6. http://amedeo.com/lit.php?id=11867015
3. Gnann JW Jr, Whitley RJ. Clinical practice. Herpes zoster. N Engl J Med 2002, 347:340-6.
4. Martinez E, Gatell J, Moran Y, et al. High incidence of herpes zoster in patients with AIDS soon after therapy with protease inhibitors. Clin Infect Dis 1998, 27:1510-3. http://amedeo.com/lit.php?id=9868668
5. Saint-Leger E, Caumes E, Breton G, et al. Clinical and virologic characterization of acyclovir-resistant varicella-zoster viruses isolated from 11 patients with AIDS. Clin Infect Dis 2001, 33:2061-7. http://amedeo.com/lit.php?id=11702291

Fonte: hivmedicine.aidsportugal.com

Herpes Zoster

Definição

Herpes Zoster é uma infecção de uma parte do sistema nervoso (ganglios da raiz dorsal) causada pelo Vírus Varicela-Zoster (VZV). O herpes zoster resulta da reativação do VZV que permanece latente no organismo desde que houve a infecção primária, que deu origem à varicela.

Manifesta-se através do aparecimento de lesões nas áreas cutâneas inervadas pelo nervo infectado pelo vírus.

Agente infeccioso

O agente infeccioso é o vírus varicela-zoster (VZV) que é um vírus de DNA altamente contagioso.

Este vírus provoca duas entidades clínicas distintas: a varicela ou catapora e o herpes zoster.

A varicela é uma infecção omnipresente e extremamente contegiosa, é geralmente uma doença benigna na infância, caracterizada por erupção exantematosa vesiculosa.

Com a reativação do VZV latente, o herpes zoster manifesta-se na forma de erupção vesiculosa nos dermátomos, geralmente associada a dor intensa.

O VZV é um membro da família dos herpes vírus, que compartilha características estruturais com outros membros, como o invólucro de lipídeos circundando um nucleocapsídeo com simetria isocaédrica, diametro total de aproximadamente 150 a 200 nm e ADN bica de localização central, com peso molecular de aproximadamente 80 milhões.

Etiologia

Há quase 100 anos foi reconhecida a existência duma associação clínica entre a varicela ou catapora e o herpes zoster. No início do século XX, foram demonstradas semelhanças nas características histopatológicas das lesões cutâneas produzidas pela varicela e o herpes zoster. Os vírus isolados de pacientes com catapora e herpes-zoster produziram alterações semelhantes em cultura de tecido - especificamente, o aparecimento de inclusões intranucleares eosinofílicas e células gigantes multinucleadas. estes resultados sugeriram que os vírus eram biologicamente semelhantes. As análises do ADN viral por endonuclease de restrição no paciente com varicela que subsequentemente desenvolveu herpes zoster demonstrou a identidade molecular dos 2 vírus responsáveis por estas diferentes manifestações clínicas.

Patogénese e Anatomia Patológica

Infecção primária

Esta infecção leva ao aparecimento da varicela.

Infecção recorrente

O mecanismo de reativação que resulta em herpes zoster permanece desconhecido. Presume-se que o vírus afete os ganglios da raiz dorsal durante a varicela, onde permanece latente até que seja reativado. O exame histopatológico de gânglios representativos da raiz dorsal durante o herpes zoster ativo revela hemorragia, edema e infiltração linfocítica.

A replicação ativa do VZV em outros órgãos, como o pulmão ou o cérebro, pode ocorrer durante a varicela ou o herpes zoster, porém é incomum no hospedeiro imunocompetente. O comprometimento pulmonar caracteriza-se por pneumonite intersticial, formação de células gigantes multinucleadas, inclusões intranucleares e hemorragia pulmonar. A infecção do sistema nervoso central (SNC) está associada a evidências histopatológicas de formação de bainha perivascular semelhante àquela observada no sarampo e outras encefalites víricas. A necrose hemorrágica focal do cérebro, que é característica da encefalite pelo herpesvírus-simples, é rara na infecção causada pelo VZV.

Manifestações Clínicas

O herpes-zoster caracteriza-se por uma erupção vesiculosa unilateral num dermátomo (isto acontece porque a erupção aparece numa área da pele que é suprida por um nervo particular), quase sempre associada a dor intensa.

Os dermátomos de T3 a L3 são frequentemente afetados. o dermátomo de um nermo craniano mais frequentemente envolvido é o ramo oftálmico do nervo trigémeo, ocorrendo o zoster oftálmico.

A dor desde o ínicio até à resolução do processo é conhecida como dor associada ao zoster.

O inicio da doença é anunciado por dor no dérmatomo, assim como prurido, hiperestesia e paraestesia que também afetam o dermátomo, podendo preceder as lesões em 48 a 72 horas. Nesta fase que antecede as lesões na pele, o herpes zoster pode ser mal diagnosticado, sendo confundido com a doença cardíaca, pleurisia, núcleo pulposo com hérnia ou variados distúrbios gastrointestinais ou ginecológicos.

As lesões na pele começam por uma erupção maculopapular eritematosa que rapidamente evolui em lesões vesiculares. As vesículas são geralmente dolorosas, aliás a dor é a principal queixa dos doentes com herpes zoster.

Geralmente aparecem alguns sintomas associados com a dor como é o caso de depressão, ansiedade e insónias devido à dor severa. Algunas doentes descrevem ainda na área do zoster, que é devido a uma perda do tónus muscular que pode ser causada por danos nos nervos que controlam o tónus.

No hospedeiro normal, as lesões da pele podem permanecer em pequeno número e continuam a formar-se apenas por um período de 3 a 5 dias. Em geral, a duração total da doença é de 7 a 10 dias; contudo, pode durar até 2 a 4 semanas antes de haver normalização da pele.

Nalguns pacientes foi observada a localização característica de dor num dermátomo com evidência sorológica de herpes zoster, na ausência de lesões cutâneas.

O herpes zoster é mais grave no hospedeiro imunocomprometido do que no indivíduo normal. As lesões cutâneas continuam a formar-se durante uma semana, e a crosta só se torna completa após 3 semanas de evolução da doença na maioria dos casos. Os pacientes com doença de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin correm maior risco de desenvolver zoster progressivo e a disseminação cutânea ocorre em 40% dos casos, ocorrendo nestes complicações. Todavia, mesmo em pacientes imunocomprometidos, o zoster disseminado raramente é fatal.

A complicação mais deliberante do herpes zoster tanto no hospedeiro normal como no imunocomprometido consiste em dor associada a nevrite aguda e nevralgia pós-herpética. As alterações de sensibilidade no dermátomo, que resultam em hipo ou hiperestesia, são comuns.

O herpes zoster localizado pode ser acompanhado de comprometimento do SNC. Muitos pacientes sem sinais de irritação meníngia apresentam pleocitose do LCR e níveis moderadamente elevados de proteína do LCR. A meningoencefalite sintomática caracteriza-se por cefaléia, febre, fotofobia, meningite e vómitos.

Uma rara manifestação de comprometimento do SNC consiste em angiite granulomatosa com hemiplegia contralateral, que pode ser diagnosticada por arteriografia cerebral. As outras manifestações incluem mielite transversa, com ou sem paralisia motora.

Zoster oftálmico

Este tipo específico de herpes zoster aparece quando há comprometimento do ramo oftálmico do nervo trigémeo. As lesões espanham-se pela área da bochecha ou da testa até às palpebras superior e inferior.

Herpes pode causar vermelhidão da conjuntiva. pode também causar pequenos arranhões na córnea. As lesões da córnea podem aumentar o risco de infecção bacteriana do olho. Zoster pode ainda causar inflamação no interior do olho e afetar o nervo óptico da retina.

Infecções pelo VZV podem levar a vermelhidão, tumefação, dor, sensibilidade à luz e visão manchada. Várias e graves infecções de Herpes Zoster podem estar associadas a outras alterações, incluindo glaucoma, cicatrizes dentro do olho e formação de cataratas.

Síndrome de Ramsay Hunt

A dor e as vesículas aparecem no canal auditivo externo, e os pacientes perdem o sentido do paladar nos dois terços anteriores sa língua, enquanto desenvolvem paralisia facial ipsolateral. Ocorre comprometimento do ganglio genial do ramo sensorial do nervo facial.

Epidemiologia

O herpes zoster é uma doença esporádica.

Na maioria dos pacientes, não se obtém nenhuma história de exposição recente a outros indivíduos com infecção por VZV.

Ocorre em todas as idades, porém a sua incidência é maior (5 a 10 casos por 1000 pessoas) em indivíduos na 6ª a 8ª décadas de vida. É fora do comum em pessoas com menos de 15 anos.

Foi sugerido que cerca de 2% dos pacientes com herpes zoster desenvolvem um segundo episódio de infecção.

Pensa-se que o normal decréscimo da imunidade mediada por células relecionado com a idade, conta para o aumento da incidência da reativação do VZV.

Para além deste fator de risco existem outros:

Paciente com infecção pelo HIV
Paciente com doença de Hodgkin
Leucemia ou linfoma
Transplante de medula
Uso de medicamentos imunossupressivos e anticancerigenos

A incidência de herpes zoster em pacientes infectados pelo vírus HIV é cerca de 15 vezes maior que em pessoas não infectadas.

Cerca de 25% dos pacientes com doença de Hodgkin desenvolvem herpes zoster. Os pacientes com doença de Hodgkin e linfoma correm maior risco de desenvolver herpes zoster progressivo. Ocorre disseminação cutânea em ceca de 40% dos pacientes. Dentre os pacientes com disseminação cutânea, o risco de pneumonite, meningoencefalite, hepatite e outras complicações graves apresenta-se aumentado em 5 a 10%.

Os pacientes que receberam transplante de medula óssea apresentam um risco particularmente elevado de infecção por VZV. Em 30% dos casos, ocorre infecção por VZV em 1 ano após o transplante (50% destes casos em 9 meses); 45% dos pacientes acometidos apresentam disseminação cutânea ou visceral.

Nesta situação a taxa de mortalidade é de 10%. A nevralgia pós-herpética, a formação de cicatrizes e a superinfecção bacteriana são especialmente frequentes nas infecções por VZV que ocorrem nos 9 meses após o transplante. Dentre os pacientes infectados a doença enxerto-versus-hospedeiro concomitante aumenta a probabilidade de disseminação e/ou morte.

Cerca de 20% dos pacientes com zoster desenvolvem nevralgia pós-herpética. O fator de risco mais importante é a idade; esta complicação ocorre cerca de 15 vezes mais em pacientes com mais de 50 anos. Outros fatores de risco para o desenvolvimento desta complicação são o zoster oftálmico, história de dor prematura antes do aparecimento das lesões na pele e estado imunocomprometido.

Diagnóstico

Diagnóstico diferencial

As lesões vesiculares unilaterais num padrão de dermátomo devem sugerir rapidamente o diagnóstico de herpes zoster, embora se tenha relatado a ocorrência de herpes zoster na ausencia de erupção. Tanto nas infecções pelo herpesvírus-simples quanto as infecções por vírus Coxsackie podem causar lesões vesiculares em dermátomos. A virulogia diagnóstica e a coloração fluorescente de raspados da pele com anticorpos monoclonais irão ajudar a estabelecer o diagnóstico correto.

No estágio prodrómico do herpes zoster, o diagnóstico pode ser extremamente difícil e pode ser apenas estabelecido após o aparecimento das lesões ou por avaliação sorológica respectiva.

Diagnóstico Laboratorial

A confirmação inequívoca do diagnóstico só é possível pelo isolamento do VZV em linhagens celulares de cultura de tecidos susceptíveis ou pela demonstração de sroconversão ou elevação de quatro vezes ou mais nos títulos de anticorpos entre as amostras de soro na fase convalescente e na fase aguda. Pode-se obter uma rápida impressão pelo esfregaço de Tzanck, com raspagem da base das lesões na tentativa de detectar células gigantes multinucleadas, embora a sensibilidade deste método seja baixa. A tecnologia da reação da cadeia de polimerase para a detecção do ADN viral no líquido vesicular é disponível em alguns laboratórios.

A coloração imunofluorescente direta das células obtidas da base cutânea ou a detecção de antigénios virais por outros ensaios (como o ensaio da imunoperoxidase) também são úteis, embora estes testes não sejem comercialmente disponíveis.

As provas serológicas mais frequentemente utilizadas para avaliar a resposta do hospedeiro incluem a detecção de anticorpos contra o antígenio de membrana (FAMA), a imuno-hemaglutinação por aderência e o ensaio imunossorvente ligado a enzima (ELISA). O teste FAMA e o ensaio ELISA parecem ser os mais sensíveis.

Tratamento

Tratamento do Herpes Zoster

O tratamento do herpes zoster tem 3 objetivos principais:

1. tratamento da infecção viral aguda.
2. tratamento da dor aguda associada ao herpes zoster.
3. prevenção da nevralgia pós-herpética.

São utilizados vários tipos de medicamentos:

Agentes antivírais

Os agentes antivirais tem demonstrado eficácia pela cicatrização acelerada das lesões e resolução da dor associada ao zoster. Quanto mais cedo a medicação é tomada, maior é a hipótese de impedir o vírus de causar danos nos nervos.

A ação efetiva dos agentes antivirais na prevenção da nevralgia pós-herpética é mais controversa. Baseado em conclusões de vários estudos, a terapia com aciclovir parece produzir uma redução moderada do desenvolvimento de nevralgia pós-herpética. Outros agentes antivirais, especificamente valaciclovir e famciclovir, parecem ser pelo menos tão efetivo quanto o aciclovir.

Aciclovir, um protótipo de um medicamento antiviral, é um inibidor da DNA polimerase. As principais desvantagens do aciclovir administrado por via oral incluem a sua baixa utilidade comparada com outros agentes e a sua frequência de dosagem (5 vezes por dia). A posologia do aciclovir oral é de 800 mg/dia durante 7 a 10 dias.

Os hospedeiros imunocomprometidos com herpes zoster devem ser tratados com aciclovir por via intravenosa, que reduz a ocorrência de complicações viscerais, mas que não exerce nenhum efeito sobre a cicatrização das lesões cutâneas ou o alívio da dor. A dose é de 10 a 12,5 mg/kg a cada 8 horas durante 7 dias. Estas recomendações de tratamento aplicam-se a pacientes imunocomprometidos com herpes -zoster disseminado. O tratamento com aciclovir por via oral não é recomendado para o controle das infecções por VZV em pacientes imunocomprometidos. Juntamente com a administração de aciclovir intravenoso, é conveniente tentar suspender o tratamento imunossupressor nestes pacientes.

Valaciclovir, a pró-droga do aciclovir, acelera a cicatrização e a resolução da dor associada ao zoster mais rapidamente do que o aciclovir. A dose é de 1 g por via oral, 3 vezes ao dis durante 7 a 10 dias.

Fanciclovir, a pró-droga do penciclovir, é pelo menos tão efetivo quanto o aciclovir ou talvez mais. Um estudo recente demonstrou uma resolução duas vezes mais rápida da nevralgia pós-herpética em pacientes com zoster tratados com fanciclovir em comparação com pacientes aos quais foi administrado placebo. A dose é de 500 mg por via oral, 3 vezes ao dia durante 7 a 10 dias.

Ambos os fármacos oferecem a vantagem de uma menor frequência de doses.

Corticoesteróides

Corticosteróides administrados oralmente são normalmente utilizados no tratamento do herpes zoster.

Prednisona utilizado em conjunto com aciclovir mostrou que reduz a intensidade e duração da dor associada ao herpes zoster. A dose oral de prednisona foi de 60 mg/dia nos dias 1 a 7, 30 mg/dia nos dias 15 a 21.

Analgésicos

Pacientes com dor leve ou moderada podem responder a analgésicos. Pacientes com dor mais severa podem necessitar da adição de medicamentos narcóticos.

Loções contendo calamina podem ser utilizadas nas lesões abertas para reduzir a dor e o prurido. Quando as lesões ganham crosta, capsaicin creme pode ser aplicado. Licocaina e bloqueadores nervosos têm também um efeito efetivo na redução da dor.

Narcóticos

Tais como a morfina, hidromorfina ou metadona.

Podem fornecer um bom alívio da dor sem efeitos colaterais em muitos pacientes. Na maior parte dos casos, não deve haver preocupação com o desenvolvimento de vício quando estas drogas são utilizadas para tratar a dor severa.

Anti-depressivos triciclícos

Tais como a anitriptilina e nortriptilina.

Um estudo mostrou que a administração de anti-depresivos tricíclicos durante as primeiras fases do zoster pode ajudar a reduzir a dor e ajudar a reduzir a hipótise de desenvolver dor crónica da nevralgia pós-herpética.

Tratamento da nevralgia pós-herpética

Não existem tratamentos que revertam os danos causados pelo zoster, apenas existem tratamento para aliviar a dor associada à nevralgia pós-herpética. Alguns tratamentos resultam melhor num pacientes que noutros, e alguns causam efeitos colaterais em alguns pacientes mas nenhuns noutros.

No tratamento podem ser utilizados:

Agentes tópicos (licocaina e capsaicin creme)
Anti-depressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina, imipramina ou desipramina)
Anti-convulsivos
Opióides
Terapias não medicamentosas

Profilaxia

Atualmente o herpes zoster não pode ser prevenido, uma vez que não se apanha no contato com alguém com varicela ou herpes zoster.

Complicações

Podem ocorrer complicações da infecção pelo VZV, tais como:

Infecção secundária nas vesículas formadas
Ulceração córnea (no caso do zoster oftálmico)
Nevralgia pós-herpética

A nevralgia pós-herpética é a complicação mais comum e manifesta-se por uma dor crónica, que persiste por meses ou anos nos nervos sensitivos, onde estavam as bolhas. Os pacientes que desenvolvem nevralgia pós-herpética (PHN) dizem que a dor é menos severa que a dor associada ao herpes zoster, mas que mesmo assim é intensa. Mesmo o toque da roupa, os movimentos na cama ou o vento podem despoletar a dor. O diagnóstico da nevralgia pós-herpética é fácil, pois os pacientes que apresentam dor crónica após o desaparecimento das lesões têm PHN. A zona de dor pode ser maior ou menor que a zona afetada pelo herpes zoster.

Fonte: portfolio.med.up.pt

Herpes Zoster

O Herpes zoster (HZ) é uma doença viral causada pelo Varicella Zoster, que é um DNA-vírus, agente causador da varicela (catapora).

Trata-se de um vírus exclusivamente da raça humana, de prevenção possível através da vacinação, entretanto após sua instalação ele pode persistir de forma latente por toda a vida.

O fenômeno de reativação tardia apresenta-se em pacientes imunoincompetentes, já acometidos por outras doenças por exemplo: linfoma não Hodgking, doença de Hodgkin, leucemias, transplantados em imunosupressão medicamentosa, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, etc.

E pode acometer pacientes com alteração imunológica própria do envelhecimento (idosos- alteração da resposta imunológica das células T).

O zóster esta associado a complicações como neuralgia pós herpética, oftalmite herpética, miocardite, parestesias, miopatias, entre outras.

Epidemiologia

Estudos mostram a incidência anual de herpes zoster é de 2,9/1000 nos EUA, 4,6/1000 na Islândia, 4,0/1000 na Itália e 4,8/1000 na França. Não há dados nacionais , pois a doença não é de notificação compulsória. No estudo da Itália cerca de 50% ocorrem em indivíduos com mais de 65 anos, e mais de 75% dos casos em pessoas acima de 50 anos.

Há uma forte relação da incidência de herpes zoster com a população idosa acima da oitava década de vida( 10/1000), visto que a um aumento no número de casos devido provavelmente a longevidade e ao número de pacientes imunocomprometidos.

Diagnóstico

O diagnóstico é basicamente clínico. Lesões vesicobolhosas agrupadas sobre base eritematosa, seguindo trajeto de nervos, unilaterais. Pode ser feito por cultura de tecidos.

Quadro Clínico

O HZ Tem um período de incubação de 7 a 12 dias, o início é rápido e com manifestações cutâneas características por vesículas agrupadas seguindo o trajeto de um nervo, unilateral, acompanhada ou precedida de dor neural e febre.

Os dermátomos (são as áreas da pele inervadas por fibras provenientes de uma única raiz nervosa) mais acometidos são os: torácicos (55%), cranianos (20%), lombares (15%) e sacrais (5%).

Na face o ramo oftálmico do nervo trigêmio é o mais acometido, podendo levar a cegueira devido a possível queratite. O envolvimento dos ramos maxilar e mandibular pode expressar-se com lesões osteolíticas e dentárias.

As manifestações motoras podem localizar-se na face, como na Síndrome de Remsay-Hunt, com as características vesículas cutâneas no conduto auditivo(zoster octicus), e paralisia ipsilateral do tipo infranuclear.

Neuralgia pós-herpética

A neuralgia pós-herpética pode ocorrer de 10% a 15% dos casos, durar de 6 meses a anos, sendo a complicação mais comum no idoso.

Outras complicações que podem-se observar são: a infecção bacteriana secundária, as oculares (uveite) e as neurológicas (meningite, encefalite, etc).

Tratamento

Terapia antiviral

A terapia antiviral é utilizada com a finalidade de promover com mais rapidez a cura e reduzir a gravidade e a incidência da neurite pós-herpética.

Aciclovir- dose: 800mg 5x ao dia , por 7 a 10 dias VO

15mg/kg/dia por gotejamento, 3x ao dia EV

Valaciclovir- dose : 1g, 3x ao dia de 7 a 14 dias VO

Fanciclovir – dose : 500mg a 750mg, 3x ao dia de 7 a 14 dias VO.

Vacina contra o Herpes Zoster

O Shingles Prevention Study conduziu um grande estudo com a finalidade de estabelecer o impacto de uma vacina contra o Herpes Zoster . O estudo teve por objetivo estudar a redução da dor e do desconforto relacionado a doença, o impacto sobre a sua incidência como um todo, além de medir a freqüência de complicações, como a PHN (neuropatia pós herpética), em uma população idosa (Oxman et al). Estudo duplo cego randomizado , placebo contolado, de 38.546 indivíduos acima de 60 anos, usou-se a vacina de vírus vivo atenuado Oka/Merck.

Durante o seguimento do estudo foram confirmados 957 casos de zoster, 315 no grupo vacinado e 642 no grupo placebo, foi usado o antiviral em ambos os grupos,ocorreram 107 casos de PHN, sendo 27 no grupo vacinado e 80 no placebo. O uso da vacina reduziu o impacto da doença em termos de dor e desconforto em 61,1%, reduziu a incidência da doença em 51% e reduziu a incidência de PHN em 66,5%. Na avaliação estratificada por faixa etária a redução da doença foi de 65% no grupo de 60 a 69 anos e de 55% no grupo acima de 70 anos.

Efeitos adversos da vacina foi a reação local, geralmente leve.

A vacina foi aprovada pelo FDA, em junho de 2006 e tem previsão de disponibilidade no Brasil por volta de 2007.

Referências

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Fonte: www.medicinageriatrica.com.br

Herpes Zoster

A cura de determinadas doenças, com base na força miraculosa de potências sobrenaturais, sempre foi uma constante da medicina popular. Invocações de santos protetores de doenças, conjugadas a uma terapêutica medicamentosa de apoio, vêm sendo registradas através dos tempos, entre diferentes povos.

O cobreiro, doença por demais conhecida nos meios científicos e populares, cujas formas de cura têm por base rezas e benzimentos, é o objetivo deste trabalho, que o analisa sob dois aspectos: terapêutico e lingüístico. O primeiro compreende o conceito de cobreiro, seguido de um estudo comparativo das formas de tratamento empregadas desde os primórdios do Brasil, até nossos dias, em diversas regiões do Pa ís e de Portugal. O segundo aspecto visa a dar mais uma contribuição aos estudos de campo semântico relacionado às denominações de doenças na linguagem popular. A partir de um enfoque sincrônico e diacrônico, essa parte apresenta um quadro cronológico de uso das formas designativas dessa doença, a partir do século XVI, conforme vêm sendo dicionarizadas e empregadas no meio popular do Brasil e Portugal, além de alguns comentários sobre algumas designações. O material levantado foi documentado pela pesquisa de campo realizada em favelas de São Paulo, na cidade de Ibiúna-SP durante o período de 1972 a 1977 e, ainda, pela bibliografia compulsada.

Aspecto terapêutico

O cobreiro vem sendo desde tempos remotos descrito, segundo opinião popular, como sendo uma doença que se contrai através do contato direto com roupas por onde tenham passado certos insetos ou animais peçonhentos. Caracteriza-se por erupção cutânea, acrescida de vesículas, geralmente acompanhadas de dor que, devido à sua configuração, é conhecida no meio popular por cobreiro. Trata-se de uma dermatose, cientificamente denominada herpes zoster ou zona.

Segundo Lacorte (1971 : l 10, l 13), El herpes zóster se interpreta como una recurrencia de la varicela, habiendo el virus quedado en estado latente en el organismo recuperado y sano. Las manifestaciones clínicas del segundo ataque son muy diferentes, y hacen pensar en varias enfermidades que no se atribuirian al mismo agente se no fuese por los recientes progresos em el estudio de las propriedades del virus causal denominado Herpesvirus varicellae (Andrewes).

Manifestação dermatológica do herpes zoster (cobreiro)

Conforme observações feitas em pesquisa de campo e por meio de depoimentos dos portadores do mal, verificou-se que em muitos casos, a região do corpo afetada apresentava, a princípio, uma hipersensibilidade, seguida do aparecimento de vergões ou placas vermelhas onde se desenvolviam as vesículas e que, ao longo dos primeiros dias notava-se um aumento dessas áreas, onde as vesículas se apresentavam. Poderia partir daí a crença popular de que o cobreiro não deve se expandir, devendo ser "cortado", tão logo seja determinado o mal.

Essas observações vêm, de certa forma, concordar com o autor, acima referido, que diz: En la zona o zonas en que se manifestan tales signos aparecen eritematosas, en las que posteriormente se originan pápulas poco salientes. Ahí se forman las vesículas en tiempo variable, desde horas hasta algunos días. En , esta fase el enfermo acostumbra quejarse de puntadas dolorosas en la región atacada. Las dimensiones y formas de vesículas varían. Su confluencia es rara y, más aún, las aisladas fuera del área. Se han observado muchos casos de herpes zoster diseminado. Las vesículas, se transformam em pustulas por el aflujo leucocitario y es poco frecuente la presencia de sangre, pero cuando esto ocurre se da entonces la forma hemorrágica o gangrenosa, esta ultima excepcional. Las pústulas se rompen o hay reabsorción del líquido que contienen, ao cabo de 4 a 6 dias, y se forma la costra. Esta se desprende sin dejar nada en el lugar o apenas unas manchas oscuras.

No meio popular há, geralmente, queixa quanto às sensações de ardor como de queimadura ou dor "por dentro", mesmo depois de efetuada a cura.

Relacionada esta ocorrência, diz Blank ( 1959: 141 2) : "El curso natural del zoster es muy variado, no sólo en gravedad y duración de las lesiones cutáneas, sino también en el grado y persistencia de la participación nerviosa. Los resultados de un estudio prolongado sobre la evolución natural del zoster demonstraron que el proceso evoluciona en menos de catorce días en el 60 por 100 de los, pacientes, pero en el 4 por 100 los síntomas duran más de seis meses".

Foi observada, por meio das pesquisas, uma quase uniformidade nas formas de tratamento. Elas consistem primeiramente de rezas, por julgarem, no meio popular, tratar-se de doença que só benzedores podem curar. Em segundo estão as medidas adotadas para evitar que o cobreiro se "alastre", uma vez que, julgando assemelhar-se a uma cobra, "não deve crescer para não encontrar cabeça com rabo".

Relacionado ao trabalho dos benzedores, Prado (1970:553), ao definir herpes zoster, assim se refere: Conhecida vulgarmente pelo nome de 'cobreiro", é moléstia causada por vírus epidermoneurotrópico e caracterizada por alterações cutâneas e nervosas, com localização unilateral. Apresenta evolução cíclica,cuja duração é de aproximadamente um mês. Desaparecendo espontaneamente, fez o sucesso dos benzedores e curandeiros.

Segundo a bibliografia consultada, a primeira informação referente à cura de cobreiro está ligada à forma religiosa acrescida de medicação tópica indicada por Anchieta a Francisco Dias, conforme relata Simão de Vasconselos, sobre a viagem de Pernambuco ao Rio de Janeiro empreendida em 1578 por Anchieta: (...) a doença, perigosa que alguns chamam de Santo Antão, outros de cobrelo, (...) Lidava o aflito irmão com as dores não havia consolação de remédio, recorreu a José, pediu-lhe fosse com ele dizer uma missa, a manhã seguinte, a Nossa Senhora da Ajuda, santuário famoso em milagres, distante uma légua da vila. Deu-lhe palavra o padre que iria, porém acrescentou: olhai irmão Francisco, para remédio desta noite, untai a parte lesa com o azeite santo da lâmpada do Santíssimo Sacramento, que não deve sentir-se a Mãe que recorrais primeiro ao Filho. Fê-lo assim o irmão Francisco e mitigou com a untura as dores grandes que padecia, porém sem mudança do mal, como se ficara reservada a cura deste para a intercessão da Senhora e José, servo seu; porque vindo a manhã, foram à ermida, disse a missa, como prometera, mandou o irmão que fosse lavar-se com a água da fonte milagrosa, que ali está e, acabado de lavar-se (cousa maravilhosa!) de improviso ficou só sem dor, mas sem sinal ou resto do mal, que o molestava, o que viram todos..." (Vasconcelos, 1943:47). Relatando o mesmo fato, o Padre Pedro Rodrigues (sd:44) diz: (...) Desta doença ia maltratando u irmão nosso, por nome Francisco Dias, acompanhando o Padre José, no fim do ano de 77 em o navio, e chegando à Capitania de porto Seguro, por não haver ali remédios humanos, nem que lhos soubesse appliar, determinou de se entregar só à Divina Providência e remédios espirituaes, e asi pedio ao Padre José lhe fosse o dia seguinte dizer uma missa a Nossa Senhora da Ajuda.

Respondeu o Padre: Untae-vos agora primeiro co azeite da lâmpada do Santíssimo Sacramento, que não se aggravará a mãe de pedir primeiro socorro ao filho.

A si se fez, e logo abrandou algum tanto a dor. No dia seguinte foi o Padre a Nossa Senhora, e logo se desfez e desapareceu o cobrello. E a dor cessou, em que se viu ser obra da gloriosa Virgem Nossa Senhora, intervindo também a oração do seu servo. Isto me referiu o mesmo Irmão Francisco Dias, no anno de 1605.

Essa informações obtidas por meio das narrativas do Padre Simão de Vasconselos e do Padre Pedro Rodrigues, ambas do século XVI, são importantes se comparadas às formas terapêuticas empregadas na cura do cobreiro, a partir de então.

No Espírito Santo, Novaes (1964:44) registrou a seguinte reza em que Santa Iria pede a intercessão de Nossa Senhora.

Coxa, coxão, lagarto, lagartâo,
Bichos de má nação.
Que não cresça, nem apareça, .
Que não junte rabo com cabeça,
Santa Iria tinha três fia.
Uma queimava e outra ardia.
Perguntou à Nossa Senhora o que curaria.
Sopra três vezes e tudo sararia,
Com um Padre Nosso e uma Ave Maria.

No Pernambuco, Cezar ( 1941 : 157) registra uma em que Santa Pelonha pergunta à Santa Sofia :

Estava Santa Sofia detrás de uma pedra fria,
chegou Santa Pelonha (Apolônia) e perguntou :
- Sofia com que se cura empinge, cobrêro brabo, ardor, fogoselvage, queimadura, sarna, comichão e queimô?
- Com água da fonte e ramo do monte, assim curou a sagrada e sempre Virge Maria, Amém.
Reza-se após esta oração um Padre Nosso, uma Ave Maria, oferecidos a Santa Sofia. Faz-se cruzes, com um ramo embebido em água sobre o lugar doente.

Em Santa Catarina, Cabral (1959:98) apresenta a seguinte oração:

Santo André perguntou a Santa Andria
Cobreiro com que se curaria
Santa Andria disse:
Com água da fonte,
Erva do monte
Em nome de Deus
E da Virgem Maria
Em nome de Deus
E da Virgem Maria

Em Alagoas, Amorim (1959:34) registrou a seguinte oração:

Santo Ingreu
Perguntou à Santa Ingria
Ferida de boca
Com que se curaria?
Com três palavras de Deus
E da Virge maria

As rezas, segundo observações feitas em pesquisa de campo e em consulta bibliográfica, de um modo geral, são compostas por uma combinação de palavras que vêm sofrendo, através dos tempos, alterações, apenas na colocação das mesmas, sem, contudo, sofrer modificação na idéia principal. Cita-se, a guisa de exemplo, a indicação de água da fonte, comum em quase todas as rezas coletadas. Já no século XVI, Anchieta indicava ao portador de cobreiro, (...) lavar-se com água da fonte rnilagrosa... (Vasconcelos - 1943.47).

No século XIX, Sílvio Romero em Cantos Populares do Brasil registrou a seguinte reza :

Pedro que tendes?
Senhor, cobreiro.
Pedro, curai.
Senhor, com que?
Agua das fontes
Erva dos montes.

No Ceará, Campos (1955'164) apresenta a seguinte reza:

Pedro, que tendes?
Senhor, cobreiro
Pedro, curai
Senhor, com que?
Agua das fontes
Erva dos montes

Joaquim Ribeiro em Folclore de Januária (1970: 161), registra:

Pedro, que tendes?
Senhor, cobreiro.
Pedro, curai.
Senhor, com que?
Agua das fontes
Erva dos montes.

Pesquisa realizada em Ibiúna-SP, em 1976, registrou o seguinte:

Que tende, Pedro?
Cobreiro, Senhor.
Co que eu curo?
Co ramo de monte
E água da fonte .

Provavelmente, a partir da idéia de que o cobreiro, se assemelhando a uma cobra, não deve progredir no sentido de possibilitar o encontro da cabeça com o rabo, como o próprio Morais (1877:396) diz em seu Dicionário: (...) que vai cingindo o corpo e se acaba de cingir, mata , há o uso freqüente de rezas para cortar o cobreiro. Pode-se citar alguns exemplos registrados em Portugal do século passado e deste, assim como em diversas regiões do Brasil.

No século XIX em Portugal, segundo Aragão (1894:28):

Te corto côbro
Cabeça, rabo e corpo todo.

Sílvio Romero, também no século XIX, no Brasil, registrou :

Pedro, que tendes?
Senhor, cobreiro.
Pedro, curai Senhor, com que?
Água das fontes
Erva dos montes.

No século XX, ainda em Portugal, em Castanheira do Ribatejo (Boletim Cultural, 1975 :269), em Portugal, registrou-se a seguinte reza:

Corto bicho.
Bicho corto.
Rabo e cabeça,
Para que não cresça.

Sobre o bicho, o autor diz: Não se sabe que bicho é. Os médicos dão-lhe o nome de zona. Há quem lhe chame cobrão.

No Espírito Santo Pacheco ( 1963 :9), apresenta a seguinte :

O que te corto?
Cobreiro bravo.
Corto a cabeça e o rabo

Em Alagoas, Amorim (1959:15) registrou a seguinte reza:

Cobreiro bravo que é que te corto? A cabeça e o rabo.

Já Cabral (1059:98), registra uma variante curiosa:

Te corto, cobreiro brabo
Te corto a cabeça e deixo o rabo

O mesmo autor, na mesma obra, cita a seguinte:

Cobreiro bravo
Eu te corto a cabeça e o rabo.
Cobreiro bravo há de sarar.

Pesquisa realizada em Ibiúna-SP (1977) registrou a seguinte reza:

Em nome de Deus eu curo
Cobreiro brabo Corto
a cabeça e rabo

Reza-se, em seguida, três vezes três ave-marias e três Santa Maria. Diz a informante que esta reza é diferente daquela citada anteriormente, também coletada em Ibiúna-SP em 1976, que colocava em destaque água da fonte, acrescentado que para aquela reza o benzedor deve usar uma faca que vai batendo em forma de cruz sobre o cobreiro, repetindo a reza três vezes durante três dias. Diz, ainda, que outros usam fazer o sinal em cruz com um raminho de planta, que na maioria das vezes é de aroeira mansa ou arruda. A planta depois de usada é jogada para o lado que o sol "entra".

Em Portugal, Leão (1945:75), referindo-se à maneira de talhar o cobreiro, cita o seguinte:

A talhadeira, munida de'uma faca, toca as regiões doentes, traçando cruzes entrelaçadas e, salmodiando, receita:

Eu bicho corto e talho,
Da cabeça inté o rabo,
Aranha, aranhão,
Cobra ou cobrão,
Sapo ou sapão,
Bicho de toda nação;
Em louvor de São Salibreste
Quanto eu fizer
A este Filho (ou Filha) presente.
Talhe-se três vezes, três dias seguidos, ou nove vezes num só dia.

No Espírito Santo, Cabral (1959'98) apre&enta a seguinte forma de curar o cobreiro:

Que corto? (pergunta o benzedor)
Côbro (responde o bemedor) Fogo,
Fogo selvagem
Eu te corto a cabeça
O meio e o rabo,
Que tu não cresças
Nem amadureças
Que seque e não alastre mais
Em nome de três Pessoas da Santíssima Trindade,
Que é Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Em seguida, benze-se com uma faca, cortando-se em cruz um fruto verde, por três dias. No primeiro, nove vezes, no segundo, cinco e no terceiro três.

Em pesquisa em favela de São Paulo com uma informante de origem mineira foi coletada a seguinte reza, apresentada por escrito:

com os pode de deus
eu corto o cobreiro de sapo e de aranha
e de qualquer bicho de toda "ação"
este cobreiro será cortado com São Roque e os pode do deus.
l pai nosso.
Benze com tres galho de assapexe e uma faca.

Arruda (Ruta graveolens)Quanto às pesquisas realizadas em favelas e em Ibiúna, verificou-se que a faca é o instrumento de uso generalizado entre os benzedores. Os informantes, tanto curadores como curados, dizem que a arruda é a planta de preferência para os benzimentos. Na falta desta, qualquer raminho verde poderá ser usado. Informantes de Ibiúna dizem que alguns benzedores usam a aroeira mansa em substituição à arruda. Apesar de muitas rezas terem sido coletadas, as registradas neste trabalho foram as selecionadas para exemplificar aquelas que apresentam características comuns a quase todas que foram documentadas pela pesquisa de campo e pelos autores citados.

Há, todavia, que se ressaltar o fato de muitos benzedores rezarem em surdina, por julgarem que se o fizerem em voz alta, as rezas perdem o poder de cura. Nesses casos, são observados apenas os instrumentos utilizados para benzer e os remédios indicados para usar.

Paralelamente às rezas, observamos o cuidado que se tem com a região do corpo afetada. Um informante de uma das favelas pesquisadas, muito respeitado na área como entendido na arte de curar cobreiro, embora afirmando que só reza cura, recomenda passar sobre o mesmo "mercúrio crômico". Segundo ele, a doença é uma espécie de micose com bolas que se espalha pelo corpo todo, se não for benzido logo que aparece o primeiro sinal. Os micróbios vêm da terra e passa pela roupa. Uns dizem que é qualquer bicho que passou em terra que tem esse micróbio e depois passou pela roupa que o doente usou.

Outra informante favelada, benzedeira, também de origem pernambucana como o informante anterior, diz: cobreiro eu curo com benzimento e rabiscando com tinta em volta. E micose que dá entre a carne e a pele. Foi comum encontrar, durante as pesquisas, benzedores escrevendo "ave Maria" em torno do cobreiro. Para isso usam tinta de escrever. Outros recomendam passar sobre o mesmo, óleo de amêndoa doce ou azeite de oliva. E, quanto a este último detalhe, temos a registrar que foi uma das recomendações feitas por Anchieta, ao curar Francisco Dias (Vasconcelos, 1943:47): ... olhai, irmão Francisco, para remédio desta noite, untai a parte lesa com o azeite Santo da lâmpada do Santíssimo Sacramento.

O uso de tinta de escrever ou outro material corante, como a raiz de açafrão, também de uso comum, para impedir a expansão do cobreiro, poderia ter sua explicação por tratar-se de substâncias de ação bacteriostática, cientificamente comprovada.

A propósito, Lacorte (1971 : 113) faz a seguinte referência: Además puede haber complicaciones consecutivas e infecciones bacterianas secundarias, cuando no se adoptan cuidados higiénicos locales.

Quanto à aplicação de óleo, fazendo atenuar a dor, poderia ser atribuída à ação protetora sobre as terminações nervosas, contra agentes exteriores, responsáveis, em parte, pelas sensaç5es dolorosas.

Aspecto lingüístico

Compreende, esta parte, um quadro cronológico das denominações de cobreiro, seguido de comentários sobre algumas designações, conforme já foi mencionado na introdução deste trabalho.

Cobrelo foi designação empregada no Brasil do século XVI, segundo Simão de Vasconcelos (1943:47), (...) a doença perigosa que alguns chamam de Santo Antão, outros cobrelo, e vem a ser inflamação que nasce da parte do lado direito e vai lavrando pelos ombros... No século XVII falava-se em doença de Santo Antão ou cobrelo, segundo Santos Filho (1947:141) e Rodrigues (s/d:42). No século XVIII Bluteau (1789:281), em seu dicionário diz: s.m. doença que se crê proceder de passar cobra por cima das camisas; mas é espécie de herpes, herpes miliares. Numa edição anterior (1712:352), o mesmo autor traz a seguinte definição de cobrelo:espécie de herpes procedida de cólera com mistura de alguma ascosidade. No século XIX, Morais (1877:375) traz, ipsis literis, a definiçâo de Bluteau de 1789. Sobre a origem do termo cobrelo, Bernardo (1783):109) diz: cobra: -êllo (colubra) serpente: brotoeja. Segundo o Novo Diccionario Critico e Etymologico da Lingua Portuguesa (1859:604), Cobrelo s.m. (da cobra, por se suppor que os herpes são causados por cobra que passa por cima da pelle do doente), herpes miliares, doençacuttanea.

O mesmo autor assim se refere a herpes: Herpes, S.M.Pl. (do grego herpô, serpear), t. méd., erupção cutânea das pústulas que causão ardor e comichão e corroem a pelle; fig.: cousa perniciosa. No século XX a designação aparece em compêndio médico como sinônimo de zona, segundo Monteiro (1921:317).

Em Portugal, segundo o Dicionario Etymologico Prosodico e Orthographico de Lingua Portuguesa (1928:370), cobrelo aparece como cabeça de verbete: Cobrelo. S.m. pequena cobra; erupção ou brotoeja na pelle (De cobra). Caldas Aulete (1958:1003) registra o seguinte: Cobrelo. Méd. Erupção cutânea que os médicos denominam herpes-zoster ou zona; cobro. Finalmente, o Novo Dicionário Aurélio (1975:340), assim define cobreiro: (Dim. De cobra).S.m. Pop. O herpes-zoster ou zona, assim dita por se afigurar ao povo ser essa dermatose produzida pelo contato de roupa sobre a qual passasse alguma cobra; cobreiro; cobro.

Cobreiro, segundo a bibliografia, foi designação usada a partir do século XIX. Em Langgaard (1873:472), cobreiro é o mesmo que zoster. Chernoviz (1890:472), diz tratar-se do nome vulgar de herpes zona, além de dar como sinônimo de cobrelo, designação que não aparece como cabeça de verbete. Também era designação empregada em Portugal no século XIX, conforme registrou Sílvio Romero em 1883: Pedro, que tendes?/Senhor, cobreiro (Carneiro, 1943:68). No século XXm cobreiro passa a ser a designação mais comum empregada no Brasil. Teschauer (1928:223), apresenta o cobreiro como: s.m. (R. G. do Sul), erupção cutânea que dizem provir de um animal peçonhento que passou pelo corpo ou pela roupa que se vestiu. Segundo pesquisas de campo realizadas em Ibiúna, SP, e em favelas de São Paulo (capital), as definições de cobreiro se assemelham à acima mencionada. Trata-se de grosseiro molhado, formado por pequenas bolhas, provocado por bichos do mato (aranha, cobra, lesma, lagarto, sapo) que depois de passarem pelas plantas e sobre roupas de vestir, trazem a doença. Informantes de Ibiúna dizem que cobreiro provocado por sapo espuma. Fazem referência ao sapo "ontonha" que costuma passar sobre as roupas levando a doença. Gabriel Soares de Souza, no século XVI, faz referência ao sapo cururu que Pirajá da Silva, ao comentar a obra daquele autor quinhentista, assim se refere: É crença geral que a passagem de sapo pela roupa estendida no coradouro, produz erupção cutânea - cobrelo.Ceratophrys cornuta L. - sapo-boi, 'intanha' - cururu. Sobre a origem da palavra, Diez (1975 : l 77), diz ,La idea de la culebrilla vino de Europa, más bien de Galicia, adonde llegó através de los árabes, que a su vez la habían tomado de los griegos, como estos de las creencias orientales. Pero donde la influencia brasilena se hace sentir a esta enfermidad se le llama 'cobrero', de cobra y por perversión idiomática también: cobreiro.

Cobro é designação que surge, também, no Brasil e Portugal segundo a bibliografia consultada. No dicionário de Morais (1877.396), cobro aparece como cabeça de verbete, s.m. Espécie de erysipela que vai cingindo o corpo e se o acaba de cingir, mata. Os latinos chamavam de cingulum o mesmo que herpes miliares.

Em Portugal, também no século XIX, a designação cobro aparece em oração, segundo Aragão (1894'28): Eu te corto côbro/Cabeça, rabo e corpo todo. No século XX passa a ser designação comum usada como sinônimo de cobreiro.

Outros informantes de Ibiúna dizem: bolhas que podem dar em qualquer parte do corpo. Quando furam, ardem muito. Costumam esparramar pelo corpo todo como catapora. Pode ser provocado por bicho do mato que passa nas roupas ou por mudanças de ar. É cabeça de verbete em Caldas Aulete (1958: 1003). No Novo Dicionário Aurélio (1975:340), também é cabeça de verbete que remete para cobrelo.

Cobrão, segundo a bibliografia pesquisada aparece em Portugal no século XIX, como cabeça de verbete que remete para cobrelo, segundo Morais (1877:111). No século XX, em Santa Catarina, segundo Cabral (1958:98), aparece em uma oração:

Cobro, cobrão zague, sarampo

Em Portugal, Lima (1945:75) registra uma oração da região do Douro:

Aranha, aranhão
Cobra ou cobrão

Segundo Cascudo (1954:187), Em Portugal chamam-no também cobro, por ter a dermatose a configuração de uma cobra.

Zona, foi dicionarizado no século XIX por Chernoviz (1890): 1264) e por Langgaard (1873:730), como sinônimo de cobreiro.

Mas, já no século XVII, Piso, no ano 1648 faz a seguinte referência: Estas pústulas muitas vezes corroem todo o corpo e se alastram, fixas e estáveis por toda a região do ventre a que se poderia chamar "zona" é dermatose caracterizada por erupção de vesículas dispostas em grupos no trajeto de nervos sensitivos.

Conclusões

O cobreiro é uma virose de evolução cíclica que desaparece espontaneamente, pois não há medicação específica, até o momento, contra o vírus.

A medicina popular, apoiada em reza, benzimento e medicação tópica, procura, apenas, reduzir a sintomatologia própria dessa enfermidade, não sendo, pois, responsável pela sua cura.

Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo

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Fonte: www.aguaforte.com

Herpes Zoster

O herpes zoster é uma doença viral causada pelo Herpesvirus varicellae, o mesmo vírus causador da varicela (catapora).

Após a varicela, algumas pessoas não desenvolvem imunidade total ao vírus, que permanece latente em gânglios próximos à coluna vertebral. Quando encontra condições de se desenvolver, chega à pele através dos nervos correspondentes ao gânglio. Acomete homens e mulheres, sendo mais frequente na idade adulta e nos idosos. O surgimento do herpes zoster pode ser um indicativo de uma baixa da imunidade.

Manifestações clínicas

O herpes zoster é uma doença auto-limitada, tendo um ciclo evolutivo de cerca de 15 dias. Antes do surgimento das lesões na pele, ocorrem no local sintomas dolorosos ou parestésicos (formigamento, pontadas, "pele sensível" ou queimação) devido à inflamação do nervo. No decorrer da doença os sintomas dolorosos podem se agravar tornando-se muitas vezes insuportáveis, principalmente quando atinge pessoas mais idosas. A dor melhora gradativamente mas, nas pessoas idosas, pode permanecer por meses ou anos após o final do quadro cutâneo, caracterizando a neuralgia pós-herpética.

As manifestações cutâneas iniciam-se por vesículas que podem confluir formando bolhas contendo líquido transparente ou ligeiramente amarelado, seguindo o trajeto de um nervo. Em alguns dias, as lesões secam e formam crostas que serão liberadas gradativamente deixando discretas manchas no local que tendem a desaparecer. Na grande maioria das vezes, as manifestações limitam-se a um lado do corpo, por onde passa o nervo atingido, sendo raro o acometimento bilateral.

Herpes Zoster
Herpes Zoster

Os nervos atingidos com maior frequência são os intercortais, mas outros nervos podem ser afetados. Quando acomete os nervos cranianos, podem ocorrer sintomas referentes aos nervos acometidos, como ulceras da córnea, vertigem ou surdez.

Tratamento

O tratamento deve ser iniciado assim que se iniciarem os sintomas visando evitar o dano irreparável ao nervo atingido que resultará na neuralgia pós-herpética. As lesões da pele tem involução espontânea mas medidas para evitar a infecção secundária devem ser tomadas. Os medicamentos utilizados no tratamento do herpes zoster tem evoluído muito, tornando-se mais eficazes, e devem ser indicados por um médico dermatologista.

Fonte: www.dermatologia.net

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