A elevação dos níveis pressóricos além das cifras determinadas pelas atuais diretrizes é um fator independente de risco de conseqüências a nível cardíaco, coronariano, cerebrovascular, renal e vascular . Elevações a partir de 115/75 mmHg já demonstram aumento nos índices de mortalidade cardiovascular.
Mas a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) não pode ser vista apenas pelo aspecto das cifras tensionais elevadas. Na verdade a HAS existe num contexto sindrômico, com alterações hemodinâmicas, tróficas e metabólicas, entre as quais a própria elevação dos níveis tensionais, as dislipidemias, a resistência insulínica, a obesidade centrípeta, a microalbuminúria, a atividade aumentada dos fatores de coagulação, a redução da complacência arterial e a hipertrofia com alteração da função diastólica do VE.
Os componentes da síndrome hipertensiva são muitas vezes fatores de risco cardiovascular independentes. Os esquemas terapêuticos antigos, propostos com a intenção única de baixar os níveis tensionais, não obtiveram uma redução da morbidade e mortalidade como esperado, a despeito de uma redução eficaz dos níveis pressóricos.
Ao tratar a hipertensão devemos ter em mente os fatores de risco associados e o impacto do tratamento nestes fatores. Assim apesar de um controle satisfatório da PA outros fatores de risco potencialmente maiores podem se sobrepor, não melhorando a situação clínica do paciente, fazendo com que o tratamento atual da hipertensão arterial sistêmica não possa se resumir simplesmente à redução dos níveis pressóricos, mas do risco cardiovascular global.
O desenvolvimento de hipertensão depende da interação entre predisposição genética e fatores ambientais, embora ainda não seja completamente conhecido como estas interações ocorrem. Sabe-se , no entanto, que a hipertensão é acompanhada por alterações funcionais do sistema nervoso autônomo simpático, renais, do sistema renina angiotensina, além de outros mecanismos humorais e disfunção endotelial. Assim a hipertensão resulta de várias alterações estruturais do sistema cardiovascular que tanto amplificam o estímulo hipertensivo, quanto causam dano cardiovascular.
O sistema simpático tem uma grande importância na gênese da hipertensão arterial e contribui para a hipertensão relacionada com o estado hiperdinâmico.
Mensurações das concentrações de catecolaminas plasmáticas tem sido usadas para avaliar a atividade simpática. Vários autores relataram concentrações aumentadas de noradrenalina no plasma em pacientes portadores de hipertensão essencial, particularmente em pacientes mais jovens. Estudos mais recentes sobre atividade simpática medida diretamente sobre nervos simpáticos de músculos superficiais de pacientes hipertensos confirmam esses achados. Também foi demonstrada a alteração da resposta reflexa dos baroreceptores, tanto em modelos experimentais como em modelos clínicos.
Mecanismos renais estão envolvidos na patogênese da hipertensão, tanto através de uma natriurese alterada, levando à retenção de sódio e água, quanto pela liberação alterada de fatores que aumentam a PA como a renina ou de fatores depressores da PA como prostaglandinas.
O sistema renina-angiotensina está envolvido no controle fisiológico da pressão arterial e no controle do sódio. Tem importantes implicações no desenvolvimento da hipertensão renal e deve estar envolvido na patogênese da hipertensão arterial essencial. O papel do sistema renina-angiotensina-aldosterona a nível cardíaco, vascular e renal é mediado pela produção ou ativação de diversos fatores de crescimento e substâncias vaso-ativas, induzindo vasoconstricção e hipertrofia celular.
A sobrecarga do sistema cardiovascular causada pelo aumento da pressão arterial e pela ativação de fatores de crescimento leva a alterações estruturais de adaptação, com estreitamento do lúmen arteriolar e aumento da relação entre a espessura da média e da parede arterial. Isso aumenta a resistência ao fluxo e aumenta a resposta aos estímulos vasoconstrictores. A adaptação vascular instala-se rapidamente.
Adaptações estruturais cardíacas consistem na hipertrofia da parede ventricular esquerda em resposta ao aumento na pós-carga (hipertrofia concêntrica), e no aumento do diâmetro da cavidade ventricular com aumento correspondente na espessura da parede ventricular (hipertrofia excêntrica), em resposta ao aumento da pré-carga.
Tanto as adaptações vasculares quanto as cardíacas atuam como amplificadores das alterações hemodinamicas da hipertensão e como início de várias das complicações dela decorrentes.
Novos estudos demonstraram o envolvimento do endotélio na conversão da angiotensina I em angiotensina II, na inativação de cininas e na produção do fator relaxante derivado do endotélio ou óxido nítrico. Além disso, o endotélio está envolvido no controle hormonal e neurogênico local do tônus vascular e dos processos homeostáticos. Também é responsável pela liberação de agentes vasoconstrictores, incluindo a endotelina, que está envolvida em algumas das complicações vasculares da hipertensão.
Na presença de hipertensão ou aterosclerose, a função endotelial está alterada e as respostas pressóricas aos estímulos locais e endógenos passam a se tornar dominantes. Ainda é muito cedo para determinar se a hipertensão de uma forma geral está associada à disfunção endotelial.
Também ainda não está claro se a disfunção endotelial seria secundária à hipertensão arterial ou se seria uma expressão primária de uma predisposição genética.
Estudos recentes identificaram de forma mais clara vários mecanismos fisiopatológicos envolvidos na hipertensão arterial, no entanto ainda não está claro quais fatores são iniciadores da hipertensão e quais são seus perpetuadores.
Fonte: www.manuaisdecardiologia.med.br
É quando a pressão exercida pelo sangue em movimento na parede das artérias é muito forte,ficando acima dos valores normais. As artérias são vasos que saem do coração e levam o sangue oxigenado com nutrientes para todas as células do organismo.
Um indivíduo pode ser considerado hipertenso quando sua PA máxima fica igual ou maior que 14 (140 mmHg) e a PA mínima igual ou maior que 9 (90 mmHg).Entretanto podemos afirmar que o ideal é mantermos a PA máxima em 12 (120 mmHg) e a PA mínima em 8 (80 mmHg),a famosa medida 12 x 8.
A partir desses níveis a pressão começa a causar alterações em órgãos importantes do nosso organismo como:coração, rins,cérebro,artérias e olhos.
Porque, inicialmente a Hipertensão Arterial não apresenta nenhum sintoma e muitas vezes os sintomas a ela atribuídos, como: dor de cabeça, sangramento pelo nariz, tonturas, falta de ar e outros, nem sempre são causados por ela.
E apesar disto, esta INIMIGA SILENCIOSA, aumenta o risco da pessoa ter um infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (derrame), insuficiência cardíaca, insuficiência renal e comprometimento da visão por lesões na retina
O principal fator é hereditário (o indivíduo herda da família o risco de vir a desenvolver hipertensão).Além destes fatores de risco incontroláveis, fatores ambientais podem aumentar a chance de instalação da hipertensão Arterial.
Alguns fatores ambientais: ingestão excessiva de sal, acima de 6 (seis) gramas diárias, aumento de peso, sedentarismo, excesso de bebida alcoólica, estresse, tabagismo e uso de alguns medicamentos.
O tratamento pode ser feito com medicamentos ou não, isso vai depender dos níveis de sua pressão arterial, do comprometimento ou não de determinados órgãos e da presença de outras doenças.Portanto, quem pode decidir isso é somente o seu médico.
Como você pode colaborar para o sucesso do tratamento modificando alguns de seus hábitos
Diminuir o sal da comida, nunca ultrapassar seis gramas por dia, ou seja, uma colher das de chá para toda a alimentação diária.
Retire o saleiro da mesa e use temperos naturais como: limão, cebola, alho e cheiro verde
O excesso de peso tem grande relação com o aumento da pressão, se você está com o peso acima do normal, ou seja, índice de massa corpórea acima de 25 Kg/m2, deve iniciar um programa de redução de peso no qual a ingestão de alimentos de baixo valor calórico deve ser a regra.Evite dietas milagrosas, use sua criatividade, o correto é consumir alimentos de todos os grupos (cereais integrais,frutas,legumes, carnes leite e derivados), variando o máximo que puder para não faltar nutrientes.
Fórmula para se calcular o índice de massa corpórea:
peso/alturaxaltura=massa corpórea
Exemplo: Um indivíduo com 98Kg e 1,75m = 32Kg/m2
A massa corpórea desse individuo é igual a 32 Kg/m2
Portanto está com o peso acima do normal.
Abandone o sedentarismo.passe a fazer uma caminhada regularmente de no mínimo,30 minutos todos os dias ou,pelo menos, quatro vezes por semana.
Os melhores exercícios para hipertensos são: caminhar, nadar, correr, andar de bicicleta.Exercícios como halterofilismo e musculação não são recomendados para hipertensos.
O uso excessivo de bebidas alcoólicas, eleva a pressão arterial.Por isso, para os homens, o uso de bebidas destiladas (uísque, vodka, água ardente, etc...) não deve exceder 60 ml ao dia, o vinho não deve exceder 240 ml, e a cerveja 720 ml.
Com relação às mulheres e indivíduos de peso baixo, a ingestão alcoólica não deve ultrapassar a metade da permitida para os homens.Se você não consegue se enquadrar nesses limites, sugere-se o abandono de bebidas alcoólicas.Pois além de fazer subir a pressão o álcool é uma das causas de resistência ao tratamento anti-hipertensivo, causando gastrite, problemas no fígado, coração, cérebro, isso tudo sem contar com os problemas sociais provocados pela bebida.
O tabagismo é o mais importante fator de risco, previnível para a doença cardiovascular, sendo responsável por um em cada seis óbitos, pois a nicotina aumenta a pressão arterial e acelera a progressão da aterosclerose (depósito de gordura nas paredes das artérias).Portanto abandonar o tabagismo deve ser a primeira providencia do hipertenso.
Para cada pessoa as causas do estresse podem ser diferentes.O melhor a se fazer é, se possível, identificar o motivo que está gerando a tensão e elimina-lo.Deve-se administrar esse problema de maneira mais harmônica.
Identifique uma atividade que lhe da prazer, como ler, pintar, bordar, participar de atividades sociais ou de grupos de relaxamento
Fonte: www.sauderenal.com.br