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Tecido Epitelial

 

Tecido Epitelial
Tecido Epitelial

Características

O Tecido Epitelial (TE) possui algumas características essenciais que permitem a sua diferenciação de outros tecidos do corpo.

Ocorre uma justaposição das suas células poliédricas. Esta forma pode ser justificada pela pressão exercida por outras células e a ação modeladora do citoesqueleto; a justaposição das células pede ser explicada pela pequena quantidade ou mesmo ausência de matriz extracelular.

A grande capacidade de coesão entre as células é outra característica e ocorre devido a especializações de membrana (ver adiante) e ao glicocálix. O TE é avascularizado, fazendo da presença de lâmina basal indispensável à sua nutrição.

Origem

Pode originar-se dos 3 folhetos embrionários.
Ectoderme: epitélios de revestimento externos (epiderme, boca, fossas nasais, orifício retal).
Endoderme: epitélio de revestimento do tubo digestivo, da árvore respiratória, do fígado e do pâncreas.
Mesoderme: endotélio (vasos sangüíneos e linfáticos) e mesotélio (revestimento de serosas).

Funções

A função de revestimento envolve a de proteção - como a epiderme que protege os órgãos internos de agentes externos - e a de absorção - como é o caso das mucosas. Exerce uma importante função secretora, uma vez que as glândulas são originárias do TE, e são por isto classificadas como Tecido Epitelial Glandular.

Além disso, o TE exerce uma função sensorial com os neuroepitélios (ex. retina).

Tecido Epitelial de Revestimento
Especializações de membrana
Glicocálix: ação adesiva (entre outras).

Microvilosidades e estereocílios: formados por microfilamentos de actina que correm para uma trama terminal; relacionados com a absorção.

Cílios: formado por microtúbulos; relacionado com a movimentação.

Zônula de oclusão: é a junção mais apical. Ocorre por interação entre duas proteínas transmembranas e promove a vedação, obrigando o trânsito intracelular e impedindo a volta de substâncias por entre as células epiteliais (efeito selador). Favorece a criação de domínios.

Zônula de adesão: interações entre caderinas, associadas a microfilamentos na altura da trama terminal. Tem função adesiva.

Máculas de adesão (desmossomos): interações entre caderinas, ligadas a uma placa eletrondensa associada a filamentos intermediários de queratina (tonofilamentos).

Junções comunicantes (gap): canal hidrofílico por onde passam moléculas informacionais e íons. Formados por conexinas.

Hemidesmossomos: interações entre integrinas (célula) e lamininas (lâmina basal), associadas a filamentos intermediários.

CONCEITO

Revestem as superfícies externas e internas do corpo. Típicamente consistem de grupos cooperativos de células muito próximas umas das outras com pouca substância intercelular, o glicocálix, fina camada formada por glicoproteinas. É um tecido avascular, embora suas funções dependam de estreito relacionamento com vasos sangüíneos; portanto, é um tecido conjuntivo dependente e separa-se do mesmo por uma estrutura acelular denominada membrana basal. Embora os epitélios não tenham vasos, são inervados, recebendo terminações nervosas livres que, às vezes, formam uma rica rede intraepitelial.

Os tecidos epiteliais são divididos em dois grandes grupos: Tecido epitelial de revestimento e tecido epitelial glandular.

Lâmina basal

Formada por colágeno tipo IV, lamininas e proteoglicanas. É sintetizada pelas células epiteliais e faz a nutrição do tecido epitelial por ser vascularizada.

Divide-se em: lâmina lúcida, lâmina densa e lâmina fibroreticular (formada por fibras de ancoragem de colágeno VII ).

Classificação

Quanto ao número de camadas de células, podem ser simples, com uma só camada de células iguais (ovário, intestino); estratificado com várias camadas de células (pele, esôfago); e pseudoestratificado, com uma única camada de células que tocam a lâmina basal mas que possuem núcleos em alturas diferentes (traquéia).

Quanto à forma das células, podem ser cúbicas (de núcleo arredondado e central), cilíndricas ou prismáticas (com núcleo elipsóide e geralmente central) e pavimentosas (achatadas).

Obs.: existe ainda o epitélio de transição, presente nas vias urinárias e na bexiga. É denominado desta forma pois muda o número de camadas por assentamento celular, mas não muda o número de células).

Conceitos importantes

Mucosas: epitélio simples ou estratificado e tecido conjuntivo frouxo ( lâmina própria ).
Serosas:
mesotélio + tecido conjuntivo frouxo. Individualiza órgãos. Ex.: pericárdio, pleura, peritônio.
Adventícias:
tecido conjuntivo apenas. Une órgãos.

Epitélio Glandular

As características são as mesmas do epitélio de revestimento. O que diferencia os dois tipos de epitélio é a função do glandular, que é basicamente a secreção de substâncias.

Formação de uma glândula

A partir do epitélio de revestimento, ocorre uma proliferação de células no tecido conjuntivo. Nesta área ocorre, então, uma diferenciação celular.

O produto final pode ser uma glândula:

Exócrina: possui contato com com o TER e por isto lança seus produtos neste seu epitélio de origem. Possui uma porção secretora - que pode ser acinosa, tubulosa ou túbulo acinosa - e uma porção excretora, esta responsável pelo transporte das substâncias até o epitélio de origem.
Ainda, esta porção pode ser única (simples) ou composta.
Endócrina:
não possui contato com o TER, mas lança seus produtos diretamente na corrente sangüínea.

Podem ser de 2 tipos:

A Vesicular captura substâncias do sangue para a produção de outras substâncias, armazenando-as na luz da glândula; a Cordonal, por sua vez, não armazena as substâncias e faz secreção constante. São caracterizadas por formarem cordões celulares.

Controle Glandular

Gênico: depende da ação de um ou mais genes.

Exógeno: são dois mecanismos de controle que ocorrem simultaneamente, mas com predomínio de um sobre o outro. Pode ser Hormonal - como por exemplo o controle do hormônio tireotrófico pelos hormônios T3 e T4 - e Nervoso, controlado por neurotransmissores ou mensageiros químicos.

Este último mecanismo pode ocorrer de duas maneiras:

1 - o mensageiro penetra na célula e reage com receptores intracelulares para ativar genes do DNA.
2 -
o mensageiro não consegue entrar na célula e interage com receptores de membrana que estimulam a formação de um mensageiro secundário, que realiza uma série de eventos até produzir a secreção.

Fonte: members.tripod.com

Tecido Epitelial

Funções

Revestir superfícies, como a pele; Revestir e absorver, como o intestino; Secretar, como as glândulas; Sensorial, no neuroepitélio.

Características

Células justapostas; Pouquíssima substância intercelular; Grande coesão entre as células devido à presença de desmossomos e interdigitações.

Especializações

Camada de queratina: impermeabilização (pele); microvilos: absorção (intestino); muco e cílios: retenção e eliminação de partículas estranhas (aparelho respiratório).

O tecido epitelial compõe-se quase exclusivamente de células, apresenta pouca substancia intersticial a cimentar as células (do grego, epithelein construir sobre um supor). Do ponto de vista fisiológico, o tecido epitelial tem por função atapetar superfícies.

Na função especifica, existem três tipos de tecido, mas para nós só interessa dois: tecido epitelial de revestimento; tecido epitelial glandular.

TECIDO EPITELIAL DE REVESTIMENTO OU EPITÉLIO DE REVESTIMENTO

A superfície externa do corpo e as cavidades corporais internas dos animais são revestidas por este tecido sendo constituídas as glândulas .Sua principais característica e ser formado por células justapostas, isto e, bem encaixado entre si de modo a não deixar espaços entre elas, a fim de evitar penetração de microrganismos, e expresso (com muitas camadas de células, e, a fim de evitar a perda excessiva de água, e impermeabilizado por queratina. Nos epitélios nunca se encontram vasos sangüíneos.

Quanto ao numero de camadas celulares os tecido epitelial de revestimento são classificados em: simples ou uniestratificados (formados por uma única camada de células.

Os tecidos de revestimento externo protegem o organismo contra desidratação, atrito e invasão bacteriana já o tecido de revestimento externo, podem ser classificados: Estratificado, composto ou multiestratificada (formado por várias camadas de células ); e pseudo-estratificado (uma só camada de células com alturas diferentes).Os epitélios de revestimento podem ter diversas origens embrionárias, dependendo de sua localização, e o epitélio que reveste internamente o intestino tem origem endodérmica, e o que reveste o coração tem origem mesodérmica.O tecido epitelial de revestimento forma em primeiro lugar a pele, também forma as mucosas(membranas que foram as órgãos ocos, e sua superfície e muito úmida devida a secreção de mucinogenos, que, ao hidratar-se transforma-se em muco que produz e forma uma camada protetora, e encontrada no tubo digestivo, urinário genital, fossas nasais, boca, etc.

Os epitélios ainda podem ser classificados quanto a forma de suas células as quais variam alguns casos as células são cúbicas(epitélios cúbicos ocorrendo no ovário); outros achatados com os de um pavimento (epitélio pavimentoso, ocorre, Endotélio (revestimento dos vasos sangüíneos); Mesotélio reveste as serosas: pleura (pulmão), pericárdio (coração), peritônio (estômago), etc; outros ainda são prismáticas (epitélis prismáticos ).

TECIDO EPITELIAL GLANDULAR OU SECRETOR

É o segundo tipo de tecido, sua além de ser revestidora forma glândulas, produzem e eliminam substâncias necessárias nas superfícies do tecido.

Estas glândulas podem ser exócrinas(eixos, fora), que tem origem através de um canal ou ducto e lança o produto de secreção na superfície ou seja eliminam suas secreções para fora do corpo ou para a cavidade dos órgãos, tais como: as sudoríparas, as lacrimais; outras conduzem a secreção para um órgão oco com as salivares e o pâncreas. No aspecto morfológico, as glândulas exócrinas podem ser tubulosas sendo as glândulas do aparelho digestivo; As acinosas sendo as glândulas salivares, e as túbulo-acinosa sendo as glândulas parótidas; E as alveolares sendo as glândulas mamárias. As glândulas também podem ser endócrinas (endo, dentro), não há formação de canal ou de ducto e a glândula não pode lançar produtos de secreção na superfície do epitélio de origem mas elimina a secreção diretamente nos vasos sangüíneos.

Estas glândulas são geneticamente denominadas hormônios, pôr exemplo: são a tireóide , que produz e libera no sangue o hormônio tiroxina, e a hipófise, que libera, entre outros, o hormônio de crescimento (somatotrofina).No aspecto morfológico as glândulas endócrinas podem ser cordonais ou vesiculares. As glândulas se formam ainda no estágio embrionário, a partir de superfícies epiteliais.

Glândulas exócrinas e endócrinas formam-se de maneira parecida: células da superfície epitelial multiplicam-se e aprofundam-se nos tecidos mais internos, formando um cor dão celular. Existem ainda glândulas que possuem ao mesmo tempo uma parte exócrina, tais como mistas ou mesócrinas ou anfícrinas, possuem funções exócrinas e endócrinas ao mesmo tempo , como é o caso do pâncreas. As unidades glandulares chamadas ácinos pancreáticos que liberam no intestino o suco pancreático (função exócrina), enquanto outras unidades secretoras, as ilhotas de Langerhans, secretam os hormônios insulina e glucagon na corrente sangüínea (função endócrina).

GLÂNDULAS EXÓCRINAS

As glândulas exócrinas possuem diversas formas de classificação. Citaremos aqui algumas delas.

Classificação quanto à ramificação do ducto:

Glândulas simples: Possuem apenas um ducto secretor não ramificado. Ex.: glândulas de Lieberkühn, encontradas no duodeno, no jejuno, no íleo e no intestino grosso; glândulas sudoríparas, encontradas na pele.
Glândulas compostas:
Possuem um sistema de ductos ramificados que permite a conexão de várias unidades secretoras com um ducto. Ex.: glândula mamária e glândulas de Brunner, encontradas no duodeno.

Classificação quanto a forma de unidade secretora:

Glândulas tubulares: A unidade secretora possui a forma de um ducto. Ex.: glândulas de Lieberkühn, encontradas no duodeno, no jejuno, no íleo e no intestino grosso; glândulas sudoríparas, encontradas na pele; glândulas fúndicas, encontradas no estômago; glândulas esofágicas, encontradas no esôfago; glândulas cárdicas, no estômago e no esôfago.
Glândulas acinares ou alveolares:
A unidade secretora possui um aspecto mais arredondado. Apesar de modernamente os dois termos designarem o mesmo tipo de glândula, por uma questão de tradição o epitélio exócrino do pâncreas é exclusivamente denominado epitélio exócrino acinar. Ex.: glândulas sebáceas, encontradas na pele e ácinos serosos do pâncreas.
Glândulas tubuloalveolares:
São glândulas que possuem os dois tipos de unidades secretoras, tubulares e alveolares. Ex.: glândula mamária e glândula submandibular.

Classificação quanto ao tipo de substância secretada:

Glândulas mucosas: Produzem uma secreção viscosa e escorregadia, que não se cora pelo HE. Ex.: glândula sublingual, que é mista, predominantemente mucosa.
Glândulas serosas:
Produzem uma secreção aquosa e límpida que se cora em vermelho pelo HE. Ex.: ácinos serosos do pâncreas, glândula parótida e glândula submandibular (esta última, mista, de células acinares predominantemente serosas).
Glândulas mistas:
Secretam os dois tipos de secreção mencionados acima, pois possuem os dois tipos de ácinos (mucoso e seroso) ou porque possuem um terceiro tipo, que contém componente mucoso e componente seroso (capacete de Gianuzzi). Ex.: fígado, glândula submandibular (com preomínio de ácinos serosos) e glândula sublingual (com predomínio de ácinos mucosos).

Classificação quanto ao modo como a substância é liberada:

Glândulas merócrinas: O produto de secreção é liberado através da membrana por intermédio de vacúolos, sem a perda do citoplasma. Ex.: ácinos serosos do pâncreas e células caliciformes, encontradas em todo o intestino e na traquéia.
Glândulas holócrinas:
A célula secretora morre e torna-se o próprio produto de secreção da glândula. O citoplasma inteiro é convertido em secreção. Ex.: glândulas sebáceas.
Glândulas apócrinas:
O conceito de secreção apócrina foi desenvolvido quando o recurso do microscópio eletrônico ainda não estava disponível. Achava-se que determinadas glândulas perdiam parte do seu citoplasma durante a secreção. Estas glândulas seriam denominadas apócrinas. Contudo, o ME provou que esta perda de citoplasma é mínima. A conclusão é que estas glândulas apócrinas seriam realmente glândulas merócrinas. Entretanto, em muitos livros aquele conceito ainda pode ser encontrado. Ex.: glândulas sudoríparas de certas partes do corpo.

GLÂNDULAS ENDÓCRINAS

Glândulas cordonais: As células dispõem-se em cordões maciços anastomóticos separados por capilares sangüíneos. Não há armazenamento de secreção. Ex.: paratireóide, hipófise, ilhotas de Langerhans do pâncreas.
Glândulas vesiculares:
As células agrupam-se formando vesículas, que armazenam os produtos secretados antes de eles atingirem a corrente sangüínea. Ex.: tireóide.

Fonte: www.biomania.com

Tecido Epitelial

1) TIPOS DE EPITÉLIO

Epitélio de revestimento
Epitélio glandular
Neuroepitélio

1.1) CARACTERÍSTICAS

1. As células formam uma camada contínua revestindo uma superfície interna ou externa;
2. As células são mantidas em suas ligações comuns por pouca substância intercelular;
3. Uma superfície de cada célula é livre e, com freqüência, altamente especializada;
4. A superfície oposta apóia-se em uma membrana basal derivada do tecido conjuntivo subjacente;
5. Vasos sangüíneos estão ausentes;
6. Os epitélios de revestimento estão expostos a agressões físicas e infecções e atuam como camadas protetoras;
7. Células danificadas são substituídas por novas e figuras mitóticas são comuns
8.
Todos os transportes vitais dos corpos se dão através do epitélio (p.ex, alimento digerido, oxigênio, produtos de excreção e secreções);
9. Alguns epitélios são especializados no recebimento de estímulos.
10. Endotélio é o nome dado ao epitélio que reveste o sistema vascular.

Mesotélio é o epitélio que reveste as paredes e recobre o conteúdo das cavidades torácica, pericárdica e abdominal.

1.2) FUNÇÕES

Revestimento
Absorção
Secreção
Sensorial

1.3) CLASSIFICAÇÃO DOS EPITÉLIOS DE REVESTIMENTO

Os epitélios de revestimento são classificados de acordo com o arranjo ou com a forma dos constituintes celulares.

CLASSIFICAÇÃO BASEADA NO ARRANJO CELULAR:

a) Epitélio simples: há uma única camada celular
b) Epitélio pseudo-estratificado: parece haver mais de uma camada celular, mas todas as células apóiam-se na membrana basal
c) Epitélio estratificado: há várias camadas celulares

CLASSIFICAÇÃO BASEADA NA FORMA DAS CÉLULAS:

1. Epitélio cúbico: formado por células com diâmetros iguais.
2. Epitélio cilíndrico: constituído por células que são mais altas que largas
3. Epitélio de transição: constituído por células que mudam seu formato quando o epitélio é tensionado.

2) Epitélio Glandular

As glândulas são formadas por um grupo especializado de células especializadas cuja a função é a secreção. Entende-se por secreção a produção e a liberação pelas células de um fluido contendo substâncias como muco, enzimas ou um hormônio.

Existem dois tipos principais de glândulas:

As glândulas exócrinas: possuem ductos que transportam a secreção glandular para a superfície do corpo ou para o interior (lúmen) de um órgão cavitário. Ex: glândulas sudoriparas, salivares e intestinais.
As glândulas endócrinas
não possuem ductos e sua secreção é liberada diretamente na corrente sangüínea, onde será distribuída para todo o corpo. A secreção das glândulas endócrinas contém hormônios.

As glândulas exócrinas podem ser classificadas, de acordo com o modo de liberação de sua secreção, como merócrinas, apócrinas e holócrinas.

Glândula simples é aquela cujo ducto não se ramifica ( ex: glândula sudorípara);
Glândula composta é aquela na qual o ducto ramifica-se, em geral, repetidamente (ex.pâncreas);
Se a unidade secretora da glândula for tubular, a glândula é chamada glândula tubulosa, e se ela for arredondada, é denominada de acinosa;
Glândulas serosas são aquelas que secretam um fluído aquoso;
Glândulas mucosas são aquelas que secretam um fluido espesso e viscoso, glicoproteico, denominado muco;
Glândulas seromucosas são compostas por uma mistura de unidades secretoras serosas e mucosas.

As glândulas endócrinas não possuem ductos e sua secreção é liberada diretamente na corrente sangüínea, onde será distribuída para todo o corpo. A secreção das glândulas endócrinas contém hormônios.

São classificadas em:

Glândula tipo cordonal: as células se dispõem em cordões maciços que se anastomosam entre si;
Glândula tipo vesicular: células se agrupam formando vesículas, constituídas por uma só camada de células, limitando um espaço onde a secreção se acumula temporariamente.

3) Neuroepitélio

As células desse tipo de epitélio são altamente especializadas e estão relacionadas com a percepção sensorial e a reprodução. Ex: cones e bastonetes da retina, células do revestimento dos túbulos seminíferos do testículo.

Fonte: medicina.ucpel.tche.br

Tecido Epitelial

1. INTRODUÇÃO

As células, que são as menores unidades morfológicas e funcionais dos seres vivos, agrupam-se em tecidos, e estes, por sua vez, em órgãos.

Tem-se quatro tipos principais de tecidos: o tecido epitelial, o tecido conjuntivo, o tecido muscular e o tecido nervoso.

O tecido conjuntivo inclui tipos especiais, como os tecidos adiposo, cartilaginoso, ósseo, hemocitopoético e sanguíneo.

2. CARACTERÍSTICAS

O epitélio caracteriza-se pela justaposição das células e pela pouca matriz extracelular (Figura abaisxo)

Tecido Epitelial
Figura 1 - Tecido epitelial.Imagem obtida ao microscópio de luz de células pavimentosas (Tecido Epitelial ) de
um vaso sanguíneo ede células cúbicas (Tecido Epitelial ) de um túbulo renal. HE. 1.373x.

3. FUNÇÕES

A denominação epitélio (do grego epi–sobre; theleo–papila) refere-se à localização desse tecido sobre o tecido conjuntivo, que comumente forma projeções chamadas papilas.

O revestimentoé uma das funções do epitélio. Ele cobre a superfície do corpo, protegendo-o. Reveste os tratos digestório, respiratório e urogenital, as cavidades corporais (pleural, pericárdica e peritoneal), os tubos, os ductos e os vasos sanguíneos e linfáticos.

O epitélio realiza ainda absorção,como nos intestinos,excreção,como os túbulos renais,e secreção,como as glândulas.

Tipos especiais de epitélios desempenham função sensorial,como o dos órgãos sensoriais,e função reprodutiva,como o epitélio dos testículos.

4. COMPONENTES

O tecido epitelial é composto pelas células epiteliais e pela matriz extracelular.

As células epiteliais são justapostas, com forma geralmente regular, muito citoplasma, citoesqueleto desenvolvido e polaridade.

Elas sãojustapostasdevido à presença de junções celulares e de pouca matriz extracelular. A abundância de citoplasma está relacionada com a intensa atividade bioquímica. Essas células realizam vários processos metabólicos como síntese e secreção.O citoesqueleto contém filamentos de actina, filamentos intermediários de vimentina e de citoqueratina e microtúbulos.

Acitoqueratina está presente somente nas células epiteliais. A identificação de citoqueratina e inclusive do seu tipo por métodos imunocitoquímicos na biópsia de tumores malignos permite o diagnóstico da sua origem epitelial.

A polaridadeda célula resulta da diferença na composição química da membrana plasmática e na posição das organelas. A diferença na composição química da membrana plasmática é determinada pela inserção de certas glicoproteínas em regiões específicas da membrana plasmática e por junções que isolam a superfície apical da basolateral, restringindo o movimento das glicoproteínas na membrana.

A região da célula voltada para a superfície livreé o polo apical, enquanto o lado oposto é o polo basal.

O polo apical apresenta canais iônicos, proteínas transportadoras, incluindo bombas de H+, e enzimas hidrolíticas. O polo basal contém canais iônicos, bombas de Na+e K+ e receptores para hormônios e neurotransmissores.

A matriz extracelular do epitélio é restrita ao glicocálix e à lâmina basal.

A lâmina basal (Figura abaixo) é uma camada de glicoproteínas e proteoglicanas secretadas pelas células epiteliais, que, como o nome diz, se situa na base do tecido.

Tecido Epitelial
Figura 2 - Eletromicrografia de parte de um capilar, onde é indicada a lâmina basal (LB) da célula endotelial. 22.000x

Asglicoproteínas que a compõem são a laminina, o colágeno do tipo IV e a entactina.

A laminina tem uma forma de cruz, polimerizando-se nas suas extremidades. Possui sítios de ligação para receptores na célula, que são as integrinas e os distroglicanos, e para os demais componentes da lâmina basal.

O colágeno é uma glicoproteína em tripla hélice, ou seja, com três cadeias polipeptídicas enroladas umas nas outras. As moléculas de colágeno do tipo IV agregam-se em uma rede.

A entactina e as proteoglicanas, por se ligarem tanto à laminina como ao colágeno do tipo IV, contribuem para a conexão dessas macromoléculas. As cargas negativas dos glicosaminoglicanos atraem cátions, como o Na+, que retêm água na lâmina basal, formando um gel.

A lâmina basal tem 40 a 120nm de espessura e só é visível ao microscópio eletrônico.

Duas regiões são distinguidas: uma região eletrolúcida(a lâmina lúcida), logo abaixo do epitélio, com a laminina e a entactina, e uma região eletrodensa (a lâmina densa), que corresponde à rede de colágeno do tipo IV recoberta pelas proteoglicanas.

Geralmente associada à porção inferior da lâmina basal, há uma camada de fibras reticulares (colágeno do tipo III), a lâmina reticular, que é secretada pelo tecido conjuntivo subjacente.

A lâmina basal e a lâmina reticular compõem a membrana basal, que é visível ao microscópio de luz(Figura 1), principalmente quando são usados corantes para glicoproteínas,como o PAS,ou para fibras reticulares,como a técnica de Del Rio Hortega (DRH),que envolve a impregnação por prata.

As lâminas basal e reticular mantêm-se unidas pela fibronectina, uma glicoproteína de adesão;pelas fibrilas de ancoragem, de colágeno do tipo VII, e pelas microfibrilas, formadas pela glicoproteína fibrilina. Essas substâncias também são secretadas pelas células do conjuntivo.

A membrana basal está ligada à matriz extracelular do tecido conjuntivo pelas fibrilas de ancoragem.

A lâmina basal permite a adesão entre o epitélio e o tecido conjuntivo e é uma barreira de filtração seletiva para as substâncias que se movimentam entre esses dois tecidos. Ela influencia a diferenciação e a proliferação das células epiteliais.

Quando as células perdem o contato com a lâmina basal, elas morrem: sofrem apoptose.

A lâmina basal serve ainda de apoiopara a migração durante o desenvolvimento embrionário e a regeneração.

No diabetes, há um espessamento da lâmina basal dos pequenos vasos sanguíneos provocado pelo aumento na produção de colágeno do tipo IV e de laminina. Apesar disso, esses capilares são mais permeáveis às proteínas plasmáticas que os capilares normais, devido à diminuição na síntese de proteoglicanas.

O glicocálix e a lâmina basal não são secretados somente pelas células epiteliais. O glicocálix está presente em todas as células. As células musculares, células de Schwann (células do sistema nervoso) e células adiposas também apresentam lâmina basal. Como essas células não possuem uma superfície basal, alguns autores denominam a lâmina basal de lâmina externa.

5. ESPECIALIZAÇÕES DA SUPERFÍCIE DAS CÉLULAS EPITELIAIS

As superfícies apical ou basolateral de muitas células epiteliais são modificadas para o melhor desempenho da sua função.

5.1 Microvilos(oumicrovilosidades)

São evaginações da superfície apical da célula que aumentama superfície de absorção. Pequenos microvilos são encontrados na superfície da maioria das células, mas são mais desenvolvidos nas células absortivas, como as dos túbulos renais e as do intestino delgado(Figura 3), onde medem1 a 2Tecido Epitelial de comprimento e 0,1 a 0,2Tecido Epitelialm de diâmetro. Uma célula do túbulo renal tem 6.000 a 7.000 microvilos.

Quando bem desenvolvidos, os microvilos têm a forma de dedos de luva e filamentos de actina que lhe dão sustentação(Figura 4). Os filamentos de actina estão ligados uns aosoutros e à membrana plasmática por proteínas e, ao entrarem no citoplasma, são estabilizados pela malha de actina e espectrina da trama terminal e por filamentos intermediários de citoqueratina.

Tecido Epitelial
Figura 3 - Fotomicrografia de células colunares e de células caliciformes HE. 1.373x.(Tecido Epitelial ) no intestino. M -microvilos.

Tecido Epitelial
Figura 4 -Microvilos observados ao microscópio eletrônico de transmissão. G -glicocálix. 13.500x

5.2 Estereocílios

São microvilos longos(1,5 a 5,5µm de comprimento), com filamentos de actina e podem ser ramificados. Aumentam a superfície de absorção, como aqueles do trato reprodutor masculino, a exemplo do epidídimo(Figura 5), ou têm função sensorial, como aqueles das células pilosas auditivas.

Tecido Epitelial
Figura 5 - Estereocílios na superfície apical do epitélio do epidídimo. HE. 550x.

5.3 Placas da membrana

São áreas da membrana celular apical do epitélio que reveste o trato urinário, capazes de suportar a osmolaridade da urina, devido à composição lipídica diferenciada. São importantes para aumentar a superfície luminal do órgão, já que ficam dobradas para o interior das células quando a bexiga está vazia e desdobram-se quando a bexiga está cheia.

5.4 Invaginações (oupregas basais)

São invaginações das superfícies basal e laterais das células. Ocorrem nas células envolvidas no transporte de líquidos e íons, aumentando a superfície para a inserção de proteínas transportadoras.

Há uma concentração de mitocôndrias entre as invaginações para fornecer energia ao transporte ativo de íons. A presença das invaginações e das mitocôndrias confere uma aparência estriada à porção basal da célula observada ao microscópio de luz.

As invaginações são encontradas, por exemplo, nos túbulos renais (Figura 6) e nos ductos de glândulas salivares.

Tecido Epitelial
Figura 6 - Corte semifino do rim, mostrando um túbulo cujas células possuem microvilos (M), que aumentam a superfície para absorção de substâncias, e invaginações e mitocôndrias (Tecido Epitelial) para o transporte de íons. Azul de toluidina. 1.373x.

5.5 Cílios

São projeções da superfície apical da célula, maiores que os microvilos (7 a 10Tecido Epitelial de comprimento e 0,2?m de diâmetro) e com um conjunto de microtúbulos no seu interior(Figuras 7 e 10).

Esse conjunto consiste em nove pares periféricos e em um par central de microtúbulos e é denominado axonema. Os microtúbulos de cada dupla periférica são adjacentes e um deles compartilha uma porção da parede com o outro. O microtúbulo completo, com 13 protofilamentos, é o microtúbulo A, e o microtúbulo com 10 protofilamentos é o B. Projetando-se aos pares, ao longo dos microtúbulos A e em direção aos microtúbulos B das duplas vizinhas, há as proteínas motoras dineínas (Figura 11).

Com a ligação de ATP, as dineínas interagem com os microtúbulos B e, com a hidrólise do ATP, elas se deslocam ao longo desses microtúbulos em direção à base do cílio. Como os microtúbulos estão fixos em suas posições pelas proteínas associadas, entre elas, a nexina, que liga as duplas vizinhas, os microtúbulos A não podem deslizar com esse movimento, e as duplas dobram-se, curvando o cílio.

Tecido Epitelial
Figura 7 - Fotomicrografia do epitélio da traqueia. As partículas inaladas são capturadas pelo muco produzido pelas células caliciformes(Tecido Epitelial ),
e este muco é deslocado pelos cílios(Tecido Epitelial) em direção à faringe, onde é deglutido.550x.

Tecido Epitelial
Figura 8 - Cílios observados ao microscópio eletrônico de varredura. 8.500x.

Tecido Epitelial
Figura 9 - Eletromicrografia de um tufo de cílios (C) e microvilos (M), permitindo comparar o seu tamanho. 9.500x.

Tecido Epitelial
Figura 10 - Eletromicrografia de transmissão de cílios, mostrando a estrutura interna de microtúbulos. 23.111x

Tecido Epitelial
Figura 11 - Corte transversal do axonema. 187.500x

O batimento dos cílios faz com que o material na superfície das células seja transportado, como ocorre na traqueia, cujas células possuem cerca de 250 cílios.

No ouvido, há células com somente um cílio, tendo função sensorial.

A formação dos cílios envolve a replicação dos centríolos e a sua migração próximo à superfície apical da célula, onde originam os axonemas pela polimerização de tubulinas.

5.6 Flagelo

Possui estrutura semelhante à do cílio, mas é mais longo (cerca de 55 Tecido Epitelialm) e único na célula. Ocorre no espermatozoide, sendo responsável pela sua motilidade (Figura 12).

Tecido Epitelial
Figura 12 - Fotomicrografia de espermatozoide humano. Giemsa. 1.716x.

A síndrome de Kartagener (ou síndrome dos cílios imóveis) é uma doença autossômica recessiva, onde as dineínas não são sintetizadas normalmente, o que impede o batimento dos cílios e dos flagelos. Devido à redução ou falta de transporte do muco pelos cílios do sistema respiratório, os indivíduos desenvolvem sinusite e bronquite. Os homens com essa síndrome são estéreis, já que os espermatozoides são imóveis.

6. CLASSIFICAÇÃO

Os epitélios são classificados, segundo a sua função, em epitélio de revestimento e epitélio glandular. O epitélio sensorial e o epitélio germinativo podem ser considerados epitélios de revestimento ou classificados como epitélio especial.

Nem sempre se pode fazer uma distinção clara entre epitélio de revestimento e epitélio glandular. Por exemplo, o epitélio de revestimento do estômago é constituído somente por células secretoras de muco.

6.1 Epitélio de revestimento

justaposição das células epiteliais permite a formação de camadas celulares contínuas que revestem superfícies, como a superfície externa do corpo, a superfície dos órgãos, das cavidades, dos tubos ou dos ductos.

O epitélio de revestimento é classificado segundo onúmero de camadas celularese a forma das células.

Se houver somente uma camada de células, é simples.

Se houver mais de uma, estratificado.

Se as células de um epitélio simples forem pavimentosas, ele é denominado epitélio simples pavimentoso, como é o caso do revestimento dos vasos sanguíneos (Figura 1); se forem cúbicas, epitélio simples cúbico, que constitui, por exemplo, os túbulos renais (Figura 1), e se forem colunares (prismáticas ou cilíndricas), epitélio simples colunar (prismáticoou cilíndrico), como o dos intestinos. A presençada especialização da superfície apical e de outras células no epitélio também é mencionada. Assim, por exemplo, nos intestinos, o epitélio é simples colunar com microvilos e células caliciformes (Figura 3).

O epitélio simples pavimentoso dos vasos sanguíneos e dos vasos linfáticos é o endotélio, e o epitélio simples pavimentoso que delimita as cavidades pleural, pericárdica e peritoneal, o mesotélio.

Um tipo especial de epitélio simples é o epitélio pseudoestratificado.

Todas as células apóiam-se na lâmina basal, mas possuem diferentes tamanhos: células baixas, que são as basais, e células mais altas, colunares. Os núcleos estão, portanto, em diferentes alturas, lembrando o epitélio estratificado.

Epitélio pseudoestratificado colunar com estereocíliosé encontradono trato reprodutor masculino,como, por exemplo, no epidídimo (Figura 5),e epitélio pseudoestratificado colunar ciliado com células caliciformes é encontrado nas vias respiratórias,como na traqueia (Figura 7).

Há ainda o epitélio de transição, que é geralmente considerado estratificado, mas cortes semifinos (0,5 a 1Tecido Epitelial de espessura) e a microscopia eletrônica demonstram a continuidade das células com a lâmina basal.

Esse epitélio é designado de transição porque a forma e o número de camadas celulares visíveis variam conforme o órgão esteja relaxado ou distendido. No estado de relaxamento, esse tecido tem uma espessura de quatro ou cinco células, e as células superficiais são globosas. No estado distendido, são observados doisou três estratoscelulares, e as células superficiais tornam-se pavimentosas. Como reveste o sistema urinário (Figura 13), é também denominado urotélio.

Tecido Epitelial
Figura 13 - Epitélio de transição da bexiga. HE. 550x

Se o epitélio é estratificado, o formato das células da camada mais superficial é que o denominará. Então, se as células forem pavimentosas, tem-se o epitélio estratificado pavimentoso, como é o caso no esôfago (Figura 14); se cúbicas, o epitélio estratificado cúbicocomo, por exemplo, o dos ductos das glândulas sudoríparas, e se colunares, o epitélio estratificado colunar, como o dos ductos das glândulas salivares.

O epitélio estratificado cúbico e o epitélio estratificado colunar são geralmente regiões de transição entre o epitélio simples cúbico ou colunar e o epitélio estratificado pavimentoso.

No epitélio estratificado pavimentoso, as células variam na sua forma conforme a sua localização. A camada basal possui um grande número de células, resultante da divisão mitótica, o que faz com que as pressões nas superfícies laterais sejam maiores, e as células são colunares. Quando as células vão para as camadas superiores, as pressões são igualmente exercidas sobre elas, e adquirem uma forma poliédrica. Nas camadas superficiais do epitélio, a pressão é maior sobreo ápice das células, e elas são pavimentosas. Por estarem afastadas da fonte de nutrição, que consiste nos vasos sanguíneos do tecido conjuntivo subjacente, já que o epitélio não é vascularizado, morrem e descamam.

Tecido Epitelial
Figura 14 - Epitélio estratificado pavimentoso do esôfago. HE. 550x

A forma das células e o seu arranjo em camadas estão relacionados com a sua função. O epitélio simples pavimentoso, pela sua pequena espessura, facilita a passagem de substâncias e gases. Os epitélios simples cúbico e colunar, incluindo o pseudoestratificado, pela riqueza de organelas e presença de especializações da superfície, realizam absorção, secreção ou transporte de íons. O epitélio estratificado pavimentoso suporta o atrito.

O epitélio estratificado pavimentosopode ser queratinizado, como ocorre na pele (Figura 15).

À medida que as células se deslocam para as camadas superiores do epitélio, elas produzem proteínas de citoqueratina com peso molecular maior e proteínas especializadas que interagem com os feixes de filamentos de citoqueratina, resultando na queratina.

Tecido Epitelial
Figura 15 - Epitélio estratificado pavimentoso queratinizado da pele (D -ducto da glândula sudorípara). HE. 137x.

A camada superficial de células mortas, queratinizadas confere maior resistência ao atrito e proteção contra a invasão de micro-organismos. Além disso, graças à presença do glicolipídio acilglicosilceramida entre as células, é uma barreira impermeável à água e evita a dessecação.

Devido a um agente agressor, o tecido pode ser transformado em outro, o que é denominadometaplasia. Por exemplo, em fumantes, o epitélio pseudoestratificado das vias respiratórias pode ser substituído por epitélio estratificado pavimentoso.

6.2 Epitélio glandular

Em alguns epitélios de revestimento, há a presença de células secretoras que são consideradas glândulas unicelulares, como as células caliciformes no epitélio dos intestinos e da traqueia (Figuras 3 e 7).

A necessidade de uma quantidade maior de secreção foi suprida por um aumento da área do epitélio secretor com a sua invaginação, o seu enovelamento ou a sua ramificação, formando as glândulas pluricelulares.Elas podem ser envolvidas por uma cápsula de tecido conjuntivo que emite septos, dividindo-as em lobos que, por sua vez, são subdivididos em unidades menores, os lóbulos.

Através dos septos, vasos sanguíneos e nervos penetram na glândula. As células epiteliais constituem o parênquima da glândula, enquanto o tecido conjuntivo, o estroma.

As glândulas originam-se do epitélio de revestimento pela proliferação de suas células, com invasão do tecido conjuntivo subjacente e posterior diferenciação.

Quando as células permanecem conectadas à superfície epitelial, um ducto é formado, e a secreção vai para a superfícieatravés desse ducto. Esta glândula é dita exócrina. Quando as células perdem essa conexão, a secreção é liberada para os vasos sanguíneos, e a glândula é endócrina.

As glândulas exócrinas podem ser classificadas segundo:

1) forma da porção secretoraem:

Tubular, se ela tiver essa forma, podendo ainda ser reta, como a glândula de Lieberkühn dos intestinos (Figura 16) ou enovelada, como a glândula sudorípara (Figura 17);
Acinosa ou alveolar
, se for arredondada. A glândula salivar parótida é um exemplo de glândula acinosa, e a glândula sebácea, por ter uma luz maior, é alveolar (Figura 17);
Tubuloacinosa
, quando há os dois tipos de porções secretoras. Ex: glândulas salivares sublinguais e submandibulares (Figura 18).

2) ramificação da porção secretoraem:

Simples, quando não há ramificação. Ex: glândula de Lieberkühn dos intestinos (Figura 16) e a glândula sudorípara (Figura 17);
Ramificada
, quando há ramificação. Ex: glândula sebácea (Figura 17).

3) ramificação do ductoem:

Simples, quando não há ramificação. Ex: glândula de Lieberkühn dos intestinos (Figura 16)e glândula sudorípara (Figura 17);
Composta,
quando há ramificação. Ex: glândulas salivares.

4). tipo de secreção:

Serosa: secreta um fluido aquoso, rico em enzimas.

A denominação serosa deve-se à secreção fluida, parecida com o soro sanguíneo. As células serosas possuem citoplasma basófilo, devido ao retículo endoplasmático rugoso desenvolvido para a síntese das enzimas, e um núcleo esférico e basal. Ex: glândulas salivares parótidas.

Mucosa: secreta o muco, um fluido viscoso, com glicoproteínas e/ou glicosaminoglicanos. As células apresentam citoplasma claro e vacuolizado, porque os grânulos com essas substâncias não se coram com HE.

O núcleo é achatado e comprimido contra a periferia da célula pelos grânulos armazenados. Ex: glândulas de Brünner do duodeno.

Seromucosa: tem células serosas e mucosas. Ex: glândulas salivares submandibulares (Figura 18).

5). liberação da secreçãoem:

Merócrina (ouécrina), em que a secreção é exocitada sem dano à célula. É o caso da maioria das glândulas.
Apócrina
, em que a secreção e uma parte do citoplasma apical são perdidas. Ex: glândulas sudoríparas axilares e glândulas mamárias.
Holócrina
, em que a célula morre e é liberada junto com a secreção. Ex: glândula sebácea (Figura 17).

Tecido Epitelial
Figura 16 - O epitélio que reveste a luz do intestino grosso invagina-se, formando as glândulas de Lieberkühn (ou intestinais),
que são glândulas exócrinas tubulares simples retas. HE. 137x

As glândulas endócrinas são classificadas segundo o arranjo das células epiteliais em:

Vesicular, quando as células se arranjam em vesículas, onde se acumula a secreção. Ex: tireoide (Figura 19);
Cordonal, quando as células se dispõem enfileiradas, formando cordões que se anastomosam. Ex: paratireoide (Figura 20).

Há órgãos com funções exócrinas e endócrinas, sendo considerados glândulas mistas. Por exemplo, o pâncreas é uma glândula exócrina acinosa composta serosa, que libera o suco pancreático no duodeno, e possui as ilhotas de Langerhans, glândulas endócrinas cordonais, secretoras dos hormônios insulina e glucagon para a corrente sanguínea (Figura 21).

Tecido Epitelial
Figura 17 - O epitélio do couro cabeludo invagina-se, formando os folículos pilosos (Tecido Epitelial), onde se origina o pelo; as glândulas sebáceas, que são glândulas exócrinas alveolares ramificadas holócrinas (Tecido Epitelial ), e as glândulas sudoríparas, que são glândulas exócrinas tubulares simples enoveladas
(Tecido Epitelial ). HE. 55x.

Em torno de muitas glândulas, dispostas entre as células epiteliais e a lâmina basal, há as células mioepiteliais. Apresentam uma morfologia estrelada, cujos prolongamentos se unem por desmossomos. O citoplasma é claro, e o núcleo é escuro. Possuem filamentos de actina e moléculas de miosina, que promovem a sua contração, resultando na compressão da glândula e na expulsão da secreção. Podem ser identificadas pela imunocitoquímica por conterem desmina, um filamento intermediário também presente nas células musculares.

Tecido Epitelial
Figura 18 - As glândulas submandibulares apresentam células mucosas e serosas. As células mucosas arranjam-se em uma forma tubular (Tecido Epitelial), enquanto as células serosas arranjam-se em uma forma arredondada (Tecido Epitelial). Então são glândulas tubuloacinosas. HE. 550x

7. CÉLULAS EPITELIAIS ESPECIALIZADAS

Há células especializadas em uma atividade funcional e, para executá-la, possuem determinadas organelas mais desenvolvidas do que outras.

Estas funções são:

Tecido Epitelial
Figura 19 - Na tireoide, as células epiteliais formam vesículas, onde armazenam os hormônios secretados.
Estes posteriormente vão para os vasos sanguíneos localizados no conjuntivo entre elas. HE. 550x.

Tecido Epitelial
Figura 20 - Na paratireoide, as células epiteliais arranjam-se em cordões e secretam
hormônios para os vasos sanguíneos próximos (Tecido Epitelial ). HE. 550x

Tecido Epitelial
Figura 21 - O pâncreas é constituído pelas ilhotas de Langerhans (IL), cujas células epiteliais, arranjadas em cordões, secretam insulina e glucagon para a corrente sanguínea(Tecido Epitelial), e pelos ácinos serosos (S)que sintetizam as enzimas digestivas que vão, através de ductos (D), para o duodeno. Os núcleos no centro dos ácinos são de células do ducto que penetram na porção secretora e são denominadas células centroacinosas (Tecido Epitelial ). HE. 550x.

Síntese de proteínas, como as células serosas das glândulas salivares (Figura 18) e do pâncreas (Figura 21). O núcleo é claro devido à cromatina frouxa, o que facilita a transcrição do DNA em RNAm. O nucléolo é proeminente, já que corresponde à região do DNA transcrita em RNAr, o qual se associa a proteínas, formando as subunidades dos ribossomos. O citoplasma, especialmente na porção basal das células, é basófilo por causa do retículo endoplasmático rugoso desenvolvido para a tradução do RNAm em proteínas. As enzimas sintetizadas são armazenadas em grânulos na porção apical da célula e, conforme a sua carga elétrica, podem conferir uma coloração basófila ou eosinófila a essa região.

Síntese de glicoproteínas, como as células caliciformes dos intestinos (Figura 3) e do sistema respiratório (Figura 7) e as células mucosas das glândulas salivares (Figura 18). A síntese proteicae o início da glicosilação ocorrem no retículo endoplasmático rugoso, e o restante da glicosilação e o empacotamento das glicoproteínas em vesículas, no Golgi. Então essas duas organelas são as mais desenvolvidas. Os grandes grânulos de secreção comprimem o núcleo na base da célula e, por não se corarem com HE, tornam o citoplasma esbranquiçado. Entretanto com o PAS, ele fica avermelhado.

Síntese de lipídios, como as células das adrenais (Figura 22). Elas têm muito retículo endoplasmático liso, já que é nessa organela que ocorre a síntese dos hormônios esteroides, e mitocôndrias, que, além de possuirem enzimas envolvidas na síntese, fornecem energia para o processo. A abundância dessas organelas membranosas torna o citoplasma eosinófilo. Muitas gotículas de lipídios com os precursores desses hormônios estão presentes, conferindo um aspecto vacuolizado ao citoplasma visto ao microscópio de luz.

Transporte de íons, como as células dos túbulos renais (Figura 6). A superfície apical da célula é bastante permeável à água, aos eletrólitos e às pequenas moléculas, e a superfície basolateral apresenta invaginações que aumentam a superfície para a localização de proteínas que transportam íons, como o Na+, para fora da célula.As zônulas de oclusão entre as células evitam o retorno dos íons bombeados. Há muitas mitocôndrias entre as invaginações para o fornecimento de energia porque esse transporte é ativo. A presença dessas organelas confere um aspecto estriado à base das células coradas com HE. Antes do advento da microscopia eletrônica, a identificação das mitocôndrias já havia sido feita pela técnica de Altmann, que as cora em vermelho magenta (Figura 23).

Tecido Epitelial
Figura 22 - Células da adrenal, cujo citoplasma eosinófilo se deve à riqueza em REL para a síntese de hormônios esteroides.
A vacuolização é resultado da perda das gotículas lipídicas no processamento histológico. HE. 550x

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Figura 23 - Mitocôndrias coradas em um túbulo renal. Altmann. 1.373x

Sensorial, como as células olfatórias e as dos corpúsculos gustativos. São células diferenciadas, com terminações nervosas (células neuroepiteliais), que captam os estímulos do ambiente.

Produção de gametas, como as células dos túbulos seminíferos nos testículos que se diferenciam nos espermatozoides.

8. NUTRIÇÃO E INERVAÇÃO

Os epitélios não são vascularizados (com exceção de um epitélio estratificado no ouvido), e sua nutrição é feita por difusão a partir dos vasos sanguíneos que correm no tecido conjuntivo. Isto limita a espessura dos epitélios.

Alguns epitélios contêm células neuroepiteliais, permitindo o olfato, a audição, a visão e o gosto, e o epitélio da pele é inervado por terminações nervosas livres que contribuem para o tato.

O epitélio regenera-se facilmente devido à capacidade mitótica das suas células. A velocidade dessa regeneração, no entanto, varia conforme o tecido. Por exemplo, o epitélio do intestino renova-se entre quatro e seis dias, e o do pâncreas, a cerca de 50 dias

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Fonte: www.ufrgs.br

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