O primeiro material conhecido como borracha (caoutchouc derivado da palavra índia caa-o-chu) é o poliisopreno recolhido da seiva da árvore Hevea Brasiliensis, látex, sendo por tal fato conhecido como borracha natural (NR).
A borracha natural pode reagir com o enxofre a temperaturas elevadas para formar reticulações, ocorrendo a transformação de um estado pegajoso e fundamentalmente plástico num estado elástico [1].
A borracha natural foi a primeira e única borracha a ser utilizada até 1927, sendo o seu interesse atual não simplesmente histórico, mas sim, devido ao seu potencial técnico.
A borracha natural é obtida por coagulação do látex. Os graus de qualidade mais elevados são obtidos através da coagulação por acidificação, sob condições fabris cuidadosamente controladas [2].
A borracha natural comercial tem uma pequena quantidade, 4 a 9%, de outros constituintes [3]. Destes, os mais importantes são os antioxidantes naturais e ativadores de vulcanização representados pelas proteínas e ácidos gordos. Na tabela I indica-se a composição típica da borracha natural, NR.
Tabela I - Composição típica da borracha natural [3]
| CONSTITUINTE | PERCENTAGEM |
| Humidade | 0.3 - 1.0 |
| Extrato de acetona | 1.5 - 4.5 |
| Proteínas | 2.0 - 3.0 |
| Cinzas | 0.2 - 0.5 |
| Borracha (hidrocarboneto) | 91.0 - 96.0 |
Quimicamente, a borracha natural é um cis-1,4-poliisopreno, apresentando uma longa cadeia polimérica linear com unidades isoprénicas (C5 H8) repetitivas e com densidade aproximadamente igual a 0,93 a 20 °C [2]. O isopreno é um sinónimo comum do composto químico 2-metil-1,3 butadieno.
Devido à regularidade da sua estrutura, cristaliza a uma temperatura inferior a -20 °C, variando a velocidade de cristalização com a temperatura e com o tipo de borracha.
,Na estrutura química da borracha natural existe uma ligação dupla por cada unidade de isopreno; estas ligações duplas e os grupos metilo em posição alfa, são grupos reativos para a reação de vulcanização com enxofre, sendo as ligações duplas um pré-requisito para a vulcanização com enxofre [1]. Estas ligações duplas podem, no entanto, entrar em reações adicionais com o oxigénio ou o ozono para degradar (envelhecer) os compostos.
Na indústria da borracha, desde que T. Hancock e Charles Goodyear obtiveram em 1843 e 1844 as primeiras placas de borracha natural, muito se avançou. Essas placas representam o começo da produção de artigos de borracha e da formulação de compostos. Na maioria dos casos, os compostos de borracha baseados em borracha natural ou sintética, necessitam de serem vulcanizados com enxofre, peróxidos, óxidos metálicos ou combinações dos mesmos.
Outros produtos químicos são também necessários para se obter ou melhorar propriedades físicas, químicas ou térmicas específicas.
Podemos classificar a borracha natural em três grandes grupos: graus convencionais, borrachas tecnicamente especificadas (TSR) e borrachas tecnicamente classificadas (TCR) [3].
No primeiro grupo encontramos os denominados Ribbed Smoke Sheets (RSS), Air-Dried Sheets, Pale Crepe, Sole Crepes e os Brown and Blanket Crepes.
Os graus pertencentes ao segundo grande grupo, TSR, foram introduzidos pela primeira vez no mercado, em 1965, pela Malásia como Standard Malaysian Rubber (SMR). Esta adesão pela Malásia à normalização foi posteriormente seguida por outros países produtores tais como a Indonésia com a Standard Indonesian Rubber (SIR). Os graus mais comuns dentro dos TSR são o SMR L de cor muito clara, SMR CV com viscosidade estabilizada, SMR WF similar a SMR L mas de cor mais escura, SMR GP de uso geral mas com viscosidade estabilizada e adequada para uso em pneus, TSR 5 feita de látex usando o mesmo processo de obtenção do SMR L mas sem tratamento com metabissulfito de sódio e TSR10, TSR 20 e TSR 50.
Quanto ao terceiro grupo, TCR, podemos considerar a Borracha Natural Extendida com Óleo (OENR) que contém cerca de 20% a 30% de um óleo de processamento aromático ou nafténico, Borracha Natural Desproteinizada (DPNR), Borrachas de Superior Processamento (SP), Borracha Natural Epoxidada (ENR) e Borracha Natural Termoplástica (TPNR)
Para além dos graus de borracha natural provenientes da Malásia e da Indonésia e classificados de acordo com as especificações do país de origem, SMR e SIR, respectivamente, encontram-se no mercado outros graus, tais como, TTR da Tailândia, SSR de Singapura, NSR da Nigéria, CAM dos Camarões, GHA do Ghana, GAB do Gabão, LIB da Libéria, SPR das Filipinas, PNG CR da Papua Nova Guiné, SLR do Sri Lanka, SVR do Vietname e CSR da China.
Os vulcanizados de borracha natural possuem propriedades com valores muito interessantes do ponto de vista tecnológico, especialmente boa resistência à tração combinada com uma boa elasticidade, boa resistência ao calor até 80-90 °C, boa flexibilidade a baixas temperaturas até cerca de -55 °C e excelentes propriedades dinâmicas exibidas durante solicitações cíclicas.
Apresenta alta permeabilidade ao gás, resistência limitada ao envelhecimento e ao ozono. Não é resistente a agentes oxidantes como por exemplo o ácido nítrico, a óleos minerais e a hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos.
No entanto, devido à grande proliferação, melhoramento, inovação e especialização das borrachas sintéticas, a borracha natural tem vindo a ser gradualmente substituída, especialmente em peças técnicas com necessidade de resistência ao calor, ao envelhecimento e ao aumento de volume em contato com líquidos.
Não obstante, ainda satisfaz cerca de um terço da necessidade mundial de borracha, graças à indústria de pneus.
A borracha natural é bastante usada para a fabricação de apoios de borracha, sendo as principais razões para este êxito as seguintes:
Excelente resistência à fadiga e à propagação de fendas
Elevada resiliência
Reduzida histerese
Aderência eficaz aos metais.
[1] - HOFMANN W., Rubber Technology Handbook, Hanser, New York, 1989.
[2] - MALAYSIAN RUBBER PRODUCER'S ASSOCIATION, The Natural Rubber Formulary
and Property Index, Luton Limited, 1984.
[3] - MORTON M., Rubber Technology, 2nd Edition, Van Nostrand Reinhold, New
York, 1989.
Manuel Morato Gomes
Fonte: www.rubberpedia.com
A borracha natural é o produto primário da coagulação do látex da seringueira.
Hoje, a borracha sintética, concorrente do elastômero natural em algumas aplicações e complementar em outras, é produzida a partir de derivados de petróleo.
Tanto uma como outra tem como polímero fundamental o poli-isopreno. A diferenciação se dá por adição de pigmentos e processos de vulcanização com graus distintos.
Uma borracha escolar
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Coleta do látex da seringueira
O chamado ciclo da borracha é parte importante da história econômica e social do Brasil, notadamente da região da Amazônia. Foi a extração e comercialização da borracha que promoveu grande expansão na colonização da região Norte, atraindo riqueza e causando transformação cultural e social e grande impulso econômico e cultural às cidades de Manaus e Belém, até hoje os grandes centros da região.
Na primeira década do século XX, ocorreu um grande desenvolvimento da extração da borracha, na Região Norte do Brasil, reflexo principalmente da grande produção de pneus necessários à indústria automobilística mundial em expansão. A partir de 1912, a produção de borracheiro brasileira entrou em declínio em função da concorrência estrangeira, notadamente a inglesa, com suas plantações na Ásia.
Em 1942 o governo brasileiro fez um acordo com o governo dos Estados Unidos (Acordos de Washington), que desencadeou uma operação em larga escala de extração de látex na Amazônia - operação que ficou conhecida como a Batalha da borracha.
Desta Amazônia viveria outra vez o ciclo da borracha durante a Segunda Guerra Mundial, embora por pouco tempo. Como forças japonesas dominaram militarmente o Pacífico Sul nos primeiros meses de 1942 e invadiram também a Malásia, o controle dos seringais passou a estar nas mãos dos nipônicos, o que culminou na queda de 97% da produção da borracha asiática.
Isto resultaria na implantação de mais alguns elementos, inclusive de infra-estrutura, apenas em Belém, desta vez por parte dos Estados Unidos. A exemplo disso, temos o Banco de Crédito da Borracha, actual BASA; o Grande Hotel, luxuoso hotel construído em Belém em apenas 3 anos, onde hoje é o Hilton Hotel; o aeroporto de Belém; a base aérea de Belém; entre outros.
Bibliografia sobre "Ciclo Econômico da Borracha"
Obras monográficas
ARAUJO LIMA, Carlos [1] [2]. Um advogado depõe (autobiografia, obra inédita).
ARAUJO LIMA, José Francisco de [3]. Amazônia, a terra e o homem - Com uma "Introdução à Antropogeografia". Prefácio de Tristão de Ataíde. Vol. 104 da Coleção Brasiliana (Biblioteca Pedagógica Brasileira). São Paulo, Companhia Editora Nacional, 3ª ed., 1945 [4].
BATISTA, Djalma. O complexo da Amazônia. Rio de Janeiro: Conquista, 1976.
BENCHIMOL, Samuel. Manáos do Amazonas - Memória empresarial, vol. 1 (Manaus: ACA (Associação Comercial do Amazonas) - Fundo Editorial / Governo do Estado do Amazonas, 1994).
BOTINELLY, Theodoro. Amazônia: uma utopia possível. Manaus: Editora da Universidade do Amazonas, 1990.
BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias: vultos do Passado. Rio de Janeiro: Ed. Conquista, 1973.
COLLIER, Richard [5]. The river that God forgot: the story of the Amazon rubber boom. Londres: Collins, 1968 [6].
MELLO, Thiago de. Manaus, Amor e Memória. 2ª ed. Manaus: Suframa, 1984 (4ª. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1989).
SCHEINA, Robert L. Latin America's Wars: The Age of the Caudillo, 1791-1889, Volume I. Nova Iorque (EUA): Brassey's, 2003.
SOUZA, Márcio [7]. Breve História da Amazônia. São Paulo: Ed. Marco Zero, 1994.
SOUZA, Márcio [8]. Silvino Santos: o pioneiro do ciclo da borracha. Rio de Janeiro: Funarte, 1999.
VILLAR, Valter Luciano Gonçalves. Configurações de brasilidade: uma leitura de Cacau, de - Jorge Amado e Safra, de Abguar Bastos (tese de Doutorado em Letras). Orientadora: Wilma Martins de Mendonça. João Pessoa: UFPB (Universidade Federal da Paraíba), 2009.
WEINSTEIN, Barbara. The Amazon Rubber Boom, 1850-1920 [9]. Palo Alto, Califórnia (EUA): Universidade de Stanford, 1983.
Romances
ARAUJO LIMA, Cláudio de [10] [11]. Coronel de barranco (romance), Rio de Janeiro:
Ed. Civilização Brasileira, 1970 (2ª ed. - Manaus: Ed. Valer, Gov. do Est.
do AM, 2003); Sinopse do romance: "Mathias Albuquerque, o protagonista
do romance Coronel de Barranco é cúmplice inocente da operação de biopirataria
das sementes das seringueiras do Amazonas, e testemunha ocular do plantio
no Kew Garden de Londres e posterior cultivo em Cingapura. Após 30 anos na
Europa, entre Londres e Paris, volta para o Amazonas, para trabalhar na fazenda
Fé em Deus, na fronteira do Amazonas com a Bolívia, propriedade
do ex-seringueiro cearense, coronel Cipriniano. Ali, no silêncio da floresta,
ele tem notícias da queda da borracha, da gripe espanhola, do fim da Primeira
Guerra Mundial e de outros fatos que acabaram por acelerar o desmoronamento
da Manaus da belle èpoque e da economia da borracha. Política, mulheres, vazantes,
cheias, casas aviadoras, seringueiros e exportadores são personagens [desse
romance]. (...) Coronel de Barranco foi publicado em 1970 pela
editora Civilização Brasileira. Cláudio de Araujo Lima [médico psiquiatra
[12], tradutor [13] e romancista [14] herdou do pai a vocação literária. Antes
dele, em 1932, José Francisco de Araujo Lima [médico e sociólogo, ex-prefeito
de Manaus [15] publicou Amazônia A Terra e o Homem, prefaciado por
Tristão de Athayde".
BASTOS, Abguar [16]. A safra [17].
BAUM, Vicki [18]. A árvore que chora. Rio de Janeiro/Porto Alegre/São Paulo:
Livraria do Globo, 1946 [1943, Kautschuk / Cahuchu, Strom der Tränen [19];
The Weeping Wood [20]; Le bois qui pleure [21]; El bosque que llora [22];
Det gråtande trädet [23] etc.]
CASTRO, Ferreira de. A selva [24].
MAIA, Álvaro [25]. Beiradão.
MONTEIRO, Mário Ypiranga [26]. O espião do rei (novela).
RIVERA, José Eustasio [27] [28]. La voragine.
SAMUEL, Rogel. O amante das amazonas. Belo Horizonte: Itatiaia, 2005. [29].
SAMUEL, Rogel. Teatro Amazonas [30].
SOUZA, Márcio [31]. Galvez, o imperador do Acre.
SOUZA, Márcio. Mad Maria [32] [33].
Fonte: pt.wikipedia.org