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Quando os espanhóis começaram a invadir a América do Sul, sua atenção foi atraída pelo suco de uma planta com que os indígenas formavam bolas, que saltavam no chão. Uma curiosidade de viajantes em terras distantes deveria tornar-se, alguns séculos depois, a origem de uma indústria colossal, a da borracha

Segundo alguns, a borracha já era conhecida pelos etíopes e chineses, mas esta afirmativa não está convalidada por nenhum testemunho digno de fé, ao passo que numerosos são os documentos atendíveis que revelam como tal substância já era conhecida pelos indígenas da América do Sul

Atualmente, a maior fonte desta matéria-prima não é mais o Brasil, sua pátria de origem, mas a Indonésia, onde as sementes ou as mudas da Hevea brasiliensis, foram levadas, pelo fim do século XIX, de maneira clandestina, por um comerciante inglês, acabando com o maravilhoso ciclo que tanto enriqueceu a Amazônia, principalmente Manaus, onde o dinheiro corria a rodo.

O curioso nome de cauchu, dizem os europeus outro não é senão a transcrição, feita por um cientista francês, no século XVIII do nome dado ao produto endurecido pelos indígenas da Amazônia: cahuchu.

A borracha elástica é látex (isto é, uma substância esbranquiçada, pegajosa, semelhante ao leite da figueira), segregado pela casca de uma enorme planta da família das Euforbiáceas, a Hevea brasiliensis, que cresce, espontânea, nas cálidas e úmidas florestas da América Meridional. um látex, com propriedades semelhantes, era extraído de várias outras espécies vegetais, de que recordaremos apenas o Ficus elástica, justamente esse mesmo Ficus que encontramos, com freqüência, em nossas casas

Para extrair o látex, praticam-se incisões na casa ou dela se retiram camadas bem finas

O líqüido, denso, semelhante à nata, endurece lentamente, ao ar: industrialmente, é coagulado pelo acréscimo de soluções ácidas, em geral, ácido acético.

A borracha assim obtida, borracha em bruto, deformável como gesso, deve sofrer uma série de preparos para adquirir os requisitos da elasticidade, dureza, resistência etc., que fazem dela um dos produtos de consumo mais necessários no mundo moderno

Ela é introduzida em máquinas especiais que funcionam mais ou menos como moedoras de carne, chamadas mastigadoras: elas servem para misturá-la e empastá-la, libertando-a do líquido e das impurezas. A este ponto deve-se dizer que os indígenas costumam defumá-la, quando em estado bruto, obtendo, assim, um produto bastante elástico e impermeável, mas grudento e, por isso, não é prático para trabalhá-lo.

Na indústria moderna, ao invés, segue-se uma fase importante, a da mistura, isto é, à borracha são ajuntadas substâncias especiais, capazes de torná-la dura e elástica. para tal fim, emprega-se enxofre ou seus compostos; juntam-se, ainda, corantes e outras substâncias químicas, capazes de orientar a reação. A borracha, agora, está pronta para ser utilizada dos modos mais variados. É-lhe dada a forma definitiva, antes de submetê-la à vulcanização, cujo processo final a tornará realmente tal qual nós a conhecemos,

Tal processo consiste em submeter o material, ao qual forma acrescidas as substâncias mencionadas, a uma elevada temperatura (cerca de 160º), de maneira que, entre borracha bruta e enxofre, ocorram aquelas complicadas reações, qie dão as características químicas e físicas desejadas. Misturada a uma quantidade maior de enxofre e levada a uma temperatura ainda mais alta a borracha se transforma, em ebanite, uma substância dura, que conhecemos

As utilizações da borracha são infinitas, e vão das modestas borrachinhas para apagar escritos (um dos seus usos mais remotos), aos cabos elétricos, aos fios de tecido, aos tecidos impermeáveis, aos pneumáticos, às cintas etc

O consumo e a procura de tal matéria-prima, como é fácil compreender, são tão grandes que as plantações do Brasil e da Ásia não mais bastam para satisfazer a indústria. hoje, se produz borracha sintética, em quantidades sempre crescentes

Sintética significa "produzida artificialmente pelo homem", primeiro em laboratórios, após pesquisas complicadas, depois, em escala industrial, partindo de elementos químicos que a compõem. Atualmente, é preferida à borracha natural

Hoje, como não se pode confiar muito no fornecimento da borracha vinda das plantações do Extremo Oriente, por causa das desordens políticas que ocorrem naquela zona, os países industriais do Ocidente incentivam de todos os modos a produção sintética deste indispensável produto.

Principalmente a Europa, apesar de sua absoluta falta de matéria-prima, mantém condignamente seu lugar na indústria de borracha, graças ao aparelhamento industrial de primeira ordem. Além disso, o Brasil vem, também, incentivando a plantação da Hevea brasiliensis na Amazônia, pois se trata de produto de grande procura e aceitação no mercado.

Fonte: netopedia.tripod.com

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História da borracha natural no mundo

A Borracha Natural é o produto sólido obtido pela coagulação de látices de determinados vegetais, sendo o principal a Hevea Brasiliensis.

Essa matéria-prima vegetal, proveniente da planta conhecida vulgarmente como seringueira, é nativa d Amazônia. Embora seja grande o número de espécies que por uma incisão na casca exsudam secreção de aspecto semelhante ao látex, somente algumas produzem quantidade e qualidade suficientes para exploração em bases econômicas.

A borracha já era conhecida pelos índios antes do descobrimento da América. Em 1525, P. d’Anghieria relatou ter visto os índios mexicanos jogarem com bolas elásticas. Charles de la Condamine foi o primeiro a fazer um estudo científico sobre a borracha, que ele conhecera durante viagem ao Peru, em 1735. Um engenheiro francês, Fresnau de la Condamine havia encontrado na Guiana, estudou a borracha no local e concluiu que esta não era senão “uma espécie de óleo resinoso condensado”.

O primeiro emprego da borracha foi como apagador. Foi Magellan, descendente de célebre navegador, quem propôs este uso. Priestley, na Inglaterra, difundiu-o e a borracha recebeu em inglês o nome de “India Rubber”, que significa “Raspador da Índia”. A palavra borracha teve sua origem em uma das primeiras aplicações úteis deste produto, dada pelos portugueses, quando foi utilizada para a fabricação de botijas, em substituição às chamadas borrachas de couro que os portugueses usavam no transporte de vinhos.

Macquer, retomando os trabalhos de la Condamine, pela primeira vez indicou o modo de fabricação de tubos flexíveis de borracha.

Desde então numerosos artesãos se interessaram pela borracha: o ourives Bernard, o boticário Winch, Grossart, Landolles, e outros. Em 1820 um industrial inglês, Nadier, fabricou fios de borracha e procurou utilizá-los em acessórios de vestuário. Assim naquela época começou a reinar na América a “febre” da borracha como os calçados impermeáveis dos índios, produção de tecidos impermeáveis e botas de neve na Nova Inglaterra.

Em 1832 foi criada a fábrica de Rosburg. Infelizmente, as alterações que os artefatos de borracha natural, não vulcanizada, sofriam sob a influência do frio, tornavam-se quebradiços e ainda o inconveniente de aderirem-se uns aos outros, quando expostos aos raios de sol, resultava no desinteresse dos consumidores.

Após tentar desenvolver por longo tempo um processo para o melhoramento das qualidades da borracha (incorporação de ácido nítrico, por exemplo) e ser levado à ruína, Goodyear descobriu acidentalmente, em 1840, a vulcanização.

Um fato curioso: em 1815, Hancock, modesto serralheiro, tornou-se um dos maiores fabricantes do Reino Unido. Ele havia inventado um colchão de borracha e, associado à Mac Intosh, fabricava as famosas capas impermeáveis “mac intosh”. Além disso, havia descoberto e realizava industrialmente o corte, a laminação e a prensagem da borracha. Tinha verificado a importância do calor na prensagem e construído uma máquina para este fim.

Mac Intosh descobriu o emprego da benzina como solvente e Hancock preconizou a prévia “mastigação” e aquecimento, para obter uma perfeita dissolução da borracha. Hancock descobriu também a fabricação de bolas elásticas. Por fim, Hancock, em 1842, de posse da borracha vulcanizada de Goodyear, procurou e encontrou o segredo da vulcanização, fazendo fortuna.

Em 1845 R.W. Thomson inventou o pneumático, a câmara de ar e até a banda de rodagem ferrada. Em 1850 fabricavam-se brinquedos de borracha, bolas ocas e maciças (para golfe e tênis). A invenção do velocípede por Michaux, em 1869, conduziu à invenção da borracha maciça, depois da borracha oca e, por último, à reinvenção do pneu, pois a invenção de Thomson havia caído no esquecimento. Payen estudou as propriedades físicas da borracha, do mesmo modo que Graham, Wiesner e Gérard.

O primeiro contato do mundo civilizado com a borracha ocorreu com a descoberta do produto natural, feita por Cristóvão Colombo, na sua segunda viagem ao Novo Mundo, em 1493-1496. Na época, os nativos da América tropical utilizam a borracha apenas para a impermeabilização de tecido de linho, para a confecção de garrafas e calçados sobre moldes de barro e para fazer bolas que eram usadas em jogos. Essa produção se dava a partir do látex, um líquido leitoso exsudado de árvores locais.

Na Inglaterra, em 1823, Mackintosh utilizou a borracha seca - previamente mastigada em uma máquina inventada por Thomas Hancock, em 1820, e a seguir dissolvida em solventes para fazer roupas impermeáveis. Nos Estados Unidos, em 1831, foram fabricados calçados a partir de tecido revestido com uma solução de borracha em terebintina.

Quanto à aparência, esses calçados eram similares aos importados, feitos a partir de látex nas regiões produtoras dessa matéria-prima.

O Látex, nessa época, não era exportado, pois ele tende a se coagular espontaneamente e a possibilidade de preservá-lo na forma líquida com amônia só foi descoberta em 1853. Mas, apesar da semelhança com os modelos feitos a partir de látex, os calçados fabricados com solução de borracha sólida mastigada não eram satisfatórios para uso, pois a borracha tornava-se mole com o calor e rígida com o frio.

Esses inconvenientes da utilização da borracha a invenção do pneumático, feita por John Boyd Dunlop em 1888, e o início da produção comercial de veículos movidos a motor de combustão interna, que ocorreu na primeira década do século XX.

Em 1815, Hancock, um serralheiro, tornou-se um dos maiores fabricantes do Reino Unido. Ele havia inventado um colchão de borracha e associado a Macintosh, fabricava as famosas capas impermeáveis "Macintosh". Além disso, havia descoberto e realizava industrialmente o corte, a laminação e a prensagem da borracha. Tinha verificado a importância do calor na prensagem e construído uma máquina para este fim.

Macintosh descobriu o emprego da benzina como solvente e Hancock preconizou a prévia "mastigação" e aquecimento, para obter uma perfeita dissolução da borracha. Hancock descobriu também a fabricação de bolas elásticas. Por fim, Hancock, em 1842, de posse da borracha vulcanizada de Goodyear, procurou e encontrou o segredo da vulcanização, fazendo enorme fortuna.

Em 1845, R. W. Thomson inventou o pneumático, a câmara de ar e até a banda de rodagem ferrada. Em 1850, fabricavam-se brinquedos de borracha, bolas ocas e maciças (para golfe e tênis). A invenção do velocípede por Michaux, em 1869, conduziu à invenção da borracha maciça, depois da borracha oca, por último, à reinvenção do pneu, pois a invenção de Thomson havia caído no esquecimento. Payen estudou as propriedades físicas da borracha, do mesmo modo que Graham, Wiesner e Gérard.

Finalmente, Bouchardt realizou a polimerização do isopreno, entre 1879 e 1882, obtendo produtos de propriedades semelhantes à borracha. O primeiro pneumático para bicicleta foi em 1830. Em 1895, Michelin teve a ideia audaciosa de adaptar o pneu ao automóvel. Desde então, a borracha passou a ocupar um lugar preponderante no mercado mundial.

Em 1876, os ingleses despertados pelo interesse comercial do produto, levaram 70.000 mil sementes de seringueira para a Inglaterra. As 2.700 plantas obtidas no Kew Gardens, em Londres, foram enviadas para o Ceilão, atual Sri-Lanka e para a Malásia e, serviram para a formação as grandes plantações asiáticas, sendo explorada por milhões de pequenos produtores, com áreas de 1 a 5 hectares, tendo na seringueira sua única fonte de renda.

A tremenda demanda de brracha natural no século XIX favoreceu o crescimento das plantações da Ásia. O Brasil, antes que as plantações asiáticas se desenvolvessem, era o principal produtor mundial de borracha de origem silvestre.

O Sudeste Asiático responde hoje por 92% da produção mundial, sendo a Tailândia, a Indonésia e a Malásia os principais países produtores. Atualmente, a cultura estende-se ainda por países da África e América Latina.

Os primeiros registros sobre a utilização da borracha datam do início do século XVIII, quando a nação indígena dos Cambebas já a utilizava, pelas suas propriedades, tais como: Fabricação de botas, capas, bolas, flechas incendiárias e, ainda, para deter hemorragias, cicatrizar ferimentos e proteger-se contra o frio.

Além do crescimento na produção de borracha vegetal, a procura da síntesa química desse produto, assim como a demanda de borrachas especiais, resistentes a derivados de petróleo, ao calor, ao frio e ao ozônio, determinou o aparecimento de inúmeras borrachas sintéticas no mercado.

A primeira borracha sintética fabricada comercialmente surgiu em 1910, quando a Alemanha produziu 2.350 toneladas da borracha química denominada metílica.

Depois foram, e são ainda hoje, desenvolvidas inúmeras outras borrachas sintéticas.

Sendo a borracha importante matéria-prima e dado o papel que vem desempenhado na civilização moderna, cedo foi despertada a curiosidade dos químicos para conhecer sua composição e, posteriormente, sua síntese. Desde o século XIX vêm sendo feitos trabalhos com esse objetivo, logo se esclarecendo que a borracha é um polímero do isopreno.

Os russos e os alemães foram os pioneiros nos trabalhos de síntese da borracha. Mas os produtos obtidos não suportaram a concorrência da borracha natual. Somente com a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha premida pelas circunstâncias, teve de desenvolver a industrialização de seu produto sintético. Foi o marco inicial do grande desenvolvimento da indústria de borrachas sintéticas, ou elastômeros, no mundo.

História da borracha natural no Brasil

A história da borracha natural no Brasil é um enredo que pouco fica a dever à corrida do ouro americana. Por quase cinqüenta anos, da segunda metade do século XIX até a segunda década do século XX, a borracha natural sustentou um dos mais importantes ciclos de desenvolvimento do Brasil. Naquela época, a revolução industrial se expandia com velocidade e o mundo vivia período histórico de prosperidade e descobertas que se refletiam em todos os setores.

Automóvel, bonde, telefone, luz elétrica e outras inovações mudavam paisagem e costumes nas cidades. Novos mercados se abriam. Era a “belle époque”, cujo esplendor a literatura e o cinema se encarregaram de retratar para as gerações seguintes.

Devido a suas múltiplas aplicações, principalmente na indústria automobilística em expansão, a borracha obtida a partir do látex das seringueiras tornou-se produto mundialmente valorizado e seringueiras não faltavam na Amazônia brasileira. Isso levou a região Norte do Brasil, uma das mais pobres e desabitadas do país, a experimentar período de grande prosperidade. Interessadas na exploração dos seringais amazônicos, grandes empresas e bancos estrangeiros instalaram-se nas cidades de Belém e Manaus.

A capital amazonense tornou-se o centro econômico do país. Ganhou sistemas de abastecimento d’água, luz elétrica, telefone, grandes construções, como o Teatro Amazonas, até hoje símbolo da riqueza advinda da borracha. Milhares de imigrantes, principalmente nordestinos fugidos da seca de 1870, invadiram a floresta para recolher o látex e transformá-lo em borracha.

A produção amazônica chegou a 42 mil toneladas anuais e o Brasil dominou o mercado mundial de borracha natural.

Esse clima de euforia durou até 1910, quando a situação começou a mudar: a partir daquele ano entram no mercado as exportações de borracha a partir das colônias britânicas e o Brasil não suportou a feroz concorrência que lhe foi imposta.

Em 1876, os ingleses haviam contrabandeado sementes de Hevea brasiliensis da Amazônia para o Jardim Botânico de Londres. Lá, por meio de enxertos, desenvolveram variedades mais resistentes, que posteriormente foram enviadas para suas colônias na Ásia - Malásia, Ceilão e Cingapura - onde teve início uma exploração intensiva da borracha natural.

No Brasil, o governo resistia a mudar os processos.

A relativa imobilidade custou caro para o país: as exportações brasileiras perderam mercado. Não suportaram a concorrência da borracha extraída na Ásia, muito mais barata. Como conseqüência, a produção entrou em declínio.

Fonte: www.petroflex.com.br

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A borracha natural é o produto primário do cozimento do látex da seringueira.

Hoje, a borracha sintética, concorrente do elastômero natural em algumas aplicações e complementar em outras, é produzida a partir de derivados de petróleo.

O chamado ciclo da borracha é parte influente da história econômica e social do Brasil, notadamente da região da Amazônia na qual, a partir da extração e comercialização da borracha, ocorreu grande expansão na colonização desta região do Brasil, atraindo riqueza e causando transformação cultural e social e grande impulso à cidade de Manaus, até hoje maior centro e capital do estado do Amazonas.

Na primeira década do século XX, ocorreu um grande desenvolvimento da extração da borracha, na região Norte, reflexo principalmente da grande produção de pneumáticos necessários à indústria automobilística em expansão. A partir de 1912, a borracha entrou em declínio, em função da concorrência estrangeira, notadamente a inglesa, com suas plantações na Ásia.

Ciclo da borracha constituiu uma parte importante da história econômica e social do Brasil, estando relacionado com a extração e comercialização da borracha. Este ciclo teve o seu centro na região amazônia, proporcionando grande expansão na colonização, atraindo riqueza e causando transformações culturais e sociais, além de dar grande impulso à cidade de Manaus, Porto Velho e principalmente à cidade de Belém, até hoje maiores centros e capitais de seus Estados, Amazonas, Rondônia e Pará, respectivamente.

O ciclo da borracha viveu seu auge entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 a 1945.

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Extração de látex de uma seringueira

A seringueira é originária do Brasil

A seringueira (Hevea brasiliensis) é originária da região amazônica do Brasil. A borracha dessa árvore foi descoberta em meados do século XVIII e atualmente é a principal fonte de borracha natural do mundo. ... e foi levada pelos ingleses para suas colônias asiáticas.

A primeira fábrica de produtos de borracha (ligas elásticas e suspensórios) surgiu na França, em Paris, no ano de 1803.

Contudo, o material ainda apresentava algumas desvantagens: à temperatura ambiente, a goma mostrava-se pegajosa. Com o aumento da temperatura, a goma ficava ainda mais mole e pegajosa, ao passo que a diminuição da temperatura era acompanhada do endurecimento e rigidez da borracha. Foram os índios centro-americanos os primeiros a descobrir e fazer uso das propriedades singulares da borracha natural.

Entretanto, foi na floresta amazônica que de fato se desenvolveu a atividade da extração da borracha, a partir da Seringa ou Seringueira (Hevea brasiliensis), uma árvore que pertence à família das Euphorbiaceae, também conhecida como árvore da fortuna.

Do caule da seringueira é extraído um líquido branco, chamado látex, em cuja composição ocorre, em média, 35% de hidrocarbonetos, destacando-se o 2-metil-1,3-butadieno (C5H8), comercialmente conhecido como isopreno, o monômero da borracha.

O látex é uma substância praticamente neutra, com pH 7,0 a 7,2. Mas, quando exposta ao ar por um período de 12 a 24 horas, o pH cai para 5,0 e sofre coagulação espontânea, formando o polímero que é a borracha, representada por (C5H8)n, onde n é da ordem de 10.000 e apresenta massa molecular média de 600 000 a 950 000 g/mol. A borracha, assim obtida, possui desvantagens.

Por exemplo, a exposição ao ar provoca a mistura com outros materiais (detritos diversos), o que a torna perecível e putrefável, bem como pegajosa devido à influência da temperatura. Através de um tratamento industrial, eliminam-se do coágulo as impurezas e submete-se a borracha resultante a um processo denominado vulcanização, resultando a eliminação das propriedades indesejáveis. Torna-se assim imperecível, resistente a solventes e a variações de temperatura, adquirindo excelentes propriedades mecânicas e perdendo o carácter pegajoso.

O primeiro ciclo da borracha – 1879/1912

Durante os primeiros quatro séculos e meio do descobrimento, como não foram encontradas riquezas de ouro ou minerais preciosos na Amazônia, as populações da hiléia brasileira viviam praticamente em isolamento, porque nem a coroa portuguesa e, posteriormente, nem o império brasileiro conseguiram concretizar ações governamentais que incentivassem o progresso na região. Vivendo do extrativismo vegetal, a economia regional se desenvolveu por ciclos, acompanhando o interesse do mercado nos diversos recursos naturais da região.

Borracha: lucro certo

O desenvolvimento tecnológico e a revolução industrial, na Europa, foram o estopim que fizeram da borracha natural, até então um produto exclusivo da Amazônia, um produto de muita procura, valorizado e de preço elevado, gerando lucros e dividendos a quem quer que se aventurasse neste comércio.

Desde o início da segunda metade do século XIX, a borracha passou a exercer forte atração sobre empreendedores visionários.

A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se de imediato muito lucrativa.

A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevado preço. Isto fez com que diversas pessoas viessem ao Brasil na intenção de conhecer a seringueira e os métodos e processos de extração, a fim de tentar também lucrar de alguma forma com esta riqueza.

A partir da extração da borracha surgiram várias cidades e povoados, depois também transformados em cidades. Belém e Manaus, que já existiam, passaram então por importante transformação e urbanização. Manaus foi a primeira cidade brasileira a ser urbanizada e a segunda a possuir energia elétrica - a primeira foi Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

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Projetos de uma ferrovia para escoar a produção da borracha

O ciclo da borracha justificou a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré

A ideia de construir uma ferro via nas margens dos rios Madeira e Mamoré surgiu na Bolívia, em 1846. Como o país não tinha como escoar a produção de borracha por seu território, era necessário criar alguma alternativa que possibilitasse exportar a borracha através do Oceano Atlântico.

A ideia inicial optava pela via da navegação fluvial, subindo o rio Mamoré em território boliviano e depois pelo rio Madeira, no Brasil.

Mas o percurso fluvial tinha grandes obstáculos: vinte cachoeiras impediam a navegação. E foi aí que cogitou-se a construção de uma estrada de ferro que cobrisse por terra o trecho problemático. Em 1867, no Brasil, também visando encontrar algum meio que favorecesse o transporte da borracha, os engenheiros José e Francisco Keller organizaram uma grande expedição, explorando a região das cachoeiras do Rio Madeira para delimitar o melhor traçado, visando também a instalação de uma ferro via.

Embora a ideia da navegação fluvial fosse complicada, em 1869, o engenheiro norte-americano George Earl Church obteve do governo da Bolívia a concessão para criar e explorar uma empresa de navegação que ligasse os rios Mamoré e Madeira. Mas, não muito tempo depois, vendo as dificuldades reais desta empreitada, os planos foram definitivamente mudados para a construção de uma ferro via.

As negociações avançam e, ainda em 1870, o mesmo Church recebe do governo brasileiro a permissão para construir então uma ferro via ao longo das cachoeiras do Rio Madeira.

A Questão do Acre

Mas o exagero do extrativismo descontrolado da borracha estava em vias de provocar um conflito internacional. Os trabalhadores brasileiros cada vez mais adentravam nas florestas do território da Bolívia em busca de novas seringueiras para extrair o precioso látex, gerando conflitos e lutas por questões fronteiriças no final do século XIX, que exigiram inclusive a presença do exército, liderado pelo militar José Plácido de Castro.

A importância econômica e industrial da borracha natural fazia da seringueira uma árvore estratégica, sendo que sementes foram levadas pelos ingleses para serem plantadas em suas colônias na Ásia. Naqueles países a seringueira foi cultivada como uma espécie comercial, diferentemente do Brasil, onde estava em seu habitat natural. Portanto, enquanto o sistema de produção brasileiro era o extrativismo, o asiático se baseava na exploração comercial.

Esse foi o principal fator de sucesso da produção de borracha na Ásia. Além desse aspecto agronômico, na Ásia não existia o fungo causador do mal-das-folhas (Microcyclus ulei), que é uma das doenças mais comuns dos seringais – sobretudo na Amazônia.

1. Antes de 1500, a borracha já era utilizada por Índios Latino-Americanos, que coletavam o látex das seringueiras e secavam em fogueiras. Os artefatos encontrados pelos visitantes do novo continente levam a crer, contudo, que o seu uso deve preceder a séculos.
2.
Colombo foi o primeiro Europeu a descobrir a borracha. Ele encontrou nativos do Haiti brincando com bolas de um estranho material, e levou algumas amostras à Rainha Isabel. Na Amazônia, a borracha foi mencionada pelo Jesuíta Samuel Fritz e depois pelo Frei Carmelita Manoel de Esperança, entre os índios Cambebas ou Omaguas
3.
Em 1768, 150 anos mais tarde, o cientista Francês François Fresnau fabricou um par de botas de borracha para Frederick o Grande, mas tornou-se pegajoso no calor e quebradiço no frio. A borracha utilizada por Fresnau foi de látex da Hevea guianensis a primeira espécie do género Hevea a ser descrita de seringueiras nativas da Guiana Francesa.
4.
Em 1770, o cientista britânico Joseph Priestley, um famoso químico inglês, produziu a primeira borracha, que hoje utilizamos para apagar traços de lápis esfregando-a sobre os riscos no papel (daí o nome "rubber" de "rub"que significa esfregar). Em 1772, cubos de borracha eram vendidos em Londres como apagadores
5.
Em 1823, foi feito o primeiro tecido a prova d'água, sendo patenteado pelo escocês Macintosh, que colocou uma camada de borracha entre duas de tecido. Em Glasgow é fundada a primeira fábrica usando borracha como matéria-prima na fabricação de tecidos impermeáveis
6.
No mesmo ano, foi inventada a tira elástica pelo fabricante de carruagens londrino Thomas Hancock.
7.
Entre 1839-1842, o americano Charles Goodyear, e o inglês Thomas Hancock descobriram que enxofre e calor, poderia fazer com que a borracha não alterasse seu estado com a variação da temperatura (técnica de vulcanização), tornando-a mais resistente e quase insensível às variações de temperatura. Outra inovação de vulto, ainda mais tarde, foi a do emprego da borracha como isolante de eletricidade. Da noite para o dia a borracha passou a ser utilizada amplamente
8.
Em 1846, tiras de borracha sólidas foram fabricadas por Hancock, para a carruagem da Rainha Vitória.
9.
Em 1876, a seringueira é levada para o Oriente. Sementes são levadas por Ingleses na Amazônia e enviada para Londres pelo navio "Amazonas" que deixou o porto de Belém em 29 de Maio de 1876, e inicia-se a grande plantação de seringueira no Sudoeste da Ásia.
10.
Em 1888, o escocês John Dunlop, na Inglaterra, produziu o primeiro pneu de borracha, inaugurando a nova era dos pneumáticos para bicicletas, carruagens e veículos automotores. A invenção foi patenteada em 1888 e em 1890, em parceria com W. H. Du Cross, começaram a produção comercial.
11.
De 1920 a 1940, chega a era dos automóveis, que rodam sobre pneus feitos do látex da seringueira.
12.
Hoje em dia, o mundo caminha, cruza, voa, nada, com a borracha natural.

Margarida Sousa

Fonte: www.iac.sp.gov.br

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Uma pequena história da borracha sintética

Em 1909, o alemão Fritz Hofmann sintetizou pela primeira vez um produto natural em laboratório. Hoje existente em 100 formas distintas, a borracha sintética se tornou indispensável a partir da Segunda Guerra Mundial.

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Durante muito tempo, a história da borracha foi cem por cento natural: na América do Sul cresciam árvores que liberavam uma seiva leitosa, quando se cortava sua casca.

Os nativos chamavam essas plantas ca-hu-chu – algo como "madeira que chora". Eles deixavam secar o látex viscoso e com ele produziam tubos, vasilhas, roupas impermeáveis e figuras de culto. Além de bolas flexíveis para vários tipos de jogos.

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Os primeiros relatos europeus sobre a borracha (Kautschuk em alemão, caoutchouc em francês) e os estranhos jogos de bola dos ameríndios datam do início do século 16.

Durante longo tempo se procurou um emprego útil para esse material sui generis. Entretanto, além de borrachas de apagar e capas de chuva, nada mais ocorria aos europeus. Sobretudo porque no calor a borracha natural começava a colar, e no frio, ficava quebradiça.

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Isso mudou em 1839, quando o norte-americano Charles Goodyear inventou o processo da vulcanização. Sua borracha era termicamente mais resistente, mais elástica e mantinha a forma. Ainda assim, segundo Robert Schuster, diretor do Instituto de Tecnologia da Borracha em Hannover, a utilidade do material não ia muito além de botas impermeáveis, bolsas de água quente e capas de chuva "contra o tempo de Londres. Não tinha muita graça".

Riqueza amazônica

O próximo capítulo relevante nesta história vem com a invenção do automóvel, por volta de 1880. "Essa combinação, automóveis e rodas pneumáticas, tornou a borracha um material realmente estratégico", aponta Schuster.

Entre os principais beneficiados pelo aumento da demanda foram os chamados "barões da borracha" do Brasil, único lugar onde cresciam seringueiras, na época.

Isso resultou em riqueza incomensurável para os detentores do monopólio, culminando com a majestosa casa de ópera de Manaus, em plena selva amazônica.

Essa dependência incomodava os países industrializados. Até que um inglês conseguiu contrabandear para fora do Brasil 70 mil sementes da seringueira. Assim, no princípio do século 20, as árvores da borracha passaram a ser cultivadas em grande estilo nas colônias inglesas no Sudeste Asiático, onde até hoje se concentram os maiores produtores de látex.

Borracha-metil e Buna

O monopólio brasileiro fora rompido. Contudo, permanecia a dependência de umas poucas fontes, além de grandes oscilações de preço e qualidade.

Foi quando o fabricante de tintas alemão Friedrich Bayer, de Elberfeld, começou a se perguntar: será possível substituir o extrato da seringueira por uma alternativa artificial? E prometeu um prêmio em dinheiro ao químico de sua fábrica que encontrasse a solução.

Após anos de experimentos, Fritz Hofmann desenvolveu, em 1909, a borracha-metil. Segundo Robert Schuster, era a primeira vez que se imitava em laboratório um produto natural. E não é de espantar que isso ocorresse na Alemanha, acrescenta, uma vez que o país "se tornara campeão na química desde meados do século 19".

Porém, o processo desenvolvido pelo químico da futura fábrica Bayer era trabalhoso demais para fabricação em grande escala; somente a síntese exigia semanas.

Apenas no fim da década de 20 o químico Walter Bock chegou a uma alternativa melhor: o polibutadieno, uma combinação de butadieno e sódio, abreviada como "Buna".

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Pneus para Hitler

Os nazistas, ao assumirem o poder na Alemanha em 1933, perceberam imediatamente o potencial do novo material. Adolf Hitler mandara construir autoestradas e a fábrica Volkswagen, e, para fornecer os pneus necessários, a borracha sintética passou a ser produzida em massa a partir de 1936.

Sem dúvida, tratou-se também de uma consideração estratégica, pois a produção do látex natural estava na mão de nações inimigas como a Inglaterra e a França.

E para a guerra, a Alemanha precisava de muitos pneus, para os veículos militares, motocicletas e caminhões.

Os nazistas chegaram a construir uma fábrica de borracha até mesmo dentro do campo de extermínio de Auschwitz, a qual, no entanto, nunca chegou a ficar pronta. Sempre em nome da guerra, uma decisão do Congresso liberou mais tarde a patente do Buna para os Estados Unidos.

Desenvolvimento continua

A firma Lanxness, na cidade renana de Dormagen, é atualmente uma das maiores produtoras de borracha sintética do mundo.

Criada em 2004, a partir do departamento de química do conglomerado Bayer, ela deve metade de seu faturamento ao material inventado há 100 anos.

Os pneus modernos contêm até 20 tipos diferentes de borracha, inclusive a natural. Os fabricantes protegem suas receitas próprias como segredos de Estado.

Eles enfrentam o mesmo desafio técnico de sempre: os pneumáticos devem ser duradouros, porém aderir bem ao solo, para garantir a segurança. Além disso, a resistência à rotação deve ser mínima, o que se reflete também no consumo de combustível.

Hoje existem, ao todo, cerca de 100 variedades diferentes de borracha sintética, com características e empregos específicos.

E o desenvolvimento desse produto está longe de se concluir: a cada ano, a Lanxness registra de 20 a 30 patentes só no setor de borracha. Fritz Hofmann, que morreu em 1956, estaria feliz.

Andreas Becker

Simone Lopes

Fonte: www.dw-world.de

Borracha

SOBRE A BORRACHA NATURAL

O primeiro material conhecido como borracha (“caoutchouc” derivado da palavra índia “caa-o-chu”) é o poliisopreno recolhido da seiva da árvore Hevea Brasiliensis, látex, sendo por tal fato conhecido como borracha natural (NR).

A borracha natural pode reagir com o enxofre a temperaturas elevadas para formar reticulações, ocorrendo a transformação de um estado pegajoso e fundamentalmente plástico num estado elástico [1].

A borracha natural foi a primeira e única borracha a ser utilizada até 1927, sendo o seu interesse atual não simplesmente histórico, mas sim, devido ao seu potencial técnico.

A borracha natural é obtida por coagulação do látex. Os graus de qualidade mais elevados são obtidos através da coagulação por acidificação, sob condições fabris cuidadosamente controladas [2].

A borracha natural comercial tem uma pequena quantidade, 4 a 9%, de outros constituintes [3]. Destes, os mais importantes são os antioxidantes naturais e ativadores de vulcanização representados pelas proteínas e ácidos gordos. Na tabela I indica-se a composição típica da borracha natural, NR.

Tabela I - Composição típica da borracha natural [3]

CONSTITUINTE PERCENTAGEM
Humidade 0.3 - 1.0
Extrato de acetona 1.5 - 4.5
Proteínas 2.0 - 3.0
Cinzas 0.2 - 0.5
Borracha (hidrocarboneto) 91.0 - 96.0

Quimicamente, a borracha natural é um cis-1,4-poliisopreno, apresentando uma longa cadeia polimérica linear com unidades isoprénicas (C5 H8) repetitivas e com densidade aproximadamente igual a 0,93 a 20 °C [2]. O isopreno é um sinônimo comum do composto químico 2-metil-1,3 butadieno.

Devido à regularidade da sua estrutura, cristaliza a uma temperatura inferior a -20 °C, variando a velocidade de cristalização com a temperatura e com o tipo de borracha.

,Na estrutura química da borracha natural existe uma ligação dupla por cada unidade de isopreno; estas ligações duplas e os grupos metilo em posição alfa, são grupos reativos para a reação de vulcanização com enxofre, sendo as ligações duplas “um pré-requisito para a vulcanização com enxofre” [1]. Estas ligações duplas podem, no entanto, entrar em reações adicionais com o oxigénio ou o ozono para degradar (envelhecer) os compostos.

Na indústria da borracha, desde que T. Hancock e Charles Goodyear obtiveram em 1843 e 1844 as primeiras placas de borracha natural, muito se avançou. Essas placas representam o começo da produção de artigos de borracha e da formulação de compostos. Na maioria dos casos, os compostos de borracha baseados em borracha natural ou sintética, necessitam de serem vulcanizados com enxofre, peróxidos, óxidos metálicos ou combinações dos mesmos.

Outros produtos químicos são também necessários para se obter ou melhorar propriedades físicas, químicas ou térmicas específicas.

CLASSIFICAÇÃO DA BORRACHA NATURAL (NR)

Podemos classificar a borracha natural em três grandes grupos: graus convencionais, borrachas tecnicamente especificadas (TSR) e borrachas tecnicamente classificadas (TCR) [3].

No primeiro grupo encontramos os denominados “Ribbed Smoke Sheets” (RSS), “Air-Dried Sheets”, “Pale Crepe”, “Sole Crepes” e os “Brown and Blanket Crepes”.

Os graus pertencentes ao segundo grande grupo, TSR, foram introduzidos pela primeira vez no mercado, em 1965, pela Malásia como “Standard Malaysian Rubber” (SMR). Esta adesão pela Malásia à normalização foi posteriormente seguida por outros países produtores tais como a Indonésia com a “Standard Indonesian Rubber” (SIR). Os graus mais comuns dentro dos TSR são o SMR L de cor muito clara, SMR CV com viscosidade estabilizada, SMR WF similar a SMR L mas de cor mais escura, SMR GP de uso geral mas com viscosidade estabilizada e adequada para uso em pneus, TSR 5 feita de látex usando o mesmo processo de obtenção do SMR L mas sem tratamento com metabissulfito de sódio e TSR10, TSR 20 e TSR 50.

Quanto ao terceiro grupo, TCR, podemos considerar a Borracha Natural Extendida com Óleo (OENR) que contém cerca de 20% a 30% de um óleo de processamento aromático ou nafténico, Borracha Natural Desproteinizada (DPNR), Borrachas de Superior Processamento (SP), Borracha Natural Epoxidada (ENR) e Borracha Natural Termoplástica (TPNR)

Para além dos graus de borracha natural provenientes da Malásia e da Indonésia e classificados de acordo com as especificações do país de origem, SMR e SIR, respectivamente, encontram-se no mercado outros graus, tais como, TTR da Tailândia, SSR de Singapura, NSR da Nigéria, CAM dos Camarões, GHA do Ghana, GAB do Gabão, LIB da Libéria, SPR das Filipinas, PNG CR da Papua Nova Guiné, SLR do Sri Lanka, SVR do Vietname e CSR da China.

PROPRIEDADES E APLICAÇÕES DA BORRACHA NATURAL

Os vulcanizados de borracha natural possuem propriedades com valores muito interessantes do ponto de vista tecnológico, especialmente boa resistência à tração combinada com uma boa elasticidade, boa resistência ao calor até 80-90 °C, boa flexibilidade a baixas temperaturas até cerca de -55 °C e excelentes propriedades dinâmicas exibidas durante solicitações cíclicas.

Apresenta alta permeabilidade ao gás, resistência limitada ao envelhecimento e ao ozono. Não é resistente a agentes oxidantes como por exemplo o ácido nítrico, a óleos minerais e a hidrocarbonetos alifáticos e aromáticos.

No entanto, devido à grande proliferação, melhoramento, inovação e especialização das borrachas sintéticas, a borracha natural tem vindo a ser gradualmente substituída, especialmente em peças técnicas com necessidade de resistência ao calor, ao envelhecimento e ao aumento de volume em contato com líquidos.

Não obstante, ainda satisfaz cerca de um terço da necessidade mundial de borracha, graças à indústria de pneus.

A borracha natural é bastante usada para a fabricação de apoios de borracha, sendo as principais razões para este êxito as seguintes:

Excelente resistência à fadiga e à propagação de fendas
Elevada resiliência
Reduzida histerese
Aderência eficaz aos metais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] - HOFMANN W., Rubber Technology Handbook, Hanser, New York, 1989.
[2] - MALAYSIAN RUBBER PRODUCER'S ASSOCIATION, The Natural Rubber Formulary and Property Index, Luton Limited, 1984.
[3] - MORTON M., Rubber Technology, 2nd Edition, Van Nostrand Reinhold, New York, 1989.

Manuel Morato Gomes

Fonte: www.rubberpedia.com

Borracha

Classificação dos diversos tipos de borracha

Os mais de 500 tipos e variedades de borrachas existentes podem ser classificados em cerca de 20 grupos principais, identificados por siglas ou nomes comerciais, conforme apresentados na listagem a seguir:

Sigla ou Nome

Descrição

ACM

Borrachas Acrílicas (Outra Sigla – AEM)

BR

Polibutadieno

CFM

Borrachas Fluoradas (Viton da DuPont) – ou FPM, FKM

CR

Policloropreno (Neoprene da DuPont)

CSM

Polietilenos Cloro Sulfonados (Hypalon da DuPont)

ECO

Borracha de Epicloridrina (Outra Sigla – CO)

EPDM

Borracha de Etileno-Propileno Dieno

EPR

Borrachas de Etileno-Propileno

FMVQ

Borrachas de Silicone Fluoradas

GPO

Elastômeros de Óxido de Propeno

HNBR

Borracha Nitrílica Hidrogenada

IIR

Borracha Butílica – Poliisobutileno

IR

Poliisopreno

MVQ

Borrachas de Silicone (Outra Sigla – Si)

NBR

Borracha Nitrílica (Acrilonitrila - Butadieno)

NR

Borracha Natural

PUR

Borrachas de Poliuretano (Outras Siglas – AU, EU, PU)

SBR

Borracha de Estireno-Butadieno

T

Polissulfetos (Thiokol)

TPE

Borrachas Termoplásticas (Outras Siglas – TPR ou TR)

Características das borrachas sintéticas

As características mais relevantes dos grupos mais significativos são apresentados a seguir:

Sigla ou nome

Características

BR

(polibutadieno)

Possui características que complementam as da SBR e da NR na produção de pneus, conferindo maior resistência à abrasão e à degradação, mas aumentando, também, a tendência ao deslizamento em superfície úmida. Por este motivo, só pode ser empregado em mistura com as duas outras borrachas, nunca isoladamente. O BR apresenta as seguintes variedades:

— alto cis, com teores de configuração cis entre 92% e 96%;

— baixo cis, com teores entre 36% e 43% de cis; e

— com teores de vinil (polibutadieno obtido por adição 1,2) entre 8% e 70%; representado por ViBR ou VBR ou HVBR para teores de vinil elevados.

EPDM É um tipo particular do grupo de borrachas de etileno-propileno (EPR), adicionadas a um dieno que possibilita a sua vulcanização. Possui três características especiais:

— é autovulcanizável, resultando em economia para o transformador final com a eliminação de uma etapa da operação;

— possui excepcional resistência às intempéries; e

— possui capacidade de absorção de cargas como negro de fumo e óleos de extensão em níveis muito superiores aos da maioria das outras borrachas, sem deterioração de propriedades, resultando em formulações de custo bem mais reduzido.

IIR

(borracha butílica)

Possui uma impermeabilidade excepcionalmente elevada a gases, sendo a borracha preferida na fabricação de câmaras pneumáticas.
IR

(poliisopreno)

É o equivalente sintético da borracha natural, por possuir uma estrutura química (cis 1,4 poliisopreno) idêntica e apresentar propriedades muito semelhantes.
NBR

(borracha nitrílica)

Possui excelente resistência aos hidrocarbonetos como gasolina, graxas e solventes minerais. Os tipos de NBR são determinados pelo teor de acrilonitrila na sua composição, que pode variar de 15% a 45%. Quanto maior o teor de acrilonitrila, maior a resistência mecânica e a resistência a óleos e solventes, porém menor a elasticidade e a flexibilidade.
NR A borracha natural pode ser extraída de um grande número de plantas. O tipo derivado da seringueira, hevea brasiliensis, constitui praticamente a única fonte comercial deste material, a tal ponto que é tratado como sinônimo de borracha natural. Outra fonte potencial de borracha natural, semelhante à da hevea, é o guayule, arbusto que ocorre na América do Norte. Os tipos conhecidos por balata e guta-percha não podem ser utilizados em substituição à borracha natural, por possuírem características técnicas inadequadas.
SBR É a borracha de preço mais reduzido entre as borrachas e apresenta uma resistência à abrasão que permite substituir a NR com vantagens na banda de rodagem de pneus. Este produto ainda possui as seguintes subclassificações:

— XSBR: SBR carboxilado;

— HS/B: SBR com alto teor de estireno, também representado como HSR;

— PSBR: SBR co-polimerizado com vinil-priridina;

— ESBR: SBR obtido por processo em emulsão; e

— SSBR: SBR obtido por processo em solução.

TPE

(elastômeros termoplásticos)

É um grupo especial dentro das borrachas e é constituído pelos seguintes tipos:

— Poliuretanos — representados por Thermoplastic Polyurethane (TPU);

— Copoliésteres — copolímeros de poliéster (poliéster - sigla TEEs ou Cope);

— Poliolefínicos - são misturas ou ligas poliméricas de polipropileno com EPDM vulcanizado ou não. São representadas pela sigla TPO - elastômeros termoplásticos poliolefínicos. Quando o EPDM é vulcanizado, admite-se uma representação específica para a mistura - Thermoplastic Vulcanizates (TPV);

— Copolímeros em bloco de estireno - Styrenic Block Copolymers (SBC) - com:

• butadieno - sigla SBS;

• isopreno - sigla SIS;

• etileno (ou eteno) - butileno (ou buteno) SEBS; e

• etileno - propileno (ou propeno) - SEP.

Informações extraídas do site do BNDES

Aplicações de alguns tipos de borracha

A participação de borrachas sintéticas na indústria, que era praticamente inexistente até o início da década de 40, elevou-se rapidamente durante a Segunda Guerra Mundial, atingindo o máximo de 79% do total em 1979, quando passou a declinar sistematicamente até atingir a 62% do total das borrachas convencionais em 1995.

Algumas aplicações para cada tipo de borracha são apresentadas a seguir:  

Sigla ou nome Aplicações
BR Além da utilização em pneus, o BR vem encontrando um mercado crescente como modificador de resistência ao impacto do poliestireno na produção do High Impact Polystyrene (HIPS) ou PSAI.
EPDM Devido a sua especial resistência ao envelhecimento é aplicado preferencialmente em peças externas de automóveis, como molduras de vedação de janelas e portas de veículos, batentes, frisos e palhetas de limpador de pára-brisas. Aplica-se, também, como modificador do polipropileno nos TPOs (ver item de borrachas termoplásticas).
NBR Devido a sua excelente resistência aos derivados de petróleo, é especialmente recomendada para fabricação de peças e componentes das indústrias automobilística, gráfica, de petróleo e petroquímica que tenham contato com aqueles produtos, tais como mangueiras para óleos e solventes, retentores, gavetas, juntas, anéis de vedação e revestimento de cilindros de impressão, vasos e tanques industriais. A NBR tem sido utilizada também como aditivo de PVC, para melhorar as propriedades de artefatos que necessitam de resistência a óleo, ozônio, intempéries e abrasão, como coberturas de mangueiras, fios e cabos, solados e botas industriais.
NR A borracha natural não pode ser inteiramente substituída por borrachas sintéticas em pneus, porque aquela possui uma geração de calor mais baixa. Devido a esta característica, a NR precisa ser utilizada em maiores proporções nos pneus de carga, submetidos a maior esforço como os de caminhões e ônibus.
Borrachas especiais Exemplos de aplicações onde estes materiais são requeridos:

— isolamento de fios e cabos elétricos submetidos a condições de temperatura extremas: muito baixas em aeronaves e foguetes, e elevadas em fornos elétricos;

— fabricação de artigos médicos que precisam ser inócuos e inertes;

— revestimento de máquinas e equipamentos, e peças de vedação - anéis, gavetas etc. - submetidos a contato com ambientes muito agressivos, assim como:

• oxidantes (peróxidos e ácido crômico);

• ácidos e bases fortes (soda cáustica, ácido sulfúrico); e

thinners para tintas em cilindros de impressão gráfica.

 Informações extraídas do site do BNDES

Fonte: pcferrari.sites.uol.com.br

Borracha

Características da Borracha Natural

Borracha
Seringueira

Borracha
Folhas Seringueira

A borracha natural ocorre em muitas espécies de vegetais tropicais, especialmente na família das Euphorbiaceae; no entanto, quase toda a produção mundial provém de uma espécie que tem sua origem no Brasil, Hevea brasiliensis, pertencente à esta família.

Essa espécie ocorre na região amazônica, na margem de rios e lugares inundáveis da mata de terra firme, é uma planta lactescente de 20-30 m de altura, com tronco de 30-60 cm de diâmetro.

Popularmente é conhecida como seringueira, seringa, seringa-verdadeira, cau-chu, árvore da borracha, seringueira-preta (AC), seringueira branca.

Existe na floresta amazônica mais de 11 espécies de seringueira do gênero Hevea e todas muito parecidas entre si. Embora seja grande o número de espécies que por uma incisão na casca exsudam secreção de aspecto semelhante ao látex, somente algumas produzem quantidade e qualidade suficientes para exploração em bases econômicas.

Extração do Látex

Para extrair o látex, são feitas incisões na casca ou retiram-se camadasbem finas (sangria). A sangria consiste na remoção de um pequeno volume de casca, em um corte inclinado que permite o escoamento da seiva, líquido denso e viscoso, colhido em pequenas canecas afixadas na extremidade inferior do corte, que endurece lentamente, em contato com o ar.

Após 3 ou 4 horas da sangria, o látex é retirado das canecas e acondicionado, onde pode-se adicionar amônia, numa proporção de 0,05% como estabilizador, evitando a coagulação precoce. Antes de iniciar uma sangria é importante estabelecer-se diversos critérios, que irão determinar a vida útil do seringal e sua produtividade.

Borracha
Seringueira

Depois da coleta do látex, as árvores continuam a exudar látex em quantidades menores, por várias horas, esse látex acaba por coagular-se espontaneamente sobre o corte na casca.Na próxima sangria essa película será retirada e em seguida será feita uma nova incisão.

As películas retiradas das diversas árvores podem ser misturadas com as borrachas em processamento. A quantidade de borracha obtida nesse processo constitui entre 15 a 20% do total da produção.

O líquido, o látex,contém em suspensão um hidrocarboneto de elevado peso molecular. Por aquecimento e adição de ácido acético coagula formando uma massa gomosa que, depois de separada da água e outros produtos, denomina-se “borracha bruta”.

A borracha assim obtida é deformável como gesso e deverá ser processada para adquirir os requisitos necessários para ser utilizada emsuas inúmeras aplicações. 

Borracha
Seringueira

Ela é introduzida em máquinas especiais que funcionam mais ou menos como moedoras de carne, chamadas mastigadoras: servem para misturá-la e empastá-la, libertando-a do líquido e das impurezas. A este ponto os indígenas costumam defumá-la, quando em estado bruto, obtendo, assim, um produto bastante elástico e impermeável, mas grudento e, por isso, não prático para trabalhá-lo.

Na indústria moderna, ao invés, segue-se uma fase importante, a da mistura, isto é, à borracha são ajuntadas substâncias especiais, capazes de torná-la dura e elástica. para tal fim, emprega-se enxofre ou seus compostos; juntam-se, ainda, corantes e outras substâncias químicas, capazes de orientar a reação.

A borracha, agora, está pronta para ser utilizada dos modos mais variados. É-lhe dada a forma definitiva, antes de submetê-la à vulcanização, cujo processo final a tornará realmente tal qual nós a conhecemos.

A qualidade das borrachas naturais brasileiras é determinada, em primeira instância, através da inspeção visual, observando sua limpeza, cor, homogeneidade e defeitos. Depois, através de ensaios de laboratório específicos e normalizados são classificadas e comercializadas, com características padronizadas, exigidas pela norma ABNT-EB-1866 de 1988. 

Composição Química aproximada da borracha bruta:

Hidrocarbonetos de borracha ---------------- ~ 93,7%
Proteínas ------------------------------------------- ~  2,2%
Carbohidratos ------------------------------------- ~  0,4%
Lipídios naturais ---------------------------------- ~  2,4%
Glicolipídios e Fosfolipídios ------------------- ~  1,0%
Materiais inorgânicos ---------------------------- ~  0,2%
Outros ------------------------------------------------ ~  0,1%

Propriedades químicas

Admite-se que a borracha natural é um polímero linear (macromolécula), formado pela adição do isopreno (monômero). O isopreno é um hidrocarboneto pertencente aos dienos(duas ligações duplas) e também pode ser denominado de 2-metil-butadieno-1,3.

Borracha
isopreno

O hidrocarboneto que constitui a borracha natural, o poliisoprenopossui a fórmula molecular(C5H8)n, onde n varia de 200 até 4000, de acordo com o tratamento utilizado. Estes valores correspondem a pesos moleculares compreendidos entre 13 600 e 272 000.

A reação de ozonólise demonstra que possui uma estrutura resultante da polimerização ordenada do isopreno, como mostra a reação abaixo:

Borracha
poliisopreno

Propriedades Físicas

A Borracha Natural é o produto sólido, peso específico de 0,90, obtido pela coagulação de látices de determinados vegetais, em estado bruto é uma substância termoplástica, insolúvel na água e solúvel nos hidrocarbonetos líquidos. Numa temperatura superior a 30oC perde a elasticidade.

Possui uma excelente resistência à abrasão, recuperação a quente/frio e adesão à tecidos e metais, uma resistência muito boa ao rasgamento e absorção de água, e ainda uma boa resistência à deformação por compressão.

Aplicações da borracha natural

Borracha

A borracha natural é hoje uma importante matéria-prima, essencial para a manufatura de mais de 40.000 produtos para as mais diversas aplicações, que vão das modestas borrachas para apagar escritos (uma das suas mais antigas aplicações), aos cabos elétricos, às luvas, aos fios de tecidos impermeáveis, aos pneumáticos etc..

É considerada, ao lado do aço e do petróleo, um dos alicerces que sustentam o progresso da humanidade, sendo, por exemplo, um dos principais produtos utilizados na indústria do transporte, de produtos hospitalares e bélicos.

Fonte: www.ced.ufsc.br

Borracha

As primeiras vagas de imigração: a borracha

Ao final do século XIX houve no Acre, provocado pelo início da demanda das industrias norte-americanas e européias pela borracha, o primeiro movimento de imigração vindo do nordeste do Brasil.

Os novos Seringalistas se apropriaram de áreas enormes de Floresta para extrair a matéria prima para a borracha - o Látex das Seringas( Hevea brasiliensis ).

Os índios nas áreas de Juruá e Purus tentaram defender as terras deles mas, tendo só arco e flecha não conseguiram.

Os novos imigrantes fizeram as chamadas "Correrias": eles juntavam uns 50 homens armados com espingardas e assaltavam as aldeias indígenas. Sendo geralmente solteiros, eles matavam só os homens e raptavam as mulheres indígenas para conviver com eles. Assim foram extintos a maioria dos índios. Muitos também morreram das doenças como tuberculose e sarampo, os quais não existiam antes entre os índios e foram trazidos pelos novos imigrantes.

A mão de obra dos índios submetidos foi explorada para recolher o Látex e construir estradas. borracha transportadaEste surto da borracha que fez enriquecer as cidades de Manaus e Belém foi terminado pela produção Inglesa de borracha na Malásia. No ano 1913 a produção Inglesa - Malásica superou pela primeira vez a do Brasil.

Em seguida muitos Seringais foram abandonados e muitos seringueiros voltaram ao nordeste.

Houve um segundo surto da borracha durante a segunda guerra mundial, quando os Japoneses, que eram aliados com os Alemães ocuparam as plantações de Seringas na Malásia. Os países aliados contra a Alemanha tinham que achar uma outra fonte para adquirir a borracha, que é indispensável para fazer guerra.

Assim aconteceu a segunda vaga de imigração do nordeste.

Desta vez eram os chamados "soldados da borracha": sujeitos ao serviço miltar que tinham que escolher entre lutar na guerra ou trabalhar como seringueiro.

Os soldados de borracha já tinham dívidas antes mesmo de começar a trabalhar. Eles tinham que entregar borracha em troca do equipamento e dos alimentos que precisavam. Este "Sistema de Aviamento" ditado pelos seringalistas fez com que eles nunca chegarem a obter dinheiro e assim eles nem podiam voltar à terra deles depois da guerra...

Os Seringueiros

Depois da Segunda Guerra Mundial a produção Brasileira de borracha entrou em crise de novo. Apesar do preço baixo, a borracha permaneceu o principal produto de exportação do Acre.

O que tinha mudado era a estrutura econômica. Depois que a maioria dos seringalistas tinham falido muitos dos trabalhadores ficaram na área do seringal e se tornaram seringueiros posseiros, inclusive podendo cultivar a terra (que antes era interdito para eles), vendendo a borracha para revendedores ambulantes chamados "Regatões" ou "Mareteiros".

Estes Mareteiros enganaram muito o seringueiro e mesmo como os antigos seringalistas mantiveram ele numa dependência econômica.o trabalho do seringueiro Regularmente o seringueiro anda nas trilhas que passam pelas seringas, em cujos troncos ele aplica cortes diagonais.

Assim o látex vai saindo e escorrendo num pote amarrado na árvore e pode ser recolhido na próxima volta. Este látex liquido antigamente foi aplicado em varas, os quais eram giradas na fumaça em cima da fogueira. Com o calor o látex ficava solido e com a fumaça ficava resistente contra fungos.

Assim se formavam fardos de borracha de mais ou menos meio metro de diâmetro. Esta técnica hoje em dia quase não se usa mais. Hoje existem outras formas de processamento do látex sem fumaça. A forma de subsistência como seringueiro é até hoje a mais comum entre os moradores da floresta.

Os seringueiros de hoje, sendo a maioria índios ou mestiços, chamados "caboclos", não extraem só o Látex, mas também outros produtos da floresta, principalmente a Castanha do Brasil. Eles também exercem agricultura e caça para o próprio uso em pequena extensão.

As casas dos seringueiros são simples, cobertas de palha. Muitas vezes onde eles moram não tem escolas nem assistência medica. O usufruto sustentável da floresta pluvial pelos seringueiros é uma forma de convivência harmoniosa e ecologicamente consistente de homem e floresta pluvial. A situação ecológica da floresta amazônica é inseparavelmente ligada á situação econômica e social dos seringueiros...

O "desenvolvimento" da Amazônia: a pecuária

Com o golpe militar de 1964 começou uma política no Brasil que incentivou grandes empresas brasileiras e estrangeiras para explorar os recursos naturais do Brasil. Foram fundadas várias organizações para o desenvolvimento econômico da Amazônia. O primeiro grande plano de desenvolvimento foi realizado entre 1972 e 1974.

O objetivo dele foi a implantação de enormes fazendas para criação de gado. queimadaEm virtude desta política foram suspensos os empréstimos que os seringalistas tinham ganhado do banco para financiar a produção da borracha. Como conseqüência ocorreu a venda repentina de áreas enormes de floresta por um preço muito baixo, áreas estas que antes eram seringais.

Os compradores vieram a maioria da região sul do Brasil. No Acre esta política econômica do governo foi executada principalmente pelo Governador Francisco Vanderlei Dantas entre 1971 e 1974. Muitas áreas nem tinham um proprietário legítimo e os seringueiros e índios habitantes, que na verdade tinham a posse da terra, não sabiam sobre os direitos deles ou não tinham os meios para fazer estes direitos valer.

Um papel importante nestas apropriações cumpriram os chamados "grileiros": especuladores que através de corrupção, falsificação e expulsão violenta dos habitantes da floresta, se apropriaram da terra e a revenderam para os futuros fazendeiros.

Os seringueiros se defenderam organizando os chamados "empates": eles formavam correntes de pessoas de mãos dadas para impedir o desmatamento ou cercavam o grupo de trabalhadores encarregado com o desmatamento e forçavam o líder do grupo a assinar um documento que garantia que o trabalho seria suspenso.

Porem, nesta época eles ainda não tinham um sindicato suficiente forte, nem outros meios para fazer valer o direito deles. Os novos fazendeiros, muitas vezes, com ajuda de seus advogados ganharam os títulos da terra. Entre 1978 e 1991 foram destruídos no Acre 8200km2 de floresta. Cada ano no Acre mais e mais floresta pluvial se torna pastagem e seringueiros moradores empobrecidos nas cidades crescentes...

O caso Chico Mendes

Borracha
Chico Mendes

No dia 22 de Dezembro de 1988 o seringueiro, sindicalista e ativista ambiental Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, foi assassinado em Xapuri, Acre. Chico Mendes teve um papel importante na fundação do Conselho Nacional dos Seringueiros e na formulação da proposta das Reservas Extrativistas para os seringueiros. Ele organizava muitos dos acima descritos empates e conseguiu apoio internacional para a luta dos seringueiros.

Em 1987 ele foi premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o prêmio "Global 500" e neste mesmo ano ganhou a "Medalha do meio ambiente" da organização "Better World Society". Após o assassinato de Chico Mendes se juntaram mais de trinta entidades sindicalistas, religiosas, políticas, de direitos humanos e ambientalistas para formar o "Comitê Chico Mendes".

Eles exigiram providencias e através de articulação nacional e internacional botaram pressão nas órgãos oficiais para que o crime seja punido. Em 1990 os fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva foram considerados culpados do assassinato e condenados a 19 anos de reclusão.

Em 1993 eles escaparam da prisão e foram novamente capitados em 1996. O caso Chico Mendes despertou pela primeira vez a atenção internacional para os problemas dos seringueiros. Através do assassinato, Chico Mendes tornou-se mais uma vez representante dos muitos outros moradores da floresta assassinados, desapossados ou ameaçados...

Fonte: www.amazonlink.org

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