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Seringueira

SISTEMA DE SANGRIA

Os sistemas de sangria são aqueles que possibilitam maximizar a possibilidade, minimizar custos e fornecer ao produtor, possibilidades de prolongar o período de exploração dos seringais. Normalmente os sistemas de sangria estão em perfeita sintonia com a fisiologia da planta. Dos vários métodos de sangria, o mais amplamente utilizado nos seringais de cultivo atualmente no país é o de sangria em meio espiral em dias alternados, tecnicamente denominados S/2, d/2.

Um seringal em condições normais entre em produção quando 50 a 70% das suas árvores apresentam caules com 45 a 50 am de perímetro a 1,0 m ou 1,30 m da união enxerto-porta-enxerto.

Preparação do Seringal para Sangria

O primeiro passo para iniciar a sangria consiste na contagem das árvores aptas e inaptas a entrar em corte.

Aquelas que apresentarem perímetro de 45 cm a 1,0 m da união enxerto-porta-enxerto são consideradas aptas e devem ser pinceladas com tinta para sua identificação.

Abertura do Painel

É a preparação da árvore para entrar em sangria.

È feita com bandeira, traçador, riscador, faca de sangria e um pedaço de barbante. A bandeira constitui-se de uma régua de 1,50 m de comprimento e secção transversal de 0,30 m x 0,01 m, em cuja extremidade é fixada uma fita flexível de modo que o ângulo formado por ela e a linha horizontal, com a régua na vertical, sejam de 33º.

O comprimento da fita deve ser de 40 cm. O primeiro painel deve ser aberto pelo lado Norte e deve ficar a 1,20 m – 1,30 m acima da união enxerto-porta-enxerto.

Com o auxílio da bandeira e do riscador, marca-se a inclinação do corte que deverá ser 30º em relação à horizontal, da esquerda para direita e de cima para baixo.

Nas extremidades da superfície do corte, abrem-se dois drenos verticais de pouca profundidade. Um na extremidade superior, marcado onde começa o corte e outro na extremidade inferior, onde será feito o canal pelo qual o látex escorrerá até a bica e daí para a tigela.

 Com o auxílio de sangria (Jebong), faz-se o primeiro corte que deve ter a profundidade máxima possível, sem, contudo, atingir o câmbio.

Limpa-se a parte superior do corte, raspando-se ligeiramente a casca para facilitar a penetração da faca nas primeiras sangrias.

O consumo diário de casca não deverá ultrapassar de 2 mm. Para evitar consumo desnecessário, aconselha-se o emprego de um medidor de casca.

EQUIPAGEM PARA AS ÁRVORES

 Consistem na fixação das canaletas ou bicas, suporte e tigelas. As bicas de zinco podem ser compradas prontas ou fabricadas na própria zazenda. A tigela, geralmente de plástico, alumínio ou argila vitrificada, é fixada á arvore pelo suporte que tem a finalidade de manter a tigela na posição desejada sem provocar ferimentos nas árvores, perda da resistência ou fácil mudança de posição. O suporte é colocado de modo que a tigela fique 10 cm abaixo da bica.

Após o seringal entrar em sangria, deve-se atentar sempre para a proteção do painel contra doenças, a intervalos semanais ou quinzenais, dependendo da estação do ano se mais ou menos úmida.

Os painéis devem ser pincelados com fungicidas ou com a seguinte mistura:

Difolathan 85 – 600 ml,

Óxido de ferro ou óxido ferroso (corante) – 5 g,

Água – 55 l.

SANGRIA PROPRIAMENTE DITA

A operação de sangria deve iniciar o mais cedo possível, de acordo com as condições de luminosidade. O seringueiro deverá realizar a limpeza das tigelas e bicas e retirar o látex coagulado espontaneamente na superfície do corte (cernambi) e o remanescente da sangria anterior, drenado após a coleta.

Procede-se, então, ao corte da árvores, que é a sangria propriamente dita. O fluxo de látex deverá ter a duração de aproximadamente 4 horas.

SANGRIA POR PUNCTURA

Novo método de sangria que consiste em puncturas realizadas com estilete na casca, ao longo de uma faixa vertical, com a finalidade de evitar o efeito de anelamento parcial verificado nos métodos tradicionais.

Neste tipo de sangria, há uma inibição do mecanismo que controla a parada do fluxo de látex, havendo um escorrimento por um período mais longo.

O ethrel, cujo princípio ativo é o etefon, utilizado como estimulante da produção e que, pela liberação de etileno, age bloqueando o mecanismo de obstrução do escorrimento do látex é utilizado neste tipo de sangria.

A planta entre em corte quando atinge o perímetro do tronco a 1,30 m da soldadura enxerto-porta-enxerto de 30 a 35 cm, reduzindo o período de imaturidade da planta em 18 a 24 meses.

Percebe-se, entretanto, que este tipo de sangria ainda necessita de um maior volume de pesquisas, devido principalmente a alguns distúrbios indesejáveis que provoca na casca da planta. No entanto, é indiscutível que esta modalidade de exploração da seringueira tem grandes perspectiva futura.

SISTEMA MISTO DE SANGRIA OU SANGRIA MICRO X

Neste sistema faz-se uma combinação da sangria por punctura com o corte convencional. Caracteriza-se por um determinado número de puncturas feitas na superfície de corte de uma sangria em meia espiral (S/2, d/2) e apresenta uma redução no número de sangrias convencionais, realizadas imediatamente antes da aplicação do estimulante da produção.

O sistema misto pode ser aplicado tanto sobre a casca virgem como em seringal jovem ou mesmo seringal já em exploração.

ARMAZENAMENTO DE LÁTEX

Como a finalidade da exploração heveícola é produzir borracha de primeira qualidade ou comercializar o látex “in natura”, deve-se adicionar um anticoagulante ao látex na tigela logo após a sangria.

Usa-se como anticoagulante o amônio a 10% (algumas gotas por tigela) ou sulfito de sódio a 5%. Após a coleta, o látex é guardado em tonéis de 200 litros, que devem ficar à sombra.

Dessa maneira, o látex pode ser armazenado por 30 dias ou mais, sem haver coagulação, embora quanto mais tempo sem uso, maiores serão os prejuízos para as características da borracha produzida.

Para que se transforme o látex em matéria-prima de aplicação técnica, é necessário que, por processos de transformação e beneficiamento, ele adquira características capazes de torná-lo um produto que possa receber utilização prática.

Simbologia de painel

B= painel baixo ou descendente; H= painel alto ou ascendente; O= casca virgem; I = casca de 1ª regeneração; II = casca de 2ª regeneração; III = casca de 3ª regeneração; n° de painéis (1,2,3,4 etc).

Estimulação
É a aplicação de substâncias químicas para aumentar o período de escorrimento do látex.

Substâncias estimulantes

ANA; 2,4,5 - T; alguns óleos vegetais; Ácido 2 - cloroetilfosfônico (ETHREL) a 2,5 %, 5,0 % e 10 %, dependendo da idade do seringal.

Tipo de aplicação

Ba - 1 a 2g do produto sobre a casca, prévia e superficialmente raspada;

La - 0,5 a 1g do produto sobre toda a extensão do sulco de corte, sem a retirada do cernambi fita;

Ga - 0,5 a 1g do produto sobre toda a extensão do sulco de corte, com a prévia retirada do cernambi fita;

Pa - 0,5 a 1g do produto em faixa paralela e acima ao sulco de corte.

Condições para a estimulação

Clones responsivos; sistema de sangria menos intensivo (mínimo de ½ S d/3); fazer adubação de reposição; Não sangrar em condições ambientais adversas; corte bem feito;

Secamento do painel "Brown bast"

É o cessamento do escorrimento de látex no ato da sangria.

Os sintomas são: trincamento da casca no estágio avançado; secamento parcial ou total dos painéis; aumento da viscosidade do látex e aparecimento de estrias marrons.

Para prevenir o "Brown bast", isolar a região seca; fazer os sulcos de divisão dos painéis bem profundos e deixar descansar por 6 meses.

Sistemas de sangria

Meia-Espiral

Perímetro do ronco ³ 45 cm a 1,30 m da soldadura do enxerto;

Perímetro do tronco ³ 50 cm a 1,00 m do solo;

Inclinação do corte de 30°;

-Simbologia: ½ S.

Espiral Completa

Perímetro do tronco ³ 70 cm a 1,30 m da soldadura do enxerto;

Inclinação do corte de 45°;

Freqüência mínima: d/4;

-Simbologia: S.

Sangria por punctura (SPP)

-Perímetro do tronco ³ 35 cm a 1,30 m da soldadura do enxerto;

-Sangria precoce;

-Precisa ser estimulado mensalmente ETHREL 5% = 2 g/planta.

Sangria ascendente

-Seringal velho com o painel baixo muito usado;

-Painel baixo com recamento.

Sangria mista ou micro-x

-Perímetro do tronco ³ 45 cm a 1,30 m da soldadura do enxerto;

-Fazem-se 12 cortes, sendo 9 cortes por punctura e 3 cortes convencionais.

PRODUÇÃO DE SEMENTES

Existe uma grande variação na quantidade produzida de sementes em cada ano, devido a influências climáticas, incidência de doenças e a diferenças entre e dentro dos clones.

No Estado de São Paulo, alguns clones sofrem o ataque de Antracnose, podendo restringir o número de sementes viáveis para o uso comercial.

Na Nigéria, a produção de sementes varia de 73 kg/ha para o clone PB 86 a 424 kg/ha para o clone PB 5/51.

A média de produção na Índia gira em torno de sementes 150 kg/ha ou 500 g/árvore.

Na Malásia obteve-se 65 kg de sementes/ha, sendo possível uma produção duas vezes maior se as condições do meio forem mais favoráveis ao desenvolvimento dos frutos.

Além disso, existe também uma considerável variação do peso de sementes individuais, apresentando média de 3,25 e 4,27 g/semente para os clones GT1 e RRIM 600, respectivamente. Cerca de 40% da semente fresca representa o endosperma (parte mais interna da semente), 35% do tegumento e os 25% restante é umidade.

As sementes contêm uma quantidade média de 43% de óleo de boa qualidade industrial, podendo variar de 38 até 46%.

Qualidade e Quantidade das sementes produzidas

Vários fatores influenciam diretamente a qualidade e a quantidade produzida de sementes, destacando-se principalmente:

a) expressão genética do clone;

b) luminosidade dentro da copa da planta;

c) número de frutos/inflorescência e distância média entre frutos;

d) variação climática durante o desenvolvimento do fruto;

e) deficiências nutricionais durante o florescimento e no período de desenvolvimento dos frutos, principalmente N e K;

f) baixa porcentagem de polinização e

g) ataque de doenças em geral.

A falta de sincronia na ântese das flores masculinas e femininas, o baixo número de flores femininas por inflorescência e a baixa quantidade de grãos de pólen, também influenciam na quantidade de sementes produzidas.

Processamento das sementes para a obtenção do óleo

Para a extração do óleo, primeiramente as cascas das sementes são removidas, deixando apenas o endosperma, seguida de uma secagem para diminuir a porcentagem de umidade.

O endosperma extraído e seco ao sol suporta o armazenamento por quatro meses sem deterioração.

Há métodos de processamento para extração do óleo: extração por solventes, prensagem e centrifugação.

A escolha do método depende da quantidade de sementes produzidas.

O método de extração por centrifugação (método mais simples de moagem) apresenta bom rendimento, girando em torno de 250 kg/operador em uma jornada de oito horas de trabalho.

Como a coleta de sementes de seringueira se restringe aos meses de fevereiro/março para as condições do Estado de São Paulo, poucos moinhos podem depender exclusivamente da safra da seringueira.

Geralmente, pode-se utilizar sementes de seringueira na entressafra da extração de óleo de outras culturas como o amendoim, mamona, etc.

O óleo tem potencial para ser utilizado como combustível substituto ao diesel convencionalmente utilizado em máquinas motoras e veículos. No entanto, sua viscosidade é mais elevada, necessitando um tratamento para reduzí-la.

Têm sido experimentados, com sucesso, alguns tratamentos tais como: aquecimento do combustível, mistura do óleo das sementes de seringueira com óleo diesel e uso de alteração química do óleo (óleo transesterificado).

Produção de Torta

Na extração do óleo do endosperma da semente, obtêm-se 66% do seu peso na forma de torta, podendo ser utilizada na alimentação de bovinos e aves.

A Universidade de Kerala (Índia), conduziu por 12 anos um longo estudo utilizando a torta no arraçoamento de bovinos, porcos e aves, apresentando composição química e valores nutritivos.

A pequena quantidade de ácido cianídrico presente na torta não expõe ao perigo a vida animal.

Na Índia 50% da torta de sementes é utilizada na alimentação de aves e animais.

Devido ao seu elevado valor alimentar a torta de seringueira pode ser utilizada como substituto da torta de amendoim e também pode complementar a fertilização nitrogenada em culturas comerciais.

Comercialização

O látex pode ser comercializado de forma “in natura”, quando seu beneficiamento se processa fora da propriedade, ou poder utilizado na produção de folhas defumadas, desde que o imóvel disponha de pequenas usinas de beneficiamento. Ainda a borracha pode ser comercializada como coágulos e cernambis.

Na região sudeste da Bahia, há uma infra-estrutura moderna de beneficiamento, que, além de absorver toda a produção regional, produz diferentes linhas básicas, desde o látex concentrado até os mais diversos tipos de borracha sólida com demanda no mercado.

No mercado interno, a grande novidade é a percepção, por parte das usinas, de que a demanda pela borracha beneficiada, em especial por parte das indústrias pneumáticas, está melhorando. Mesmo assim, os preços, tanto para a beneficiada quanto para a borracha bruta entregue pelos produtores, estiveram praticamente estáveis nos meses de outubro e novembro.

Atualmente, a margem de lucro do produtor agrícola é restrita. Para que a propriedade sobreviva economicamente é necessário diversificar às áreas de produção. Em um seringal já implantado, é possível planejar algumas explorações alternativas, buscando complementar a atividade principal de exploração de látex, seja através da apicultura ou visando a coleta de sementes para a extração de óleo. Além disso, ao final da vida produtiva do talhão, a exploração da madeira para uso na indústria de móveis, celulose e na construção civil ou na fabricação de artigos domésticos, também pode ser estudada.

Logo, cabe ao produtor escolher a alternativa de exploração que mais se adapta às suas condições, analisando o uso da mão-de-obra para a coleta das sementes ou para os cuidados das colméias, a facilidade de comercialização das sementes e a lucratividade potencial das novas atividades.

Simone Alves Silva

Fonte: www.culturasregionais.ufba.br

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