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Seringueira

 

Cultura da Seringueira

Origem e Distribuição Geográfica

A dispersão natural da seringueira está circunscrita aos limites da região Amazônica Brasileira, porém mostrando grande adaptabilidade aos mais variados ambientes.

A espécie Hevea brasileira (Wild. Ex. A. Juss.) Muell. Arg é a mais explorada economicamente, por produzir látex de melhor qualidade e com elevado teor de borracha.

Ecofisiologia da Seringueira

A seringueira (Hevea sp.) apresenta numerosas características fisiológicas que tornam sua cultura bastante específica no que se refere ao requerimento de uma série de tratos culturais no decorrer do ciclo da planta.

Desta forma, o processo de germinação, dos métodos de propagação, da nutrição mineral, da fotossíntese e da produção de látex, flores e frutos são importantes para o entendimento da Ecofisiologia da cultura.

Classificação Botânica

Divisão - Angiospermae
Classe - Dicotyledoneae
Família - Euphorbiaceae
Gênero - Hevea
Espécie - Hevea brasiliensis (H.B.K.) Muel. Arg.
Nome comum –
Seringueira

A árvore-da-borracha ou seringueira (Hevea brasiliensis (H.B.K) Muel) alcança em plantações 15-20m de altura, mas pode atingir até 40m; seu tronco cilíndrico, tem casca lisa, cinza-claro, latescentes. As folhas são alternas, trifoliadas, longo pecioladas, sendo os folíolos elípticos e glabros. Flores reunidas em cachos curtos e auxiliares. Flores de sexos separados, branco-esverdeado, as femininas com ovário súpero, trilobado; as masculinas com numerosos estames (10 anteras em 2 verticilios).

Anatomia e Morfologia

Tronco

Do seu tronco extrai-se o látex que, por coagulação espontânea ou por processos químico-industriais, se transforma no produto comercial denominado de borracha. A matéria-prima borracha é largamente utilizada na produção de bens industrializados, sendo a industria de pneumáticos a sua maior consumidora.

Fruto

Fruto cápsula, separando-se em três porções. Sementes de testa lisa, manchada, com uma carúncula, muito semelhante à semente da mamona. A semente tem 45-49% de óleo amarelo, grosso, de cheiro análogo ao de linhaça, é secativo, próprio para a fabricação de tintas e vernizes.

Sementes

As sementes apresentam formas bastante variadas, desde globosa até alongada. A testa mostra-se coriáces, com a superfície externa brilhante, caracterizada por manchas, cujo padrão de desenhos guarda certa uniformidade diferencial entre espécies e mesmo entre cultivares da mesma espécie.

O endosperma apresenta-se volumoso, oleoso, tendo no seu interior os dois coltilédones.

A parte interna da semente é relativamente solta dentro da testa, sendo que entre os cotilédones existe um espaço que se mostra preenchido por uma solução nutritiva líquida quando a semente encontra-se em formação.

O fato de a semente ser leve sugere a possibilidade delas serem dispersas pela água, em flutuação.

Raízes

O sistema radicular das plantas de seringueira é em torno de um eixo principal, a partir do qual desenvolvem-se as ramificações laterais.

Em plantas com 6 anos de idade, a densidade das raízes nas entrelinhas apresenta-se muito alta, em virtude da presença de raízes das árvores de ambas as fileiras adjacentes.

As raízes principais atingem aproximadamente 5 m de profundidade em solos com características físicas adequadas, podendo atingir 10 m em plantios velhos (Moraes, 1977).

As raízes laterais não se apresentam muito distanciadas do eixo principal em plantas com 3 anos de idade, podendo, porém, atingir 6 a 9 m de extensão em plantios de 8 anos.

O diâmetro das raízes pode ficar em torno de 0,5 cm quando elas estão concentradas nos primeiros 20 cm de profundidade, ou de 4 a 9 cm quando elas estão concentradas na faixa de 20 a 40 cm abaixo da superfície do solo:

Plantios encontrados em solos aluviais da Amazônia apresentam a raiz principal desenvolvida até uma faixa de 20 a 40 cm do horizonte superficial.

Por se tratar de uma espécie arbórea, a seringueira apresenta uma baixa taxa de crescimento ao longo de seu ciclo, sendo que a taxa de absorção da maioria dos nutrientes, principalmente nitrogênio e potássio, está relacionada com a taxa de crescimento.

Processo de Germinação

A seringueira apresenta germinação hipogeal, sendo que seu principal tecido de reserva é o endosperma.

NO PROCESSO GERMINATIVO DA SERINGUEIRA:

A radícula alonga-se e sai através do poro germinativo. Em seguida, os dois pecíolos dos cotilédones distendem-se ao tirar a gêmula fora da semente.

Os cotilédones permanecem no interior da semente, sendo que substâncias de reserva do albúmen são mobilizadas para a plântula através dos pecíolos.

A plântula apresenta-se, então, inserida entre as duas extremidades dos pecíolos cotiledonares.

A semente da seringueira apresenta altos teores de látex e de óleo, que a condicionam a uma rápida perda do poder germinativo se não for submetida a condições ótimas de preservação.

Considera-se que esta perda da capacidade germinativa deve-se principalmente à rápida oxidação de substâncias oleaginosas contidas no albúmem.

A germinação da semente da seringueira também pode ser afetada por fatores intrínsecos, numerosos fatores extrínsecos também interferem nesse processo.

A absorção de água, as trocas gasosas e a temperatura exercem efeitos marcantes na germinação da seringueira.

A germinação envolve uma seqüência de reações químicas pelas quais as substâncias de reserva são desdobradas, transportadas e ressintetizadas no eixo embrionário.

Fatores que interferem na germinação

Absorção de água: Este processo depende do potencial matricial em que se encontra a semente. Ocorre inicialmente uma rápida absorção de água pelo embrião, aumentando grandemente o teor de umidade da semente.

O teor de água do endosperma aumenta muito mais lentamente.Inicialmente este processo ocorre por embebição, à água penetrando em resposta a uma diferença do potencial hídrico entre as sementes secas ao ar e a solução externa.

Trocas gasosas: A velocidade das trocas gasosas em sementes secas é extremamente baixa. Até que ocorra o rompimento da testa, ela constitui uma barreira para a entrada de oxigênio na semente.
Temperatura:
A temperatura afeta sensivelmente o processo de absorção de água, sendo que dentro de certo limite, quanto mais alta a temperatura, mais rápida a absorção de água.

A temperatura também interfere nos processos metabólicos necessários à germinação. Até certo limite, a germinação será mais rápida quanto mais elevada for a temperatura.

Reações Químicas que interferem na germinação

Atividade Respiratória: Durante o processo de absorção de água verifica-se um incremento da atividade respiratória da semente.
Aminoácidos, lipídios e carboidratos:
Na fase inicial, o desenvolvimento da semente depende inteiramente de aminoácidos, lipídios e carboidratos solúveis armazenados no embrião.
Giberalina:
Durante o período inicial de desenvolvimento, uma quantidade significativa de giberalina pe secretada pelo embrião. Este hormônio difunde-se para as células da camada de aleurona que são estimuladas a sintetizar e liberar enzimas hidrolíticas, particularmente amilase e proteases, no interior do endosperma rico em amido.
Ácidos graxos:
Os ácidos graxos das sementes são logo utilizados, sendo que a atividade da lipase é incrementada na germinação. Os óleos das sementes são convertidos em sacarose através da via do glioxilato. A sacarose resultante pode ser transportada para o eixo embrionário.

Necessidades Nutricionais

As maiores necessidades nutricionais da seringueira ocorrem no período que vai do 2o ao 4o ano de idade da planta.
O processo de absorção, notadamente para os macronutrientes, está relacionado com o desenvolvimento expresso em acúmulo de matéria seca.Maiores necessidades de Boro ocorrem a partir do 3o ano de idade da seringueira.
Considerando que a seringueira apresenta maior capacidade de extração de minerais do solo em relação ao cacaueiro, porém este mostra maior consumo de minerais em decorrência de sua maior taxa fotossintética.
Maiores produções de látex estão relacionadas com maiores exigências nutricionais. A produção de 1.500 kg.ha-1 de látex, corresponde a uma extração de 9,5; 4,4 e 7,8 kg.ha-1 de N, P2O5 e K2O, respectivamente.
O magnésio possui um significado especial no látex da seringueira;.
O balanço entre magnésio e fósforo no látex é tido como de importância, tendo sido sugerida a relação 0,7: 0,13 como a relação ótima;.
Cristais de oxalato de cálcio são freqüentemente encontrados na casca de seringueira, mas em plântulas deficientes em cálcio não foi constatada a presença desses cristais.
O manganês é constituinte de algumas enzimas responsáveis pela síntese de proteínas.
Plantas deficientes em boro apresentam uma necrose marcante das células da medula e um depósito de cristais de oxalato de cálcio na medula e na casca.
A deficiência de molibdênio resulta em acúmulo de nitrato nas folhas de seringueira.
As baixas produções durante a hibernação são mais acentuadas na época de refolhamento, o que deve ser causado pela demanda por nutrientes e carboidratos para o desenvolvimento das folhas e das inflorescências.

Crescimento e Desenvolvimento da Seringueira

Nos três primeiros anos de crescimento a seringueira apresenta sucessivos fluxos de lançamentos alternados com períodos de repouso.
A partir do 3o ano, a seringueira modifica seu ritmo de crescimento, deixando de produzir fluxos sucessivos de lançamentos, passando a mostrar uma periodicidade anual, caracterizada pela abscisão foliar capaz de promover desfolhamento por um período de 2 a 6 semanas, seguido de novo fluxo de folhas.
Espécies com folhas persistentes produzem numerosos ramos curtos terminais ou laterais, semelhantes a esporões, durante a maturação do fluxo de crescimento.

Florescimento

Árvores maduras de seringueira florescem duas vezes por ano na Malásia. A florescência é maior durante a primeira estação, assim como a abscisão foliar estacional que precede o florescimento.
O hábito decíduo é mais evidente em regiões onde ocorre uma estação seca prolongada.
A formação do anel de crescimento no tronco, em associação com o caráter decíduo, tem sido bem caracterizada, e parece ser comparável ao que ocorre em espécies arbóreas de clima temperado.
Parece haver uma relação ecológica entre a estação seca, a abscisão foliar estacional e a florescência.
A disponibilidade hídrica é também um dos mais importantes fatores ecológicos que afetam a queda de folhas e florescência das árvores decíduas.
As alterações do fotoperíodo e da temperatura também podem afetar a florescência de algumas espécies, sendo que o equilíbrio entre os níveis de inibidores e promotores hormonais pode determinar o início da senescência em seringueira.

Indução de Flores e Frutos

As árvores de Hevea brasiliensis não florescem durante o ano todo. A restrição dos programas de polinização para as estações de florescência e a falta de sincronia no florescimento entre os clones parentais dificultam os trabalhos de melhoramento da seringueira.
Plantas jovens de seringueira podem ser induzidas ao florescimento através de tratamentos gravimórficos e de anelamento.
A precocidade no florescimento pode ser obtida quando o encurvamento e o anelamento de ramos são associados com a aplicação foliar de ácido triiodobenzóico e de cumarina.
È necessário anelamento para indução da florescência em árvores jovens (Camacho & Jimenez, 1963),.
A utilização de repetidos anelamentos de 1,5 mm de largura, a intervalos mensais, promove um estresse capaz de induzir o florescimento em árvores jovens e maduras de seringueira.
A abscisão foliar anterior à principal estação de florescência é geralmente mais severa.
O florescimento e o desenvolvimento do fruto são normalmente acompanhados por intensos refolhamentos durante a estação principal, criando uma forte competição por assimilados.
A florescência na segunda estação é menos intensa e a queda de folhas é também menor, sendo que a competição por assimilados durante este período é mais fraca.
Se a produção de sementes é limitada pela competição por nutrientes, o problema pode ser contornado pela aplicação de fertilizantes.
A polinização de flores no lado das árvores exposto ao sol apresenta melhores resultados do que no lado sombreado.
A porcentagem de sucesso da polinização manual parece-se muito mais alta do que aquela verificada nas polinizações naturais promovidas por insetos e pelo vento.

Fotossíntese

Nas condições da floresta tropical, o desenvolvimento das plântulas de seringueira depende da abertura no dossel da mata.

Desde que todos os demais fatores sejam favoráveis, as plantas com potencial genético voltado à produção respondem linearmente às condições de luminosidade, podendo-se considerar a seringueira como um eficiente sistema conversor de energia solar em produção de carboidratos.

A seringueira apresenta alta sensibilidade estomática ao déficit hídrico, sendo que em plantas com um ano de idade, submetidas a ciclos de tensão hídrica no solo, observou-se que o potencial hídrico das folhas durante o dia era regulado pela resistência dos estômatos à difusão da água.

Sob condição de pequeno déficit hídrico, o fechamento estomático provoca um bloqueio parcial ou total não só à perda de água, como também à entrada de dióxido de carbono.

Potencial Pressão e Fluxo de látex

Efetuando-se a sangria, logo que o látex começa a fluir tem início uma penetração de água nos tecidos laticíferos a partir dos tecidos adjacentes, verificando-se um progressivo efeito de diluição do látex.

As pressões na região basal do tronco da seringueira geralmente excedem às da região apical, sendo que o gradiente é de cerca de 1 atm/10 m durante a noite, aumentando gradualmente, até seis vezes o valor observado, durante o dia.

A queda da pressão de turgidez do látex durante o dia é causada pela passagem de água do floema para o xilema sob condições de alta taxa transpiratória.

Se ocorrer forte precipitação à tarde, as pressões hidrostáticas aumentam na superfície do tronco sem qualquer decréscimo aparente no déficit de água foliar.

A sangria da seringueira reduz o desenvolvimento da árvore. Após o primeiro ano de sangria, a redução média da taxa de crescimento do tronco de cultivares produtivos mostrou-se da ordem de 29% com amplas variações entre as cultivares.

A queda real na produção parece mostrar-se dependente da taxa transpiratória e do suprimento hídrico.

A sangria de árvores a intervalos durante um período de 24 horas não mostrou diferenças entre 2:00 e 7:00 horas. Ao longo do dia, a produção diminuiu gradualmente para um mínimo de 70% da produção noturna, por volta das 13:00 horas, voltando a aumentar posteriormente.

O conteúdo da borracha mostrou um comportamento inverso, sendo que às 12:00 horas mostrava quatro unidades a mais do que durante a noite.

O período de mais baixa intensidade de formação de borracha pode estar correlacionado com a época de formação de folhas novas (Dijkman, 1951)

Os fatores desfavoráveis ao fluxo de látex mostram-se associados com os períodos secos (Ribaillier, 1971).

Temperatura e Unidade Relativa do ar

Temperatura e umidade relativa do ar são os elementos do clima que mais exercem influência nos diversos estágios de desenvolvimento da planta. Assim, locais com temperatura média anual abaixo de 20 graus centígrados e umidade excessiva são os menos indicados, por proporcionarem condições ideais à incidência de doenças que limitam a cultura. 

Ainda, dado o desenvolvimento sistema radicular, recomenda-se que o plantio da seringueira seja em solos de textura média e com boa profundidade, evitando-se sempre terrenos sujeitos a inundações periódicas, argilosos e mal drenados.

Condições climáticas

As áreas tradicionais da Bahia, embora com condições climáticas favoráveis ao ataque de doenças, os índices de produtividade alcançados oferecem perspectivas para a ampliação do cultivo, que já responde, no momento, por parcela bastante significativa na produção nacional de borracha vegetal.

Além disso, nas novas áreas zoneadas, tidas como de escape, a possibilidade de se estabelecer uma heveicultura em condições mais climáticas propícias, sob o ponto de vista fitossanitário, abre perspectivas de expansão com todas as vantagens sociais e econômicas.

São inúmeras as áreas potencialmente aptas ao cultivo da seringueira na extensa faixa costeira do estado da Bahia, especialmente nas regiões sudeste e extremo sul (mais de dois milhões de hectares de terras nuas), onde a Mata Atlântica se encontra em processo progressivo de extinção. Vários plantios estabelecidos nessas regiões vêm demonstrando componentes produtivos fitossanitário bastante promissores.

Ecologia na Cultura da seringueira

A cultura da seringueira tem ciclo longo (mais de 30 anos) e funciona como um reflorestamento. Como praticamente não há interferência no solo, a degradação dos rios pelo assoreamento é evitada, o que não acontece com cultivos que necessitam de constante mecanização.

Além disso, a seringueira pode ser consorciada com outras culturas, como o palmito, desde que a cultura acessória seja adaptada ao sombreamento.

Importância Econômica

No Brasil, na área tradicional, a heveicultura tem abrangência na Amazônia Tropical Úmida, Mato Grosso e Bahia. Em áreas não tradicionais, é cultivada nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Maranhão, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Minas Gerais. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba estão concentradas as maiores plantações do Estado de Minas Gerais, alcançando produtividade de, aproximadamente, 1.500 kg de borracha seca/ha/ano. Do ponto de vista social, a heveicultura é muito importante principalmente, na fixação do homem no campo, pois produz o ano todo.

Do seu tronco extrai-se o látex que, por coagulação espontânea ou por processos químico-industriais, se transforma no produto comercial denominado de borracha. A matéria-prima borracha é largamente utilizada na produção de bens industrializados, sendo a industria de pneumáticos a sua maior consumidora.

As grandes áreas de produção comercial concentram-se no sudeste asiático, destacando-se a Malásia, Indonésia e Tailândia como maiores produtores. A produção brasileira, ainda que tenha apresentado acréscimos nos últimos anos, só responde por 18% das suas necessidades, sendo o restante importado de outros centros produtores, com reflexos negativos na nossa balança comercial.

As áreas tradicionais da Bahia, embora com condições climáticas favoráveis ao ataque de doenças, os índices de produtividade alcançados oferecem perspectivas para a ampliação do cultivo, que já responde, no momento, por parcela bastante significativa na produção nacional de borracha vegetal.

Além disso, nas novas áreas zoneadas, tidas como de escape, a possibilidade de se estabelecer uma heveicultura em condições mais climáticas propícias, sob o ponto de vista fitossanitário, abre perspectivas de expansão com todas as vantagens sociais e econômicas.

São inúmeras as áreas potencialmente aptas ao cultivo da seringueira na extensa faixa costeira do estado da Bahia, especialmente nas regiões sudeste e extremo sul (mais de dois milhões de hectares de terras nuas), onde a Mata Atlântica se encontra em processo progressivo de extinção. Vários plantios estabelecidos nessas regiões vêm demonstrando componentes produtivos fitossanitário bastante promissores.

Uma das grandes vantagens do cultivo é sua exploração econômica durante o longo ciclo de vida da planta, sem a necessidade de desnudamentos periódicos do solo. Além do mais, a seringueira tem-se comportado muito bem em consorciação com cultivos econômicos de ciclo curto, semiperenes, a exemplo do cacau.

O consórcio com o cacaueiro, inclusive, tem demonstrado ser uma prática muito vantajosa, por aumentar significativamente a receita das empresas, com a exploração econômica de ambos os produtos.

Entretanto, o sucesso de um empreendimento heveícola está na rigorosa observância do uso de tecnologias preconizadas para as diferentes fases de desenvolvimento, pois, desse modo, seringais poderão ser formados dentro de padrões modernos de exploração, tornando-os competitivos e rentáveis.

Fatores de produção

Entre os países produtores de borracha natural a Índia foi o primeiro país a explorar comercialmente as sementes de seringueira visando à extração de óleo e, posteriormente, a Nigéria e a Malásia, embora ainda em condições rudimentares.

Existe uma grande variação na quantidade produzida de sementes em cada ano, devido a influências climáticas, incidência de doenças e a diferenças entre e dentro dos clones. No Estado de São Paulo, alguns clones sofrem o ataque de Antracnose, podendo restringir o número de sementes viáveis para o uso comercial.

Na Nigéria, a produção de sementes varia de 73 kg/ha para o clone PB 86 a 424 kg/ha para o clone PB 5/51. A média de produção na Índia gira em torno de sementes 150 kg/ha ou 500 g/árvore. Na Malásia obteve-se 65 kg de sementes/ha, sendo possível uma produção duas vezes maior se as condições do meio forem mais favoráveis ao desenvolvimento dos frutos.

Além disso, existe também uma considerável variação do peso de sementes individuais, apresentando média de 3,25 e 4,27 g/semente para os clones GT1 e RRIM 600, respectivamente. Cerca de 40% da semente fresca representa o endosperma (parte mais interna da semente), 35% do tegumento e os 25% restante é umidade.

As sementes contêm uma quantidade média de 43% de óleo de boa qualidade industrial, podendo variar de 38 até 46%.

Utilização do Produto e Sub-produto

Uso da Seringueira

Sementes de testa lisa, manchada, com uma carúncula, muito semelhante à semente da mamona. A semente tem 45-49% de óleo amarelo, grosso, de cheiro análogo ao de linhaça, é secativo, próprio para a fabricação de tintas e vernizes.

O látex extraído da casca do tronco, é a parte utilizável. Trata-se de material de 1º qualidade, sendo obtido pela incisão espiralada, inclinada de cima para baixo (45 grau de inclinação), na porção baixa do tronco de árvore de 4-5 anos de idade. Periodicamente, a incisão é renovada removendo-se perto de 2mm da casca, sempre na parte superior, alargando-se, pois as partes removidas da casca, deixando como característica a cicatriz.

O látex é produzido durante muitos anos seguidos.

As maiores produções brasileiras ocorrem no estado do Acre, Amazonas, Pará.

A seringueira produz madeira branca. Para o plantio preferem-se sementes de árvores não sangradas.

Da mistura do látex fresco com óleo de rícinuo, obtém-se um produto utilizado como anti-helmíntico.

Potencialidades

Ultimamente maior ênfase tem sido dada à exploração em sistemas agroflorestais com mais de um cultivo perene e/ou de ciclo curto. 

A seringueira tem-se destacado com uma opção econômica para consorcio com culturas como feijão, mamão, abacaxi, bata doce, banana, pimenta-do-reino, café, palmito e cacau.

O sucesso desses consórcios depende da escolha correta do espaçamento para as seringueiras em função do cultivo que se pretende intercalar. Há várias alternativas de plantio, porém as mais atrativas sugerem distâncias mínimas de dois metros entre as linhas de seringueira e o outro cultivo.

Os consórcios com seringueira têm sido apontados como exemplo bem sucedido de sistema agroflorestal sustentável para a região, sob o ponto de vista agronômico, ecológico, social e econômico.

Assim, a Seringueira deixa de ser uma "cultura de longo ciclo", já que serão utilizados outros cultivos que, como o Maracujá, já estão produzindo após seis meses de plantio, ou mesmo a "lavoura branca" e a Soja, que podem ser colhidos com três a quatro meses de plantados. A Banana pode começar a ser colhida em nove meses, o Mamão também em nove meses, permitindo assim o agricultor usufruir uma renda de sua produção em curto prazo.

A Seringueira tem a vantagem de ser uma cultura ecologicamente correta, pois restaura a força do solo cansado, com intensa produção de nitrogênio em suas raízes e altera o clima seco e quente com a formação de verdadeiras florestas, de densa cobertura, criando um microclima saudável e temperado no interior do seringal.

Produção de Mel

A produção de mel de seringueira pode ser uma alternativa de exploração em pequenas propriedades que tem seringal implantado. No entanto, nem todos os clones comerciais são produtores de néctar.

O néctar se encontra em glândulas extraflorais localizadas na junção dos três folíolos jovens.

A máxima produção de néctar ocorre na fase de reenfolhamento, fase de transição da coloração bronze para o verde claro.

Cerca de 30% do mel de seringueira produzido na Índia é coletado no período de reenfolhamento da copa das plantas, que ocorre entre os meses de janeiro a março naquela região.

A apicultura tem sido uma opção nos seringais asiáticos, sendo que aproximadamente 45% do mel produzido na Índia é originado de seringais.

Essa técnica tem exigido a domesticação de abelhas da espécie Apis cerana oriunda desses seringais.

Para suprir a alimentação das abelhas quando as árvores de seringueira não estão produzindo néctar, existem plantas forrageiras, fontes potenciais de néctar e devem ser plantadas em lugares comuns na propriedade como cercas, divisas ou espaços vagos no seringal.

Devido à coleta constante nas colméias o mel é límpido e contêm alta umidade. Logo, no processamento, para que haja uma concentração maior do mel, o mesmo deve descansar por alguns dias à luz do sol.

Exploração da Madeira

A madeira de seringueira tem se tornado uma fonte importante de renda após a exploração do látex da cultura, principalmente na Malásia, onde 70 % da madeira utilizada vem da seringueira, exportando para o Japão para produção de móveis ao preço de US$ 220/m3.

Geralmente, quando a produção de látex em um talhão não é mais economicamente viável, procede-se a derrubada das árvores, seguida do replantio da área.

A madeira remanescente pode ser utilizada como combustível ou celulose, e com o tratamento químico, pode ser utilizada na indústria de móveis e na fabricação de portas, janelas, formas para concreto armado, vigas, colunas, painéis e artigos domésticos com aglomerado de "Flakes".

As árvores no final da sua vida produtiva apresentam um perímetro médio do caule em torno de 110-100 cm (125 cm acima do solo), sendo aptas para corte aproximadamente 184 árvores/hectare.

De uma árvore obtêm-se 0,62 m3 de madeira proveniente do tronco e cerca de 0,39 m3 provenientes dos ramos laterais, totalizando 1,10 m3/árvore.

Foi observado que em um hectare de seringal com 450 árvores, 200 árvores são aptas para corte, com a produção de 1 m3/árvore, possibilitando a extração de 130-180 toneladas de madeira/ha em um seringal no final do seu ciclo produtivo.

Propriedades

Normalmente a coloração da madeira se assemelha ao branco, às vezes pode apresentar um aspecto marrom claro ou amarelado.

A densidade gira em torno de 560 a 650 kg/m3 e a umidade da madeira recém-cortada é de aproximadamente 60%, podendo ser reduzida para 15% quando seca ao ar, exigindo pelo menos 10 dias de exposição nessas condições.

O grande problema da utilização dos produtos provenientes da madeira de seringueira é a alta susceptibilidade ao ataque de fungos e insetos (besouros e cupins), devido à ausência de cerne na madeira e a um alto teor de amido e açúcares, necessitando, portanto, de um tratamento profilático logo após o corte, em um período menor que 24 horas.

Além disso, problemas de contração da madeira, devido a existência de tração, dificultam a sua utilização.

A ocorrência de tração é natural, e não pode ser evitada, porque suas causas ainda não são muito conhecidas.

Para tentar minimizar esses problemas na madeira recomenda-se proteger o seringal do vento (quebra-ventos), diminuindo as torções dos ramos, troncos e a quebra das árvores.

Seqüestro do Carbono: Protocolo de Kyoto

O financiamento de um programa de restauração da mata atlântica através do plantio da Seringueira tem a vantagem ainda de ser beneficiado pelo Protocolo de Kyoto, que prevê a contratação de "cotas do carbono" para o plantio de matas que restaurem o oxigênio do ar e absorvam o gás carbônico da atmosfera, prevendo o pagamento de dez dólares para cada tonelada de carbono absorvido. Neste momento mesmo a Ministra Marina Silva esta recebendo visita de empresários que se dispõem a investir em cotas de carbono no Brasil.

Em vinte anos, um hectare de seringueira absorve quinhentas toneladas de carbono da atmosfera. Isto significa dizer que um plantio de cem mil hectares de seringais na região da Mata representaria uma absorção de cinqüenta milhões de toneladas em vinte anos, recebendo em troca, das empresas compradoras de cotas de carbono, a dez dólares a tonelada, o equivalente a quinhentos milhões de dólares. Como, em nossa Proposta, calculamos o custo de implantação de cem mil hectares de Seringueira Consorciada com suas derivações de implantações industriais e comerciais em quinhentos milhões de dólares, este custo total de um programa de restauração da mata atlântica seria reembolsado em vinte anos, apenas por conceito das cotas de carbono.

Ecologia no Processo Industrial

A borracha é um produto natural que não recebe nem na fase inicial, nem no beneficiamento em si, a adição de qualquer componente químico passível de causar danos ao meio ambiente. Sendo o material biodegradável, são adicionados coagulantes ou anticoagulantes conforme sua destinação, além de conservantes que visam apenas manter as propriedades físico-químicas até a industrialização.

Estratégias para altas produções

Um eficiente método de controle do mal-das-folhas é o chamado cultivo em áreas de escape. Geralmente, uma área de escape é caracterizada por possuir condições ambientais adversas das que o fungo (patógeno)
necessita para manter o seu ciclo de vida. Contudo, ela tem que ser necessariamente apropriada ao cultivo da seringueira.

Para o caso do controle do M. ulei, o tempo mínimo que o folíolo deve permanecer molhado para causar infecção é de oito horas. Numa região em que esse período for inferior a esse tempo permitirá o convívio endêmico da planta com a doença, sem danos à cultura e sem prejudicar a produção do látex.

O consórcio com o cacaueiro, inclusive, tem demonstrado ser uma prática muito vantajosa, por aumentar significativamente a receita das empresas, com a exploração econômica de ambos os produtos. 

LIMITAÇÕES

O maior entrave à expansão da heviecultura no Brasil, contudo, ainda é a ocorrência do mal-das-folhas, doença causada Microcyclus ulei (P. Henn) V. Arx.E uma das estratégias para enfrentar o problema é a obtenção e o plantio de cultivares resistentes ao patógeno e produtivos, só possíveis de obter com trabalhos de melhoramento genético.As pesquisas de melhoramento genético no Brasil orientam-se principalmente no sentido de criação de clones tolerante a doenças e que ao mesmo tempo apresentarem produção satisfatória de látex.

Produção de Mudas

FORMAÇÃO DE MUDAS

O sucesso da heveicultura, além de outros aspectos, depende basicamente da utilização de mudas de qualidade superior, sendo fundamental a produção de porta-enxertos vigorosos e a escolha de clones adaptados à região, com alto potencial de crescimento e produção.

Sementes

Na produção de porta-enxertos, as sementes de seringueiras nativas devem ser evitadas. A colheita é feita no chão logo após a queda das sementes.

O armazenamento das sementes é feito em saco plástico de 5 a 8 kg, colocando apenas 3 a 5 kg de semente em cada saco, fazendo-se 6 a 8 furos no saco, para permitir uma pequena troca gasosa. Conservar em local fresco e arejado.

Sementeira

Localizada próxima do viveiro e da água. O canteiro é preparado com areia lavada, serragem curtida ou terriço deve ser coberto a um nível de 60 a 80% de sombreamento. Em regiões muito frias à noite, proteger os canteiros lateralmente.

O semeio é feito, pressionando as sementes até cobrir a sua micrópila (poro germinativo), espalhando-se 4 a 5 kg de semente/m2 de canteiro. Irrigar duas vezes por dia.

A germinação inicia a partir do 8° dia, sendo as plantas mais vigorosas germinadas, entre o 12° ao 15° dia. Descartar as plântulas germinadas a partir do 22° dia.

Após a germinação, quando as plântulas atingirem estádio de "patas-de-aranha", pode-se iniciar a sua repicagem para o viveiro. É feita nas horas mais frescas do dia, sempre com solo úmido, eliminando-se as plântulas defeituosas. O plantio é feito a uma profundidade 2,5 cm da superfície do solo, tendo-se o cuidado de não separar a semente da plântula.

Viveiro

Deve ser bem localizado e próximo a vertentes. A irrigação é feita à base de 120 mm/mês.

O controle de plantas invasoras, nos primeiros 4 meses, é feito com capinas manuais. Após este período, pode ser feito com herbicidas, usando-se Gesatop, Gesapax, Karmex, Roundup (3 a 4 L/ha).

Viveiro a pleno solo (no chão): Deve ser feito em solos de boa drenagem e profundo, bem alinhado, em formas de blocos, em espaçamento de 0,60 m x 0,20 m em filas sêxtuplas, espaçadas de 1m entre si, conferindo uma densidade inicial de 70.000 plantas/ha.

Viveiro em sacola plástica (6 dm3): Não usar sacolas transparentes. Neste tipo de viveiro, os blocos serão em 6 filas duplas espaçadas de 0,70 a 0,80 m e ruas de 1,00 a 1,20 m. As sacolas são enterradas em 2/3 de sua altura, para proteção lateral.

Jardim Clonal

É a implantação de matrizes para o fornecimento de borbulhas a serem utilizadas na produção de mudas enxertadas de qualidade superior no que se refere à produção de látex, resistência a doenças e adaptação a diferentes condições edafoclimáticas. Deve ser formado com um ano de antecedência, num espaçamento de 1,00 x 1,00 m. Os diferentes clones são plantados em balcões distintos, bem identificados por placa e croquis.

As hastes devem ser colhidas com o último lançamento foliar maduro, eliminando-se a ponta. O primeiro corte deve ser feito com 8 a 9 meses após o início da brotação, a uma altura de 60 a 90 cm. Deve-se deixar desenvolver 3 a 4 brotações após cada corte. Cada metro de haste fornece em torno de 10 gemas viáveis.

O diâmetro das hastes deve ser coerente com o diâmetro do porta-enxerto.

O controle de plantas invasoras é feito como em 5-3.

Enxertia

O processo usado é o do borbulhia por escudagem com placa embutida em janela aberta. O escudo utilizado é uma porção da casca com a gema sem o lenho. O escudo é fixado na janela aberta por meio de uma fita transparente de 2,0 a 2,5 cm de largura e 0,04 a 0,08 mm de espessura. Retirar a fita após 3 semanas. Se o enxerto não pegou, enxertar do outro lado.

A enxertia pode ser iniciada, quando os porta-enxertos atingirem um diâmetro de 1,2 cm, a 5 cm do solo, condicionada à facilidade de soltura da casca do porta-enxerto e da borbulha. Não pode ser feita sob chuva forte e, conseqüentemente, com o tronco do porta-enxerto molhado.

Tipos de muda

Toco enxertado de raiz nua

Muda enxertada no viveiro a pleno solo e levada diretamente para o campo. Às vésperas do arranquio, faz-se a decepagem dos porta-enxertos a uma altura de 50 a 60 cm do solo. Em seguida, aparar o caule do porta-enxerto em forma de bisel 2 cm acima da placa do enxerto e a raiz pivotante com cerca de 40 cm de comprimento. Aparar também as raízes laterais a 5 cm. Proceder à parafinagem da placa do enxerto e aplicar NAFUSAKU (20% de ANA).

Este tipo de muda não é recomendado para regiões de período seco definido.

Toco de raiz nua ensacolado

Muda enxertada no viveiro a pleno solo e transplantada para sacola plástica. O procedimento é o mesmo do tipo anterior. Neste caso, as mudas estarão prontas para o plantio no campo, 3 a 5 meses após serem ensacoladas, quando apresentam 2 a 3 lançamentos maduros.

Muda enxertada na sacola plástica

Este tipo de muda é produzido no viveiro em sacola plástica, podendo as mudas ser transplantadas para o campo com a gema do enxerto dormente ou até com 2 lançamentos foliares. Os fundos das sacolas devem ser perfurados, permitindo a passagem da raiz pivotamente para o solo e evitar o seu nivelamento.

Toco alto

Muda produzida no viveiro a pleno solo, num espaçamento de 1,00 x 0,50 m. É usado no replantio ou na substituição de plantas raquíticas no 2° ano após o plantio do seringal.

IMPLANTAÇÃO E MANEJO

Após a caracterização, limpeza e preparo da área, fazer a divisão dos blocos para facilitar os tratos culturais e programação de sangria. As locações de estradas principais (8m) e secundárias (5m) devem ser feitas de modo a reduzir o processo erosivo. Recomenda-se plantar um clone por bloco.

Marcação e piqueteamento

Nas áreas planas, as linhas de plantio devem ser marcadas, se possível, no sentido norte-sul, obedecendo ao espaçamento 8,0m entre linhas e 2,5m entre plantas (500 plantas/ha), sempre em curva de nível.

Em área declinosas, as linhas de plantio devem ser demarcadas de modo a não se afastarem muito do espaçamento recomendado. Deve-se procurar obedecer a uma faixa entre 12 a 5m entre linha.

Neste caso, é comum a ocorrência de linhas mortas. Posteriormente, faz-se a capina das faixas e, em seguida, a locação das covas, estaqueando-se a linha no espaçamento de 2,5m.

Plantio

Após a abertura e preparo das covas, no início do período chuvoso, fazer o plantio definitivo. No caso de mudas de raiz nua, deve-se firmar bem a ponta da raiz com a ajuda de um piquete, de modo a não formar bolsões de ar. Comprimir bem a terra em volta da muda.

Quando o plantio é realizado com muda ensacolada, deve-se levá-la até ao lado da cova, retira-se o plástico e introduz-se a muda na cova, cuidando-se para não destorroá-la. Comprime-se a terra em volta do torrão.

Replantio

Deve ser feito com mudas reservadas para tal e da mesma idade. O replantio não deve ultrapassar a 10% e deve ser feito no máximo até o 2° ano após o plantio.

Neste caso, usar muda de toco alto.

Controle de plantas invasoras

Controlar as ervas numa faixa de 2m na linha de plantio, deixando as entre-linhas com a vegetação natural e quando necessário, fazer apenas uma roçagem, caso não sejam feitos plantios intercalares. O controle pode ser feito com herbicida em seringais commais de dois anos de idade, aplicando-se 3 a 4 litro Roundup/ha.

Culturas intercalares

Pode-se usar qualquer cultura desde que seja compatível com a seringueira.

Desbrota

A eliminação dos ramos surgidos na haste principal deve ser feita até uma altura de, aproximadamente, 2,50m em relação ao nível do solo.

Condução da copa

Deixar crescer 3 a 5 ramos bem distribuídos a partir de 2,5 a 3,0m de altura em relação ao solo.

No caso de árvores quebradas, se o painel de sangria não foi afetado, cortar em bisel próximo ao ponto quebrado. Se o painel poi afetado, cortar próximo à soldadura do enxerto.

Colheita, Beneficiamento e Comercialização da Seringueira

O látex extraído da casca do tronco é a parte utilizável. Material obtido pela incisão espiralada, inclinada de cima para baixo (45 grau de inclinação), na porção baixa do tronco de árvore de 4-5 anos de idade. Periodicamente, a incisão é renovada removendo-se perto de 2mm da casca, sempre na parte superior, alargando-se, pois as partes removidas da casca, deixando como característica a cicatriz. O látex é produzido durante muitos anos seguidos.

SANGRIA

A sangria constitui-se em uma das operações mais importantes realizadas num seringal, uma vez que se trata da colheita do produto final (borracha). Normalmente em uma exploração agrícola a colheita é representada pela coleta de frutos, sementes, raízes etc. e não necessita obrigatoriamente de mão-de-obra especializada para realizá-la. No entanto, em uma exploração heveícola, a figura do seringueiro é de extrema importância para a coleta do látex, já que se ele não for suficientemente treinado, habilidoso e dedicado, poderá acarretar inúmeros prejuízos ao heveicultor e até danificar totalmente o seringal.

A seringueira reconstrói em pouco tempo o látex retirado após uma operação de sangria, devido a isso sua exploração processa-se continuamente durante o ano inteiro.

OPERAÇÂO DE SANGRIA

A operação de sangria da seringueira consiste na prática de uma incisão na casca do tronco para seccionar os vasos laticíferos e permitir o escoamento de um líquido branco-leitoso, às vezes amarelado, que genericamente se chama látex, fluido no qual está contida a borracha natural.

Considera-se que o escorrimento do látex por ocasião da sangria é provocado pela pressão interna reinante dentro dos vasos laticíferos.

Inicialmente por ocasião da sangria, o látex escorre rapidamente tornando-se lento em seguida, em geral passa de 2 a 3 horas escorrendo.

Colheita: o látex é colhido o ano todo, com sangrias alternadas, dia sim, dia não.

Momento de coleta: A sangria é iniciada quando pelo menos 50% das árvores (cerca de 200 árvores / ha) atingirem 45 cm de circunferência do caule, a 1,30cm acima da soldadura do enxerto.

A fim de se obter um maior rendimento da mão-de-obra e aproveitar o potencial máximo de produção das plantas, deve-se empregar sistemas com freqüência reduzida  de sangria e estimulação.

Fatores que afetam a produção:

O rendimento de uma operação de sangria está na dependência de vários fatores, dentre os quais pode-se citar comprimento e profundidade do corte, direção dos vasos laticíferos e inclinação da incisão, regime hídrico e hora da sangria, freqüência da sangria e ciclo vegetativo da seringueira.

Comprimento e Profundidade do corte

O comprimento da incisão, em uma operação de sangria, não significa necessariamente um volume de látex. Dessa forma, a quantidade de látex produzida em 1 cm de superfície de corte numa incisão longa é menor que a produzida por 1cm, se a incisão for mais curta. É o caso do corte em ½ espiral que produz mais látex por unidade de superfície de corte que o produzido no corte em espiral completa.

Quanto à profundidade da incisão, ela determina o volume da casca a que é submetida a sangria. Considerando-se que os laticíferos mais jovens, portanto os mais ativos, estão localizados nas porções mais profundas da casca, próxima ao câmbio, em uma operação de sangria a incisão deve ser profunda de tal maneira que consiga atingir os laticíferos mais jovens sem, contudo, atingir o câmbio.

Este é responsável pela regeneração da casca, assegurando a reconstituição dos tecidos removidos pela sangria. Se danificado o câmbio, a casca não se reconstrói, resultando em nodosidade que inviabilizarão a sangria no ciclo seguinte. A incisão deve respeitar uma zona de 1 cm das proximidades do câmbio.

Direção dos vasos laticíferos e inclinação da incisão

Considerando que a disposição dos vasos laticíferos dentro da planta está numa inclinação de aproximadamente 5º, da direita para a esquerda, de cima para baixo, deve-se realizar a operação de sangria de tal maneira que atinja o maior número de vasos possíveis.

Para isso, é necessário inclinar a incisão no sentido oposto, ou seja, da esquerda para direita, de cima para baixo, no sentido oposto ao do horário. A inclinação da incisão deverá compensar a inclinação dos vasos laticíferos permitindo um rápido escorrimento do látex na superfície do corte.

Para o corte em meia espiral, a incisão deverá ter a inclinação média de 30º em relação à horizontal.

Regime Hídrico e Hora da Sangria

O escorrimento do látex está intimamente relacionado com o grau de hidratação dos tecidos na área de sangria.

Dessa maneira as condições ecológicas que desfavorecem a evapotranspiração são propícias a um bom fluxo de látex.

Assim sendo, a hora de sangria deve ser condicionada ao período de baixa evapotranspiração, isto é, preferencialmente nas primeiras horas do dia, desde que haja luz suficiente para execução da referida tarefa.

Freqüência da Sangria

Pouco depois de uma operação de sangria, logo que a pressão dentro dos vasos laticíferos seja restabelecida, é possível obter-se látex simplesmente reavivando a incisão já sangrada.

No entanto, não se pode submeter a planta a sangrias sucessivas durante um longo período sob pena de provocar um esgotamento fisiológico na planta.

Em uma exploração normal, o seringal deve ser sangrado no intervalo de dois em dois dias para a sangria em meia espiral (s/2), quatro dias (três a quatro alternadamente) para a sangria em espiral completa (s/1).

Ciclo vegetativo da seringueira

Quando da troca periódica das folhas de seringueira, a planta utiliza suas reservas orgânicas e minerais para reconstituir a sua folhagem, e a produção de látex neste período fica bastante reduzida. Recomenda-se a suspensão da sangria nesta época.

SISTEMA DE SANGRIA

Os sistemas de sangria são aqueles que possibilitam maximizar a possibilidade, minimizar custos e fornecer ao produtor, possibilidades de prolongar o período de exploração dos seringais. Normalmente os sistemas de sangria estão em perfeita sintonia com a fisiologia da planta. Dos vários métodos de sangria, o mais amplamente utilizado nos seringais de cultivo atualmente no país é o de sangria em meio espiral em dias alternados, tecnicamente denominados S/2, d/2.

Um seringal em condições normais entre em produção quando 50 a 70% das suas árvores apresentam caules com 45 a 50 am de perímetro a 1,0 m ou 1,30 m da união enxerto-porta-enxerto.

Preparação do Seringal para Sangria

O primeiro passo para iniciar a sangria consiste na contagem das árvores aptas e inaptas a entrar em corte.

Aquelas que apresentarem perímetro de 45 cm a 1,0 m da união enxerto-porta-enxerto são consideradas aptas e devem ser pinceladas com tinta para sua identificação.

Abertura do Painel

É a preparação da árvore para entrar em sangria.

È feita com bandeira, traçador, riscador, faca de sangria e um pedaço de barbante. A bandeira constitui-se de uma régua de 1,50 m de comprimento e secção transversal de 0,30 m x 0,01 m, em cuja extremidade é fixada uma fita flexível de modo que o ângulo formado por ela e a linha horizontal, com a régua na vertical, sejam de 33º.

O comprimento da fita deve ser de 40 cm. O primeiro painel deve ser aberto pelo lado Norte e deve ficar a 1,20 m – 1,30 m acima da união enxerto-porta-enxerto.

Com o auxílio da bandeira e do riscador, marca-se a inclinação do corte que deverá ser 30º em relação à horizontal, da esquerda para direita e de cima para baixo.

Nas extremidades da superfície do corte, abrem-se dois drenos verticais de pouca profundidade. Um na extremidade superior, marcado onde começa o corte e outro na extremidade inferior, onde será feito o canal pelo qual o látex escorrerá até a bica e daí para a tigela.

 Com o auxílio de sangria (Jebong), faz-se o primeiro corte que deve ter a profundidade máxima possível, sem, contudo, atingir o câmbio.

Limpa-se a parte superior do corte, raspando-se ligeiramente a casca para facilitar a penetração da faca nas primeiras sangrias.

O consumo diário de casca não deverá ultrapassar de 2 mm. Para evitar consumo desnecessário, aconselha-se o emprego de um medidor de casca.

EQUIPAGEM PARA AS ÁRVORES

 Consistem na fixação das canaletas ou bicas, suporte e tigelas. As bicas de zinco podem ser compradas prontas ou fabricadas na própria zazenda. A tigela, geralmente de plástico, alumínio ou argila vitrificada, é fixada á arvore pelo suporte que tem a finalidade de manter a tigela na posição desejada sem provocar ferimentos nas árvores, perda da resistência ou fácil mudança de posição. O suporte é colocado de modo que a tigela fique 10 cm abaixo da bica.

Após o seringal entrar em sangria, deve-se atentar sempre para a proteção do painel contra doenças, a intervalos semanais ou quinzenais, dependendo da estação do ano se mais ou menos úmida.

Os painéis devem ser pincelados com fungicidas ou com a seguinte mistura:

Difolathan 85 – 600 ml,
Óxido de ferro ou óxido ferroso (corante) – 5 g,
Água – 55 l.

SANGRIA PROPRIAMENTE DITA

A operação de sangria deve iniciar o mais cedo possível, de acordo com as condições de luminosidade. O seringueiro deverá realizar a limpeza das tigelas e bicas e retirar o látex coagulado espontaneamente na superfície do corte (cernambi) e o remanescente da sangria anterior, drenado após a coleta.

Procede-se, então, ao corte da árvores, que é a sangria propriamente dita. O fluxo de látex deverá ter a duração de aproximadamente 4 horas.

SANGRIA POR PUNCTURA

Novo método de sangria que consiste em puncturas realizadas com estilete na casca, ao longo de uma faixa vertical, com a finalidade de evitar o efeito de anelamento parcial verificado nos métodos tradicionais.

Neste tipo de sangria, há uma inibição do mecanismo que controla a parada do fluxo de látex, havendo um escorrimento por um período mais longo.

O ethrel, cujo princípio ativo é o etefon, utilizado como estimulante da produção e que, pela liberação de etileno, age bloqueando o mecanismo de obstrução do escorrimento do látex é utilizado neste tipo de sangria.

A planta entre em corte quando atinge o perímetro do tronco a 1,30 m da soldadura enxerto-porta-enxerto de 30 a 35 cm, reduzindo o período de imaturidade da planta em 18 a 24 meses.

Percebe-se, entretanto, que este tipo de sangria ainda necessita de um maior volume de pesquisas, devido principalmente a alguns distúrbios indesejáveis que provoca na casca da planta. No entanto, é indiscutível que esta modalidade de exploração da seringueira tem grandes perspectiva futura.

SISTEMA MISTO DE SANGRIA OU SANGRIA MICRO X

Neste sistema faz-se uma combinação da sangria por punctura com o corte convencional. Caracteriza-se por um determinado número de puncturas feitas na superfície de corte de uma sangria em meia espiral (S/2, d/2) e apresenta uma redução no número de sangrias convencionais, realizadas imediatamente antes da aplicação do estimulante da produção.

O sistema misto pode ser aplicado tanto sobre a casca virgem como em seringal jovem ou mesmo seringal já em exploração.

ARMAZENAMENTO DE LÁTEX

Como a finalidade da exploração heveícola é produzir borracha de primeira qualidade ou comercializar o látex “in natura”, deve-se adicionar um anticoagulante ao látex na tigela logo após a sangria.

Usa-se como anticoagulante o amônio a 10% (algumas gotas por tigela) ou sulfito de sódio a 5%. Após a coleta, o látex é guardado em tonéis de 200 litros, que devem ficar à sombra.

Dessa maneira, o látex pode ser armazenado por 30 dias ou mais, sem haver coagulação, embora quanto mais tempo sem uso, maiores serão os prejuízos para as características da borracha produzida.

Para que se transforme o látex em matéria-prima de aplicação técnica, é necessário que, por processos de transformação e beneficiamento, ele adquira características capazes de torná-lo um produto que possa receber utilização prática.

Simbologia de painel

B= painel baixo ou descendente; H= painel alto ou ascendente; O= casca virgem; I = casca de 1ª regeneração; II = casca de 2ª regeneração; III = casca de 3ª regeneração; n° de painéis (1,2,3,4 etc).

Estimulação

É a aplicação de substâncias químicas para aumentar o período de escorrimento do látex.

Substâncias estimulantes

ANA; 2,4,5 - T; alguns óleos vegetais; Ácido 2 - cloroetilfosfônico (ETHREL) a 2,5 %, 5,0 % e 10 %, dependendo da idade do seringal.

Tipo de aplicação

Ba - 1 a 2g do produto sobre a casca, prévia e superficialmente raspada;
La - 0,5 a 1g do produto sobre toda a extensão do sulco de corte, sem a retirada do cernambi fita;
Ga - 0,5 a 1g do produto sobre toda a extensão do sulco de corte, com a prévia retirada do cernambi fita;
Pa - 0,5 a 1g do produto em faixa paralela e acima ao sulco de corte.

Condições para a estimulação

Clones responsivos; sistema de sangria menos intensivo (mínimo de ½ S d/3); fazer adubação de reposição; Não sangrar em condições ambientais adversas; corte bem feito;

Secamento do painel "Brown bast"

É o cessamento do escorrimento de látex no ato da sangria.

Os sintomas são: trincamento da casca no estágio avançado; secamento parcial ou total dos painéis; aumento da viscosidade do látex e aparecimento de estrias marrons.

Para prevenir o "Brown bast", isolar a região seca; fazer os sulcos de divisão dos painéis bem profundos e deixar descansar por 6 meses.

Sistemas de sangria

Meia-Espiral

Perímetro do ronco ³ 45 cm a 1,30 m da soldadura do enxerto;
Perímetro do tronco ³ 50 cm a 1,00 m do solo;
Inclinação do corte de 30°;

Simbologia: ½ S.

Espiral Completa

Perímetro do tronco ³ 70 cm a 1,30 m da soldadura do enxerto;
Inclinação do corte de 45°;

Freqüência mínima: d/4;

Simbologia: S.

Sangria por punctura (SPP)

Perímetro do tronco ³ 35 cm a 1,30 m da soldadura do enxerto;
Sangria precoce;
Precisa ser estimulado mensalmente ETHREL 5% = 2 g/planta.

Sangria ascendente

Seringal velho com o painel baixo muito usado;
Painel baixo com recamento.

Sangria mista ou micro-x

Perímetro do tronco ³ 45 cm a 1,30 m da soldadura do enxerto;
Fazem-se 12 cortes, sendo 9 cortes por punctura e 3 cortes convencionais.

PRODUÇÃO DE SEMENTES

Existe uma grande variação na quantidade produzida de sementes em cada ano, devido a influências climáticas, incidência de doenças e a diferenças entre e dentro dos clones.

No Estado de São Paulo, alguns clones sofrem o ataque de Antracnose, podendo restringir o número de sementes viáveis para o uso comercial.

Na Nigéria, a produção de sementes varia de 73 kg/ha para o clone PB 86 a 424 kg/ha para o clone PB 5/51.

A média de produção na Índia gira em torno de sementes 150 kg/ha ou 500 g/árvore.

Na Malásia obteve-se 65 kg de sementes/ha, sendo possível uma produção duas vezes maior se as condições do meio forem mais favoráveis ao desenvolvimento dos frutos.

Além disso, existe também uma considerável variação do peso de sementes individuais, apresentando média de 3,25 e 4,27 g/semente para os clones GT1 e RRIM 600, respectivamente. Cerca de 40% da semente fresca representa o endosperma (parte mais interna da semente), 35% do tegumento e os 25% restante é umidade.

As sementes contêm uma quantidade média de 43% de óleo de boa qualidade industrial, podendo variar de 38 até 46%.

Qualidade e Quantidade das sementes produzidas

Vários fatores influenciam diretamente a qualidade e a quantidade produzida de sementes, destacando-se principalmente:

a) expressão genética do clone;
b) luminosidade dentro da copa da planta;
c) número de frutos/inflorescência e distância média entre frutos;
d) variação climática durante o desenvolvimento do fruto;
e) deficiências nutricionais durante o florescimento e no período de desenvolvimento dos frutos, principalmente N e K;
f) baixa porcentagem de polinização e
g) ataque de doenças em geral.

A falta de sincronia na ântese das flores masculinas e femininas, o baixo número de flores femininas por inflorescência e a baixa quantidade de grãos de pólen, também influenciam na quantidade de sementes produzidas.

Processamento das sementes para a obtenção do óleo

Para a extração do óleo, primeiramente as cascas das sementes são removidas, deixando apenas o endosperma, seguida de uma secagem para diminuir a porcentagem de umidade.

O endosperma extraído e seco ao sol suporta o armazenamento por quatro meses sem deterioração.

Há métodos de processamento para extração do óleo: extração por solventes, prensagem e centrifugação.

A escolha do método depende da quantidade de sementes produzidas.

O método de extração por centrifugação (método mais simples de moagem) apresenta bom rendimento, girando em torno de 250 kg/operador em uma jornada de oito horas de trabalho.

Como a coleta de sementes de seringueira se restringe aos meses de fevereiro/março para as condições do Estado de São Paulo, poucos moinhos podem depender exclusivamente da safra da seringueira.

Geralmente, pode-se utilizar sementes de seringueira na entressafra da extração de óleo de outras culturas como o amendoim, mamona, etc.

O óleo tem potencial para ser utilizado como combustível substituto ao diesel convencionalmente utilizado em máquinas motoras e veículos. No entanto, sua viscosidade é mais elevada, necessitando um tratamento para reduzí-la.

Têm sido experimentados, com sucesso, alguns tratamentos tais como: aquecimento do combustível, mistura do óleo das sementes de seringueira com óleo diesel e uso de alteração química do óleo (óleo transesterificado).

Produção de Torta

Na extração do óleo do endosperma da semente, obtêm-se 66% do seu peso na forma de torta, podendo ser utilizada na alimentação de bovinos e aves.

A Universidade de Kerala (Índia), conduziu por 12 anos um longo estudo utilizando a torta no arraçoamento de bovinos, porcos e aves, apresentando composição química e valores nutritivos.

A pequena quantidade de ácido cianídrico presente na torta não expõe ao perigo a vida animal.

Na Índia 50% da torta de sementes é utilizada na alimentação de aves e animais.

Devido ao seu elevado valor alimentar a torta de seringueira pode ser utilizada como substituto da torta de amendoim e também pode complementar a fertilização nitrogenada em culturas comerciais.

Comercialização

O látex pode ser comercializado de forma “in natura”, quando seu beneficiamento se processa fora da propriedade, ou poder utilizado na produção de folhas defumadas, desde que o imóvel disponha de pequenas usinas de beneficiamento. Ainda a borracha pode ser comercializada como coágulos e cernambis.

Na região sudeste da Bahia, há uma infra-estrutura moderna de beneficiamento, que, além de absorver toda a produção regional, produz diferentes linhas básicas, desde o látex concentrado até os mais diversos tipos de borracha sólida com demanda no mercado.

No mercado interno, a grande novidade é a percepção, por parte das usinas, de que a demanda pela borracha beneficiada, em especial por parte das indústrias pneumáticas, está melhorando. Mesmo assim, os preços, tanto para a beneficiada quanto para a borracha bruta entregue pelos produtores, estiveram praticamente estáveis nos meses de outubro e novembro.

Atualmente, a margem de lucro do produtor agrícola é restrita. Para que a propriedade sobreviva economicamente é necessário diversificar às áreas de produção.

Em um seringal já implantado, é possível planejar algumas explorações alternativas, buscando complementar a atividade principal de exploração de látex, seja através da apicultura ou visando a coleta de sementes para a extração de óleo. Além disso, ao final da vida produtiva do talhão, a exploração da madeira para uso na indústria de móveis, celulose e na construção civil ou na fabricação de artigos domésticos, também pode ser estudada.

Logo, cabe ao produtor escolher a alternativa de exploração que mais se adapta às suas condições, analisando o uso da mão-de-obra para a coleta das sementes ou para os cuidados das colméias, a facilidade de comercialização das sementes e a lucratividade potencial das novas atividades.

Simone Alves Silva

Fonte: www.culturasregionais.ufba.br

Seringueira

Borracha, apogeu e decadência

Explorada em pequena escala desde o início do século XIX, a extração da borracha intensificou-se na Amazônia a partir de 1850. Com a comercialização do produto em nível internacional, principalmente entre os anos de 1905 e 1912, época de seu apogeu, quando toda a economia brasileira e em particular a do Amazonas, passou a depender unicamente da extração do látex.

Essa época foi denominada de Ciclo da Borracha. Nesse período, toda a economia da Amazônia encontrava-se dominada por firmas estrangeiras, com sede na Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, impedindo qualquer iniciativa contrária aos seus interesses.

Os benefícios que o Ciclo da Borracha trouxe para o Amazonas podem ser conferidos nas grandes obras construídas na cidade de Manaus, com destaque para o Teatro Amazonas.

A planta da cidade de Manaus passou a ser construída em moldes dos padrões europeus. As ações do governo, nessa época, limitavam-se a cidade de Manaus, dando pouco importância ao interior do Estado. Dessa forma toda a riqueza e poder estava concentrada na capital. Como o interior do estado estava relegado ao esquecimento, os trabalhadores dos seringais tornaram-se prisioneiros do sistema patronal, sem meios para saldar suas dívidas.

O ciclo da borracha possibilitou, sem dúvida, o maior movimento de migração brasileira em direção à Amazônia. Estima-se que durante o Ciclo da Borracha, 500.000 nordestinos tenham chegado a esta região para o trabalho nos seringais.

Com a decadência da borracha e as fracassadas tentativas dos governos federais em recuperar a produção do látex, os aventureiros e explorados soldados da borracha deslocaram-se para suas terras de origem ou para cidade. Na cidade, por sua vez, a população viveu momentos de incertezas e necessidades. No interior, alguns seringais foram abandonados, assim também outras propriedades.

Diante desse quadro de incertezas apresentava-se uma alternativa: voltar no tempo e explorar a castanha-do-Pará, a madeira, os óleos essenciais e vegetais, os couros e as peles, o pescado e a extração mineral. Passaram a explorar, também, a agricultura juteira da várzea e a criação da empresa Petróleo Sabbá, trazendo perspectiva de investimento para a região. Nessa época destacou-se a participação de políticos, empresários, intelectuais que se mobilizaram para discutir e apresentar ao Governo Federal novas alternativas de investimento para a região.

Decadência da Borracha

Na segunda metade do século XIX, ingleses levaram sementes selecionadas de seringueiras (Hevea Brasiliensis) para suas colônias do sudeste asiático, onde se desenvolveram rapidamente. Já no início do século XX, começa a chegar no mercado internacional sua primeira produção, causando uma queda dos preços da borracha na Amazônia.

A partir dai a produção asiática entrou em ascensão (aumentou) e a da Amazônia entrou em declínio (diminuiu).

Na Ásia:

As seringueiras eram próximas uma das outras
O terreno era limpo e plano, fácil ao cultivo;
A plantação era próxima aos postos de vendas
Apesar da grande produção, continuou-se a plantação de seringueiras.

Na Amazônia:

Grande distância de uma seringueira para outra
Dificuldade para se locomover na mata
Atraso na entrega da produção em virtude da distância do posto de venda
Exploração sem replantio de outras mudas

Diante desta concorrência desigual a borracha do Amazonas não resistiu à competição do produto asiático que, em poucos anos, substituiu quase inteiramente os mercados produtores.

A partir dai o governo brasileiro iniciou a implantação de planos de desenvolvimento da Amazônia com o objetivo de recuperar a decadente produção do látex.

Fonte: portalamazonia.globo.com

Seringueira

O SERINGUEIRO

No início, todos os cearenses levados para o território trabalham como seringueiros. O seringueiro é o trabalhador que extrai a borracha da árvore chamada seringueira (hevea brasiliensis).

Trabalha oito meses por ano, de abril a novembro, quando começa a floração. Todos os dias, levanta-se às três da madrugada, deixa no fogo a panela de feijão e sai para correr "as estradas", isto é, para fazer os cortes nas seringueiras espalhadas pela floresta e colocar as tijelinhas para aparar o leite. Essa tarefa leva mais ou menos cinco horas. Ele se arranja para fazer um percurso para recolher o látex das tijelinhas, transferindo-o para um saco de borracha de sua fabricação ou para um balde apropriado.

Às 2 ou 3 horas da tarde, volta para o rancho almoça e começa a defumação do leite recolhido. Se o seringueiro vive sozinho – o que era regra geral no começo – defuma, come e dorme no mesmo rancho chamado tapiri. Atualmente estando com a família, o tapiri serve somente para trabalhar, havendo uma casa ao lado para moradia. O seringueiro gasta umas duas horas na defumação da borracha. O fogo é feito debaixo da terra para que a fumaça saia por um bico ao nível do chão. A melhor fumaça é a de coco de babaçu. O homem que já se cansou o dia todo pelas picadas, por cima e por baixo de paus, deve ainda agüentar essa fumaça que arde nos olhos e enche os pulmões. A bola de borracha é rodada em volta de uma vara de 1,50m de comprimento chamada "cavador". Para iniciar a bola – que chamam também de pela – enrola-se na vara um "tarugo" de goma coagulada no qual o leite gruda facilmente. O homem vai despejando o leite com uma cuia ao mesmo tempo que gira o "cavador" e a bola vai engrossando, cada dia um pouco mais. Uma pela pronta, depois de vários dias, pesa uma média de 50 quilos.

Outro meio de se obter borracha mais depressa consiste em derrubar a árvore, isto, no entanto, só faz com o caucho (Castilhoa Ulei), cujo látex não pode ser tirado aos poucos porque coagula muito depressa. A árvore, depois de derrubada, é toda recortada de cima pra baixo, de maneira que o látex escorra para o chão previamente limpo. Basta depois juntar o látex, deixando-o alguns dias dentro de um caixote feito de quatro tábuas, no próprio local, para acabar de endurecer e tomar a forma de um fardo. Aí então não se chama bola de borracha, mas prancha de caucho.

Para o transporte da borracha, levam-na até a estrada, onde é carregada por caminhão para a cidade mais próxima. Se o seringal se acha perto de um rio navegável, as bolas são amarradas umas às outras com cipós e jogadas na correnteza. Quando se faz necessário, um barco segue segurando o conjunto, o que facilita o desembarque. As bolas são abertas na chegada ao depósito, unicamente para comprovar que o seringueiro não as engrossou com sujeiras, isto é, não falsificou a fabricação.

Fonte: www.jangadabrasil.com.br

Seringueira

Seringueira é o nome vulgar de uma planta do gênero Hevea, família Euphorbiaceae, que foi introduzida na Bahia por volta de 1906.

A sua dispersão natural está circunscrita aos limites da região Amazônica Brasileira, porém mostrando grande adaptabilidade aos mais variados ambientes. A espécie Hevea Brasileira (Wild. Ex. A. Juss.) Muell. Arg é a mais explorada economicamente, por produzir látex de melhor qualidade e com elevado teor de borracha.

Do seu tronco extrai-se o látex que, por coagulação espontânea ou por processos químico-industriais, se transforma no produto comercial denominado de borracha. A matéria-prima borracha é largamente utilizada na produção de bens industrializados, sendo a industria de pneumáticos a sua maior consumidora.

As grandes áreas de produção comercial concentram-se no sudeste asiático, destacando-se a Malásia, Indonésia e Tailândia como maiores produtores. A produção brasileira, ainda que tenha apresentado acréscimos nos últimos anos, só responde por 18% das suas necessidades, sendo o restante importado de outros centros produtores, com reflexos negativos na nossa balança comercial.

As áreas tradicionais da Bahia, embora com condições climáticas favoráveis ao ataque de doenças, os índices de produtividade alcançados oferecem perspectivas para a ampliação do cultivo, que já responde, no momento, por parcela bastante significativa na produção nacional de borracha vegetal. Além disso, nas novas áreas zoneadas, tidas como de escape, a possibilidade de se estabelecer uma heveicultura em condições mais climáticas propícias, sob o ponto de vista fitossanitário, abre perspectivas de expansão com todas as vantagens sociais e econômicas.

São inúmeras as áreas potencialmente aptas ao cultivo da seringueira na extensa faixa costeira do estado da Bahia, especialmente nas regiões sudeste e extremo sul (mais de dois milhões de hectares de terras nuas), onde a Mata Atlântica se encontra em processo progressivo de extinção. Vários plantios estabelecidos nessas regiões vêm demonstrando componentes produtivos fitossanitário bastante promissores.

Uma das grandes vantagens do cultivo é sua exploração econômica durante o longo ciclo de vida da planta, sem a necessidade de desnudamentos periódicos do solo. Além do mais, a seringueira tem-se comportado muito bem em consorciação com cultivos econômicos de ciclo curto, semiperenes, a exemplo do cacau. O consórcio com o cacaueiro, inclusive, tem demonstrado ser uma prática muito vantajosa, por aumentar significativamente a receita das empresas, com a exploração econômica de ambos os produtos.

Entretanto, o sucesso de um empreendimento heveícola está na rigorosa observância do uso de tecnologias preconizadas para as diferentes fases de desenvolvimento, pois, desse modo, seringais poderão ser formados dentro de padrões modernos de exploração, tornando-os competitivos e rentáveis.

Clima e solo

Temperatura e umidade relativa do ar são os elementos do clima que mais exercem influência nos diversos estágios de desenvolvimento da planta.

Assim, locais com temperatura média anual abaixo de 20 graus centígrados e umidade excessiva são os menos indicados, por proporcionarem condições ideais à incidência de doenças que limitam a cultura. Ainda, dado o desenvolvimento sistema radicular, recomenda-se que o plantio da seringueira seja em solos de textura média e com boa profundidade, evitando-se sempre terrenos sujeitos a inundações periódicas, argilosos e mal drenados.

Escolha e Localização da Área

As áreas planas são mais fáceis e econômicas para a implantação e exploração de seringais de cultivo. Em áreas de relevo ondulado, promover o plantio da média encosta para cima, e em curvas de nível. Sempre que possível, locar as linhas de plantio no sentido norte/sul, a fim de receberem intensa insolação e evitar o auto-sombreamento. Em áreas sujeitas a ventos fortes, dispor o plantio no sentido dos ventos dominantes e usar tutores, assim que as plantas começarem a dar sinal de inclinação de seu caule

Propagação

A propagação vegetativa, através da enxertia, é o processo convencional para a produção de mudas de seringueira, tanto na Bahia quanto em qualquer outra região produtora.

Para a produção de mudas de seringueira, necessário se faz a instalação de infra-estruturas básicas, ou seja: jardins clonais e viveiros. OS viveiros a pleno sol são os mais comuns. As mudas podem também ser preparadas em sacolas plásticas, tubetes ou até mesmo enxertadas no local definitivo de plantio.

Recomendações técnicas sobre o preparo de mudas enxertadas estão disponíveis e divulgadas em inúmeras publicações. Estas deverão ser consultadas para melhor orientação sobre a obtenção, qualidade e utilização adequadas às diversas situações determinadas pelo relevo, características do solo, infra-estrutura do imóvel, disponibilidade de mão-de-obra etc, objetivando sempre a formação de seringais uniformes e estandes completos, a custos mais baixos e com maior retorno econômico.

Material Clonal

Atualmente, encontra-se disponível para plantio uma série de clones que variam em suas características. Entretanto, a opção de escolha deve ser feita com certos cuidados. Sugere-se uma orientação técnica para cada caso e região, especialmente quando se pretende realizar plantios consorciados. As características peculiares de cada clone podem ser limitantes ao processo de consorciação. Assim, os clones que, por exemplo, apresentam copas menos densas com período regular de troca de folhas são os mais indicados. Uma série destes clones vem demonstrando desempenhos produtivos e fitossanitário bastante promissores em testes regionais e, brevemente, estarão disponíveis para plantio.

Implantação e Manutenção

Preparo da área – Preferencialmente a área deve ser completamente destocada, se possível, arada e gradeada. Na impossibilidade de utilização de máquinas, fazer um bom coivaramento na área, seguido de um destocamento parcial com a remoção das troqueiras menores, a fim de facilitar os tratos culturais e a consorciação com outros cultivos.
Coveamento -
A abertura das covas deve obedecer às dimensões mínimas de 0,40 x 0,40 x 0,60 metros, tendo-se o cuidado de separar a camada superficial do solo, retornando-a de imediato ao fundo da cova, como também o restante do solo, logo após a incorporação da adubação fosfatada recomendada.
Espaçamento –
Os seringais tradicionais têm sido estabelecidos no espaçamento 7 x 3 metros, resultando numa densidade de 476 plantas por hectare. Entretanto, entro de uma concepção moderna de exploração agrícola mais rentável, preconiza-se a utilização de plantios em linhas duplas, com aproximadamente 500 plantas/ha, em que os espaços entre as plantas e as linhas duplas não sejam inferiores a 2,5 metros e 10 metros, respectivamente. Tal disposição, além de proporcionar melhor arejamento no seringal, em geral concorre para redução da incidência de enfermidades e possibilita intercalação com outros cultivos.
Plantio –
O plantio em dias nublados ou após boas chuvas favorece o crescimento das raízes e o desenvolvimento das mudas enxertadas. Maiores cuidados devem ser dispensados com as mudas produzidas em sacolas plásticas, com dois ou até oito lançados foliares, especialmente por ocasião do plantio e da operação de transplantio. Independentemente do tipo de muda utilizada, recomenda-se sempre fazer a cobertura morta, com restos de vegetação para conservar melhor a umidade do solo e reduzir as perdas.
Calagem e adubação –
As áreas potencialmente indicadas para novos plantios são geralmente de solos ácidos e pobres em nutrientes. Assim, recomenda-se a análise prévia do solo para orientar de forma adequada a calagem e a adubação. Em seringais jovens, a mistura NPK deve ser aplicada em círculos crescentes, em função do desenvolvimento da planta, até o terceiro ano. Após este período, a adubação será feita em faixas laterais às plantas. O cronograma de adubação estende-se de outubro a março. Em seringais adultos, a adubação dever ser em função de uma nova análise de solo e, em casos especiais, também de folhas. Nessa fase, a mistura NPK dever ser aplicada, de uma só vez e por planta, no período de hibernação, por ocasião da queda de folhas que geralmente ocorre ente junho e julho. Após três ou quatro meses, sugere-se uma adubação complementar nitrogenada.
Outras práticas culturais –
Existe um pacote de informações sobre várias práticas culturais que devem ser adotadas para proporcionar um melhor desenvolvimento vegetativo e fitossanitários das plantas. Dentre essas, destacam-se a desbrota, o tutoramento de plantas quando necessário, a limpeza da área manual ou quimicamente, o replantio com mudas em estágio avançado de desenvolvimento e o controle ed pragas e doenças.

Consorciação com outras Culturas

Seringueira

Ultimamente maior ênfase tem sido dada à exploração em sistemas agroflorestais com mais de um cultivo perene e/ou de ciclo curto.

A seringueira tem-se destacado com uma opção econômica para consortes com culturas como feijão, mamão, abacaxi, bata doce, banana, pimenta-do-reino, café, palmito e cacau. O sucesso desses consortes depende da escolha correta do espaçamento para as seringueiras em função do cultivo que se pretende intercalar.

Há várias alternativas de plantio, porém as mais atrativas sugerem distâncias mínimas de dois metros entre as linhas de seringueira e o outro cultivo. O consórcio de seringueira com cacaueiro tem sido apontado como exemplo bem sucedido de sistema agroflorestal sustentável para a região, sob o ponto de vista agronômico, ecológico, social e econômico.

Exploração do Seringal

Há sangria é a etapa mais importante da vida útil do seringal, uma vez que trata da extração do produto final. Abertura de painel deve ser feita quando cerca de 50% das plantas apresentarem circunferência igual ou superior a 45 cm a altura de 1,5 acima do solo. Atualmente há vários sistemas de exploração em uso, sendo que, na escolha, deve-se levar em consideração o clone, a fase de exploração e as condições ambientais. A fim de se obter um maior rendimento da mão-de-obra e aproveitar o potencial máximo de produção das plantas, deve-se empregar sistemas com freqüência reduzida de sangria e estimulação.

Beneficiamento e Comercialização

O látex pode ser comercializado de forma “in natura”, quando seu beneficiamento se processa fora da propriedade, ou poder utilizado na produção de folhas defumadas, desde que o imóvel disponha de pequenas usinas de beneficiamento. Ainda a borracha pode ser comercializada como coágulos e cernambis. Na região sudeste da Bahia, há uma infra-estrutura moderna de beneficiamento, que, além de absorver toda a produção regional, produz diferentes linhas básicas, desde o látex concentrado até os mais diversos tipos de borracha sólida com demanda no mercado.

José Raimundo Marques

Fonte: www.ceplac.gov.br

Seringueira

TÉCNICA DE VULCANIZAÇÃO FOI CRIADA EM 1839

Criada pelo americano Charles Goodyear, o processo permitiu a obtenção da borracha de alta resistência usada nos pneus dos veículos automotores.

Vulcanização é o processo químico destinado a melhorar as propriedades físicas da borracha natural ou sintética. A borracha acabada adquire, assim, maior força tênsil e resistência à dilatação e à abrasão, e torna-se elástica a uma variedade maior de temperaturas. A forma mais simples de provocar a vulcanização consiste em aquecer a borracha com enxofre.

A técnica foi criada em 1839 pelo americano Charles Goodyear, a vulcanização permitiu a obtenção da borracha de alta resistência usada nos pneus dos veículos automotores.

O inventor do processo, Goodyear, observou também a importância de certa substâncias, os aceleradores, que apressam a vulcanização ou a fazem ocorrer a temperaturas mais baixas. As reações entre a borracha e o enxofre não são plenamente conhecidas, mas sabe-se que o enxofre não se dissolve ou dispersa simplesmente na borracha, mas combina-se quimicamente, em geral na forma de pontes entre as moléculas com longa cadeia de átomos.

Modernamente, empregam-se temperaturas entre 140 e 180°C, e acrescentam-se em geral negro-de-fumo e óxido de zinco ao enxofre, que aprimoram a qualidade da borracha. Também se usa antioxidante para retardar a deterioração causada pelo oxigênio.

Algumas borrachas sintéticas não são vulcanizadas com enxofre, mas dão um produto satisfatório mediante um tratamento similar com óxidos metálicos e peróxidos orgânicos.

Fonte: www.conhecimentogerais.com.br

Seringueira

Espécie nativa da região amazônica, pertencente à família Euphorbiaceae, podendo atingir até 40 m de altura. Em condições de cultivo alcança 15 a 20 m.

Possui flores unissexuais, amarelas e pequenas; folhas pecioladas e repartidas em três folíolos, e fruto contendo três sementes. Planta produtora de borracha natural, produto largamente utilizado na fabricação de pneumáticos e em grande número de manufaturados.

Cultivares

Clones de alto rendimento. Recomenda-se para o litoral, clones tolerantes ao mal-das-folhas.

Atualmente, são indicadas para o Planalto Paulista: PB 235, RRIM 600, PR 255, PR 261, IAN 873 e GT 1.

Para o litoral: Fx 3864, Fx 2261, IAN 873, IAN 717 e Fx 3028.

Clima e solo: Solos com permeabilidade e profundidade adequadas e pH entre 3,8 e 6,0 (ótimo: 4,0 a 5,5). Evitar regiões frias e baixadas sujeitas a geadas.

Época de plantio: Mais favorável no início da estação das águas.

Tipos de mudas: Mudas formadas no próprio saco plástico ou toco parafinado transplantado para o saco plástico com um ou dois lançamentos maduros.

Espaçamento: 7 a 8 m, entre as linhas de plantio e 2,5 a 3,0 m entre as plantas na linha.

Mudas necessárias: Ideal 500 plantas por hectare.

Plantio: Covas nas dimensões de 0,4 x 0,4 x 0,5 m com uso da cavadeira ou em sulcos. Plantio em nível.

Controle da erosão: Plantar em nível mantendo o solo vegetado no período das chuvas.

Calagem e adubação

Segundo a análise de solo, aplicar calcário para elevar a saturação por bases a 50%, usando preferivelmente calcário dolomítico, até a dose de 2 t/ha.

A adubação de plantio, por cova, corresponde a 30 g de P2O5 e 30 g de K2O e 20 a 30 litros de esterco de curral bem curtido, quando disponível; para solos deficientes, acrescentar 5 g de zinco. Cerca de um mês após o plantio, aplicar 30 g de N por planta, em cobertura, repetindo essa aplicação mais duas vezes durante o decorrer do 1.° ano.

A adubação de formação e exploração corresponde a 80 g/planta de N, 40 a 80 g/planta de P2O5 e 40 a 80 g/planta de K2O, durante o 2.° e 3.° ano; do 4.° ao 6.° ano aplicar 120 g/planta de N, 60 a 120 g/planta de P2O5 e 60 a 120 g/planta de K2O; do 7.° ao 15.°, aplicar 120 g/planta de N, 60 a 100 g/planta de P2O5 e 60 a 120 g/planta de K2O; e do 16.° ao 25.° ano, aplicar 100 g/planta de N, 40 a 80 g/planta de P2O5 e 60 a 100 g/planta de K2O. Parcelar a aplicação de fertilizantes, em duas vezes, a 1.a no início e a 2.a no final da estação das águas.

Outros tratos culturais

Na formação - controlar plantas daninhas com herbicidas específicos ou capinas manuais; desbrotar para livrar o tronco até 2m. Fazer formação de copa com anelamento da haste, quando necessário. Adulto - controle do mato com capinas ou herbicidas nas fileiras. Roçar as entrelinhas.

Culturas intercalares

Indicado até o 3.° ou 4.° ano de formação; culturas anuais recomendadas - feijão, soja, milho etc; e perenes - palmito, café, cacau, etc. Tomar o cuidado de respeitar uma faixa de pelo menos um metro de cada lado da linha de seringueira, para evitar competição por nutrientes.

Controle de doenças

No litoral, clones tolerantes ao mal-das-folhas (Mycrocyclus ulei), doença que não é problema no planalto. Em viveiros irrigados, em determinadas épocas do ano, usar benomyl, triadimefom, enbuconazole methyl, propiconazole, mancozeb e chlorotalonil.

Antracnose ocorre em folíolos jovens e painel de sangria.

Folíolos: fungicidas cúpricos e chlorotalonil.
Painel:
fungicidas á base de chlorotalonil, propiconazole e mancozeb.
Oídio (Oidium heveae):
enxofre.

Colheita: O látex é colhido o ano todo com sangrias a cada três, quatro, cinco ou até sete dias. Sugere-se o uso de estimulantes após visitação técnica.

Produtividade normal: Varia com o clone e a idade de sangria. Entretanto, a produtividade média de borracha seca nos seringais no Estado gira em torno de 1.000 kg/ha ao ano.

Histórico

A introdução da seringueira no Estado de São Paulo foi conduzida em 1917, pelo Coronel José Procópio de Araújo Ferraz, proprietário da Fazenda Santa Sofia, localizada no município de Gavião Peixoto. Interessado na cultura, o coronel recebeu sementes do então Marechal Cândido Rondon, que percorria a Amazônia em expedições. Entre as remessas recebidas compostas por alguns milhares de sementes, apenas 27 germinaram.

O IAC INTERESSA - SE PELA SERINGUEIRA

Em 1944, sementes dessas árvores pioneiras foram adquiridas pelo Instituto Agronômico (IAC), foram instalados lotes, ainda hoje, existentes nas antigas Estações Experimentais de Pindorama, Ribeirão Preto e Fazenda Santa Elisa, hoje Centro Experimental de Campinas (CEC.

O fato do Brasil ter se tornado importador de borracha natural em 1951, despertou interesse no estudo na cultura da seringueira. Para tanto, em 1952, o Instituto Agronômico importou da Companhia Firestone na Libéria, cerca de 581 kg de sementes híbridas do cruzamento natural dos clones Tjir 1 x Tjir 16, oriundos de pomares de sementes, sendo plantados em seis locais inclusive nas Estações Experimentais de Ubatuba e Pindamonhangaba do IAC.

Simultaneamente providenciava a introdução do oriente de dezenas de clones de alta produção. Em resposta a iniciativa do IAC criou-se em São Paulo o Serviço de Expansão da Seringueira (SES), hoje extinto. Em 1961, apareceu no litoral do Estado, o mal-das-folhas causado pelo fungo Microcyclus ulei (P. Henn.) von Arx.

A SERINGUEIRA CHEGA À REGIÃO DO PLANALTO PAULISTA

Em função do mal-das-folhas no litoral, tentou-se a implantação dessa cultura no planalto paulista. A existência de lotes com ótimo desenvolvimento em alguns locais do planalto ensejava um futuro promissor para heveicultura. Do mútuo trabalho do SES e do IAC, surgiram os primeiros seringais racionais em terras do planalto paulista.

Seringueira
Painel da seringueira sob efeito da sangria

Seringueira
Seringal adulto em plena fase de explotação do látex

PAULO DE SOUZA GONÇALVES

Fonte: www.iac.sp.gov.br

Seringueira

A seringueira e a importância da borracha natural no Brasil e no mundo

A seringueira é uma árvore de grande porte e ciclo perene pertencente à família Euphorbiaceae (Figura 1). Dentre os gêneros pertencentes a esta família, destacam-se Ricinus (mamona), Manihot (mandioca) e Hevea (seringueira). A classificação atual do gênero Hevea compreende 11 espécies de seringueiras, tendo como seu centro de origem a região Amazônica, nas margens de rios e lugares inundáveis de mata de terra firme, ocorrendo preferencialmente em solos argilosos e férteis. A espécie Hevea brasiliensis Müell. Arg. é considerada a mais importante do gênero por possuir a maior diversidade genética e alta produtividade de látex (borracha natural). Além de ser nativa do Brasil, a seringueira também está presente na Bolívia, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Suriname e Guiana.

Seringueira
Figura 1. Interior de um talhão de seringueira em Itiquira, MT. (Crédito da foto: Rodrigo Souza Santos).

A partir da saída de seu habitat natural, a seringueira passou a ser cultivada em grandes monocultivos, principalmente nos países asiáticos. No Brasil, seu cultivo obteve grande sucesso nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, na Bahia e no oeste do Paraná. A seringueira é uma espécie arbórea, de crescimento rápido, apresentando grande capacidade de reciclagem de carbono ( 1 hectare de seringueira retira aproximadamente 1,4 toneladas de gás carbônico da atmosfera por ano), convertendo-o em látex e madeira. As plantas podem atingir até 30 m de altura sob condições favoráveis, iniciando aos quatro anos a produção de sementes e, aos sete anos, em média, a produção de látex. Entretanto, nem todas as espécies de seringueira são arbóreas, já que Hevea camporum e Hevea camargoana são arvoretas e arbustos de campo. A espécie pertence ao grupo das dicotiledôneas, com flores unissexuadas, pequenas e amarelas. Possui folhas compostas com três folíolos membranáceos e sem pêlos (Figura 2A), o fruto é uma cápsula que, geralmente, apresenta três sementes grandes ( 2,5 a 4 cm), marrons e de forma oval (Figura 2B).

Seringueira

Seringueira
Figura 2. A. Folha de seringueira com sintomas de ataque do percevejo-de-renda;
B. Aspecto externo de sementes de seringueira. (Créditos das fotos: Rodrigo Souza Santos).

A borracha natural obtida pelo extrativismo teve seu ciclo de exploração no século XIX até início do século XX, levando a região amazônica a um período de grande prosperidade econômica.

A partir de 1912 esse extrativismo começou a entrar em decadência, devido, principalmente, a dois fatores: a entrada no mercado internacional de borracha oriunda dos países asiáticos, onde o cultivo se fazia intensivo, e o surgimento da doença conhecida como “mal-das-folhas”, causada pelo fungo Microcyclus ulei (P. Henn.), comum nas regiões quentes e úmidas.

Além deste fungo, a seringueira está sujeita ao ataque de pragas, principalmente com o aumento da área plantada e a adoção de monocultura em áreas extensivas.

Um complexo de ácaros e insetos está associado ao cultivo da seringueira no Brasil, destacando-se os ácaros Calacarus heveae Feres (Figura 3) e Tenuipalpus heveae Baker e, um inseto conhecido como percevejo-de-renda da seringueira, Leptopharsa heveae (Figura 4).

Seringueira
Figura 3. Microscopia eletrônica de
Calacarus heveae Feres
(Imagem extraída do trabalho de Ferla & Moraes, 2003 – Aumento: 10.000X).

O percevejo-de-renda percevejo pode causar redução no diâmetro do colo das mudas de seringueira em até 44,5% e na produção de látex em até 30%, pois suga a seiva elaborada das folhas, causando desfolha precoce e debilitando as árvores, pois diminui a área fotossintetizante das mesmas.

Seringueira
Figura 4. Exemplar adulto do percevejo-de-renda na face inferior de um folíolo de seringueira
(Crédito da foto: Fernando da Silva Fonseca – Aumento: 100X).

Os países asiáticos Tailândia, Indonésia, Malásia, China e Vietnã, são os mais importantes produtores mundiais de borracha natural, respondendo por cerca de 90% do total. Atualmente, o Brasil ocupa o nono lugar na produção mundial, correspondendo a aproximadamente 1,4% do total. Em âmbito nacional, os estados de São Paulo, Mato Grosso, Bahia e Espírito Santo são os principais produtores, sendo São Paulo responsável pela maior parcela da produção nacional, o que lhe confere a condição de principal produtor de borracha natural do Brasil. Somente esse Estado possui 14 milhões de hectares aptos à heveicultura.

A importância da seringueira é devida à qualidade da sua borracha que combina leveza, elasticidade, termoplasticidade, resistência à abrasão e à corrosão, impermeabilidade a líquidos e gases, isolamento elétrico, bem como capacidade de adesão ao tecido e ao aço. Embora a borracha natural, em alguns casos, possa ser substituída pela borracha sintética, a impossibilidade de se produzir quimicamente um polímero com as mesmas qualidades do natural, faz com que ela tenha características únicas, sendo empregada, principalmente, na confecção de luvas cirúrgicas, preservativos, pneus de automóveis e caminhões. A indústria de pneumáticos consome aproximadamente 80% da borracha natural produzida. Nesse sentido, a produção de borracha natural se torna imprescindível na fabricação de uma série de artefatos de suma importância na vida do homem moderno, em praticamente todos os países, Estados e municípios.

No contexto mundial, projeções indicam que o consumo crescerá mais que a produção e alguns especialistas estimam que no ano de 2020 o consumo de borracha natural será de 9,71 milhões de toneladas para uma produção de 7,06 milhões de toneladas. Neste sentido, a renovação de seringais antigos e o incremento de novos, além da manutenção de um preço favorável da borracha natural no mercado internacional, são medidas que devem ser adotadas para suprir o déficit da mesma no Brasil e no mundo.

Rodrigo Souza Santos

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Fonte: www.cdcc.sc.usp.br

Seringueira

Árvore que Chora

Exploração da borracha

A exploração econômica da borracha natural da Amazônia foi certamente o mais importante fator de geração de riqueza na História desta Região, no breve período compreendido entre a última década do século XIX e a primeira do século XX.

Tangidos pela seca

A partir da terrível seca que assolou o nordeste brasileiro em 1877, grandes contingentes de mão-de-obra deslocaram-se para o interior da Amazônia, intensificando a exploração da borracha, até então praticamente restrita ao Pará.

Enriquecimento fácil

O Amazonas tornou-se a alternativa de sobrevivência dos migrantes nordestinos e converteu-se no El Dorado dos exploradores de diferentes procedências atraídos pelas perspectivas de enriquecimento fácil.

Além do seringal

O seringal era destino de quase todos os nordestinos. Alguns buscavam ocupação em Manaus, fixando-se quase sempre nas áreas periféricas às margens dos igarapés e ajudando a formar os arrabaldes distantes – cachoeirinha, São Raimundo, Tocos, Educandos...

Navegação a vapor

O início da navegação a vapor no Rio Amazonas, no começo da década de 1850, com a implantação de linhas regulares de transportes da Companhia de Navegação e Comércio da Amazônia, do Barão de Mauá, e da Companhia Fluvial do Alto Amazonas, de Alexandre Amorim, permitiu a ligação de Manaus a Belém e aos altos dos rios Negro, Madeira, Purus e Solimões, chegando até o porto de Nauta, no Peru. A abertura dos portos do rio Amazonas à navegação internacional (Decreto Imperial n.o 3749, de 07 de dezembro de 1866) foi outro fator que deu impulso à exploração do látex na Região.

O DESCOBRIMENTO DA HÉVEA

Contribuição indígena

No caso particular da Amazônia, a contribuição do índio apresenta-se com uma importância verdadeiramente impressionante. Assim, o que caracteriza a vida regional, nos seus aspectos mais típicos e mais permanentes, tem de ser atribuído ao indígena.

Cambetas e omáguas

Na Amazônia, a utilização da goma foi realizada pelos Cambetas ou Omáguas, que ocupavam uma vasta área do Solimões-Marañon. Índios, do grupo tupi-guarani, destacavam-se pela agilidade no manejo das embarcações que corriam a rede hídrica.

Atividade mercantil

Quando, em 1743, Charles Marie de La Condamine desceu o Amazonas, em demanda do Atlântico, comissionada pela Academia de Ciência de Paris para a medição do arco do meridiano, no Equador, já se registrava um interessante movimento mercantil em torno da borracha.

La Condamine, que viajava pela Amazônia Portuguesa, cercados das atenções oficiais em face de ordens terminantes de D. João V, que atendia à solicitação feita por Luís XV, já conhecera a indústria silvestre no Equador. Recolhera algumas amostras do látex. La Condamine apresentou os resultados obtidos sobre a borracha à Academia de Ciências, em Paris.

Nos primeiros momentos, não houve interesse maior, conquanto em 1770 Pristley houvesse vulgarizado na Inglaterra o uso da goma elástica indígena para apagar traços deixados pelo lápis. Em dez anos, seria possível empregar a borracha na fabricação de objetos cirúrgicos.

O ESPLENDOR DA ECONOMIA GOMÍFERA

O progresso das técnicas, resultantes da Revolução Industrial e com elas o progresso do invento de utilidades, criou, no século XIX, condições especiais ao desenvolvimento do capitalismo.

Todo um novo status se foi, assim, constituindo e assegurando às sociedades da Europa e dos Estados Unidos, com os créditos de superioridade de que se julgaram monopolizadores, aquela força imperial que as levou a competições, a novos empreendimentos para ampliação dos espaços coloniais, a inversões vultosas na indústria pesada, imperialismo político e econômico, em última análise, à fortificação do sistema capitalista.

Arrocho

A técnica de extração do látex da seringueira, chamada arrocho, era extremamente prejudicial à árvore, causando-lhe a morte rápida. O arrocho consistia em ferir a seringueira de alto a baixo e, em seguida, amarrá-la fortemente com cipós, visando extrair todo o seu látex de uma só vez.

Xingu e Tapajós

A maior cotação vinha do Xingu e do Tapajós, cujos manadeiros iam sendo atingidos. Às suas margens, abriam-se seringais. A produção paraense, entre 1898 e 1904, alcançara 11.962 toneladas.

Belém e Manaus

A borracha trazida dos seringais era desembarcada em Belém ou em Manaus, onde pagava os direitos de exportação que os Estados do Amazonas e Pará cobravam. Assim, procedia-se à passagem e à classificação, sob a fiscalização dos interessados, as firmas comerciais que adquiriam para os centros consumidores dos Estados Unidos e da Inglaterra.

A classificação ocorria em duas operações:

a) A pele era cortada ao meio para se lhe tirar toda e qualquer impureza que, porventura, contivesse.

b) Depois do corte, passava-se à segunda fase de classificação: “fina”, “entrefina” e “sernambi”. A primeira, também conhecida por “parafina”, era de primeira qualidade; a segunda apresentava impurezas decorrentes do preparo mal-acabado; a terceira constituía-se de produto feito com restos de látex que caía ao solo e vinha, assim, de mistura com terra e com outras impurezas.

Havia ainda uma borracha menos resistente, a “fraca”, retirada de árvores que produziam um látex pobre, aguado. Era produzida em Autazes, no Solimões e no rio Negro (nas várias ilhas). Encerradas as duas operações, passava-se ao encaixotamento para embarque nos armazéns das firmas que se ligavam aos negócios.

A ESTRUTURA ECONÔMICA

Sacrifício

Para explorar essa atividade econômica, exigia-se muito sacrifício. As seringueiras eram dispersas e distantes, tornando difícil a extração do látex.

Atividade predatória

E a dispersão da espécie levava à dispersão do homem, que não se sedentarizava. A extração era feita de forma predatória. As zonas de extração cedo empobreciam.

Fonte: www.linguativa.com.br

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