Espécie nativa da região amazônica, pertencente à família Euphorbiaceae, podendo atingir até 40 m de altura. Em condições de cultivo alcança 15 a 20 m.
Possui flores unissexuais, amarelas e pequenas; folhas pecioladas e repartidas em três folíolos, e fruto contendo três sementes. Planta produtora de borracha natural, produto largamente utilizado na fabricação de pneumáticos e em grande número de manufaturados.
Clones de alto rendimento. Recomenda-se para o litoral, clones tolerantes ao mal-das-folhas.
Atualmente, são indicadas para o Planalto Paulista: PB 235, RRIM 600, PR 255, PR 261, IAN 873 e GT 1.
Para o litoral: Fx 3864, Fx 2261, IAN 873, IAN 717 e Fx 3028.
Solos com permeabilidade e profundidade adequadas e pH entre 3,8 e 6,0 (ótimo: 4,0 a 5,5). Evitar regiões frias e baixadas sujeitas a geadas.
Mais favorável no início da estação das águas.
Mudas formadas no próprio saco plástico ou toco parafinado transplantado para o saco plástico com um ou dois lançamentos maduros.
7 a 8 m, entre as linhas de plantio e 2,5 a 3,0 m entre as plantas na linha.
Ideal 500 plantas por hectare.
Covas nas dimensões de 0,4 x 0,4 x 0,5 m com uso da cavadeira ou em sulcos. Plantio em nível.
Plantar em nível mantendo o solo vegetado no período das chuvas.
Segundo a análise de solo, aplicar calcário para elevar a saturação por bases a 50%, usando preferivelmente calcário dolomítico, até a dose de 2 t/ha.
A adubação de plantio, por cova, corresponde a 30 g de P2O5 e 30 g de K2O e 20 a 30 litros de esterco de curral bem curtido, quando disponível; para solos deficientes, acrescentar 5 g de zinco. Cerca de um mês após o plantio, aplicar 30 g de N por planta, em cobertura, repetindo essa aplicação mais duas vezes durante o decorrer do 1.° ano.
A adubação de formação e exploração corresponde a 80 g/planta de N, 40 a 80 g/planta de P2O5 e 40 a 80 g/planta de K2O, durante o 2.° e 3.° ano; do 4.° ao 6.° ano aplicar 120 g/planta de N, 60 a 120 g/planta de P2O5 e 60 a 120 g/planta de K2O; do 7.° ao 15.°, aplicar 120 g/planta de N, 60 a 100 g/planta de P2O5 e 60 a 120 g/planta de K2O; e do 16.° ao 25.° ano, aplicar 100 g/planta de N, 40 a 80 g/planta de P2O5 e 60 a 100 g/planta de K2O. Parcelar a aplicação de fertilizantes, em duas vezes, a 1.a no início e a 2.a no final da estação das águas.
Na formação - controlar plantas daninhas com herbicidas específicos ou capinas manuais; desbrotar para livrar o tronco até 2m. Fazer formação de copa com anelamento da haste, quando necessário. Adulto - controle do mato com capinas ou herbicidas nas fileiras. Roçar as entrelinhas.
Indicado até o 3.° ou 4.° ano de formação; culturas anuais recomendadas - feijão, soja, milho etc; e perenes - palmito, café, cacau, etc. Tomar o cuidado de respeitar uma faixa de pelo menos um metro de cada lado da linha de seringueira, para evitar competição por nutrientes.
No litoral, clones tolerantes ao mal-das-folhas (Mycrocyclus ulei), doença que não é problema no planalto. Em viveiros irrigados, em determinadas épocas do ano, usar benomyl, triadimefom, enbuconazole methyl, propiconazole, mancozeb e chlorotalonil.
Antracnose ocorre em folíolos jovens e painel de sangria.
Folíolos: fungicidas cúpricos e chlorotalonil.
Painel: fungicidas á base de chlorotalonil, propiconazole e mancozeb.
Oídio (Oidium heveae): enxofre.
O látex é colhido o ano todo com sangrias a cada três, quatro, cinco ou até sete dias. Sugere-se o uso de estimulantes após visitação técnica.
Varia com o clone e a idade de sangria. Entretanto, a produtividade média de borracha seca nos seringais no Estado gira em torno de 1.000 kg/ha ao ano.
A introdução da seringueira no Estado de São Paulo foi conduzida em 1917, pelo Coronel José Procópio de Araújo Ferraz, proprietário da Fazenda Santa Sofia, localizada no município de Gavião Peixoto. Interessado na cultura, o coronel recebeu sementes do então Marechal Cândido Rondon, que percorria a Amazônia em expedições. Entre as remessas recebidas compostas por alguns milhares de sementes, apenas 27 germinaram.
Em 1944, sementes dessas árvores pioneiras foram adquiridas pelo Instituto Agronômico (IAC), foram instalados lotes, ainda hoje, existentes nas antigas Estações Experimentais de Pindorama, Ribeirão Preto e Fazenda Santa Elisa, hoje Centro Experimental de Campinas (CEC.
O fato do Brasil ter se tornado importador de borracha natural em 1951, despertou interesse no estudo na cultura da seringueira. Para tanto, em 1952, o Instituto Agronômico importou da Companhia Firestone na Libéria, cerca de 581 kg de sementes híbridas do cruzamento natural dos clones Tjir 1 x Tjir 16, oriundos de pomares de sementes, sendo plantados em seis locais inclusive nas Estações Experimentais de Ubatuba e Pindamonhangaba do IAC.
Simultaneamente providenciava a introdução do oriente de dezenas de clones de alta produção. Em resposta a iniciativa do IAC criou-se em São Paulo o Serviço de Expansão da Seringueira (SES), hoje extinto. Em 1961, apareceu no litoral do Estado, o mal-das-folhas causado pelo fungo Microcyclus ulei (P. Henn.) von Arx.
Em função do mal-das-folhas no litoral, tentou-se a implantação dessa cultura no planalto paulista. A existência de lotes com ótimo desenvolvimento em alguns locais do planalto ensejava um futuro promissor para heveicultura. Do mútuo trabalho do SES e do IAC, surgiram os primeiros seringais racionais em terras do planalto paulista.

Inflorescência da seringueira do tipo panícula

Polinização controlada da seringueira onde observa-se a introdução do andróforo

Fruto tricoca da seringueira

Sementes policlonais de seringueira

Viveiro de porta-enxertos aptos a enxertia para produção de mudas

Teste precoce de produção HMM utilizado na seleção

Consorciação de Palmito com seringueira

Consorciação de café com seringueira

Painel da seringueira no ato da sangria

Painel da seringueira sob efeito da sangria

Seringal jovem com 3 anos de idade com copas recentemente abertas

Seringal adulto em plena fase de explotação do látex
PAULO DE SOUZA GONÇALVES
Fonte: www.iac.sp.gov.br