Facebook do Portal São Francisco Twitter do Portal de Educação Curtir
Home  Seringueiros - Página 2  Voltar

Seringueiros

Seringueiro é o profissional que trabalha com e extração do látex, um líquido grosso da árvore chamada Seringueira, matéria-prima da borracha natural.

Para a extração do látex, o profissional sangra a árvore, fazendo talhos, e coloca sobre a sangria uma cuia ou bacia para aparar o líquido.

Depois o látex é defumado, para ser endurecido e transformado em bolas, chamadas pélas, que chegam a pesar até 40 quilos.

Atualmente, já existem muitas técnicas de produção da borracha industrialmente, que elimina as impurezas da matéria-prima e tem como produto final uma borracha resistente e imperecível.

As Seringueiras se encontram no meio de florestas e matas, sempre em lugares de difícil acesso, portanto o seringueiro deve sempre conhecer bem a região e as características da árvore.

Quais as características desejáveis para ser um seringueiro?

Para ser um seringueiro é necessário ter conhecimento sobre a região explorada, sobre as características da planta e sobre as técnicas utilizadas na produção da borracha.

Outras características interessantes são:

Força física
Metodologia
Facilidade de lidar com a natureza
Responsabilidade
Consciência ambiental
Resistência
Técnica

Qual a formação necessária para ser um seringueiro?

Não existe formação específica necessária para ser um seringueiro, entretanto, por ser uma atividade extrativista, é necessário conhecimento de diversas técnicas, de características da árvore e do meio ambiente em que está inserida. Além disso, por ser uma atividade econômica muito importante, na extração em grande escala, há todo um planejamento, e, muitas vezes, há um profissional projetista ou engenheiro ambiental que coordena o trabalho dos seringueiros.

Principais atividades de um seringueiro:

Reconhecer o ambiente e a região a ser explorada
Verificar as condições das Seringueiras
Preparar o equipamento necessário
Realizar a sangria
Recolher o material extraído
Defumar a borracha
Realizar técnicas de produção
Vender o látex defumado, ou a própria matéria-prima para indústrias, ou até mesmo confeccionar objetos

Áreas de atuação e especialidades

O seringueiro trabalha sempre na extração de látex da Seringueira, podendo recolher até 20 litros de látex por dia. É uma atividade muito importante para a economia, porém, o seringueiro fica com a menor parte do que produz, pois geralmente precisa dar, ou vender uma parte da produção para o dono das terras (a maioria dos casos é de arrendamento), ou pode ainda vender diretamente às fábricas. Como o produto bruto sempre tem menos valor do que o elaborado e processado, o seringueiro não tem grande participação nos lucros da borracha.

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho para o seringueiro é restrito à região Norte, por ser, a Seringueira, de lá originária.

Curiosidades

Os primeiros a descobrir e fazer uso das propriedades da borracha foram os índios centro-americanos, entretanto, foi na Floresta Amazônica que se desenvolveu a atividade de extração da borracha, a partir da Seringueira (Havea brasiliensis), uma árvore pertencente à família das Euphorbiaceae, também conhecida como "árvore da fortuna".

Do caule da seringueira é extraído um líquido branco, chamado látex, em cuja composição ocorre, em média, 35% de hidrocarbonetos, destacando-se o 2-metil-1,3-butadieno (C5H8), comercialmente conhecido como isopreno, o monômero da borracha.

A história da borracha no Brasil é composta por ciclos:

Primeiro ciclo (1879-1912): com a Revolução Industrial e o desenvolvimento tecnológico na Europa a procura pela borracha natural, produto até então exclusivamente da Amazônia, aumentou vertiginosamente, juntamente com seu preço. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se de imediato muito lucrativa.

A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, o que fez com que diversas pessoas viessem ao Brasil na intenção de conhecer a seringueira e os métodos e processos de extração, com o objetivo de lucrar também com esse produto. Nessa época, Belém e Manaus, que já existiam, passaram então por importante transformação e urbanização. Manaus foi a primeira cidade brasileira a ser urbanizada e a segunda a possuir energia elétrica - a primeira foi Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.

Segundo ciclo (1942 - 1945): Após o apogeu e declínio do primeiro ciclo da borracaha, a Amazônia viveria outro ciclo da borracha durante a Segunda Guerra Mundial, embora por pouco tempo.

Como forças japonesas dominaram militarmente o Pacífico Sul nos primeiros meses de 1942 e invadiram também a Malásia, o controle dos seringais passou a estar nas mãos dos nipônicos, o que culminou na queda de 97% da produção da borracha asiática.Isto resultaria na implantação de mais alguns elementos, inclusive de infra-estrutura, apenas em Belém, desta vez por parte dos Estados Unidos.

A exemplo disso, temos o Banco de Crédito da Borracha, atual BASA; o Grande Hotel, luxuoso hotel construído em Belém em apenas 3 anos, onde hoje é o Hilton Hotel; o aeroporto de Belém; a base aérea de Belém; entre outros. Os finais abruptos do primeiro e do segundo ciclo da borracha demonstraram a incapacidade empresarial e falta de visão da classe dominante e dos políticos da região. O final da guerra conduziu, pela segunda vez, à perda da chance de fazer vingar esta atividade econômica.

Não se fomentou qualquer plano de efetivo desenvolvimento sustentado na região, o que gerou reflexos imediatos: assim que terminou a segunda guerra mundial, tanto as economias de vencedores como de vencidos se reorganizaram na Europa e na Ásia, fazendo cessar novamente as atividades nos velhos e ineficientes seringais da Amazônia.

Fonte: www.brasilprofissoes.com.br

Seringueiros

Na época das cheias as àguas dos rios amazônicos lambem os barracos ribeirinhos

Seringueiros e Ribeirinhos

Os seringueiros acreanos são oriundos dos estados do nordeste do Brasil, sobretudo do Ceará. Vieram para o Acre, primeiramente, motivados pela seca que atingiu o nordeste a partir de 1877, arrasando as plantações e criações de animais.

Vieram também, em grande parte, motivados pela busca de melhoria de vida através do tão falado "ouro negro" (a borracha). Já chegavam endividados pelos custos gerados pela longa viagem, e logo se viam obrigados a aumentar sua dívida adquirindo junto ao patrão seringalista os mantimentos e ferramentas necessárias para a sobrevivência e o trabalho diário na extração do látex.

Carne seca, espingarda, munição, a faca de cortar seringa, o balde, eram alguns dos utensílios que o barracão costumava fornecer. Essa forma de endividamento ficou historicamente conhecida por "sistema de aviamento", através do qual o seringueiro tinha que se aviar com o patrão, que ditava os preços. Nesse sentido, era quase impossível o seringueiro se libertar do patrão.

De início, como não conheciam ainda as técnicas do corte e de sobrevivência na floresta, eram apelidados de "brabos", denominação que carregavam consigo até adquirirem experiência com a nova rotina com a qual se deparavam. O seringueiro passou a trabalhar duro, diariamente, se dedicando exclusivamente à extração da seringa, pois inicialmente não podia plantar, nem para subsistência, nem tão pouco criar animais.

Essa realidade só começou mudar quando, em 1913, a produção dos seringais de plantio da Ásia superou a produção brasileira ocasionando uma queda no preço do produto, levando os seringais da Amazônia a uma grave crise. A partir de então, o seringueiro converteu-se em agricultor e criador de pequenos animais e, após ter sobrevivido à crise do primeiro ciclo da borracha, desenvolveu uma economia familiar baseada em múltiplos usos dos recursos da floresta, da qual ele passou a ser profundo conhecedor.

A Segunda Guerra Mundial impulsionou o que chamamos de segundo ciclo da borracha.

Isso se deu, após a tomada dos seringais asiáticos pelos japoneses privando os países aliados contra o nazismo do produto que ficou conhecido como nervo da guerra: a borracha.

O governo brasileiro, incentivado pelos norte-americanos, promoveu uma política de estímulo à produção da borracha dando início à "batalha da borracha". Surgiu então a figura do "soldado da borracha" recrutado do nordeste do país para os seringais da Amazônia, objetivando o aumento da produção da seringa.

O fim da guerra causou nova queda nos preços do produto e a conseqüente falência dos seringais. A maioria dos seringalistas falidos abandonou suas propriedades dando origem a uma nova categoria nas relações de trabalho que é a do seringueiro autônomo, onde o mesmo passou a viver livre dos laços de dependência com o patrão. Ganha força a figura do marreteiro, comerciante ambulante, que percorria os seringais viajando pelos rios e varadouros oferecendo produtos diretamente aos seringueiros, o que muito incomodava os seringalistas donos de barracão.

Na década de 70, tem início uma nova fase na trajetória de lutas dos seringueiros acreanos. Isso porque o governo federal, com apoio do governo estadual passou a oferecer incentivos fiscais para a implantação da pecuária na região. Fazendeiros, vindos do centro-sul do país adquiriam terras a preços baixos e nela passaram a plantar pasto para a criação de gado. Vinham do Paraná, Mato Grosso ou São Paulo, mas ficaram mesmo conhecidos por "paulistas".

Essa política forçou o êxodo de seringueiros e extrativistas para as periferias das cidades e para o país vizinho, a Bolívia. Os que se recusaram a sair das colocações se organizaram com a ajuda da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), criando os sindicatos de trabalhadores rurais que atuaram na defesa da floresta e na briga pelo direito a terra.

Os seringueiros passaram a praticar os "empates", manifestação pacífica em que protegiam as árvores se posicionado a frente delas numa forma de impedir a derrubada, o desmatamento.

A luta pela terra ocasionou a morte de muitas lideranças sindicais no Acre, como Wilson Pinheiro, Evair Higino e Chico Mendes. Francisco Alves Mendes Filho ficou conhecido mundialmente pela luta em favor da preservação do modo de vida das populações tradicionais. Ele propôs a união dos povos da floresta buscando unir os interesses dos índios, seringueiros e ribeirinhos. Por insistir nesse ideal foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988, uma semana após completar 44 anos.

A criação das Reservas Extrativistas como Unidades de conservação de Uso Direto, definidas como territórios destinados ao uso por populações com tradição no uso sustentável dos recursos naturais, representa um marco na trajetória de lutas dos seringueiros acreanos.

A primeira delas, criada em janeiro de 1990, foi a Reserva Extrativista do Alto Juruá. Em março do mesmo ano foi criada a Reserva Extrativista Chico Mendes.

É preciso conhecer a trajetória de lutas dos seringueiros acreanos pela sobrevivência na floresta, pela defesa da floresta, e reconhecer os conhecimentos adquiridos ao longo da vivência na floresta.

Ribeirinhos

A ocupação das terras do Acre se deu primeiramente através dos rios, em cujas margens formaram-se os seringais e posteriormente as sedes dos primeiros municípios do Estado. Foi às margens dos rios Acre, Purus, Iaco, Envira, Tarauacá, Juruá e seus afluentes que se estabeleceu uma forma de organização social onde o principal meio de transporte é fluvial.

A relação do ribeirinho com o rio, entretanto, não se restringe à sua utilização como meio de locomoção. O cultivo contínuo da região de várzea no período de seca, a pesca e os banhos de rio fazem parte de sua rotina.

É em meio a esse universo que lendas como a do boto são contadas, recriadas e fortalecidas como um componente importante do imaginário das populações que habitam as margens dos rios acreanos.

A maior parte da população ribeirinha do Acre está estabelecida nas regionais do Juruá e do Tarauacá/Envira, onde busca diversificar uma economia de subsistência através do cultivo de frutas, hortaliças e criação de pequenos animais, complementando com a caça, a pesca e o extrativismo vegetal.

Fonte: www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br

voltar 12avançar
Sobre o Portal | Politica de Privacidade | Fale Conosco | Anuncie | Indique o Portal