O Material Fotosensível
1727 - O alemão, Johann Heirich Schulze, professor de anatomia de Altdorf, descobre e comprova que o fenômeno do engrecimento da prata se deve a incidência da luz. O primeiro passo para fixar a imagem reproduzida na caixa escura sem ter que chegar a copiá-la ou colar a mão, ocorreu realizando uma demonstração da investigação experimental sobre a sensibilidade à luz do nitrato de prata.
Joseph Nicéphore Niépce
O mérito da obtenção da primeira imagem duradoura, fixa e inalterável à luz pertence ao francês Joseph Nicéphore Niépce. (1765-1833).
As primeiras imagens positivas diretas as conseguiu utilizando placas de peltre (liga de metais de zinco, estanho e chumbo) cobrindo-as de graxa da Judéia e fixadas com azeite de lavanda. Nicéphore utilizou uma câmera escura modificada e impressionou em 1827 com a vista do pátio de sua casa captando a primeira fotografia permanente da História. A este procedimento lhe chamou heliografia Não obstante Nicéphore, não conseguiu um método para revestir as imagens, e preferiu começar a pesquisar um sistema para obter positivos diretos. Também tropeçou com o problema das extensíssimas exposições.
Amostra da fotografia fixada por Josep Nicéphore Niépce

Esta imagem tomada em 1822 fixada por Josep Nicéphore Niépce,
mostra um ângulo de sua habitação de trabalho.
Louis Jacques Mande Daguerre, vinte anos mais jovem que Niépce e famoso pintor, estava interessado na forma de fixar a luz com sua câmera escura e ao inteirar-se dos trabalhos de Niépce lhe escreveu para conhecer seus métodos, mas este se negava com evasivas; depois de visitar-lhe várias vezes e tentar convencê-lo para associar-se, deu por inúteis suas tentativas e se lançou a pesquisar tenazmente.
Em 1835 Jacques Daguerre publicou seus primeiros resultados do seu experimento, processo que chamou Daguerrotipo, consistente em lâminas de cobre plateadas e tratadas com vapores de Iodo. Reduziu ademais os tempos de exposição para 15 ou 30 minutos, conseguindo uma imagem mal visível, que posteriormente revelava em vapores quentes de mercúrio e fixava lavando com água quente com sal. O verdadeiro fixador não o conseguiu até dois anos mais tarde. Alguns dos daguerrotipos que produziu se conservam ainda na atualidade.
O Daguerreótipo

Daguerreótipo. Ilustração do livro Elementos de física
y nociones de meteorología, 1895, Bernardo Rodríguez Largo
Daguerre e Niepce trocaram correspondência e se tornaram sócios nos conhecimentos a respeito da nova invenção que compartilharam: o daguerreótipo.
Niepce era velho e morreu antes que pudesse apresentar o seu invento. Assim Daguerre pode ter a glória da invenção da fotografia e até mesmo vendê-la ao governo francês em troca de uma pensão vitalícia.
O daguerreótipo utiliza-se de uma propriedade da prata de tornar-se enegrecida quando é exposta a luz e assim formar uma imagem. Que é negra nos locais onde a prata recebe intensa quantidade de luz, cinzenta onde recebe média intensidade e branca (ou inalterada) onde nenhuma luz a atinge. Apesar desta técnica fotográfica basear-se na prata, ela nada tem a ver com a fotografia como a conhecemos atualmente.
A técnica do daguerreótipo consistia de usar como material sensível a luz uma placa revestida de prata e sensibilizada com o iodeto de prata, que depois de exposta era revelada com vapor de mercúrio aquecido. E finalmente fixada com tiossulfato de sódio, conhecido como o hipossulfito dos fotógrafos.
Vários foram os motivos que fizeram com que o daguerreótipo não sobrevivesse por mais do que algumas décadas: apesar da alta qualidade das imagens, a mesma era invertida lateralmente e produzia imagens que eram as vezes vistas de um ângulo em positivo e em outro negativo ou as duas coisas ao mesmo tempo. Não era possível ter cópias ou mesmo ampliá-las, sem contar que o processo utilizava-se de vapor de mercúrio que é extremamente tóxico.
A invenção de uma lente dupla (acromática) muito luminosa, com abertura de f 3.6 pelo Húngaro Josef Petzval trouxe uma contribuição importante para a popularização do daguerreótipo, pois diminuiu em 30 vezes os tempos de exposição que eram em torno de 15 a 30 minutos naquela época.
Daguerre e o daguerreótipo

Robert Cornelius - fotógrafo - 1809-1893, Daguerreótipo feito
pelo próprio Roberto Cornelius
No final de 1829 Daguerre e Niépce formaram uma sociedade na qual se reconhecia a este último como inventor.
Morto Niépce em 1833, passa as mãos de Daguerre o invento de forma quase completa.
O filho de Niépce herdou os direitos do pai em seu contrato, mas depois de várias modificações; aproveitando a maltrecha economia do herdeiro, o nome de Daguerre seria o único que apareceria como criador do invento.
Aperfeiçoou-o com a ação do vapor de mercúrio sobre o yoduro de prata e depois com a possibilidade de dissolver o yoduro residual numa solução quente a base de sal comum.
O lançamento se produziu de 1838 a 1839
Daguerre se converte numa iminência reconhecida e premiada. Imediatamente começa a fabricar uma série de material fotográfico fazendo demonstrações em público; em uma delas ficou refletida num livreto de doze páginas de grande rigor, publicando o descobrimento do segredo que encerrava. Sem contribuir com nenhuma nova melhora importante morre em 1851.
Daguerre ao invés de Niépce contribuiu do lado mercantilista e espetacular com um procedimento cuja originalidade lhe era própria. Ainda que se tratava de algo custoso e de difícil manipulação, que tão só produzia uma prova única não multiplicável. Pese a seus defeitos se propagou por todo mundo, abrindo definitivamente o caminho à fotografia.