No dia 17 de janeiro de 1840, seis meses após o anúncio oficial do advento da fotografia, uma experiência de daguerreotipia foi realizada no Largo do Paço Imperial na cidade do Rio de Janeiro, pelo abade Louis Compte. Sabemos pelos anúncios dos jornais da época que no navio-escola L’Orientale, viajava o Abade Compte encarregado de propagar o advento da fotografia ao mundo. Suas experiências foram realizadas em Salvador, em dezembro de 1839, no Rio de Janeiro e em Buenos Aires, mas apenas o daguerreótipo de 17 de janeiro, tomado no Largo do Paço, sobreviveu aos nossos dias e pertence à família Imperial, ramo Petrópolis.

Abade Louis Compte. Paço Imperial do Rio de Janeiro. Daguerreótipo,
1840.
O Jornal do Commercio registrou: “É preciso ter visto a cousa com os seus próprios olhos para se fazer idéia da rapidez e do resultado da operação. Em menos de nove minutos o chafariz do Largo do Paço, a praça do Peixe, o Mosteiro de São Bento, e todos os outros objetos circunstantes se acharam reproduzidos com tal fidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a cousa tinha sido feita pela própria mão da natureza, e quase sem intervenção do artista.”

D. Pedro II. Autorretrato, c. 1855.
Se relativizarmos a questão do tempo e do espaço, seis meses na primeira metade do século XIX é um período pequeno para a fotografia ser disseminada mundo afora. Nessa experiência realizada no Rio de Janeiro, um jovem de 14 anos ficou, como todos os presentes, encantado e estupefato com o resultado. Era D. Pedro II que encomendou um aparelho de daguerreotipia e tornou-se o primeiro fotógrafo amador brasileiro. Esse impulso, somado a uma série de iniciativas pioneiras do Imperador, como a criação do título “Photographo da Casa Imperial” a partir de 1851, atribuído a 23 profissionais (17 no Brasil e 6 no exterior), coloca a produção fotográfica do século XIX como a mais importante da América Latina, qualitativa e quantitativamente falando. E Marc Ferrez, que recebeu o título de “Photographo da Marinha Imperial”, talvez seja o exemplo mais emblemático dessa produção, já que seu trabalho tem hoje reconhecimento internacional frente à produção do século XIX.
A primeira grande sistematização da fotografia brasileira foi publicada no Rio de Janeiro, em 1946, pelo historiador Gilberto Ferrez (1908-2000), neto e herdeiro do fotógrafo, na Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Nº 10. O ensaio A Fotografia no Brasil e um de seus mais dedicados servidores: Marc Ferrez (1843-1923) ocupava as páginas 169-304, já trazia boas fotografias da sua coleção e buscava mapear o movimento da fotografia no período estudado. Trinta anos mais tarde, o historiador e professor Boris Kossoy, mostrou ao mundo que o francês Antoine Hercule Romuald Florence (1804-1879), isoladamente na cidade Vila da São Carlos, atual Campinas, descobre em 1832 os processos de registro da imagem fotográfica. E mais, escreve a palavra photographia para denominar o processo. As pesquisas do professor Kossoy, desenvolvidas a partir de 1973 e comprovadas nos laboratórios de Rochester, nos Estados Unidos, ganharam as páginas das principais revistas de arte e fotografia do mundo, entre elas, a Art Forum, de fevereiro de 1976 e a Popular Photography, de novembro de 1976. No mesmo ano foi publicada a primeira edição do livro Hercules Florence 1833: a descoberta isolada da fotografia no Brasil, agora na terceira edição ampliada pela EDUSP.

Retrato de Hercules Florence, 1875
A tese demonstrou que esse fato isolado provocou uma reviravolta e uma nova interpretação da história da fotografia, que tem agora seu início não mais em Nièpce e Daguerre, mas é entendida como uma série de iniciativas de pesquisa que foram desenvolvidas quase simultaneamente, gestando o advento da fotografia. Uma nova história da fotografia relaciona os nomes dos pioneiros sem hierarquizá-los ou priorizá-los do ponto de vista da descoberta. É importante nos lembrarmos destas nossas iniciativas pioneiras, pois além de sistematizarem uma história mínima, nos propiciaram a possibilidade de buscar e relacionar outras fontes e trazer à superfície a história de muitos outros profissionais que desenvolveram incríveis trabalhos de documentação e linguagem. O novo gesta-se no conhecido, uma idéia que dá importância ao conhecimento acumulado por todos aqueles que têm preocupação de pesquisar e democratizar informações com o intuito de que outros pesquisadores desenvolvam novas reflexões e indagações diversas a partir do que foi estabelecido.
Nesses últimos anos, diversos livros foram publicados sobre a produção fotográfica brasileira produzida no século XIX e primeira metade do século XX, enriquecendo a iconografia conhecida e agregando alguns dados novos sobre a biografia dos fotógrafos e suas trajetórias profissionais. Além disso, o interesse despertado em jovens pesquisadores, em todo o Brasil, evidencia a urgência de sistematizar informações, divulgar acervos e coleções e estabelecer parâmetros de análise e crítica sobre a produção e preservação fotográfica. Dezenas de dissertações de Mestrado e teses de Doutorado foram apresentadas nos últimos anos, algumas delas já publicadas, demonstrando que precisamos encorpar, relacionar e preservar nossa fotografia, bem como discutir a produção contemporânea com o intuito de produzir um corpus mínimo capaz de facilitar nossa compreensão sobre a fotografia enquanto fato cultural da maior importância para a identidade e memória de um povo.
Fonte: www.iconica.com.br
A ORIGEM DA FOTOGRAFIA NO BRASIL
O Brasil foi o primeiro país da America Latina a conhecer a fotografia.
Em 1830 um Francês chamado Hercules Florence já tinha descoberto isoladamente o processo fotográfico.
Foi somente em 1840, alguns meses após Daguerre anunciar a Daguerreotipia, que a fotografia oficialmente chegou ao Brasil pelas mãos deLouis Compte.
A ORIGEM DA FOTOGRAFIA NO BRASIL
Antoine Hercules Romuald Florence, era francês de Nice, e chegou ao Brasil com 2º desenhista da expedição do Barão de Langsdorff no ano de 1824.
Em 1830 Hercules Florence desenvolveu um processo fotográfico que chamou de Pholygraphie.
A Pholygraphie foi usada para imprimir rótulos de remédio e diplomas da Marçonaria.
Seu feito só foi reconhecido 140 anos depois através das pesquisa do estudioso de fotografia brasileira Boris Kossoy, nos anos 60.
A ORIGEM DA FOTOGRAFIA NO BRASIL
O abáde francês Luiz Compte, chega ao Brasil com a expedição franco-belga da fragata L’Orientale em janeiro de 1840.
Atônita a população do Rio de Janeiro assite a uma demonstração
de Daguerreotipia no Paço Imperial.
A imprensa nacional dá ampla cobertura: “He preciso ter visto a cousa com seus próprios olhos...” anuncia o Jornal do Commercio.
O Imperador Don Pedro II ná epoca com 15 anos assite entusiasmado o espetáculo e compra alguns daguerreótipos de Compte.
A ORIGEM DA FOTOGRAFIA NO BRASIL
Fotógrafos europeus na década de 40 vieram para o Brasil e se estabeleceram Inicialmente nas cidades portuárias como Recife, Salvador e Rio de Janeiro.
Na Paraíba os primeiros registro fotográficos a partir de 1850, por fotógrafos vindos de Recife. Em 1861 foi publicado o primeiro livro de Fotografia no Brasil “Brazil Pittoresco” de Victor Front.
Com o surgimento do Ambrotipo e do Ferrotipo a fotografia se tornou acessível a maioria das pessoas. As oportunidades de ganhar dinheiro com a elite rural, fez com que muitos fotógrafos se dirigissem ao Interior do país.
Fonte: www.slideshare.net