INTRODUÇÃO
Antes de darmos início à questão principal que é a produção de imagens fotográficas por um processo alternativo, vamos fazer uma pequena introdução, buscando entender o princípio básico da fotografia que é a câmara (ou câmera) escura.
Quando falamos em câmara escura, estamos nos referindo a um espaço interior, um compartimento fechado.
Uma câmara escura pode ser, por exemplo, um quarto fechado, uma caverna, uma caixa ou mesmo o interior de uma lata.
A luz procedente de um objeto iluminado e que, através de uma pequena abertura, penetra o interior de uma câmara escura, reproduz lá dentro, em sua parede oposta à abertura, uma imagem invertida deste mesmo objeto.


Primeira Ilustração de uma Câmara Escura em 1544
A CÂMARA ESCURA
O fenômeno da câmara escura talvez acompanhe o homem desde os primórdios das cavernas.
Na Grécia Antiga, Aristóteles já se referia à câmara escura como instrumento de observação de eclipses solares.
Na Idade Média este fenômeno foi também conhecido e estudado, mas só a partir do século XV os estudiosos passaram a dar mais atenção a este fato mágico. Leonardo da Vinci, gênio da pintura, foi também um sábio que se dedicou ao estudo de diversas ciências. Examinou o fenômeno da câmara e demonstrou as possibilidades no uso para o desenho, facilitando enormemente a reprodução das imagens por esta produzida.
O termo "Pinhole" apareceu ainda no século 19, criado por David Brewster, um cientista inglês, que foi, possivelmente, o primeiro a fazer imagens fotográficas com uma câmera escura usando o pinhole. Daí para frente a tendência foi cada vez mais o aprimoramento da caixa. No sentido de melhorar a qualidade e facilitar a visualização da imagem, no lugar da pequena abertura foi colocada uma lente biconvexa.

Câmera escura para desenho em forma de mesa
já com lente biconvexa de 1769
FOTOGRAFIA PINHOLE
Pinhole é um processo alternativo de se fazer fotografia sem a necessidade
do uso de equipamentos convencionais. Sua câmera artesanal pode ser
construída facilmente utilizando-se materiais simples e de poucos elementos.
O nome inglês Pinhole ou Pin-Hole pode ser traduzido como “buraco
de agulha” por ser uma câmera fotográfica que não
possui lentes, tendo apenas um pequeno furo (de agulha) que funciona como
lente e diafragma fixo no lugar de uma objetiva.
Também conhecida como câmera estenopeica, a pinhole é basicamente um compartimento todo fechado onde não existe luz, ou seja, uma câmara escura com (normalmente um) pequeno orifício. A diferença básica da fotografia pinhole para uma convencional está em sua ótica. A imagem produzida em uma pinhole apresenta uma profundidade de campo quase infinita, ou seja, tem um foco suave em todos os planos da cena (tudo está focado).

CONSTRUÇÃO DA CÂMERA PINHOLE
Para se fazer uma pinhole é muito fácil; basta termos à mão o material necessário, que pode ser desde uma simples caixa de sapatos, latinha de leite em pó ou algo semelhante (desde que tenha tampa) como uma caixa de madeira um pouco mais elaborada.
O primeiro passo é transformar esta caixa numa câmara escura. Para isso é necessário escolhermos uma caixa com uma tampa que vede bem o interior da mesma. Com tinta preto-fosco pintamos o interior da câmara, inclusive a tampa. Podemos também utilizar um papel cartão preto para forrar a câmara, ao invés da tinta. O importante é mantermos a câmara realmente escura.
Depois, com o auxílio de uma agulha, furamos um pequeno buraco em uma das laterais da caixa/câmera.
Em alguns casos, onde a dureza do material usado para câmera não permite um furo perfeito (que é fundamental), devemos então fazer um buraco maior e colar sobre ele um pedaço de papel alumínio ou um retalho de latinha de cerveja e neste sim, fazermos o furinho de agulha. Isto irá facilitar e melhorar o trabalho.

