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História da Moeda no Brasil

 

História da Moeda no Brasil
História da Moeda no Brasil

Quando o Brasil começou a ser colonizado, o comércio interno era reduzido e as mercadorias eram trocadas por outras, esse comércio era conhecido como "escambo".

Tinha como unidade monetária o real português, também circulavam moedas hispano-americanas, porem sua circulação era pequena, então para facilitar a troca, alguns produtos assumiram a função de moeda como: o açúcar, boi, chá, condimentos etc.

O governador Constantino Menelau, no ano 1614 determinou que o açúcar tivesse valor como "moeda" então 15 kg (uma arroba) de açúcar branco foi fixado em 1.000 réis, o mascavo em 640 réis, e os de outras espécies em 320 réis.

A moeda sonante (dinheiro amoedado) vinha de Portugal porem a sua origem era espanhola, a qual era rica em reservas metálicas, ouro e prata extraída do seu império colonial.

De 1580 a 1640 tempo em que a Espanha dominou Portugal, o Brasil Colônia utilizava a moeda real hispano-americano, a qual era cunhada em Potosi (Bolívia). As moedas eram de meio, 1, 2, 4, 8 "reales" que era equivalente 20, 40, 80, 160 réis.

Quando a Holanda ocupou o Nordeste brasileiro em 1624, sob o seu domínio foi cunhada a primeira moeda no território nacional. Sua forma quadradas, pequenas, confeccionadas em ouro e prata, as quais começaram a circular no ano de 1945 em Pernambuco.

Essas moedas eram usadas principalmente para pagar os soldados holandeses, que estavam no nordeste brasileiro. Porém com a expulsão dos holandeses, em 1654 e a restauração do reino de Portugal, a Colônia voltou com a política monetária portuguesa. No ano de 1669 as moedas de prata portuguesas iniciaram a circulação no Brasil Colônia, carimbadas com um sinete real, nos valores de 80, 160, 320, 640 réis.

Nesta época circulavam moedas com diversos tipos, origens e valores instáveis. Portugal não dava importância para o fato, porque no período colonial o mercado interno era pequeno, os escravos não compravam nem vendiam pela sua condição social e os colonos livres recebiam seus pagamentos em mercadorias.

Criação da Casa da Moeda

No final do século XVII foram criadas as primeiras moedas brasileiras e Salvador era na época a principal cidade da Colônia, sua capital e o mais importante centro de negócios. Então foi o local escolhido pelos portugueses para a instalação da primeira Casa da Moeda em 1694. Essas moedas eram cunhadas em ouro e prata, sendo que as de ouro tinham o valor de 1, 2, e 4 mil réis.

Sendo que as de prata observavam uma progressão aritmética de valores mais original 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. As quais foram denominadas pelo povo de "patações", que tinha um certo sentido depreciativo, porque as moedas cunhadas no Brasil não tinham muita credibilidade no seu valor. No período de 1695 a 1702, entrou em circulação peças de cobre de 10 e 20 réis, cunhadas na Casa do Porto e destinadas a Angola, porem aqui introduzidas por determinação régia.

Em pouco tempo ficou difícil para a Coroa manter a Casa da Moeda em Salvador, porque foram descobertas jazidas de ouro pelos bandeirantes e a grande exploração das Minas Gerais. Ficou mais pratico transferir a fabricação de dinheiro para o Rio de Janeiro em 1698, cunhando ouro e prata com os mesmos valores.

A Casa da Moeda mudou para Pernambuco em 1700, retornando ao Rio de Janeiro em 1702. Em 1714, existiam duas Casas da Moeda, sendo uma no Rio e outra na Bahia. Depois em 1724 foi criada a terceira em Vila Rica que atuou até 1735 quando foi desativada. Para suprir a falta de troco à cidade do Maranhão chegou a ter a sua própria moeda, que era fabricada em Portugal, em ouro e prata nos valores usuais, e em cobre, com seus valores em 5, 10, e 20 réis.

Os grandes negócios eram realizados na faixa litorânea, onde estava localizada a maioria das cidades. O dinheiro circulava somente nestas cidades, então nos distritos mineiros que produziam ouro, a moeda normalmente não circulava, o ouro era pesado e usado como moeda, tudo o que consumiam era importado.

Em todo o interior brasileiro a economia de troca continuava prevalecendo. Nas regiões agrícolas as fazendas com seus escravos produziam quase tudo que necessitavam. O dinheiro ficava a segundo plano, porque toda a riqueza era avaliada com base na propriedade imobiliária e o gado tinha um meio de intercâmbio bem aceito.

A Corte portuguesa veio para o Brasil em 1808 e até esta data tinha um valor muito pequeno de moedas circulando, a cifra de 10.000 contos (ou 10 milhões de réis). Com esse sistema monetário precário, chegando a circular ao mesmo tempo seis diferentes relações de moedas intercambiáveis. Para agravar mais a situação o ouro em pó e em barra circulava livremente e também podia se encontrar moedas falsas no mercado.

Quando a Corte se transferi para o Rio de Janeiro, o processo econômico da uma arrancada, aumenta a produção e o comércio, com isso tornou-se necessário mais dinheiro em circulação. O Banco do Brasil foi fundado, o qual deu inicio a emissão de papel-moeda, e seu valor era garantido pelo seu lastro, quer dizer, por reservas equivalentes em ouro. D. João IV retorna a Portugal com ele foi a Corte e o tesouro nacional, reduzindo as reservas bancárias a 20 contos de réis. Em 28 de julho de 1821 suspenderam todos os pagamentos e iniciou-se a emissão de papel-moeda com pouco lastro metálico, então o dinheiro começou a desvalorizar rapidamente.

Em 7 de setembro de 1822, D. Pedro rompe definitivamente os laços de união política com Portugal e no dia 1º de dezembro do mesmo ano tornou-se o primeiro imperador do Brasil. Os cofres estavam vazios e a dívida pública era grande. No inicio da independência do Brasil não havia quase fundos.

Embora a situação econômica brasileira tenha melhorado sob o comando de D. Pedro II, com o aumento da produção industrial, café e com a construção de estradas e ferrovias que facilitavam o escoamento das riquezas, mesmo assim a desvalorização da moeda persistia, já tinha se tornado um mal crônico no Brasil com suas crises econômicas e financeiras se sucedendo.

Somente no Brasil Republica em 1911 é que o dinheiro brasileiro obteve a sua primeira alta no mercado internacional.

A partir daí até os dias de hoje, a economia e a moeda brasileira vem sofrendo mudanças, onde a moeda trocou varias vezes de nome. Em 1942 o "cruzeiro" substitui o "réis".

Em 1967 com a desvalorização do cruzeiro, foi criado o "cruzeiro novo" com uma valorização de 1.000%, três anos depois em 1970 com a inflação descontrolada voltou se ao nome "cruzeiro".

No ano de 1986 com a desvalorização do cruzeiro, cria-se o cruzado com 1.000% de valorização, três anos mais tarde, 1989 com a inflação em alta cria-se o "cruzado-novo", novamente com 1.000% de valorização.

Este nome durou um ano, o qual em 1990 retorna ao nome "cruzeiro", mas não parou, em 1993 com a desvalorização do cruzeiro foi criado o "cruzeiro real" com 1.000% de valorização, em 1994 cria-se o "real" com 2750% de valorização e em 1998 vem a segunda família de moedas do "real".

Cronologia do meio circulante brasileiro, desde o açúcar até o advento do real:

1580 a 1640 - Circulavam no Brasil os reales hispano-americanos. A equivalência com os réis portugueses foi estabelecida em 1582.
1614 -
O açúcar tornou-se moeda legalmente reconhecida.

Século XVII - Os escravos negros da Bahia usavam como moeda pequenos caramujos, os búzios.

1645 - Surgiram em Pernambuco as primeiras moedas no Brasil, cunhadas pelos invasores holandeses.
1653 -
O pano de algodão, segundo o Pe. Vieira valia como moeda no Maranhão.
1654 -
O real português voltou a circular na Colônia.
1663 -
O valor das moedas aumentou em 25%
1668 -
Portugal aumentou em 10% o valor das moedas de ouro. A medida não foi adotada no Brasil.
1699 -
Por ordem da Coroa, circularam no Brasil moedas de prata, com carimbo, no valor de 80, 160, 320, 640 réis.
1694 -
Criou-se a primeira Casa da Moeda, na Bahia.
1695 -
A Casa da Moeda da Bahia cunhou suas primeiras moedas: em ouro, nos valores de 1.000, 2.000 e 4.000 réis, e de prata, nos valores de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis.
1698 -
A Casa da Moeda foi transferida para o Rio de Janeiro.
1699 a 1700 -
No Rio de Janeiro, a Casa da Moeda fez moedas de ouro, de 1.000, 2.000, e 4.000 réis, e de prata, de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis.
1700 -
A Casa da Moeda mudou-se para Pernambuco.
1695 a 1702 -
Por determinação real, passaram a circular no Brasil as moedas de cobre cunhadas no Porto, em Portugal, com valores de 10 e 20 réis.
1700 a 1702 -
A Casa da Moeda, em Pernambuco, cunhou moedas de ouro no valor de 4.000 réis, e de prata nos mesmos valores anteriores.
1702 -
A Casa da Moeda foi transferida novamente para o Rio de Janeiro, iniciando-se a cunhagem de moedas com matéria-prima inteiramente nacional.
1714 -
As descobertas de ouro deram ensejo ao funcionamento simultâneo de duas Casas da Moeda: sendo uma no Rio e outra na Bahia.
1722 -
Em 4 de abril regulamentou-se definitivamente o padrão legal para a moeda brasileira: a oitava de ouro valia 1.600 réis e a de prata 100 réis.
1724 a 1727 -
Entraram em circulação os dobrões, com o valor de 12.000 réis.
1724 -
Uma terceira Casa da Moeda entrou em funcionamento. Ficava em Vila Rica, atual Ouro Preto, Minas Gerais.
1735 -
A Casa da Moeda de Vila Rica encerrou suas atividades.
1749 -
O Maranhão passou a ter moeda própria, cunhada em Portugal. As de ouro valiam 1.000, 2 000 e 4. 000 réis; as de prata 80, 160, 320 e 640 réis; as de cobre 5, 10 e 20 réis.
1752 -
Nas Minas Gerais cunharam-se moedas de prata de 75, 150, 300 e 600 réis. Serviam de troco para ouro em pó.
1788 -
Suspendeu-se a derrama, cobrança de impostos reais sobre o ouro das Minas Gerais.
1810 -
Os reales espanhóis ainda em circulação foram recunhados passando a valer 960 réis. Moedas de cobre de 37,5 e 75 réis foram cunhadas no Rio e em Vila Rica.
1821 -
D. João VI retornou a Portugal, esvaziando o tesouro. Todos os pagamentos foram suspensos iniciando-se a emissão de dinheiro sem lastro metálico.
1832 -
O valor de uma oitava de ouro foi fixado em 2 500 réis. Surgiram moedas de ouro de 10.000 réis, com peso de quatro oitavas.
1834 a 1848 -
Começaram a circular as moedas de prata da série dos cruzados, nos valores de 1.200, 800, 400, 200 e 100 réis.
1846 -
A oitava de ouro passou a valer 4.000 réis. Cunharam-se moedas de ouro de 20.000, 10.000 e 5.000 réis. E moedas de prata de 2.000, 1.000, 500 e 200 réis.
1868 -
Apareceram moedas de bronze, valendo 20 e 30 réis.
1871 -
Surgiram às moedas de níquel, de 200, 100 e 50 réis.
1873 -
Cunharam-se moedas de bronze, de 40 réis.
1901 -
Passaram a circular as moedas de níquel, de 400 réis.
1911 -
O real brasileiro registrou sua primeira alta no mercado internacional.
1922 -
Fizeram-se às últimas moedas de ouro, de 20.000 e 10.000 réis. Continuavam a circular as de prata, de 4.000, 2.000, 1.000 e 500 réis. No mesmo ano surgiram moedas de bronze e alumínio, valendo 1.000 e 500 réis.
1936 -
Apareceram moedas de níquel no valor de 300 réis.
1942 -
O "cruzeiro" tornou-se a nova moeda nacional.
1967 -
A desvalorização do "cruzeiro" levou à criação do "cruzeiro novo", com valor mil vezes maior.
1970 -
O "cruzeiro novo" voltou a chamar-se apenas "cruzeiro".
1986 -
A desvalorização do "cruzeiro" levou à criação do "cruzado", com valor mil vezes maior.
1989 -
A desvalorização do "cruzado" levou à criação do "cruzado novo", com valor 1.000 vezes maior.
1990 -
O cruzado novo volta a chamar-se "cruzeiro".
1993 -
A desvalorização do "cruzeiro" levou à criação do "cruzeiro real", com valor 1.000 vezes maior.
1994 -
A desvalorização do "cruzeiro" real levou à criação do "real", com valor 2.750 vezes maior.
1998 -
Lançada em junho a 2ª família de moedas do "real".

Fonte: www.sociedadedigital.com.br

História da Moeda no Brasil

No início da colonização, pouco se falava em dinheiro, o reduzido comércio interno era feito na base de trocas e por isso era mínima a circulação de moedas.

A unidade monetária usada era o real português, mas a primeira "moeda" brasileira de fato foi o açúcar, que em 1614 passou a valer como dinheiro, por ordem do governador Constantino Menelau. O valor da arroba (15 kg) de açúcar branco foi fixado em 1.000 réis, o do mascavo em 640 réis, e o das outras espécies em 320 réis. Só os funcionários da administração portuguesa é que recebiam salários em moeda sonante. O dinheiro vinha de Portugal, mas sua origem na verdade era a Espanha, muito mais rica em reservas metálicas devido à maior abundância de ouro e prata em seu império colonial.

Durante a dominação de Portugal pela Espanha, de 1580 a 1640, a moeda utilizada na Colônia brasileira era o real hispano-americano, cunhado em Potosi (Bolívia). Havia moedas de 8, 4, 2, 1 e meio reales, que correspondiam respectivamente a 160, 80, 40 e 20 réis.

Em 1624, a Holanda ocupou o nordeste brasileiro; sob seu domínio foi realizada a primeira cunhagem de moedas em território nacional. Quadradas, pequenas, feitas em ouro e prata, surgiram em Pernambuco, em 1645. Serviam principalmente para pagar os soldados holandeses aqui estabelecidos. Expulsos os holandeses, em 1654, e já restaurado o reino de Portugal voltou a valer na Colônia sua política monetária. A partir de 1669, moedas de prata portuguesas passaram a circular no Brasil, carimbadas com um sinete real, nos valores de 80, 160, 320 e 640 réis.

A confusão de vários tipos de moedas, com diversas origens e valores instáveis, persistia, mas não tinha grande importância, pois no período colonial, comerciava-se pouco: o mercado interno era muito pequeno. A maioria da população era composta de escravos e colonos livres: os escravos não podiam comprar nem vender, por sua própria condição social, enquanto que os colonos recebiam seus pagamentos em mercadoria.

Criação das Casas da Moeda

Moedas propriamente brasileiras só vieram a surgir no final do século XVII. Salvador era então a principal cidade da Colônia, sua capital e o mais importante centro de negócios. Por isso foi lá que, em 1694, os portugueses instalaram a primeira Casa da Moeda do Brasil. As moedas eram cunhadas em ouro e prata. As de ouro valiam I, 2 e 4 mil réis. As de prata observavam uma progressão aritmética de valores mais original: 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. O povo logo Ihes deu o nome de patacões, que tinha um certo sentido depreciativo, pois ninguém acreditava muito no valor das moedas cunhadas no Brasil. De 1695 a 1702, foram postas em circulação peças de cobre ( 10 e 20 réis), cunhadas na Casa do Porto e destinadas a Angola, mas aqui introduzidas por determinação régia.

Logo deixou de ser vantagem para a Coroa manter a Casa da Moeda em Salvador. Com a descoberta de jazidas de ouro pelos bandeirantes e a intensa exploração das "Minas Gerais", a fabricação do dinheiro foi transferida para o Rio de Janeiro, em 1698, aí se cunhando ouro e prata nos valores já mencionados.

Em 1700 a Casa da Moeda mudou para Pernambuco, voltando porém ao Rio dois anos depois. Em 1714, havia duas casas da Moeda: no Rio e novamente na Bahia.

Em 1724 criou-se a terceira, em Vila Rica, que foi extinta dez anos mais tarde. A falta de troco era tanta que o Maranhão chegou até a ter sua própria moeda, fabricada em Portugal. Era feita em ouro e prata, nos valores usuais, e em cobre, valendo 5, 10 e 20 réis.

O uso do dinheiro se restringia à faixa litorânea, onde se situavam quase todas as cidades e se realizavam as grandes transações. Nos distritos mineiros, que só produziam ouro e importavam tudo o que consumiam, o próprio ouro, cuidadosamente pesado, funcionava como moeda para o comércio. A economia de troca continuava prevalecendo em todo o interior brasileiro. Já as regiões agrícolas apresentavam um sistema econômico peculiar. As fazendas, com suas legiões de escravos, eram praticamente auto-suficientes, produzindo quase tudo que necessitavam. Nelas, o dinheiro mesmo tinha pouca importância. A riqueza era avaliada com base na propriedade imobiliária e o gado era visto como um meio de intercâmbio tão bom como qualquer outro.

Até a vinda da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, o valor total das moedas que aqui circulavam não ultrapassava a irrisória cifra de 10.000 contos (ou 10 milhões de réis). O sistema monetário, irracional, complicava-se cada vez mais: chegaram a circular, ao mesmo tempo, seis diferentes relações legais de moedas intercambiáveis. Além disso, ouro em barra e em pó passava livremente de mão em mão, e moedas estrangeiras, algumas falsas, eram encontradas com a maior facilidade.

Do Império à República

Ao transferir-se para o Rio de Janeiro, a Corte acelerou consideravelmente o processo econômico. Crescendo a produção e o comércio, tornou-se imprescindível colocar mais dinheiro em circulação. Fundou-se então o Banco do Brasil, que iniciou a emissão de papel-moeda, cujo valor era garantido pelo seu lastro, ou seja, por reservas correspondentes em ouro. Entretanto, quando D. João VI retornou a Portugal, levou não só a Corte mas também o tesouro nacional.

Golpe grave: as reservas bancárias da Colônia reduziram-se a 20 contos de réis. No dia 28 de julho de 1821, todos os pagamentos foram suspensos.

Passou-se a emitir papel-moeda sem lastro metálico suficiente, ocasionando a progressiva desvalorização do dinheiro.

Assim, quando D. Pedro I se tornou imperador do Brasil em 1822, encontrou os cofres vazios e uma enorme dívida pública. A independência brasileira começava praticamente sem fundos. Sob D. Pedro II a situação melhorou um pouco, devido ao aumento da produção industrial, ao café, e à construção de ferrovias e estradas, que permitiam um escoamento mais eficiente das riquezas.

A desvalorização, porém, já era um mal crônico e as crises financeiras se sucediam. Só em 1911 - em plena República - é que o dinheiro brasileiro registrou sua primeira alta no mercado internacional. De lá para cá, muita coisa mudou na economia brasileira, inclusive a moeda, que trocou várias vezes de nome: ao réis sucedeu, em 1942, o cruzeiro (e as subdivisões em centavos), que em 1967 se transformou em cruzeiro novo, valendo mil vezes o antigo. Três anos depois. voltou a ser apenas cruzeiro, que 1986 passou a chamar-se cruzado, que em 1989 passou a chamar-se cruzado novo, que em 1990 voltou a chamar-se cruzeiro, que em 1993 passou a chamar-se cruzeiro real, que por sua vez passou a chamar-se em 1994 real.

MOEDAS DO MUNDO

Quando a divisão social do trabalho ainda não havia atingido grandes proporções e as sociedades eram menores, os homens podiam trocar diretamente sua mercadoria por outra de que necessitassem. Assim, se alguém tinha lã e precisava de couro, procurava quem possuísse couro e quisesse trocá-lo por lã. Como a possibilidade de troca dependia do grau de utilidade da mercadoria para cada pessoa, as trocas tornavam-se mais difíceis com o crescimento das comunidades. Era preciso encontrar um meio de troca, uma mercadoria que fosse aceita por todos. Esse meio de troca é a moeda.

Para que uma mercadoria seja aceita como moeda é preciso que haja um acordo entre os participantes do mercado. Conchas, peles, sal, gado, cereais, metais, serviram como moeda em épocas diferentes. Sempre que uma mercadoria passava a ter valor de dinheiro, sua Procura aumentava. Ela devia ser acumulada para pagar dívidas, salários, etc. Por isso devia ter certas características físicas, como não se deteriorar e ser fácil de transportar e dividir. Dentre todas as mercadorias-moeda usadas, o ouro e a prata foram as que melhor se prestaram a essa finalidade.

Durante muito tempo os metais preciosos foram usados como meio de troca em forma de barras, lingotes, ou em pó, sem nenhum controle exterior ao dos participantes do mercado. Em épocas que variaram para cada sociedade, o Estado passou a afixar seu selo na unidade monetária, de modo a torná-la oficial. Essa prática - a cunhagem da moeda - evitava sua falsificação. O primeiro povo a usar moedas cunhadas foram os lídios, da Ásia Menor, por volta do século VII a.C.

Mas, segundo alguns autores, os chineses teriam utilizado moedas em tempos anteriores. As moedas primitivas tinham formas irregulares e eram cunhadas com estampas rústicas. Em certo período de sua história, os chineses adaptavam a forma de suas moedas à mercadoria que precisava ser comprada. Assim, a moeda destinada a comprar roupa era cunhada com a forma do corpo humano.

Até recentemente, o valor da moeda dependia do valor do metal de que era feita. Atualmente, a maioria dos países usa moedas nominais: elas trazem estampado no metal seu valor e este não equivale ao valor do metal de que são feitas. Mas o governo garante seu valor de troca.

As moedas de metal são hoje substituídas, em grande escala, pelo papel-moeda, mais fácil de se carregar. Os pagamentos podem ser feitos também com cheques, emitidos por bancos autorizados pelo governo. As pessoas depositam o dinheiro de que não necessitam imediatamente nos bancos e, através de cheques, podem efetuar pagamentos ou retirar seu dinheiro.

Atualmente o uso das moedas é controlado pelo governo de cada país. Cabe-lhe decidir qual a unidade básica de moeda em circulação, que papel-moeda deve ser feito e que metal deve ser empregado para fabricar moedas. O valor nominal da moeda está relacionado ao seu valor de compra. O seu valor real depende da quantidade de mercadoria que pode ser comprada com ela. Se esse valor real cai, isto é, se a quantidade de mercadorias que se compra com ela é menor do que em tempos normais, diz-se que há inflação.

Mercadoria que serve de equivalente geral para todas as mercadorias. Bem de troca aceito numa comunidade de pagamentos. Reserva de valor. Ligação entre o presente e o futuro.

Esta série de definições reflete a dificuldade em conceituar a "moeda" (do latim, moneta) ou seu sinônimo "dinheiro” (da expressão denarius, uma das moedas romanas).

A moeda desempenha várias funções na economia de um país: instrumento de troca, reserva de valor, medida comum do calor dos bens, padrão de pagamentos futuros. Seu aparecimento foi uma conseqüência do desenvolvimento do fenômeno da troca ou permuta de bens e serviços.

Do boi ao ouro

Antes que a moeda aparecesse. os povos escolhiam, para suas transações comerciais, produtos naturais ou fabricados que lhes eram familiares: assim, serviam de dinheiro as peles de animais entre os caçadores, peixe entre os pecadores, produtos da terra entre os agricultores. Na "Ilíada" de Homero é citado o boi como moeda da época: século VIII a.C. E foi do gado (em latim, pecus) que vieram as palavras pecúnia e pecúlio.

Quando se tornou necessário adotar um instrumento de troca menos perecível e menos volumoso que as mercadorias e objetos de uso Pensou-se logo num artigo apreciado por todos. Assim o ouro passou a ser o metal monetário por excelência, embora outros também tivessem curdo como moeda: a prata o cobre, o níquel, etc.

Essas moedas eram, de início unidades de peso. Tinham a forma de barras irregulares e, para serem utilizadas nas transações, não dispensavam a balança. Muitas das moedas atuais lembram essa particularidade no próprio nome. libra, peso, peseta...

Alguns comerciantes, entretanto para evitar o trabalho de pesagem, começaram gravar nas barras as suas marcas e o peso de cada uma, de tal modo que pudessem ser reconhecidas e recebidas em confiança. Essa origem da moeda Fiduciária, ou dinheiro de confiança, como diz a palavra fiduciária (confiança).

As Falsificações no peso marcado levaram as autoridades a fazer a moeda em forma de discos cunhados dos lados e em toda a superfície. A cunhagem da moeda pelo Estada data provavelmente do século VII a.C., mas não se sabe a quem atribuir essa iniciativa. Talvez a Giges, rei da Lídia - grande,reino da Ásia Menor.

Do ouro ao papel

Aos poucos a moeda oficial se expandiu por toda parte e, no século III a.C., era de uso corrente em todo o mundo o civilizado. Mais tarde os primeiros grandes comerciantes - especialmente os grandes ourives da Idade Média - e também os primeiros banqueiros passaram a fornecer um bilhete (ou recibo) às pessoas que depositavam valores e moedas de ouro em seus cofres. Com o tempo, notaram que esses bilhetes circulavam livremente. Quase ninguém retirava o ouro depositado. Surgiram então outros bilhetes que emitidos como promessa de pagamento, pois podiam ser trocados por ouro quando desejasse seu possuidor. A esse recibo conversível se dá o nome de moeda-papel.

Muitos banqueiros, porém, abusando da confiança e raciocinando que não era necessário ter 100% da reserva em ouro passaram a emitir em quantidade, de sorte que os bilhetes não mais ofereciam garantia de conversão em ouro. Essa nota desvalorizada chama-se modernamente de papel-moeda, cuja circulação e aceitação são asseguradas por lei. Possui, pois, um valor legal, sem qualquer direito de conversibilidade em metal.

A teoria econômica distingue, portanto, em resumo, dois tipos de moedas:

1. Moeda metálica: Moedas de ouro ou prata (ou moeda-mercadoria); e moedas divisionárias (ou moedas de troco).
2. Moeda fiduciária:
Moeda-papel (ou bilhete de banco), conversível em metal; moeda escritural (ou moeda bancária), constituída por cheques, ordens de pagamentos, títulos de crédito, etc.

O valor da moeda está em relação com a quantidade de bens e serviços que ela pode pagar, uma vez que os valores monetários não são mais medidos pelo padrão-ouro.

Eis algumas das moedas do mundo:

Libra esterlina. É a moeda inglesa que, ao contrário das outras, não seguia o sistema decimal até 1970, ano em que passou a ser dividida em cents, ao invés de 20 xelins (shillings) e 12 pence (Plural de penny). Provavelmente, a primeira cunhagem de libras esterlinas remonta ao reinado de Ricardo II, em 1190. A palavra "esterlina" vem de steora ou star (estrela), ou talvez do nome da família Esterlings, habilidosos na cunhagem de ouro.
Dólar.
É a moeda norte-americana, de fundamental importância no mercado internacional. Seu nome deriva da palavra alemã taler, moeda mandada cunhar na Boêmia em 1517, com prata da mina de Saint Joachimsthal (vale de São Joaquim), e que de início eram chamadas de Joachimstaler.
Lira.
O dinheiro italiano é um dos mais antigos em circulação. Seu nome vem do latim libra, equivalente ao peso de 8 onças (1 onça = 30 g). A primeira cunhagem foi ordenada por Carlos Magno, em 790. Naquela época tinha tanto valor que era possível viver com uma lira por todo um ano. Depois esse valor se foi depreciando enquanto o uso se estendia por toda a Itália. Napoleão Bonaparte lá chegou, no início do século passado decidiu unificar a moeda, pois existiam liras romanas, florentinas, vênetas, etc. Assim, em 1806 surge a primeira lira italiana, com o peso de 5 g de prata.
Franco.
Tem mais de 600 anos, pois foi em 1360 que o Rei João II, da França, fez cunhar uma moeda que representava o soberano a cavalo e armado. Foi chamada de franc a cheval, isto é, Franco a cavalo, por causa da inscrição Francorum Rex (Rei dos Francos) que trazia gravada. Existiam também os franc a pied, que representavam o rei a pé.
Rublo.
A primeira cunhagem de moedas metálicas na Rússia remonta ao século Xll. Um século depois, foi adotada uma moeda de prata chamada rublo, nome provavelmente derivado da palavra russa rubl (do verbo rubitj, cortar). De fato, o antigo rublo era um pedaço de prata sem cunhagem, que servia para o cálculo do valor das transações. A primeira cunhagem regular do rublo (o chamado rublo-escudo) foi no século XVII.
Marco
. O nome da moeda alemã procede da palavra medieval marc, que significa “sinal” (marco ou marca). Inicialmente foi uma unidade de peso, com o valor de 8 onças. Nos fins do século X, o marco surge como moeda nos países da Europa ocidental, especialmente na Inglaterra. Na Alemanha, fala-se dele pela primeira vez num documento de 1088-1092, mas é muito provável que tenha sido adotado antes disso. A partir do século XIII, o dinheiro de ouro ou prata mais usado nos reinos germânicos foi o marco de Colônia ou marco imperial.
Zloty.
Este é o nome da moeda polonesa. É único que faz referência ao ouro. Pois a palavra significa literalmente dourado.

Peça metálica (ouro, prata. cobre e. atualmente. metais de pouco valor) cunhada pela autoridade monetária de um país. cujo valor (seja intrínseco ou convencionado) serve como medida para fixar o preço dos bens e como meio de pagamento nos intercâmbios comerciais.

História

As primeiras transações consistiam no intercâmbio de produtos (troca). posteriormente apareceu uma unidade-medida de valor. Essa moeda não-metálica mudou segundo os povos: grãos, cabeças de gado, sal, etc. A possibilidade de deterioração fez com que se realizassem equivalências em peças metálicas (ouro, prata. bronze. cobre), que se tornaram a nova unidade-medida de valor. O valor provinha de seu peso e não de sua pureza nem forma.

Mais tarde imprimiu-se nos metais uma marca ou selo que garantia seu peso e valor; foi o nascimento da moeda, Ao que parece, teve lugar nas colônias gregas das ilhas Jônica Ásia Menor aproximadamente no século VII a.C e propagou-se por todo o âmbito grego o padrão monetário do dracma. Cada cidade tinha seu próprio sistema monetário.

Nos territórios asiáticos, o padrão monetário era o siclo. Na Sicília e no sul da Itália era o nomos em unidade superior e a onça a unidade inferior. Na Itália central utilizouse como padrão a libra romana (327 g).

Durante o Império romano. as moedas mas correntes foram e o aureus e o quinária de ouro, o denárìo e o quinário de prata e sestércio de cobre. O imperador Constantino reformo o sistema monetário e emitiu o solidus (soldo). O sistema monetário romano se estendeu no Império Bizantino e aos povos germânicos.

No tempo dos carolingios se centralizou a cunhagem e foram abolidas as emissões em ouro no século X outorgo-se ás casas feudais o privilégio da cunhagem, o que desequilibrou o mercado monetário. A reativação comercial do século XIII promove a necessidade de criar moeda solventes. Assim, Florença emitiu o florim de ouro, e Veneza o ducado de ouro.

Nos principados alemães se estendeu o tálero. No final do século XV e no século XVI cunharam-se as primeiras moedas de cobre. Mas o ouro não substituiu a prata como metal monetário até o século XIX. Em 1816. a Inglaterra introduziu a moeda de ouro, e seu exemplo foi seguido pela maioria dos Estados. Mas durante a Primeira Guerra Mundial, quase todas as nações participantes tiveram de abandonar o câmbio em ouro A moeda metálica em ouro e prata foi substituída por papel moeda depois da Segunda Guerra Mundial tiveram as tentativas a partir do acordo de Brentton Woods, de conseguir a livre conversibilidade das diferentes moedas.

Mediante um sistema de valorização e desvalorização manteve-se a relação das diferentes moedas com o dólar norte-americano, que nos países ocidentais tomou a posição de moeda base substituiu o padrão-ouro.

Cunhagem da moeda

Até fins da Idade média. as moedas eram cunhadas a mão, com um troquel gravado. A cunhagem fazia-se dando uma ou mais marteladas sobre o anverso. As primeiras máquinas de cunhagem foram introduzidas no século XV. A partir do século XVII! passou-se a trabalhar também o canto da moeda, para evitar que fosse recortada.

Fonte: www.jcpaes.hpg.ig.com.br

História da Moeda no Brasil

A História da Moeda

1- ETIMOLOGIA

Etimologicamente, o termo se atribui ao latim moneta, " moeda ", o lugar onde se cunhavam moedas em Roma, o templo Juno Moneta.

2- CONCEITO

Unidade representativa de valor aceita como instrumento de troca numa comunidade.

A moeda corrente e a que circula legalmente num país. Moedas fortes são as que tem curso internacional, como instrumento de troca e reservas de valor.

3- FUNÇÕES DA MOEDA

Graças a moeda, pode o indivíduo generalizar seu poder de compra e obter da sociedade aquilo que sua moeda lhe da direito, sob a forma que melhor lhe convém.

Classificando uma transação comercial em duas fases, uma de venda e outra de compra, a moeda facilita ambas as partes.

Resumindo, e mais fácil ao vendedor de uma colheita achar quem lhe queira comprar parte dela do quem queira troca-la por outros produtos.

4- ORIGEM E HISTORIA ATE O SÉCULO XV:

4.1- AS TROCAS E AS MOEDAS ANTES DA INTRODUÇÃO DOS METAIS:

Hoje em dia, a moeda parece ser uma coisa banal. Mas sua descoberta representou um notável avanço na historia da humanidade.

Antes do surgimento da moeda, todos viviam a procura de novos instrumentos de troca capazes de medir o valor dos bens. Entre os inúmeros meios de troca já testados antes da criação da moeda, os animais têm lugar de destaque. Na Grécia, no século VIII a.C., faziam-se as contas tomando o boi como parâmetro: uma mulher valia de vinte a quarenta cabeças de gado; um homem, cem.

Servindo como meio de pagamento, o sal circulava em vários países (dai vem o termo salário), como exemplo a Libéria, onde trezentos torrões compravam um escravo. Entre as versões primitivas de moeda, as conchas foram , sem duvida, as mais difundidas. Especialmente os cauris (espécie de búzio), que nos séculos XVII e XVIII virou a moeda internacional; metade do mundo entesourava e comprava cauris.

Lista de moedas primitivas e seus respectivos lugares de utilização:
Algodão e Açúcar Barbados
Amendoim Nigéria
Amêndoa Sudão
Animais Todo o mundo antigo
Arroz Índia, China, Japão
Bacalhau Islândia
Botas e Seda China
Búzios África, Ásia, Europa
Cacau México
Dentes deAnimais Oceania
Espetos Grécia Antiga
Esteiras Ilhas Carolinas
Mogno Honduras
Peixes Alasca
Peles Sibéria, América
Pérolas África
Sal Etiópia
Tartarugas Marianas
Telas e tecidos Europa, África, China

4.2- A INTRODUÇÃO DE CÁLCULOS CONSTANTES

Fixados na Babilônia e na Assíria por volta do quinto milênio a.C. , os Sumérios tiveram um importante papel na historia da moeda, ao criarem um calculo baseado em valores de referência constantes.

Graças a esse povo, ainda, o ouro e a prata tornaram-se unidades de medida de preço.

Esses metais, porem, não circulavam, permanecendo nos templos. Ou seja, os Sumérios inventaram o dinheiro, mas não a moeda.

4.3- DAS PRIMEIRAS MOEDAS DE METAL NA CHINA ATE AS MOEDAS METÁLICAS DA ÁFRICA

4.3.1- CHINA

Foi na China do período Chou (1122-256 a.C.) que nasceram as moedas de bronze com formas variadas: peixe, chave ou faca (Tao), machado (Pu), concha e a mais famosa o Bu, que tinha a forma de uma enxada. As formas das moedas vinham das mercadorias e objetos que possuíam valor de troca. Nessas peças encontravam-se gravados o nome da autoridade emitente e o seu valor.

No final desta dinastia, surgiu o ouro monetário (Yuanjin). Este tinha a forma de um pequeno lingote com o sinete imperial. Também nessa época surgiram as moedas redondas de bronze, com um furo quadrado no centro.

4.3.1.1- O PAPEL-MOEDA CHINÊS

Os primeiros registros da utilização do papel como moeda remontam do ano 89. As matrizes para a impressão eram confeccionadas em tabuleiros de madeira ou de bambu, sobre as quais era aplicada uma pasta especial, feita de polpa vegetal amolecida e batida. A madeira recebia tinta e os desenhos e textos gravados eram passados para o papel. Essa invenção permaneceu escondida durante séculos; sua importância pode ser exemplificada pelo fato de os chineses terem erguido um templo em homenagem ao inventor dessa técnica.

A partir do ano 610 missionários cristãos espalharam a novidade em outras terras. Mas foi o comerciante veneziano Marco Polo que mais se encantou com a técnica de fabricação do papel-moeda chinês, que publicou no seu livro Le Livre de Marco Polo, entre suas experiências na China, onde ficou dezessete anos.

4.3.2- ÁFRICA

As manilhas ( ou moedas-argolas), feitas na sua maioria de cobre, eram empregadas como meio de troca na Africa-Ocidental, que hoje compreende a Nigéria, Gana Benin e Togo. Seus valorem eram proporcionais a quantidade de metal que continham, podendo pesar entre 2700 e 200 g. Suas formas eram variadas também: ferradura, semicircular, anel, bracelete ou corda retorcida. Um manual português do século XV traz o valor comercial das manilhas: com oito delas comprava-se um escravo.

Ao lado do valor monetário essas pecas tinham também clara função de ornamentação, alguns exemplares são totalmente decorados, o que elevava muito seu valor artístico.

4.4- MOEDAS DA GRÉCIA ANTIGA

As primeiras moedas gregas começaram a serem cunhadas a partir do século VII a.C.

Com figuras de animais verdadeiros, plantas e objetos úteis ao homem.

As moedas primitivas mais famosas eram a coruja, o pegasus e a tartaruga.

As tartarugas foram as primeiras moedas a serem cunhadas na Grécia, seus exemplares mais antigos são de 625 a.C. e durante um século foram elas que ditavam as leis nas trocas comerciais. Essas moedas representavam Egina, florescente empório comercial do Peloponeso e eram mais valiosas que as corujas, valiam o dobro: 2 dracmas (dracma - unidade da moeda de prata).

Os potros vinham em segundo lugar na ordem de valor monetário, era cunhado em Corinto, importante centro comercial no istmo de mesmo nome, trazendo a impressão de um Pegaso (mítico cavalo alado). Podiam ser dracmas ou estateres (o estater era a unidade da moeda de ouro).

Já as corujas, que eram cunhadas em Atenas, sendo as menos valiosas entre as três moedas mais importantes, valiam uma dracma ou um estatere. Mas anos depois, foram descobertas várias jazidas de prata perto de Atenas, e começou a ascensão desta cidade e conseqüentemente das corujas.

Por volta do ano 525 a.C. , Atenas cunhou uma moeda esplêndida no valor de 4 dracmas, a tetradracma. Estas moedas estão entre as mais fascinantes da Antigüidade e por quase dois séculos não sofreram modificações. Após a vitória da batalha de Salamina, contra os persas ( 480 a.C.), os atenienses cunharam uma moeda no valor de dez dracmas, o decadracma.

Aos poucos, todas as cidades gregas começaram a cunhar moedas com efígies divinas. De simples instrumentos de troca, as moedas transformaram-se em obras de arte. Pelo bom gosto, pelo requinte da cunhagem, pelo relevo acentuado por figuras em perfeita harmonia com a espessura do metal, as moedas gregas são únicas.

Aos poucos, todas as cidades gregas começaram a cunhar moedas com efígies divinas. De simples instrumentos de troca, as moedas transformaram-se em obras de arte. Pelo bom gosto, pelo requinte da cunhagem, pelo relevo acentuado por figuras em perfeita harmonia com a espessura do metal, as moedas gregas são únicas.

4.4.2- MAGNA GRÉCIA

Magna Grécia e a região do sul da Península Itálica e parte da Ilha de Sicília, que ficou ocupada pelos gregos ate a sua tomada pelo Império Romano.

As moedas consideradas mais bonitas do mundo são as decadracmas e as tetradracmas de Siracusa ( na chamada Magna Grécia), com a cabeça da ninfa Aretusa ( ou de Persefone) e a quadriga, no trote ou a galope. Ha 25 séculos essas moedas em prata quase pura - 43g no caso das decadracmas - são objetos de admiração e imitação.

Na Sicília e na Magna Grécia nasce, no final do século V a.C. , a primeira moeda, em que se podia confiar, do Ocidente, vinculada ao valor do metal. A variedade também era enorme: ha pecas quadradas, pequenas, cuneiformes, recunhadas, fragmentadas ou cortadas ( no primeiro caso, para enfrentar a falta de moedas de menor valor; no segundo, para diminuir o valor).

4.4.3- AS MOEDAS DE ALEXANDRIA

Em Alexandria, Oriente e Ocidente se fundiam: povos de três continentes conviviam em paz, unidos pela mesma língua, o grego. Naquela cidade, ciência, literatura e arte falavam grego, influenciando a cultura dos demais países. Na Casa da Moeda de Alexandria, marcadas por um L, foram cunhadas algumas tetradracmas de prata, as mais belas do seu período. Tais moedas possuíam um numero que correspondia ao ano de reinado do soberano, ao contrario das antigas moedas gregas, desprovidas de data.

4.5.1- ANTES DO INICIO DA MOEDAGEM

A moedagem romana começou dois séculos mais tarde do que as das cidades da Magna Grécia que já cunhavam belíssimas moedas. No século IV a.C. , enquanto as dracmas, no mundo grego e principalmente na Sicília, alcançavam o auge da perfeição estilística, em Roma ( que na época era uma simples vila de pastores), os animais ainda eram o principal meio de troca. Mais tarde, desenvolveram uma moedagem excepcional quanto a continuidade ( cunharam-se moedas de 335 a.C. a 476 d.C.) e variedade ( usaram-se quase todos os metais).

4.5.2- AS MOEDAS ROMANAS "ARCAICAS"

A partir do século VII a.C., Roma adotou um bem para intermediar as trocas: o bronze ( a prata precisava ser importada, e desconhecia-se a existência do ouro na época). Eram peças sem forma de metal bruto fundido (aes rude), avaliado com base no peso (de 2g a 4kg), sem sinais ou figuras. Mais praticas que os animais, elas ainda não ofereciam as vantagens da moeda.

4.5.3- AS PRIMEIRAS MOEDAS ROMANAS

Por volta de 335 a.C., com o aes grave (bronze pesado), Roma ganhou sua primeira moeda - o as ou asse -, fundida em forma redonda, com indicações de valor e impressos oficiais. No anverso dos ases aparece Jano bicéfalo, a mais antiga divindade do rico Olimpo romano - deus da passagem de um lugar a outro e, portanto, de um tempo a outro - por isso, representado com dois rostos. No reverso, a imagem mais comum e a da proa de um navio. A série do aes grave também e chamada libral (de libra, unidade de peso latina) pois, assimcomo a libra, o as dividia-se em doze uncias. Em 268 a.C. Roma ( já poderosa) passou a confeccionar também moedas de prata, iniciando a esplêndida era do denário romano.

4.5.4- IMPÉRIO ROMANO: INICIO E FIM DA MOEDAGEM IMPERIAL

A moedagem imperial romana iniciou-se com César, "ditador perpetuo", em 44a.C.

Nesta época, as moedas republicanas transformaram-se em imperiais, acentuando seu caráter propagandístico e celebrativo, não mais baseado na gens ("família") ou em um partido, mas em lideres, em personagens isolados, que dominavam a cena política: Marco Antônio, Emílio Lépido, Brutus, Pompeu e outros. Não e de se estranhar que César, em 45 a.C., tenha sido o primeiro a colocar seu retrato em moedas, seguindo o exemplo do mundo grego, onde os reis cunhavam sua efígie sobre as pecas havia dois séculos e meio.

Por fim, a moedagem terminou em 476, com a queda de Rômulo Augusto e do Império do Ocidente.

4.6- A MOEDAGEM BIZANTINA

Bizâncio ( depois Constantinopla, atual Istambul), uma das mais poderosas cidades da Antigüidade, foi fundada em 675 a.C. (ou talvez 703, não se sabe a data exata) pelos habitantes da cidade grega de Megara. A cidade se tornou muito poderosa graças ao intenso comercio e a sua estratégica posição geográfica, no estreito que une o mar Egeu ao mar Negro, a Europa a Ásia. A denominação de Constantinopla, séculos mais tarde da sua fundação, foi dada pelo imperador Constantino, que em 326 fez de Bizâncio a nova capital do Império Romano. Diferentemente da moedagem romana, da qual derivou, a moedagem bizantina apresenta uma iconografia ( descrição e/ou representação de imagens) toda particular, menos realística e expressiva, mas ainda assim cheia de fascínio e mistério.

São muitas as moedas de ouro: o solido, o semisse ( 1/2 de solido) e o tremisse ( 1/3 de solido), todos originados diretamente de moedas romanas. Muitas vezes globulares (em forma de globo), elas tinham grandes dimensões e uma forma de tigela. Essa característica era peculiar a moedagem bizantina. Devido a presença de figuras hieráticas de Cristo, da Virgem, de santos e do imperador e seus familiares, as moedas bizantinas tinham um caráter sacro. Um dos mais freqüentes motivos ornamentais era a cruz, simples ou dupla. O imperador aparecia com vestes suntuosas, coroado por anjos, sentado no trono com um cetro ou um globo na mão, sempre retratado como se fosse um Deus. Nas moedas bizantinas, nunca se representavam animais, cenas mitológicas ou festas leigas (que não são sacras) - a única exceção a imagem de Bizâncio e a Vitória alada. As legendas, gravadas em caracteres gregos, dispunham-se verticalmente, ao longo do bordo externo, ou as vezes ocupavam todo o reverso.

4.7- AS MOEDAS IBÉRICAS

No ano de 711 travou-se na Espanha a Batalha de Guadalete, na qual morreu o ultimo rei visigodo ( povo que habitava a península Ibérica ate essa data).

Começava a dominação árabe na península Ibérica. Depois de uma longa e conturbada etapa inicial, os mulçumanos, edificaram uma civilização esplêndida que existiria ate o século XV. Em seu apogeu, o domínio árabe, estendeu-se por dois terços da península Ibérica. Mas, apartir da virada do milênio, o poder dos califas na região entrou num lento e prolongado declive. Estados cristãos surgiram em meio a esse processo, e os cristãos inevitavelmente reconquistariam a península, devido ao enfraquecimento dos árabes. Isso aconteceu com a tomada de Granada ( ultima dominação árabe na península) em 1492.

As moedas ibéricas refletem o entre choque de duas culturas, povos e religiões diferentes, que caracterizou a historia da região. Antes da invasão muçulmana, haviam circulado na região moedas gregas, celtas, cartaginesas, romanas e grosseiras imitações destas ultimas, feitas pelos bárbaros. A partir do século VIII, juntaram-se ao grupo pecas árabes ( no inicio de prata e depois de ouro).

As moedas ibéricas mais importantes ( excluindo-se as árabes) são as posteriores a união do reino de Castela e Aragão ( 1479) cuja abundância de ouro e prata, vindos do Novo Mundo, deram lugar a novas emissões antigas e mais rústicas. Dentre elas, sobressai-se o ducado - ou excelente - de ouro, com sua metade e múltiplos, que surgiu após a reconquista de Granada. A moeda traz os bustos de Isabel I e Fernando II o Católico ( 1479 -1516). A denominação "excelente" derivava do elevado título da moeda. Também se tornaram famosos os "reales de ocho" de prata ( 8 reales), que passariam a Historia como o dólar espanhol e sobreviveriam te meados do presente século.

4.8- AS MOEDAS DO RENASCIMENTO

O Renascimento se caracterizou pela exaltação do homem e da criação. A cultura clássica foi redescoberta, e dela surgiu o Humanismo - o aspecto literário e filosófico do Renascimento. A moeda esta relacionada com essa "evolução" de várias maneiras. Do ponto de vista econômico, a expansão do comercio e do bem estar pede uma moedagem variada e de qualidade. Do ponto de vista artístico, as moedas dessa época são o fruto de uma produção extremamente refinada: a cunhagem mais bem cuidada permite aos artistas obter mais precisão nos detalhes e criar cenas arejadas, muitas vezes transportadas das pinturas, dando margens a admiráveis estudos de perspectiva e uma notável profundidade de relevo. Nunca nessa época a moeda foi a expressão fiel de seu tempo.

Nessa época, o volume de ouro em circulação na Europa aumentara aproximadamente doze vezes em apenas meio século. Predominam, como moedas fortes, além do genovino de Gênova de 1251, os florins de Florença de 1252 e os ducados de Veneza de 1284. Essas duas ultimas moedas eram cunhadas praticamente em ouro puro.

A História da Moeda no Brasil

Após quatro séculos, o Brasil volta a ter como moeda o real, criado em 1112 em Portugal e usado de 1500 a 1808 no Brasil.

A partir de 1500, a maior parte do meio circulante brasileiro era composto por reales ( plural de real), cunhados na Espanha e nas colônias hispano-americanas.

Em 1582, o governo português fixou uma equivalência entre os reales da América Espanhola e os reis de Portugal: oito reales passaram a valer 320 reis.

Os reais ou reis permaneceram em todo o Brasil Colônia, inclusive após a vinda de D. João VI para o Brasil, em 1808. Embora o padrão monetário continuasse o mesmo, o povo passou a chamar a moeda de mil reis (ou múltiplos de real).

A grande mudança ocorreu mais de um século depois: em 1942, com o corte de três zeros e a transformação de moeda de mil reis para o cruzeiro. Quando o cruzeiro surgiu, o meio circulante estava caótico. Havia 40 valores de moedas, cada uma com o seu material, circulando: 5 de prata, 14 de bronze-alumínio e 22 de níquel. A reforma monetária seguinte só veio em 1965, quando o governo lutava contra uma inflação que quase chegara a índices absurdos no ano anterior.

Novamente cortou-se os três zeros, e surgiu o cruzeiro novo.

Em marco de 1970, o cruzeiro renasceu - só que, desta vez, sem a retirada de três zeros.

Ele durou 16 anos, ate 1986, quando a inflação voltara a corroer o poder de compra da moeda.

Agora seu nome e cruzado, e tem menos três zeros do que o cruzeiro anterior.

Outros 3 anos de inflação e veio, em fevereiro de 1989, o cruzado novo, também com três zeros a menos. Em marco de 1990 o governo Collor ressuscitou o cruzeiro, sem o corte dos três zeros.

Em agosto de 1993, três zeros a menos e uma moeda a mais: o cruzeiro real.

No vaivém da inflação, ate a chegada hoje do real, a moeda brasileira perdeu 15 zeros em 52 anos.

Andrei Scheiner

Fonte: eduquenet.net

História da Moeda no Brasil

TABELA DAS ALTERAÇÕES DA MOEDA BRASILEIRA

Quadro sinótico com histórico de todas as transformações que passou o nosso sistema monetário desde 1942 (o que não ocorre em países de primeiro mundo).

Denominação Símbolo Período de Vigência Paridade em relação à moeda anterior Extinção de centavos Fundamento Legal
Cruzeiro Cr$ 01.11.1942 a 12.02.1967 1.000 réis = 1,00 cruzeiro (1 conto de réis = 1.000 cruzeiros) Fração do cruzeiro denominada "centavos"
foi extinta a partir de
01.12.1964
Decreto-Lei nº. 4.791 de
05.10.1942
Lei nº. 4.511 de 01.12.1964
Cruzeiro Novo NCr$ 13.02.1967 a 14.05.1970 1.000 cruzeiros = 1,00 cruzeiro novo - Decreto-Lei nº. 1 de 13.11.1965

Resolução do BC nº. 47 de 13.02.1967

Cruzeiro

Cr$ 15.05.1970 a 27.02.1986 1,00 cruzeiro novo = 1,00 cruzeiro Fração do cruzeiro denominada "centavo"
foi extinta a partir de
16.08.1984
Resolução do BC nº. 144 de 31.03.1970

Lei nº. 7.214 de 15.08.1984

Cruzado Cz$ 28.02.1986 a 15.01.1989 1.000 cruzeiros = 1,00 cruzado - Decreto-Lei nº. 2.283 de 
27.02.1986
Cruzado novo NCz$ 16.01.1989 a 15.03.1990 1.000 cruzados = 1,00 cruzado novo - MP nº. 32 de 15.01.1989,
convertida na Lei nº. 7.730 de 31.01.1989
Cruzeiro Cr$ 16.03.1990 a 31.07.1993 1,00 cruzado novo = 1,00 cruzeiro - MP nº. 168 de 15.03.1990, convertida na Lei nº. 8.024 de 12.04.1990
Cruzeiro Real CR$ 01.08.1993 a 30.06.1994 1.000 cruzeiros = 1,00 cruzeiro real - MP nº. 336 de 28.07.1993, convertida na Lei nº. 8.697 de 27.08.1993, e Resolução BACEN
nº. 2.010 de 28.07.1993
Real R$ Desde 01.07.1994 vide notas * - Lei nº. 8.880 de 27.05.1994 e Lei
nº. 9.069 de 29.06.1995

Notas

A paridade entre o real e o cruzeiro real, a partir de 01.07.1994, é igual à paridade entre a URV (Unidade Valor de Real) e o cruzeiro real fixada pelo Banco Central do Brasil para o dia 30.06.1994 (CR$ 2.750,00).

Portanto a conversão de cruzeiros reais em reais deve ser feita mediante a divisão do valor em CR$ pelo valor da URV de 2.750,00.

No caso de Conversões de valores mais antigos (antes de 1993 - Cruzeiro Real), é necessário aplicação de outras regras.

De qualquer forma (dependendo do caso), deve-se proceder além da conversão, a atualização através os índices do IGP-DI - primeiro se atualiza, e depois se converte.

EXEMPLO (no caso de Cruzeiro Real para o atual Real):

CR$ 2.750,00 / 2.750,00 = R$ 1,00
CR$ 1.000.000,00 / 2.750,00 = R$ 363,64
CR$ 2.750.000,00 / 2.750,00 = R$ 1.000,00

Assim, quem tinha Dois milhões e setecentos e cinqüenta mil cruzeiros reais, passou a ter, Um mil reais.

Wolney da Rocha Godoy

Fonte: www.blindagemfiscal.com.br

História da Moeda no Brasil

A Evoluçäo da Moeda no Brasil

1 Do Descobrimento ao Reino Unido

As Primeiras Moedas

No início do período colonial, o meio circulante brasileiro foi sendo formado de modo aleatório, com as moedas trazidas pelos colonizadores, invasores e piratas que comercializavam na costa brasileira. Assim, ao lado das moedas portuguesas, circularam também moedas das mais diversas nacionalidades, cuja equivalência era estabelecida em função do seu conteúdo metálico.

A partir de 1580, com a formação da União Ibérica, verificou-se uma grande afluência de moedas de prata espanholas (reales), provenientes do Peru, graças ao comércio que se desenvolveu através do Rio da Prata. Até o final do século XVII, os reales (ou reaes ou reais) espanhóis constituíram a parcela mais expressiva do dinheiro em circulação no Brasil.

As moedas portuguesas que aqui circulavam eram as mesmas da Metrópole, oriundas de diversos reinados. Cunhadas em ouro, prata e cobre, essas moedas tinham os seus valores estabelecidos em réis e possuíam às vezes denominações próprias, como Português, Cruzado, São Vicente, Tostão, Vintém.

Moedas Contramarcadas

A longa guerra mantida contra os espanhóis, após a restauração da independência de Portugal, custou elevadas somas à coroa portuguesa. Para conseguir os recursos necessários, D. João IV (1640-1656) e D. Afonso VI (1656-1667) recorreram a sucessivas alterações no padrão monetário, determinando reduções nos pesos das novas moedas fabricadas e procedendo a aumentos no valor das moedas em circulação. Posteriormente, durante o reinado de D. Pedro II (1667-1706), também foram efetuados aumentos nos valores correntes das moedas. Em algumas ocasiões esses aumentos foram praticados sem que fossem efetuadas alterações nas moedas; em outras, foram concretizados mediante a aposição de contramarcas (carimbos).

Marcas para Evitar o Cerceio

A adulteração das moedas de ouro e prata, pela prática ilegal de raspagem dos bordos para retirada do metal (cerceio), assumira proporções calamitosas em Portugal e nos seus domínios, levando o rei português D. Pedro II (1667-1706) a adotar várias medidas para impedir a sua continuidade. Dentre essas medidas encontram-se a colocação de cordão (espécie de serrilha em forma de cordão) e de marca (esfera armilar coroada, aplicada junto à orla) e a cunhagem de novas orlas nas moedas de cunhos antigos.

Moedas-Mercadorias

Nos dois primeiros séculos após o descobrimento, face à inexistência de uma política monetária especial para a Colônia, a quantidade de moedas em circulação era insuficiente para atender às necessidades locais. Por esse motivo, diversas mercadorias foram utilizadas como dinheiro, inclusive pelo próprio governo, sendo comuns os pagamentos realizados em açúcar, algodão, fumo, ferro, cacau e cravo, entre outros.

Os escravos africanos chegados ao Brasil utilizaram em suas trocas o zimbo, concha de um molusco encontrada nas praias brasileiras e que circulava como dinheiro no Congo e em Angola.

As Moedas Holandesas

Cercados pelos portugueses no litoral de Pernambuco e não dispondo de dinheiro para pagar seus soldados e fornecedores, os holandeses realizaram a primeira cunhagem de moedas em território brasileiro. Conhecidas como "moedas obsidionais" ou "moedas de cerco", estas foram também as primeiras moedas a trazerem o nome do Brasil. Face à inexistência de ferramentas e materiais adequados e à urgência do trabalho, as moedas foram feitas de forma bastante rudimentar.

As Primeiras Casas da Moeda

Nas duas últimas décadas do século XVII agravou-se a situação de falta de moeda no Brasil, comprometendo o funcionamento da economia e provocando drástica redução nas rendas da Coroa. Inúmeras representações, pedindo solução para o problema, foram encaminhadas ao rei pelos governadores gerais e das capitanias, representantes das câmaras e membros da igreja e da nobreza. Em 1694, finalmente, D. Pedro II (1667-1706) resolveu criar uma casa da moeda na Bahia, para a cunhagem de moeda provincial para o Brasil.

Em função das dificuldades e riscos do transporte, a Casa da Moeda foi transferida em 1699 para o Rio de Janeiro e no ano seguinte para Pernambuco, onde funcionou até 1702. Em 1703, por ordem de D. Pedro II, foi instalada novamente no Rio de Janeiro, não mais com a finalidade de cunhar moedas provinciais, mas para transformar o ouro em moedas para o reino.

Foram cunhadas moedas de ouro, nos valores de 4.000, 2.000 e 1.000 réis, e de prata, nos valores de 640, 320, 160, 80, 40 e 20 réis. O conjunto de moedas de prata é conhecido como série das patacas, em função da denominação "pataca", atribuída ao valor de 320 réis.

Moedas de Cobre Angolanas

Como as casas da moeda não cunharam moedas de cobre, foi autorizada a circulação no Brasil de moedas destinadas a Angola, fabricadas na cidade do Porto, nos valores de 10 e 20 réis. Essas moedas eram necessárias para as transações de pequeno valor.

O Ouro se Transforma em Moeda

Na primeira metade do século XVIII, a elevada produção de ouro possibilitou o funcionamento simultâneo de três casas da moeda e a cunhagem de grande quantidade de peças, cujos valores e beleza testemunham a opulência que caracterizou o período do reinado de D. João V (1706-1750).

Inicialmente foram cunhadas, nas casas da moeda do Rio de Janeiro (1703) e da Bahia (1714), moedas idênticas às do Reino: moeda, meia moeda e quartinho, com valores faciais de 4.000, 2.000 e 1.000 réis.

O estabelecimento de uma casa da moeda em Minas Gerais foi determinado em 1720, quando da proibição da circulação do ouro em pó dentro da capitania.

Além de moedas iguais às cunhadas no Reino, no Rio e na Bahia, a nova casa da moeda deveria fabricar peças com valores nominais de 20.000 e 10.000 réis, as quais circulariam com os valores efetivos de 24.000 e 12.000 réis. Instalada em Vila Rica, a casa da moeda de Minas funcionou no período de 1724 a 1734.

Em 1722 D. João V alterou a forma e o valor das moedas de ouro portuguesas, criando a série dos escudos, com os valores de 12.800 réis (dobra de 8 escudos), 6.400 réis (dobra de 4 escudos), 3.200 réis (dobra de 2 escudos), 1.600 réis (escudo) e 800 réis (1/2 escudo). Cunhadas no Brasil a partir de 1727, essas moedas trazem no anverso a efígie do rei. Dentro dessa série foi introduzida, em 1730, a peça de 400 réis (cruzadinho).

Moedas de Ouro de D. José I e D. Maria I

Nos reinados de D. José I (1750-1777) e de D. Maria I (1777-1805), continuou sendo cunhada a série dos escudos, com exceção da peça de 12.800 réis, cuja cunhagem havia sido suspensa por D. João V, em 1732. Voltaram também a ser fabricadas as moedas provinciais de ouro, nos valores de 4.000, 2.000 e 1.000 réis, que não eram cunhadas desde 1702.

Moedas da Série "J"

Em 1750 D. José proibiu a circulação de moedas de ouro nas regiões de mineração, considerando que as transações comerciais naquelas comarcas poderiam ser realizadas com barras de ouro marcadas e ouro em pó. Para atender às necessidades do comércio miúdo na região, mandou que as casas da moeda do Rio de Janeiro e da Bahia cunhassem moedas provinciais de prata e cobre.

Em 1752, atendendo à sugestão do governador da capitania de Minas, determinou que fossem cunhadas também moedas de prata com os valores de 600, 300, 150 e 75 réis, tendo em vista que os preços nas regiões das minas eram estabelecidos em termos de oitavas e de seus submúltiplos, valendo a oitava de ouro 1.200 réis. Para evitar confusão com as moedas provinciais de prata de 640, 320, 160 e 80 réis, em função da proximidade dos valores, nas novas moedas o escudo com as armas de Portugal foi substituído por um "J" com uma coroa em cima.

Moedas de Cobre no Século XVIII

Durante o reinado de D. João V, a Casa da Moeda de Lisboa fabricou moedas de cobre de 10 e 20 réis, especialmente destinadas ao Brasil. Moedas com esses mesmos valores foram cunhadas também pela Casa da Moeda da Bahia, que em 1729 realizou a primeira cunhagem de moedas de cobre no Brasil. Em 1730 foram enviadas para Minas moedas de cobre cunhadas em Lisboa em 1722, nos valores de 20 e 40 réis, com pesos bastante reduzidos, as quais deveriam circular apenas naquela capitania.

No reinado de D. José I, entraram em circulação moedas provinciais de cobre nos valores de 5, 10, 20 e 40 réis, cunhadas em Lisboa e no Brasil.

Sob o reinado de D. Maria I, não houve cunhagem de cobre no Brasil. As moedas foram feitas em Lisboa, mantendo inicialmente os mesmos pesos e valores do período anterior. Em 1799, já sob a regência de D. João, as moedas de cobre tiveram seus pesos reduzidos em cerca de 50%.

Bilhetes da Extração - Primeira Moeda-Papel

A partir de 1772, a extração de diamantes na região do Tejuco do Serro Frio (atual Diamantina) passou a ser feita diretamente pela Coroa Portuguesa, que para isso criou a Real Extração dos Diamantes. Quando havia insuficiência de recursos para o custeio das despesas, a Administração dos Diamantes emitia bilhetes que eram resgatados quando chegavam os suprimentos em moeda remetidos pela Fazenda Real. No início esses bilhetes tinham grande credibilidade, sendo aceitos em todas as transações comerciais da região.

Moedas para o Maranhão e Grão-Pará

Em 1748 D. João V determinou a cunhagem de moedas provinciais de ouro, prata e cobre para o Estado do Maranhão e Grão-Pará, no total de 80 contos de réis. Cunhadas em 1749, pela Casa da Moeda de Lisboa, essas moedas tinham as mesmas denominações e pesos das moedas provinciais brasileiras. Segundo depoimentos da época, a introdução dessa moeda provocou grande confusão no Estado, uma vez que os preços dos salários e de todos os produtos estavam fixados em termos de algodão e especiarias.

Barras de Ouro e Certificados

Com o fito de garantir a cobrança do imposto do quinto, foram estabelecidas casas de fundição nas principais regiões auríferas do país, para as quais deveria ser levado todo o ouro extraído. Depois de deduzida a quinta parte, o ouro era fundido e transformado em barras, nas quais eram registrados o ano, a marca oficial da casa de fundição, o número de ordem, o título e o peso do ouro. Assim legalizado, o ouro era devolvido a seu proprietário, acompanhado de um certificado.

Essas barras tiveram ampla circulação no Brasil, desempenhando a função de moeda, particularmente nas capitanias do interior.

A Moeda de 960 Réis

O declínio da produção de ouro no Brasil levou D. João a proibir, em 1808, a circulação do ouro em pó, com o objetivo de impedir seu desvio, que acarretava grandes prejuízos à Coroa. Todo o ouro em pó deveria ser levado às casas de fundição; as parcelas de peso equivalente ou superior a 1 onça (28,6875 g) seriam fundidas em barras e as de peso inferior, resgatadas em moedas. Para suprir o meio circulante das regiões de mineração, foi autorizada a circulação de moedas de ouro, que estava proibida desde 1750, e a nacionalização de moedas hispano-americanas de prata.

Os pesos espanhóis (8 reales), que valiam entre 750 e 800 réis, receberam carimbo de 960 réis, inicialmente na capitania de Minas Gerais (1808) e mais tarde na do Mato Grosso (1818). Em 1809 foi criada a moeda provincial de 960 réis, cuja cunhagem teve início em 1810.

Carimbos de Escudete

Para uniformizar o meio circulante brasileiro, onde moedas do mesmo metal e do mesmo peso tinham valores diferentes, D. João determinou, em 1809, a aposição de carimbo em forma de escudete nas moedas da série "J", para equipará-las às da série das "patacas", e nas moedas de cobre cunhadas antes de 1799, para duplicar seus valores.

D. João, Príncipe Regente e Rei

D. João assumiu a regência em 1799, mas durante alguns anos as moedas continuaram sendo cunhadas com o nome de D. Maria I. As primeiras moedas de ouro cunhadas com a legenda "João Príncipe Regente" foram produzidas em 1805, antes de sua chegada ao Brasil. A elevação do Brasil à condição de Reino Unido foi registrada nas peças em ouro, prata e cobre cunhadas em 1816 com a legenda "João, por Graça de Deus, Príncipe Regente de Portugal, Brasil e Algarves".

Com a aclamação de D. João como D. João VI, em 1818, as moedas passaram a ter as armas do Reino Unido e a legenda "João VI, por Graça de Deus, Rei de Portugal, Brasil e Algarves".

Troco do Ouro em Pó

Face à inexistência de moedas de pequeno valor que se ajustassem ao troco de pequenas quantidades de ouro em pó, D. João estabeleceu que o mesmo fosse feito também com bilhetes impressos nos valores de 1, 2, 4, 8, 12 e 16 vinténs de ouro, correspondendo cada vintém a 37 e 1/2 réis. Emitidos em grande quantidade, esses bilhetes tiveram ampla circulação na capitania de Minas, integrando o seu meio circulante. Posteriormente, em função do aparecimento de grande número de bilhetes falsificados, sua emissão foi suspensa. Em 1818 foram cunhadas moedas de cobre nos valores de 75 réis e 37 e 1/2 réis, para a realização do troco do ouro em pó.

Notas do Banco do Brasil

A criação do Banco do Brasil, por meio de Alvará de 12 de outubro de 1808, teve por objetivo dotar a Coroa de um instrumento para captação dos recursos necessários à manutenção da corte. De acordo com seus estatutos, o banco deveria emitir bilhetes pagáveis ao portador, com valores a partir de 30 mil réis. As emissões do Banco tiveram início em 1810 e a partir de 1813 foram emitidos bilhetes com valores abaixo do limite mínimo inicialmente estabelecido.

Entre 1813 e 1820, as emissões atingiram 8.566 contos de réis, em grande parte determinadas pelo fornecimento de moeda-papel para fazer face às crescentes despesas da corte e da administração régia, que anualmente excediam a receita arrecadada. A partir de 1817, os bilhetes do Banco começaram a perder a credibilidade, sofrendo grande desvalorização.

Em abril de 1821, antes de regressar a Portugal, o rei e toda a sua corte resgataram todas as notas em seu poder, trocando-as por moedas, metais e jóias depositados no Banco, obrigando a instituição a suspender, a partir de julho, a conversibilidade dos bilhetes.

2  Do Reino Unido ao Plano Real

Quando da chegada do futuro D. Joäo VI ao Brasil (então príncipe regente do reino de Portugal), todo o meio circulante era constituído de peças metálicas.

Havia, porém, um primeiro vestígio de papel-moeda, denominado bilhete de permuta, que era recibo de recolhimentos metálicos na Casa da Moeda, aceito para liquidaçäo de transaçöes e transferível por endosso.

A criaçäo do primeiro Banco do Brasil, em 1808, foi inspirada nas exigências de fortalecimento dos sistemas monetário e financeiro. A esse Banco foi facultado o privilégio de emitir notas representativas, com garantia de conversibilidade de 100%. Mas, para atender a exigências da Corte, notadamente os decorrentes do financiamento de gastos militares (para sufocar movimentos revolucionários em Pernanbuco, em 1817, depois na Bahia e, por fim, para sustentar as lutas contra as Províncias do Rio da Prata), o regente D. Joäo recorreu às facilidades de empréstimo junto ao Banco do Brasil, de tal forma que as emissöes se tornaram preponderantemente fiduciárias.

Moedas de Cobre

Com a volta de D. Joäo VI a Portugal, o príncipe regente D. Pedro deparou-se com uma situaçäo crítica: o Tesouro achava-se em bancarrota e o Banco do Brasil encontrava-se à beira de uma crise, que levaria posteriormente à perda do seu direito de emissão. E não havia outras fontes de recursos para financiar as despesas governamentais. Uma das medidas tomadas pelo regente foi a cunhagem de moedas de cobre pela Casa da Moeda, que então se transfomaram, juntamente com notas bancárias ainda em circulação, nas únicas formas de moeda no Brasil. Mas crescentes exigências de recursos pelo Tesouro, somadas às flexíveis regras que regulavam o processo de cunhagem, conduziram à deterioração dessa segunda tentativa de implantação de um sistema monetário sólido no País.

Notas do Tesouro Nacional

Em 1827, era falsa a maior parte das moedas de cobre em circulação, o que motivou um decreto imperial, de 27 de novembro, ordenando a troca de moedas de cobre por notas emitidas pelo Tesouro. O decreto foi de extraordinária importância, sendo a primeira autorização legal para a emissão de papel-moeda pelo governo. Posteriormente, o papel-moeda do Tesouro Nacional substituiria completamente as notas do Banco do Brasil. Em 1829 foi decretada a liquidaçäo do primeiro Banco do Brasil e criado um novo sistema monetário, com notas assinadas pelo Governo, sendo proibidos todos os tipos de emissäo.

Bancos de Emissão e Padrão-Ouro

O passo seguintes foi, a partir de 1836, a criaçäo de bancos de emissäo em vários Estados, sujeitos a um sistema misto definido em lei: teto máximo e cobertura integral. A partir de 1846, sob forte inspiraçäo metalista, o sistema monetário brasileiro retornou ao padräo-ouro, tendo sido fixada em 1:15,625 a relação legal entre o ouro e a prata. Em 1849, fortaleceu-se ainda mais a corrente metalista, implantando-se o regime monometálico e reduzindo as peças monetárias de prata à condição de moeda auxiliar. Como registra Hugon, a reforma de 1846 preparou as condiçöes favoráveis à retomada do desenvolvimento econômico, que ganhou considerável impulso na segunda metade de século e inaugurou novo período na história econômica do País. O comércio exterior desenvolveu-se e a balança comercial tornou-se favorável, a partir de 1854 até o final do Império, com exceçäo de apenas quatro anos.

Novo Banco do Brasil

No decurso deste mesmo período, o Banco Comercial do Rio de Janeiro e o Banco de Mauá fundiram-se, dando origem, em 1851, a um segundo Banco do Brasil. Este adquiriu os direitos de emissäo dos outros bancos privados, restabelecendo-se o monopólio para a emissäo de notas bancárias. Este novo Banco do Brasil foi encarregado de substituir por suas notas as do Tesouro. Seu limite de emissão foi fixado no dobro do capital disponível.

Com a Guerra do Paraguai (1864-70), as finanças públicas voltaram a se enfraquecer. O financiamento se fez através do processo emissor. O teto para emissão do Banco do Brasil foi elevado até cinco vezes em relação ao capital. Em 1866, o direito de emissão retornou ao Tesouro. Com o fim da guerra, o ritmo de emissöes diminuiu. Somente em 1888, restabeleceram-se condiçöes para a conversibilidade plena, com a abundância de ouro. Outra reforma monetária foi então implantada, retornando o País ao regime de pluralidade de emissões, novamente regido pelo sistema de teto máximo.

Voltam os Bancos de Emissão

Em 1890, reimplantaram-se quatro bancos de emissäo. Autorizaçöes para a expansäo dos empréstimos à indústria, aliadas às dificuldades econômicas da Primeira República, ensejaram o encilhamento, que foi um período de forte especulaçäo, crédito fácil, tetos de emissäo frequentemente ultrapassados e, em consequência, ampla desconfiança pública em relaçäo ao meio circulante. Os preços subiram em ritmo inusitado (Lopes, Rossetti, p.37). O ouro evadiu-se. Foi uma época de atividade comercial febril, criadora de riquezas ilusórias e de nocivas especulações em bolsas, que lembravam as da Rua Quincampoix na época crítica do sistema de Law, na França. Terminou igualmente em crise, que atingiu duramente o sistema bancário, com a falência do segundo Banco do Brasil e de outros estabelecimentos.

Volta a Emissão ao Tesouro

Em 1898, na virada para o século XX, implantou-se importante contra-reforma, dirigida pelo metalista Joaquim Murtinho. Incineraram-se cédulas monetárias, a taxa de câmbio foi valorizada e o processo emissor foi contido. Em 1900, a cobertura metálica das emissöes do Tesouro era de apenas 2,14%, mas, progressivamente, chegou a 32,5% em 1913. Mas, com a Primeira Guerra Mundial, interromperam-se bruscamente as condiçöes subjacentes ao fortalecimento monetário e ao equilíbrio cambial. Entre 1914-20, as emissöes de notas do Tesouro aumentaram 88%, enquanto o encaixe metálico voltou a sofrer reduçöes, recuando à taxa de 9,5% em 1920. Nova reforma monetária se aproximava.

Volta o Banco do Brasil

A partir de julho de 1923, o Banco do Brasil, cujas operaçöes haviam sido reativadas em 1906, reassumiu o monopólio das emissöes e, em 1926, para compatibilizá-lo com as reservas metálicas do País, o padräo monetário foi novamente modificado: o mil-réis passou a corresponder a 200 mg de ouro.

Criou-se então uma Caixa de Estabilização, encarregada de operar os processos de conversão de notas em ouro e de ouro em notas. Tratava-se de um órgão encarregado de manter estável a última decisão do governo quanto ao lastro do sistema monetário. Dado o volume do meio circulante, a garantia de 200 mg de ouro por mil-réis correspondia a uma cobertura, nos termos do sistema de reserva proporcional, de 37%.

A estabilizaçäo do lastro e da garantia de conversäo durou novamente muito pouco. O sistema foi desarticulado com a Grande Depressäo dos anos 30, iniciada no final de 1929. Com a brusca queda do comércio mundial de café e de suas cotações (o valor-ouro da saca de café caiu 80%), tornaram-se inevitáveis o déficit da balança comercial e a desvalorização da taxa cambial. Esta recuou a níveis inferiores aos da taxa de conversão, de tal forma que as reservas em ouro e em divisas da Caixa de Estabilização reduziram-se de 37% (1926) para menos de 0,5% (1931), tendo sido absorvidas pelos países credores ou com superávit nas relações bilaterais. A Caixa de Estabilização foi liquidada. A recomposiçáo das reservas somente ocorreria durante a Segunda Guerra Mundial, com a reduçäo das importaçöes e expansäo das exportaçöes, possibilitando a expansäo da cobertura metálica para 45%, apesar do crescimento, na época, das emissöes de papel-moeda pelo Tesouro Nacional.

Surge o Cruzeiro

No decurso desse novo capítulo da história da moeda no Brasil, o governo instituiu o cruzeiro, em 1942, como unidade monetária, no lugar do mil-réis, mantendo porém a equivalência entre as duas unidades monetárias, durante o período de substituiçäo do meio circulante. Näo obstante o cruzeiro fosse declarado inconversível, o processo emissor passou a ter como freio uma garantia em ouro e em divisas conversíveis de 25% do total do meio circulante. Mas este limite proporcional näo foi respeitado e, em 1945, estabeleceu-se a liberdade de emissäo sem limitaçäo de lastro.

Em 1948, o Brasil comunicou ao Fundo Monetário Internacional, o valor do cruzeiro: esse valor correspondia a Cr$18,50 por US$1.00. A partir de 1961 este padräo foi definitivamente suspenso, após sucessivas e constantes desvalorizaçöes cambiais. O sistema monetário tornou-se entäo totalmente fiduciário, sem lastro metálico e inconversível.

A emissão do cruzeiro, desatrelada de lastros metálicos, permaneceu unificada, confiada ao Tesouro Nacional. A SUMOC, Superintendência da Moeda e do Crédito, foi criada na época como órgão para implementar a política monetária. O Banco do Brasil manteve a tradição de atuar, em parte, como autoridade monetária e, em parte, como agente financeiro do Tesouro Nacional.

Surge o Bacen

Em 1964, foi criado o Banco Central do Brasil, em substituição à SUMOC. Passou a ser sua privativa competência a emissão de moeda, bem como a execução dos serviços do meio circulante. O Tesouro Nacional, todavia, não perdeu o controle do processo emissor. O Banco Central permaneceu de fato atrelado às autoridades fiscais, não conquistando independência operacional. O meio circulante e a emissão de moeda primária permaneceram subordinados às exigências de cobertura de déficits resultantes das operações do complexo constituído pelas autoridades fiscais e monetárias.

O Cruzado e a Volta do Cruzeiro

Em fevereiro de 1986 (Decreto-lei nº 2.283) nova reforma monetária foi implantada no País, com a criaçäo de uma nova moeda, o cruzado (Cz$). Esta reforma monetária, todavia, näo implicou mudanças substantivas no processo de aumento do meio circulante. O Banco Central näo foi proibido de financiar o Tesouro Nacional. Este ainda continuou descarregando sobre as autoridades monetárias as exigências de nivelamento dos orçamentos públicos como um todo. A austeridade emissora, requerida para a sustentação de uma nova moeda forte, o cruzado, permaneceu comprometida pela não-extensão da reforma monetária à estrutura institucional e às relações entre o Banco Central e os demais centros de poder do governo central. O cruzado teve vida curta. Em 1990, foi reinstituído o cruzeiro.

O Cruzeiro Real e o Real

Em 1993 surgiu o cruzeiro real e, finalmente, em julho de 1994, entrou em cena o real, voltando-se a usar, no Brasil, a denominação da primeira moeda que por aqui circulou.

Fonte: www.ufrgs.br

História da Moeda no Brasil

O Que é o Dinheiro

Nem sempre o dinheiro existiu. Na verdade, no início dos tempos, nãohavia dinheiro em nenhum lugar do mundo.

As pessoas trocavam ascoisas de que precisavam. Se alguém tinhabastante carne e outra pessoa havia colhidomuitas frutas, trocavam a carne pelas frutas.

Assim, as duas ficavam satisfeitas.

Pesquisas arqueológicas indicam que as moedas surgiram há quase 4 mil anos (2 500 a.C.), o quetorna o dinheiro tão antigo quanto as pirâmides do Egipto.

As primeiras moedas surgiram no séc.7 a.C., no reino da Lídia, onde hoje fica a Turquia.

Os lídios inventaram a moeda moderna, com pe-sos, tamanhos e valores diferentes. Cada pedaço de metal tinha um valor que correspondia a um determinado produto. Assim, o homem começou a dividir e pesar o metal quando pretendia realizar um negócio.

Entre 640 e 630 a.C., é inventada a cunhagem: as moedas passam a ser identificadas por imagens gravadas em relevo, como as moedas de hoje. Ao cunhar e emitir milhares de moedas, os lídios inventaram uma economia muito rica e farta, e fizeram fortunas na Antiguidade. A primeira moeda cunhada em Roma foi feita em 268 a.C., e chamava-sedenário – termo que é a origem da palavra dinheiro.

O denário era feito de prata e servia como basedo sistema de moedas (sistema monetário) de Roma. Ele também era fabricado no templo dedicado à deusa Juno Moneta, que deu origemàs palavras “moeda” e “monetário”.

Apesar do dinheiro ter surgido pela primeira vez no reino da Lídia, há milhares de anos, ele desapareceu com o fim do Império Romano.

Equando a Idade Média chegou, com servos que cultivavam os alimentos em imensas propriedades de senhores feudais, a terra passou a ser a coisa mais valiosa.

As pessoas só produziam o que precisavam, e o escambo (a troca) tomou o lugar do dinheiro.

Nas sociedades modernas, o dinheiro é essencialmente um símbolo – uma abstração. As notas são o tipo mais comum de dinheiro utilizado presentemente. No entanto, bens como o ouro e a prata mantêm muitas das características essenciais de ser dinheiro.

A emergência do dinheiro não depende de uma autoridade central ou governo. É um fenômeno do mercado; na prática, entretanto, os tipos de moeda mais aceitas atualmente são aquelas produzidas e sancionadas pelos governos.

A maior parte dos países possuem um padrão monetário específico – um dinheiro reconhecido oficialmente. Algumas excepções são o euro (usado por diversos países europeus) e o dólar (utilizado em todo mundo).

Fonte: www.bi.cv

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