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História da Moeda

A China e o Extremo Oriente

Na China, antes do ano 1000 a.C., praticava-se o escambo de produtos diversos como cereais (arroz e trigo), tecidos (seda), animais, ornamentos e metais, mas também se utilizavam conchas (“caurís”) para transações comerciais ou presentes, conforme atestado por tradições literárias e por imitações posteriores desses objetos em osso e bronze, que também circulariam com funções monetárias.

O trabalho do bronze já alcançara elevado grau de sofisticação na China no segundo milênio antes de Cristo . Possivelmente no final do séc. VII ou no início do séc. VI a.C., quando a China encontrava-se dividida entre vários estados rivais, os reis do estado de Zhou inventaram moedas metálicas, independentemente da Lídia e da Jônia no Oriente Médio, mas com a mesma idéia de que a moeda deveria assumir a forma de unidades de metal padronizadas, no caso imitando objetos utilitários como pás e facas.

No entanto, enquanto as moedas lídias e gregas eram cunhadas, as primeiras moedas chinesas eram fundidas em moldes (Fig. J2). A prática de fundir moedas, aliás, continuaria na China até o final do séc. XIX d.C.

No período dos reinos combatentes (475-221 a.C.), vários estados, notadamente os de Qi, Zhao, Wei e Chu, emitiram moedas de bronze fundido de diversos formatos, já não apenas de facas e pás, mas também de imitações de “caurís” e, mais tarde, no século III a.C., de pequenos discos redondos com um furo no centro.

Essas moedas freqüentemente tinham inscrições ou símbolos referentes ao local de emissão e, ocasionalmente, ao seu peso ou valor.

O formato redondo consolidar-se-ia a partir da unificação da China sob as dinastias Qin, Han, e Tang, mas sua simplicidade contrastava com o grau de sofisticação alcançado pelas produções dos ourives chineses .

Essas moedas fundidas, com furo no centro, seriam mais tarde amplamente imitadas por países vizinhos, como o Japão, a partir de 708 d.C., o reino de Anam (no Vietnam de hoje) em 970 e a Coréia em 996.

O Subcontinente Indiano, o Sudeste Asiático e a Oceania

A cunhagem de moedas metálicas na Índia e no Sudeste Asiático começou mais tardiamente do que na Ásia Menor e na China, talvez de forma autônoma, mas possivelmente com base no modelo grego.

Até recentemente, alguns estudiosos acreditavam que as primeiras emissões, do norte da Índia, datavam do séc. VI a.C.

Hoje em dia, a evidência arqueológica sugere que somente a partir do séc. IV a.C circulavam peças de prata de peso uniforme, de formato oval ou retangular, conhecidas como Karshapanas .

Eram estampadas em apenas um dos lados com entre um e cinco punções, com diferentes desenhos, aplicados separadamente. A partir do terceiro século a. C, emitiram-se moedas de cobre, fundidas ou cunhadas, em várias regiões da Índia, e dois a três séculos depois houve emissões também no Ceilão (Sri Lanka), seguindo certos tipos hindus.

No Afeganistão e talvez no Paquistão atual, as primeiras moedas devem ter chegado durante o séc. V a.C., quando o Afeganistão era uma província do império persa.

Existem indicações de que moedas cunhadas no Mediterrâneo oriental circulavam a peso no atual Irã oriental e no começo do séc. IV a.C. também no Afeganistão. Pouco depois passaram a ser cunhadas no Afeganistão, talvez por volta de 375 a.C., imitações em prata de moedas gregas com tipos locais de animais estilizados ou figuras geométricas. Provavelmente logo a seguir, também foram cunhadas pequenas barras de prata (conhecidas como satamanas, com um mesmo desenho geométrico estampado nas duas extremidades de uma das faces.

Essas “moedas-barra” também foram cunhadas no Paquistão atual e exportadas para a Índia, onde podem ter servido de modelo para as moedas com punções.

No sudeste asiático (Laos, Camboja, Birmânia (Myanmar) e Tailândia, assim como na península malaia, na Indonésia e nas Filipinas, as primeiras emissões de moedas datam do primeiro milênio depois de Cristo ou são até mais recentes.

Esse também é o caso da Oceania onde se utilizaram como meios de troca ou com fins cerimoniais, até o séc. XX, diversos objetos de grande originalidade , em paralelo à adoção na Austrália e depois na Nova Zelândia de moedas de tipo europeu a partir do século XIX.

A África e as Américas

Na África do norte e o Egito, a partir do séc. VI a.C., gregos, cartagineses e romanos sucessivamente cunharam moedas, seguidos depois pelo império bizantino e por diversas dinastias islâmicas. Mas as únicas emissões de moedas na África ao sul do Egito e do Saara, até o segundo milênio d.C., foram as do reino “Aksumita” da Etiópia, convertido ao Cristianismo desde cedo e que durou do séc. II ao séc. VIII .

Como atestam vários mercadores e visitantes árabes, em várias regiões da África central e do sul, nos períodos medieval e moderno, perdurou o uso de “moedas-mercadoria”, como sal, tecidos , objetos de metal (braceletes, ou manilas, ou cruzes com forma de X), “caurís” trazidos das Ilhas Maldivas , cabeças de gado (especialmente na África oriental), etc, cuja utilização perduraria até a colonização européia.

Os portugueses cunharam as primeiras moedas modernas para uso específico nessas regiões do continente, no final do séc. XVII.

Apesar do avançado grau de civilização alcançado pelos maias, incas e astecas entre outros povos das Américas, com impressionantes realizações no campo da arquitetura, e o amplo uso de metais preciosos para jóias e outros fins utilitários, não se utilizaram moedas metálicas nas Américas até a chegada dos colonizadores europeus.

Uma possível exceção, registrada por escritores do séc. XVI, seriam pequenas peças de cobre em forma de T ou machado que podem ter tido um uso monetário entre os astecas no século anterior .

É provável que certos alimentos, notadamente grãos de cacau, tenham tido funções de meio de troca, e várias civilizações arrecadaram tributos sob a forma de bens manufaturados ou produtos agropecuários como o milho.

Na América do Norte, antes da chegada de colonos europeus, os índios da região oriental usavam wampum, um cinto feito com fileiras de pequenas conchas marinhas, como uma forma de moeda ritual . O wampum seria aceito como meio circulante legal nas colônias britânicas da costa leste dos atuais EUA até 1670, sendo também comum o uso de peles de animais para trocas. Entre os índios, porém, os metais não tiveram uso monetário.

A Moeda Metálica no Brasil I

Os índios brasileiros antes da colonização portuguesa não tinham a noção de moeda não utilizavam metais, e praticavam o escambo, o que fica confirmado já na carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal em 1500.

No séc. XVI, a circulação de moedas na colônia era limitada, em função da reduzida dimensão da população e da orientação exportadora da economia açucareira que se consolidou ao final do século.

Com a união das Coroas Ibéricas, entre 1580 e 1640, em paralelo a moedas portuguesas, circularam certamente no Brasil moedas hispano-americanas de prata . Durante a invasão holandesa de parte do nordeste brasileiro (1630-1654), a Companhia das Índias Ocidentais cunhou moedas “obsidionais” em Recife, sitiada por tropas lusobrasileiras.

Essas primeiras moedas de ouro e de prata cunhadas em solo brasileiro eram denominadas em guilders ou florins holandeses .

No final do séc. XVII, circulavam no Brasil, em número insuficiente, moedas portuguesas ou hispano-americanas contra-marcadas entre 1643 e 1679, o que levou a coroa portuguesa a autorizar a abertura da primeira casa de moeda colonial, na Bahia, que cunhou peças de prata de 20 réis a 640 réis e moedas de ouro de 4000 réis .

A importância da colônia aumentou muito com a descoberta de ouro em Minas Gerais e depois em Goiás e no Mato Grosso, levando à ocupação dessas regiões do interior do Brasil.

Ao longo do séc. XVIII, além de moedas de prata e de cobre, foram cunhadas numerosas moedas de ouro, temporariamente em Minas Gerais mas principalmente no Rio de Janeiro e na Bahia. Ainda que, em tese, parte dessas moedas de ouro fossem cunhadas para circulação exclusiva em Portugal, várias destas peças parecem ter entrado em circulação no Brasil, em paralelo às emissões especificamente destinadas à colônia.

Merecem especial menção os dobrões de 20.000 réis cunhados em Minas Gerais, uma das maiores moedas de ouro da época bem como as peças de 6400 réis da 18 Bahia e do Rio de Janeiro , que teriam ampla circulação no Caribe, contramarcadas por outras potências coloniais européias.

A Moeda Metálica no Brasil II

Ao longo do período colonial, além do açúcar, mercadoria-chave para pagamentos públicos e privados, outros bens serviram para complementar as moedas em circulação, notadamente panos de algodão no Maranhão, usados inclusive para o pagamento de funcionários locais. Zimbos (conchas assimiláveis aos “cauris” correntes na África), aguardente e fumo foram utilizados no tráfico de escravos trazidos das costas africanas.

No séc. XVIII, o ouro em pó circulou amplamente, evadindo a obrigatoriedade legal de que todo o ouro fosse convertido em moedas ou barras nas casas de fundição, para que a coroa recebesse a sua fração como imposto (o quinto).

Quanto às barras de ouro oficialmente fundidas, é provável que também tenham sido utilizadas para saldar transações comerciais .

Porém, a colônia era uma economia monetizada. Quando se entregava em pagamento determinada quantidade de pano ou de açúcar, esta correspondia a uma quantia em réis, que era o padrão de valor, com base no qual eram também avaliados todos os preços de bens e serviços e salários na economia colonial.

A partir da independência em 1822, o meio circulante brasileiro consistiu de moedas metálicas e de cédulas de papel moeda. Em vários períodos, as moedas foram entesouradas, prevalecendo a circulação apenas de moedas de cobre ou de cédulas.

Ao longo do séc. XIX, no período imperial, também circularam no Brasil moedas estrangeiras, como, por exemplo, libras esterlinas de ouro aceitas para pagamento de impostos em repartições públicas e (principalmente no sul), moedas de prata hispanoamericanas, em paralelo às emissões do governo imperial .

Com a República, a cunhagem de moedas de ouro e prata foi se tornando cada vez mais limitada e cédulas passaram a representar boa parte do meio circulante de maior valor, enquanto moedas de níquel e de bronze, e depois de bronze-alumínio, alumínio e, finalmente, aço, serviam para pequenas transações.

O mil-réis ( foi a unidade monetária até 1942, quando foi substituído pelo cruzeiro . A aceleração do processo inflacionário especialmente nas décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, levou a uma sucessão de padrões monetários e a freqüentes desmonetizações e substituições das moedas metálicas. O cruzeiro novo adotado em 1967, foi sucedido pelo cruzado em 1986, o cruzado novo em 1989, novamente o cruzeiro em 1990, e o cruzeiro-real em 1993, culminando com o real em 1994, hoje a unidade monetária do país.

A Moeda Metálica no Mundo de Hoje

Apesar do crescente uso de cheques, cartões de crédito e mais recentemente de cartões eletrônicos, a moeda metálica continuou a servir de troco e meio de pagamento para transações de menor valor no Brasil e no mundo .

O advento do euro, a nova moeda da União Européia , reforçou a importância da moeda metálica, dando origem à cunhagem, pelos países membros da união monetária, de moedas com tipos comuns de reverso com indicação de valor, reservando-se os anversos para tipos nacionais próprios.

Assim, a moeda metálica continua sendo uma realidade do dia-a-dia da população mundial. A sua história merece ser bem conhecida já que a história monetária reflete em boa parte a evolução das sociedades em que as moedas circularam.

É esse o objetivo da presente exposição, que pretende também situar os vários regimes monetários adotados por diversas civilizações nos últimos 2600 anos, no contexto de seu desenvolvimento histórico e artístico.

Privilegiaram-se não somente as ilustrações referentes à produção e ao uso da moeda e às transações comerciais nas diversas épocas, mas também as relativas ao trabalho de metais, às artes plásticas em geral, e à arquitetura das várias civilizações, que de alguma forma influenciaram a temática e o padrão estético de suas moedas metálicas.

A Moeda Metálica em seu Contexto Histórico, c. 600 a.C – 1500 d.C

O Mundo Grego, c. 800 – 360 a.C

c. 800 Composição dos poemas homéricos; os gregos adotam o alfabeto fenício.

Séc. VIII Surgimento de numerosas cidades-estado autônomas no mundo grego; início da colonização grega no sul da Itália e da Sicília.

776 Fundação dos Jogos Olímpicos

Séc. VII Cidades-estado gregas implantadas na costa norte do mar Egeu, nas costas do mar Negro, na Cirenaica e na costa do sul da França.

Séc. VII Agricultura mais orientada para comercialização (azeite, grãos); manufaturas para exportação: produtos de metais, cerâmica, proto-coríntia (c. 725-527) e cerâmica proto-ática (c. 710-600); cerâmica corintia (625-550); aumento do comércio marítimo: Egito aberto a comerciantes gregos.

Sécs. VII-VI Monarquias hereditárias e aristocracias substituídas por “tiranias”, governos ditatoriais de “tiranos”, nas cidades-estado mais avançadas.

c. 610-560 Alíates, Rei da Lídia da dinastia mermnada (c.680-546).

Séc. VI “Tiranias” substituídas por oligarquias de proprietários de terras; início das “tiranias” na Sicília.

Séc. VI Inícios da ciência e filosofia gregas Tales de Mileto (c. 620-550) e Pitágoras (c. 570-490).

Séc. VI Expansão grega em cheque: o crescimento de Cartago no Mediterrâneo ocidental e do Reino Persa Achemenida no oriente.

c. 560-546 Creso, Rei da Lídia, vencido pelos persas.

c. 557-530 Ciro rei dos persas completa conquista da Ásia Menor; penetra na Ásia Central; cria o Império Persa.

c. 530 Cerâmica Ática (de Atenas) de figuras vermelhas.

c. 522-486 Dário I, imperador persa; esmaga a revolta das cidades gregas da Jônia (500-493) mas vencido por coalizão grega em Maratona (490).

c. 479-454 Liga de Delos; aliança defensiva contra os persas, gradualmente controlada por Atenas que centraliza o pagamento de tributos.

c. 480-479 Xerxes I da Pérsia (486-465), invade a Grécia; vencido por coalizão grega que libera comunidades gregas das costas norte e leste do Mar Egeu.

c. 479-454 Liga de Delos; aliança defensiva contra os persas, gradualmente controlada por Atenas que centraliza o pagamento de tributos.

c. 461-446 “1a” Guerra do Peloponésio, Atenas contra Corinto; paz de 30 anos.

Séc. V Grandes realizações artísticas e literárias gregas; Polignoto, pintor, Miron, Policleto e Fídias, escultores; Píndaro, poeta; Ésquilo, Sófocles e Eurípides,
dramaturgos; Aristófanes, teatro cômico; construção do templo de Zeus em Olímpia (468-456) e do Partenon de Atenas (447-438).

431-404 Guerra do Peloponésio; Atenas vencida; supremacia de Esparta (Tucídides, historiados c. 465-395).

Sécs. V-IV Auge da Filosofia: Sócrates (469-339); Platão (428-347); Aristóteles (384- 322).

386 “Paz do Grande Rei”, restabelecimento da supremacia persa sobre as cidades gregas da Ásia Menor e confirmação da supremacia de Esparta na Grécia européia.

378-362 Guerras entre Esparta e Atenas; intervenção e supremacia temporária de Tebas; Morte de Epaminondas e paz temporária.

359 Ascensão ao trono de Filipe II da Macedônia (359-336)

EVENTOS MONETÁRIOS

c. 650-600 Cunhagem das primeiras moedas, em eletro, na Lídia e na Jônia, na Ásia Menor (hoje Turquia).

c. 600 Datação do mais antigo depósito de moedas de eletro, achado nas escavações do templo de Ártemis, em Éfeso.

c. 560-546 Adoção do sistema bimetálico na Lídia: cunhagem de moedas de ouro e de prata.

c. 550-500 Expansão da cunhagem grega de prata da ilha de Egina para a Grécia continental (Atenas, Corinto), para o sul da Itália e a Sicília, a Trácia e a Macedônia, a ilha de Rodes, e a Lícia na Ásia Menor.

c. 530-500 Consolidação da cunhagem de moedas “incusas” nas cidades gregas do sul da Itália (Síbaris, Metaponto, Caulônia, Poseidonia); emissões do tipo tradicional em Naxos, Siracusa e Selinunte, na Sicília.

c. 510 Criação do sistema monetário para a região ocidental do Império Persa; dárico de ouro = 20 siglos de prata.

c. 480-440 Grande aumento da emissão de tetradracmas (moedas de 4 dracmas) das cidades da Grécia continental e da Sicília (Siracusa, Leontini, Messana e Caulônia); generalização da cunhagem de prata nas principais cidades gregas.

c. 460 Emissão do “Demareteion” , decadracma de Siracusa; e dos primeiros decadracmas de Atenas.

c. 450-410 Grandes emissões de tetradracmas de Atenas, (Atena/coruja) “moeda internacional”. Atenas apropria-se do Tesouro da Liga de Delos (454), de 6.000 talentos, equivalentes a 30 milhões de dracmas; soldo dos marinheiros da frota ateniense: 1 dracma/dia; reduzido a ½ dracma em 412.

c. 450-400 Grandes construções em Atenas, estimuladas por Péricles, chefe do Estado (443-429); 1 dracma/dia = salário de operários especializados em Atenas, livres ou escravos, do pedreiro ao arquiteto; um vaso de cerâmica, sem grande decoração custava alguns óbolos (6 óbolos = 1 dracma); preço médio de escravos vendidos em Atenas em 414 a. C., : 170-180 dracmas; adultos 200; estátuas do Erecteion (407-408) entre 60 e 240 dracmas por escultura.

c. 440-380 No sul da Itália, consolidação dos tipos: cavaleiro/golfinho em Tarento; touro com cabeça humana/Atena e depois ninfa, em Nápoles e outras cidades; de touro e Atena em Túrio; Atena e Leão em Vélia (Eléia).

c. 440-420 Início da cunhagem de bronze no sul da Itália (Túrio) e na Sicília (Himera e Agrigento)

c. 420-390 Período de grandes realizações artísticas nas moedas da Sicília; decadracma de Agrigento; decadracmas de Siracusa assinados por Euainetos e Kimon, com quadriga e ninfa Aretusa.

c. 401 Os “dez mil”, mercenários gregos a serviço de Ciro “o Jovem” recebem de soldo 1 dárico de ouro por mês; os oficiais 2 dáricos; o cavalo de combate do historiador Xenofonte foi vendido por 50 dáricos.

c. 393-300 Tetradracma de Atenas, olho de Atenas de perfil; deterioração do estilo.

c. 395-371 Grandes emissões de estáteres de prata de Tebas, com os tipos do escudo e da ânfora.

O Mundo Grego e seus Vizinhos, c. 650-280 a.C

“Da Invenção” da Moeda à ascensão de Filipe II da Macedônia, c. 650-360 a.C.

As evidências arqueológicas e literárias sugerem que a cunhagem de moedas iniciou-se por volta de 600 a.C. na Anatólia ocidental (hoje Turquia), ponto de contato entre as cidades gregas jônicas da costa do Mar Egeu e o reino da Lídia, no interior.

Essas primeiras moedas eram de eletro, uma liga natural de ouro e de prata unifaciais, aparecendo no reverso a marca do punção que forçava o disco no cunho do anverso.

A essas emissões seguiu-se a cunhagem de moedas de ouro e de prata puros pelo reino da Lídia, no período de Creso (c. 561-547), com o tipo do leão e do touro se enfrentando .

Mas outras evidências de achados arqueológicos sugerem que boa parte dessas emissões ocorreram já sob os persas, que conquistaram a região em 547 a.C. Por volta de 510 a.C., os persas introduziram um sistema monetário duradouro baseado no estáter, ou “Dárico” de ouro de cerca de 8,4g , equivalente a 20 estáteres, ou “siglos” de prata.

Na segunda metade do século VI a.C., com exceções como Cízico, Focéia e Mitilene (na ilha de Lesbos), que continuaram a cunhar peças de eletro, a maioria das cidades da Ásia Menor passou a cunhar exclusivamente moedas de prata.

Esse foi também o metal das cunhagens iniciais da Grécia propriamente dita, por volta de 550 a.C., onde possivelmente Egina foi a primeira localidade a cunhar moeda .

Sua iniciativa foi logo seguida por cidades-estado importantes como Atenas e Corinto e por Chalcis e Erétria na ilha de Eubéia, pelas ilhas gregas do Mar Egeu, por Rodes e pela Lícia e a Cária, na Ásia Menor.

Ainda no séc. VI, ou logo a seguir, as cidades gregas e tribos da região da Trácia e da Macedônia , e a ilha de Corcira (corfu) também cunhariam moedas de prata.

Os povos “semi-gregos” do interior da Macedônia e da Trácia, como os Derrones, Bisalti, e outros, tinham acesso a grandes jazidas de prata, permitindo-lhes cunhar por volta de 500 a.C. peças de 8 dracmas (octodracmas).

Moedas com o tipo característico de ninfa e sátiro são atribuídas à ilha de Tasos .

A cunhagem dos reis da Macedônia iniciou-se com Alexandre I (498-451 a.C.).

A abrangência da cunhagem grega ampliou-se, passando a incluir as comunidades gregas estabelecidas em volta do Mediterrâneo - especialmente no sul da Itália e na Sicília - e do Mar Negro (ou Euxino).

Entre 520 e 480 a.C., a cunhagem de prata estendeu-se a dezenas de cidades.

A cunhagem grega influenciou a dos vizinhos, notadamente a dos persas, na Ásia Menor ocidental, a dos cartagineses, na África do norte e na Sicília, a dos etruscos, na Itália, a dos fenícios e inclusive a dos celtas, na Europa central e ocidental.

Muitas dessas cunhagens utilizaram imagens e inscrições em idiomas apropriados às suas tradições.

Mas, como a inspiração grega é inegável, os livros especializados costumam classificar como “Moedas Gregas” todas essas emissões, e esse foi o critério adotado nesta exposição.

Da região do mar Egeu, a cunhagem ganhou rapidamente as cidades gregas do Mediterrâneo ocidental. No sul da Itália, Síbaris talvez tenha sido a primeira cidade a cunhar moedas - por volta de 540 a 530 a.C. -, mas quase simultaneamente com Caulônia, Poseidonia, Tarento e Metaponto.

Essas primeiras moedas foram fabricadas no relativamente sofisticado método “incuso”, único no Mundo Grego, que subsistiria até cerca de 440 a.C. O tipo do anverso aparece normalmente em relevo, enquanto no reverso aparece o mesmo tipo cunhado em “intaglio”, ou “em negativo”, com os dois tipos alinhados exatamente, lembrando o trabalho da prata em “repoussé” .

Mas diversas cidades gregas também cunharam moedas de prata com a técnica tradicional, como Hyele (Velia), ainda no séc. VI a.C., e muitas outras logo a seguir, no séc. V, como Cumas, Terina e Régio .

Na Sicília, não se recorreu a emissões incusas, e várias cidades, principalmente Naxos, Zancle (a futura Messana), Himera , Selinunte e Siracusa , cunharam moedas no modelo grego do Mediterrâneo oriental entre cerca de 530 e 490.

Ao longo do séc. V a.C., consolidou-se a cunhagem de moedas com tipos de anverso e reverso. Esses tipos passaram geralmente a incluir símbolos das cidades, e, freqüentemente, também cabeças ou outras representações de divindades.

Até cerca de 430, as moedas eram na sua maioria de prata quase pura, e cunhavam-se valores de pequena dimensão, como em Eion , Cízico , Tarento, Siracusa, Naxos e Camarina , e mais tarde em Massilia (Marselha ), que, provavelmente, eram perdidas com facilidade.

As cidades gregas do sul da Itália e da Sicília foram as primeiras a cunhar moedas de bronze. Túrio, por volta de 440, e Agrigento , Gela e Himera, por volta de 430- 410 a.C., fizeram emissões já no sistema de cunhos diferentes para o anverso e o reverso, e logo foram seguidas por numerosas cidades.

Contrariamente às cunhagens em metal precioso, as emissões de bronze circularam com um valor não diretamente relacionado com o seu “valor intrínseco”, ou seja, o seu conteúdo de metal. Tratava-se de uma cunhagem “fiduciária”, e os agentes econômicos a aceitavam - tinham “fé” no seu valor -, em função do prestígio, ou autoridade, do emissor. Essas moedas, portanto, destinavam-se principalmente ao uso local, e não ao comércio “internacional”.

No século V, as cidades do sul da Itália e da Sicília cunharam moedas de grande qualidade artística a partir do período de 480 a 450 a.C.
A emissão de estáteres e principalmente de tetradracmas (4 dracmas), deu aos gravadores de cunhos ampla liberdade para criar alguns dos tipos mais famosos da história da moeda, notadamente em Siracusa , mas também em Messana , Leontini e Gela .

Na Grécia continental e nas regiões do Mar Egeu e do Mar Negro, eliminada a ameaça persa, houve grandes emissões de prata, atestando o dinamismo do comércio daquelas áreas.
Egina continuou a cunhar moedas (as “tartarugas”) de ampla aceitação , mas também cidades mais distantes como Sinope, na Paflagônia , ou Teos , na Jônia, mantiveram uma cunhagem exclusivamente de prata, contrastando com Mitilene, na ilha de Lesbos, que continuou a emitir moedas de eletro no período de 450 a 330 a.C.

Ao norte do Mar Negro tinham circulado “proto-moedas” do tipo de “ponta de flecha” e de golfinho , certamente com funções monetárias, mas de caráter fiduciário.

Nessa região também seriam emitidas moedas de bronze fundido de grande diâmetro.

Mas logo várias cidades costeiras adotariam a cunhagem de prata do modelo tradicional.

Cidades e reinos da Macedônia , da Trácia , bem como da península e das ilhas, cunharam numerosos tetróbolos (4 óbolos) e trióbolos (ou hemidracmas) no séc. V e no início do séc. IV a.C.

No segundo quartel do séc. V a.C., após liderar a bem-sucedida resistência contra os Persas, Atenas emergiu como potência dominante e líder da Liga defensiva de Delos, criada para evitar futuras invasões.

Os atenienses apropriaram-se do tesouro da Liga guardado na Acrópole de Atenas, e de cerca de 5.000 talentos equivalentes a 30 milhões de dracmas, e a cidade cunhou milhões de tetradracmas (moedas de 4 dracmas), inclusive para construir o Partenon e outros templos. Esses tetradracmas circulariam atéa região do Afeganistão e do Egito, às vezes pelo seu peso de prata como atestam vários exemplares com cortes para verificar a pureza do metal. Seriam também imitados no Egito, na Palestina (cunhagem filisto-árabe) e na Arábia do sul.

As emissões de Atenas incluíram a seguinte gama de denominações (com pesos arredondados), também adotadas em boa parte do mundo grego:

Tetradracma: 17,2g
Hemidracma: 2,2g
Hemióbolo: 0,36g
Hemitartemorion: 0,09g
Dracma: 4,3g
Óbolo: 0,7g
Tetartemorion: 0,18g

O tipo da deusa Atena no anverso e da coruja no reverso consolidara-se por volta de 510-500, quando Atenas, explorando as minas de prata do Lauríon, passara a emitir tetradracmas em maior quantidade.

O tipo de Atena com o olho de frente seria mantido “imobilizado” no período clássico da construção do Partenon e das grandes esculturas de Fídias, devido ao reconhecimento internacional que esse tipo já havia adquirido.

O Tesouro de Delos foi uma fonte importante de metal para a cunhagem, mas a sua apropriação e a política “imperialista” de Atenas foram questionadas por vários aliados.

A guerra do Peloponéso (431-404 a.C.) e uma desastrosa expedição contra Siracusa, na Sicília (413 a.C.), levariam à derrota de Atenas diante de uma coalizão liderada por Esparta, que, sem cunhar moeda própria até séculos mais tarde, tornou-se então a potência dominante da Grécia continental.

O tipo da deusa Atena no anverso e da coruja no reverso consolidara-se por volta de 510-500, quando Atenas, explorando as minas de prata do Lauríon, passara a emitir tetradracmas em maior quantidade.

O tipo de Atena com o olho de frente seria mantido “imobilizado” no período clássico da construção do Partenon e das grandes esculturas de Fídias, devido ao reconhecimento internacional que esse tipo já havia adquirido.

O Tesouro de Delos foi uma fonte importante de metal para a cunhagem, mas a sua apropriação e a política “imperialista” de Atenas foram questionadas por vários aliados.

A guerra do Peloponéso (431-404 a.C.) e uma desastrosa expedição contra Siracusa, na Sicília (413 a.C.), levariam à derrota de Atenas diante de uma coalizão liderada por Esparta, que, sem cunhar moeda própria até séculos mais tarde, tornou-se então a potência dominante da Grécia continental.

De Filipe II à Consolidação das Monarquias Helenísticas, c. 360-280 a.C

No século IV a.C., o mundo das cidades-estado gregas independentes, no Mediterrâneo ocidental e oriental começaria a ruir diante da ambição de alguns governantes e do crescente poder de Roma.
Destacam-se, no período, as emissões de prata do sul da Itália, notadamente as de Neápolis (Nápoles), Túrio, Velia e Tarento, com estáteres e didracmas de excelente qualidade artística , mas especialmente as de Lokroi Epyzephyrioi ou Lócres .

Na Sicília, Siracusa emerge como o poder dominante, mas passa pelas “tiranias” de Timoleon e Agátocles .
Os principais rivais dos gregos na ilha eram os cartagineses, que cunharam moedas de inspiração grega em oficinas locais ( cópia do tipo da Aretusa de Siracusa criado por Euainetos), ou no norte da África, incluindo uma abundante cunhagem de eletro .

Na Grécia Continental, vários novos poderes locais, como Audoleon, na Peônia , cidades da Tessália , ilhas do Adriático , e também Megalópolis, na Arcádia, cunharam suas próprias moedas em paralelo às emissões das cidades mais tradicionais como Opus , Tebas , Cálcis , Siciônia e Argos

Atenas cunhou novamente tetradracmas de prata em grande quantidade ao longo do século IV a.C., mas com uma menor preocupação estética, enquanto Corinto fez grandes emissões de estáteres com o tipo de Atena e do Pégaso , também amplamente difundido por suas colônias.

Na ilha de Creta, destacam-se nesse período as cunhagens de Cnossos, Gortina e Cidônia , e as emissões de Rodes , - um importante centro comercial , aumentaram muito de volume.

Na Ásia Menor, a cunhagem grega de prata e de bronze difundiu-se amplamente pela costa e pelo interior .

São particularmente conhecidos os tipos da abelha e do cervo, de Éfeso e as emissões de bustos de divindades em ¾ dos sátrapas da Cária, como as de Mausolo , cujo túmulo seria depois considerado como uma das “Sete Maravilhas do Mundo”.

Na Cilícia, os sátrapas também emitiram estáteres que competem em beleza com o tipo dos atletas de Aspendus, na Panfília .

A cunhagem fenícia iniciou-se tardiamente, apenas em meados do séc. V a.C., apesar da reputação de grandes comerciantes de seu povo. No séc. IV, vários monarcas locais emitiram moedas tendo o Shekel como unidade nas principais cidades como Biblos e Tiro . Sidon cunhou tetrashekels muito atraentes.

A ascensão de Filipe II (359-336) da Macedônia consagraria a predominância desse reino sobre o mundo grego.

Dispondo de minas abundantes, Filipe II cunhou estáteres de ouro de cerca de 8,6g e tetradracmas de prata , estes logo imitados pelos povos celtas. Apesar da eloqüência de Demóstenes em Atenas, conclamando-as à resistência, as cidades-estado gregas demoraram a reagir diante da ameaça macedônica, e, quando finalmente se aliaram, foram definitivamente derrotadas por Filipe II.

A predominância macedônica se consolidaria sob Alexandre III (336-323), conhecido como “o Grande”, que iria conquistar o império persa, estendendo seus domínios do Egito até as fronteiras da Índia propiciando uma grande ampliação das áreas alcançadas pela cunhagem de moedas, inclusive dos reinos que o sucederam.

O tetradracma de Alexandre e suas subdivisões , emitidos em grandes quantidades e também postumamente, substituiriam a cunhagem ateniense como a moeda internacional por excelência no Mediterrâneo oriental.

A transformação em moedas de grande parte do tesouro real persa em diversas oficinas monetárias do império também resultou numa abundante cunhagem de estáteres de ouro

A morte prematura de Alexandre teve como conseqüência a repartição do império entre os “diádocos”, seus principais generais, assim como algumas cunhagens de governantes gregos locais sem indicação do monarca, como em Babilônia . Lisímaco, um desses generais, reinaria sobre a Trácia até 281 a.C..

Depois de passar para o meio irmão de Alexandre, Filipe III , pelo domínio de Cassandro e pelo de Demétrio Poliorcetes , a Macedônia caberia à dinastia Antigônida.

A Síria e as antigas satrápias orientais do Império Persa reverteriam para a dinastia selêucida, fundada por Seleuco, e o Egito à dinastia “lágida” ou ptolemaica, fundada por Ptolomeu.

O Mundo Grego, c. 360 – 30 a.C.

338 Batalha de Queronéia; Filipe II esmaga a aliança de cidades-estado gregas e controla a Grécia através de uma liga comandada pela Macedônia.

336 Assassinato de Filipe II; Alexandre, “o Grande” (336-323).

335 Levante da Grécia, destruição de Tebas.

334-331 Conquista do Império Persa por Alexandre. Soldo dos hipaspitas do seu exército: 1 dracma/dia.

c.330 a.C.-17d.C Consolidação do Reino da Capadócia.

329-325 Campanhas de Alexandre na Ásia Central; Alexandre na Índia; vitória sobre o Rei Poros e seus elefantes.

325-323 Regresso à Pérsia e morte de Alexandre.

323-301 Várias divisões do Império de Alexandre entre os diadocos (generais sucessores).

c. 323 Início da dinastia Ptolemaica ou Lágida (c. 323-30) no Egito; Ptolomeu I (323- 285), ex-general de Alexandre.

c.300 Fundação de Antioquia, capital do Reino Selêucida, incluindo a Síria e satrápias orientais.

281-280 Morte de Lisímaco da Trácia; na Itália, Guerra entre Tarento e Roma; Pirro, rei do Epiro na Itália (280-275), vencido por Roma.

279 Invasão Gálata (Celta) nos Bálcãs: pilhagens por vários anos e morte de Ptolomeu Keraunos da Macedônia.

c. 279 Consolidação do Reino da Bitínia (c. 279-74 a.C.).

277 Dinastia dos Antigônidas na Macedônia (277-168) inicia-se com Antígono Gônatas (277-239).

c. 280-241 Consolidação do reino de Pérgamo; Eumenes I (263-241) incorpora a Mísia e a Lídia.

c. 251 Consolidação da Liga Acaia constituída c. 280 a.C., com a adesão de Sícion.

c. 250 Diodoto, sátrapa da Báctria e da Sogdiana (c. 256-230 a.C) declara-se independente do Império Selêucida;

238 Fundação do Reino Parta (c. 238 a.C. a 224 d.C.), consolidado sob Mitrídates II (123-88).

223-187 Antíoco, "o Grande da Síria"; derrotado pelos Romanos; decadência dos Selêucidas.

215-211 Defecção e conquista da Sicília Grega pelos Romanos que, completam a conquista da Itália.

197-168 Filipe V da Macedônia (197) e Perseu (168) derrotados pelos Romanos: em

148 a Macedônia torna-se província Romana.

167 Delos porto livre; decadência de Rodes; soldo de um soldado de infantaria em Creta: 1 dracma rodiana.

162-128 Lutas dinásticas entre os Selêucidas da Síria.

147-146 Guerra de Roma contra a Liga Acaia; destruição de Corinto (146) e transformação da Grécia em província romana.

c. 140 Reino Grego da Báctria conquistado pelos nômades Sakas (Citas); sobreviveram reinos Indo-Gregos no Paquistao.

133 Reino de Pérgamo legado por Atalo III a Roma.

107 Mitrídates, rei do Ponto (120-63) conquista o Bósforo Cimério.

103-76 Alexandre Jannaeus, da dinastia judaica hasmoneana, rei da Judéia (103-76).

86 Atenas tomada por Sula.

74 Reino da Bitínia legado por Nicomedes IV a Roma

66-62 Campanhas de Pompeu no Oriente: Vitórias contra Mitrídates do Ponto, Tigranes da Armênia e anexação da Síria selêucida como província Romana.

46 A Numídia, independente 202-46, torna-se a província romana de África nova.

51-30 Cleópatra VII, rainha ptolemaica do Egito; aliança com Antônio e derrota para Otaviano (Augusto) em Áccio (31); em 30, o Egito torna-se província romana.

EVENTOS MONETÁRIOS

c. 348-344 Filipe II (359-336) da Macedônia adota os tipos de Zeus e jovem a cavalo para os tetradracmas de prata e inicia a emissão de estáteres de ouro e frações; a cunhagem em seu nome continuaria até o início do séc. III a.C.

c. 350 Séc. IV “jetons” dos membros do Conselho de Atenas: 5 óbolos/dia; escravos eram alforriados por de 300 a 500 dracmas.

c. 350-306 Grandes emissões de estáteres de Corinto e de suas colônias com os tipos de Pégaso/Atenas.

c. 350-270 Abundantes emissões de Cartago em eletro e prata, na metrópole e nas suas dependências na Sicília e na Sardenha.

c. 336-323 Consolidação do sistema monetário de Alexandre, baseado na dracma ática (de Atenas), com a emissão de tetradracmas de prata e subdivisões, a nova “moeda internacional”, grandes emissões de estáteres de ouro, múltiplos e subdivisões; abundantes emissões póstumas com o tipo de Alexandre até c. 175 a.C.

c. 323-280 Numerosas emissões de tetradracmas dos generais sucessores de Alexandre; Lisímaco, na Trácia (323-281); Seleuco (312-280), na Síria; Filipe III (323-317), meioirmão de Alexandre, Cassandro (319-297) e Demétrio Poliorcetes (294-288) na Macedônia.

c. 282-263 Filetairos, fundador da dinastia Atálida de Pérgamo, apropria-se do tesouro de Lisímaco, de 9.000 talentos sob sua guarda, equivalentes a 54 milhões de dracmas, dando origem a uma abundante emissão de tetradracmas no reino.

c. 280-211 Última fase de emissões gregas na Itália e Sicília antes do domínio romano; didracmas de Nápoles e Tarento e numerosas emissões de bronze.

c. 277-168 Dinastia Antigônida na Macedônia; farta emissão de tetradracmas, com tipos e retratos excepcionais, especialmente de Filipe V e Perseu.

c. 250-140 Diodoto da Báctria e seus sucessores emitem alguns dos mais expressivosretratos helenísticos, especialmente sob Eucrátides e seus vassalos (c. 170-135).

c. 250-96 Emissão regular de tetradracmas e dracmas no Império Selêucida com retratos sempre muito realistas e reversos com divindades em gravações de alta qualidade.

c. 196-146 Abundantes emissões de prata, da Liga Acaia em mais de 20 cidades, de bronze em cerca de 40 localidades.

c. 170 Introdução no reino de Pérgamo do tetradracma cistofórico, ou cistofóro, mais leve, como parte de um sistema monetário “fechado”, tal como o do Egito.

c. 170 Emissão, em Atenas, de tetradracmas “de novo estilo” de tipos de Atena e coruja sobre ânfora (c. 170-86 a.C.); porto livre em Delos (167) e decadência de Rodes, mas continuação da emissão de dracmas rodianas.

Sécs. II-I Numerosas imitações das moedas de Filipe II da Macedônia e de tetradracmas de Thasos pelos celtas orientais.

Sécs. II-I Celtas ocidentais emitem moedas de ouro e de prata progressivamente mais abstratas, também baseadas nos tipos de Filipe II.

c. 120-63 Emissões de tetradracmas de Mitrídates do Ponto e retratos notáveis nas cunhagens da Bitínia; últimas emissões de tetradracmas selêucidas também com retratos e tipos de elevado padrao estetico.

c. 100-30 Últimas emissões ptolemaicas e reforma da cunhagem de bronze do Egito por Cleópatra VII (51-30), que também cunhou raros tetradracmas e denários juntamente com Marco Antônio.

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